segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Criatividade na matemática depende de experimentação

“Diálogo Brasil-Alemanha” mostra como professores precisam viver a matemática da sala de aula para tirar a desconfiança dos alunos

“O que torna a matemática muitas vezes chata é que dá a impressão que se trata da aplicação de fórmulas de maneira a ser memorizada”, disse Artur Ávila ao Porvir logo após a conquista da inédita Medalha Fields, prêmio popularmente conhecido como “Nobel da Matemática”. O pesquisador brasileiro vivia uma agenda lotada e, em breves palavras, comentou que o que afasta alunos da disciplina é o fato de que “não há espaço para a criatividade”.
Nesta quarta-feira, 1, o Centro Alemão de Ciência e Inovação reuniu especialistas para tratar desta questão no painel “Equações para uma matemática atraente”, parte da 3a edição do evento “Diálogo Brasil-Alemanha de ciência, pesquisa e inovação”, realizado na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo (SP).
Crédito: patpitchaya/Fotolia.comMatemática vida real

Para Marcelo Viana, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática e idealizador do Mestrado Profissional em Matemática Nacional, é necessária uma transformação profunda, desde a infraestrutura das escolas, passando pela melhoria no Português que permita melhor entendimento dos enunciados, até a formação dos professores. “Hoje, o professor se sente inseguro para sair do roteiro estabelecido e estimular a criatividade. Também ouço muitas críticas ao sistema, que exige cumprimento de programa pré-estabelecido em que o tempo para aplica-lo é muito curto. Então, não há margem de manobra”, diz Viana.
E como seria o mundo ideal? Viana explica que a matemática é uma disciplina considerada “complicada” porque é sequencial, “o aluno não aprende a multiplicar sem primeiro saber como somar. É uma ordem e, se você perde uma etapa, vira um tédio, um jogo abstrato sem sentido”. Ele defende a criação de ritmos diferenciados, que de um lado atenda os que estão com maior dificuldade e, de outro, não prenda um aluno talentoso por causa de um “nivelamento por baixo”.
Um outro ponto defendido por ele é que professores participem do jogo para conduzir a classe de um conceito concreto para a abstração. “A maioria dos professores da educação básica não está habilitada na área em que dá aula. Além disso, [nas faculdades] há um excesso de conteúdo muito avançado, de pedagogia, e muitos professores saem sem saber o que vão ensinar na sala de aula. Eles usam muito mais o que aprenderam na época em que estavam na escola”, completa.
Outras abordagens
Ricardo Karan, engenheiro licenciado em Matemática e atualmente em estágio pós-doutoral na Universidade Hamburgo, defende o conhecimento histórico de conceitos e o uso de sua relação com a física para estimular a aprendizagem da matemática. “Dizer que um carro está a 90 km/h ou a 25 m/s não é a mesma ideia. A previsão de que em um segundo eu vou me descolar 25 metros é mais razoável do que falar o que vai acontecer daqui uma hora”, exemplifica. “Quanto menor é o intervalo de tempo, melhor é a aproximação que você tem”.
Dentre as experiências da Alemanha levantadas no evento está a aproximação entre o futebol e a matemática trazida pela professora Susanne Prediger, que também é diretora do Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa na Educação em Matemática localizado em Dortmund. Ela conta que a principal missão para educadores de seu país está em despertar o interesse, e não descobrir talentos. “A Alemanha precisa de profissionais em eletrotécnica e no setor de máquinas, por isso temos melhorar o interesse de jovens entre 14 e 16 anos pela matemática”, diz.
Em junho, antes da Copa do Mundo, Susanne colocou seus alunos de 8a série em contato com porcentagem e estatísticas que, dependendo do contexto, poderiam revelar os favoritos a vencer o mundial. “Quando formulam afirmações, muitas vezes absurdas, eles vivenciam competências diferentes. E isso só funciona se tiver relevância”, conta.
Para ela, uma experiência que ajudaria a atrair mais estudantes seria contar mais para alunos pequenos sobre o dia a dia de matemáticos e mostrar como a disciplina é essencial em atividades como previsões meteorológicas, por exemplo. Susanne também diz que um dos desafios para professores e educadores é estudar de onde vem as barreiras no aprendizado. “Os que não entendem conteúdo na 5a série podem ter passado por algo na 2a série. Precisamos discutir de onde veio isso”.
http://porvir.org/porfazer/criatividade-na-matematica-depende-de-experimentacao/20141003

Veja as propostas de Pedro Taques para a educação


O Senador Pedro Taques foi eleito para governar Mato Grosso nos próximos 4 anos. 

Todo candidato deve apresentar suas propostas ao Tribunal Regional Eleitoral, antes do pleito. Essas ficam marcadas como sugestões, passíveis de mudanças, na medida em que se conhece os meandros da máquina administrativa. 

De qualquer forma é possível verificar algumas ideias do futuro governador na área da educação. 

Veja alguns compromissos: 

 Valorizar os profissionais e oferecer condições básicas nas unidades educacionais para que 
possam efetivamente realizar suas atividades. 

 Garantir os repasses constitucionais para a Educação.

 Estabelecer ações em conjunto com os municípios e instituições para ampliar a taxa de atendimento de jovens e adultos, visando reduzir as taxas de analfabetismo no estado.

 Focar ações para o Ensino Médio:
- Aumentar a oferta de vagas para uma cobertura integral da população-alvo.
- Reduzir os índices de evasão escolar.

 Promover a realização de Concursos Públicos, na medida das necessidades de regularização do vínculo dos profissionais da educação nos termos da legislação específica.

 Implantar programa de Avaliação Institucional Estadual Índice de Desenvolvimento da Educação em MT.


Para acessar a íntegra do documento, clique  AQUI

Falta 1,4 milhão de professores para atingir o ensino básico universal

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 
Necessário mais de 1,4 milhão docentes. Foto: Unesco/Antonio Fiorente

O mundo tem um défice de mais de 1,4 milhões de professores para alcançar a educação primária universal até 2015, o segundo dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODM.
Mais de 3,4 milhões do tipo de profissionais serão necessários até 2030, de acordo com o Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.
Oportunidades
No Dia Mundial do Professor, assinalado neste 5 de outubro, chefes de agências da ONU consideram urgente investir nas melhores oportunidades possíveis para milhões de crianças, jovens e adultos do mundo.
Um comunicado conjunto destaca que é uma prioridade capacitar os professores para que estes tenham sucesso. Entre os requisitos estão formação rigorosa, melhores condições de trabalho, treinamento com base na qualidade, desenvolvimento de carreira bem planeado.
A estes junta-se também a necessidade de atrair novos professores e novos talentos, especialmente jovens e mulheres de comunidades sub-representadas.
Resultado
A data é celebrada pelo 20º  ano, com um pedido de um  ensino inovador, inclusivo e focado em resultados para o período pós-2015.  A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, subscreve a declaração juntamente com o diretor geral da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Guy Ryder.
São também assinantes o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef,  Anthony Lake, A administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Helen Clark e o secretário-geral da Internacional da Educação, Fred van Leeuwen, que representa organizações de professores em todo o mundo.
Progresso
De acordo com a Unesco, a escassez global de professores pressionou muitos países para a contratar educadores com pouca ou nenhuma formação. O facto comprometeu o progresso da educação de inúmeras crianças em idade escolar em todo o mundo.
O consenso é que está-se oerante uma "crise de aprendizagem global", com 250 milhões de crianças que não aprendem o básico. Mais de metade delas passaram quatro anos na escola.
Os chefes de agências também observam que a qualidade do ensino depende de professores que gozam de direitos básicos como a proteção contra a violência, a liberdade académica e a liberdade de aderir a sindicatos independentes.

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2014/10/faltam-14-milhao-de-professores-para-atingir-o-ensino-basico-universal/#.VDKWlGddXkw

Quando a prática muda crenças sobre liberdade curricular

Pesquisador inglês, que já acreditou que currículo é arbitrariedade, mudou de opinião e agora defende dois padrões: nacional e escolar
Quando um país se propõe a estabelecer um currículo nacional é comum que haja algum tipo de resistência ou embate entre diferentes correntes ideológicas até que se chegue a um consenso que viabilize a sua implantação. Ao longo desse processo, alguns argumentos são colocados à prova. Um exemplo emblemático é o do especialista em sociologia do conhecimento Michael Young, professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres e um dos principais teóricos em educação do mundo, que reviu as ideias que defendia ao se deparar, em campo, com um cenário diferente do traçado por suas teorias.
Em 1971, Young publicou o livro Knowledge and Control, em que se posiciona a favor da liberdade curricular e endossa a visão de que o currículo se trata de uma arbitrariedade cultural, em que as decisões envolvem relações desiguais de poder. Porém, no início da década de 1990, ao trabalhar na África do Sul quando Nelson Mandela foi eleito presidente, o especialista foi forçado a mudar de opinião. Para se livrar da educação do tempo do apartheid e tudo o que ela representava, o primeiro governo democrático do país construiu um currículo muito abrangente e generalista. Os professores, tão acostumados com um currículo hierárquico e ditatorial, não souberam o que fazer. Ao ver os padrões educacionais caírem quando se esperava o contrário, Young percebeu que dar aos professores e às escolas total liberdade não é a única resposta para se melhorar as oportunidades para todos os alunos.
Svetlana Tikhonova - Fotolia.com

Foi então que o especialista começou a desenvolver os principais conceitos que permeiam a sua visão atual sobre o currículo, resumidos no artigo O futuro da educação em uma sociedade do conhecimento: o argumento radical em defesa de um currículo centrado em disciplinas. Um deles é o do conhecimento poderoso. Em todas as sociedades, em qualquer área, há um conhecimento que é melhor, mais importante para ser aprendido e aplicado. Na educação, é desse conhecimento poderoso que todos os alunos precisam para irem além de suas próprias experiências.
Para Young, crianças e jovens vão à escola para aprender aquilo que não alcançam por meio de suas vivências cotidianas – ou seja, o conhecimento poderoso tem uma característica emancipatória. Ele compreendeu que somente um currículo nacional, centrado em disciplinas definidas a partir do saber posto à prova por especialistas ao longo dos anos – e não em temas derivados de opiniões e preferências pessoais de alunos e professores –, podem garantir que todos os estudantes, em todas as escolas, tenham assegurado o seu direito ao conhecimento mais confiável disponível em cada área, que será essencial para o seu desenvolvimento pessoal, profissional e acadêmico.
A experiência sul-africana ensinou que é o currículo nacional que irá determinar quais são os principais conteúdos que devem ser contemplados em sala de aula. “Como em qualquer profissão, os professores necessitam de orientações sobre o que é o conhecimento importante ao qual todos os alunos precisam ter acesso”, explicou Young em entrevista por e-mail ao Porvir. Porém, ainda que afirme que fornecer essas orientações é o papel de um currículo nacional, o especialista acredita que o documento não deve especificar como os professores ensinam. “Os profissionais precisam de autonomia para interpretar as diretrizes para o contexto de suas escolas. Portanto, um currículo escolar é tão importante quanto um currículo nacional.”
O currículo escolar incorpora o que Young chama de pedagogia, que é a forma como o professor interage com os alunos e os permite acessar os conceitos do currículo. Essa é uma das principais distinções feitas pelo especialista em suas obras. Enquanto o currículo traça as metas do professor e da escola, é por meio da pedagogia que os profissionais irão motivar os estudantes e transformar os conceitos em uma realidade para os alunos. “Os professores precisam desenvolver o conhecimento especializado adequado à sua disciplina e à sua pedagogia não só em seu desenvolvimento profissional inicial, mas também de forma contínua”, afirma.
“É importante se entender como verdade o fato de que nenhum currículo pode superar as desigualdades que têm origem na economia, mas isso não deve ser um argumento contra um currículo nacional”
Essa pode ser a resposta aos receios existentes – inclusive no Brasil, que discute a construção e a implementação de uma base nacional curricular – em relação à autonomia do professor. Para Young, a chave é a capacitação. “Além de uma orientação nacional, também é necessário o desenvolvimento do conhecimento profissional dos professores por meio, por exemplo, de associações e links com universidades, que são um recurso tanto para reforçar a sua autonomia – que não é sinônimo de ‘vale tudo’ –, quanto, principalmente, para tornar o ensino uma profissão mais madura.”
Assim como o debate brasileiro, o processo de desenvolvimento de uma base comum é uma experiência intrincada mesmo em países com um sistema educacional tradicional como o da Inglaterra. Implantado pela primeira vez em 1988, o currículo nacional inglês já passou por várias revisões – sendo a última em outubro de 2013 – e a discussão tem sido muito polarizada, com confrontos entre governo e comunidade educacional. De acordo com Young, as disciplinas representam um forte elemento do currículo das escolas de elite no país, tanto públicas quanto privadas, mas ainda há um pressuposto de que esse currículo é apropriado apenas para uma minoria. “No entanto, como uma sociedade democrática, o currículo deveria ser para todas as crianças até, pelo menos, até o fim do ensino básico. Trata-se de um desafio pedagógico e alguns professores com recursos limitados e classes muito grandes são inclinados a desistir de alguns alunos e descrevê-los como ‘não-acadêmicos’.”
Para o especialista, seja na Inglaterra ou em qualquer outro país, outro desafio é entender o currículo com o propósito do desenvolvimento intelectual dos estudantes, e não como um meio para resolver problemas sociais e econômicos. Para ele, quanto mais o foco for esse, menos provável é que os problemas sejam tratados onde de fato se originam. “É importante se entender como verdade o fato de que nenhum currículo pode superar as desigualdades que têm origem na economia, mas isso não deve ser um argumento contra um currículo nacional. Se um país realmente quer estender o acesso ao conhecimento para todos, é necessária toda uma série de mudanças sociais na economia e na sociedade que não são apoiadas atualmente pelos principais partidos políticos. Um currículo para todos os alunos, baseado no conhecimento, deve ser um objetivo a ser alcançado a longo prazo”, diz Young.
http://porvir.org/porpensar/quando-pratica-muda-crencas-sobre-liberdade-curricular/20141003

Ministro decide por desobrigar Governo de MT a destinar 35% do orçamento à Educação

Airton Marques O governador Mauro Mendes (DEM) conseguiu, no Supremo Tribunal Federal (STF), suspender artigo da Constituição Estadual q...