terça-feira, 23 de setembro de 2014

Quatro alunos de escolas municipais representam Cuiabá no Parlamento Mirim

Foto: Jorge Pinho

Secom Cuiabá
Quatro alunos de escolas da rede municipal estão representando Cuiabá no Projeto Parlamento Mirim 6ª Legislatura, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Nesta segunda-feira (22), os alunos participaram da primeira reunião como deputados mirins. 
Os alunos Eduardo Gonçalves, 13 anos, Camila Horrana Gomes, 15 anos, Bruna Valéria, 12 anos, e Kaique Pereira, 12 anos, foram os escolhidos para representar as escolas Dejani Ribeiro, Ranulpho Paes de Barros, José Luiz de Borges Garcia e Lenine de Campos, respectivamente. 
Neste primeiro contato com a Assembleia Legislativa, os alunos assistiram a duas palestras, cujos temas foram “Constituição e Sociedade” e “Parlamento”. Os alunos aprenderam como funciona o parlamento estadual e qual o papel de cada um dos três poderes no Brasil: executivo, legislativo e judiciário.
Ao todo, fazem parte do Parlamento Mirim 24 deputados, quatro deles são da rede municipal de Cuiabá, 10 de escolas estaduais, quatro de escolas privadas e seis de escolas municipais do interior de Mato Grosso. Os projetos apresentados pelos deputados representam os partidos temáticos Saúde, Meio Ambiente, Direitos Humanos, Educação, Segurança Pública e Transporte.
As alunas Camila e Bruna representam o partido temático Cultura, Eduardo representa o partido Meio Ambiente e Kaique, o de Saúde. 
“Meu projeto defende a criação de um espaço cultural em Mato Grosso, onde os artistas locais poderão expor suas obras, ou seja, um lugar de acesso e incentivo à cultura", disse a aluna Camila Horrana. 
O projeto da aluna Bruna Vieira cria um espaço cultural dentro de escolas e nas comunidades para ocupar o tempo ocioso dos alunos e da comunidade escolar. Para a aluna, fazer parte do Parlamento Mirim será uma oportunidade de o projeto ser divulgado, analisado pelos deputados e até mesmo ser implementado na comunidade.
“Um dos objetivos desse projeto é retirar os jovens das ruas e integrá-los à comunidade. Para isso, o projeto propõe a realização de atividades esportivas, culturais e pedagógicas dentro da escola, incluindo reforço escolar e um cantinho de leitura”, explicou a aluna.
O aluno Kaique Pereira, que representa o partido temático Saúde, pretende criar o programa de implantação de laboratório para manipulação de medicamentos de uso contínuo. “Eu criei esse projeto pensando nos idosos da minha comunidade. Lá tem muitos deles que precisam de medicamentos e têm dificuldade de encontrar e com o projeto esse problema poderá ser amenizado”, disse Kaique. 
Já o aluno Eduardo Gonçalves defende o projeto de reciclagem de garrafas pets. “A minha preocupação é com o meio ambiente, pois sabemos dos danos que esse material causa e a reciclagem é uma boa alternativa, pois colabora com a preservação e ainda pode gerar renda para as famílias”. 
A posse dos deputados será no mês de outubro, oportunidade em que também será escolhida a Mesa Diretora (presidente, 1º e 2º secretários).

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/quatro-alunos-de-escolas-municipais-representam-cuiaba-no-parlamento-mirim/9586

Simulador de Aposentadoria do Servidor Público (atualizada nov 2018)



O Simulador de Aposentadoria do Servidor Público foi desenvolvido pela Controladoria-Geral da União (CGU) com o objetivo inicial de facilitar a auditoria e a fiscalização dos processos de concessão de aposentadoria dos servidores públicos regidos pela Lei nº 8.112/1990.

Contudo, como a ferramenta simula todas as possibilidades de aposentadoria previstas constitucionalmente, a CGU vislumbrou o grande auxílio que o sistema traria a todos os servidores públicos interessados em conhecer as condições de sua aposentadoria, tendo decidido assim ampliar o objetivo inicial e compartilhar o Simulador externamente, inclusive com os servidores públicos estaduais e municipais, também abrangidos pelas Emendas Constitucionais nº 20/1998, 41/2003 e 47/2005.

A CGU esclarece, no entanto, que o relatório gerado pelo Simulador não tem eficácia legal e nem pode ser utilizado como documento para iniciar processo de concessão de aposentadoria, ou de abono de permanência, tratando-se apenas de uma ferramenta que permite ao servidor público verificar as regras constitucionais de aposentadoria e uma data provável, de acordo com os dados incluídos no Simulador, que são de inteira responsabilidade do servidor.

http://www.cgu.gov.br/Simulador/Index.asp

Relatório BRICS: cooperação entre poderes emergentes pode acelerar o progresso na educação

Novo Relatório da UNESCO recomenda que uma colaboração mais efetiva entre cinco economias do bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que promoveu grandes avanços no desenvolvimento de melhores sistemas educacionais, pode acelerar o progresso na educação.


O Relatório BRICS: construir a educação para o futuro é a primeira análise aprofundada que visa a identificar os sucessos e os desafios enfrentados pela educação nesses países. Atualmente, o grupo BRICS fornece educação para mais de 40% da população mundial.
Uma das principais conclusões do relatório é que os países BRICS têm feito uso efetivo de políticas inovadoras para melhorar a qualidade da educação, bem como para expandir a formação técnica e profissional e a educação superior. Por exemplo, o Brasil desenvolveu um dos mais abrangentes sistemas de avaliação do mundo, no qual uma combinação de informações - como as matrículas escolares e as taxas de conclusão - é utilizada para estabelecer objetivos para promover melhorias e orientar reformas. Uma nova lei estabelecida na Índia, que exige o gasto de 2% dos lucros das empresas em atividades de responsabilidade social corporativa, é de interesse de todos os governos que procuram formas de custear níveis maiores de educação e de desenvolvimento de habilidades.
O Relatório destaca a rápida expansão da educação superior, tal como ocorre na China, onde o número de estudantes aumentou mais de cinco vezes entre 1999 e 2012. Na Rússia, esforços para aumentar o intercâmbio e a cooperação entre estudantes e universidades, como a Rede de Universidades dos países BRICS, encabeçada pelo próprio país, enriquecem o aprendizado. Na África do Sul, a superação das desigualdades vindas do regime do apartheid se tornou um tema central da reforma educacional, o que fornece valiosas experiências para todos os países comprometidos em enfrentar a desigualdade de forma geral.
Tanto a Índia como a China possuem os maiores sistemas educacionais do mundo, e com o compromisso desses cinco países em ampliar os esforços, o bloco BRICS tem o potencial de se tornar líder em educação de qualidade. Por outro lado, milhões de estudantes se beneficiarão de melhores sistemas educacionais, que forneçam a eles habilidades e conhecimentos, para que possam transformar as sociedades e as economias.
O Relatório BRICS: construir a educação para o futuro traz 12 recomendações que delineiam áreas-chave de cooperação para melhorar os sistemas educacionais, a educação superior e o desenvolvimento de habilidades.
“Os países BRICS já transformaram o mapa mundial de educação, ao levar milhões de pessoas para a escola, estabelecer centros de aprendizado de nível mundial, promover inovações e compartilhar experiências e conhecimentos. Com uma cooperação mais efetiva na educação, apoiada pela UNESCO, o BRICS tem o potencial para ir mais além e mais rápido no aperfeiçoamento dos níveis educacionais e na obtenção da sustentabilidade de longo prazo”, disse Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO.
Apesar de progressos claros, o grupo BRICS ainda tem desafios a enfrentar. Em alguns países, reformas econômicas, descentralização e privatização da educação resultaram em desigualdades mais profundas, com as crianças mais desfavorecidas sendo as que mais sofrem com a educação escolar de baixa qualidade. Apesar da grande expansão que tem ocorrido recentemente, apenas um em cada cinco jovens na Índia, e cerca de um em quatro na China, frequentam a educação superior.
Nos países BRICS, a pobreza e a desigualdade de gênero continuam a se refletir no ciclo de aprendizagem e, da mesma forma, podem restringir as capacidades de aprendizado das crianças. Comunidades que lutam para alimentar suas famílias enfrentam expectativas de danos ao longo de toda a vida, causados às capacidades de aprendizado das crianças, por meio dos efeitos da desnutrição.
Na 6ª Cúpula do BRICS, realizada no Brasil, em 15 de julho de 2014, os presidentes dos países do bloco afirmaram que a educação é a chave para o sucesso de longo prazo e reconheceram o fato de que realizar mais investimentos é essencial na educação, para enfrentar as desigualdades e fomentar continuamente o crescimento econômico.
“Para se avançar em direção a uma economia do conhecimento, será necessário fortalecer a cooperação no campo da educação, assim como desenvolver um sistema de articulações horizontais entre os países BRICS”, disse Dilma Rousseff, presidente do Brasil, durante a Cúpula do BRICS de 2014.
O BRICS já está envolvido em parcerias mundiais para a educação. Os países desempenharam um papel decisivo no movimento de Educação para Todos (EPT), coordenado pela UNESCO. Brasil, China e Índia pertencem ao grupo E9 de países com as maiores populações, que, desde 1993, tem facilitado a cooperação para se atingir a EPT.
Desde 2013, a UNESCO tem trabalhado em conjunto com os países BRICS, para apoiar esforços para fortalecer a cooperação na educação, para aumentar as oportunidades de aprendizagem de milhares de jovens nessas cinco economias emergentes e dinâmicas.

Contatos de imprensa:
Ana Lúcia Guimarães, 61-2106 3536, a.guimaraes(at)uensco.org 
Anita Campos, 61-2106 3538, a.campos(at)unesco.org 
Sue Williams - +33 (0)1 45 68 17 06 , s.williams(at)unesco.org
http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/cooperation_between_emerging_powerhouses_can_speed_progress_in_education-1/#.VCBt45RdXkx

Ceale (UFMG) lança glossário de alfabetização, leitura e escrita

Clique na figura para acessar a publicação
Afinal, qual é a diferença entre alfabetização e letramento? Nosso alfabeto é um sistema ou um código? Grafema é o mesmo que letra? E qual é a importância dessas e outras tantas definições na prática educativa?

Diante das inúmeras alterações sociais e culturais por que passamos nas últimas décadas, o ensino-aprendizagem da língua escrita se torna cada vez mais complexo e impulsiona muitas discussões na universidade, na escola, na mídia e em diversos outros locais de produção e divulgação de informação e conhecimento. Grande parte dos conceitos, estratégias e práticas se encontra disseminada em textos acadêmicos, documentos oficiais, materiais pedagógicos, o que colabora para sua incorporação ao vocabulário dos educadores. Se, por um lado, essa disseminação é interessante pelo fato de ampliar o debate, por outro, leva a uma dispersão que traz a necessidade de recolha e consolidação.
Buscando atender a essa necessidade, o Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), lançou o Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Organizado pelas pesquisadoras Isabel Frade, Maria da Graça Costa Val e Maria das Graças de Castro Bregunci, o glossário foi criado para subsidiar os educadores que se dedicam à alfabetização e ao ensino-aprendizagem de leitura e escrita, especialmente os professores da Educação Infantil e do ciclo de alfabetização do Ensino Fundamental.
A fim de contemplar a complexidade envolvida nos processos de alfabetização e letramento, esta obra abrange inúmeras áreas do conhecimento: antropologia, sociologia, psicologia, linguística, psicolinguística, sociolinguística, tecnologias da informação, linguagens da comunicação educativa, entre outras. Além disso, o glossário transita por diferentes campos e eixos de ensino com claras implicações pedagógicas: as concepções de língua e de ensino de língua, de texto e discurso, os eixos de produção e leitura de textos, oralidade, literatura e outros. As definições a respeito desses itens repercutem nas políticas públicas, nos projetos pedagógicos, na organização curricular, na avaliação da aprendizagem, em materiais pedagógicos, em metodologias etc.
Como afirma Magda Soares, professora emérita da UFMG e fundadora do Ceale, que assina o prefácio da obra:
O acesso ao glossário, disponível na rede, é livre e bastante simples. Organizado na forma de dicionário, é composto de verbetes em ordem alfabética. Cada verbete, escrito por um especialista no tópico, apresenta a definição do termo, sua contextualização ou problematização (quando pertinente) e referências a sua aplicação na prática pedagógica. Além disso, traz referências bibliográficas e remissões a outros verbetes relacionados.
Para acessar a publicação, clique aqui. 

Referência: 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Faculdade de Educação (FaE). Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale). Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte, 2014.

‘Contos do Mato’ reúne contadores de histórias de todo país


A segunda edição do “Contos do Mato – Encontro Nacional de Contadores de Histórias” ocupa as instalações do Sesc Arsenal, entre os dias 1º e 3 de outubro. A entrada é Catraca Livre. A programação do evento tem espetáculos de contação de histórias, oficinas, bate-papos e outras atividades ainda não definidas.
Wanderson Lana/divulgacao/Contos do Mato
Wanderson Lana/divulgacao/Contos do Mato
Wanderson Lana é uma das atrações do encontro
Entre as atrações já confirmadas, estão os espetáculos de Vinicius Rangel (Cia. Trupe do Rei), Maurício Ricardo (Cia. Porrada de Teatro),  Renê Rodrigues, Grupo Mosaicos, Cristiano Gouveia (TV Cultura), Priscila Harder (Cia. Conto em Cantos), Thalita Passos  (Grupo Mãos de Fada) e Grupo Ogan.
Uma das novidades do festival é a campanha de doação de livros “Amigos da Leitura”. Os exemplares arrecadados serão destinados a uma instituição de caridade. Outra atração é a primeira edição do “Piquenique Literário”, um espaço para troca de ideias e experiências entre contadores de histórias de várias regiões do país. A atividade acontece em setembro, em praças e parques da capital. Fique atento para a programação do encontro no site do “II Contos do Mato”.

Critério técnico deve definir repasses ao ensino básico

Escolas públicas terão uma distribuição de recursos mais justa, segundo senadores Foto: Jonas Pereira
Projeto que modifica os índices usados no repasse de recursos do Fundo Nacional de Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) às escolas está pronta para ser votada na Comissão de Educação (CE), onde receberá decisão final.
A Lei 11.494/2007, que criou o fundo, delimita o repasse mínimo a ser feito por aluno nas diferentes etapas, modalidades e tipos de estabelecimento escolar por um cálculo que considera o número de matrículas das séries iniciais do ensino fundamental. A partir desse indicador-base, para as demais etapas e ­modalidades há uma variação que pode ser de 30% positivos ou negativos.
Esse “fator de ponderação” é decidido por uma comissão integrada pelo Ministério da Educação e por secretários estaduais e municipais de Educação de cada região brasileira, e deve, obrigatoriamente, variar entre 0,70 e 1,30 em relação ao aluno das primeiras séries.
Critérios técnicos
O projeto (PLS 10/2011), da ex-senadora Marinor Brito, pretende abolir esses limitadores e garantir que a distribuição dos recursos seja feita por meio de critérios técnicos, produzidos pelo ­Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Para a senadora, a lei atual estabeleceu uma redistribuição dos recursos sem levar em conta o real custo-aluno existente em cada etapa e modalidade.
Segundo a autora, exemplo da injustiça da fórmula em vigor é a remuneração das matrículas de creche, etapa de ensino mais dispendiosa do que as séries iniciais do ensino fundamental. Nem sempre o repasse faz jus ao gasto real, afirma a ex-senadora.
O relator na CE, senador ­Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), favorável à proposta, explica que a legislação usou o intervalo de variação dos fatores de ponderação para evitar migração maior de recursos das redes estaduais para as municipais.
Passados sete anos de vigência do Fundeb, o estabelecimento dos intervalos (ou balizas) se mostrou danoso como parâmetro de redistribuição dos recursos, avaliou Randolfe. A proposta de mudança apresentada por Marinor Brito corrige a injustiça atual, considerou o senador.
http://www12.senado.leg.br/jornal/edicoes/2014/09/22/criterio-tecnico-deve-definir-repasses-ao-ensino-basico

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Avaliação da Alfabetização será realizada entre os dias 17 e 28 de novembro


Portal Brasil

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira (22), a nova sistemática para a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) deste ano de 2014. Este ano, a avaliação será entre os dias 17 e 28 de novembro.

Veja também: 

De acordo com a Portaria, participarão da ANA 2014 todas as escolas públicas urbanas e rurais com, no mínimo, dez estudantes matriculados no 3º ano do ensino fundamental regular, organizado no regime de nove anos.
A população a ser avaliada será definida com base nas informações coletadas pelo Censo Escolar 2014, até o dia 15 de agosto de 2014. Os resultados preliminares da ANA 2014 poderão ser acessados pelos diretores escolares em maio de 2015. Os resultados finais da ANA 2014 serão divulgados até agosto 2015.

O Inep disponibilizará provas ampliadas (em fonte 18) e superampliadas (em fonte 24) para os estudantes com baixa visão. Será assegurado, ainda, tempo adicional aos estudantes com deficiência, transtornos globais ou específicos do desenvolvimento, síndromes ou outras necessidades especiais.
A publicação traz ainda que cada unidade escolar poderá fazer uso de seus recursos de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para garantir melhores condições de atendimento, acessibilidade e participação nas avaliações aos estudantes com deficiência, transtornos globais ou específicos do desenvolvimento, síndromes ou outras necessidades especiais.

ANA
Alguns dos objetivos específicos da ANA é estimular a melhoria dos padrões de qualidade e equidade da educação brasileira e medir o nível de alfabetização e letramento em língua portuguesa e alfabetização em matemática dos estudantes, por meio de testes.

Outra finalidade da avaliação é subsidiar a elaboração de políticas educacionais para o ciclo de alfabetização, além de produzir indicadores sobre as condições de oferta de ensino, por meio de questionários aplicados a professores e a gestores das escolas públicas urbanas e rurais.

Conceituadas Universidades disponibilizam cursos on line em português

O Coursera, plataforma de ensino on-line que oferece MOOCs Glossário compartilhado de termos de inovação em educação (Cursos On-line Abertos Massivos, na sigla em inglês) de 110 universidades do mundo, começa neste mês a falar português e anunciou nesta quarta-feira (17) uma parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para marcar presença no Brasil. Os primeiros cursos com a grife das instituições estarão disponíveis no começo de 2015, uma novidade que vai ao encontro do que o Porvir publicou no início do mês de agosto.
O Brasil superou recentemente a marca de 300 mil usuários no site, o que o coloca como quinta maior base de usuários, atrás apenas de Estados Unidos, Índia, China e Reino Unido. “Queremos derrubar barreiras para o ensino de qualidade, porque os empregos que vão existir amanhã no Brasil e ao redor do mundo não são aqueles de hoje, e aquilo que as pessoas aprenderam na faculdade há 15 anos atrás já não é suficiente”, disse Daphne Koller, cofundadora e presidente do Coursera, em evento realizado em São Paulo. Koller afirmou que a empresa pretende se situar estrategicamente no novo cenário em que a personalização do ensino ganha força (Veja aqui o especial do Porvir sobre o tema) e o ambiente virtual aparece integrado com as aulas presenciais. “O conhecimento básico será adquirido on-line, no ritmo e na hora em que o aluno desejar, até que domine habilidades básicas para que chegue na aula e o professor o ajude a solucionar problemas, debater e argumentar”, explicou.
Crédito: efks / Fotolia.comCoursera fala português e terá USP e Unicamp

Além da chegada dos novos MOOCs com a ajuda das duas principais universidades do país, o Coursera oferecerá, em parceria com a  Fundação Lemann, cursos de desenvolvimento profissional para professores da educação primária e secundária. A instituição já comanda uma comunidade responsável por traduzir para o português 28 cursos existentes no site em outras línguas.
O pró-reitor da Unicamp João Frederico Meyer afirma que, com a chegada da nova plataforma, caem por terra argumentos típicos usados por professores no ensino tradicional, como “neste semestre não terminei o programa” e “até o fim do mês não terei dado toda a matéria”. “O professor passa a ser o criador do ambiente no qual o aluno é sujeito do seu próprio processo de aprendizagem”, disse. Meyer também lembra que o ensino on-line serve para quebrar o paradigma da aula presencial que, dentre outros problemas, limitou a expansão o ProFis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior). O projeto dá formação geral em dois anos e garante acesso automático ao ensino superior, mas a universidade enfrenta dificuldade em atender a alta demanda. “Agora vamos dobrar o Cabo das Tormentas e transformá-lo em Cabo da Boa Esperança”, compara.
Segundo o pró-reitor de pesquisa da USP José Eduardo Krieger, as novas plataformas de ensino on-line abrem novas perspectivas e podem ajudar a universidade a “lidar com um grande dilema em que a sociedade cobra expansão vagas e os recursos para espaços físicos e estrutura já passaram do limite”. Além disso, de acordo com ele, o apoio do big data, com raio-x completo do que é assimilado por alunos, também trará impacto nos cursos atuais de direito, engenharia e medicina, e o professor poderá finalmente fazer a diferença. “Eu costumo dizer que os alunos fazem um esforço tremendo para entrar na universidade e se contentam com a gente dando uma aula enciclopédica, onde a diferença de um professor de instituição de classe mundial nem aparece. Na medida em que a forma tradicional de ensino é quebrada, ela nos força a ver isso”, disse.
Crédito: divulgaçãoCoursera fala português e terá USP e Unicamp
Veja abaixo os cursos com início em setembro, outubro e novembro pelo Coursera em português
-       Aprendizagem automática – Stanford University – 22 de setembro
-       Desenvolvimento de ideias inovadoras para novas empresas – University of Maryland – 29 de setembro
-       Introdução à lógica – Stanford University – 29 de setembro
-       Introdução ao pensamento matemático – 29 de setembro
-       Fundamentos da estratégia de negócios – University of Virginia – 6 de outubro
-       História da internet, tecnologia e segurança – University of Michigan – 6 de outubro
-       Introdução às finanças – University of Michigan – 6 de outubro
-       Modelos de pensamento – University of Michigan – 6 de outubro
-       As ferramentas do cientista de dados – Johns Hopkins University – 6 de outubro
-       Compositor de canções – Berklee College of Music – 13 de outubro
-       Design: a criação de artefatos na sociedade – University of Pennsylvania – 20 de outubro
-       Fundamentos das práticas de ensino para aprendizagem 2: ser um educador – Commonwealth Education Trust  – 20 de outubro
-       Princípios de microeconomia – University of Illinois at Urbana-Campaign – 20 de outubro
-       Linguagem R – Johns Hopkins University – 3 de novembro
-       Uma introdução à saúde global – University of Copenhagen – 4 de novembro
http://porvir.org/porfazer/coursera-fala-portugues-tera-usp-unicamp/20140917

Desafios globais, uma entrevista com Antoni Zabala

Personagem fundamental na reforma do sistema educacional espanhol, o educador Antoni Zabala diz que os sistemas educacionais de todo o mundo enfrentam o mesmo dilema: como passar de um ensino transmissivo para um de caráter participativo


Marina Kuzuyabu

O catalão Antoni Zabala é referência para muitos governos e instituições da América Latina quando se discute formação de professores, planejamento e implantação de currículos. Formado em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade de Barcelona, o educador teve uma posição central na reforma do sistema educacional espanhol, executada logo após o fim da ditadura franquista (1939-1975), experiên­cia que lhe conferiu credenciais para prestar consultorias, produzir pu­blicações como A prática educa­tiva – Como ensinar (Artmed) e atuar como formador de professores. De setembro a outubro deste ano, ele recebe gestores educacionais brasileiros durante o curso de Gestão Pedagógica em Portugal e Espanha, realizado pela Humus.

Ricardo Cançado
Zabala: curso para gestores brasileiros
Nesta entrevista concedida por e-mail à revista Educação, Zabala fala que todos os sistemas educacionais do mundo estão diante do mesmo desafio, que é tornar o ensino mais participativo e focado nos alunos. Ele também ressalta a importância de os gestores definirem metodologias claras de ensino para nortear as práticas educativas. Essas metodologias devem ter em conta dois critérios: as finalidades do ensino – que precisam contemplar o desenvolvimento pleno do aluno, independentemente de outros objetivos – e os conhecimentos acumulados sobre como as pessoas aprendem. “A metodologia de uma instituição educacional nunca pode ser a soma dos métodos díspares dos professores da instituição”, alerta.
O educador também falou sobre o debate em torno da implementação, no Brasil, de uma base curricular comum, que em sua opinião deve ser levada adiante, desde que se deixe um espaço para a customização da base às necessidades regionais e socioeconômicas dos alunos e das instituições. Leia a entrevista a seguir.

Tendo como referência os educadores que participam de seus cursos, quais são as principais demandas ou deficiências em termos de formação dos docentes latino-americanos? 
Os problemas substanciais dos professores na América Latina são os mesmos que temos na Europa e acredito que no mundo inteiro: a adequação às exigências de um ensino notavelmente distinto daquele que se consolidou no século passado. De forma esquemática, como passar de um ensino centrado nos professores e de caráter transmissivo a um centrado no aluno e de caráter participativo. Atualmente, todos os sistemas educacionais estão enfrentando esse dilema. O processo de transformação é mais ou menos intenso conforme os estímulos e a motivação dos professores, além dos apoios e recursos de que dispõem.

Por que o senhor defende que os professores necessitam de formação continuada? Como isso pode contribuir para melhorar o sistema educacional? 
A profissão docente é atualmente a profissão mais complexa que existe. A necessidade de uma sociedade bem formada em todos os âmbitos da vida exige uma constante adequação às mudanças que o mundo está sofrendo. Isto afeta os próprios conteúdos de aprendizagem. A isso devemos somar o conhecimento científico sobre os processos de aprendizagem, conhecimentos que afortunadamente estão cada vez mais consistentes sobre a necessária personalização das aprendizagens. Ambos os fatores demandam uma constante revisão e uma melhoria das práticas educacionais. A qualidade de qualquer sistema educacional recai diretamente na ação dos professores. É imprescindível dispor dos meios, recursos e apoios que possibilitem aos professores viver em uma cultura de desenvolvimento profissional baseado em uma formação contínua e um trabalho colaborativo de aprendizagem entre iguais.

Muitos defendem a aplicação de avaliações aos professores para melhorar a qualidade do ensino. Como o senhor enxerga isso? 
Qualquer processo profissional, independentemente do âmbito, precisa de uma constante revisão dos meios e dos procedimentos que são utilizados. Assim como em outras profissões, a necessária melhoria contínua do ensino exige a utilização de procedimentos que permitam identificar os espaços de melhoria. A avaliação dos professores só pode ser concebida nesse contexto: como meio para identificar as melhorias e não apenas como um instrumento sancionador. As avaliações não são ruins por natureza; mas os fins pelos quais elas são utilizadas podem ser.

E o que dizer da meritocracia, outro tema que gera bastante polêmica na educação, especialmente quando a premiação dos professores está condicionada ao desempenho dos alunos?
Evidentemente, o desempenho dos estudantes é um indicador do trabalho dos professores, mas não tanto pelos resultados obtidos pelos alunos. O processo seguido para alcançar esses resultados é mais importante. Portanto, a valorização sobre o trabalho dos professores deve considerar o processo seguido por cada estudante – os avanços pessoais alcançados com relação a seu ponto de partida – e as singularidades do contexto familiar e social de cada um. Em outras palavras, devem ser consideradas as diferenças entre as competências de partida e as de chegada, e a capacidade de se opor aos déficits socioculturais.

Como podemos avaliar a qualidade de uma prática educativa? Quais critérios devem ser observados?
São dois os referenciais teóricos que nos permitem estabelecer os critérios fundamentais para a avaliação das práticas educacionais. O primeiro critério está relacionado com a adequação dos conteúdos de aprendizagem aos objetivos ou finalidades que se pretenda obter e, efetivamente, se eles estão alinhados com um modelo de formação que busque o pleno desenvolvimento da pessoa em todos os âmbitos de intervenção: o pessoal, o interpessoal, o social e o profissional. O segundo referencial teórico é de ordem científica e corresponde ao atual conhecimento de como as pessoas aprendem – conhecimentos que nos aportam as distintas correntes da psicologia da aprendizagem e das neurociências e que nos permitem estabelecer um notável número de indicadores sobre a qualidade da prática educacional. A maioria deles está relacionada com as diferentes características das aprendizagens e como elas se produzem: capacidade de vincular as novas aprendizagens, fomento da atitude que favorece a aprendizagem, ativação mental, funcionalidade e significância da aprendizagem, processo pessoal de metacognição, etc.

O senhor defende que é possível estabelecer critérios únicos de ensino para todos os professores de uma instituição. Como fazer isso considerando as diferenças na formação e nos perfis dos educadores?
Hoje em dia, já na segunda década do século 21, dispomos de suficiente conhecimento para identificar, de maneira suficientemente rigorosa, quais são as metodologias de todo centro educacional, vistos os dois critérios básicos enunciados anteriormente. O perfil do formando e o conhecimento científico sobre os processos de aprendizagem permitem construir uma proposta metodológica singular para cada centro educacional. A obrigação da escola é a de garantir a coerência do processo educacional, o que implica, sem dúvida, o estabelecimento de formas de ensino próprias da escola. A metodologia de uma instituição educacional nunca pode ser a soma dos métodos díspares dos professores da instituição. Pelo contrário: é a metodologia da instituição que deve ser utilizada pelos professores conforme seu estilo pessoal. E essa metodologia não pode ser resultado da arbitrariedade da direção de um corpo docente, mas sim consequência de um processo de elaboração que considere os fins educacionais da instituição e os conhecimentos produzidos pelas ciências da aprendizagem.

No Brasil, atualmente, se discute muito a criação de um currículo mais detalhado, com especificações claras sobre o que ensinar em cada etapa. Alguns educadores acreditam que a medida diminuirá a autonomia do professor, enquanto outros julgam a mudança importante para garantir que os alunos tenham acesso aos mesmos conteúdos. Qual avaliação o senhor faz desse processo? 
Na educação temos de considerar dois princípios que aparentemente podem entrar em con­tradição: a necessidade e a obrigação da sociedade de estabelecer uma proposta de cidadania para o futuro, e a necessidade de adequar os processos de ensino às características específicas dos alunos e do contexto no qual atuam as diferentes instituições educacionais. Existe uma tensão entre os dois princípios. Eu entendo que é necessária uma definição clara por parte da sociedade dos fins educacionais para todo o país, mas interpretados e concretizados em cada caso conforme as características específicas dos alunos e de seu contexto. A resposta deve ser a de um currículo suficientemente aberto que permita esta imprescindível adequação contextual.


Outro tema em evidência é o ensino de habilidades cognitivas ou socioemocionais nas escolas. Como ou senhor analisa essa tendência?
Toda sociedade precisa, imprescindivelmente, que seus cidadãos sejam atores ativos para a melhoria ou transformação desta sociedade. Para isso é necessária uma formação que envolva todos os âmbitos do desenvolvimento humano: o pessoal, o interpessoal, o social e o profissional. Em outras palavras, uma formação integral que cubra todas as facetas que formam a personalidade e permitam dar resposta aos problemas que nos coloca a vida, e para a qual são imprescindíveis, entre outras, as habilidades, cognitivas, sociais e, especialmente, emocionais.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/209/desafios-globaispersonagem-fundamental-na-reforma-do-sistema-educacional-espanhol-o-326781-1.asp

Província argentina elimina nota zero para proteger autoestima de alunos


BBC
Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

As escolas primárias da rede pública e privada da província de Buenos Aires - a mais populosa da Argentina, mas que não inclui a capital de mesmo nome -, vão eliminar as notas baixas a partir de 2015, segundo confirmou à BBC Brasil, nesta quinta, a Secretaria de Educação do governo provincial.

"A avaliação passa a ser com notas de quatro a dez. E para passar de ano o aluno deverá tirar sete", explica o comunicado da Secretaria de Educação.

O objetivo da medida é evitar "afetar a autoestima" do aluno, conforme explicou a Secretária de Educação, Nora de Lucía, à imprensa local.

"Um aluno que muitas vezes é brilhante em uma matéria acaba ficando desestimulado quando recebe um zero ou outra nota baixa em outra matéria. Acho que devemos cuidar da autoestima da criança", disse a secretária em entrevista à rádio Mitre, de Buenos Aires.

O governador Daniel Scioli disse que a reforma contribuirá para "reduzir a deserção escolar e gerar incentivo" ao aluno. A decisão de eliminar as notas vermelhas, foi anunciada na semana passada e gerou polêmica no país.

O ex-ministro da Educação Juan Llach, criticou a medida por entender que não contribui para melhorar o rendimento do aluno ou para melhorar o ensino na Argentina.

"Acho que a medida pode ter efeito contrário. O aluno não leva o zero e vai achar que está sendo visto como coitado e não como alguém que quer e pode enfrentar um desafio e crescer", disse à imprensa local. Para ele,"o zero ou qualquer nota baixa não estigmatiza ninguém".

A diretora de educação da Universidade Di Tella, Claudia Romero, disse que a nova medida, em sua visão, "não contribui para a educação da criança".

Por sua vez, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, disse que a reforma ajudará a manter o aluno na sala de aula. "Um boletim como os de antes não manterá o aluno na escola. E devemos mantê-lo na escola ou então ele vai (passear) na esquina", afirmou o ministro.

Segundo os jornais argentinos, apenas uma outra província, a de Catamarca, analisa mudanças similares às de Buenos Aires.

http://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2014/09/19/provincia-argentina-elimina-nota-zero-para-proteger-autoestima-de-alunos.htm

Projetos de pesquisa sobre inclusão serão estimulados

Instituições de ensino superior têm um novo prazo, até 30 de outubro, para inscrever projetos de pesquisa sobre igualdade racial, combate ao racismo, valorização da cultura e das línguas indígenas, acessibilidade, inclusão. 

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) vai selecionar até 50 propostas que visam estruturar, fortalecer e internacionalizar programas de pesquisa e pós-graduação e aumentar o intercâmbio acadêmico entre instituições brasileiras e estrangeiras. Os procedimentos estão definidos no Edital nº 2/2014. 

Todas as áreas do conhecimento podem concorrer, mas têm preferência na seleção propostas de promoção da igualdade racial, combate ao racismo, estudo e valorização das especificidades socioculturais e linguísticas dos povos indígenas, acessibilidade e inclusão, difusão do conhecimento da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Cada projeto selecionado receberá R$ 2,8 milhões, será contemplado com 14 bolsas de mobilidade internacional, sendo dez bolsas de graduação-sanduíche, com duração de um a 12 meses, e quatro bolsas de doutorado-sanduíche, com duração de quatro a 12 meses. As atividades nas instituições terão início em 2015 com prazo de dois anos, podendo ter um ano de acréscimo. 

Ionice Lorenzoni

O Edital nº 2/2014 retificado, da Secadi, foi publicado nesta quinta-feira, 18, no Diário Oficial da União, seção 3, página 57 

Confira o hotsite do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento
Palavras-chave: educação inclusiva, educação superior, igualdade racial, combate ao racismo, valorização da cultura e das línguas indígenas, acessibilidade, inclusão
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20801

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Educadores no exílio

Por que os grandes educadores brasileiros não inspiram o labor das escolas


José Pacheco


Anísio Teixeira
Era uma vez...duas escolas, lado a lado a um córrego poluído. Por décadas, essas escolas deram aula de educação ambiental a alunos moradores de palafitas precariamente edificadas sobre o córrego. Até que uma das escolas alterou o seu modus operandi e os efeitos não se fizeram esperar. Jovens desmotivados motivaram-se, empreenderam freirianas leituras do mundo, o rendimento acadêmico melhorou, a comunidade estreitou laços com a escola, a recuperação do córrego começou.

O fenômeno gerou curiosidade. E o secretário de Educação quis saber a origem do inusitado projeto. Apercebeu-se de que, a par dos benefícios, era menor o custo. Membros da comunidade que acompanhavam o projeto dessa escola faziam-no gratuitamente.

No primeiro encontro com a secretaria, um dos educadores fez uma crítica construtiva e fundamentada ao modo como a formação vinha sendo realizada, por induzir os professores à reprodução de um obsoleto modelo de escola. As técnicas da secretaria responsáveis pelo setor da formação foram fazer “queixinha” ao seu chefe. O chefe, por sua vez, queixou-se ao secretário. E o senhor secretário mandou suspender o projeto.

Cansei-me de assistir à destruição de projetos por via de caprichos de governantes, da incompetência de funcionários, da sanha persecutória de burocratas. A falta de conexão com as realidades de comunidades não prejudica apenas o desenvolvimento cognitivo dos jovens – afeta negativamente o exercício da cidadania e sedimenta a submissão a um modelo excludente de sociedade.

Houve quem tentasse dar sentido à escola sem sentido. No tempo dos mestres Anísio, Agostinho, Lauro, Darcy, Freire, o Brasil parecia encaminhado para a melhoria da qualidade da sua educação. Perdemo-nos por descaminhos. Freire foi traído. E o conservadorismo pedagógico alia-se a um poder destituído de saber. As medidas de política pública continuam assentes na crença de ser possível melhorar aprendizagens sem que se processe a reconfiguração das práticas escolares, sem que surjam novas construções sociais de aprendizagem. Ou em equívocos como o de crer na despoluição de um córrego sem que os herdeiros de Freire devolvam as escolas às comunidades, de onde a modernidade as exilou.

Durante o período negro dos governos militares, o Rubem – que neste fatídico julho nos deixou órfãos – e outros brilhantes pensadores exilaram-se, e muitos projetos pereceram. O Rubem conduziu-me à descoberta de Anísio, que defendia a necessidade de mudar a escola, para que esta se tornasse um instrumento de mudança social. Levou-me ao encontro da Nise, do Florestan, da Nilde, do Lauro e de um íntimo Freire, sobre cuja integração na ortodoxa universidade o Rubem escreveu um “não parecer”...

A morte do mestre Rubem significará um novo exílio? Fico perplexo pela morte da memória do Anísio e por ver Freire sequestrado nos arquivos de teses das universidades, quando sua obra deveria inspirar o labor dos educadores e das escolas brasileiras. Que país é este, que mantém no exílio os seus maiores educadores?

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/209/educadores-no-exiliopor-que-os-grandes-educadores-brasileiros-nao-inspiram-326785-1.asp

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...