sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Cuiabá: Aulas são suspensas por risco de choque elétrico em escola estadual

Professores reclamam da precariedade na escola, localizada em Cuiabá.
Secretaria informou que encaminhará um engenheiro ao local.



Do G1 MT

Professores da Escola Estadual Professor Rafael Rueda, no Bairro Pedra 90, em Cuiabá, suspenderam as aulas nesta quinta-feira (28) por tempo indeterminado devido à precariedade da unidade escolar. A escola tem 18 anos de existência e nunca foi reformada. A fiação elétrica, por exemplo, é o que mais causa preocupação pois os estudantes têm levado choque constantemente no local.Por conta disso, mil alunos deverão ficar fora das salas de aulas.
Segundo o membro do Conselho Escolar, Everaldo Pereira, um projeto teria sido elaborado para a escola, mas foi reprovado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc). A assessoria de imprensa da secretaria informou que contratou um engenheiro que deverá ir até o local na próxima segunda-feira (01) para readequar o projeto e infraestrutura. Em seguida, o relatório será enviado para o órgão e liberado os recursos para a realização de reforma.
Os corredores da escola não têm mais lâmpadas porque foram queimadas pela fiação elétrica. Equipamentos na sala de informática funcionam, mas  não devem ser utilizados devido os riscos de acidentes. O problema maior está no pátio, onde fica o padrão de energia. A diretoria da escola providenciou fitas para passar ao redor, na tentativa de evitar que alunos encoste ou se aproxime do padrão no intervalo das aulas.
De acordo com professores, o problema é antigo, mas há quatro meses piorou. A Energisa, empresa responsável pela energia elétrica do estado,  foi até o local e fez a vistoria. A Seduc ressaltou que aulas devem ser repostas, logo após o problema ser solucionado.
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/08/aulas-sao-suspensas-em-escola-de-mt-apos-estudantes-levarem-choque.html

Brasil não sabe quantas crianças com deficiência estão fora da escola

Segundo IBGE, cerca de 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência

Do Todos Pela Educação*
O Brasil tem até 2024 para universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. São 10 anos para cumprir a meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE). Apesar de o objetivo estar bem traçado, o País esbarra num obstáculo essencial: não se sabe exatamente quantas crianças e jovens nessas condições estão fora da escola.
No Brasil, 23,9% da população - aproximadamente 45 milhões de pessoas – tem alguma deficiência, de acordo com o Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessas, 648.921 estão matriculadas na rede regular de ensino da Educação Básica, segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC).
Porém, ainda não existem indicadores precisos para definir a real situação escolar dessa faixa da população. O ideal seria obter a taxa de escolarização dos indivíduos entre 4 e 17 anos com algum tipo de deficiência – ou seja, a proporção de pessoas nessa faixa etária que frequenta a escola em relação ao total da população do mesmo grupo etário.

O problema é que as duas bases de dados disponíveis – do IBGE e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao MEC – não são compatíveis e, portanto, não se pode cruzá-los para obter a taxa de escolarização dessa fatia da população. Isso porque os dóis órgãos adotam critérios diferentes para definir o que é deficiência. O IBGE, por exemplo, não coleta dados sobre transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação – apenas de brasileiros com dificuldade permanente para enxergar, ouvir ou caminhar e deficiência mental/intelectual permanente.

“A solução pode ser construída por meio da implementação de estratégias que tornem essas bases de dados compatíveis e, portanto, comparáveis, ou por meio da criação de novos instrumentos de medição”, propõe Rodrigo Mendes, diretor do Instituto Rodrigo Mendes, mestre no tema “Gestão da Diversidade” pela Fundação Getulio Vargas-SP, onde atua como professor.

Já Wagner Santana, coordenador de Educação da ONG Mais Diferenças, afirma que é preciso haver pressão da sociedade civil, por meio de entidades educacionais, para que esses dados sejam, finalmente, consolidados. “A existência dessas informações dá suporte para o poder público agir”, explica.
O fato de o censo demográfico ser decenal também prejudica a formulação de ações efetivas, de acordo com Santana. “Os dados ficam desatualizados. Por exemplo, com o censo de 2010, podemos formular políticas públicas até 2012 ou 2013. Mas 2018 já fica distante demais”, afirma.


*O Todos Pela Educação está publicando uma série de reportagens sobre Educação Inclusiva. Leia mais:

Inclusão de alunos com deficiência cai no Ensino Médio

http://www.todospelaeducacao.org.br/reportagens-tpe/31128/brasil-nao-sabe-quantas-criancas-com-deficiencia-estao-fora-da-escola/

O português no Brasil e no mundo: variações linguísticas


A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros 
Vinha da boca do povo na língua errada do povo 
Língua certa do povo 
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
(Manuel Bandeira, “Evocação do Recife”, 1930)

A língua portuguesa apresenta grandes variações na pronúncia, no vocabulário e na sintaxe. Essa diversidade, que se apresenta mais intensamente na linguagem oral, está relacionada aos processos históricos pelos quais passaram cada região, povo e cultura, e demonstra a riqueza e vivacidade da língua.
Embora haja muitas pesquisas sobre o tema em diferentes espaços acadêmicos no Brasil e no mundo, ainda não temos um banco de vídeos e áudios com acesso público que dê luz às variantes em nosso idioma. A criação de um banco como esse poderá orientar os professores no trabalho com as variações linguísticas, especialmente as mais estigmatizadas, e ressaltar a importância de se compreender a relação entre oralidade e letramento.
Tendo isso em vista, a Plataforma do Letramento lançou a campanha Oralidade: variações e sotaques. Nessa campanha, usuários, de toda e qualquer idade, perfil social e local de origem, são convidados a enviar vídeos/áudios contando uma história engraçada que aconteceu com eles. Com base no material enviado, será produzido o primeiro infográfico colaborativo.
Clique aqui e saiba como participar!
Assista ao vídeo de Carlos Alberto Faraco, linguista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trata da importância de conhecer as variantes linguísticas: https://www.youtube.com/watch?v=cxAV46_auMM
Informações: Plataforma Letramento
http://undime.org.br/o-portugues-no-brasil-e-no-mundo-variacoes-linguisticas-2/

PEC muda regras previdenciárias em benefício do servidor público

Da Redação
Os servidores públicos poderão se aposentar em caso de invalidez permanente, sem perdas salariais. A regra está em uma proposta de emenda constitucional (PEC 08/2014) apresentada pelo senador Ruben Figueiró (PSDB-MS). Ele propõe mudanças no artigo 40 da Constituição, de acordo com o qual os funcionários públicos podem passar para a inatividade quando diagnosticada a invalidez permanente, mas com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
A constituição determina ainda que os proventos são integrais se a invalidez permanente for resultado de acidente em serviço, doença profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável. Essas enfermidades são listadas na Lei 8112/1990. Entre elas, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira posterior ao ingresso no serviço público, hanseníase e cardiopatia grave.
O senador Figueiró quer retirar essas ressalvas do texto constitucional, por acreditar que o funcionário público vítima de uma doença não prevista na lei e que por causa dessa moléstia for considerado inválido não pode ser discriminado no cálculo da aposentadoria. “É incompreensível e irrazoável, a nosso ver, que possa haver diferenças nos proventos de aposentadoria em razão do tipo de doença que resultou na invalidez permanente”, argumenta o senador.
Outro argumento levantando por Ruben Figueiró é que a mudança no texto constitucional proposta por ele beneficia não apenas o servidor que sofrer acidente em serviço ou ficar gravemente doente. Contempla também os que ficarem incapacitados devido a qualquer doença, acidentes mesmo fora do serviço e atos de violência. Além disso, ainda segundo Figueiró, a emenda assegura ao servidor público os mesmos direitos dos segurados do Regime Geral da Previdência Social.
A PEC 08/2014 vai ser analisada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Ainda não foi escolhido um relator para examinar a proposta.
Agência Senado
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=148525&tp=1

Ensino de Ciências: a passo de tartaruga

Diretrizes sugeridas pelos parâmetros curriculares há 17 anos apontam para um ensino de ciência exemplar. Porém, as mudanças necessárias ainda não ocorreram na nossa educação, que mantém uma abordagem excessivamente ‘conteudista’.
Por: Vera Rita da Costa
O atraso na educação científica no país não se deve só à ausência de uma boa infraestrutura.
Falta também pôr em prática os mesmos valores humanos que caracterizam o fazer objetivo da ciência.
(foto: Michaela Kobyakov/ Freeimages)
Já faz 17 anos que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram lançados e, cada vez que refaço essa conta, fico admirada com o quanto caminhamos lentamente em nosso país quando o objetivo é promover mudanças significativas na educação. De maneira específica no ensino de ciências, sinto-me até obrigada a mudar o termo usado antes. Pensando bem, nossa lentidão em mudar o ensino de ciências no país é de deixar qualquer um chocado ou, ainda, escandalizado. 
Será que hoje acordei pessimista? Pode ser. Mas se essa é a razão da minha constatação, a causa de fundo talvez esteja na divulgação, na semana passada, de mais um índice sobre nosso ‘analfabetismo’ científico. 
Você deve ter lido aqui na CH On-line. De crianças a adultos, incluindo quem tem nível universitário, quem é gestor público ou trabalha nas áreas de educação e saúde, praticamente ninguém escapa. Por melhor que sejam os índices alcançados, ainda estamos todos muito longe do ‘letramento’ desejável em ciências.
Curiosamente, no entanto, os parâmetros definidos para o ensino de ciências há quase 20 anos não apontavam nem de longe essa direção. Ao contrário, revelavam um futuro animador. Mesmo tendo recebido críticas e ponderações, o que foi proposto naquela oportunidade indicava uma boa direção a seguir.

Olhar para trás

Retomemos o texto original  dos PCNs do ensino fundamental (1ª a 4ª séries): uma das ideias importantes que lá figuram é justamente a de explorar com os alunos as competências ou habilidades que lhes permitam “compreender o mundo e atuar como indivíduo e como cidadão, utilizando conhecimentos de natureza científica e tecnológica”.  Alfabetização ou letramento científico, pura e simplesmente.
Também se sugere, como forma de romper com a fragmentação excessiva do ensino, o trabalho por blocos temáticos e a ênfase em conceitos-chave ou estruturantes do pensamento em ciência. 
A ideia era favorecer a integração entre as diversas disciplinas, em substituição à abordagem tradicional, compartimentalizada, das diferentes áreas que compõem as ciências naturais
A ideia era favorecer a integração entre as diversas disciplinas, em substituição à abordagem tradicional, compartimentalizada, das diferentes áreas que compõem as ciências naturais e reintroduzir nas salas de aula o conteúdo de importantes disciplinas, como a física, a astronomia, as geociências e a química, havia muito esquecidas nas séries iniciais.
O foco, no entanto, não deveria estar na mera transmissão de informações, mas no trabalho em torno daqueles conceitos realmente importantes, presentes nas diferentes ciências, e que se revelam, portanto, como integradores nos diversos campos do conhecimento. 
Ou seja, mais do que informações isoladas e descontextualizadas, a ideia expressa nos PCNs para o ensino de ciências nas primeiras séries do ensino fundamental – e que se mantém ainda atual – estava centrada na abordagem de conceitos (como energia, matéria, espaço, tempo, transformação, sistema, equilíbrio, variação, ciclo, fluxo, relação e interação) que permeiam e dão sentido às mais importantes ideias e teorias científicas – e que, por isso mesmo, tornam-se fundamentais para a sua compreensão adequada.
Há nos PCNs, ainda, uma terceira orientação importante a destacar, mas que também espera por ser efetivada em nosso ensino de ciências: a incorporação de atitudes e valores como conteúdo a ser desenvolvido e, de fato, valorizado nessa faixa do ensino. 
Em outras palavras, está lá também a importante noção de que, tanto quanto desenvolver conteúdos conceituais e habilidades cognitivas e procedimentais, é fundamental desenvolver posturas e valores e promover o aprendizado de atitudes características da ciência.
Nunca antes essa dimensão da aprendizagem havia sido destacada de forma tão explícita em nossas propostas curriculares oficiais e, no entanto, essa parece ser a dimensão menos abordada em nosso ensino de ciências.

Valores da ciência

Pensemos por um instante. Quais são os valores e atitudes típicos da ciência que deveriam ser cultivados entre nossos alunos? Quais os valores, atitudes e posturas que deveriam constar como prioridade em nossos planejamentos e em nossas avaliações do processo de ensino e aprendizagem em ciências?
Faça essas perguntas a algum colega professor de ciências (ou a si mesmo) e perceberá: a resposta não se encontra na ponta da língua, como deveria, pois esse não é um assunto que se debata com frequência entre nós. 
Nosso foco de atenção costuma recair nos temas ou conceitos a serem abordados ou, ainda, nas informações a serem transmitidas
Não que não estejamos preocupados com o que ensinar. É que nosso foco de atenção costuma recair nos temas ou conceitos a serem abordados ou, ainda, nas informações a serem transmitidas. Generalizando, somos, como se diz por aí, ‘conteudistas’. Não incorporamos o desenvolvimento das habilidades e, menos ainda, o de valores e atitudes entre nossas preocupações pedagógicas. 
No entanto, valores e atitudes são o centro ou a característica principal dessa atividade que se chama ciência.
O matemático, historiador e divulgador da ciência Jacob Bronowski (1908-1974) escreveu um livro sobre esse tema, Ciência e valores humanos (Itatiaia/Edusp, 1979), no qual defende a ideia de que a ciência não apenas se baseia em valores, mas ajuda a criá-los e a moldá-los. 
vidros laboratório
Entre os parâmetros curriculares, destacam-se valores da ciência que devem ser apresentados: curiosidade, atitude proativa, organização, sistematização, rigor, precisão, reflexão e crítica. (foto: Jean Scheijen/ Freeimages)
Para Bronowski, independência, originalidade, discordância, liberdade e tolerância estão entre esses valores que derivam do processo de busca da verdade que caracteriza a ciência e que nos têm sido ensinados por ela desde o Renascimento. A ciência – diz ele – humanizou nosso modo de ser, nossos valores e ensinou-nos, basicamente, o livre pensar, o livre agir e o livre opinar. 
É para se pensar, portanto, se não seria esse o objetivo principal do ensino de ciências.
Mas, talvez, nem precisemos ir tão além. Voltemos aos PCNs. Neles, também se destacam os valores da ciência. A curiosidade está entre eles. Também se encontram a atitude proativa ou a disposição para fazer e conhecer; a organização e sistematização; o rigor e a precisão; a reflexão e a crítica; a atitude cooperativa; o respeito à diversidade de opiniões ou às provas obtidas por meio da investigação e a persistência e o empenho na busca e compreensão das informações e mesmo na consecução de uma tarefa.

Atrasados nas mudanças

Considerando, portanto, a inquietude inicial que motivou esse texto, pergunto: por que estamos tão atrasados nesse processo de mudança? 
Somos todos, mesmo, analfabetos funcionais’ em ciência
É certo que a falta de condições estruturais (salários, infraestrutura, formação adequada, entre outras) pesa nesse fato. Mas, certamente, o atraso não se deve só a isso. Falta também pôr em prática entre nós esses mesmos valores humanos que caracterizam o fazer objetivo da ciência. 
Das mais altas esferas do poder da educação em nosso país à sala de aula e à nossa relação direta com os alunos, ainda somos muito carentes de atitude proativa; organização; sistematização; rigor; precisão; reflexão; crítica; atitude cooperativa; respeito à diversidade de opiniões; persistência e empenho – os valores principais da ciência. 
Nesse sentido, não há mesmo o que duvidar dos resultados em mais essa pesquisa divulgada: somos todos, mesmo, ‘analfabetos funcionais’ em ciência. Nossos rudimentares conhecimentos científicos, sobretudo em termos dos valores e atitudes que caracterizam a ciência, não têm nos permitido ser eficazes e avançar a passos largos e em termos práticos.

Vera Rita da Costa
Ciência Hoje/ SP
http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/2014/08/a-passo-de-tartaruga

Congresso Nacional prorroga por 60 dias a suspensão das aulas

  VERSÃO CERTIFICADA     DIÁRIO COMPLETO     IMPRESSÃO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO Publicado em:  28/05/2020   |  Edição:  101   |  Seção: 1   |...