terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

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Em entrevista ao Porvir, gerente geral da agência responsável pelo currículo australiano analisa o texto preliminar da Base Nacional Comum brasileira

Resultado de imagem para base nacional comum curricularpor Tatiana Klix

Para garantir que o sistema educacional proporcione o desenvolvimento integral de estudantes brasileiros, considerando todas as suas dimensões – intelectual, emocional, cultural, física e social – é necessário que o currículo nacional preveja, de forma clara e objetiva, quais capacidades os alunos devem aprender. Essa é a opinião de Phil Lambert, gerente geral da Acara (Australian Curriculum Assessment and Reporting Authority) – entidade australiana responsável pelo desenvolvimento e implantação do currículo nacional daquele país.

Para Lambert, que teve um papel importante na construção do documento que prevê o que os estudantes australianos devem aprender e estuda outros currículos pelo mundo, o texto preliminar da Base Nacional Comum Curricular (BNC) brasileira, que está disponível para consulta pública na internet até o dia 15 de março, ainda não contempla integralmente essa visão. Em visita ao Brasil na semana passada para reuniões com especialistas e representantes instituições de educação ligados ao Movimento pela Base Nacional Comum, ele avaliou que falta coerência entre o texto introdutório da proposta curricular brasileira e os objetivos de aprendizagem constantes em cada área de conhecimento propostos pelo Ministério da Educação. Embora tenha encontrado no preâmbulo da BNC uma expectativa de aprendizagem contemporânea, que prevê formar jovens capazes, tanto intelectualmente como em termos de capacidades socioemocionais, comportamentos e atitudes, ele não enxergou mais adiante como essas capacidades que levam ao desenvolvimento integral vão se concretizar.

“Nos textos das áreas de conhecimento há muitos objetivos de aprendizagem que apenas levam os alunos a repetir e decorar conteúdos, em vez de fazê-los agir ativamente em relação aos conhecimentos para resolver problemas, desenvolver a criatividade e refletir”, afirmou.

Leia série de reportagens sobre o debate da Base Nacional Comum Curricular:
Sucesso da Base Curricular depende da formação dos professores
Base Nacional reacende debate de competências para o século 21
Para MEC, desenvolvimento integral entra só na introdução da Base Curricular
Discussão sobre Base Nacional Curricular deve focar no aluno
Diminui antagonismo entre preparar para o trabalho e para cidadania
Para alunos e professores, Base deve dialogar com realidade


A boa notícia é que, segundo a experiência de Lambert, a construção de um currículo pode ser realizada em várias etapas. Na Austrália, que tem um dos currículos mais preocupados com o desenvolvimento integral dos alunos no mundo, o trabalho começou em 2008 e ainda segue em implantação. “Vocês têm um primeiro rascunho. Tenho certeza de que terão um segundo, depois um terceiro… É natural que ocorra um aprimoramento em relação a essa primeira versão”, disse.

O Porvir conversou com Lambert sobre a leitura crítica que a Acara realizou do texto preliminar da Base, entregue ao MEC juntamente com outras avaliações feitas por especialistas nacionais e internacionais convidados pelo Movimento pela Base Nacional Comum. Leia os principais trechos da entrevista:

Porvir – O senhor teve a oportunidade de ler e analisar o texto preliminar da Base Nacional Comum Curricular, elaborado pelo Ministério da Educação. Gostaria de saber qual é a sua avaliação da proposta em debate.

Phil Lambert – É um primeiro rascunho e todos devem levar isso em consideração. As informações contidas na introdução são relevantes, no que diz respeito às expectativas de aprendizagem. Isto é, o texto mostra que espera-se formar jovens integralmente capazes, tanto intelectualmente como em termos de capacidades socioemocionais, comportamento e atitudes. É uma promessa que cria uma expectativa em relação ao que os objetivos de aprendizagem vão trazer. Até agora, eu só tive a chance de revisar os textos das áreas de português, matemática e ciências naturais, e sei que é apenas um rascunho, mas o que posso dizer é que não existe uma grande relação entre o que a introdução diz que vai entregar e o que realmente está lá. A conexão entre a visão dos objetivos gerais do documento e os objetivos de aprendizagem por área de conhecimento não está coerente e clara. Também identificamos alguns problemas de progressão, em como os alunos vão se desenvolver através dos anos a partir da proposta, principalmente no detalhamento das áreas de conhecimento. Além disso, falta objetividade no texto de introdução, que é bastante denso e poderia ser mais claro. Você pode dizer exatamente a mesma coisa, o que está prometido ali, mas ficou escondido em um texto rebuscado. Acredito que deva ser mais objetivo, para ser mais acessível a mais pessoas, incluindo professores. O outro ponto é que a exigência sobre os alunos poderia ser maior. Nos textos das áreas de conhecimento há muitos objetivos de aprendizagem que apenas levam os alunos a repetir e decorar conteúdos, em vez de fazê-los agir ativamente em relação aos conhecimentos para resolver problemas, desenvolver a criatividade e refletir.
 
No momento, o que é esperado dos estudantes é uma atitude passiva, mas se o objetivo é tornar o aluno ativo, ele deve ser muito mais desafiado, tanto intelectualmente como em termos de capacidades, ações e comportamentos

Porvir – O senhor avalia que é preciso reescrever todos os textos das áreas de conhecimento para que os objetivos de aprendizagem contemplem o desenvolvimento integral dos estudantes?

Lambert - Existem três ações possíveis para aprimorar o currículo que está sendo construído. A primeira é redigir a introdução de forma mais clara, para que fique especificado as capacidades que vocês (brasileiros) buscam desenvolver em suas crianças e jovens na escola. Depois, é preciso olhar para os objetivos de aprendizagem e entender como eles conseguirão desenvolver essas capacidades. Seus autores devem trabalhar a partir dessa visão, assim saberão os tipos de ações e estratégias que devem constar no documento, como inserir o desenvolvimento dessas capacidades de forma integrada às disciplinas. Como eu disse antes, no momento, o que é esperado dos estudantes é uma atitude passiva, mas se o objetivo é tornar o aluno ativo, ele deve ser muito mais desafiado, tanto intelectualmente como em termos de capacidades, ações e comportamentos.

Porvir – Baseado em sua experiência na formulação e implementação do currículo australiano e o que o vem estudando em outros currículos pelo mundo, o senhor acha que o Brasil precisa repensar as capacidades escolhidas para o texto introdutório da Base Nacional Comum Curricular?

Lambert – As capacidades que vocês escolheram são válidas e contemporâneas, similares com aquelas de currículos de outros países. Não há nada de errado no que identificaram como prioridade. Mas o que pode melhorar é como elas devem ser inseridas nos objetivos de aprendizagem das áreas de conhecimento.

Porvir – E como o ensino dessas capacidades pode ser implementado nas escolas?  
Lambert – O primeiro passo é realmente ter essas capacidades previstas no currículo, de modo que fique claro o que vocês querem que todas os jovens tenham acesso na escola, em todo o país. O currículo deve ter isso para que o aprendizado ocorra. A segunda etapa é garantir que os professores entendam plenamente os tipos de atividades e práticas que devem ocorrer nas salas de aula – para isso a formação de professores é importante. E por último, é necessário apoiar os professores oferendo recursos pedagógicos, dos mais variados, que os ajudem a colocar o currículo em prática.
O desenvolvimento integral é algo que pode ser alcançado, já foi realizado por outros países, existem técnicas sobre como isso pode ser feito, que podem ajudar o Brasil

Porvir – O sistema de educação brasileiro tem muitas falhas e muitos alunos aprendem menos do que esperado. Por isso, algumas pessoas defendem que é mais importante apostar no básico e em ensinar os conteúdos tradicionais de forma mais qualificada. Outras acreditam que é necessário se preocupar em ensinar os conhecimentos cognitivos e, ao mesmo tempo, desenvolver capacidades que levem ao desenvolvimento integral dos estudantes. O senhor acredita que é melhor apostar em uma coisa de cada vez ou é possível fazer tudo isso ao mesmo tempo?

Lambert – Ambos os pontos são importantes. O texto preliminar da BNC não vai levar à evolução que o Brasil espera ter em sua educação. Por isso, os primeiros anos da escola deveriam ser focados em desenvolver os conhecimentos básicos da letramento e matemática, mas aprendizado é mais que isso. A experiência escolar deve contemplar o desenvolvimento de capacidades e comportamentos que os jovens podem incorporar às suas vidas agora e no futuro. O desenvolvimento integral é algo que pode ser alcançado, já foi realizado por outros países, existem técnicas sobre como isso pode ser feito, que podem ajudar o Brasil e o movimento de mobilização que busca incluir no currículo todas essas expectativas de aprendizagem. É importante entender que, à medida que os alunos evoluem na escola, se eles trabalharem todas essas capacidades, o aprendizado se torna mais relevante, as aulas ficam mais engajadoras e os resultados do sistema de educação serão melhores do que os registrados atualmente.

Porvir – Em termos práticos, quais devem ser próximos passos para a construção do currículo?
 

Lambert – Vocês têm um primeiro rascunho. Tenho certeza de que terão um segundo, depois um terceiro… É natural que ocorra um aprimoramento do currículo em relação a essa primeira versão. É preciso deixar a visão do que se espera que os alunos aprendam mais clara. Com isso em mente, os responsáveis pelas áreas de conhecimento no currículo devem revisar seus textos e inserir propostas que desenvolvam as capacidades escolhidas, sem perder os conteúdos relevantes para cada disciplina, mas garantindo que elas sejam integradas ao aprendizado das disciplinas. Há muito a ser feito, em um período curto de tempo, mas se forem estabelecidas prioridades, como por exemplo escolher áreas de conhecimento para serem realizadas e implementadas antes de outras, ajustar a progressão do aprendizado e elevar o nível de exigência sobre os alunos, isso pode ser alcançado.

Porvir – E como deve ser o trabalho de preparação dos professores para trabalhar essas capacidades?
 

Lambert – É difícil generalizar. Alguns professores ficarão muito entusiasmados para realizar esse trabalho e estão ansiosos por um currículo com esse olhar. A formação deve acontecer integrada com a implementação do currículo, a ser realizada pelos Estados e municípios. É preciso identificar algumas prioridades e não tentar fazer tudo ao mesmo tempo. Mas procurar as prioridades, garantir uma boa formação nessas áreas e dar apoio a esse trabalho. Material pedagógico também é muito importante. Esses recursos podem vir do setor privado, de ONGs, do governo. Certamente vai ser interessante para empresas e editoras produzirem materiais, uma vez que o currículo nacional cria uma demanda nacional.

http://porvir.org/desenvolvimento-integral-comeca-pelo-curriculo-diz-especialista-australiano/

“Só com educação jovens podem atender necessidades da economia”

 http://porvir.org/wp-content/uploads/2016/02/Cyril-Desponts.jpg


Para Cyril Desponts, designer do estudo global Youthonomics , Brasil precisa de uma reviravolta nas políticas públicas para que as perspectivas para os jovens melhorem

por Fernanda Nogueira 

A designer do estudo global Youthonomics, Cyril Desponts, é categórica ao falar sobre o que é preciso para melhorar a situação da juventude no Brasil: maiores investimentos em educação. Esse é o primeiro de uma lista de itens que inclui promoção de treinamento profissional, acesso a políticas de moradia, maior poder financeiro, controle das finanças públicas e aumento da participação política. “Desenvolver oportunidades educacionais é fundamental para assegurar que as competências adquiridas irão atender às necessidades da economia brasileira”, diz ela em entrevista ao Porvir.

O caminho é longo e muitas dificuldades terão de ser vencidas no país, de acordo com a designer, que se baseia nos dados usados para construir o ranking Youthonomics Global Index, criado pelo ex-presidente do Timor Leste e prêmio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, e pelo ex-chefe de comunicações do International Herald Tribune, colunista e ativista Felix Marquardt.

O estudo avaliou dados de 64 países de acordo com o potencial de prosperidade de pessoas entre 15 e 29 anos em cada um deles. O Brasil ficou na 60a posição no índice geral, que leva em consideração 59 critérios, como taxas de desemprego entre os jovens, qualidade e custo da educação, capacidade de moradia, déficit público, acesso à tecnologia, liberdade religiosa e política.

O estudo tem como público-alvo eleitores, governos, e instituições internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e agências de risco. O objetivo é trazer os jovens de volta ao centro do debate político mundial. Para isso, a equipe do índex fará campanha nas Nações Unidas e no mundo para a adoção de um visto mundial, chamado Global Youth Visa, que permita que pessoas com menos de 25 anos possam trabalhar por até dois anos em qualquer país-membro.

Outro projeto é medir quanto as plataformas políticas de candidatos a governos pelo mundo têm os jovens como foco. O grupo quer ainda desenvolver um aplicativo para busca de empregos pelo mundo, além da criar uma base anual de dados sobre a juventude.

O desempenho ruim do Brasil foi parecido com o de outras grandes economias em desenvolvimento, como Rússia, Egito e África do Sul. O país ficou à frente apenas de Uganda, Mali, África do Sul e Costa do Marfim. O índice mostra uma clara divisão entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento. As grandes economias mundiais lideram, como mostra a lista, na ordem: Noruega, Suíça, Dinamarca, Suécia, Holanda, Austrália, Alemanha, Finlândia, Áustria e Canadá.
 
Eles [os jovens] são o ativo mais importante do Brasil em um mundo que se movimenta rápido. Maltratar a juventude não é só injusto e imoral. É uma visão perigosamente curta. Este tipo de movimento [ocupações de escolas] é capaz de ajudar a levar os jovens de volta ao centro do debate político.

O índice traz subíndices, como o que mede a situação atual da juventude, o Youth Now, e o que mede perspectivas, chamado Youth Outlook. O Brasil figura na 54a posição no subíndice que fala sobre o presente. Os temas estudados foram educação básica, universidade e habilidades, acesso ao emprego, trabalho e condições de vida, bem-estar e saúde.

No subíndice sobre perspectivas, o país se sai pior, ficando em penúltimo lugar, na 63a posição, quando o assunto são finanças públicas, oportunidades econômicas e peso político. O ranking considera estes três temas para calcular a taxa de otimismo da juventude no país, o Youth Optimism. O Brasil ficou na 32a colocação.

Isso não quer dizer, no entanto, que o país têm reais chances de melhorar a vida dos jovens, segundo Cyril. A posição significa apenas que há países em situação pior. “O Brasil não se classifica bem em otimismo. São outros países que se saem pior neste ranking, principalmente porque estão atualmente bem posicionados”, explica a designer.

Um país ideal, o Youthtopia, criado pelos pesquisadores para identificar boas práticas, teria características dos países líderes de cada um dos nove pilares do estudo, como a educação básica da Eslovênia, a universidade, as habilidades adquiridas e o acesso ao emprego da Suíça, as condições de trabalho e vida e as finanças públicas da Noruega, o bem-estar da Holanda, a saúde de Israel, as oportunidades da China, o peso político de Gana e o otimismo de Uganda.

Nos próximos meses, a equipe do Youthonomics pretende analisar as informações dos países de forma mais minuciosa e desagregada para divulgar novos relatórios com dados específicos de cada país. Para o Brasil, Cyril deixa um alerta. “Será preciso uma real reviravolta na política para que as perspectivas para os jovens melhorem”. Confira a entrevista com a designer:

Porvir – O que você acha da posição do Brasil no índice?
Cyril Desponts – 
A situação da juventude no Brasil é extremamente preocupante, já que acumula três categorias gerais de problemas. Primeiro, tem questões características de países em desenvolvimento: maus resultados em saúde, educação e universidades. Segundo, a atual geração jovem sofre com problemas econômicos conjunturais: alto índice de desemprego entre jovens e altas taxas de jovens sem emprego, sem educação e sem treinamento, assim como baixo crescimento atual e esperado. Terceiro e último, há problemas parecidos com os de economias avançadas: a situação das finanças públicas é preocupante – a dívida atual e o déficit são altos, mas, além disso e mais importante, gastos futuros em saúde e pensões irão pesar fortemente sobre a próxima geração de pessoas ativas, que terá de financiá-los: a juventude. O Brasil tem ainda o pior resultado da amostra em relação à vulnerabilidade financeira da juventude. Será preciso uma real reviravolta na política para que as perspectivas para os jovens melhorem.


Porvir – Qual sua opinião sobre as informações do Brasil relacionadas à educação?
Desponts – Quando falamos sobre educação pré-universitária, o que as informações disponíveis sobre o Brasil parecem sugerir é que as crianças vão à escola, mas a educação é de baixa qualidade. Após a educação secundária, as informações sugerem que poucos jovens brasileiros prosseguem por muito tempo nos estudos, enquanto que a qualidade desta educação não é das melhores. A educação profissional também não é muito difundida, e desenvolver estas oportunidades educacionais é fundamental para assegurar que as competências adquiridas irão atender às necessidades da economia brasileira. Embora tenham crescido na última década e meia, os gastos públicos com educação ainda são baixos quando comparados com a quantidade de jovens, e o maior investimento em educação é fundamental para aumentar a qualidade da educação. O Brasil tem poucas informações comparáveis sobre educação disponíveis. Coletar e publicar este tipo de dado poderia também ser um passo importante para uma melhor análise das necessidades do sistema educacional, e melhores políticas para os jovens.


Porvir – Que tipo de políticas para a juventude você vê como mais urgentes no Brasil?
Desponts  – Até agora, o índice global Youthonomics, por meio de seus subcomponentes (pilares e subpilares), identificou áreas de vulnerabilidade, nas quais a análise será aprofundada gradualmente. Com comparações entre países, o Youthonomics irá identificar as melhores práticas em políticas para a juventude ao redor do mundo, que poderão ser reproduzidas por países como o Brasil. Elas podem incluir, mas não se limitam a apenas estes itens: maiores investimentos em educação; promoção de treinamento profissional, para adaptar melhor as habilidades dos jovens às necessidades do mercado de trabalho; acesso a políticas de moradia; maior poder financeiro, principalmente por meio de incentivos ao empreendedorismo; contabilidade geracional nas finanças públicas para garantir que passivos financeiros deixados para os jovens não constituam uma dificuldade maior do que eles serão capazes de suportar; políticas voltadas para o aumento da participação política dos jovens. Certamente, não há uma “pílula mágica”, já que a solução reside, em parte, no crescimento econômico, na criação de empregos e melhores condições de vida para o país como um todo, mas as políticas precisam assegurar que os jovens tenham e terão sua parte de forma justa.


Porvir – Nos últimos meses, tivemos no Brasil um movimento de ocupação de escolas públicas no estado de São Paulo, criado pelos próprios alunos. Eles decidiram protestar contra mudanças definidas pelo governo, como o fechamento de escolas e a mudança de estudantes para outros locais. Depois de muitos protestos, eles ganharam a batalha e o governador desistiu da mudança. Você acha que este tipo de movimento é capaz de melhorar a vida dos jovens?
Desponts – Este tipo de movimento surge porque os estudantes se sentem excluídos do processo decisório nacional. Nesses casos, é importante que eles tenham suas vozes ouvidas por meio deste tipo de movimento já que formas convencionais, como as urnas, deixaram de lhes fornecer uma representação adequada. O movimento fala em nome de uma geração que corre o risco de falhar por causa das elites políticas. Então eles precisam perceber quanta energia produzem, os jovens são o sangue vital da economia das nações, a base de seu potencial inovador, a chave para sua competitividade e para o futuro dos países. Eles são o ativo mais importante do Brasil em um mundo que se movimenta rápido. Maltratar a juventude não é só injusto e imoral. É uma visão perigosamente curta. Este tipo de movimento é capaz de ajudar a levar os jovens de volta ao centro do debate político.


http://porvir.org/so-educacao-jovens-podem-atender-necessidades-da-economia/

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