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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Comissão aprova projeto que regulamenta profissão de supervisor educacional

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº5230/2016 que define normas de regulação para o setor farmacêutico, cria a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos - CMED e altera a Lei 6.360 de 23 de setembro de 1976, e dá outras providências, para incluir em suas disposições as fórmulas infantis para lactentes destinadas a necessidades dietoterápicas específicas e as fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância destinadas a necessidades dietoterápicas específicas. Dep. Flavia Morais (PDT-GO)
Para a relatora, Flávia Morais, é necessário regulamentar a profissão de supervisor educacional, como forma de assegurar à sociedade uma melhora sensível na qualidade do ensino
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, na última quarta-feira (9), proposta do deputado Ademir Camilo (PTN-MG) que regulamenta a profissão do supervisor educacional em instituições públicas e privadas de ensino (PL 4106/12).
A regulamentação, de maneira geral, estabelece que o profissional coordenará e contribuirá nas atividades de planejamento, execução, controle e avaliação do projeto político pedagógico da unidade educativa, juntamente com a direção, especialistas e professores. Pelo texto, para todos os efeitos legais, supervisor educacional é sinônimo de supervisor escolar e de supervisor pedagógico.
De acordo com a proposta, para exercer a função, o profissional precisa ter formação superior em pedagogia ou pós-graduação em supervisão educacional. Diplomas expedidos por instituições estrangeiras deverão ser revalidados por universidades públicas brasileiras de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei 9.394/96).
Atribuições
O projeto especifica como atribuições do supervisor educacional:
- coordenar, junto com os professores, o processo de sistematização e divulgação das informações sobre o educando, para conhecimento dos pais;
- supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos legalmente;
- orientar e acompanhar os professores no planejamento e desenvolvimento dos conteúdos;
- planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional;
- coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando;
- acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e o trabalho do professor junto ao aluno, auxiliando em situações adversas;
- participar da análise qualitativa e quantitativa do rendimento escolar, junto aos professores e demais especialistas, visando a reduzir os índices de evasão e repetência, e qualificar o processo ensino-aprendizagem; e
- valorizar a iniciativa pessoal e dos projetos individuais da comunidade escolar; entre outras.
Parecer
O parecer da relatora, deputada Flávia Morais (PDT-GO), foi favorável, com emenda. Ela retirou do texto artigo que prevê o direito dos supervisores educacionais se organizarem em entidades de classe. Segundo ela, a Constituição Federal já estabelece o princípio da liberdade de associação profissional ou sindical. “Logo é desnecessária a manutenção de um artigo que permite a criação de entidade de classe, ação que já é livremente consentida pela Constituição”, disse.
Tramitação
A matéria já foi rejeitada pela Comissão de Educação. Agora será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Lara Haje
Edição - Marcia Becker








http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/519336-COMISSAO-APROVA-PROJETO-QUE-REGULAMENTA-PROFISSAO-DE-SUPERVISOR-EDUCACIONAL.html

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Veja o Relatório de Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem - Talis


O Relatório Nacional da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) de 2013 foi apresentado na terça-feira, 2, a pesquisadores e representantes das secretarias estaduais de educação, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A novidade, em relação ao relatório internacional, divulgado em junho deste ano, foi a publicação do material nacional produzido pelo Inep, com análises comparativas entre os países participantes da pesquisa e entre as unidades da federação. A publicação desse material tem por objetivo principal contribuir para a elaboração de políticas públicas na área.
"Os problemas educacionais exigem reflexões sofisticadas, nós não teremos boas soluções se não tivermos bons estudos. A Talis nos permite comparação internacional, o que é essencial no avanço científico", afirmou o presidente do Inep, Chico Soares. "Durante muitos anos, a educação brasileira podia ser descrita por apenas uma taxa, a de analfabetismo. Rapidamente, com o tempo, mudamos essa situação e fomos precisando de outros indicadores", destacou ainda o presidente do Inep.
A pesquisa, amostral, contou com a participação de 14.291 professores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e respectivos diretores escolares,
A Talis contou com a participação de 34 países e foi coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No Brasil, a pesquisa é organizada pelo Inep, que também produziu o relatório nacional da pesquisa. O documento contém aspectos relacionados ao perfil de professores e diretores; formação docente; ambiente de ensino e aprendizagem, incluindo o clima escolar, práticas pedagógicas e processos de avaliação.
Os dados gerais, incluindo o relatório nacional, tabelas com resultados desagregados por estado, mapas e microdados, estão disponíveis no site da pesquisa.
Assessoria de Comunicação Social do Inep
http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/inep-apresenta-relatorio-nacional-da-pesquisa-talis?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A educação na era digital

Consultora Martha Gabriel

Escrito por Carolina Maina

Educação distribuída em vários ambientes, incluindo os digitais, com maior foco no aluno. Para Martha Gabriel, consultora e palestrante nas áreas de marketing digital, inovação e educação, autora da obraEduc@r – A (r)evolução digital na educação (Ed. Saraiva), essas são as principais características do ensino na era das novas tecnologias. “Existir espaços físicos tanto quanto espaços virtuais é o [caminho] natural para esse cenário. Deve haver uma transformação das escolas para abraçar essa nova necessidade”, afirma Martha, em entrevista à Gestão Educacional. Ela destaca que as mudanças são profundas e acontecem no cérebro dos alunos e nas habilidades desenvolvidas, o que resulta em transformações sociais.
Apesar de a tecnologia estar presente no cotidiano de boa parte das pessoas, Martha comenta que o percentual de professores que usam a internet em sala de aula ainda é pequeno – em torno de 20%. Por isso, a transformação da escola passa pela capacitação e atualização do professor, que deve aprender a usar as ferramentas e a conectar com sua utilização o desenvolvimento das habilidades necessárias para os novos tempos: pensamento crítico, criatividade e conexão, tanto de dados quanto de pessoas. “O professor nunca foi tão importante. Ele é o agente catalisador dessa ‘paideia’ digital”, ressalta. Ela também chama a atenção do gestor para o fato de que a escola tem que estar atenta a todos os seus públicos – alunos, professores, pais, funcionários –, e sugere o uso da tecnologia para fortalecer a marca da instituição de ensino. Acompanhe, na entrevista a seguir, as orientações da especialista.
Gestão Educacional: O que se deve esperar da educação na era digital?
Martha Gabriel: A educação na era digital é muito mais focada no aluno e muito mais distribuída em vários ambientes. Assim, existir espaços físicos tanto quanto espaços virtuais é o [caminho] natural para esse cenário. Deve haver uma transformação das escolas para abraçar essa nova necessidade. As pessoas vão nascer e vão começar a utilizar [a tecnologia] dessa maneira. E elas não vão gostar de ficar confinadas. Estamos vivendo a segunda maior revolução cognitiva da história, e não temos noção de quanto isso vai impactar no desenvolvimento da sociedade. Veja quanta coisa que [antes] [era] impossível e começa [agora] a ser feita, de acordo com o que a gente observa nos últimos dez anos. A gente deve ver acelerando ainda mais nos próximos anos.
Gestão Educacional: E como a escola e o professor devem se preparar para esse cenário? Você ressalta que não adianta só dar a ferramenta tecnológica ao professor.
Martha: Exatamente. Defendo a educação para o professor. Precisa haver educação, capacitação, utilização de todas as ferramentas. E ele precisa entender não só como usar a ferramenta, mas como ela se conecta com outras. A palavra de ordem hoje é conexão, além de velocidade, mudança e inovação. Se ele [o professor] entender isso, vai ajudar o aluno a entender também, e aí vai encantar o aluno nesse processo. Há alguns vídeos que mostram que nada na história da humanidade foi feito por uma pessoa só. Tudo é remix, reaproveitamento, reutilização de invenção de outros, e a partir daí você vem com uma nova invenção. Nunca foi tão fácil fazer isso, hoje está tudo à disposição para qualquer um. Antes, você tinha que saber usar um editor de vídeo, agora está tudo muito fácil. O professor conseguir articular isso com os alunos é essencial. Mas ele precisa, primeiro, ser capacitado. Estamos vivendo um período de revolução – são os professores que vêm do passado para a atualidade. Os novos [professores] que virão, já vão ser criados nesse novo formato e daqui a 20 anos a gente não estará mais discutindo isso, porque será um processo natural.
Gestão Educacional: Que dicas você dá para o professor começar a utilizar a tecnologia e as redes sociais?
Martha: A primeira dica é: comece a usar. Tem que pôr a mão na massa, tem que capacitar, porque aí se começa a ter ideias. E a segunda é: não adianta só falar para o aluno “vamos ‘tuitar’, postem no Facebook”. O professor tem que orientar o que tem que ser feito, indicar qual é a atividade. Tem que dar aquele sparkle [brilho], tornar aquela coisa divertida. Se aquilo for colocado de maneira interessante, o aluno só prestará atenção no professor e vai usar essas plataformas para isso. Senão, na hora em que o professor falar: “pode todo mundo entrar no Twitter para fazer tal coisa”, eles vão, na realidade, checar os status deles e conversar uns com os outros. Agora, se o professor focar... há “n” exemplos de professores que já estão fazendo isso, nos quais o desempenho dos alunos tem sido sensacional, a satisfação [do aluno] é maior, [bem como] a do próprio professor, que se torna mais admirado, mais respeitado. A dica é: comece a usar. No começo, todo mundo usa mal qualquer coisa. Se eu for usar qualquer coisa que eu não conheço, eu vou [usar mal]. Depois, você adquire proficiência naquilo e aí você começa a fazer aquilo que gosta, por exemplo, conectar e ajudar os outros.
Gestão Educacional: Como tornar a aula mais atrativa para esse aluno da era digital?
Martha: Tem que usar o digital. E não está só lá [na escola]. Eu não consigo mais escrever um livro sem tecnologia. Às vezes, eu ouço o pessoal falar: professor tem que obrigar o aluno a estar [na sala] naquele momento, a fazer um trabalho obrigatório em sala de aula. Se o professor fizer isso, o aluno vai fazer, mas vai fazer por obrigação, com má vontade, com o coração irado. Se o professor engajar-se para o aluno fazer uma coisa divertida, ele vai lembrar-se dele para o resto da vida, [porque o professor] vai inspirá-lo. Há uma série de vídeos que mostra formas para se tentar fazer coisas que as pessoas não fazem com boa vontade. Um deles* mostra como fazer as pessoas optarem por subir em uma escada normal e não em uma escada rolante. Eu posso fechar a escada rolante, e você vai subir pela outra, xingando. Mas, eles [a produção do vídeo] colocaram, da noite para o dia, na escada normal, um piano. Cada degrau é uma tecla de piano [com som]. No dia seguinte, eles avaliaram quantas pessoas subiam pelo “piano” e quantas pela escada rolante. Aumentou consideravelmente a quantidade de pessoas que subiam pelo “piano”, e subiam e desciam felizes da vida. Ou seja, o professor vai ter que fazer esse “piano”, ele vai ter que fazer essas conexões para que o aluno queira, de boa vontade, estudar aquele conteúdo que é importante para a aula, para aquele momento.
Gestão Educacional: Diante de tudo isso, é necessária também uma readequação pedagógica do currículo?
Martha: Eu acho [que sim], porque hoje o currículo é feito como se o aluno fosse um soldado. Idade “x” a “y” aprende as mesmas coisas, e você tem que estar no mesmo nível de desenvolvimento do outro. E tem criança que, às vezes, é mais lenta no começo e depois ela acelera. Além de que, os interesses são distintos. Não precisa ser todo mundo igual, hoje o mundo é múltiplo. É necessária uma readequação – não digo para todas as idades, nem no currículo inteiro – de algumas coisas que são básicas, essenciais, e que dê abertura para interesses pessoais. [Dessa forma], a escola estaria propiciando uma diversidade social muito maior e as pessoas estariam fazendo coisas em que o coração está batendo forte. Para a gestão, hoje, o grande problema das empresas é que todo mundo pode empreender, não há mais fronteiras para as pessoas tornarem-se empreendedoras, é muito fácil, todo mundo está conectado, a tecnologia barateou. Você não retém mais na empresa as pessoas com talento, porque elas querem empreender fora. Como é que você faz para reter talento? Deixa empreender [na empresa]. Se a escola preparar pessoas que são capacitadas para empreender e que usem o coração, vai funcionar. Senão, não. Como é que você faz para os alunos usarem o coração? É só colocar foco nos interesses que eles têm no dia a dia, e eles fazem com todo amor. É uma reestruturação que eu acho que passa por professores. Não digo a educação em si, de como se engaja o outro, acho que o professor sabe fazer isso. Mas como articular tudo isso, fazer funcionar o que é múltiplo, fragmentado, descentralizado? Esse é um desafio que ainda não tem resposta, o mundo inteiro está estudando isso, e tentando, experimentando, para chegar a soluções que deem resultados melhores.
Gestão Educacional: Como a escola deve usar a tecnologia e as redes sociais de forma institucional?
Martha: Como qualquer empresa. É preciso ter branding [relacionado à gestão de marca], saber o que se quer, saber quem é o seu público-alvo ou os públicos-alvo) – é professor, é pai, é aluno, é no geral –, e tem que ter produtos para todos eles. Pensar na instituição como uma empresa. E todas as empresas estão enfrentando hoje o mesmo desafio, porque as pessoas têm voz, e elas podem criticar como elas podem elogiar. E nas escolas também – tanto os funcionários, quanto os alunos e os professores [têm voz]. É a mesma coisa [que uma empresa]. Tem que ter planejamento de marketing, pessoas que entendam de novas plataformas e saibam atuar nisso, [implantar] educação interna para cada colaborador, seja ele professor, seja ele funcionário de uma empresa, pois ele é porta-voz da empresa. A dica é: tem que fazer a lição de casa e se capacitar. A solução para tudo é a educação. Hoje, não se resolve nada sem educação. É o mesmo processo. E habilitando profissionais na área de marketing, que entendam do cenário digital.

*A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia. Para assistir ao vídeo, acesse www.youtube.com/watch?v=IzN9mYooxp0

+PARA LER
Educ@r – A (r)evolução digital na educação
Martha Gabriel
Editora Saraiva, 2013
256 páginas
R$ 49,00 (livro impresso)
R$ 44,10 (livro digital)
http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/647-a-educacao-na-era-digital

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que pode ser ensinado a partir do futebol


Derrota brasileira na Copa do Mundo pode ser usada para trabalhar habilidades não cognitivas com os alunos
Fim de Copa do Mundo, Alemanha campeã, e o Brasil fora da grande festa da final após ser eliminado por um placar embaraçoso de 7×1. Na escola, tanto essa quanto qualquer outra derrota pode ser usada como gancho para trabalhar nas aulas de educação física habilidades socioemocionais que moldam o caráter e preparam os alunos para a vida, como aprender a lidar com perdas, trabalhar em equipe e aceitar e obedecer regras.
Para Fernando Lobo, gestor pedagógico da Rede de Ensino Desportivo (REDE),  instituição de ensino voltada para a capacitação de profissionais ligados a esportes, os grandes eventos esportivos são um bom pretexto para colocar em prática atividades que envolvem o desenvolvimento de questões não cognitivas. “Nos esportes em geral, sempre vai ter um perdedor e um vencedor. Nas aulas de educação física, algumas modalidades esportivas como o futebol podem ser usadas como ferramentas de desenvolvimento não só motor, mas também socioafetivo”.
crédito Kungverylucky / Fotolia.comO que pode ser ensinado a partir do futebol
Segundo ele, preparar os alunos para lidar com vitórias e derrotas é papel do educador físico, que deve propor atividades com esse fim. “É importante deixar claro que perder é natural e que em um próximo jogo quem perdeu pode ganhar. Em uma atividade de jogo, o professor pode mesclar os alunos de forma que um time fique mais forte que o outro para que todos passem pela experiência de ganhar e perder”, explica Lobo, que ainda acrescenta  que cabe ao professor manipular e induzir situações para que todos os alunos vivenciem os dois lados da moeda.
“Crianças, em geral, mas principalmente as na primeira infância, têm dificuldade em perder, muitas vezes chegam a burlar regras para poderem vencer, e isso deve ser trabalhado”, explica o gestor. Ele também ressalta que outra questão importante a ser trabalhada é o seguimento de regras. “Regras são extremamente importantes como limitadores de atitudes”, completa.
O coordenador do curso de educação física do Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo, Ronê Paiano, acrescenta que as regras devem ser trabalhadas em uma perspectiva reflexiva, que esclareça por que elas existem e abrindo espaço para que os alunos as questionem. “As regras do esporte podem ser transferidas para a vida em geral. Não existe convívio social sem regras”, afirma. “É interessante questionar os alunos se é possível jogar sem regras, pode até coloca-los para jogar alguma coisa sem regras, para faze-los entender a necessidade delas”, completa o coordenador, que ressalta que atividades regradas desenvolvem atitudes honestas e o falar a verdade.
Outro habilidade de grande importância que os esportes coletivos dão abertura para ser trabalhada é a colaboração, a importância do trabalho em equipe.
“As regras do esporte podem ser transferidas para a vida em geral. Não existe convívio social sem regras”
“Nos esportes coletivos, além da competição com o adversário, é necessário se relacionar com os colegas de time. Para que o grupo tenha sucesso, é fundamental aprender a trabalhar em conjunto e para isso é preciso respeitar as escolhas e as atitudes dos outros como, por exemplo, reconhecer quando é melhor passar a bola para um colega melhor posicionado ou mesmo compreender se alguém errar uma jogada”, explica Paiano.
Segundo ele, o professor pode instigar os alunos a perceberem que atitudes individualistas não são benéficas em atividades coletivas permitindo que a turma debata jogadas e estratégias em conjunto. “Os alunos têm que ser levados a essa reflexão, o professor pode incitar a conversa, mas entre adolescentes, por exemplo, é mais proveitoso o debate entre pares”, argumenta.
Os valores trabalhados e desenvolvidos através do esporte nas aulas de educação física, como colaboração e lealdade, são aprendizados que serão levados por toda a vida, segundo Lobo.  “Todo mundo convive com vitórias e derrotas, no esporte e na vida. Trabalhar em equipe e colaborar com o outro, também. As crianças têm que interiorizar essas sensações, pois sempre estarão presentes em suas vidas”, conclui.
http://porvir.org/porfazer/pode-ser-ensinado-partir-futebol/20140714

quarta-feira, 28 de maio de 2014

MEC planeja lançar pacto nos anos finais do ensino fundamental

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
Ministro Henrique Paim
O Ministério da Educação (MEC) planeja lançar um pacto para melhoria dos anos finais no ensino fundamental, do 6º ao 9ª ano. Um grupo de trabalho já se reúne na pasta com este objetivo, disse  o ministro Henrique Paim, no 6º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, em Florianópolis.
"Assim como trabalhamos na alfabetização e no ensino médio, queremos trabalhar também nos anos finais", disse o ministro da Educação, mas ressaltou que "ainda estamos desenhando. Vai depender de toda a avaliação que estamos fazendo da alfabetização e do ensino médio".
O ministro se referia ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), que tem como meta a alfabetização de todas as crianças até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental e ao Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, que oferece formação continuada aos professores da etapa.
A intenção é levar a formação aos professores do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. No período, 28,2% dos estudantes estão atrasados e não têm a idade adequada ao ano que cursam, segundo dados de 2012, do MEC. O período é também chave para a continuação dos estudos no ensino médio.
Os professores tem sido destaque na gestão de Paim. Ele planeja, até o final do ano, fazer uma grande discussão sobre a formação dos docentes. "Existe uma política de formação inicial dos professores e de formação continuada. Temos que aprofundar, na raiz, que tipo de formação o Brasil está oferecendo. Não só ampliar, queremos ter resultado em relação à formação desse professor", disse.
"Queremos fazer uma grande discussão com universidades, sistemas de formação, e verificar que tipo de pactuação tem que haver para depois, gradativamente, fazer essas alterações", acrescentou.
O 6º Fórum vai até sexta-feira (30) e reúne mais de mil dirigentes municipais de educação.

*A repórter viajou a convite da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-05/paim-planeja-lancar-pacto-nos-anos-finais-do-ensino-fundamental

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sete universidades dos Estados Unidos disputam aluno de Ourinhos

Jessé Leonardo Justino, de 17 anos, sempre gostou de estudar.
Inglês necessário para estudar fora ele aprendeu no ensino médio.

Do G1 Bauru e Marília


Jessé tem 17 anos e mora em Ourinhos (Foto: Reprodução/TV TEM)

Sete grandes universidades americanas estão disputando um jovem de Ourinhos(SP). Jessé Leonardo Justino, de 17 anos, é estudante de escola pública e foi aprovado em sete universidades das treze em que se inscreveu. E todas com bolsa de estudos.
“Penso seriamente em tentar encontrar soluções para conseguirmos continuar nos desenvolvendo tecnologicamente de uma maneira mais sustentável. A gente não pode consumir recursos naturais de forma desenfreada pra sempre. Os recursos são limitados e a gente precisa mudar alguma coisa. Realmente penso em atuar nesse sentido e também poder fazer que muitos outros brasileiros tenham acesso e oportunidades como as que eu tive”, completou o estudante.
Ele é o filho mais novo de quatro irmãos. O pai, Francisco Cândido Neto, é ferroviário e, a mãe Elisa Justina da Silva Cândido, professora. “Sempre estudou e gostava de estudar. Isso sempre por conta dele”, diz o pai.
Todos os filhos fizeram o ensino fundamental em escola pública e tiveram bolsa integral para o ensino médio em colégio particular. O curso superior também foi feito em universidades públicas. Jessé conquistou vaga nos Estados Unidos. “[Ele] Tem o sonho de fazer uma faculdade lá fora. Tem que ir porque educação é tudo na vida da gente. Tem que buscar sempre o melhor”, enfatiza a mãe.

O inglês necessário para estudar fora ele aprendeu durante o ensino médio e fez uma prova em uma escola de idiomas. Ele recebeu um convite para fazer o curso sem pagar nada e sempre foi um bom aluno. “Participei de olimpíadas avançadas em física na USP São Carlos, Unicamp, e de engenharia mecatrônica na Poli/USP”, conta Jessé.
Brasileiros no exterior
Jessé vai elevar o número de estudantes brasileiros matriculados em universidades norte-americanas. No ano letivo 2012 -2013, o número cresceu 20,4% em relação ao período anterior. São 10.868 pessoas buscando um diploma em universidades americanas. O resultado empurrou o país da 14º para a 11ª posição no ranking dos países que mais enviam alunos para os Estados Unidos. Quem não tem condições financeiras precisa se dedicar para conseguir uma bolsa.
Renata Moraes é gerente de educação em uma entidade mantida por investidores que oferece gratuitamente 50 bolsas preparatórias por ano . Ela explica que a fundação existe há 23 anos e somente em 2014 ajudou 64 estudantes a entrarem em universidades americanas.

Jessé mais uma vez prestou uma prova e conseguiu de graça a preparação que precisava para estudar fora do país. “A gente sempre está procurando alunos que tiveram notas excelentes e que têm histórico pessoal de grande superação. Exatamente esse tipo de aluno que a gente procura para oferecer essas 50 bolsas de preparação todos os anos”, diz.
http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2014/05/sete-universidades-dos-estados-unidos-disputam-aluno-de-ourinhos.html

sexta-feira, 2 de maio de 2014

'Gênio da química', brasileiro passa em 4 faculdades dos EUA

Estudante Ramon Gonçalves
  • Mauren Xavier
Mauren Xavier




Com muito empenho e apoiado com uma bolsa de estudo, o aluno brasileiro Ramon Gonçalves, 19 anos, deixará a residência da mãe, em Belém, Pará, para se mudar para os Estados Unidos. A única indefinição até o momento é qual será a cidade em que irá morar. Isso porque a decisão depende de qual universidade escolherá para estudar engenharia química. No início deste ano, ele foi aprovado em quatro instituições americanas: Cornell, em Nova York; Dartmouth, em Hanover; University of Southern California, em Los Angeles; e Amherst, na cidade com mesmo nome. O jovem conquistou ainda uma vaga na University of Helsinki, considerada a melhor da Finlândia, e no Instituto Militar de Engenharia (IME), que tem uma das seleções mais difíceis do Brasil.
O estudante avalia que as aprovações refletem uma combinação quase perfeita: apoio financeiro e muito estudo. E foi muito estudo mesmo. Em alguns meses ele chegou a adotar uma rotina pesada de aulas, que em alguns momentos chegou a quase 18 horas diárias. "Era pouco tempo. O jeito era aproveitar todos os momentos para aprender", resume.

Continue lendo:
http://noticias.terra.com.br/educacao/genio-da-quimica-brasileiro-passa-em-4-faculdades-dos-eua,911723fa29995410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

terça-feira, 15 de abril de 2014

Abertas inscrições para formação em leitura e gêneros textuais

Já estão abertas as inscrições para  capacitação de professores de Língua Portuguesa em Cuiabá. O objetivo é reforçar a participação dos educadores na edição 2014 da “Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”.  A formação continuada sobre leitura e produção escrita em gêneros textuais ocorre nos dias 07, 14, 21 e 28 de maio de 2014 e os  educadores  interessados já podem fazer a inscrição no site do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais (Cefapro) de Cuiabá.

Ao todo, 80 vagas estão disponíveis e no  momento do cadastro de inscrição os profissionais ainda poderão optar pelo período em que desejam participar das atividades, que serão disponibilizadas das 7h30 às 11h30 ou vespertino de 13h30 h às 17 h30. 

O objetivo da capacitação é contribuir para melhoria do ensino e leitura nas escolas públicas. Desta forma, o curso tem como foco principal promover reflexões teóricas sobre a prática docente de produção e compreensão textual. Segundo o Cefapro, a qualidade da educação pode ser aprimorada com a formação continuada, proporcionado com isso, entre outros objetivos, a melhoria de índices avaliativos externos e internos da educação de Mato Grosso.

Serviço:As inscrições podem ser feitas no site http://www.cefaprocuiaba.com.br e o  cadastro no curso será validado mediante comprovação da inscrição no site das Olimpíadas:https://www.escrevendoofuturo.org.br/ . Vale ressaltar que as inscrições no site das Olimpíadas só serão aceitas até 30 de abril de 2014. 
(Com informações do Cefapro Cuiabá)

http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14264&parent=20

Pesquisa mostra prejuízo ao ensino causado pela indisciplina no país



  • Segundo números do Pisa, problemas como interrupções de aulas, atrasos e ausência de professor são mais frequentes no Brasil

  • Levantamento da Fundação Lemann mostra que "clima escolar" no país é pior que a média internacional em todos os itens

  • LAURO NETO



    Uma pesquisa com diretores de escolas que participaram da última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2012 sugere explicações para o mau desempenho do Brasil, que ficou entre as 10 últimas posições na lista de 65 países pesquisados. Dados tabulados com exclusividade pela Fundação Lemann para O GLOBO mostram até que ponto 19 fatores sobre clima escolar atrapalham o aprendizado de matemática, leitura e ciências, disciplinas avaliadas na prova, aplicada a alunos de 15 anos. Entre esses fatores estão evasão, atraso e falta a aulas por alunos e professores, uso de álcool e drogas por estudantes, bullying e falta de respeito com os docentes.
    Cerca de 800 diretores de escolas brasileiras responderam a um questionário com 19 perguntas, como parte do Pisa 2012. A intensidade com que os problemas atrapalham o aprendizado nas escolas brasileiras é maior do que a média dos países da Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) em todos os itens da pesquisa. As possibilidades de resposta foram divididas em quatro opções (“nada”, “muito pouco”, “até certo ponto” e “muito”) para perguntas como: “até que ponto a interrupção de aulas por alunos impede a aprendizagem?”.
    Nessa questão, aliás, o Brasil é o último do ranking de 65 países avaliados. Para 24,57% dos diretores de escolas nacionais, interrupcões de estudantes atrapalham muito o aprendizado. Já a média dos países participantes da OCDE é de apenas 2,54%. Em países como Reino Unido, Canadá, Tailândia e Polônia, menos de 1% dos dirigentes de colégios veem as interrupções como um grande empecilho ao aprendizado.
    denador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins Faria cruzou dados das respostas com desempenhos nas três provas, e viu uma relação de causa e consequência.
    - A maioria dos itens tem uma relação forte com o aprendizado. Por exemplo, nos países que relatam que há muito problema de atraso dos alunos, a proficiência é mais baixa. Naqueles que relatam que acontece pouco, a proficiência é mais alta - compara Martins Faria.
    O especialista pondera que pode acontecer de um país ter uma maior frequência de um problema e ainda assim ter um resultado melhor, ou o inverso.
    - Não são só esses fatores que determinam a qualidade da educação. Mas para todos os países há esta tendência: resultados baixos (em matemática, leitura e ciências) nas escolas em que os diretores relatam a maior incidência de um problema, e resultados altos onde relatam menos. Em várias perguntas isso aparece. As questões de clima escolar estão muito ligadas aos resultados do aprendizado - diz ele.
    Professor ameaçado por aluno
    Professor de matemática, Ivan Macedo vive essa realidade no dia a dia. Ele dá aulas no ensino médio do Colégio Estadual Operário João Vicente, em Duque de Caxias, e endossa os 14,08% das escolas brasileiras que consideram que a aprendizagem dos alunos é muito dificultada pela falta de respeito com docentes. Na média dos países da OCDE, a alta frequência desse problema é de 1,88%. Na opção “até certo ponto”, os percentuais são de 27,23% e 15,19%, respectivamente.
    - Na semana passada, um aluno do 3º ano faltou com respeito a mim e a outro professor nos xingando. Já aconteceu de aluno ameaçar me bater, mas não chegou às vias de fato. Em um Ciep em que trabalhei, um professor foi ameaçado por um grupo em que um aluno estava armado. A agressividade e a falta de respeito atrapalham os alunos bons que querem participar, mas ficam cansados com essas situações. A grande maioria atrapalha os outros. O tempo já é curto, e ainda temos que ensinar para gente grande como ter educação - lamenta Ivan, de 24 anos.
    Diretora adjunta do mesmo colégio, a professora de língua portuguesa Cristiane Vera Cruz acredita que a evasão escolar é um dos maiores entraves ao aprendizado. No Brasil, 15,85% dos diretores disseram que esse problema atrapalha muito, mais que o dobro nos países da OCDE (7,01%). Na opção “até certo ponto”, a diferença percentual é maior: 35,96% contra 26,15%, respectivamente.
    - A evasão está acontecendo bastante, principalmente no turno da noite, porque os alunos trabalham e acabam não vindo à aula. No momento em que abandonam, há uma ruptura. Mesmo que venham a retomar os estudos depois, não é o mesmo que ter uma continuidade no ensino. O ideal é se manter na escola dentro da sua faixa etária para concluir a educação básica até os 18 anos - diz Cristiane.
    Para os estudantes, a responsabilidade na dificuldade de aprendizado também está associada ao desempenho dos professores. Aluna do 3º ano de Colégio Estadual Souza Aguiar, na Lapa, Mariana Santos diz que se sente prejudicada quando não é incentivada a atingir seu pleno potencial. Para 28,15% dos diretores brasileiros isso dificulta até certo ponto, e para 8,32%, muito. Na média da OCDE, os percentuais são 18,40% e 2,2%.
    - Isso dificulta o aprendizado, até porque eles facilitam muito para a gente passar de ano. Tem professor que dá três pontos na nota se o aluno estiver presente em todas aulas. Não sou avaliada como devo. Se tirar 2 na prova, quer dizer que só sei 20% da matéria. Mas consigo passar por causa desses três pontos - conta Mariana.
    Ligado a esse fator está a baixa expectativa depositada pelos professores nos alunos. Esse problema afeta até certo ponto, segundo 31,74% dos diretores brasileiros, e muito, para 7,28%. Na OCDE, os números são 16,05% e 1,36%. No 3º ano do Colégio Estadual Pedro Álvares Cabral, em Copacabana, Lucas Alves sabe como é isso.
    - Uma professora de biologia dizia que eu não conseguiria ir bem na matéria. Estudei e me esforcei para fazer ela engolir as palavras. Mas os alunos da minha sala têm mais rendimento quando o professor acredita que é possível ir além.


    Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/educacao/rotina-de-erros-leva-nota-vermelha-12185583.html#ixzz2ytXLd6je


    segunda-feira, 14 de abril de 2014

    Fora da escola não pode!


    Em 2010, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) deram início à Iniciativa Global Out of School Children (OOSC) – Pelas Crianças Fora da Escola. No Brasil, o projeto é desenvolvido em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Além do relatório Todas as Crianças na Escola em 2015 (acesse o relatório), a iniciativa inclui a mobilização Fora da Escola Não Pode!

    O desafio do País é grande. Uma análise feita pelo UNICEF e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação mostrou que, segundo a Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad) de 2012, mais de3,3 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil. Desse total, 1,2 milhão têm 4 e 5 anos; 507 mil, de 6 a 14 anos; e mais de 1,6 milhão têm entre 15 e 17 anos.

    Os indicadores mostram que as crianças e os adolescentes mais vulneráveis à exclusão escolar são os negros e os indígenas, os com deficiência, os que vivem na zona rural, no Semiárido, na Amazônia e na periferia dos grandes centros urbanos.

    Para que o Brasil possa garantir a cada criança e adolescente o direito de aprender, é necessário voltar a nossa atenção para os meninos e as meninas que estão fora da escola. E também àqueles que, dentro da escola, têm os riscos de abandono e evasão aumentados devido a fatores e vulnerabilidades diversos, como a discriminação e o trabalho infantil.



    A exclusão escolar é um fenômeno complexo e a sua superação requer mais do que boa vontade. É preciso que o Estado cumpra o seu dever constitucional e que haja a participação e o compromisso de toda a sociedade e de cada um de nós para garantir o acesso, a permanência, a aprendizagem e a conclusão da educação básica na idade certa.

    http://www.unicef.org/brazil/pt/activities_26691.htm

    sexta-feira, 4 de abril de 2014

    Jardim de infância é fácil demais, aponta estudo

    Qual será a medida certa de cobrança na educação infantil? Um estudo recente da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, provocou um intenso debate entre especialistas ao apontar que os professores vêm transformando o jardim de infância na nova 1ª série, uma vez que eles têm adiantado os conteúdos tradicionalmente ensinados no ano seguinte. Para engrossar o coro de que as crianças têm sido pouco estimuladas na educação infantil, pesquisadores das universidades de Chicago e Vanderbilt afirmam também em estudo recente que o jardim de infância é normalmente muito fácil para os pequenos.
    O estudo Academic Content, Student Learning, and the Persistence of Preschool Effects (Conteúdo acadêmico, aprendizado do aluno e persistência dos efeitos pré-escolares, em tradução livre), publicado no American Education Research Journal, mostra que crianças aprendem mais quando são apresentadas a conteúdos mais avançados, tais como a adição de números e letras aos sons correspondentes. Apesar disso, os professores gastam grande parte das aulas em princípios básicos, como o reconhecimento do alfabeto e fazendo os alunos contarem em voz alta.
    Para os autores do estudo, Amy Claessens, Mimi Engel e Chris Curran, a pesquisa revelou que grande parte das crianças que iniciam o jardim de infância já reconhecem algumas letras, têm noções de soma e estão prontas para avançar. Os que, por algum motivo, ainda não dominam esses conceitos, conseguem aprendê-los enquanto avançam com o resto da turma. “Se ensinarmos as crianças o que eles já sabem, elas não vão aprender tudo que podem”, afirmou Amy Claessens à Edweek, revista norte-americana especializada em educação.
    Com o tempo, a pesquisadora acredita que os professores da educação infantil vão poder sentir uma diferença significativa no avanço da aprendizagem das crianças. E, para isso, bastam mudanças relativamente pequenas e sem grandes custos, que não afetarão o tempo destinado a outras atividades, como aprendizagem de habilidades socioemocionais e educação física.
    Também foi ressaltado no estudo que os professores do jardim de infância passam mais tempo alfabetizando os alunos do que ensinando matemática. Em média, os professores ensinam habilidades básicas de leitura 18 dias por mês, ou quase todos os dias letivos, e alfabetização avançada durante 11 dias por mês. Por outro lado, eles passaram 10 dias por mês em matemática básica e seis dias em matemática mais avançada.
    “Professores da primeira infância e do jardim de infância não são tão confiantes sobre o ensino de matemática no início da vida escolar”, disse Claessens. “Estamos há muito tempo estimulando e fazendo um bom trabalho de concentrar o ensino na leitura e em habilidades básicas de leitura. Mas acho que nós não sabemos tanto assim sobre a matemática na primeira infância”, completa.
    O estudo foi realizado com base em uma amostragem grande, representando mais de 15 mil alunos de diversos estados norte-americanos que iniciaram o jardim de infância entre 1998 e 1999.

    Fonte: Portal Porvir
    http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/noticias-pr/614-jardim-de-infancia-e-facil-demais-aponta-estudo

    Alunos brasileiros que repetem de ano têm nota até 25% menor no Pisa

    Ana Carolina Moreno e Thiago ReisDo G1, em São Paulo


    G1 cruzou dados de desempenho com histórico de repetência dos alunos.
    Nota também é mais baixa entre quem se atrasa ou costuma 'matar' aula.


    Estudantes brasileiros que fizeram as provas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) em 2012 e afirmaram já ter repetido de ano mais de uma vez tiveram desempenho até 25% pior que os alunos que nunca reprovaram em uma série escolar. Um levantamento feito pelo G1 com base no questionário aplicado pelo Pisa mostra uma relação direta entre a repetência, a frequência escolar e o desempenho no exame.
    Os dados do Pisa foram coletados pelo coordenador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins Faria, que diz que o resultado não indica necessariamente que repetir impacta o aprendizado de forma negativa, mas que essa grande diferença no desempenho aponta para uma ineficiência na repetição da série. "É possível perceber que poucos alunos que já repetiram a série demonstram um aprendizado adequado. Considerando os malefícios da política [pode favorecer o abandono escolar e estigmatizar o estudante], esse cenário merece atenção."

    Já o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), afirma que é difícil avaliar, com base nos dados, se a repetência funciona ou não. "Mesmo que esses alunos tenham crescido [se desenvolvido] após cursar novamente a série, não significa que eles vão ficar no patamar dos que nunca repetiram. Isso porque eles já vinham de estratos menores de proficiência. Talvez pudessem ter ido ainda pior se não tivessem repetido de ano."
    Continue lendo, clique no link:
    http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/04/alunos-brasileiros-que-repetem-de-ano-tem-nota-ate-25-menor-no-pisa.html

    terça-feira, 1 de abril de 2014

    Inovação tecnológica: para professores e escolas, é mudar ou morrer, diz estudioso

    O professor emérito da UFSM, especialista em ensino e inovação tecnológica, diz que o atual sistema educacional é obsoleto e que o novo modelo só se erguerá se docentes e instituições ouvirem as lições de um ator: o aluno


    Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do
     livro “Educando para a Inovação” 
    (Berenice Roth)
    Séculos depois do início da universalização do ensino e décadas após a introdução da formação profissional, a educação enfrenta uma terceira revolução. O motor é a tecnologia. Nem todos, porém, reagem bem ao terremoto, avalia Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria, ex-secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação no Ministério da Ciência e ex-secretário de ensino superior do Ministério da Educação. "Os alunos já podem estudar em casa e até obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda não perceberam esse movimento: serão engolidos pela tecnologia e perderão a atenção dos estudantes", diz Mota, que acaba de lançar, em coautoria com David Scott, professor da universidade de Londres, o livro Educando para Inovação (Elsevier, 49,90 reais). A obra aborda o desafio das escolas de formar pessoas em um mundo de mudanças aceleradas em que a grande demanda é o aprendizado permanente. A despeito do atraso geral de instituições e mestres para lidar com a nova realidade — "O modelo de escola que conhecemos hoje será completamente extinto. O papel do professor, também" —, ele diz que o Brasil pode aproveitar a crise do modelo de ensino para promover uma grande transformação. "Temos uma população jovem, com nível de tolerância alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adaptação. Se fizéssemos disso um terreno para mudanças educacionais, provocaríamos uma grande transformação." Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
    Em Educando para Inovação, o senhor afirma que as mudanças a que assistimos hoje não são apenas tecnológicas e que esse movimento impulsiona também uma revolução de conceitos. Quais ideias estão em transformação? Inovação é muito associada a equipamentos e maquinário, mas as grandes mudanças deste século não têm necessariamente essa característica. Tomemos como exemplo uma inovação em outra área: o Cirque du Soleil. A partir do conceito tradicional do circo, o grupo canadense promoveu uma reestruturação radical e formatou um novo produto, criando um novo público. O conceito tradicional de inovação parte da ideia de que existe, antes de tudo, uma demanda para um produto ou processo. O que estamos vivendo neste século, porém, é o aparecimento de mudanças que não provêm da necessidade. Elas são tão revolucionárias que induzem a demanda após serem criadas. O tablet não foi feito após uma consultoria descobrir que havia demanda por computadores não portáteis. Ele surgiu como um produto inovador e criou a demanda a partir dele. Talvez você não necessite de uma impressora 3D agora, mas daqui a três anos vai querer uma em casa. O produto convence você de que é impossível viver sem ele.
    Como a escola se insere nesse contexto de mudanças aceleradas? O que significa educar para a inovação? Significa que a escola precisa formar pessoas aptas a viver nesse cenário de constante inovação. No modelo fordista (sistema predominante no séxulo XX marcado pela linha industrial de produção), o papel da educação era formar técnicos competentes, aptos a atuar na produção tradicional para desenvolver tarefas com eficiência. Definitivamente, educação não é mais isso. O mundo não é mais fordista. Hoje, o sucesso ou não das empresas está associado diretamente à capacidade de inovar. O problema é que a escola segue se preparando para o antigo modelo. É como formar profissionais competentes que podem trabalhar em uma gráfica em vez de formar designers capazes de atuar em várias plataformas de comunicação. As instituições de ensino ainda não são, em geral, capazes de fazer esse raciocínio, pois carregam um atraso intrínseco. A título de comparação, tomemos o que aconteceu na área financeira nos últimos 30 anos: os bancos de hoje em nada lembram as instituições do passado devido à ascensão tecnológica. Enquanto isso, a escola permaneceu absolutamente a mesma. Ainda mantemos a figura clássica do professor que entra na sala de aula e apresenta o conteúdo para os alunos como se eles não soubessem nada. Isso, porém, não deve nos dar a ilusão de que a escola não será transformada: ela será.
    Que tipo de transformação será essa? O modelo de escola que conhecemos hoje será completamente extinto. O papel do professor, também. Ele poderá até receber outra denominação, como "designer educacional", um profissional dedicado à organização de conteúdos. Mas ele não poderá fazer essa tarefa sozinho: o processo de ensino e aprendizado será cada vez mais coletivo. O designer educacional de física que se propuser a colocar o conteúdo de aula em uma plataforma on-line contará com ajuda de gente que saiba usar a plataforma, alguém que entenda de design, usabilidade e ferramentas no ambiente virtual. Não será uma pessoa só, vai ser um time. No começo do processo de mudança, provavelmente ainda contaremos com um professor clássico, que domina o conteúdo de uma disciplina. Mas ao lado dele, veremos um menino de 14 anos, responsável por fazer a interface gráfica da plataforma. É um fenômeno que já está acontecendo: as grandes funcionalidades dos portais educacionais são desenvolvidas hoje por jovens que dominam os sistemas digitais graças à afinidade que possuem com o universo dos games. Se resolver ficar sozinho, o professor perderá essa corrida.
    Nesse cenário, como será o ensino? Grande parte dos jovens já aprende parte do conteúdo escolar em canais que não dependem da escola. Os alunos já podem estudar em casa e até obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda não perceberam esse movimento: serão engolidos pela tecnologia e perderão a atenção dos estudantes. Não é o fim da escola, mas uma chance que se apresenta para aqueles alunos que não aguentam permanecer em sala de aula e que procuram mecanismos alternativos para adquirir o próprio conhecimento. Há muitos adolescentes criativos, que serão profissionais muito competentes e que simplesmente vivem em conflito com a escola. É um processo que vai acontecer cada vez mais. Até pouco tempo, existia um conflito do professor, que era alguém não digital, com o aluno, um nativo digital. Já estamos na fase seguinte, do não diálogo. As crianças já chegaram a uma etapa em que abstraem o conflito e simplesmente aprendem por conta própria, independente da escola. Seria um erro concluir que a escola não é mais importante. Ela é, mas desde que reconheça a existência do novo processo e que saiba se inserir nessa realidade. Se a escola entender isso como um confronto, vai perder.
    Se a escola não mudar, a evasão de alunos vai crescer? Sim. A escola já enfrenta esse fenômeno, ainda que se trate de uma evasão não contabilizada. O aluno é deixado pelos pais na escola, senta lá por algumas horas e finge prestar atenção às aulas. O professor, por sua vez, altamente desestimulado, deixa o aluno ali, muitas vezes evitando o conflito. Quando olhamos os resultados numéricos desse modelo educacional, concluímos que o ensino vai mal. Sim, está ruim, mas é mais grave que isso. Temos dois conflitos acontecendo ao mesmo tempo: o ensino tradicional vai mal no Brasil e vai mal em si. Para superar essa crise, precisamos melhorar a qualidade de ensino e, simultaneamente, transformá-lo. O Brasil tem uma real oportunidade de dar um salto significativo e mais rápido do que outros países se entender a importância da inovação.
    Por quê? Tomemos como base os resultados do exame do Pisa (mais importante avaliação educacional do mundo, realizada em alunos com 15 anos de idade), da OCDE. A Finlândia está sempre nos primeiros lugares da prova, que avalia o ensino tradicional. Qual a consequência? Os professores finlandeses morrem de medo de mudar seu método de ensino: afinal, quem quer mexer em time que está ganhando? A Finlândia pode não conseguir enfrentar os desafios da inovação com tanta facilidade. O Brasil, por sua vez, não tem motivo para temer a mudança. Afinal, se olharmos para o ensino médio brasileiro, podemos afirmar que não há como piorar. Por isso, temos um campo vasto para aplicar metodologias revolucionárias. O Brasil tem 200 milhões de habitantes e 104 milhões de usuários da internet, que em média navegam mais do que pessoas de outros países. Temos uma população jovem, com nível de tolerância alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adaptação. Se fizéssemos disso um terreno para mudanças educacionais, provocaríamos uma grande transformação.
    Quais os caminhos para a inovação? Precisamos usar metodologias que valorizem a aprendizagem independente. Em caminho contrário, o Brasil deve ser o campeão mundial da aprendizagem dependente. Desde a pré-escola até o pós-doutorado, o que fazemos é estimular o estudante a ser dependente do professor. Por que o professor que termina o pós-doutorado na universidade tem medo de sair do laboratório? Porque ele é dependente. Nos países mais desenvolvidos, o estudante é estimulado a encontrar seus próprios caminhos. Aqui,  criamos uma estrutura de dependência tão grande que as pessoas são estimuladas a não abdicar da zona de conforto. O que mais precisamos é do oposto disso. Quando isso ocorre, temos a rebelião à que estamos assistindo, sem interferência do Estado, dos pais e muito menos da escola: essa rebelião é movida pela juventude à procura de mecanismos alternativos. Isso explica o sucesso de serviços de aprendizagem on-line como o Veduca, que já tem 3,5 milhões de inscritos.
    Como o senhor avalia projetos que tentam colocar o tablet na sala de aula?
    Continue lendo:
    http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/para-professores-e-escolas-e-mudar-ou-morrer-diz-estudioso

    Declaração para um novo ano

    20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...