quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Encontro de dança e cultura será promovido em comemoração ao Dia da Consciência Negra

Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, várias escolas da rede municipal de Educação participam nesta quinta-feira (14) do Encontro Interescolar de Dança e Cultura da Cidade Educadora (Eidancce). Pelo menos 12 escolas participam do evento, que será realizado na Concha Acústica do Parque Mãe Bonifácia, a partir da 16 horas.
Os alunos das escolas inscritas no projeto Eidancce farão apresentações culturais, entre elas, dança afro-brasileira. Em seguida haverá apresentações de grupos de Cururu, Siriri e de rasqueado, como Guapo, Marcos Levi e Benê Cintra.
Segundo a professora da Escola Municipal Marechal Rondon, Sueli Xavier, idealizadora do projeto Eidancce, esta será a 12ª edição do projeto que tem por objetivo promover uma “provocação para dar imaginação e criatividade ao projeto que busca no caleidoscópio da raça humana um sentido de harmonia com suas respectivas culturas”, seja na dança, música ou costume.
“O Eidancce é um incentivo para os educadores que desenvolvem, nos espaços das escolas, boas experiências relacionadas às relações étnico-raciais e já faz parte da intenção das Leis 10.639 e 11.645, que trata da obrigatoriedade de inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena na Educação Básica”, explica a professora.
Ainda segundo a professora Sueli, o Eidancce divulga o conceito de parcerias, buscando na comunidade talentos que disponham de tempo e boa vontade para realizar o trabalho.
Participam do encontro as escolas municipais de Educação Básica Quintino de Freitas; Doze de Outubro; Padre Raimundo Pombo; Juarez Sodré; Marechal Rondon; Tancredo de Almeida Neves; Professor Firmo José; Nossa Senhora Aparecida; Oito de Abril; Maria Ambrosio Pommot; Ulisses Guimarães e escola rural Herbert de Souza; além da Associação de Cururueiros Tradição Cuiabana e o Grupo de Siriri Raízes Cuiabana.
Na abertura do evento, a Banda da Polícia Militar executará o Hino Nacional e o Hino de Mato Grosso.
O evento conta com o apoio do Centro de Referência de Direitos Humanos de Mato Grosso e da Secretaria de Estado de Cultura. 

Fonte:  Rosane Brandão
http://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias?id=7798

Deputados e gestores municipais discutem projeto que pune quem piorar a educação

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o projeto de lei sobre a responsabilidade educacional (PL 7420/06) ouve nesta quarta-feira (13) especialistas municipais no assunto.

A proposta quer tornar inelegível por quatro anos o prefeito ou governador que piorar os indicadores da educação durante a sua gestão. O parecer do relator, deputado Raul Henry (PMDB-PE), deve ser apresentado no final deste mês.
Foram convidados para discutir o assunto:
- o presidente da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de
Educação (Anfope), Helena Costa Lopes de Freitas;
- o vice-presidente da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME), Artur Costa Neto; e
- o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Clara.
O debate foi proposto pelo relator e pelo presidente da comissão especial, deputado Waldenor Pereira (PT-BA) .

A audiência pública está marcada para as 14h30, no Plenário 11.

Íntegra da proposta:

Da Redação - ND

http://www2.camara.gov.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/456907-DEPUTADOS-E-GESTORES-MUNICIPAIS-DISCUTEM-PROJETO-QUE-PUNE-QUEM-PIORAR-A-EDUCACAO.html

Editorial de "O ESTADO DE SÃO PAULO" : A educação em escombros

Se ainda faltasse alguma prova da crise educacional brasileira, o novo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a escassez de pessoal para a construção seria mais que suficiente. Durante muito tempo as construtoras foram uma das principais portas de entrada para o trabalho urbano. Absorviam enormes contingentes de mão de obra de baixa Escolaridade e ofereciam ocupação mesmo a Analfabetos. 
Programas de investimento em obras de infraestrutura e em construções habitacionais contribuíam de forma importante para a criação direta e para a manutenção de empregos. Hoje essa porta é muito menos ampla, porque a tecnologia mudou e a atividade requer outro tipo de trabalhador. Mas a política educacional foi incapaz de acompanhar essa mudança e o descompasso é evidenciado, mais uma vez, pela sondagem da CNI.
Mesmo com o ritmo de produção abaixo do esperado, o setor da construção continua encontrando muita dificuldade para contratar mão de obra adequada às suas necessidades. O problema foi apontado por 74% das 424 empresas consultadas na sondagem recém-divulgada. Há dois anos a queixa havia aparecido em 88% das respostas, mas o nível de atividade era bem mais alto e isso se refletia na procura de trabalhadores. Mas o detalhe mais alarmante é outro. A falta de pessoal para as atividades básicas - pedreiros e serventes -foi apontada por 94% das firmas com problemas para preenchimento de quadros. Parcela pouco menor (92%) indicou escassez de funcionários técnicos para ocupações ligadas diretamente à obra.
As indústrias consultadas mencionaram problemas para preenchimento de postos em todos os segmentos e em todos os níveis administrativos. Em relação à gerência, por exemplo, queixas foram apresentadas por 69% das empresas com dificuldades de contratação. De modo geral, os níveis de insatisfação quanto às condições do mercado foram tanto mais altos quanto maior o porte da companhia consultada. A falta de trabalhadores qualificados - a questão mais genérica - foi apontada como problema importante por 81% das empresas grandes, 77% das médias e 64% das pequenas. A média dessas respostas ficou em 74%.
A qualificação de pessoal na própria empresa é a solução mais comum, mas também a aplicação desse remédio está longe de resolver o problema. Alta rotatividade, pouco interesse dos trabalhadores e baixa qualidade da Educação básica foram os principais obstáculos apontados pelas companhias consultadas. Mas o terceiro item apontado, a Educação básica deficiente, talvez seja a explicação mais provável tanto do desinteresse dos trabalhadores como da rotatividade.
A sondagem do setor da construção complementa com um toque especialmente dramático o cenário mostrado, há poucos dias, na última pesquisa sobre os demais segmentos da indústria. Também neste caso é relevante levar em conta o baixo nível de atividade do setor: mes-; mo com a lenta recuperação registrada depois de um ano de retração, as empresas continuam com problemas para preencher seus quadros.
Praticamente dois terços das firmas (65%) indicaram dificuldades i para encontrar pessoal qualificado. Desse grupo, 81% procuram qualificar os trabalhadores na própria empresa. Mas também neste caso a tarefa é dificultada pela falha da Escola.
A baixa qualidade da Educação básica foi apontada como a maior causa de dificuldade por 49% das empresas com problemas de preenchimento de postos.
Esses dados esclarecem facilmente um paradoxo aparente. Por que - muitas pessoas têm perguntado -as empresas têm evitado demitir, apesar do baixo nível de atividade a partir de 2011? A resposta é evidente. Além dos custos da demissão, os administradores levaram em conta as dificuldades para recompor os quadros.
Durante quase dez anos a administração petista deu prioridade à ampliação do acesso às faculdades, para facilitar a distribuição de diplomas. Quase nenhuma atenção foi dada aos outros níveis. A escassez de mão de obra com a formação mínima é uma das consequências desse erro, ao lado, é claro, da perda de competitividade. 
http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/28843/editorial-a-educacao-em-escombros/

Aprovado limite de peso em mochilas estudantis

Iara Guimarães Altafin


Um estudante do ensino fundamental ou do ensino médio não poderá carregar na mochila material que pese mais do que 15% de seu peso corporal. A medida consta de projeto aprovado nesta quarta-feira (13) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa. A proposta será submetida a turno suplementar de votação.

Prevê ainda que o poder público promoverá ampla campanha educativa sobre o peso máximo permitido para o material a ser transportado pelos alunos.De autoria do deputado Sandes Júnior (PP-GO), o texto (PLC 66/2012) prevê que o peso corporal dos estudantes seja declarado à escola pelos pais ou responsáveis, no caso da educação infantil e do ensino fundamental, ou pelos próprios estudantes, no caso do ensino médio.
Relatora da matéria na CAS e na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), a senadora Ângela Portela (PT-RR) apresentou substitutivo acrescentando a obrigatoriedade de as escolas fornecerem armários para os estudantes guardarem seu material escolar.
Ao justificar seu projeto, seu autor alertou para os problemas de saúde gerados pelo excesso de peso carregado diariamente nas mochilas escolares. Segundo o parlamentar, a Sociedade Brasileira de Ortopedia estima que a maioria dos problemas de coluna na fase adulta resulta de sobrecarga de peso e esforços repetitivos na adolescência.
Mesmo votando a favor da medida, os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Paulo Davim (PV-RN) apontaram lacunas na proposta, que devem dificultar a aplicação do limite de peso das mochilas, na avaliação dos parlamentares.
Humberto Costa questionou a previsão de autodeclaração de peso pelos estudantes e também o fato de o projeto não especificar responsabilidades para o caso de descumprimento da norma, ou seja, de o aluno transportar mochila mais pesada que 15% do seu peso corporal.
– É a família [a responsável]? É a escola? Há muitas imperfeições [na proposta], que dificultarão a implementação da matéria – disse.
Rodrigo Rollemebrg (PSB-DF) concorda que a medida é de difícil fiscalização, mas ele considera que sua aprovação será um incentivo para uma mudança de prática nas escolas, quanto ao peso do material escolar.
Ângela Portela disse que a proposta é uma opção para amenizar o problema de peso excessivo nas mochilas e não descartou a possibilidade de adoção de outras medidas, como o uso de mochilas com rodinhas, sugerido pelo senador Humberto Costa.
– Como legisladores, estamos colocando para que pais, responsáveis e os próprios estudantes possam assumir o compromisso com a escola, de declarar seu peso e ter um controle, um limite no peso das mochilas – frisou.
Se aprovado em turno suplementar na CAS e se não houver recurso para votação pelo Plenário do Senado, a matéria voltará para a Câmara dos Deputados.

Projeto define que Ministério da Educação cuide apenas do ensino básico

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (12), projeto que transforma o Ministério da Educação em Ministério da Educação de Base, que deverá ficar encarregado da educação infantil até o ensino médio. Pelo texto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação passará a regular o ensino superior. A matéria segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autor do PLS 518/2009, argumenta que a mudança é necessária, pois o governo federal tem dado mais importância ao ensino superior do que à educação básica, um erro grave, em sua opinião.
O relator na CE, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), reconhece o mérito da proposta, embora frise que a União vem atuando, nos últimos anos, de maneira crescente na educação básica, em razão até mesmo da pressão do Parlamento para que o Poder Executivo assuma mais responsabilidades para com os sistemas de ensino -atuação ainda tímida e insuficiente, na opinião do parlamentar.
Aloysio, entretanto, apontou vício de iniciativa do projeto, já que a criação de ministérios e órgãos da administração pública é competência exclusiva da Presidência da República, assim como a organização e o funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. Como a análise da constitucionalidade da proposta compete à CCJ, o relator apresentou parecer favorável para que a matéria prossiga na tramitação e seja reavaliada .
As senadoras Ana Rita (PT-ES) e Ângela Portela (PT-RR) e o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentaram requerimento de realização de audiência pública para instruir a análise da matéria, mas o pedido não foi votado.
http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/11/12/projeto-define-que-ministerio-da-educacao-cuide-apenas-do-ensino-basico.htm

Congresso ameaça afastar crianças com deficiência do ensino regular

Leonardo Sakamoto
Há um lobby em curso no Congresso Nacional que pode levar à segregação de estudantes com deficiência nas chamadas escolas especiais. Pesquisas científicas e a experiência mostram que os alunos com deficiência podem aprender mais em ambientes inclusivos. Ganham eles e ganha a sociedade com a redução da discriminação devido ao convívio.
Para tratar do assunto, pedi um artigo para a jornalista Patricia Almeida, coordenadora da agência de notícias Inclusive/Inclusão e Cidadania e membro do Conselho da Down Syndrome International. Ela participou dos esforços que levaram à ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência pelo Brasil. E, mais importante, é mãe de Amanda, de 9 anos, que nasceu com síndrome de Down:
O Plano Nacional de Educação (PNE), que norteará a política do setor nos próximos dez anos, está sendo debatido no Congresso Nacional. Para um grupo de brasileiros, aqueles com algum tipo de limitação, o plano pode não cumprir a meta de aprimorar a educação. Ao contrário, poderá ser visto como um grande retrocesso nas políticas de inclusão social e capacitação de pessoas com deficiência.
Com “as melhores intenções”, um grupo de deputados federais e senadores lidera campanha para segregar estudantes com deficiência nas chamadas escolas especiais. Utilizam o argumento falacioso de que nesses estabelecimentos as crianças e adolescentes recebem atendimento exclusivo em ambiente protegido. Talvez pudessem dizer que sua ausência no ensino regular também beneficia o rendimento dos alunos “comuns”.
Ambos os argumentos são enganosos, mas extremamente difundidos entre os brasileiros. Pesquisas científicas e a experiência mostram justamente o contrário: os alunos com deficiência aprendem mais em ambientes inclusivos – e não apenas seus colegas, como toda a comunidade, ganham com o convívio. A inclusão escolar é também o melhor antídoto contra a discriminação e, por isso, nos países desenvolvidos já é prática desde os anos 70.
Embora ainda precise melhorar muito, o Ministério da Educação tem se esforçado para receber esses novos alunos na rede de ensino. Cada vez mais, eles estão saindo de casa ou deixando as escolas especiais e migrando para o ensino regular. Prova disso é que houve um impressionante aumento de quase 1.000% das matrículas de alunos com deficiência nas escolas entre 1998 e 2010.
Mesmo assim, ao invés de concentrar os esforços em garantir a qualidade necessária para que os estudantes que estão sendo incluídos progridam em salas de aula comuns, o lobby das instituições assistenciais que se dizem representantes das pessoas com deficiência como Apaes, Pestalozzis e outras no Congresso Nacional é na direção contrária.
E é também na contramão da lei e dos direitos humanos o posicionamento dos senadores da comissão de educação, que apoiam o texto defendido pelas escolas especiais. A redação proposta inclui que as crianças com deficiência devem estudar “preferencialmente'' nos estabelecimentos de ensino regular. Embora pareça uma mudança pequena, essa palavra cria duas classes de alunos, os “mais deficientes'' e os “menos deficientes'', os “incluíveis'' e os “não-incluíveis''. E isso, além de inaceitável, vai contra a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada em 2009 como norma constitucional.
Imagine uma mãe que vai matricular seu filho numa escola perto de casa e tem que ouvir da diretora que por conta daquele “preferencialmente'' a escola não precisa mais aceitar a criança? São mais de 600 mil estudantes com deficiência incluídos na rede regular de ensino público e privado. O que dizer a essas famílias? Acabou a festa? Mande seu filho de volta pra exclusão, de onde ele nunca devia ter saído?
Mas por que a inclusão não interessa às entidades filantrópicas? A resposta é simples – os recursos governamentais que as mantém são pagos per capita, e requerem que os usuários estejam lá dentro. Quando são incluídos, a verba se vai. Desesperados, os dirigentes e seus padrinhos políticos têm provocado campanhas para aterrorizar os pais, dizendo que seus filhos vão ficar sem escola.
A receita tem dado certo. Não houve um senador sequer, nem dos mais progressistas, que tenha ousado elevar sua voz contra as Apaes.
Mas afinal, senhores senadores, o que o PNE trará de concreto e afirmativo para a educação inclusiva das crianças e jovens com deficiência e para o combate à discriminação nos próximos 10 anos? Qual é a mudança proposta pelos senhores? Algum avanço ou só mesmo a volta à segregação de seres humanos?

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/11/11/congresso-ameaca-afastar-criancas-com-deficiencia-do-ensino-regular/

As melhores escolas são as mais desiguais, afirma pesquisa

Anderson Stevens/Futura Press

Por Ocimara Balmant 

Estudo da Fundação Victor Civita, com dados da Prova Brasil, mostra que média alta esconde desigualdade

Muita gente acredita que as boas médias de uma escola demonstram um aprendizado de qualidade. Afinal, uma média alta significa que muitos estão conseguindo boas notas. Certo? Não exatamente.
Uma pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC) publicada neste mês analisou as notas de Matemática da Prova Brasil (avaliação que mede o aprendizado dos alunos da Educação Básica) nas escolas públicas urbanas e aplicou um questionário em 252 instituições, sendo 108 no município de São Paulo, 53 na cidade do Rio de Janeiro e 91 em outros municípios.
O resultado mostrou que as instituições localizadas na periferia apresentam resultados mais baixos, porém mais homogêneos. Por outro lado, as melhores escolas, as localizadas nas regiões centrais, são as que mais têm desigualdade de aprendizagem.
O que acontece é que as boas médias estimulam as escolas a se focarem ainda mais nos bons alunos, uma forma de manter e melhorar ainda mais a performance do colégio. Com isso, aquele porcentual de alunos com rendimento aquém do mínimo tende a ser ainda mais esquecido. E, como a nota média da escola é alta, essa desigualdade não é percebida.
E quem são aqueles que, mesmo matriculados nas regiões de nível socioeconômico mais elevado, frequentam as aulas de recuperação? São os alunos do sexo masculino, negros e pobres. Uma mostra de que a escola só reflete a exclusão que predomina na sociedade.
Como resolver essa questão e garantir um aprendizado com equidade? É a essa pergunta que a pesquisa apresenta alguns caminhos. Para falar sobre o assunto, O iG conversou com a diretora executiva da Fundação Victor Civita, Angela Danemann. 
Confira a entrevista:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-11-09/as-melhores-escolas-sao-as-mais-desiguais-afirma-pesquisa.html

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Escolas promovem interação em festival de xadrez


Pelo menos 80 alunos de 15 escolas da rede municipal de Cuiabá participaram do segundo festival de xadrez, promovido pela Secretaria de Educação. O evento foi realizado na última sexta-feira (08), na escola Henrique da Silva Prado, no bairro Areão.

A competição foi dividida nas categorias A (12 a 15 anos) e B (8 a 11 anos), feminino e masculino.

No feminino da Categoria A o primeiro lugar ficou com a aluna Mayara Yasmim; o segundo lugar foi para a escola rural Nossa Senhora Penha de França; e o terceiro lugar para a escola Orlando Nigro.

O primeiro lugar do feminino da Categoria B foi para a aluna Gabriela Santos, da escola Senador Gastão de Matos Müller, o segundo lugar foi da escola Francisval de Brito e o terceiro lugar ficou com Helio de Souza Vieira.

No masculino da categoria A quem ficou em primeiro lugar foi o aluno Pedro Henrique da escola Francisval de Brito. O segundo e terceiro lugar foram para as escolas Orlando Nigro e Nossa Senhora de Penha França, respectivamente.
Na Categoria B o primeiro lugar foi para o aluno Gabriel Souza, da escola Rafael Rueda. As escolas Doutor Fábio Firmino Leite e Helio de Souza Vieira ficaram com o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Os três primeiros colocados de cada categoria, tanto no feminino como no masculino, foram premiados com medalhas.

A escola Doutor Orlando Nigro foi a campeã na pontuação geral, somando 12 pontos. Ela foi premiada com um troféu exclusivo, feito no formato de um tabuleiro com as peças de xadrez.

O secretário de Educação de Cuiabá, Gilberto Gomes de Figueiredo, prestigiou o evento e fez questão de entregar a premiação para os alunos. Ele elogiou a participação dos competidores e o trabalho dos articuladores do Programa Mais Educação, responsáveis pelas oficinas de xadrez.

“É importante que essas crianças entendam que, mesmo ganhando ou perdendo, a única chance de se tornar um campeão é participando de competições, pois quando você é persistente acaba aprimorando suas habilidades e um dia pode se tornar um vencedor”, observou o secretário.

O coordenador da competição, Sérgio Zanelato, destacou que a realização do festival de xadrez é um oportunidade de interação entre os alunos de diversas escolas, além de fortalecer as atividades do Programa Mais Educação.

Segundo a diretora da escola Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, Marilza José Lopes Schuina, o xadrez é um esporte que ajuda muito desenvolver nos alunos habilidades, principalmente em matemática, estimulando o ensino-aprendizado. “Eles passam a prestar mais atenção ao que está ao seu redor, desenvolvendo competências”.

As escolas que participaram da competição foram: Joana Dark da Silva; Senador Gastão de Matos Müller; Henrique da Silva Prado; Doutor Orlando Nigro; Alzira Valladares; Senhorinha Ana de Oliveira; Doutor Fabio Firmino Leite; Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon; Maria Dimpina Lobo Duarte; professor Francisval de Brito; Helio de Souza Vieira; José Luis Borges Garcia; Professor Rafael Rueda; Lenine de Campos Póvoas; e a escola rural Nossa Senhora Penha de França.

Fonte:  Rosane Brandão

http://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias?id=7790

Escolas inclusivas ajudam seus alunos a se inserirem no mercado de trabalho

Raquel Sperb 
Há cerca de quatro anos, Raquel Sperb Martins, de 26 anos, trabalha em uma rede de loja de brinquedos em São Paulo. Começou como auxiliar, mas já foi promovida a repositora. Seria uma história comum, se ela não tivesse uma particularidade. Quando criança, médicos falaram para a família da jovem que ela teria mais dificuldade para o aprendizado. Anos depois, prestes a entrar no ensino médio, veio o diagnóstico: transtorno invasivo de desenvolvimento.
No fim do Ensino Médio, surgiu a questão: seria apropriado para Raquel cursar uma universidade?
Nesse momento, é preciso avaliar com cuidado e caso a caso, explicam os educadores que trabalham em escolas que atendem a alunos com deficiência cognitiva.
O Colégio Novo Ângulo Novo Esquema (Nane), onde Raquel estudou, tem parte de seus alunos com condições especiais de aprendizado. Para atendê-los, a escola criou um curso que os prepara para o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo em que capacita esse estudante, a escola também orienta a empresa sobre a melhor forma de recebê-los e em quais áreas a inserção seria mais apropriada.
“Às vezes eu tenho um aluno que gosta muito de animais, então analisamos: ele tem condições de estudar veterinária? Não tem. Então vamos trabalhar com essa ideia. O aluno pode, por exemplo, trabalhar em um petshop, em um local onde treinam cachorro”, afirma Suely Palmieri Robusti, diretora da escola Nane.
Continue lendo:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-11-10/escolas-inclusivas-ajudam-seus-alunos-a-se-inserirem-no-mercado-de-trabalho.html

Educação integral: Jovens relatam como retomaram a motivação de continuar na escola

“A agente estuda porque gosta”, diz André Techemeyer, 15 anos. “Os professores mostram que somos capazes”, relata Rosilene Xavier, da mesma idade. “O Trajetórias Criativas cria jovens que correm atrás de sonhos”, salienta Samuel Carvalho, 16. A novidade nas afirmações é que, depois de repetir uma ou duas vezes alguma série do ensino fundamental, esses jovens estão na véspera de ingressar no ensino médio. O caminho que encontraram foi a experiência Trajetórias Criativas, desenvolvida em 12 escolas públicas em Alvorada e em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Nas duas cidades, 1.265 alunos participam do projeto.

Rosilene, Samuel e André participam, em Brasília, do seminário Política de Adequação Idade–Ano Escolar para Jovens de 15 a 17 anos Retidos no Ensino Fundamental no Âmbito do Programa Mais Educação. Eles e outros 30 estudantes de sete estados vieram à capital federal contar como currículos criativos podem modificar a vida daqueles que estavam desistindo da escola. Além de falar, os alunos documentam o evento.

São essas experiências que o Ministério da Educação quer mostrar às redes de ensino que participam do programa Mais Educação. Segundo dados do Censo Escolar do ano passado, 3,1 milhões de jovens de 15 a 17 anos estão retidos no ensino fundamental por sucessivas repetências. Outros 1,6 milhão na mesma faixa etária estão fora da escola, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostragem em Domicílio (Pnad) de 2011.

O seminário, promovido pelo MEC, reúne coordenadores do programa Mais Educação dos 26 estados e suas capitais e do Distrito Federal, universidades públicas, professores e estudantes do ensino fundamental com idade de 15 a 17 anos.

Caminhada — O estudante André, de Alvorada, contou no seminário que entrou na escola aos oito anos de idade, repetiu o terceiro ano e, aos 10 anos, achava chato estudar. Esse desânimo inicial contrasta com o entusiasmo de hoje na experiência Trajetórias Criativas.  “Em vez de provas, temos trabalhos em grupo, e as pesquisas científicas são motivadoras”, garantiu, a uma plateia de 200 educadores e colegas que participam de outros tipos de projetos em escolas de sete estados. “Eu me transformei numa pessoa crítica.”

Rosilene, que estuda em Porto Alegre, revela que se considerava pouco inteligente. “Eu me sentia ‘burra’ e comecei a rodar (repetir a série)”, afirmou. “Eu dizia para mim: ‘Não posso, não sei’.”

Ao chegar ao projeto Trajetórias Criativas, a estudante encontrou um ambiente motivador. “Lá, os professores têm paciência. É o mesmo que viver numa família. As aulas são diferentes, não precisa copiar do quadro”, concluiu, aplaudida pelos educadores.

Samuel entrou na experiência a convite de um colega, depois de repetir o sexto e o sétimo anos. “Eu tinha dificuldades; ia pra escola por brincadeira”, afirmou. Hoje, ele diz ter a grande oportunidade de seguir estudando. “Espero um acolhimento no ensino médio, no próximo ano, igual ao que tenho hoje.”

Em 2014, a experiência Trajetórias Criativas será ampliada. De 12 escolas em duas cidades, passará a 30 em dez municípios. O projeto compreende várias etapas, mas o forte é o planejamento — semanal, quinzenal e mensal — feito em conjunto pelos professores. Todas as disciplinas têm a mesma carga horária, a iniciação científica faz parte da rotina das turmas, a alfabetização digital e audiovisual e as oficinas estão no núcleo de estudos. Além disso, saídas pedagógicas são planejadas para ampliar a visão de mundo dos estudantes.

A professora de matemática Aline Formentin, de Alvorada, diz que a missão dos educadores que estão na escola e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), parceira da iniciativa, é resgatar os jovens, os professores e a família para um ensino motivador, que valorize a pessoa humana. “Em 11 anos de profissão, nunca tive a família dos alunos tão perto”, diz Aline.

seminário segue até quarta-feira, 12, na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília. Serão apresentados projetos desenvolvidos em Campo Grande, Natal, Salvador, Maceió, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Ionice Lorenzoni

Leia também:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19238

Prefeitura comunica sobre os feriados dos dias 15 e 20 de novembro

A Prefeitura de Cuiabá comunica que os próximos dias 15 (sexta-feira) e 20 (quarta-feira) de novembro são feriados, o primeiro nacional, da Proclamação da República, e o segundo municipal, em Homenagem ao Líder Negro Brasileiro "Zumbi dos Palmares". O decreto de número 5.255, que dispõe sobre as datas comemorativas, foi assinado em 31 de dezembro de 2012.
No caso do feriado municipal, não geram direitos, nem descanso remunerados as datas que por Lei Municipal forem declaradas comemorativas, ficando a critério de cada entidade de classe ou a Instituição competente, a determinação de suspensão de expediente nesses dias, desde que comuniquem com antecedência mínima de cinco dias úteis.

Clique aqui e confira a íntegra do decreto.

Fonte:  Secretaria de Comunicação de Cuiabá

http://www.cuiaba.mt.gov.br/noticias?id=7791

Mario Friedlander alia fotografia à defesa dos movimentos ecológicos e dos povos tradicionais; veja fotos

Da Redação - Marianna Marimon

Pé na estrada com um olhar afiado, para traduzir a poética da natureza, da humanidade, e assim, revelar o mundo em um clique. “Quando percebi o poder da fotografia, eu me entreguei”, contou o fotógrafo Mario Friedlander, paulista erradicado em Mato Grosso desde a década de 80. Já são 30 anos de estrada, e com a fotografia, que considera uma verdadeira arma, Friedlander atuou em movimentos ecológicos, como a criação do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Mas não é só a denúncia que o fotógrafo revela em suas lentes, mas também a estética e a arte.
A sua luta começou com esta ação política ambiental e evoluiu para antropologia, cultural e artística. De Vila Bela a Chapada dos Guimarães, o acervo do fotógrafo revela as mudanças sofridas desde a década de 80. “Quando retorno aos locais em que já trabalhei é significativo, pois, tudo muda. Chapada não é mais o que era, está abandonada, mas foi muito importante para meu crescimento profissional e espiritual. Já Vila Bela permanece mais intacta, por existir menos contato”, disse.

Parte de um movimento ecológico radical, que lutou para criar o Parque de Chapada, Friedlander se lembra da mata densa, do trabalho das turmas em abrir as trilhas, dos encontros e desta batalha travada pelos jovens. “Aquela época era diferente, nós acreditávamos nas pessoas, nas mudanças, hoje, parece que a violência e a corrupção estão impregnadas em todos os lugares”, lamenta.

Mas, as lentes não capturam apenas a natureza. Os povos tradicionais são fruto de intensa pesquisa de Friedlander. “Não se preserva a cultura, porque ela é dinâmica, esta em mutação, o que temos que fazer é proteger, fortalecer. É preciso esta interação para aceitar as diferenças e não querer domar”, explica.

Quando migra para uma comunidade, o fotógrafo conta que entra em contato com os líderes e passa a emergir no cotidiano dos povos tradicionais, como os pantaneiros, os índios, os quilombolos, os afrobolivianos. E com isto, a fotografia se transformou de ambiental para antropológica, mas Friedlander também trabalha com arqueologia.

O fotógrafo ressalta que este trabalho com os povos tradicionais ajuda a própria comunidade a se enxergar de outra forma. “Fazer este registro da cultura popular dos povos tradicionais influenciou as próprias comunidades a se enxergarem de outro modo, pois, estes povos mantém a tradição, mas desconhecem o seu poder e isto dá um novo significado”, adiantou.

Como fruto deste contato intenso com os povos tradicionais é que surgiu a revista “Afromundo”, projeto de sua autoria com colaboração de outros fotógrafos e repórteres.

Sobre os projetos futuros, Friedlander planeja até 2015, lançar ensaios de fotografias cujo processo durou cinco anos de maturação. “Desde 2010 realizo ensaios como de Vila Bela, “Lugar Comum, Lugar Qualquer – Guaporé”, e também outro ensaio que é “Santos Pantaneiros”, que pretendo terminar com cinco anos de maturação do trabalho, que acho um tempo bacana para um ensaio”, revelou.

Realizar este mapeamento dos povos tradicionais, das belezas naturais de Mato Grosso, dos mistérios, das nuances da própria vida, é preciso empenho. “Viajar é caro e difícil, são muitas as limitações, e a relação de envolvimento com estas culturas é muito vasta para ser documentada. Uma vida só é pouco”, concluiu.

Reproduzo o comentário de Eduardo Ricci, publicado no Olhar Direto, por inteira e total concordância
por Eduardo Ricci, em 11/11/2013 às 13:08
Além da técnica apurada e da visão sempre inovadora, um viés ambiental e cultural. Um profissional que faz a diferença!
http://www.olhardireto.com.br/conceito/noticias/exibir.asp?noticia=Mario_Friedlander_alia_fotografia_a_defesa_dos_movimentos_ecologicos_e_dos_povos_tradicionais_veja_fotos_&id=2967#!prettyPhoto

Professor de História recria a 2ª Guerra Mundial no Facebook

LEONARDO VIEIRA

RIO - E se o conflito da Segunda Guerra Mundial não passasse de mais um "barraco" no Facebook? Como a Alemanha, por exemplo, discutiria com a União Soviética e chamaria o Reino Unido para a briga?
"Sarre, Renânia, Áustria e Tchecoslováquia tamo junto na parada. É nois!!! III Reich comanda!!! Hehehehehe...", comenta o perfil da Alemanha em sua timeline em 1939, no que é curtida pela Itália facista. Logo abaixo no post alemão, o Reino Unido comenta:

"Se liga aí, porque a potência maioral da Europa sou eu. Tô de olho nessa onda de vocês, mas se vocês pensam que vou me estressar estão muito enganados! Tô de boa aqui!"

É desse modo, usando gírias bem cariocas, que o professor de História Paulo Alexandre Filho começa a contar os capítulos da Segunda Guerra como se eles fossem posts publicados no Facebook. Docente da rede estadual de educação de Pernambuco, Paulo simplesmente recriou passo a passo todos os episódios do confronto, desde 1939, quando a Alemanha começa sua política expansionista na Europa, até 1945, quando os Estados Unidos lançam duas bombas nucleares sobre o Japão e encerram a maior guerra da História.

Para o Pacto Nazi-Soviético de 1939, por exemplo, Paulo simula a situação onde a Alemanha publica no mural da União Soviética a seguinte pergunta: "Que tal dividirmos a Polônia?". Os comunistas não pensam duas vezes, curtem o post e ainda comentam abaixo: "Combinado. Se os ingleses acharem ruim, entramos em guerra com eles. Tô afim de uma briga!".

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Matemática: uma entrevista com o criador da OBMEP

Pergunte a um jovem brasileiro que disciplina lhe desperta os piores sentimentos e dificilmente ouvirá algo diferente de “a matemática". Foi para tentar reverter esse cenário que o peruano César Camacho, 70 anos, se lançou em uma cruzada que demandou andanças por todo o país e conversas nos mais altos gabinetes de Brasília. Em 2005, ele conseguiu pôr de pé a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), que atrai 20 milhões de estudantes de 50000 colégios. Doutor pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Camacho é um ferrenho defensor da meritocracia, princípio que norteia sua gestão de uma década à frente do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), centro de pesquisas de reputação mundial. Ele resume: "A matemática faz cidadãos melhores”.
O senhor sofreu resistências quando lançou a ideia da olimpíada de matemática?
Uma ala dentro do próprio MEC era contra. Houve uma ocasião em que a secretária do Ensino básico do ministério me chamou e disse: “Professor, o senhor vai me desculpar, mas não quero participar dessa atividade”. Perguntei por quê, e ela foi direta: “A olimpíada vai discriminar os estudantes e, na minha maneira de ver as coisas, na sala de aula são todos iguais”. A ideia só prosperou mesmo porque instâncias superiores gostaram do projeto. O primeiro a se manifestar a favor foi o Eduardo Campos (então ministro de Ciência e Tecnologia). Quando eu expliquei que custaria 5 milhões de reais para alcançar inicialmente 5 milhões de estudantes, ele logo se entusiasmou: “Um real por Aluno? Vou falar com o Lula". Aí o presidente me pediu que fosse a Brasília e expôs suas preocupações.
O que exatamente preocupava o então presidente Lula?
Ele colocou duas questões na mesa. Primeiro, queria saber o que os pedagogos achavam da minha ideia. Eu disse que havia os bons pedagogos e os não tão bons — esses últimos é que eram contra. Contei a Lula que eles repudiavam justamente o princípio elementar da olimpíada: a competição. O presidente refletiu e disse: “Na Amazônia existem o capim, os arbustos, árvores maiores e menores brigando pela mesma luz solar. É da natureza competir”. O outro comentário de Lula foi sobre uma ideia que ele próprio lançou no encontro, a de uma olimpíada voltada para Professores. “Por que não fazemos?”, indagou. E ele mesmo respondeu: "Deixa para lá. Os sindicatos seriam contra”.
Na recente greve de Professores do Rio de Janeiro, os sindicalistas agitaram bandeiras de repúdio à meritocracia, como já aconteceu outras vezes. Qual é a raiz dessa resistência?
Tradicionalmente, os que gostam de sistemas que premiam o mérito são aqueles que veem aí uma chance de ter seu talento reconhecido, e não os que sabem de antemão que não reúnem as condições mínimas para ser bem avaliados — exatamente o caso de uma parcela dos Docentes. No meu modo de ver, a questão salarial pode até ser posta à mesa, mas desse jeito, apoiada sobre a isonomia, não trará grandes avanços ao Ensino, tampouco prestígio à carreira do Professor.
Qual seria o caminho para a docência conquistar prestígio?
No mundo todo, em qualquer área, o prestígio só vem com uma formação de alto nível e junto a um sistema em que a ascensão profissional seja determinada por resultados, e não por conquistas sindicais. Antes que obtivessem a cátedra, aliás, os Professores deveriam passar por uma prova como a que a OAB faz para os que querem atuar corno advogados: só seriam aprovados os que de fato sabem o que precisam ensinar. A alta qualidade está ligada à dura seleção, mas o Brasil não tem pendor para a competição. Repare que a isonomia não é bandeira histórica apenas dos sindicalistas, que sempre lutaram por salários iguais para todos: ela é também defendida por correntes que abominam o princípio de distinguir os Alunos pelo mérito na sala de aula. Para mim, essa é uma visão oblíqua. Os talentos precisam, sim, ser incentivados.
O Impa é uma das poucas instituições brasileiras de relevo na comunidade acadêmica internacional. Quais as raízes da ainda modesta participação do Brasil na elite da pesquisa?
A pesquisa brasileira se desenvolve em um sistema estatal pesado, sob um excesso de normas que atravancam o trabalho do cientista e o processo de inovação. O labirinto burocrático do serviço público pesa, por exemplo, na hora de contratar cérebros e importar materiais. Mesmo atrair estrangeiros para nossos centros de pesquisa não é uma tarefa simples.
Há resistência por parte da academia a acolher estrangeiros?
Na verdade, nós os espantamos graças a um hábito cartorial brasileiro, que remete ao mais puro tradicionalismo: ainda que a situação esteja melhorando, a maioria das provas dos concursos é até hoje feita em português. Isso, claro, afasta pesquisadores de fora. É a burocracia agindo contra a qualidade. O Impa não tem essas amarras. Como organização social (OS), nosso orçamento é livre de carimbos e podemos contratar e demitir com base exclusivamente no mérito. Um terço de nossos Professores são estrangeiros, e nós nos beneficiamos muito. Afinal, o país não precisou pagar pela boa Educação deles, e pudemos fazer uma seleção mais qualificada, entre os melhores do mundo.
A academia brasileira ainda vê com desconfiança a aproximação com a indústria?
Essa distância vem encurtando gradativamente na área das ciências. A competição global ajuda a demolir o muro que separa esses dois mundos na medida em que torna a inovação uma questão de sobrevivência. Ou seja, as empresas têm e terão cada vez mais de ir atrás de cérebros na academia para equacionar seus problemas. O estreitamento do elo entre universidade e mercado também tem a ver com a sofisticação da indústria nacional: enquanto ela cresce, as questões por solucionar vão demandando mais e mais expertise. É essencial que se estabeleça essa ponte. Os países que conseguiram se despir de qualquer ideologia e fazer isso com pragmatismo são também os mais inovadores. O Brasil deveria refletir sobre o assunto de forma estratégica, como faz, por exemplo, Singapura, uma ilhota de 50 quilômetros de diâmetro que virou sinônimo de inventividade. É um exemplo em que o Brasil poderia mirar.
Quais são os aspectos que fazem de Singapura um país tão inovador?
Olhe como funciona o CNPq de lá. Esse órgão, que serve para fomentar a pesquisa, conta com um grupo de sábios que vive de mapear janelas de oportunidade para a investigação científica. Eles não limitam a procura apenas a Singapura, evidentemente, mas prospectam no mundo inteiro áreas que podem trazer inovação e dinheiro. Definido o foco, garimpam os melhores especialistas, dentro e fora do país, e põem de pé a estrutura necessária, seja um laboratório, seja até mesmo um novo instituto. Eles têm em caixa um orçamento gigantesco, para cinco anos de trabalho, e zero de burocracia. Se a pesquisa termina, desativam aquele instituto, ainda que centenas de cientistas precisem ir para casa, e partem para desbravar outras áreas. No passado, investiram pesado em eletroeletrônicos. Depois veio o petróleo. É difícil de acreditar, mas, sim, o Brasil compra plataformas submarinas de Singapura, que nem petróleo tem. Não dá para competir. Somos devorados no campo das inovações.
Como fazer com que os estudantes brasileiros deixem o grupo dos piores do mundo em matemática?
Antes de tudo, é preciso entender que, ao contrário do que ocorre em outras disciplinas, o aprendizado da matemática é sequencial. Se o Aluno não firma bem determinado conceito, fica mais difícil absorver o seguinte e pior ainda o que vem depois, sedimentando-se assim as lacunas. O Ensino da matéria requer, portanto, uma Escola organizada e um Professor muito bem preparado; alguém que goste de dar aula, tenha domínio do conteúdo e consiga adequar-se ao nível de conhecimento do Aluno. A matemática remete a um princípio elementar do espírito humano: o prazer de ser desafiado. Como um bom matemático pensa a matemática? Solucionando problemas mais e mais complexos. É exatamente isso que atrai tantos jovens à olimpíada.
Onde estaria a solução para o desempenho sofrível nas salas de aula?
Nas faculdades que formam os Professores. O nível geral é baixo. Certa vez, falava a um grupo de Educadores sobre como preparar os Alunos para a olimpíada quando fui surpreendido pela franqueza de uma diretora de Escola. "Como o senhor espera que a gente faça tudo isso se nem a matéria sabemos direito?”, ela me perguntou. Olhe a situação: era uma diretora, alguém no auge da carreira, que reconhecia suas deficiências mais básicas. E não é um caso isolado. Depois de oferecer um curso a Docentes de Escolas públicas, um conjunto de instituições de Ensino do Rio constatou que um terço deles eram profissionais irrecuperáveis. Eles deveriam voltar para a Escola. O problema é que os pais simplesmente confiam os filhos a essas pessoas. Agindo assim, diminuem as chances de eles galgarem degraus e competirem para valer no tabuleiro global.
O que fazer para que as universidades formem Professores mais capazes?

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http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/28845/quanto-mais-competicao-melhor/

Rede social para professores quer compartilhar conhecimento

Polinizar é o ato de transferir os pólens de uma flor para outra, fazendo com que elas se reproduzam e se multipliquem. É isso que a Polinize, plataforma que funciona como uma rede social, quer fazer com a educação, conectando estudantes, professores, artigos científicos e de opinião, cursos gratuitos e fóruns de debates num só espaço. No ar desde outubro, a rede já conta com mais de 5 mil usuários e 12 cursos disponíveis.
Um dos maiores cuidados tomados no desenvolvimento da plataforma, segundo Pedro Teberga, um dos fundadores do site, foi justamente o de facilitar a vida dos educadores que querem usar a rede. "Eles não são obrigados a entender e gostar de tecnologia. Tem muito professor com textos bons, materiais opinativos, pesquisas e que não sabe o que fazer com eles, não dominam a estrutura dos blogs ou não usam Facebook", diz Teberga.
Na plataforma, todos os perfis dos usuários – sejam professores ou estudantes – possuem uma aba chamada Conteúdo, que funciona como uma espécie de blog simplificado. Nela, os professores podem adicionar seus textos e artigos opinativos, além de arquivos em PDF com pesquisas mais aprofundadas, como artigos científicos, dissertações e teses. “As páginas dos professores nas universidades, em escolas, são quase sempre uma bagunça, cada uma num formato, difícil de entender, coisa da ‘idade da pedra’ mesmo. A ideia é facilitar o uso para todo  mundo”,  diz Leonardo Avelino, responsável pela  engenharia da plataforma.

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...