terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Entrevista: Por trás da neutralidade dos números

Professora da Universidade do Porto explica as distorções causadas pelas avaliações externas de larga escala e pelo processo de ranqueamento das escolas no sistema educativo


Marina Almeida e Deborah Ouchana

Professora da  Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Manuela Terrâseca esteve no Brasil em agosto para participar do Seminário internacional de avaliação da aprendizagem, realizado na Universidade de São Paulo. Ela é responsável pela coordenação da parte portuguesa da pesquisa Avaliação e políticas públicas de Educação Básica: um estudo em escolas de São Paulo e Porto, que desenvolve projetos pedagógicos e de autoavaliação com as instituições de ensino participantes. Na entrevista a seguir, concedida a Deborah Ouchana e Marina Almeida, Manuela fala ainda sobre a proliferação das avaliações em larga escala por todo o mundo, da criação dos rankings de escolas e de como isso influencia a definição dos currículos e o processo de ensino. A angústia do professor que precisa responder à pressão por resultados, mas também a uma educação integral cada vez mais assumida pela escola, e o seu trabalho isolado em sala de aula foram outros temas abordados pela pesquisadora portuguesa.

Como foi o processo de implantação da avaliação interna nas escolas do Porto? Em nosso trabalho com essas escolas falamos em autoavaliação porque é preciso refletir sobre o trabalho e processo educativo e para fazer uma distinção com a avaliação interna, que pode ser apenas uma coleta de informações. O projeto entra nas escolas para ajudá-las a pensar sobre como fazer essa autoavaliação, que pode melhorar o desempenho dos alunos e também para torná-los mais críticos e participativos. Para isso, buscamos olhar para a escola como um todo. É complicado porque a escola em Portugal está em grande mudança, a política educacional mudou nos últimos anos. Nas escolas, foram se definindo algumas prioridades sobre onde era importante intervir para podermos usufruir logo de alguns benefícios. É um trabalho de encontrar equilíbrios, para que um professor, ao tomar uma decisão, faça-o de acordo com sua forma de pensar, mas de tal maneira que ela também esteja respaldada pelo seu grupo de professores, pela escola, tirando-o de seu isolamento. É uma forma de ajudá-lo a criar estratégias, tomar decisões e colocá-las em marcha. 

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http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/35/por-tras-da-neutralidade-dos-numeros-300031-1.asp

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