segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Desafios globais, uma entrevista com Antoni Zabala

Personagem fundamental na reforma do sistema educacional espanhol, o educador Antoni Zabala diz que os sistemas educacionais de todo o mundo enfrentam o mesmo dilema: como passar de um ensino transmissivo para um de caráter participativo


Marina Kuzuyabu

O catalão Antoni Zabala é referência para muitos governos e instituições da América Latina quando se discute formação de professores, planejamento e implantação de currículos. Formado em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade de Barcelona, o educador teve uma posição central na reforma do sistema educacional espanhol, executada logo após o fim da ditadura franquista (1939-1975), experiên­cia que lhe conferiu credenciais para prestar consultorias, produzir pu­blicações como A prática educa­tiva – Como ensinar (Artmed) e atuar como formador de professores. De setembro a outubro deste ano, ele recebe gestores educacionais brasileiros durante o curso de Gestão Pedagógica em Portugal e Espanha, realizado pela Humus.

Ricardo Cançado
Zabala: curso para gestores brasileiros
Nesta entrevista concedida por e-mail à revista Educação, Zabala fala que todos os sistemas educacionais do mundo estão diante do mesmo desafio, que é tornar o ensino mais participativo e focado nos alunos. Ele também ressalta a importância de os gestores definirem metodologias claras de ensino para nortear as práticas educativas. Essas metodologias devem ter em conta dois critérios: as finalidades do ensino – que precisam contemplar o desenvolvimento pleno do aluno, independentemente de outros objetivos – e os conhecimentos acumulados sobre como as pessoas aprendem. “A metodologia de uma instituição educacional nunca pode ser a soma dos métodos díspares dos professores da instituição”, alerta.
O educador também falou sobre o debate em torno da implementação, no Brasil, de uma base curricular comum, que em sua opinião deve ser levada adiante, desde que se deixe um espaço para a customização da base às necessidades regionais e socioeconômicas dos alunos e das instituições. Leia a entrevista a seguir.

Tendo como referência os educadores que participam de seus cursos, quais são as principais demandas ou deficiências em termos de formação dos docentes latino-americanos? 
Os problemas substanciais dos professores na América Latina são os mesmos que temos na Europa e acredito que no mundo inteiro: a adequação às exigências de um ensino notavelmente distinto daquele que se consolidou no século passado. De forma esquemática, como passar de um ensino centrado nos professores e de caráter transmissivo a um centrado no aluno e de caráter participativo. Atualmente, todos os sistemas educacionais estão enfrentando esse dilema. O processo de transformação é mais ou menos intenso conforme os estímulos e a motivação dos professores, além dos apoios e recursos de que dispõem.

Por que o senhor defende que os professores necessitam de formação continuada? Como isso pode contribuir para melhorar o sistema educacional? 
A profissão docente é atualmente a profissão mais complexa que existe. A necessidade de uma sociedade bem formada em todos os âmbitos da vida exige uma constante adequação às mudanças que o mundo está sofrendo. Isto afeta os próprios conteúdos de aprendizagem. A isso devemos somar o conhecimento científico sobre os processos de aprendizagem, conhecimentos que afortunadamente estão cada vez mais consistentes sobre a necessária personalização das aprendizagens. Ambos os fatores demandam uma constante revisão e uma melhoria das práticas educacionais. A qualidade de qualquer sistema educacional recai diretamente na ação dos professores. É imprescindível dispor dos meios, recursos e apoios que possibilitem aos professores viver em uma cultura de desenvolvimento profissional baseado em uma formação contínua e um trabalho colaborativo de aprendizagem entre iguais.

Muitos defendem a aplicação de avaliações aos professores para melhorar a qualidade do ensino. Como o senhor enxerga isso? 
Qualquer processo profissional, independentemente do âmbito, precisa de uma constante revisão dos meios e dos procedimentos que são utilizados. Assim como em outras profissões, a necessária melhoria contínua do ensino exige a utilização de procedimentos que permitam identificar os espaços de melhoria. A avaliação dos professores só pode ser concebida nesse contexto: como meio para identificar as melhorias e não apenas como um instrumento sancionador. As avaliações não são ruins por natureza; mas os fins pelos quais elas são utilizadas podem ser.

E o que dizer da meritocracia, outro tema que gera bastante polêmica na educação, especialmente quando a premiação dos professores está condicionada ao desempenho dos alunos?
Evidentemente, o desempenho dos estudantes é um indicador do trabalho dos professores, mas não tanto pelos resultados obtidos pelos alunos. O processo seguido para alcançar esses resultados é mais importante. Portanto, a valorização sobre o trabalho dos professores deve considerar o processo seguido por cada estudante – os avanços pessoais alcançados com relação a seu ponto de partida – e as singularidades do contexto familiar e social de cada um. Em outras palavras, devem ser consideradas as diferenças entre as competências de partida e as de chegada, e a capacidade de se opor aos déficits socioculturais.

Como podemos avaliar a qualidade de uma prática educativa? Quais critérios devem ser observados?
São dois os referenciais teóricos que nos permitem estabelecer os critérios fundamentais para a avaliação das práticas educacionais. O primeiro critério está relacionado com a adequação dos conteúdos de aprendizagem aos objetivos ou finalidades que se pretenda obter e, efetivamente, se eles estão alinhados com um modelo de formação que busque o pleno desenvolvimento da pessoa em todos os âmbitos de intervenção: o pessoal, o interpessoal, o social e o profissional. O segundo referencial teórico é de ordem científica e corresponde ao atual conhecimento de como as pessoas aprendem – conhecimentos que nos aportam as distintas correntes da psicologia da aprendizagem e das neurociências e que nos permitem estabelecer um notável número de indicadores sobre a qualidade da prática educacional. A maioria deles está relacionada com as diferentes características das aprendizagens e como elas se produzem: capacidade de vincular as novas aprendizagens, fomento da atitude que favorece a aprendizagem, ativação mental, funcionalidade e significância da aprendizagem, processo pessoal de metacognição, etc.

O senhor defende que é possível estabelecer critérios únicos de ensino para todos os professores de uma instituição. Como fazer isso considerando as diferenças na formação e nos perfis dos educadores?
Hoje em dia, já na segunda década do século 21, dispomos de suficiente conhecimento para identificar, de maneira suficientemente rigorosa, quais são as metodologias de todo centro educacional, vistos os dois critérios básicos enunciados anteriormente. O perfil do formando e o conhecimento científico sobre os processos de aprendizagem permitem construir uma proposta metodológica singular para cada centro educacional. A obrigação da escola é a de garantir a coerência do processo educacional, o que implica, sem dúvida, o estabelecimento de formas de ensino próprias da escola. A metodologia de uma instituição educacional nunca pode ser a soma dos métodos díspares dos professores da instituição. Pelo contrário: é a metodologia da instituição que deve ser utilizada pelos professores conforme seu estilo pessoal. E essa metodologia não pode ser resultado da arbitrariedade da direção de um corpo docente, mas sim consequência de um processo de elaboração que considere os fins educacionais da instituição e os conhecimentos produzidos pelas ciências da aprendizagem.

No Brasil, atualmente, se discute muito a criação de um currículo mais detalhado, com especificações claras sobre o que ensinar em cada etapa. Alguns educadores acreditam que a medida diminuirá a autonomia do professor, enquanto outros julgam a mudança importante para garantir que os alunos tenham acesso aos mesmos conteúdos. Qual avaliação o senhor faz desse processo? 
Na educação temos de considerar dois princípios que aparentemente podem entrar em con­tradição: a necessidade e a obrigação da sociedade de estabelecer uma proposta de cidadania para o futuro, e a necessidade de adequar os processos de ensino às características específicas dos alunos e do contexto no qual atuam as diferentes instituições educacionais. Existe uma tensão entre os dois princípios. Eu entendo que é necessária uma definição clara por parte da sociedade dos fins educacionais para todo o país, mas interpretados e concretizados em cada caso conforme as características específicas dos alunos e de seu contexto. A resposta deve ser a de um currículo suficientemente aberto que permita esta imprescindível adequação contextual.


Outro tema em evidência é o ensino de habilidades cognitivas ou socioemocionais nas escolas. Como ou senhor analisa essa tendência?
Toda sociedade precisa, imprescindivelmente, que seus cidadãos sejam atores ativos para a melhoria ou transformação desta sociedade. Para isso é necessária uma formação que envolva todos os âmbitos do desenvolvimento humano: o pessoal, o interpessoal, o social e o profissional. Em outras palavras, uma formação integral que cubra todas as facetas que formam a personalidade e permitam dar resposta aos problemas que nos coloca a vida, e para a qual são imprescindíveis, entre outras, as habilidades, cognitivas, sociais e, especialmente, emocionais.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/209/desafios-globaispersonagem-fundamental-na-reforma-do-sistema-educacional-espanhol-o-326781-1.asp

Província argentina elimina nota zero para proteger autoestima de alunos


BBC
Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

As escolas primárias da rede pública e privada da província de Buenos Aires - a mais populosa da Argentina, mas que não inclui a capital de mesmo nome -, vão eliminar as notas baixas a partir de 2015, segundo confirmou à BBC Brasil, nesta quinta, a Secretaria de Educação do governo provincial.

"A avaliação passa a ser com notas de quatro a dez. E para passar de ano o aluno deverá tirar sete", explica o comunicado da Secretaria de Educação.

O objetivo da medida é evitar "afetar a autoestima" do aluno, conforme explicou a Secretária de Educação, Nora de Lucía, à imprensa local.

"Um aluno que muitas vezes é brilhante em uma matéria acaba ficando desestimulado quando recebe um zero ou outra nota baixa em outra matéria. Acho que devemos cuidar da autoestima da criança", disse a secretária em entrevista à rádio Mitre, de Buenos Aires.

O governador Daniel Scioli disse que a reforma contribuirá para "reduzir a deserção escolar e gerar incentivo" ao aluno. A decisão de eliminar as notas vermelhas, foi anunciada na semana passada e gerou polêmica no país.

O ex-ministro da Educação Juan Llach, criticou a medida por entender que não contribui para melhorar o rendimento do aluno ou para melhorar o ensino na Argentina.

"Acho que a medida pode ter efeito contrário. O aluno não leva o zero e vai achar que está sendo visto como coitado e não como alguém que quer e pode enfrentar um desafio e crescer", disse à imprensa local. Para ele,"o zero ou qualquer nota baixa não estigmatiza ninguém".

A diretora de educação da Universidade Di Tella, Claudia Romero, disse que a nova medida, em sua visão, "não contribui para a educação da criança".

Por sua vez, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, disse que a reforma ajudará a manter o aluno na sala de aula. "Um boletim como os de antes não manterá o aluno na escola. E devemos mantê-lo na escola ou então ele vai (passear) na esquina", afirmou o ministro.

Segundo os jornais argentinos, apenas uma outra província, a de Catamarca, analisa mudanças similares às de Buenos Aires.

http://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2014/09/19/provincia-argentina-elimina-nota-zero-para-proteger-autoestima-de-alunos.htm

Projetos de pesquisa sobre inclusão serão estimulados

Instituições de ensino superior têm um novo prazo, até 30 de outubro, para inscrever projetos de pesquisa sobre igualdade racial, combate ao racismo, valorização da cultura e das línguas indígenas, acessibilidade, inclusão. 

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) vai selecionar até 50 propostas que visam estruturar, fortalecer e internacionalizar programas de pesquisa e pós-graduação e aumentar o intercâmbio acadêmico entre instituições brasileiras e estrangeiras. Os procedimentos estão definidos no Edital nº 2/2014. 

Todas as áreas do conhecimento podem concorrer, mas têm preferência na seleção propostas de promoção da igualdade racial, combate ao racismo, estudo e valorização das especificidades socioculturais e linguísticas dos povos indígenas, acessibilidade e inclusão, difusão do conhecimento da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Cada projeto selecionado receberá R$ 2,8 milhões, será contemplado com 14 bolsas de mobilidade internacional, sendo dez bolsas de graduação-sanduíche, com duração de um a 12 meses, e quatro bolsas de doutorado-sanduíche, com duração de quatro a 12 meses. As atividades nas instituições terão início em 2015 com prazo de dois anos, podendo ter um ano de acréscimo. 

Ionice Lorenzoni

O Edital nº 2/2014 retificado, da Secadi, foi publicado nesta quinta-feira, 18, no Diário Oficial da União, seção 3, página 57 

Confira o hotsite do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento
Palavras-chave: educação inclusiva, educação superior, igualdade racial, combate ao racismo, valorização da cultura e das línguas indígenas, acessibilidade, inclusão
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20801

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Educadores no exílio

Por que os grandes educadores brasileiros não inspiram o labor das escolas


José Pacheco


Anísio Teixeira
Era uma vez...duas escolas, lado a lado a um córrego poluído. Por décadas, essas escolas deram aula de educação ambiental a alunos moradores de palafitas precariamente edificadas sobre o córrego. Até que uma das escolas alterou o seu modus operandi e os efeitos não se fizeram esperar. Jovens desmotivados motivaram-se, empreenderam freirianas leituras do mundo, o rendimento acadêmico melhorou, a comunidade estreitou laços com a escola, a recuperação do córrego começou.

O fenômeno gerou curiosidade. E o secretário de Educação quis saber a origem do inusitado projeto. Apercebeu-se de que, a par dos benefícios, era menor o custo. Membros da comunidade que acompanhavam o projeto dessa escola faziam-no gratuitamente.

No primeiro encontro com a secretaria, um dos educadores fez uma crítica construtiva e fundamentada ao modo como a formação vinha sendo realizada, por induzir os professores à reprodução de um obsoleto modelo de escola. As técnicas da secretaria responsáveis pelo setor da formação foram fazer “queixinha” ao seu chefe. O chefe, por sua vez, queixou-se ao secretário. E o senhor secretário mandou suspender o projeto.

Cansei-me de assistir à destruição de projetos por via de caprichos de governantes, da incompetência de funcionários, da sanha persecutória de burocratas. A falta de conexão com as realidades de comunidades não prejudica apenas o desenvolvimento cognitivo dos jovens – afeta negativamente o exercício da cidadania e sedimenta a submissão a um modelo excludente de sociedade.

Houve quem tentasse dar sentido à escola sem sentido. No tempo dos mestres Anísio, Agostinho, Lauro, Darcy, Freire, o Brasil parecia encaminhado para a melhoria da qualidade da sua educação. Perdemo-nos por descaminhos. Freire foi traído. E o conservadorismo pedagógico alia-se a um poder destituído de saber. As medidas de política pública continuam assentes na crença de ser possível melhorar aprendizagens sem que se processe a reconfiguração das práticas escolares, sem que surjam novas construções sociais de aprendizagem. Ou em equívocos como o de crer na despoluição de um córrego sem que os herdeiros de Freire devolvam as escolas às comunidades, de onde a modernidade as exilou.

Durante o período negro dos governos militares, o Rubem – que neste fatídico julho nos deixou órfãos – e outros brilhantes pensadores exilaram-se, e muitos projetos pereceram. O Rubem conduziu-me à descoberta de Anísio, que defendia a necessidade de mudar a escola, para que esta se tornasse um instrumento de mudança social. Levou-me ao encontro da Nise, do Florestan, da Nilde, do Lauro e de um íntimo Freire, sobre cuja integração na ortodoxa universidade o Rubem escreveu um “não parecer”...

A morte do mestre Rubem significará um novo exílio? Fico perplexo pela morte da memória do Anísio e por ver Freire sequestrado nos arquivos de teses das universidades, quando sua obra deveria inspirar o labor dos educadores e das escolas brasileiras. Que país é este, que mantém no exílio os seus maiores educadores?

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/209/educadores-no-exiliopor-que-os-grandes-educadores-brasileiros-nao-inspiram-326785-1.asp

Piso Salarial: Barra do Garças deve pagar retroativo aos professores




de Barra do Garças

A Prefeitura de Barra do Garças terá que efetuar pagamento do piso nacional aos profissionais do magistério retroativo a abril de 2011. A determinação é do Tribunal de Contas do Estado, que julgou procedente denúncia formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) contra o município.
O processo foi relatado pelo conselheiro Antonio Joaquim e levado ao Pleno. Foi reconhecido o descumprimento da Lei Federal 11.738/2008, que instituiu o salário base nacional, e determinou que a prefeitura providencie os retroativos. Hoje o piso equivale a R$ 1,6 mil.
À época do descumprimento da lei, o município era administrado pelo prefeito Wanderlei Farias (PR), porém, a responsabilidade caberá ao atual, Roberto Farias (PSD), com quem o Sintep trava uma batalha jurídica pelo pagamento do piso desde o ano passado.
O secretário de Educação, Albérico Rocha Lima, informou que ainda não tem conhecimento da decisão do TCE, mas adiantou que o município paga o piso nacional aos profissionais da educação básica desde as alterações no Plano de Cargos da categoria, que desmembrou técnicos e professores, e consequentemente, o coeficiente de reajuste salarial.
“Vou tomar ciência da medida do TCE para saber do impacto que município poderá sofrer, mas posso adiantar que nenhum professor recebe hoje menos do que o piso”, disse, informando que levará ao conhecimento do setor competente a determinação do órgão fiscalizador.
 O RDNews não conseguiu contato com o presidente do Sintep, professor Omar Cirino, para falar sobre a determinação do TCE. (Com assessoria)
http://www.rdnews.com.br/municipios/prefeitura-tera-que-pagar-retroativo-de-professores-por-descumprir-piso/56567

Cai 9% o número de matriculados em escolas públicas no Brasil

A escola pública encolheu. A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD-2013) mostra que 76,5% dos estudantes estavam matriculados em alguma instituição pública. No ano anterior, a proporção era de 77,4% dos estudantes. Em um ano, foram 445 mil alunos a menos. Nesse período, os estudantes da rede particular passaram de 12,1 milhões para 12,6 milhões.
A redução de matrículas na escola pública tem se mostrado uma tendência - nos anos de 2004 e 2005, 80,9% dos estudantes brasileiros estudavam em instituições municipais, federais ou estaduais. A partir de 2006, essa proporção começa a cair.
"A PNAD reforça o que o Censo Escolar já vinha mostrando. Também encomendamos estudo à Fundação Getúlio Vargas que mostra essa migração da escola pública para a particular nos segmentos da educação infantil e no ensino fundamental.
O ensino médio está estagnado", afirma o diretor da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares), Antônio Eugênio Cunha. Ele aponta a ascensão da classe C como uma das causas para essa migração. "O poder aquisitivo melhorou, consequentemente as pessoas querem qualidade do serviço. E a educação é fundamental".
Em 2013, a Região Centro-Oeste era a que tinha a maior proporção de alunos matriculados em escolas pagas, 27,3%. O Sudeste vem em segundo lugar, com 26,3%; seguido de Sul (24,2%); Nordeste (21,8%); e Norte (14,6%).
O Grupo Educacional Alub, voltado para a classe C, com onze unidades em Goiás e Brasília, é exemplo dessa migração - saltou de 5 mil alunos em 2013 para 11 mil, este ano. "Esse fenômeno tem duas causas: o aumento do poder aquisitivo de uma parcela da população que agora ganha entre R$ 3 mil e R$ 4 mil; e a falta de escolas públicas nos novos bairros", afirma Alexandre Crispi, diretor do Grupo Alub.
"A classe C já não consegue se manter nos centros, onde estão as escolas, e vai para esses novos bairros, que não chegam a formar uma periferia. São áreas verticalizadas, com condomínios com serviços, mas onde a escola pública não chegou".
Crispi sugere a criação de um Prouni para os ensinos fundamental e médio. Ele se refere ao programa do governo que dá bolsas integrais ou parciais para a educação superior em instituições privadas. "A escola particular está recebendo mais de 300 mil alunos por ano. É uma demanda grande, que Estados e municípios não conseguem suprir", afirmou.
A coordenadora do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, ressalta que os dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado no início do mês, e que apontam para uma queda da qualidade na educação particular, são um sinal de alerta.
"A qualidade percebida pelos pais na escola particular é almejada e, na medida em que as condições econômicas permitem, eles fazem essa migração. Mas o indicador de que a qualidade da escola particular caiu é preocupante. Essa expectativa não se cumpre", afirma.
Para Alejandra, a saída dos alunos com melhor condição econômica é prejudicial para o ensino público. "O ideal seria o contrário. A escola pública melhoraria muito se a classe média trouxesse seus filhos. Numa discussão mais ampla, não tem bala de prata na educação: a melhora passa pela execução do Plano Nacional de Educação, melhorar a infraestrutura, investir na formação de professores, oferecer condições de trabalho".
Antônio Eugênio Cunha, da Fenep, diz que a "grande preocupação" da escola particular é manter a qualidade. "Recebemos alunos com algumas defasagem, que enfrentaram greves, que não tiveram professores de algumas matérias. Fazemos a adequação ao longo do ano. Não é imediato".
http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2014/09/18/cai-9-numero-de-matriculados-em-escolas-publicas.htm

Feudo no Conselho Estadual de Educação

Notícia do Diário de Cuiabá


Feudo 

O Conselho Estadual de Educação vem sendo controlado pelo PT, que manda e desmanda no órgão. Fontes da coluna dizem que várias irregularidades ocorrem por lá. 

Feudo 2 

Entre as denúncias está o processo de escolha do conselho, no qual os petistas estariam manobrando para que apenas aliados consigam assento. 


http://www.diariodecuiaba.com.br/indice.php?assunto=CBAU

O futuro já chegou



Escrito por Fábio Torres
A inserção de novas tecnologias em sala de aula é constante. A cada mês, semana ou dia, ferramentas inéditas surgem para modificar ou incrementar a forma de ensinar as crianças e os jovens. Um desses novos aparatos tecnológicos que surgiram nos últimos anos foi a carteira eletrônica, que nada mais é do que a carteira tradicional em que os alunos se sentam, mas com um computador embutido. A CPU, ou unidade central de processamento, fica onde é o tampo da carteira, com o monitor acima.
Esse equipamento, graças ao Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, localizado em Campinas (SP), já faz parte do cotidiano dos alunos da rede municipal de ensino das cidades de Serrana (SP) e de Porto Murtinho (MS). “A ideia surgiu a partir da ênfase dada pelo governo federal em educação, a partir de 2004. Houve grande envolvimento das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com projetos de inclusão digital e social, que estimularam o emprego de tecnologias do CTI Renato Archer para a área de educação”, explica Victor Mammana, diretor do CTI. E prossegue: “Do ponto de vista tecnológico, a carteira tem como base o Br Tablet, que é um dispositivo de interação com computador criado no CTI no período entre as décadas de 1980 e 1990, cuja patente nos foi concedida nos Estados Unidos em 2005. Esse dispositivo é baseado em uma patente de deposição de filmes finos transparentes, obtida pela professora Alaide Mammana em 1980”.
 Por ser voltada exclusivamente para a educação, Mammana acredita que a carteira eletrônica é uma ferramenta fundamental para estimular a inclusão digital dos estudantes, independentemente de sua idade. “A carteira é uma forma de implantar o computador na escola, obedecendo a critérios de conforto e segurança que não estão presentes no uso de laptops. Fizemos também estudos ergonômicos e de qualificação”, relata. Como o dispositivo é conectado à internet por meio de conexão wi-fi (sem fio) e conta com uma tela sensível ao toque, as possibilidades de atividades são imensas, e cabe ao professor soltar sua criatividade e fazer as atividades que deseja com a carteira eletrônica. Como qualquer equipamento eletrônico, as carteiras necessitam de um cuidado grande, mas Mammana não demonstra preocupações. “Devem ser tomados os mesmos cuidados relacionados a carteiras comuns, mas no geral são equipamentos bem robustos”, afirma o diretor do CTI.
Aplicação
O dispositivo atualmente se encontra presente na forma de um programa piloto nas cidades de Serrana (SP), que conta com 160 carteiras eletrônicas, e Porto Murtinho (MS), que tem outras 30 carteiras. Para Mammana, a aplicação dos dispositivos na prática é o ponto alto de toda a trajetória da carteira eletrônica. “Em geral, as carteiras são muito bem recebidas, porque oferecem uma experiência muito mais confortável de interação com o computador. Quando essas carteiras foram concebidas, ainda não se falava em tabletsna escola, portanto elas traziam uma grande inovação”, relata o diretor. A presença dos tablets, aliás, não é vista por Mammana como algo que impeça a utilização das carteiras eletrônicas, mas sim uma boa alternativa para novas atividades práticas que envolvam os dois equipamentos. “Com a chegada dostablets, como iPad e outros, é possível imaginar a integração das carteiras com esses dispositivos, garantindo um conceito bring your own device [em português, “traga seu próprio dispositivo”], combinado com o conforto de grandes áreas de interação visual para os estudantes”, diz Mammana.
Ainda de acordo com o diretor, o projeto da carteira eletrônica deu origem a uma lousa digital de baixo custo e a um tablet com uma tecnologia tátil chamada haptics, que permite que deficientes visuais possam utilizar o dispositivo. Além disso, ele revela que já existem outros dispositivos sendo planejados para auxiliar no processo ensino-aprendizagem dos estudantes brasileiros. “O CTI Renato Archer está bastante envolvido com o desenvolvimento de tecnologias educacionais, principalmente relacionadas às tecnologias assistivas (para remoção de barreiras do ambiente para as pessoas com deficiência). Além disso, o CTI Renato Archer atua com robótica pedagógica e projetos educacionais para a comunidade”, elenca o diretor.
+Para ver
No canal do YouTube www.youtube.com/latindisplay, é possível conferir alguns vídeos sobre as tecnologias educacionais criadas no CTI Renato Archer, tais como a carteira eletrônica e o tablet comhaptics.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/ferramentas-digitais/960-o-futuro-ja-chegou

Construção de creche está parada em Cuiabá

Secretaria de Educação disse que empresa não deu conta do serviço.
Creche está sendo construída no Bairro Real Parque para 240 crianças.




Empresa rompeu contrato e nova licitação foi feita (Foto: Luiz Rodrigues/Arquivo Pessoal)


A construção de uma creche com capacidade para atender 240 crianças, no Bairro Real Parque, em Cuiabá, está parada. Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), a empresa responsável pela obra não conseguiu dar continuidade aos trabalhos e rompeu o contrato. Ainda de acordo com o órgão, um novo processo licitatório está em andamento e outra empresa já foi escolhida, porém, o contrato ainda não foi assinado.

Segundo o internauta Luiz Rodrigues, que mora na região há 17 anos, a obra está parada há pelo menos um ano. “Faz mais ou menos um ano que estão sem mexer na creche, está tudo parado”, afirmou. A secretaria não soube informar quando a obra foi iniciada, nem qual seria o prazo de entrega da creche. Também não informou quanto da obra foi concluído pela primeira empresa.
O processo de licitação deve ser concluído em um mês, momento em que um novo contrato deverá ser assinado com novos prazos para a entrega da creche. A partir disso, a obra deverá ser retomada.
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/09/morador-reclama-sobre-construcao-de-creche-que-esta-parada-em-cuiaba.html

EMEB 12 de Outubro: Projeto cultural transforma praça no centro de Cuiabá em sala de aula

Crianças ouviram histórias em um 'piquenique cultural' na capital.
Nesta quinta (18), aula diferente será no Parque Mãe Bonifácia.

Do G1 MT

Trinta alunos da Escola Municipal 12 de Outubro, de Cuiabá, tiveram uma aula diferente na Praça Clóvis Cardoso, na região central da capital. Os estudantes, com idade entre seis e nove anos, deixaram a sala de aula da escola localizada no Bairro Itamaraty e participaram de um piquenique cultural com contação de histórias e visita a uma biblioteca móvel. A ação realizada na terça-feira (16) faz parte do projeto Contos do Mato, que pretende levar cultura de forma lúdica aos estudantes. Nesta quinta (18), a partir das 13h, outro grupo de estudantes deve participar do piquenique cultural no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá.
Essa programação antecede o II Encontro Nacional de Contadores de História, que será realizado no início de outubro no Sesc Arsenal. Na primeira edição realizada em setembro de 2012, o encontro reuniu um público de aproximadamente 2 mil pessoas. A idealizadora do projeto, Alicce Oliveira, conta que tudo começou como um sonho, com o desejo de contar histórias. Alicce Oliveira exerce há mais de 20 anos essa profissão.
“Foram cinco anos para o sonho se tornar realidade. Eu sempre acompanhava projetos semelhante ao nosso em outros estados e pensei: por que não aqui em Cuiabá? Apresentamos esse projeto, que recebeu incentivo do Programa de Ações Culturais (Proac) da Secretaria Estadual de Cultura. A meta é, na próxima edição, estender essa programação para o interior do estado, despertando novos profissionais para a contação de história e aproximando esse mundo mágico das crianças", comenta Alicce Oliveira, que utiliza sons, imagens e brinquedos lúdicos para atrair a atenção das crianças.
Para a professora Simone Nunes da Silva, esse contato externo dos estudantes é importante para a formação do aluno. “Hoje, com o avanço da tecnologia, está cada vez mais difícil fazer os alunos terem prazer na leitura. Ações como essa ajudam a despertar o interesse pela literatura, facilitando assim nosso trabalho da sala de aula”, finaliza.
Durante o mês de setembro, o piquenique cultural foi realizado em seis locais diferentes, como a Praça Alencastro e o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O II Encontro Nacional de Contadores de Histórias será realizado de 1º a 3 de outubro, sendo dois primeiros dias no Sesc Arsenal e o último será um piquenique em diversos pontos da cidade.
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/09/projeto-cultural-transforma-praca-no-centro-de-cuiaba-em-sala-de-aula.html

Unemat oferece mestrado em Linguística

Foi publicado o edital para ingresso no Programa de pós-graduação em Linguística (PPGL), turma de 2015, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Cáceres. As inscrições para concorrer às 20 vagas foram abertas no dia 19 de agosto e serão encerradas em 31 de outubro de 2014.
As vagas do Mestrado Acadêmico são ofertadas com duas linhas de pesquisa. “Descrição e análise de línguas, instituição e ensino” e “Estudos e análise dos processos discursivos e semânticos” em conformidade com as exigências do regulamento do PPGL.
Quanto à inscrição, os candidatos deverão encaminhar a documentação via Sedex, conforme edital, ou se inscreverem diretamente na Secretaria da PPGL, no Centro de Pesquisa e pós-Graduação em Linguagem, no Bloco II, no Campus Cidade Universitária, na Avenida Santos Dumont, s/nº, no bairro DNER, em Cáceres.
Os candidatos passarão por prova escrita, avaliação de projeto de pesquisa, entrevista e teste de proficiência em língua estrangeira. A prova escrita será realizada no dia 17 de novembro. Todas as etapas de seleção serão realizadas na Unemat em Cáceres.
As entrevistas acontecerão nos dias 19 e 20 de novembro. O resultado final será publicado a partir do dia 02 de dezembro. Para mais Informações, consulte o Edital nº 001/2014-PPGL.
http://www.novoportal.unemat.br/index.php?pg=noticia/8966

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Salários e infraestrutura agravam falta de professores no ensino público

José Marcelino de Rezende Pinto

José Marcelino de Rezende Pinto

Especial para o UOL
Que faltam professores nas escolas brasileiras ninguém duvida. Basta fazer uma pesquisa sobre o tema na internet, ou simplesmente visitar uma escola. E frente a essa constatação, liberou-se a criação de cursos de formação de professores no Brasil, as chamadas licenciaturas.
A título de exemplo, em 2008 foram oferecidas 637 mil vagas em cursos presenciais de licenciatura e mais de um milhão em cursos a distância. Ou seja, se todas essas vagas fossem preenchidas (ainda bem que não são) e se todos os ingressantes concluíssem o curso, dali a cerca de quatro anos o país teria 1,7 milhão de novos professores formados em um único ano! E isso se repetiria ano após ano.
Ora, considerando que em 2009 existiam cerca de 1,9 milhão de professores em atividade, e que para se aposentar um professor deve trabalhar de 25 a 30 anos, vê-se o despropósito que virou a formação de professores no país. Contudo, é importante ver os professores que efetivamente concluem seus cursos e em que áreas, pois há grande variação entre as mesmas.
Assim, foi construída a Tabela 1 (veja abaixo), que estima uma demanda de professores - tendo por base a matrícula, a razão de alunos por turma e a distribuição da jornada escolar pelas diferentes disciplinas - e a compara com os professores formados em um período de 20 anos e que, portanto, estariam disponíveis para a docência.
De nada adianta formar bons licenciados se os mesmos se recusam a ingressar no magistério, ou se rapidamente o abandonamJosé Marcelino de Rezende Pinto, professor, sobre a necessidade de tornar a docência mais atrativa
Comparando a demanda com os formados, é possível observar o excesso de oferta em boa parte dos componentes curriculares. Somente em três áreas parecem existir problemas: língua estrangeira, ciências e física.
Com relação à primeira, pode-se supor que decorre mais de algum problema de contabilização, pois boa parte dos estudantes de letras, que se forma em língua portuguesa, costuma também obter habilitação em uma língua estrangeira. Logo, se um décimo dos licenciados em língua portuguesa possuírem uma habilitação em língua estrangeira o problema desaparece.
Algo análogo ocorre com ciências, pois licenciados em biologia (com um excedente de 176 mil professores em relação à demanda), de química e de física podem ministrar essa disciplina. Resta, portanto, como único deficit real aquele que se refere aos professores de física, de cerca de 8 mil professores.
No entanto, se além de olharmos para os concluintes, que representam os profissionais efetivamente disponíveis para lecionar, fizermos uma análise das vagas oferecidas apenas em instituições públicas com educação superior, e em um período de dez anos (Tabela 2 - abaixo), o que se constata é um potencial absolutamente suficiente para que essa rede, de reconhecida qualidade, atenda toda a demanda de professores do país.
Divulgação/ José Marcelino R. Pinto
Com base nos dados apresentados, a principal conclusão que se pode tirar é a de que o Brasil já possui uma oferta de vagas mais do que suficiente para atender as necessidades de professores, mesmo em áreas como química e física. Mais do que estimular a criação de novos cursos através de subsídios ao setor privado, como Prouni e Fies, caberia ao MEC priorizar as licenciaturas já existentes nas instituições públicas, melhorando suas condições de oferta e criando estímulos para que os ingressantes concluam sua formação.
Contudo, é evidente tratar-se de uma solução pela metade, pois de nada adianta formar bons licenciados se os mesmos se recusam a ingressar no magistério, ou se nele ingressam e rapidamente o abandonam. Assim, para fazer com que os melhores alunos do ensino médio priorizem o ingresso nas licenciaturas e, formados, optem pelo exercício da docência na educação básica é necessário tornar a profissão atrativa.
Essa tarefa passa por três coisas: 1º) Salário. Um professor formado em nível superior e que atua nas séries finais do ensino fundamental ganha menos que um policial militar, um caixa de banco ou um corretor de imóveis, que são ocupações que não exigem um diploma de nível superior; 2º) É fundamental estabelecer um vínculo de dedicação exclusiva entre o professor e apenas uma escola, para que ali ele possa desenvolver seus vínculos com os colegas e com a comunidade; 3º) Escola não pode ser apenas "cuspe e giz", escola sem biblioteca, sem laboratório que funciona, sem fanfarra, sem quadra aberta no recreio, sem jardim bonito, sem árvore com sombra, não é escola, é cadeia. E ninguém merece lecionar ou estudar em cadeia.
O Brasil aprovou o Plano Nacional de Educação que prevê dobrar os gastos com educação em um período de dez anos. O passo decisivo, feito por países como Finlândia e Coreia do Sul, foi transformar a profissão de docente em prioridade nacional. É uma boa hora para começar. Vagas e futuros bons professores não faltam.
http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/09/17/salarios-e-infraestrutura-agravam-falta-de-professores-no-ensino-publico.htm

Professores surdos participam de capacitação na Gramática em Libras

Mais de 20 professores e instrutores surdos das escolas de Cuiabá e Várzea Grande participam durante toda a semana (15 a 19.09), na Escola Estadual Professor Antônio Cesário de Figueiredo Neto, de uma Formação Continuada para a Gramática em Libras. A capacitação em forma de Grupo de Trabalho é desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e visa fortalecer o ensino das Libras principalmente voltado à Gramática.
Os técnicos da Gerência de Educação Especial da Seduc, Luzinete Almeida Campos de Siveira e Riguel Brum, ressaltam a importância da formação, principalmente para os novos professores. Luzinete explica que trabalhos como este são desenvolvidos há onze anos pela Seduc. A ideia é que estes professores cursistas realizem formações com os professores ouvintes e os resultados sejam aplicados em sala de aula.
“Nosso objetivo é aprender gramática e repassar aos alunos. Ter uma absorção de conteúdo e disseminá-los, pois muitas escolas carecem de comunicação. Alguns professores tem pouco conhecimento no assunto e essa troca de experiência vai ajudar muito. Estávamos mesmo precisando deste aprofundamento em estudos, no Estado. Agora minha missão é aplicar o conteúdo em sala de aula e mostrar que a Gramática em Libras existe”, diz a professora cursista  Tamy Lessi.
A formação contou com a palestra do aluno de Letras/Libras, da Universidade Federal de Goiás, Paulo Henrique Pereira, que ministrou o tema “A referência dos surdos: gramática em Libras”. Paulo explica que a ideia é mostrar aos alunos o foco em Libras, que tem a sua própria gramática. “O objetivo é valorizar os conhecimentos e dar novos conhecimentos para os cursistas, de forma que eles progridam na ajuda aos alunos quanto ao ensino” diz.
O GT  da Seduc reúne a Superintendência de Diversidades Educacionais (Sude), Gerência de Educação Especial e Centro de Apoio e Suporte a Inclusão da Educação Especial (Casies).



ALINE MARQUES

Assessoria/Seduc-MT
http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14608&parent=20

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Proposição legislativa defende a federalização da educação básica no Brasil

Especialistas apontam brechas em projeto e defendem a aplicação do Plano Nacional de Educação

Os dados do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD , não negam: o Brasil ainda é um país muito desigual. O ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) apresentado no levantamento pode ser dividido em duas partes: da 1ª até a 11ª posição, onde ficam os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e do 12º lugar até o último, onde ficam os estados do Nordeste e Norte.
Essa disparidade entre estados pode ser sentida em todos os indicadores sociais, como, por exemplo, nos relacionados à educação. No Brasil, a média nacional da taxa de cobertura de creche é de 22,53%. O estado com melhor colocação nesse índice é Santa Catarina, com 39,23% das crianças de zero a três anos do estado matriculadas nessa etapa de ensino e, o pior, é o Amapá, com apenas 5,15%. Trata-se de uma diferença alarmante.
Além disso, no país, a média de alunos que abandonam o ensino médio antes de concluírem seus estudos é de 48,4%. O estado onde esse índice é mais baixo é São Paulo, com taxa de abandono de 32,9%, e o mais alto é Alagoas, com 67,4%.
Com o objetivo de diminuir as diferenças educacionais do país, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentou, em dezembro do ano passado, o PDS 460/2013, que prevê a realização de um plebiscito para consultar o eleitorado nacional sobre a transferência da responsabilidade do financiamento da educação básica para a União. O projeto tramita agora na Comissão de Assuntos Econômicos e aguarda o parecer da relatora, senadora Gleisi Hoffmann.
Cristovam Buarque defende a federalização da educação básica por entender que, apesar da maior parte da arrecadação tributária do país ser destinada à União, estados e municípios são responsáveis pela quase totalidade do financiamento da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio no Brasil.
Para o senador, toda criança tem o direito de ter acesso a uma escola que ofereça a mesma qualidade e recursos, independente da renda familiar ou do local onde mora. Mas, em sua opinião, é impossível conseguir essa igualdade deixando o investimento em educação aos cuidados de municípios e estados tão desiguais entre si.
De acordo com a publicação “Educação pública de qualidade: quanto custa esse direito?”, produzida pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, uma escola de qualidade precisa ter uma estrutura adequada, com salas de aulas suficientes para atender seus alunos de maneira adequada, bibliotecas com acervo de qualidade, quadra coberta, laboratório de informática, etc. Entretanto, essa não é a realidade de todas as escolas do país.
A fim de garantir que essa qualidade comum seja alcançada, Cristovam Buarque propõe a federalização da educação básica, que deve ser acompanhada da criação da Carreira Nacional do Magistério – com salário de R$ 9,5 mil para cada professor –, da construção de escolas bem equipadas e com infraestrutura moderna e da adoção da jornada de ensino integral. Para isso, o senador afirma que irá precisar de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 20 anos. Vale mencionar que a Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), prevê a destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação, ao final do decênio do vigente plano.
“A federalização serve para fazer com que a educação seja oferecida em todas as cidades com a mesma qualidade. Hoje, ao nascer, a criança recebe um carimbo com CEP da cidade e o CPF da família. Dependendo de onde nasce tem acesso a oportunidades distintas. Isso é uma injustiça”, diz o senador autor do projeto.
É importante destacar que, de acordo com o projeto do senador, a federalização deve ter descentralização gerencial. “Federalizar não significa centralizar. As escolas devem ter liberdade pedagógica. Além disso, é a escola que irá decidir como será aplicada a verba repassada por meio de um comitê gestor formado por diretores, professores e pais”, explica.
Entretanto, segundo o senador, apesar de propor uma grande melhoria na educação do Brasil, a proposta enfrenta muita resistência. “O maior desafio é convencer as pessoas de que o país precisa de uma revolução educacional e não apenas de uma melhora no sistema de ensino. As pessoas não aceitam com facilidade mudanças. Por mais claro que seja, é difícil convencer estados e municípios de que eles não têm capacidade de garantir a qualidade da educação e pagar um bom salário ao professor, convencer os sindicatos de que o modo como é garantida a estabilidade do educador precisa mudar”, conta Cristovam Buarque.
Especialistas apontam problemas para a aplicação da proposição legislativa
Uma das principais dificuldades apontadas por especialistas para a efetivação da proposta é o impacto que ela causará na capacidade de gestão da União.
“Uma coisa é administrar uma rede de escolas federais de educação básica hoje, com poucas centenas de unidades, outra é administrar milhares de escolas em um país com dimensões continentais. Isso irá impactar muito a capacidade de gestão do MEC [Ministério da Educação]”, afirma o deputado federal, Paulo Rubem Santiago (PDT-PE).
Para a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Rodrigues Repulho, outro impasse que a proposta pode criar é a dificuldade para a efetivação da participação popular. “Hoje com a gestão localizada nos municípios, os pais e as famílias podem falar com os gestores mais facilmente. Como faremos isso com a federalização? Na Região Norte, por exemplo, que é extensa, com rios e floresta, as pessoas terão que se deslocar para ter esse diálogo? Esse caminho fica muito mais difícil”, argumenta Repulho.
O deputado Paulo Rubem Santiago também enxerga essa possível dificuldade “Como será a participação popular nesse processo de federalização? Como será feito o controle social, a participação dos conselhos de escola, conselhos de educação?”, questiona o parlamentar.
Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a proposta do senador Cristovam Buarque é provocadora, mas possui pouca materialidade. “Penso que o caminho seja a União cumprir com o que a Constituição já diz sobre o regime de colaboração. O PNE, recentemente sancionado, constrói um instrumento para efetivar esse mecanismo: o CAQ [Custo Aluno-Qualidade]. Não vejo como abrir mão desse princípio em nome de uma tese”, explica.
Segundo o deputado Paulo Rubem, a proposta gera uma discussão importante, porém, ele afirma não ter uma adesão entusiasmada com o projeto. “A federalização não dialoga com o que a sociedade discutiu nesses últimos anos com o PNE. Foi realizada uma infinidade de audiências públicas sobre esse tema. Não podemos simplesmente desconsiderar o resultado de todo esse processo”, pondera o parlamentar.
A presidente da Undime acredita que a melhor estratégia para melhorar a educação no país seja a aplicação concreta do PNE. “O Plano aponta questões que são importantes e estratégicas para o Brasil garantir a qualidade da educação, principalmente no que diz respeito ao financiamento, com as propostas do CAQ e dos 10% do PIB para a área”, comenta Cleuza Repulho.
O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, por sua vez, afirma que o PNE não é uma lei milagrosa, mas dá conta de uma melhoria possível e apresenta metas para que o quadro educacional brasileiro melhore de maneira mais rápida. Por fim, Daniel Cara lembra que para que o PNE dê certo é preciso agora que todos realizem o controle social e exijam que os governantes, em todos os níveis da Federação, cumpram com as obrigações estabelecidas no Plano.
Autor: Fundação Abrinq
http://undime.org.br/proposicao-legislativa-defende-a-federalizacao-da-educacao-basica-no-brasil/

Festival estimula jovens a produzirem vídeos sobre direito à escola pública de qualidade


A terceira edição do Festival Imagens EMdiálogo está com inscrições abertas para os estudantes de Ensino Médio das escolas públicas de diversos países da América Latina, incluindo o Brasil.
Totalmente online, o Festival pretende estimular a autonomia dos jovens e fazer com que a produção audiovisual realizada nas escolas se torne um canal de comunicação para o diálogo sobre o direito à educação pública de qualidade.
O tema desta edição é “Uma escola sem muros”. Os vídeos inscritos devem durar no máximo cinco minutos (incluindo créditos) e podem ser de ficção, documentário, animação ou até mesmo experimental.
Não há limite de inscrição por estudante ou escola. A única exigência é que o aluno esteja matriculado no Ensino Médio de uma escola pública brasileira.
O festival é organizado pelo Portal Ensino Médio EMdiálogo. Segundo os organizadores, 60% da produção brasileira no último festival veio de cidades localizadas fora das regiões metropolitanas.
As inscrições devem ser feitas no site do Festival e estão abertas até o dia 1/10. Leia o regulamento do evento aqui.

Parceria com PM possibilita continuidade do Proerd em escolas municipais


Secom Cuiabá
O secretário de Educação de Cuiabá, Gilberto Figueiredo, recebeu nesta terça-feira (16) o coordenador estadual do Programa Educacional de Resistências às Drogas (Proerd), Coronel Jacques Lopes, para tratar da parceria que possibilita a continuidade do programa nas escolas da rede municipal neste segundo semestre.
As atividades do programa devem começar na próxima semana e vai atender cerca de dois mil alunos do 5º ano das escolas municipais. 
O Proerd é um programa criado pela Polícia Militar e desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Educação. A parceria já existe desde o ano de 2000 e trabalha ações de prevenção ao uso de drogas e as consequências que ela pode gerar para as famílias.
“É importante dar continuidade a essa parceria, pois o programa tem um papel fundamental na orientação aos alunos sobre os perigos das drogas. Esse é um programa que, aliado ao trabalho realizado pelos professores em sala de aula, tem dado ótimos resultados”, avaliou o secretário.
Na parceria, a Secretaria fica responsável em disponibilizar o material pedagógico, o uniforme (camisetas e bonés) e a cerimônia de formatura dos alunos. Já a PM disponibilizará oito policiais, que serão os monitores do programa. “Este é um programa que dá bons resultados e com um custo baixo para os municípios”, observou o coronel. 
Conforme explicou a secretária-adjunta de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, a diretoria de Ensino está fazendo um levantamento para determinar quais as escolas serão beneficiadas neste segundo semestre. “Usamos como referência o perfil socioeconômico dos alunos e aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social”.
A cabo da PM, Ana Paula Souza, membro da coordenação estadual do Proerd, explicou que o trabalho é realizado em um período de três meses, divididos em 10 encontros. Nesse período os alunos assistem a palestras e participam de atividades educacionais que visam orientá-los dos perigos e consequências do uso das drogas.
http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/parceria-com-pm-possibilita-continuidade-do-proerd-em-escolas-municipais/9557

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...