segunda-feira, 15 de setembro de 2014

‘Escolas e professores ruins vão se tornar irrelevantes’

Woodie Flowers, professor emérito do MIT, fala ao Porvir sobre robótica e como a tecnologia mudará o ensino.


Woodie Flowers, 73, diz que sempre foi uma criança fora do comum, para quem o futebol (americano, claro) não parecia algo natural. Cresceu na pequena cidade de Jena, no estado da Luisiana, no sul dos Estados Unidos. A família era pobre, a escola não era um verdadeiro desafio, mas tinha um pai soldador que fazia “coisas incomuns” por gostar de arrumar e consertar. Foi o que bastou para despertar a paixão precoce pela engenharia neste senhor que hoje é tratado como herói por onde passa com a caravana da FLL (FIRST LEGO League), competição de robótica em que crianças e jovens entre 9 e 15 anos quebram a cabeça atrás de soluções inovadoras materializadas em Lego para problemas que afetam o mundo.
Professor emérito de engenharia mecânica do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Flowers começou de modo não-oficial na engenharia quando transformou um carro velho em hot rod, “uma coisa muito louca e rápida”. A aptidão para montar e desmontar que herdou do pai o levaria mais tarde a mudar o jeito MIT de ensinar, que passou a se basear em projetos.
Crédito: Mariusz Blach/Fotolia.comWoodie Flowers
Em um mundo dominado cada vez mais por máquinas, Flowers diz que é preciso saber muito mais que cálculo, novas línguas e mexer em programas de computador, habilidades que ele chama de treino. Atualmente, é necessário educação, isto é, lidar com pessoas, saber se comunicar e ajudar aos outros.
Na conversa com Porvir, Flowers fala dos fascínios da robótica e dos novos desafios para professores e alunos, que devem encarar um mundo em que tarefas simples passam a ser dominadas por máquinas. O que sobrará para ser ensinado? Leia abaixo:
Como surgiu sua paixão pela robótica?
Eu cresci em uma cidade muito pequena na Luisiana, estado no sul dos Estados Unidos. Eram poucos milhares de pessoas, uma escola pequena, não muito rígida e fácil de conseguir boas notas. Eu era uma criança fora do comum, colecionava borboletas. Eu gostava de ser assim. Eu não gostava de me enquadrar nos padrões do ensino médio da época, joguei futebol, mas nada daquilo parecia ser natural.
Quais foram suas influências?
Minha família era muito pobre, mas meus pais eram bons. Meu pai era um inventor que gostava de arrumar e consertar coisas e eu devo meu comportamento a ele, porque fazia coisas incomuns. Meu primeiro robô foi um hot rod (carro da primeira metade do século 20 modificado). Naquela época, eu não tinha um carro como as garotas queriam, então peguei um bem velho e o transformei em uma coisa muito louca e rápida.
Crédito: Élcio Paraíso/CNI/DivulgaçãoWoodie Flowers
 
Como a robótica ajuda as crianças?A FIRST (empresa que organiza as competições de LEGO), em todas as suas áreas, dentre elas a FLL, permite às crianças fazerem parte de um grupo que tem interesses diversos e as ajuda a desenvolver o que eu chamo de autoestima racional. O robô é uma coisa completamente natural, em que a mãe natureza aplica todas as suas regras. Às vezes eles fazem o que as crianças querem, às vezes não. A natureza dá um feedback rigoroso. Se conseguirem fazer direito, vão se sentir bem. E se, por uma boa razão, elas aprenderem como salvar pessoas em desastres e melhorar o aprendizado, vão para casa à noite e pensam que podem fazer coisas novas e criativas para si e para os outros.
O preço dos kits de Lego ainda é um impedimento. Como fazer com que aulas de robótica se espalhem pelo ensino público?
Eu acho que a robótica chegará às escolas públicas em um processo natural parecido com o do surgimento dos aparelhos celulares, que substituíram os telefones fixos e viraram commodity.
Como novas tecnologias têm mudado o jeito de aprender?
Havia um tempo em que você adquiria conhecimento para toda a sua carreira. Hoje, ele é livre e está por todo o lugar. Saber certas coisas não te garante nada. O que importa é saber como mostrar o que se aprendeu com empatia e integrando com coisas que ajudem aos outros. E você tem que continuar aprendendo durante toda a sua vida.
‘Meu ponto é que aprender cálculo é treino. Aprender a pensar por meio de cálculos é educação’
Que tipos de conhecimento são necessários hoje em dia?
Acho que educação e treinamento são diferentes. Se sobrepõem, mas são bem diferentes. Meu ponto é que aprender cálculo é treino. Aprender a pensar por meio de cálculos é educação. Aprender como mexer no programa de computador CAD é treino. Aprender design é educação. Aprender uma nova língua é treino. Aprender a se comunicar em diferentes situações é educação. Educação é algo que tende a envolver duas pessoas em uma mesma sala, trabalhando com outras. Pode ser que aconteça por meio de uma conexão via internet, mas é muito mais provável de acontecer pessoalmente, por meio de mentoria. Conteúdo em massa é treinamento. Acho que, no futuro, as pessoas vão aprendê-lo por conta própria. E é melhor que você comece a fazer isso agora.
Como será o aprendizado no futuro?Penso que agora todo mundo sabe como fazer um filme (aponta o celular). Em breve, todos terão a oportunidade de aprender coisas que só eram acessíveis em uma escola e transferidas por professor. As pessoas vão começar a aprender sozinhas. Se você quiser aprender a editar vídeo, pode sentar em frente ao computador e aprender sozinho e, se quiser entender como fazer um filme de alta qualidade, terá que trabalhar com um produtor experiente, porque tem um monte de coisas que você não terá pela tela. Faça o download (na App Store, loja de aplicativos da Apple) de Life on Earth, nome de uma série de sete livros de E. O. Wilson, gratuitos, e absolutamente fantásticos. É biologia que parte da microbiologia até ecossistemas inteiros. Não sei o quanto de Biologia você sabe agora, mas se passar por toda essa sequência, sozinho, em sua casa, no seu iPhone, pode se sair muito bem. Há exercícios e é de graça. Acho que escolas ruins e maus professores vão se tornar irrelevantes, porque serão substituídos por ferramentas mais eficientes. Você já ouviu falar do termo big Data?
Como ele impacta a educação?Imagine o que vai acontecer quando Big Data for aplicado na aprendizagem. O Watson (supercomputador da IBM) já consegue entender linguagem natural. Tem um programa de TV nos EUA em que o apresentador dá a resposta e o participante deve fazer a pergunta sobre esportes, entretenimento, química e tudo o que você imaginar, incluindo sarcasmo, expressões culturais, abreviações e todo tipo de coisas com linguagem bastante incomum. Watson venceu todos os melhores participantes. A empresa Viv, fundada por ex-funcionários da Apple, criou uma versão da Siri (assistente de voz do iPhone) com esteroides. O exemplo que eles usam é “Como posso encontrar no caminho para a casa do meu cunhado um lugar para comprar um vinho barato?”. São muitos os jeitos de analisar isso: onde a pessoa está, onde é a loja, onde o cunhado mora e o caminho. A Viv faz isso. O ritmo de mudança é enorme e vai mudar completamente o que é treino e o que é educação.
‘Se você tirar o treinamento da escola, quando estiver na classe, com o professor, poderá focar em educação’
Você não estará mais lidando com intuição, mas com dados. Qual será o papel dos professores?Veja, por favor, entenda que acredito que professores são incrivelmente importantes para estudantes e acho que apenas os bons vão sobreviver a essa transição. Mas, se você tirar o treinamento da escola, quando estiver na classe, com o professor, poderá focar em educação. Estamos tendo uma conversa agora que é muito complicada: fazendo contato com os olhos, vendo meus gestos com as mãos. Isso é muito importante, acontece entre pessoas, mas não necessariamente por meio da tela do computador. Você me disse que tem 31 anos (pergunta ao repórter)?
Isso mesmo.Quando chegar aos 50, você terá que trabalhar duro para conseguir fazer coisas que máquinas não podem fazer. Isso parece uma especulação maluca, mas acho que é muito real e crianças de agora têm uma tarefa ainda maior. Quando eles estiverem com 50 anos, o mundo estará bem diferente e haverá grandes questões sobre o que faz a economia funcionar e o que sobrou para as pessoas fazerem. Onde está o real valor das coisas?
Uma última questão. Por que você usa uma camisa cheia de assinaturas?
Isso começou quando eu era mestre de cerimônia das competições. Precisava de um jeito para dizer “não, obrigado” para os presentes que ganhava das crianças. Então, decidi que pedir autógrafos seria um jeito legal de fazer isso, porque tenho centenas de camisetas e objetos, que vou doar para a FIRST. Já tenho entre 15 e 20 como estas aqui, com quase 2 mil assinaturas, que são feitas até pelo lado de dentro. Tenho assinaturas [dos ex-presidentes] Bill Clinton e George Bush. Espero que minha equipe fotografe todas as partes das camisas e coloque num site onde as pessoas possam encontrar suas próprias assinaturas, coloquem tags e, assim, encontrem seus amigos.
http://porvir.org/porpessoas/escolas-professores-ruins-vao-se-tornar-irrelevantes/20140910

Educação integral só se efetiva em diálogo com o território, afirma especialista


educação integral e os desafios de sua implementação pelas escolas foi tema de discussão no programa Revista CBN, veiculado no último sábado, 6 de setembro. Participaram do debate Natacha Costa, diretora executiva da Associação Cidade Escola Aprendiz, e Beatriz Goulart, arquiteta, urbanista e coordenadora do Cenários Pedagógicos.
Para Natacha, a educação em tempo integral deve se basear na perspectiva da educação integral, que amplia e diversifica as oportunidades de aprendizagem para além daquelas tradicionalmente ofertadas pelas escolas. A especialista entende que a discussão, que aponta uma tensão entre os diferentes modelos escolares, acontece por conta da própria configuração da sociedade, que tem mais acesso ao conhecimento e informações. “É preciso repensar esse molde escolar, a partir da integração de novos agentes e da maior participação de alunos e professores como mediadores dos processos educativos.” Natacha aponta a necessidade de uma nova cultura escolar, regulamentada por leis que ancorem a atuação do professor, e questões de infraestrutura e financiamento.
Já Beatriz Goulart reforça que é necessário questionar a escola que se tem hoje, tendo em vista o tempo que esses alunos estarão envolvidos com práticas educativas. A urbanista aponta que esta discussão toma como base experiências do Bairro Escola, da Escola Integrada de Belo Horizonte e do próprio Mais Educação, e recai não só para as instituições de ensino, mas também para as famílias, comunidades e demais atores envolvidos no processo educativo.
Além disto, a urbanista aborda a importância das escolas desenvolverem seus currículos a partir dos contextos em que estão inseridas e de realizarem a autoavaliação como maneira de entender se o percurso pedagógico implementado dialoga com as crianças, professores, gestores e comunidade do entorno.
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/09/09/educacao-integral-so-se-efetiva-em-dialogo-com-o-territorio-afirma-especialista/

Fórum do Ensino Médio discute propostas para o ensino regular e o ensino noturno

Encontro debateu a reorganização curricular do Ensino Médio noturno e a reformulação do Ensino Médio, em âmbito nacional, proposta pela Câmara Federal.

Gestores responsáveis pelo Ensino Médio das Secretarias Estaduais de Educação, estiveram na sede Conselho Nacional de Secretários da Educação – Consed, nesta quarta-feira, 3/9, em Brasília, para a reunião técnica do Fórum do Ensino Médio. No encontro foi debatido a reorganização curricular do Ensino Médio noturno e a reformulação do Ensino Médio, em âmbito nacional, proposta pela Câmara Federal. A atividade contou com a participação da secretária Estadual de Educação do Mato Grosso, Rosa Neide, e da secretária executiva do Consed, Nilce Rosa da Costa.
Durante a reunião, o foco da discussão foi a situação nacional do Ensino Médio noturno brasileiro. Para a secretária, Rosa Neide, o “ensino médio possui uma dificuldade histórica, por ter sido, durante muito tempo, negligenciado no contexto da educação brasileira”. “Os altos índices de evasão, reprovação e as condições de infraestrutura” são dificuldades encontradas e que dificultam o desenvolvimento dos alunos no ensino noturno, pontuou Roberval Furtado, superintendente de políticas de educação da Secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul.
Diante das dificuldades encontradas, o fórum analisou o documento “Educação Básica Noturna no Brasil: Realidades e Possibilidades” elaborado sob a coordenação do MEC com a participação de representantes do CONSED e das secretarias de estado de educação entre outras instituições com apontamentos e diretrizes norteadoras para a melhoria no Ensino noturno, que inclui: reorganização do tempo escolar e atualização do currículo escolar. Para a representante de Pernambuco, Raquel Fidelis, “há fragilidades no Ensino Médio noturno, como limitações no deslocamento e os altos índices de violência”, o que torna crucial a construção de um documento com ações passíveis de implementação e que ajudem a fortalecer o ensino noturno.
Já para Aliete Bormann, “não ocorrerá reforma no ensino noturno, se não houver formação maciça com os professores”, afirmou a coordenadora do Rio Grande do Norte.
“As universidades também precisam preparar os professores que estão chegando despreparados a sala de aula”, ressaltou,  Larissa Ribeiro, articuladora de Tocantins. “É necessário buscar alternativas articuladas com o desenvolvimento do aluno”, enfatizou Herivelto dos Santos, coordenadora do fórum de Roraima.
A formação dos professores, a reestruturação do currículo e a infraestrutura das escolas foram dimensões observadas na elaboração do documento, como também uma visão abrangente do ensino noturno que levou em conta as peculiaridades de cada contexto, como o dos quilombolas, indígenas e a educação no campo.
O  fórum também debateu a reformulação proposta pela Câmara Federal para o Ensino Médio. A qual dispõe que o novo currículo seja organizado por área de conhecimento: linguagens; matemática; ciências da natureza e ciências humanas. Tendo como componentes obrigatórios: língua portuguesa; matemática; conhecimento do mundo físico e natural (filosofia, sociologia,realidade política e social); inclusão de uma língua estrangeira e parte diversificada. Sendo que as metodologias de ensino e de avaliação devem evidenciar:  a contextualização; a interdisciplinariedade e a transversalidade.
O Fórum:
O Fórum foi criado pelo Consed para discussão e assessoria técnica nas discussões relativas ao Ensino Médio, na interlocução com o MEC e outros órgãos afetos às políticas, programas e projetos do segmento. Foi definido que o Fórum se reunirá a cada bimestre com o objetivo principal de alinhar propostas e formar um discurso comum em relação às melhorias do Ensino Médio no Brasil. Além de proporcionar a troca de experiências entre os diversos estados, a discussão e avaliação dos avanços ocorridos no ensino médio nacional, bem como as dificuldades detectadas atualmente.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/904-forum-do-ensino-medio-discute-propostas-para-o-ensino-regular-e-o-ensino-noturno

Covid-19 - MEC divulga diretrizes para volta às aulas presenciais nas Instituições Federais de Ensino

Acesse aqui o Documento  https://vps3574.publiccloud.com.br/cartilhabio.pdf