domingo, 25 de janeiro de 2015

Domínio da oralidade


 Escrito por Anna Veronica Mautner
Durante muitos e muitos milênios, o homem, graças a seu polegar na magnífica posição que ocupa na mão, pôs-se a fazer. Mas o humano não é apenas aquele que faz; ele tornou-se complexo, muito complexo, ao também se comunicar. O humano diz ao outro, por meio de gestos, mímicas, palavras, o que deseja para formar uma base comum. Começou com um nome para chegar à palavra que designa o fazer, o falar, o lembrar. O nome e a palavra nos tiram do isolamento. Uma árvore, o vento e o frio podem ser comuns a todos. E se ganham um nome, o grupo está formado.
Ainda antes de escrever, logo depois dos primeiros gestos, veio o som e, com ele, a palavra. Muitos seres que se identificam entre si chegaram até o som. Mas a palavra é só do homem. Nós ouvimos sons e reconhecemos esses grupos sonoros, palavras que o semelhante entende mesmo na ausência do denominado objeto.  É o caso do grito que reconhecemos ser de um semelhante mesmo na ausência dele. Tentar fazer a história da humanidade e a gênese da oralidade humana em um parágrafo é muita pretensão. Mas eu só pretendo dizer que somos os autores de nossa sociedade. Não há sociedade sem comunicação.
Algumas palavras são onomatopaicas, isto é, imitam o fato referido. Por exemplo: mãe. Em quase todas as línguas ocidentais, a letra “m” tem a ver com a palavra que designa mãe. Existe uma língua ocidental que eliminou a letra “m” da designação de mãe, que em húngaro é anja. Mas isso não esgotou o sentido de mãe, porque mama, na gíria familiar, é a palavra usada com os nenês e avó é nagy mama, que significa grande mãe. Provavelmente isso tem a ver com a gênese da fala do nenê. A letra “m” está entre as primeiras consoantes que dizemos, é um som fácil que requer muito pouco da língua: vem da garganta até o lábio, sem precisar de dente. Eis aí o primeiro som: mama, mèremothermutterima. O som das letras “d” ou “s” é muito mais complicado de emitir: é preciso movimentar a boca inteira, inclusive os dentes.
Por esses dias, tive contato com alguns bebês, e a presença do “m” saltou aos meus ouvidos. Aí eu fui falar a palavra pai e percebi que para dizê-la precisa-se de lábio, enquanto mãe, não. As vogais nascem nas cordas vocais e no ar que passa por elas, dispensando a morfologia da boca, diferentemente das consoantes. Se nós pensarmos que a junção da consoante com a vogal foi um dos saltos fundamentais da passagem para a condição humana, vamos começar a dar importância ao estudo da língua e da intenção. O grito de dor ou a exclamação de alegria são um salto do sentimento ou do sentir para o som. A consoante demanda intenção, escolha. O sim e o não, que são resultado de pensamentos ou escolhas, têm ou não na consoante a sua base e, no gesto, a sua confirmação. 
A linguagem tem a ver com o quanto de pensamento, sentimento e impulso está envolvido na ideia que a palavra expressa. Quente e frio têm tanto de universalidade quanto mamãe. E por que o primeiro som é “m” e a primeira pessoa é mãe?  Será que é assim em todo lugar? Será que as vogais existem em toda parte? Existem. A predominância da letra “m” como primeiro som, não tenho informações concretas, mas acho que é natural, pela facilidade de ser enunciada. A oralidade e o emitir o som são amálgamas da formação de grupo e da pertinência a esses grupos. Os grupos não são todos iguais pelo planeta afora, mas emitir o som que se ouve logo ao nascer é universal. A ordem de aquisição dos sons é a história do grupo e dos recém-nascidos. Hoje precisamos rever muita coisa por causa da mobilidade dos grupos pelo mundo, seja de barco, de avião, por telefone ou outros meios de comunicação. Somos um planeta cheio de grupos e dá a impressão de que quanto mais grupos, mais dessemelhanças. Derreter as diferenças orais não é a tendência da humanidade, pelo menos até hoje.  

Artigo publicado na edição de novembro de 2014.

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/colunistas-pm/anna-veronica/1136-dominio-da-oralidade

Por que os alunos não aprendem com seus slides

É chegada a hora de repensar a estratégia de ler apresentações de PowerPoint linha por linha durante as aulas
Não se preocupe, todos já fizemos isso: ficamos acordado até tarde e temos que dar aula às 8 da manhã do dia seguinte. Então o que você faz? Joga algum texto no PowerPoint e se prepara para falar sobre os tópicos. Não vai fazer nenhum mal, né? Você pode nem ler os slides inteiros – eles só vão ajudá-lo a dar sequência à aula, e se perder o ritmo, o texto estará lá para te ajudar.
Infelizmente, não importa se você está trabalhando as Grandes Navegações na quarta série ou física quântica com recém chegados à universidade, você pode estar mais prejudicando do que ajudando seus alunos.
Power Point Sala de AulaCrédito: Brian Jackson/Fotolia.com

Vamos explorar por que o design instrucional na maioria das vezes não funciona com estudantes e quando você deve ensinar com PowerPoint – e também quando deve evitá-lo. Tudo começa um pequeno conceito chamado de “carga cognitiva”. 
Muita coisa para o estudante processarImagine o cérebro dos estudantes como uma caixa. Conforme você começa a jogar pedras, ela fica mais e mais pesada – e assim, é mais difícil para o estudante aguentá-la e mantê-la organizada. Basicamente, essa é a definição de carga cognitiva. Ela descreve a capacidade da memória do nosso cérebro em suportar e processar partes de informação. Todos temos uma limitação de memória, então quando temos que lidar com informações de mais de uma maneira, a carga fica mais pesada e mais difícil de ser controlada.
Na sala de aula, a carga cognitiva do estudante é muito afetada pela origem externa da informação – em outras palavras, a maneira pela qual ela é apresentada a eles. Todo professor instintivamente sabe que existem jeitos melhores – e piores – de apresentar um conteúdo. A razão para isso, segundo pesquisas, é que, ao aliviar a carga, fica mais fácil para o cérebro do estudante acessar a informação e a transformar em memória.
Ensinar com slides de texto do PowerPoint durante uma leitura em voz alta, infelizmente, significa o mesmo que jogar muitas pedras dentro da caixa do aluno e faz com que ele retroceda. 
O efeito de redundância
A apresentação simultânea de um texto de modo visual e oral, como slides de PowerPoint, atualmente é muito comum nas salas de aula. Pense a respeito: quantas você entrou em uma sala ou auditório e viu uma professora lendo textos dos slides?
Um estudo australiano do final dos anos 1990 (o 1999 Kalyuga Study) comparou o resultado acadêmico de um grupo de universitários que assistiu a uma aula de um professor que usou texto e áudio (o que significa que havia palavras na tela enquanto ele falava) com um outro em que os alunos só ouviam a uma explicação sem PowerPoint. Os pesquisadores concluíram que a utilização de estímulos visuais com palavras durante uma apresentação aumenta a carga cognitiva, em vez de diminui-la.
Isso se deve ao chamado efeito redundante. A redundância verbal “surge da apresentação verbal e discurso na íntegra”, aumentado o risco de sobrecarregar a capacidade de memória – por isso, pode causar efeito negativo no aprendizado.
Considere, por exemplo, uma aula de ciências sobre cadeias alimentares. O professor pode começar explicando a diferença entre carnívoros e herbívoros. Aparece um slide com a definição de cada termo. O professor começa a ler diretamente do slide. As partes duplicadas de informação – falada e escrita – não vão reforçar positivamente uma a outra; no lugar disso, as duas sobrecarregam as habilidades do estudante em controlar a informação.
Pesquisadores como John Sweller e Kimberly Leslie defendem que seria mais fácil para estudantes aprenderem as diferenças entre carnívoros e herbívoros se eles fechassem os olhos e só ouvissem à explicação. Mas estudantes que ficam com olhos fechados durante a aula são acusados de “não estarem prestando a devida atenção”. 
Como aliviar a cargaEntão o que fazer? Como garantir que as crianças aprendam a partir de suas explicações orais em vez de ficarem com o cérebro saturado? (Empreendedores, saibam que isso também poderia ser aplicado em suas apresentações).
Richard Mayer, um neurocientista da Universidade de Santa Barbara e autor do livro “Multimedia Learning” (Aprendizado multimídia) oferece a seguinte receita: elimine elementos textuais de suas apresentações e passe a falar por tópicos, compartilhando imagens ou gráficos com os alunos. Clique no Vídeo para ver exatamente o que ele quer dizer:
Este método, segundo Mayer, é particularmente apropriado para assuntos em que gráficos geométricos e imagens são cruciais para a compreensão dos conceitos-chave, como cadeia alimentar, cálculo de área de uma superfície ou ciclo da água.
Outros estudos, como um outro estudo separado feito por Leslie et al (2012), sugere que misturar pistas visuais com explicações orais (em aulas de matemática e ciências, em particular) é essencial e eficiente. No estudo de Leslie, um grupo da quarta série que não sabia nada sobre magnetismo aprendeu significativamente mais quando teve contato tanto com imagens quanto com a explicação do professor em comparação a outro grupo que só teve a explicação oral.
Você é professor de ciências? Coloque uma foto dos dentes de um leão e de uma zebra na tela enquanto explica a diferença entre carnívoros e herbívoros. Ensina estudos sociais? Coloque em volta da data “1776” pinturas dos Pais Fundadores dos Estados Unidos assinando a Declaração de Independência (o mesmo vale para a História brasileira), em vez de incluir fatos relacionados em sua apresentação.
E se você tem dificuldades em tirar completamente as palavras de suas apresentações em PowerPoint, especialmente quando quer que os estudantes tomem nota, aqui vão mais algumas dicas:
– Limite-se a uma palavra por slide. Se for explicar termos, tente coloca-lo associado a um conjunto de imagens – e peça para os alunos para deduzirem;
– Obedeça ao “princípio da personalização”, que basicamente diz que atrair leitores entregando conteúdo de modo conversacional vai aprimorar o aprendizado. Por exemplo, Richard Mayer sugere usar muitos “Eus” e “Vocês” em seu discurso, porque alunos reagem melhor à linguagem mais informal.
Tem alguma estratégia que funciona melhor para seus alunos? Comente

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