terça-feira, 7 de outubro de 2014

Formadores e orientadores do PNAIC reúnem-se em Cuiabá


Mais de 320 orientadores das redes estadual e municipal de ensino participam do III Seminário do Pacto Nacional da Idade Certa. O encontro realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) será de 07 a 09 de outubro, no Hotel Fazenda Mato Grosso. Nessa etapa os 28 formadores trabalham com os orientadores as temáticas dos cadernos 5 e 6 do Pnaic ( Geometria e Grandeza de medidas).
A coordenadora do Ensino Fundamental pela Seduc, Aparecida de Paula, reforça que o objetivo do Pnaic é garantir a alfabetização das crianças até os oito anos com sucesso. Para isso, os 323 orientadores serão os multiplicadores da formação para mais de 1.400 professores alfabetizadores, que consequentemente fazem o trabalho com os estudantes. “Esta formação representa o fortalecimento da base fundamental no processo de alfabetização das crianças”, diz.
Em Mato Grosso, o Pnaic foi implantado em fevereiro de 2013. No ano passado o Pacto trabalhou com a formação para a área de Linguagens. Neste ano, a Matemática é temática da capacitação. O programa que é uma articulação entre Estado e municípios tem quatro áreas de atuação: formação de professores, fornecimento de material didático, avaliação e gestão. A ideia é que o conjunto desta atuação fortaleça as metodologias de ensino e garanta a alfabetização na idade certa.


ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT


http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14652&parent=20

Curta, compartilhe, colabore e... aprenda!



Escrito por Luciana Allan

“A educação tradicional pode ser extremamente solitária. O currículo é geralmente abstrato e irrelevante para a vida real. Os professores e alunos não estão habituados a se conectar com recursos e especialistas fora da sala de aula, e muitas escolas funcionam desconectadas de suas comunidades. Aprendizagem baseada em projetos, grupos de estudantes que trabalham cooperativamente, crianças em contato com especialistas apaixonados e métodos mais amplos de avaliação podem melhorar drasticamente a aprendizagem. As novas multimídias digitais e as telecomunicações podem apoiar essas práticas e envolver os alunos. E educadores bem preparados são essenciais”.
texto acima é uma reflexão do cineasta George Lucas publicada no Edutopia, site da George Lucas Educational Foundation (GLEF), organização que reúne e divulga iniciativas inovadoras na educação, financia e desenvolve pesquisas, tecnologias e materiais com fins educacionais.
O incentivo ao aprendizado colaborativo está entre os muitos benefícios que a adoção das tecnologias digitais pode trazer para transformar a educação e quebrar os muros das escolas, enterrando de vez o ultrapassado modelo de um único mestre e estudantes enfileirados em carteiras, conformados com o mero papel de aprendizes. Ao concluir a universidade e ingressar no mercado de trabalho, o jovem encontra um ambiente corporativo onde é desafiado a trabalhar em rede, exigindo que tenha habilidades tecnológicas, além de conhecimentos técnicos.
Estudar com base na proposição de projetos em que vários estudantes desempenham funções colaborativas e cooperativas, nas quais têm mais aptidão, é uma evolução pedagógica que se tornará muito mais natural quando as escolas incentivarem – e não coibirem – os alunos a acessarem ferramentas tecnológicas já disponíveis para conectá-los em redes virtuais de aprendizagem.
Enquanto as escolas proíbem o uso do celular em sala de aula e os gestores ainda discutem como direcionar investimentos para a compra de equipamentos e a instalação de conexão em banda larga, os nativos digitais já estão o tempo todo conectados à internet por meio de seus próprios telefones, mesmo os mais simples, seja em casa, na rua, no shopping, em qualquer lugar e a qualquer hora. Só não estão na escola.
Isso não significa que ainda não tenham despertado para as funções pedagógicas que esses recursos disponibilizam. Eles usam o celular para fotografar, fazer vídeos, acessar as redes sociais, conversar com os amigos, marcar a próxima balada e adivinhem para o que mais? Estudar! Pouco a pouco, e independentemente da iniciativa dos professores, os alunos começam a acessar aplicativos e plataformas de estudo colaborativo que já estão disponíveis para esclarecer e ajudar a tirar dúvidas, desenvolver projetos, baixar materiais didáticos e conferir gabaritos.
Com o celular ou tablet nas mãos (ou mesmo sentados em frente ao PC), conversam e apoiam uns aos outros por meio do WhatsApp, acessam aulas on-line no Descomplica, leem livros no Google Books, consultam a Wikipédia, aprendem novas línguas de graça no Qranio, assistem a vídeos educativos noYouTube Edu, curtem e compartilham em comunidades no Facebook conteúdos relacionados com a matéria apresentada em sala de aula. É uma realidade que as escolas não podem mais ignorar, mas sim orientar para um uso adequado.
A escola inovadora deve preparar seus alunos para serem aprendizes por toda a vida, pessoas que ao se depararem com desafios intelectuais sejam capazes de interpretá-los e buscar respostas para superá-los. Nessa direção, não basta mais sabatinar os indivíduos e deixá-los isolados em ilhas de conhecimento. Mais que transmitir informação, os professores precisam se despir das vestes de “sabe tudo” para aprenderem com seus alunos e incentivá-los a compartilharem o que sabem com outros alunos, inclusive com outras escolas em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Bem-vindos à era do aprendizado em redes virtuais, sem hierarquias e que acontece de forma colaborativa!
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/colunistas-pm/luciana-allan/982-curta-compartilhe-colabore-e-aprenda

Creche Colomba Cacélia realiza olimpíada em comemoração ao Dia da Criança



Secom Cuiabá
Fotos: Jorge Pinho

Para comemorar o Dia das Crianças, celebrado no próximo dia 12 de outubro, a creche municipal Colomba Cacélia Lombardi Dorileo, no bairro Jardim Imperial, realiza durante toda esta semana a 5ª edição da Mini Olimpíada, que este ano tem como tema “Brincando eu também aprendo”. A abertura da olimpíada ocorreu nesta segunda-feira (06) e contou com a participação dos alunos, educadores e pais.

Pelo menos 100 alunos, com idade de 2 e 3 anos, participaram da abertura da olimpíada. Vestidos com camisetas nas cores primárias (verde, vermelho, azul e amarelo) os alunos percorreram as ruas do entorno da creche. “A caminhada é uma forma de divulgar para a comunidade o trabalho que é realizado na creche e trazer os pais para dentro da instituição”, explica a diretora da creche, Mara Marcia Gomes.

Segundo a diretora, a olimpíada inclui várias atividades recreativas, entre elas a dança das cadeiras, corrida do saco, dança da laranja, chute a gol, estoura balão, boca do palhaço, cabo de guerra, encher garrafa, dia da gelatina, boliche, assopra giz, atletismo, corrida de obstáculo, entre outras brincadeiras. 
“O objetivo da olimpíada é proporcionar aos alunos momentos de interação e aprendizado, estimulando o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social das crianças”, completa a diretora. 

Segundo a coordenadora da creche, Nirley Nilza Silva, os eventos promovidos pela creche são sempre prestigiados pelos pais. “Eles fazem questão de participar com os filhos em todos os momentos e isso ajuda no desenvolvimento afetivo e social deles”, avalia a coordenadora. 
Os pais da pequena Maria Cecília Oben, 2 anos, acompanharam a menina na caminhada. “Acho muito importante estar junto, participando, pois ela se sente mais segura com a nossa presença”, disse o pai da garota, o serralheiro Samuel de Oliveira Oben.
“Ela adora participar dessas atividades e eu acho importante porque ela interage com outras crianças e isso é muito importante para o desenvolvimento dela”, completou a mãe de Cecília, Daiane Silva.
O segurança Anderson Paulo de Oliveira, pai das gêmeas Iara Cristina e Yasmim Cristiane, de 3 anos, também fez questão de acompanhar as filhas. “Acredito que o nosso papel enquanto pai não é apenas trazer e deixar os filhos na creche, mas sim participar, conhecer e prestigiar o trabalho da instituição em que seus filhos estudam”, disse o segurança, elogiando o trabalho das profissionais da creche. “São pessoas atenciosas e muito dedicadas. Sei que posso trabalhar tranquilo deixando elas aqui”.
Na sexta-feira (10) será o encerramento do projeto, com a entrega de brinquedos e medalhas para as crianças. No mesmo dia será realizada uma confraternização para comemorar os aniversariantes do mês de outubro. 
http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/creche-colomba-cacelia-realiza-olimpiada-em-comemoracao-ao-dia-da-crianca/9661

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”; leia entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

POR THAÍS NICOLETI

Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.
O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009,  cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.
De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.
Depois da publicação do Vocabulário (e de uma errata com substituições, correções e aditamentos) e, sobretudo, depois de ser o corpus posto gratuitamente à disposição para consulta no site da ABL (www.academia.org.br), os ânimos se acalmaram e o processo de adaptação parecia seguir seu rumo.
Eis que a divulgação de uma proposta de ortografia fonética, que imporia grandes mudanças à ortografia vigente (em nada comparáveis à supressão de alguns acentos e à alteração nas regras do hífen), vem novamente trazer à tona o tema da ortografia.
Hoje quem conversa com o blog a respeito do assunto é o professor Deonísio da Silva,  que é membro da Academia Brasileira de Filologia, professor universitário, escritor e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo.
Respeitado nos círculos acadêmicos, Deonísio é também muito conhecido fora deles – e não é à toa, pois sua página de etimologia na revista “Caras” é sucesso há 20 anos. Além desse trabalho, Deonísio tem uma coluna na Rádio Bandnews Fluminense e vem publicando, ao longo de sua vida, títulos de grande interesse, entre os quais está o best-seller “De Onde Vêm as Palavras”, já na 17ª edição. É autor de  34 livros, em meio aos quais se destacam outras obras voltadas à etimologia (“A Vida Íntima das Frases” e “Palavras de Direito”) e os romances “Lotte & Zweig” (2012), baseado na vida do escritor, poeta e dramaturgo austríaco Stefan Zweig, “Teresa d’Avila” (1997) e “Avante, Soldados: para trás” (2005), romance que recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas, em júri presidido por nada menos que José Saramago – e o Nobel de Literatura não lhe poupou elogios.
Leia, a seguir, a entrevista com o professor Deonísio da Silva:
Thaís Nicoleti – O senhor esteve no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, realizado recentemente em Brasília (nos dias 10, 11 e 12 de setembro)?  portugues em pautaO senhor apresentou uma proposta de revisão do Acordo Ortográfico de 1990? Em que ela consiste?
Deonísio da Silva – Sim, estive no simpósio, que teve seu herói,  o escritor José Carlos Gentili, que do nada tirou aquele evento. Para fazer jus ao convite, preparei um “paper”. O título foi “A Extinção do Hífen”, mas não o apresentei porque notei certo enfado dos presentes com a repetição de questões de complexas sutilezas, cuja explicação é inútil, apesar da alta qualificação dos conferencistas.  Fiz, então, da etimologia a referência solar de minha intervenção, ilustrando com exemplos concretos o quanto perderíamos se adotássemos uma escrita fonética, de resto impossível de ser sequer formulada, quanto mais aplicada. Copo é copo, e leite é leite, mas “copo de leite” designa um copo com leite, porém “copo-de-leite” [com hifens] designa a açucena, uma planta ornamental. “Copo” e “leite” vieram ambos do latim, respectivamente de “cuppa” e de “lacte”; açucena veio do árabe “as-susana”, designando o que o grego conhecia por “leírion”, que deu “lilium” em latim e “lírio” em português. Essas questões etimológicas tornam-se ainda mais esclarecedoras no caso dos fármacos, em que a mudança de uma letra, não apenas da dosagem, pode designar remédio ou veneno. Além do mais, sou de Santa Catarina e lá se pronuncia “leite” de um modo diferente do que ouvi por longos anos no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo, estados onde morei por vários anos. E no Rio, onde vivo há 11 anos, a pronúncia tem outras variações. Minha crítica foi esta: o Acordo ouviu muito pouca gente! Não me refiro a plebiscitos, mas acredito que profissionais da língua, como aqueles que, como eu, a estudam e a explicam a alunos ou a leitores, devam ser ouvidos. Essa foi a minha proposta. Como é que pode o nosso amigo Evanildo Bechara ser o executor das medidas de emergência do Acordo? Ele é altamente qualificado, é uma honra ser colega dele na Academia Brasileira de Filologia, mas ele precisa consultar, por exemplo, os colegas das duas Academias: da ABL e da ABRAFIL! Pelo menos esses!
TN – Há alguma proposta de revisão do Acordo formalizada, além da sua, em condições de ser discutida no âmbito do Senado?
DS – Creio que ainda não, mas achei bom o Senado estar envolvido nisso.
TN – A quem caberá liderar essa discussão no Senado e como exatamente se definirão as novas regras, na hipótese de isso vir a acontecer? Há um conselho de pessoas especializadas?
DS – Se houver uma proposta, ela deverá ser formulada por quem entende do riscado. O brasileiro tem uma habilidade verbal impressionante, mas estuda pouco a sua língua. É bom que seus representantes no Senado examinem esta questão. Alguns dos que têm determinado como devemos escrever deveriam usar tornozeleiras eletrônicas para sabermos por onde andam e por que formulam tantas impropriedades. Não é o caso de Ernani Pimentel. Ele detectou certa hostilidade em minhas críticas, mas eu não critico pessoas. Critico instituições. E elas, apesar de conduzidas por pessoas, também moldam aqueles que as conduzem.
TN – A quem exatamente o senhor se refere?
DS –  Por exemplo: recentemente, o dinheiro público financiou uma edição de 600 mil exemplares de “O Alienista”, de Machado de Assis, em que, em vez de serem explicadas as palavras que ampliavam e melhoravam o vocabulário dos leitores, principalmente alunos, elas eram substituídas por outras, tidas por mais fáceis, resultando em edição falsificada de nosso maior escritor, paga com dinheiro público! Ora, todos sabemos que o autor é modelo de escrever bem.
TN – Novamente a ideia de que é preciso “simplificar” as coisas. Penso que seria mais produtivo ensinar mais e melhor, fomentar a leitura e despertar o interesse pela nossa literatura. Mas, ainda sobre as possíveis mudanças ortográficas, o senhor acredita que um GTT [grupo de trabalho técnico, criado pela Comissão de Educação do Senado] coordenado por alguém que está fora do meio acadêmico vai conseguir congregar professores e estudiosos das universidades para debater o tema?
DS – Não vai. O meio acadêmico trabalha sobre credenciais, vitae, competência, desempenho, aferidos trienalmente por suas publicações, palestras, conferências etc., de acordo com a Plataforma Lattes, do CNPQ.
TN – O senhor percebeu alguma intenção desse GTT de levar o debate aos especialistas que estão nas universidades? O Senado, ao criar o GTT, não deveria ter buscado a universidade?
DS - “Pau que nasce torto, nunca se endireita”, como diz o Melô do Tchan,  e “menina que requebra… mãe, pega na cabeça”. O GTT – ele existe? – começou mal e pode terminar pior. “Depois de nove meses você vê o resultado”. Vai nascer um monstrinho.
TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão?   
DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.
TN – O senhor acredita que haja intenção por parte da própria ABL de propor algum tipo de alteração no Acordo ou no Volp [Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa]?
DS – Eu me esforço para acreditar que haja, mas estou muito desconfiado de que não seja assim! Ademais, a ABL não é sequer a instituição mais indicada para fazer isso. Examinemos os “vitae” de cada um dos acadêmicos. Quem ali pode fazer isso? Poucos. Acho que há excluídos até mesmo no interior da ABL, quanto mais fora! Os responsáveis pelo Acordo não podem desprezar os centros universitários de excelência onde a língua portuguesa é pesquisada e ensinada.
TN – Que críticas o senhor faz ao texto do Acordo Ortográfico e/ou à interpretação que a ABL fez dele? 
DS – A principal é não terem consultado mais gente. “In medio virtus”, como ensinaram os sábios romanos. Não era necessário fazer plebiscito sobre os temas, mas tampouco era necessário tratar o Acordo como obra de “illuminati”. Ainda mais que pesam tantas controvérsias sobre se são tão “illuminati” assim.
TN – O senhor acredita que qualquer pessoa, independentemente da formação acadêmica, possa propor um novo sistema ortográfico?
DS – Não! Se eu não acreditasse na relação bunda-cadeira-hora, não teria estudado tanto! Quando um técnico de informática vem resolver um problema em meu computador, não lhe pergunto se ele sabe quais as mais de 21 mil palavras com hífen que sofreram alterações no português com o Acordo. E espero que ele não me pergunte se eu sei as sutis diferenças entre um “software” e um “hardware”. Dele espero que entenda de computador. Se as pessoas que inventaram computadores, celulares e “smartphones” escrevessem como seus usuários escrevem nesses utensílios, estaríamos na idade do “chip” lascado…
TN – Na sua avaliação, o Acordo Ortográfico de 1990 era necessário? Fazer a reforma desse Acordo vale a pena? 
DS – Se você está passando mal e não sabe o que tem, é melhor procurar um médico no qual confie. O português estava passando bem e, ainda assim, resolveram medicá-lo e, mais do que isso, submetê-lo a intervenções cirúrgicas dispensáveis. A verdade é que não precisávamos deste Acordo. Unificar modos de escrever, como fez o árabe, que tinha 14 grafias e agora tem uma apenas, para efeito internacional, respeitando a variação de cada país, tudo bem. Mas impor, não! Fala-se em Acordo com as outras nações lusófonas. Certo! Mas antes é preciso fazer o Acordo com os brasileiros. Esta proposta de refazê-lo é pior ainda. Este coelho não saiu do mato. Saiu de alguma cartola.
TN – O professor Ernani Pimentel, coordenador do GTT, apresenta em seu site uma proposta de ortografia fonética que chegou a ser divulgada por vários veículos de comunicação. Após a divulgação, as reportagens foram desmentidas pela Agência Senado, mas o desmentido foi baseado apenas no fato de que tal proposta não estaria “formalizada”. O senhor acha que os senadores que criaram o GTT conhecem, de fato, essa proposta? Cristóvão Buarque aparece no site do prof. Ernani Pimentel  ao lado de declaração favorável a ela.  
DS – Tenho grande apreço pelo senador Cristóvão Buarque, aliás, um bom romancista, mas esta parte de sua biografia é sempre esquecida. E sempre tenho  sido um defensor intransigente de  parlamentos, por piores que sejam, pois nos representam. Se o jabuti está no galho da árvore, alguém o pôs lá. Então, se são aqueles os nossos representantes, foi o povo quem os pôs lá. E livremente. Mas senadores podem ser enganados por espertos, por desavisados, por quem não tem maldade, mas prejudica mais do que se tivesse… Sem contar que os senadores não são santos. Enfim, todo cuidado é pouco quando se mexe no patrimônio público. E a língua é isso: um patrimônio do povo brasileiro.

http://thaisnicoleti.blogfolha.uol.com.br/2014/10/06/lingua-e-patrimonio-do-povo-brasileiro-leia-entrevista-com-o-filologo-deonisio-da-silva/

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