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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Competências para uma educação integral

Mozart Neves

Um estudo sobre o futuro do trabalho da consultoria global McKinsey & Company revela que seis em cada dez trabalhos podem ter mais de 30% de suas atividades automatizadas. No cenário mais modesto, isso poderá impactar, até 2030, a atividade laboral de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é que o efeito da automação atinja cerca de 16 milhões de brasileiros, especialmente os jovens que não tiveram acesso a uma educação de qualidade.
Esse novo cenário vai exigir um aumento de qualidades humanas, como a criatividade, o trabalho em equipe, a persistência, a abertura ao novo, a comunicação e o pensamento crítico, entre outras. Por isso, a oferta de uma educação com significado, que seja capaz de desenvolver o potencial pleno das pessoas, torna-se condição imperativa para o acesso aos postos de trabalho atuais e futuros.
Isso requer uma educação que vá além do desenvolvimento de competências cognitivas, mas que seja capaz de introduzir, de forma articulada com estas, as chamadas competências socioemocionais, na perspectiva do desenvolvimento pleno de nossos educandos, em conformidade com o Artigo 2º da LDB (A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho). Quando essa articulação ocorre no contexto do currículo escolar, e de forma intencional, é o que chamamos de educação integral.
Vários estudos mostram que estudantes mais responsáveis, colaborativos, persistentes, curiosos e resilientes aprendem mais, concluem seus estudos básicos na idade certa e saem da escola preparados para seguir aprendendo ao longo da vida. Na idade adulta, tornam-se cidadãos mais conscientes e participativos, trabalhadores mais éticos, produtivos e realizados, enfim, seres humanos mais aptos a fazerem boas escolhas e usufruírem delas.
Espera-se assim que as escolas preparem as nossas crianças e os nossos jovens para uma educação que seja capaz de desenvolver tais competências e que não seja mais uma disciplina, mas uma nova forma de ensinar e de aprender – o que significa, por outro lado, a necessidade de dar um novo significado à formação do professor.
Por isso, cabe agora ao Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir do encaminhamento feito pelo Ministério da Educação (MEC), em dezembro último, elaborar as novas diretrizes para formação docente. Um trabalho que vai exigir uma grande articulação com todos os atores envolvidos com a educação brasileira, das universidades às secretarias de educação, incluindo os conselhos estaduais e municipais de educação. Creio que seja esta a mais importante tarefa, dentre várias, do CNE para o ano em curso.

Sobre o autor

Diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna. Foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), secretário de Educação de Pernambuco (2003-2006) e presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação). Foi presidente executivo do Todos Pela Educação (2007-2010)
https://istoe.com.br/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Uma das alunas conquistou 980 pontos e quer tentar uma vaga para o curso de medicina na UFMT
Adilson Rosa | Seduc MT 


Com o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas públicas do Estado de Mato Grosso, a Escola Estadual Plena João Sato, localizada no município de Araputanga (a 345 quilômetros a oeste de Cuiabá) também se destacou no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dez estudantes que concluíram o ensino médio obtiveram notas entre 900 e 980 pontos na redação do último exame, perto da nota máxima que é 1000.
Outros 15 alunos conseguiram mais de 750 pontos, confirmando o excelente trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação durante o ano letivo.
Essas notas possibilitam que esses estudantes almejem uma vaga nos cursos mais concorridos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).
A melhor nota foi conquistada pela estudante Brenda Ferreira, que tirou 980 pontos. Com uma nota tão elevada, ela pretende fazer um curso superior na área da saúde, como medicina na UFMT ou na Unemat.
Ela conta que não esperava uma nota tão alta para um tema tão complexo (manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet). “Aos poucos fui desenvolvendo a questão argumentativa e consegui fluir”, comemora.
Dedicação
Com 960 pontos, a estudante Ingrid Barros também pretende cursar medicina ou enfermagem em uma das duas universidades públicas de Mato Grosso ou em uma faculdade particular, pelo Programa Universidade para Todos (Prouni).
Para chegar a essa pontuação, ela conta que fez reforço particular em Cáceres, mas estudou com afinco na EE João Sato. Ela lembra que a escola e a professora de língua portuguesa Marlene das Graças Dias a ajudaram psicologicamente e também proporcionaram debates sobre possíveis temas que seriam cobrados na redação. “A professora deu várias dicas sobre os temas que poderiam cair na redação. Eu procurava ler sobre todos esses temas. Essas dicas foram fundamentais”, frisa.
Para a estudante, as notas altas estimulam os colegas a se empenhar. Ela enfatiza que a escola abre oportunidade para todos, mas é preciso que o estudante também tenha vontade.
Para Lorena Barros, que pontuou 900 na redação, a escola a motivou, trabalhando com várias temáticas. “A Escola João Sato trabalha com a gente um projeto de vida. E com isso, meu plano era buscar uma boa nota e conseguir um curso que me agradasse”, frisa.
A lista dos alunos com notas elevadas no Enem se completa com Kauane Delfonso e Darletuzanny Dayane, ambas com 960 pontos; Marcos Vinícius e Thamara Cabral, com 940 pontos, Matheo Bonúcia com 920; Karolyne Araujo e Grabielly Maria com 900 pontos. Os três alunos que tiraram 800 pontos foram Milena Campos, Eduarda Salomé e José Eduardo.
Trabalho Árduo
Para a diretora da EE João Sato, Maglaine Pereira de Souza Cuim, os resultados positivos não vieram por acaso, mas sim com muito trabalho. Em 2017, a unidade passou a ser Escola Plena e com o novo sistema de ensino, a equipe traçou um planejamento para que os alunos tivessem um bom desempenho no final do ensino médio, obtendo uma boa nota no Enem. “Fizemos um plano de ação para que contemplasse o desenvolvimento das habilidades dos alunos”, explica.
Para isso, contou com o trabalho das duas professoras de língua portuguesa – Viviane dos Santos Leandro e Marlene das Graças Dias - e o horário das aulas foi diversificado entre os dois turnos.
Já no primeiro ano, a escola conseguiu colocar 27 dos 54 alunos do terceiro ano em universidades públicas. “Conseguimos 50% de ingresso em universidades. Este ano ainda não sabemos a nota dos alunos no Enem, mas estamos confiantes que teremos um excelente índice”, comemora.
A EE João Sato tem na sua matriz curricular a disciplina pós-médio. “Nessa aula são trabalhadas orientações vocacionais, inclusive no ano de 2017 veio um psicólogo para ministrar uma palestra sobre isso, pesquisas sobre os mais variados cursos”, explica a diretora. Ela acrescenta que o reforço das habilidades foi aplicado na disciplina chamada estudo orientado, com três aulas semanais e aulões para o Enem.
http://www2.seduc.mt.gov.br

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Conviva: Educação integral na BNCC é tema de debate nesta quarta-feira (31/10)


Nesta quarta-feira (31), às 14h, o Conviva Educação debate a inclusão da educação integral na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Na transmissão, que será realizada pelo Facebook da plataforma, integrantes da equipe do Instituto Ayrton Senna vão explicar como incorporar o princípio desta modalidade de ensino no texto introdutório de currículos municipais e como implementá-lo em sua rede.
Para assistir, basta acessar a página do Conviva Educação na rede social, disponível neste link.
Sobre o Conviva
O Conviva Educação é um ambiente virtual gratuito voltado aos dirigentes municipais de educação e equipes técnicas das secretarias que tem por objetivo apoiar o processo de gestão e planejamento da Educação e, com isso, contribuir para a aprendizagem dos estudantes. A plataforma, uma iniciativa da Undime em parceria com 13 institutos e fundações, foi lançada em 2013.
Fonte: Undime com informações do Conviva Educação

quinta-feira, 9 de março de 2017

Cuiabá: Primeiro passo para implantação da Escola em Tempo Integral

Foto: Jorge Pinho

RUAN CUNHA

O primeiro passo para implantação do Tempo Integral na rede municipal de Educação foi dado, nesta quarta-feira (08), pelo prefeito Emanuel Pinheiro e pelo vice Niuan Ribeiro, com a assinatura do decreto que institui a comissão formada exclusivamente para definir as diretrizes de estudo acerca do projeto.
A coordenação do projeto piloto Escola em Tempo Integral, sob gestão da Secretaria Municipal de Educação (SME), contará também com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Conselho Municipal de Educação e do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep).
Ambas as instituições têm dois membros, um titular e outro suplente, na composição da comissão que irá elaborar estudos em torno da viabilidade teórica, metodológica, financeira e organizacional em uniformidade dentro de um prazo estabelecido de 90 dias, a partir da publicação do decreto.
Na ocasião, o prefeito ressaltou a importância dessa parceria com os segmentos da Educação para a efetivação do projeto. “Nossa preocupação com a educação é tão grande que estamos assinando este decreto criando uma comissão para começar o processo de discussão. Nada de goela abaixo. O processo de discussão passa pela participação dos profissionais, dos técnicos, do Sintep e da UFMT para começarmos a construir juntos esse projeto para revolucionar a educação em Cuiabá”, destacou.  
Além das instituições ligadas à educação, a Câmara Municipal também participará de modo voltado para o acompanhamento da construção do projeto bem como sugestões e até mesmo orientação processual.
Escola Piloto
O piloto do projeto Escola em Tempo Integral gira em torno da Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Francisca de Arruda Martins, conhecida como CAIC Eldorado, localizada no bairro Jardim Eldorado.
A escolha da unidade escolar foi definida após vistoria ‘in loco’ onde foram avaliados o espaço físico e suas possibilidades de adequações tanto no quesito arquitetônico quanto no âmbito pedagógico, além de relevar o aspecto social.
“Até na escolha do colégio CAIC Eldorado foi analisada. Não foi uma escolha aleatória. Em estatísticas oficiais, o Jardim Eldorado é o bairro mais violento de Cuiabá o que compromete o futuro das nossas crianças que lá residem e estudam. Então tudo teve um sentido”, explicou o prefeito.
Sintep
O sindicato reiterou a importância da movimentação inicial das discussões do processo e atrelou ao projeto a importância da inclusão da valorização salarial do profissional da educação dentro da construção do processo.
Nessa perspectiva foi elencado pelo Sintep o retroativo da progressão de carreira dos profissionais da educação que se estende há mais de 20 anos.
Nessa linha, o prefeito Emanuel Pinheiro, em conjunto com a secretária de Educação Mabel Strobel, aproveitou para entregar o cronograma de pagamento do retroativo à classe programada em R$ 1,2 milhão a serem pagos entre as folhas de salariais de abril e novembro de 2017.
“Precisamos estar alinhado com o Sintep, com os trabalhadores para enfrentarmos juntos os desafios. Nesse sentido, a valorização dos profissionais é o nosso compromisso. Com isso entregamos o cronograma de pagamento que será religiosamente cumprido”, afirmou Emanuel.
Projeto
A implantação do período integral na rede de educação do município de Cuiabá está prevista dentro do Plano Municipal de Educação e esboçada no Plano de Governo do prefeito apresentada durante a campanha eleitoral.
“O prefeito Emanuel Pinheiro definiu prioridades para a área de Educação porque a proposta que ele se comprometeu a seguir é a do Plano Municipal de Educação. A gestão atual reconhece que essa já é uma proposta, apenas definiremos as prioridades nelas constantes”, garantiu a secretária Mabel Strobel.
Ainda sobre a futura implantação do projeto, Niuan Ribeiro listou como referência países como Finlândia, Coreia do Sul, Chile e Irlanda que já possuem o período integral dentro da rede de ensino. Ele acredita que o projeto piloto marcará a gestão da prefeitura na área da Educação.
“As maiores nações do mundo são grandes porque investiram na educação e eu não vejo maior contribuição que a gente possa deixar para Cuiabá que não seja essa. Essa semente será plantada por meio desse decreto que trabalharemos em prol da educação em tempo integral”, avaliou. 
















































































































terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Educação em Sinop deve acabar com as filas e implantar o tempo integral

Secretária de Educação de Sinop,
Veridiana Paganotti,
diz que fila de espera é de 1.200 crianças,
com idade entre zero e três anos
Acabar com a fila de espera para as creches municipais. Essa é a primeira tarefa da secretária de Educação de Sinop, Veridiana Paganotti. Para isso, logo que assumiu o comando da pasta, definiu planejamento que prevê seja dado início ao processo de abertura de mais quatro unidades de educação infantil que estarão funcionando até março. 
Segundo Veridiana, a fila de espera hoje é de aproximadamente 2,7 mil crianças, com idade entre zero e três anos. Com a abertura das novas unidades a expectativa é de que essa demanda seja atendida. “Das quatro, duas são prédios próprios inaugurados agora pelo prefeito Juarez Costa e dois locados, com autorização da prefeita Rosana Martinelli. Hoje a principal dificuldade, é atender essa demanda”, explicou a secretária. 
Outro plano que deve ser desenvolvido pela pasta e foi uma das propostas de campanha da prefeita Rosana é a escola em período integral. De acordo com a secretária, será feito um projeto piloto em uma escola e, em seguida, ampliado para as demais unidades. 
Parcerias
A escola em período integral será desenvolvida com a parceria entre as secretarias de Educação e Esportes. A pasta da Cultura será extinta e passará a ser uma diretoria dentro da Educação e também fará parte do projeto. “A unidade que será o projeto piloto terá atividades de contra turno, com oito horas de atendimento. Estamos verificando qual é a escola de maior risco social e questões de baixa aprendizagem e o critério vai ser esse”. 
Conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA), para o próximo ano o orçamento estimado para a Secretaria Municipal de Educação é de R$ 75 milhões.

http://www.rdnews.com.br/executivo/educacao-em-sinop-deve-acabar-com-as-filas-e-implantar-o-tempo-integral/79254

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Conheça as11 escolas de MT que terão ensino médio integral

Keka Werneck, repórter do GD


Onze escolas estaduais de Mato Grosso foram consideradas aptas a terem ensino médio integral, com entrada na unidade escolar às 7h30 e saída somente às 17h, de segunda à sexta-feira.
O Ministério da Educação divulgou na sexta-feira (23) a relação de todas as escolas selecionadas para darem início ao Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral já em 2017.
As unidades aprovadas em Cuiabá são as escolas estaduais Rafael Rueda, José de Mesquita, Cleinia Rosalina, Padre João Panarotto, Nilo Povoas e Antônio Epaminondas. A Honório Rodrigues de Amorim, em Várzea Grande, a João Sato, em Araputanga, a Adolfo Augusto de Moraes e a Silvestre Gomes Jardim, em Rondonópolis, e a Nossa Senhora da Guia, em Barra do Garças.

O
 GD conversou com diretores de duas das escolas de Cuiabá, a Rafael Rueda e a Cleinia Rosalina, e eles demonstraram algumas preocupações, entre elas a falta de informação sobre como a implementação do programa irá se dar, quais disciplinas adicionais os alunos vão ter, como será a alimentação e a estruturação das unidades para essa mudança.Todas têm capacidade para atender entre 380 e 480 alunos do ensino médio.
Outra preocupação é que mais de 50% dos alunos do ensino médio, pelos menos das duas escolhas estaduais com quem o GD conversou, trabalham no período contrário ao que estudam e muitos deles estão inseridos em outro programa federal, que é o Menor Aprendiz, no qual ganham de R$ 300 a R$ 800.
"Não digo que este programa não tenha grande importância, mas temos que levar em consideração esse problema social, porque esse dinheiro, desses jovens que ajudam em casa, é importante para as famílias, que são pobres, então, para que funcione precisaria ter uma bolsa ou um outro atrativo, como formação técnica", ressalta o diretor da Escola Estadual Rafael Rueda, referência na região do bairro Pedra 90, Roniclei de Lara Santos.
Ele também está apreensivo por estar sem informações gerais sobre como será o funcionamento da escola em 2017.
"Na verdade, não sabemos ainda como vai ser a implementação do programa, só sabemos que estamos aptos", resume.
O diretor ainda não chamou a comunidade escolar e o conselho deliberativo para tratar sobre esta questão. "Vamos fazer isso em janeiro, quando as aulas voltarem".
Após as festas de final de ano, as aulas vão retornar nas escolas estaduais para fechamento do ano letivo, já que o calendário escolar está atrasado, devido a última greve.
Na Escola Estadual Cleinia Rosalina, que atende a região do Planalto, as preocupações são parecidas.
"Em uma sala de 20 alunos pelo menos 11 trabalham e, se não puderem mais trabalhar, se tiverem que ficar na escola o dia todo para estudar, nosso medo é de evasão", comenta a diretora Edileuza Silva.
Ela também vê benefícios no programa, mas se mostra apreensiva porque ainda está desinformada quanto a maiores detalhes.
Os alunos das escolas que serão inseridas no programa e que não são do ensino médio serão remanejados para outras unidades escolares, o que também está gerando polêmica.
O Estado
A responsável pelo Ensino Médio na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Célia Leite, defende que os pais e professores precisam entender que, se esses jovens forem melhor qualificados agora, mais tarde terão melhores oportunidades no mercado de trabalho.
"Estão em vulnerabilidade social e ficar na escola o dia todo é bom, porque quem vai cuidar deles o dia todo desta forma? Na escola podem ficar longe da criminalidade, vão se alimentar e receber o apoio que precisam, e isso é a bolsa que vão receber", informa Célia, já adiantando que não vão receber bolsa financeira.
Ela também descarta aulas de formação técnica, mas um quadro curricular inspirado na Finlândia, que tem alguns dos melhores indicadores sociais do mundo.
"Uma das disciplinas que vão ter é a de projeto de vida, para que reflitam sobre como podem melhorar nos estudos e ter uma vida melhor", realça.
Sobre as diferenças sociais entre a Finlândia, onde o aluno não precisa ajudar em casa, e o Brasil, que vive dramática situação social, ela acredita que é uma questão de "força de vontade" na adaptação.
"Se não tivermos força de vontade, para implementar este projeto, extremamente necessário, vamos perder esta oportunidade", comenta.
Ela garante que serão feitas reuniões explicativas nas unidades selecionadas e pede calma neste processo de transição.
Célia critica a acomodação dos que trabalham em escola e ressalta que, tudo que chega como novidade e dá trabalho, gera polêmica mesmo.
"Será muito trabalhoso mas estamos confiantes que isso é importante", finaliza.
No Brasil
No país foram aprovadas 523 instituições nos 26 estados e no Distrito Federal, representando 266 mil novas matrículas em tempo integral no primeiro edital do programa, que será implementado de 2017 a 2020.
RecursosOs recursos serão transferidos por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As informações estão na Portaria Nº24, da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC.
Uma das iniciativas do Novo Ensino Médio, por meio da Medida Provisória 746, de 22/09/2016, o Programa de Fomento à Implementação da Escola em Tempo Integral repassará a primeira parcela de R$ 230 milhões a todas as 27 Unidades Federativas, já no início de 2017.
Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, a antecipação do empenho para o repasse facilitará o início da implementação do programa, para que as secretarias estaduais de Educação possam contar com este orçamento já no início do próximo ano. “Inicialmente, este primeiro repasse seria de R$ 150 milhões, mas priorizamos este programa por entendermos a complexidade neste processo inicial de implantação”, enfatiza Mendonça.
O cálculo do valor repassado pelo MEC, conforme a MP 746/2016, é de R$ 2 mil por aluno, anualmente. “O objetivo desta política pública é estabelecer uma iniciativa indutora de educação integral ao jovem, com apoio aos estados, para que convertam unidades regulares para escolas em tempo integral”, explica o ministro.
O valor de R$ 2 mil por aluno/ano, segundo ele, equivale a aproximadamente 52% do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), considerando-se que, em 2015, o repasse médio foi de R$ 3.857,00. “Análises foram feitas e chegou-se a um custo de operação das escolas integrais na casa de 65% superior às escolas regulares. Portanto, o valor de R$ 2 mil que o MEC está repassando aos estados é um incentivo bem relevante para a implantação das escolas. Neste sentido, reforço que é importante a contrapartida dos estados”, disse o ministro.
Adesão
Para participar do Programa, as secretarias estaduais de Educação enviaram ao MEC o Termo de Adesão e o Formulário do Plano de Implementação. Nos documentos constam informações sobre o Plano de Gestão Escolar; Planejamento Pedagógico; Proposta de Plano de Diagnóstico e Nivelamento e o Plano de Participação da Comunidade nas Escolas, conforme exigências estabelecidas pela portaria nº 1.145, de 10 de outubro de 2016. “Cada secretaria estadual de Educação submeteu a sua inscrição e apresentou uma proposta pedagógica, incluindo o estudo e mapeamento das escolas candidatas”, enfatizou Mendonça.
A admissão dos alunos ocorreu por proximidade da escola pública de origem ou local de moradia. As escolas e regiões de vulnerabilidade social ou com baixos índices sociodemográficos foram priorizadas na seleção. Ao todo, as secretarias estaduais de Educação inscreveram 290 mil estudantes de 588 escolas. Destas, 77 escolas tiveram suas inscrições indeferidas, com base nos critérios estabelecidos pelo Programa.
De acordo com o ministro, o Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral é uma iniciativa pioneira em termos de políticas públicas, via Governo Federal. “As escolas em tempo integral existentes, hoje, nos estados, foram implementadas por iniciativa própria. Esta política de fomento à educação em tempo integral terá apoio efetivo para a expansão nas redes estaduais de todo o País, com uma proposta baseada não apenas em mais tempos de aula, mas sim, em uma visão integrada do estudante”, observa Mendonça.
De acordo com ele, com a MP nº 746/2016, o ensino médio passou a ter a devida importância entre as pautas prioritárias do País. “É uma triste constatação: quem concluiu o ensino médio em 2015 aprendeu menos português e matemática do que em 1995”, lembra o ministro.
No resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2015, o desempenho foi de 267 pontos em língua portuguesa. Uma redução de 8% em relação a 1995, quando a nota foi de 290 pontos. Em 2015, os alunos obtiveram uma proficiência média em matemática de 267 pontos, quando em 1995, a pontuação foi de 267. Ou seja, houve uma queda de 5,3% no desempenho de matemática neste período.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mostrou que o Brasil está estacionado há dez anos entre os países com pior desempenho. Em matemática, o país apresentou a primeira queda desde 2003, início da série histórica da avaliação, e constatou que sete em cada dez alunos brasileiros, com idade entre 15 e 16 anos, estão abaixo do nível básico de conhecimento.
Segundo Mendonça Filho, a política de fomento à educação em tempo integral é eficaz e tem mostrado resultados altamente positivos no ensino médio em Estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e mais notadamente, em Pernambuco.(Com informações do Ministério da Educação)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ensino integral será implantado em 14 escolas do Estado e alunos poderão adaptar disciplinas de acordo com vocação

Da Redação - André Garcia Santana




Contemplados com aulas em período integral e uma grade disciplinar flexibilizada, cerca de cinco mil estudantes da rede estadual de ensino deverão superar a realidade da evasão, dando início em 2017 a um processo de redução nas estatísticas de fuga escolar. Por meio das alterações propostas pela reforma no Ensino Médio, Mato Grosso deverá receber do Governo Federal um montante de R$ 10 milhões em investimentos, distribuídos inicialmente entre 14 instituições pelo Estado. Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, o secretário de Estado de Educação, Marco Aurélio Marrafon, falou sobre a importância das mudanças. 

Ele explica que 11 das 14 unidades receberão suporte financeiro do Ministério da Educação (MEC), enquanto outras três serão mantidas exclusivamente com recursos Governo do Estado. A expectativa, segundo ele, é estender a medida ao Ensino Fundamental ainda em 2017, trabalhando para cumprir a meta implantação do sistema em 45 escolas estaduais até 2018, representando 10% do total de unidades no território.

A avaliação é de que medida salvará a vida de milhares de adolescentes, uma vez que já foi comprovado que ela reduz o abandono das salas de aula. “A evasão mata de duas maneiras. Na primeira hipótese morre uma biografia. Nessa via, menos dolorosa, mata-se um futuro médico, engenheiro, ou qualquer outro profissional. A mais dolorosa é quando ele sai da escola e cai na criminalidade. Nessa segunda forma, provavelmente o jovem terá uma vida curta, então, mata-se pessoas.”

Aqui, onde 50% dos mais de 200 mil estudantes não finaliza o Ensino Médio, seja por reprovação ou por evasão, o programa chega com prioridade nas áreas mais vulneráveis. “O tempo da vida não é o tempo do Estado. Se não adotarmos o programa agora por conta da construção de escolas, por exemplo, pode ser que até a resolução dos trâmites burocráticos, tenha passado mais da metade do ensino médio no modelo tradicional e continuamos sem resolver o problema.”

De acordo com ele, praticamente todas as escolas que apresentaram condições, tanto pela aceitação da comunidade acadêmica, quanto pela estrutura física, foram beneficiadas nesta primeira demanda contemplada pelo MEC. Ao longo deste processo professores, alunos, pais e diretores foram ouvidos, sinalizando positivamente para a mudança, que daqui a um ano deverá abranger 10% das escolas mato-grossenses.

Para a manutenção da proposta o MEC repassará ao Estado um valor anual de R$ 2 mil reais por aluno inserido nesta política educacional. O montante é somado aos aproximados 6,5 mil reais investidos atualmente pelo Governo Estadual em cada estudante, uma conta que envolve gastos com professores, merenda, reformas e transporte.

O ensino integral na prática

A extensão do tempo nas escolas também exigirá do Estado investimento em adaptações físicas para que os alunos sejam acolhidos adequadamente em espaços para o desenvolvimento de variadas atividades ao longo do dia. No entanto, diante da demora que este processo pode representar, a estrutura básica continuará a mesma, passando por algumas adaptações.“Chamamos engenheiros que fizeram vistorias nas escolas. Precisaremos de mais laboratórios, quadras de esporte, pra atender esse novo fluxo.”

Ali os estudantes passarão os períodos da manhã e da tarde inteiros, recebendo também as refeições adequadas a cada momento. Para isso, além de um reforço na merenda, haverá também maior acompanhamento de tutoria do aluno, em um sistema no qual os estudantes que se revelam como líderes e mediadores de conflitos se tornam protagonistas para acolher os novos estudantes.

A grade de disciplinas também é alvo de mudanças, podendo variar de acordo com a vocação apresentada por cada adolescente. Assim, segundo Marrafon, se o menor possui inclinação para a área de humanidades, ele poderá escolher disciplinas que tenham maior relação com isso, incluindo cursos de fotografia ou teatro, por exemplo. Se a predileção for matemática, em outro período o aluno pode fazer um curso de matemática ou física mais avançado do que o apresentado na grade tradicional.

“É um programa de ponta, que adota uma metodologia chamada Escola da Escolha, já implantada em estados como Pernambuco, São Paulo e Espírito Santo. Lá elas tem um alto índice de sucesso, tanto que Pernambuco é o primeiro no país em nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, depois de adotar a escola integral no ensino médio em 50% das escolas eles zeraram praticamente a evasão escolar. Isso salvou vidas ali”, reforça o secretário.

Resistência e adaptação

Neste primeiro momento um dos principais desafios apresentados à administração é a possível resistência por parte da comunidade escolar, motivada por desconhecimento do modelo e descontentamento com tentativas passadas, quando houve muitas promessas e nada foi feito. Há ainda a preocupação relacionada a entrada do jovem no mercado de trabalho, uma vez que, matriculado em período integral, não há como o aluno ser contratado como empregado, diferente do que algumas famílias esperam ou precisam.

As dúvidas, no entanto, seriam erradicadas no primeiro ano. “As preocupações rapidamente se dissipam e a partir do segundo ano observa-se um índice de satisfação próximo dos 100 %, ou seja, os jovens que ficam na escola integral não querem mais sair dela. Nos outros estados a satisfação é altíssima, tanto por alunos quanto por professores e técnicos.”

A partir deste estágio, a expectativa é de que a comunidade escolar abrace o sistema e fortaleça a escola pública. “Quando temos escolas públicas de melhor qualidade, melhor merenda, professores mais motivados, alunos felizes indo à escola, isso fortalece a ideia de escola pública de qualidade. É uma política de fortalecimento do ensino público que estamos fazendo”, finaliza.

Veja também: Ensino Médio: Mato Grosso poderá ter mais 24 escolas públicas em tempo integral

http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=430200&noticia=ensino-integral-sera-implantado-no-estado-e-alunos-poderao-adaptar-disciplinas-por-vocacao

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ENSINO MÉDIO: Prazo de adesão para Escola em Tempo Integral vai até o dia 25


Termina em 25 de novembro o prazo para as secretarias estaduais de educação de todo o Brasil aderirem ao Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral para o Ensino Médio, lançado pelo Ministério da Educação, em setembro, por meio da Medida Provisória 746. Trata-se de uma iniciativa pioneira em termos de políticas públicas, via governo federal.
O cronograma, formulário para adesão e documentos orientadores foram enviados pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC aos secretários estaduais de educação e também ao Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) no início desta semana.
Conforme exigências da Portaria nº 1.145, de 10 de outubro de 2016, além do termo de adesão e o formulário do plano de implementação, os secretários devem enviar ao MEC, até 25 de novembro, os seguintes documentos: plano de gestão escolar; planejamento pedagógico; proposta de plano de diagnóstico e nivelamento, e o plano de participação da comunidade nas escolas. Instruções para a elaboração desses planos constam no formulário do plano de implementação.
Cada secretaria estadual de educação deverá submeter sua inscrição e apresentar ao MEC, para análise, uma proposta pedagógica, incluindo o estudo e mapeamento das escolas a serem contempladas. A migração de todas as turmas de cada escola para a nova proposta de escolas integrais poderá ocorrer de uma única vez ou de maneira gradual. “Os estados selecionados deverão realizar um diagnóstico inicial acadêmico dos alunos e prever um plano de nivelamento para os que apresentarem defasagem”, informa o secretário da SEB, Rossieli Soares da Silva.
Recursos – O MEC fomentará esta política com investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão, ao longo de dois anos, chegando a 500 mil novos estudantes de ensino médio no regime de tempo integral até 2018. “Uma escola em tempo integral, até por sua carga horária diferenciada, tem custo de operação superior a uma escola regular”, destaca Rossieli. “Desta maneira, para induzir esse tipo de escola e entendendo o momento fiscal dos estados, decidimos subsidiar a operação de um volume de escolas, por estado.”
Segundo o secretário da SEB, a intenção é estabelecer uma forma atrativa de fazer escola, cabendo aos estados arcar, desde o início, com toda a operação e seus custos. “Pela experiência de outros estados, três a quatro anos é o tempo que leva para uma escola integral atingir a plenitude de seus resultados acadêmicos e, também, é um tempo razoável para que os estados consigam se planejar para absorver estes custos sem maiores sobressaltos”, esclarece.
A admissão dos alunos deverá ocorrer por proximidade da escola pública de origem ou local de moradia. Já as escolas e regiões de vulnerabilidade social ou com baixos índices sociodemográficos deverão ser priorizadas no momento da seleção.
“As escolas em tempo integral existentes hoje nos Estados foram implementadas por iniciativa própria. Esta política de fomento à educação em tempo integral terá apoio efetivo para a expansão nas redes estaduais de todo o país, com uma proposta baseada não apenas em mais tempos de aula, mas sim, em uma visão integrada do estudante”, destaca o secretário da SEB.
Qualquer dúvida das secretarias estaduais sobre a adesão pode ser encaminhada ao MEC por mensagem eletrônica.  
Assessoria de Comunicação Social 

sábado, 16 de maio de 2015

5 cidades transformadas pela educação integral


O Portal Aprendiz listou cinco histórias de espaços urbanos que, conhecendo sua história, decidiram afirmar sua vocação educativa

http://porvir.org/porfazer/5-cidades-educadoras-transformadas-pelo-aprendizado/20150515

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