quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Aluna de Cáceres é vendedora do Projeto Jovem Senador 2014

O resultado do concurso de redação do Projeto Jovem Senador 2014, foi anunciado nesta terça-feira, (07/10), pelo presidente da comissão coordenadora do projeto, senador Paulo Davim (PV-RN), o primeiro-vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) e a diretora-geral adjunta da Casa, Ilana Trombka.
Os finalistas do Jovem Senador passam por várias etapas de avaliação antes de serem selecionados para a fase final do projeto. A partir da definição do tema para as redações (que ocorre na cerimônia de premiação da edição anterior), os inscritos entregam seus textos para suas escolas, que as encaminham para as respectivas secretarias estaduais de Educação. Cada secretaria seleciona três textos, que são enviados para a comissão julgadora do Senado.

A comissão é composta por servidores da própria Casa e por representantes do Ministério da Educação (MEC) e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). É esse colegiado que escolhe e ranqueia os 27 escolhidos – um de cada unidade da federação. Os finalistas são selecionados entre os 103,6 mil inscritos desta edição do projeto. O Projeto Jovem Senador é aberto a estudantes do ensino médio das redes públicas estaduais com até 19 anos de idade.
Neste ano, três alunas estão entre as primeiras colocadas do concurso. O tema deste ano foi “Se eu fosse senador...”. Nathalia Lima Janones, da cidade de Cáceres, no Mato Grosso, foi a grande vencedora. Sua redação, intitulada “Uma educação que transforma”, foi escolhida como a melhor pela comissão julgadora. O segundo lugar ficou com Ana Paula Schwengber, de Buritis (RO), que concorreu com a redação “Honra e honestidade”. Em terceiro ficou Maria Jéssica Silva de Almeida, de Surubim (PE), autora de “Lei boa é lei cumprida”.
Carla Fonseca, que representa o Consed na comissão desde a edição passada do Jovem Senador, elogiou o nível das redações recebidas este ano. “É comum termos uma variação na qualidade dos textos que chegam para a gente, mas estavam todas muito niveladas. Foi difícil escolher as melhores”, reconheceu ela.
Na etapa final, os finalistas virão a Brasília, entre os dias 17 e 21 de novembro, para a cerimônia de premiação e a simulação de um mandato de senador, com apresentação de proposições, eleição de Mesa Diretora, debates e votações. Os projetos idealizados pelos estudantes serão encaminhados à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde poderão ser transformados em projetos de lei, que passará a ser analisado pelos senadores seguindo os trâmites normais do processo legislativo.
O concurso é a primeira etapa do programa Senado Jovem Brasileiro, em que toda a rede pública estadual de ensino é convidada a participar. A seleção começa nas escolas, que orientam os alunos a produzir a redação, escolhem a melhor e a encaminham para a respectiva secretaria de Educação — responsável pela seleção final no estado.

Estão entre os finalistas de cada unidade da federação: Maria Caroline da Silva Wiciuk, do Acre; Taíse Lima dos Santos, de Alagoas; Lucas Rocha de Melo, do Amapá; Nataly Gonzaga Prestes, do Amazonas; Claudinéia Costa Oliveira, da Bahia; Jorge Tadeu Torres, do Ceará; Noemi Tavares Martins, do Distrito Federal; Juliana Prudêncio de Souza, do Espírito Santo; Jaqueline Ferreira da Silva, de Goiás; Élide Andressa de Andrade Rodrigues Severo, do Maranhão; Nathalia Lima Janones, do Mato Grosso e 1ª colocada; Carlos Henrique dos Santos Justino, do Mato Grosso do Sul; Anna Rita de Cascia Carvalho Barbosa, de Minas Gerais; Maria Cristiane Andrade, do Paraná; Kaique Porto Almeida, da Paraíba; Raquel Iara Lavareda Jamacarú, do Pará, Maria Jéssica Silva de Almeida, de Pernambuco e 3ª colocada; Leiliane Gomes da Silva, do Piauí; José Patrocínio Dantas Neto, do Rio Grande do Norte; Renata Brautigam Marques, do Rio Grande do Sul; Mateus Valle Sottani de Souza, do Rio de Janeiro; Ana Paula Schwengber, de Rondônia e 2ª colocada; Bruna Silva Figueira de Souza, de Roraima; Suyanne Paula Schwade Girotto, de Santa Catarina; Ricardo Ruan Rocha Santana, do Sergipe; Gabriel de Paula Campos, de São Paulo e Ana Paula Mendes de Oliveira, de Tocantins.
Sobre o Concurso:
São convidados a participar todos os alunos do 2º e do 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas estaduais e do Distrito Federal, com idade de 16 a 19 anos. Os 27 finalistas no Concurso de Redação são automaticamente selecionados para participar do Projeto Jovem Senador e terão a oportunidade de simular, em Brasília, a atuação dos Senadores da República, vivenciando o processo de discussão e elaboração das leis do nosso País.
Além disso, os finalistas serão premiados com notebook, medalha, certificado e publicação da sua redação no livreto produzido pelo Senado Federal. As escolas dos alunos classificados nos três primeiros lugares na etapa nacional receberão computadores (desktops), publicações técnicas e multimídia produzidas pelo Senado Federal e certificado de participação.
Texto com informações da Agência Senado*

Aptidão para o ensino surgiu cedo, revela professor do DF


Há 20 anos no magistério, com atuação em duas escolas do Distrito Federal, o professor Alessandro Santana Reis diz que trabalhar com educação é sua vocação e sua vida. “Não há nada que eu faça melhor e com mais satisfação do que ensinar. É o poder de transformar, de construir, de modificar positivamente as pessoas e a sociedade”, afirma.
Professor de biologia e de ciências naturais, ele explica que o gosto pela profissão começou cedo. Com muita facilidade para ensinar, costumava dar aulas aos primos e aos colegas de escola. O interesse pela biologia surgiu no primeiro ano do ensino médio, quando precisou estudar as matérias sozinho, por não ter bom professor. A paixão pela biologia aliou-se, então, à paixão pela docência. Teve, então, a certeza da escolha: “Seria um professor, com grande orgulho do papel que teria de desempenhar”, destaca.
Para ele, a educação é um processo dinâmico, no qual o professor e o aluno precisam interagir ativamente. “Devem ser momentos agradáveis, prazerosos, para os alunos e para mim”, diz. “Na medida do possível, respeitando as normas e seguindo o currículo vigente, minhas aulas são divertidas e participativas.”
Segundo Alessandro, a empolgação renova-se a cada aula, pois um assunto que não interessa a alguns pode ser extremamente atraente para outros. “Ao longo de uma manhã ou mesmo da semana, são feitos os vários ajustes necessários para compatibilizar disciplina, aprendizagem, conteúdo e satisfação”, analisa. “O desejo de aprender dos alunos é um propulsor superpotente.”
O professor costuma trabalhar com projetos nas duas instituições. “Na escola pública, o espaço curricular, denominado Parte Diversificada, permite que a escola selecione bons projetos e os execute”, salienta. Atualmente, ele trabalha com um projeto de educação sexual, que abrange todo o ano letivo e tem o objetivo de reduzir o número de jovens contaminados com doenças sexualmente transmissíveis (DST) e de adolescentes grávidas.
Realidades — Com graduação em ciências biológicas e especialização em educação, Alessandro trabalha nos três turnos. De manhã, leciona biologia no Centro Educacional Sigma, unidades Sul e Norte do Plano Piloto de Brasília. Nessa instituição também é coordenador de cadeira. Ele trabalha com alunos do terceiro ano do ensino médio que se preparam para o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para os vestibulares tradicionais. À tarde, dá aulas de ciências naturais a alunos da sétima série (oitavo ano) no Centro Educacional 4, do Guará, escola da rede pública do Distrito Federal, da qual é professor concursado. Nessa mesma escola, à noite, ocupa o cargo de supervisor pedagógico da educação de jovens e adultos (EJA).
Embora vivencie realidades distintas nas duas instituições, Alessandro considera o professor como o elemento mais importante no processo de ensino-aprendizagem. “A ausência de alguns recursos não impede o trabalho do professor, mas, exige muito mais dele”, avalia. O segredo para ser um bom professor, ressalta, é acreditar no poder transformador da educação e no potencial dos alunos, estudar, dedicar-se à profissão e trabalhar com amor. “Esses fatores, somados, são os eixos fundamentais para que um professor possa ser considerado um bom profissional.”
Fátima Schenini
Saiba mais no Jornal do Professor
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20835

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Undime reúne seu Conselho Nacional de Representantes

Foto: Undime
Começou na tarde desta quarta-feira (8) a reunião do Conselho Nacional de Representantes da Undime, em Brasília (DF). Representantes de todos os estados da federação participam do encontro que vai até sexta-feira (10).
A abertura foi marcada pela presença do Ministro da Educação, José Henrique Paim; a secretária de educação básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), Maria Beatriz Luce; o presidente do FNDE, Romeu Caputo e o presidente do Inep, Chico Soares.
A presidenta da Undime e Dirigente Municipal de Educação de São Bernardo do Campo/ SP, Cleuza Repulho, aproveitou a oportunidade para agradecer a parceria do MEC, principalmente no que diz respeito ao convênio estabelecido ainda em 2011 que possibilitou a realização de várias ações da Undime, entre elas o último Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, o qual reuniu mais de mil dirigentes de educação.
O Ministro da Educação ressaltou a iniciativa da Undime em discutir a Base Nacional Comum. Isso porque, na quinta-feira (9), será realizado o seminário “Base Nacional Comum em debate: desafios, perspectivas e expectativas”. Paim acredita que a discussão da Base Nacional Comum é necessária e essencial para que se possa reduzir as desigualdades. “Tenho muita esperança nessa discussão”, afirmou.
O seminário tem início amanhã, às 8h. Confira aqui a programação completa.

http://undime.org.br/comeca-a-reuniao-do-conselho-nacional-de-representantes-da-undime/

Distorção idade-série: "Na raiz do problema, está a alfabetização", diz Inês Miskalo, do Instituto Ayrton Senna

Quais são os danos da distorção idade-série? No mês de setembro, a revista Profissão Mestre trouxe uma matéria especial sobre o tema em suas páginas. Inês Miskalo, coordenadora da área de Educação do Instituto Ayrton Senna, colaborou com a publicação e falou sobre o papel das políticas públicas no assunto. 

"Não há metas de médio e longo prazos nem ações integradas que constituam uma política", afirmou Inês. "Em nossa história recente, observamos altos e baixos [no que se refere a políticas de aceleração do ensino]. No geral, as propostas de ajuste de fluxo escolar nunca surtiram os efeitos desejados em larga escala", completou. 

Os dados do Inep/QEdu indicam que a taxa de distorção idade-série, em 2013, passa de 15% nos primeiros anos do Ensino Fundamental para 28% nos finais, chegando a 30% no Ensino Médio. "Na raiz do problema, está a alfabetização", reforçou a coordenadora de Educação. 

Quer saber mais sobre o assunto? Confira a matéria completa no link abaixo: 

Como combater a distorção idade-série no Brasil

http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/home/noticias_interna.asp?cod_Noticia=726

Educação: mais eficiência e mais foco


O Brasil vem melhorando no campo da educação, mas numa velocidade aquém do desejável. A avaliação é do diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos. Em artigo exclusivo publicado no jornal Correio Braziliense, Ramos cita os principais destaques do relatório recentemente divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), chamado “Education on a Glance”, que trouxe alguns dados sobre a realidade da educação brasileira. 

O diretor menciona, por exemplo, que o gasto público total do País em educação avançou entre 2000 e 2011. Foi a nação cujo gasto mais cresceu entre todos os pesquisados, saltando de 3,5% para 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, ele cita que, ao olhar os números com base no custo por aluno, a situação se inverte. Segundo o texto, o Brasil gasta US$ 2.985, bem abaixo do que fazem os países da OCDE, que aplicam U$ 8.952 por aluno por ano. 

“Isso decorre, em grande parte, da baixa eficiência do sistema educacional; a reprovação, o abandono escolar e a distorção idade-série são muito elevados quando comparados com os dos países da OCDE”, avalia o diretor. 


Confira o artigo na íntegra: 

Educação: mais eficiência e mais foco 

O recente relatório Education at a Glance 2014: OECD Indicators traz informações relevantes sobre a estrutura, o financiamento e o desempenho de vários sistemas educacionais ao redor do mundo, incluindo o Brasil. 

Chama a atenção, no caso do Brasil, o crescimento do gasto público total em educação entre 2000 e 2011. Foi o país cujo gasto mais cresceu entre todos os pesquisados, saltando de 3,5% para 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso equivale a 19% do total de gasto público, bem acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foi de 13%. Por seu lado, olhando os números com base no custo por aluno, a situação se inverte. 

O Brasil gasta US$ 2.985, bem abaixo do que fazem os países da OCDE, que aplicam U$ 8.952 por aluno por ano. Com base na referência custo por aluno, o Brasil é o segundo que menos investe. Isso decorre, em grande parte, da baixa eficiência do sistema educacional; a reprovação, o abandono escolar e a distorção idade-série são muito elevados quando comparados com os dos países da OCDE. Não se pode também esquecer o baixo desempenho escolar dos alunos brasileiros quando comparado com o dos estudantes dos países da OCDE, levando-se em conta os resultados do Pisa. 

Fato que também chama a atenção é a redução gradual da diferença de investimento no aluno do ensino superior quando comparado com o do ensino fundamental. Hoje, o gasto por aluno do ensino superior é quatro vezes maior do que o praticado no ensino fundamental, mas a diferença já foi bem maior. Em 2000, a proporção era de 11 vezes! 

No que se refere às taxas de matrícula, o Brasil vem em parte fazendo o dever de casa, em particular na pré-escola, que inclui crianças de 4 e 5 anos de idade. De 2005 para 2012, a taxa das crianças de 4 anos cresceu de 37% para 61%, e a de 5 anos saltou de 63% para 83%. O problema é que, de acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve universalizar, até 2016, a oferta de matrículas na pré-escola. E, apesar do crescimento verificado, será muito difícil o país alcançar a universalização daqui a dois anos. A taxa de matrícula na pré-escola, em 2012, agregando as duas idades, é de 82,2%. Isso significa que, mal o PNE foi aprovado, o país já vai precisar rever a primeira das 20 metas do plano. 

Outra informação que nos chama a atenção é o grande impacto do fator educação no rendimento salarial dos trabalhadores quando comparado ao que ocorre nos países da OCDE. Por exemplo, os adultos com educação de nível superior ganham 2,5 vezes mais do que os que cursaram o nível médio; na OCDE, esse fator é de apenas 1,6. 

Ainda nesse contexto, o rendimento salarial dos brasileiros sem educação de nível médio é 42% menor que o dos que têm o diploma desse nível. Comparando os rendimentos salariais relativos a cada gênero no Brasil, as mulheres ganham, em média, 63% menos do que os homens de mesmo nível educacional. Na OCDE, o percentual é de 73%. 

Fica também evidente, no relatório da OCDE, quanto o país precisa avançar na internacionalização do ensino. O Brasil tem o menor percentual de alunos estrangeiros cursando suas universidades: menos de 0,5% do total de matrículas do ensino superior. E mais: desse pequeno contingente de estudantes estrangeiros, 27% vêm de países de língua portuguesa. Isso é resultado da baixíssima oferta, por parte das nossas universidades, de disciplinas e cursos em língua estrangeira, em especial a inglesa. 

Em resumo, o relatório mostra que, de fato, o Brasil vem melhorando no campo da educação, mas numa velocidade aquém do desejável. É preciso que os novos recursos aplicados nesse campo cheguem à escola, ou seja, sejam gastos com mais eficiência e mais foco.
http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna/home/noticias_interna.asp?cod_Noticia=728

Refletindo mais sobre o ambiente alfabetizador

Eduarda Diniz Mayrink, coordenadora pedagógica, e Leninha Ruiz, formadora 
na área de Educação Infantil
Há algumas semanas, escrevi um texto sobre a necessidade de retomar a questão da organização da sala de aula (leia aqui) com um professor muito comprometido, mas que havia feito uma assimilação deformante em relação ao alfabeto na sua sala. Foram muitos os comentários e sugestões bem bacanas, com todos os leitores se mostrando preocupados em sempre respeitar o profissional. Na ocasião, eu ainda estava preparando uma formação para trabalhar essa questão, então, hoje, quero compartilhar com vocês qual foi a estratégia que adotei.
Tenho como pressuposto que a formação do professor deve ser feita com base na reflexão sobre a prática e na dialética embasada em teorias e pesquisas didáticas. Portanto, planejei um encontro para tematizar a organização da sala e o ambiente alfabetizador em uso pelas crianças.
Criança consulta alfabeto localizado abaixo do quadro (Foto: Leninha Ruiz)
Criança consulta alfabeto localizado abaixo do quadro (Foto: Leninha Ruiz)
Selecionei uma filmagem de uma situação didática de escrita de listas (leia aqui o relato da atividade) que também mostrava uma parte considerável da sala de aula, que era bem organizada e tinha materiais que indicavam claramente quais projetos estavam acontecendo. Abaixo do quadro, havia um alfabeto com letras bastão e uma lista de números de 1 a 50 com 4 centímetros de altura. Ao lado, havia algumas parlendas e duas listas com os nomes das crianças das turmas da manhã e da tarde. Em um mural, existia uma listagem dos animais do fundo mar e algumas imagens de peixes, corais, tubarões e baleia (tais imagens não estavam ilustrando a lista). Em cada mesa, havia uma cartela pequena com o alfabeto para que os pequenos pudessem consultar.
Depois de assistir ao vídeo com o grupo de sete professores, propus a discussão em duplas e a posterior socialização das seguintes questões:
  1. Em que situação as crianças se reportam aos materiais escritos?
  2. Como elas utilizam esses materiais?
  3. Podemos afirmar que essa sala favorece a alfabetização? Por quê?
  4. Analise a organização e a disposição dos diferentes materiais escritos, apontando os pontos fortes e o que pode ser melhorado tendo em vista a estética, o sentido dos textos, o acesso e a visualização pelas crianças.
As respostas das duplas possibilitaram uma boa discussão sobre a disposição e altura dos textos, do alfabeto e até da reta numérica. Para vocês terem uma ideia do que os professores falaram, transcrevo aqui uma das respostas de uma dupla: “Muito interessante as parlendas estarem colocadas como se fossem cartazes, uma ao lado da outra. Assim, ficou mais fácil para os garotos procurarem uma palavra que pudesse ajudar na escrita e também deu para ver que eles sabiam o que estava escrito em cada cartaz. Aqui na escola, só escrevemos as poesias no quadro no dia que as apresentamos e deixamos escrito até precisarmos daquele espaço”.
Criança consulta lista de nomes afixada em uma das paredes da sala (Foto: Eick Mem)
Criança consulta lista de nomes afixada em uma das paredes da sala (Foto: Eick Mem)
Na filmagem, ficou visível que os pequenos precisam colocar a mão e apontar cada letra ou palavra – se os textos ou alfabeto ficam no alto, isso não é possível. Nessa hora, é claro que eu puxei o assunto sobre não ter ilustrações no alfabeto, porque se na letra C tem um desenho de cavalo, por exemplo, eu estou informando apenas uma das possibilidades de uso do C, o que pode levar a turma a associar o C sempre à sílaba CA. Além disso, queremos que as crianças utilizem um repertório amplo de escritas que são de uso real, como a listagem de títulos de histórias lidas. A criança sabe o que está escrito porque as histórias foram lidas para ela várias vezes. Pelo ajuste do falado ao escrito, ela, então, localiza onde está determinada palavra.
Após a socialização das respostas, coloquei o vídeo novamente e pedi que focassem na análise da organização e na estética da sala. A discussão foi bem produtiva e houve professor que disse fazer algumas “decorações” por achar que era seu dever enfeitar o ambiente, mas que, de fato, uma sala menos poluída visualmente lhe parecia mais agradável.
E o docente que inspirou essa formação? Ele participou da reflexão e fez uma análise comparativa da sala dele com a do vídeo, elencando algumas alterações que pretende fazer. Uma delas é a de disponibilizar pequenos alfabetos em cartelas para que as crianças possam manusear. Ele percebeu que esse material ajuda bastante as crianças na localização de determinada letra, por exemplo, algo que alfabeto no alto, com desenhos e muitos tipos de letra pode dificultar.
Acredito que poder refletir coletivamente à luz de um bom modelo é muito formativo para o grupo. E você, o que acha?
Um abraço, Leninha

http://gestaoescolar.abril.com.br/blogs/coordenadoras/2014/10/07/refletindo-mais-sobre-o-ambiente-alfabetizador/

Unemat prorroga inscrições para mestrado em Educação

O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Cáceres, divulgou o Edital Complementar Nº 001/2014, que prorroga até o dia 10 de outubro as inscrições do processo seletivo para a turma 2015 para ampla concorrência.
O Edital Nº 001/2014 – PPGEDU oferece 20 vagas para candidatos com qualquer nível superior. As vagas foram divididas em duas linhas de pesquisa: ‘Educação e diversidade’ e ‘Formação de professores, políticas e práticas pedagógicas’.
A prova escrita será realizada em 17 de novembro, no período matutino, e a entrevista entre os dias 17 e 19 do mesmo mês. O resultado final será divulgado no dia 5 de dezembro.
Os interessados em concorrer devem acessar o Edital Complementar Nº 001/2014 e o Edital Nº 001/2014 – PPGEDU, na página da PPGEDU.

http://www.novoportal.unemat.br/index.php?pg=noticia/9008

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Formadores e orientadores do PNAIC reúnem-se em Cuiabá


Mais de 320 orientadores das redes estadual e municipal de ensino participam do III Seminário do Pacto Nacional da Idade Certa. O encontro realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) será de 07 a 09 de outubro, no Hotel Fazenda Mato Grosso. Nessa etapa os 28 formadores trabalham com os orientadores as temáticas dos cadernos 5 e 6 do Pnaic ( Geometria e Grandeza de medidas).
A coordenadora do Ensino Fundamental pela Seduc, Aparecida de Paula, reforça que o objetivo do Pnaic é garantir a alfabetização das crianças até os oito anos com sucesso. Para isso, os 323 orientadores serão os multiplicadores da formação para mais de 1.400 professores alfabetizadores, que consequentemente fazem o trabalho com os estudantes. “Esta formação representa o fortalecimento da base fundamental no processo de alfabetização das crianças”, diz.
Em Mato Grosso, o Pnaic foi implantado em fevereiro de 2013. No ano passado o Pacto trabalhou com a formação para a área de Linguagens. Neste ano, a Matemática é temática da capacitação. O programa que é uma articulação entre Estado e municípios tem quatro áreas de atuação: formação de professores, fornecimento de material didático, avaliação e gestão. A ideia é que o conjunto desta atuação fortaleça as metodologias de ensino e garanta a alfabetização na idade certa.


ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT


http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14652&parent=20

Curta, compartilhe, colabore e... aprenda!



Escrito por Luciana Allan

“A educação tradicional pode ser extremamente solitária. O currículo é geralmente abstrato e irrelevante para a vida real. Os professores e alunos não estão habituados a se conectar com recursos e especialistas fora da sala de aula, e muitas escolas funcionam desconectadas de suas comunidades. Aprendizagem baseada em projetos, grupos de estudantes que trabalham cooperativamente, crianças em contato com especialistas apaixonados e métodos mais amplos de avaliação podem melhorar drasticamente a aprendizagem. As novas multimídias digitais e as telecomunicações podem apoiar essas práticas e envolver os alunos. E educadores bem preparados são essenciais”.
O texto acima é uma reflexão do cineasta George Lucas publicada no Edutopia, site da George Lucas Educational Foundation (GLEF), organização que reúne e divulga iniciativas inovadoras na educação, financia e desenvolve pesquisas, tecnologias e materiais com fins educacionais.
O incentivo ao aprendizado colaborativo está entre os muitos benefícios que a adoção das tecnologias digitais pode trazer para transformar a educação e quebrar os muros das escolas, enterrando de vez o ultrapassado modelo de um único mestre e estudantes enfileirados em carteiras, conformados com o mero papel de aprendizes. Ao concluir a universidade e ingressar no mercado de trabalho, o jovem encontra um ambiente corporativo onde é desafiado a trabalhar em rede, exigindo que tenha habilidades tecnológicas, além de conhecimentos técnicos.
Estudar com base na proposição de projetos em que vários estudantes desempenham funções colaborativas e cooperativas, nas quais têm mais aptidão, é uma evolução pedagógica que se tornará muito mais natural quando as escolas incentivarem – e não coibirem – os alunos a acessarem ferramentas tecnológicas já disponíveis para conectá-los em redes virtuais de aprendizagem.
Enquanto as escolas proíbem o uso do celular em sala de aula e os gestores ainda discutem como direcionar investimentos para a compra de equipamentos e a instalação de conexão em banda larga, os nativos digitais já estão o tempo todo conectados à internet por meio de seus próprios telefones, mesmo os mais simples, seja em casa, na rua, no shopping, em qualquer lugar e a qualquer hora. Só não estão na escola.
Isso não significa que ainda não tenham despertado para as funções pedagógicas que esses recursos disponibilizam. Eles usam o celular para fotografar, fazer vídeos, acessar as redes sociais, conversar com os amigos, marcar a próxima balada e adivinhem para o que mais? Estudar! Pouco a pouco, e independentemente da iniciativa dos professores, os alunos começam a acessar aplicativos e plataformas de estudo colaborativo que já estão disponíveis para esclarecer e ajudar a tirar dúvidas, desenvolver projetos, baixar materiais didáticos e conferir gabaritos.
Com o celular ou tablet nas mãos (ou mesmo sentados em frente ao PC), conversam e apoiam uns aos outros por meio do WhatsApp, acessam aulas on-line no Descomplica, leem livros no Google Books, consultam a Wikipédia, aprendem novas línguas de graça no Qranio, assistem a vídeos educativos noYouTube Edu, curtem e compartilham em comunidades no Facebook conteúdos relacionados com a matéria apresentada em sala de aula. É uma realidade que as escolas não podem mais ignorar, mas sim orientar para um uso adequado.
A escola inovadora deve preparar seus alunos para serem aprendizes por toda a vida, pessoas que ao se depararem com desafios intelectuais sejam capazes de interpretá-los e buscar respostas para superá-los. Nessa direção, não basta mais sabatinar os indivíduos e deixá-los isolados em ilhas de conhecimento. Mais que transmitir informação, os professores precisam se despir das vestes de “sabe tudo” para aprenderem com seus alunos e incentivá-los a compartilharem o que sabem com outros alunos, inclusive com outras escolas em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Bem-vindos à era do aprendizado em redes virtuais, sem hierarquias e que acontece de forma colaborativa!
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/colunistas-pm/luciana-allan/982-curta-compartilhe-colabore-e-aprenda

Creche Colomba Cacélia realiza olimpíada em comemoração ao Dia da Criança



Secom Cuiabá
Fotos: Jorge Pinho

Para comemorar o Dia das Crianças, celebrado no próximo dia 12 de outubro, a creche municipal Colomba Cacélia Lombardi Dorileo, no bairro Jardim Imperial, realiza durante toda esta semana a 5ª edição da Mini Olimpíada, que este ano tem como tema “Brincando eu também aprendo”. A abertura da olimpíada ocorreu nesta segunda-feira (06) e contou com a participação dos alunos, educadores e pais.

Pelo menos 100 alunos, com idade de 2 e 3 anos, participaram da abertura da olimpíada. Vestidos com camisetas nas cores primárias (verde, vermelho, azul e amarelo) os alunos percorreram as ruas do entorno da creche. “A caminhada é uma forma de divulgar para a comunidade o trabalho que é realizado na creche e trazer os pais para dentro da instituição”, explica a diretora da creche, Mara Marcia Gomes.

Segundo a diretora, a olimpíada inclui várias atividades recreativas, entre elas a dança das cadeiras, corrida do saco, dança da laranja, chute a gol, estoura balão, boca do palhaço, cabo de guerra, encher garrafa, dia da gelatina, boliche, assopra giz, atletismo, corrida de obstáculo, entre outras brincadeiras. 
“O objetivo da olimpíada é proporcionar aos alunos momentos de interação e aprendizado, estimulando o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social das crianças”, completa a diretora. 

Segundo a coordenadora da creche, Nirley Nilza Silva, os eventos promovidos pela creche são sempre prestigiados pelos pais. “Eles fazem questão de participar com os filhos em todos os momentos e isso ajuda no desenvolvimento afetivo e social deles”, avalia a coordenadora. 
Os pais da pequena Maria Cecília Oben, 2 anos, acompanharam a menina na caminhada. “Acho muito importante estar junto, participando, pois ela se sente mais segura com a nossa presença”, disse o pai da garota, o serralheiro Samuel de Oliveira Oben.
“Ela adora participar dessas atividades e eu acho importante porque ela interage com outras crianças e isso é muito importante para o desenvolvimento dela”, completou a mãe de Cecília, Daiane Silva.
O segurança Anderson Paulo de Oliveira, pai das gêmeas Iara Cristina e Yasmim Cristiane, de 3 anos, também fez questão de acompanhar as filhas. “Acredito que o nosso papel enquanto pai não é apenas trazer e deixar os filhos na creche, mas sim participar, conhecer e prestigiar o trabalho da instituição em que seus filhos estudam”, disse o segurança, elogiando o trabalho das profissionais da creche. “São pessoas atenciosas e muito dedicadas. Sei que posso trabalhar tranquilo deixando elas aqui”.
Na sexta-feira (10) será o encerramento do projeto, com a entrega de brinquedos e medalhas para as crianças. No mesmo dia será realizada uma confraternização para comemorar os aniversariantes do mês de outubro. 
http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/creche-colomba-cacelia-realiza-olimpiada-em-comemoracao-ao-dia-da-crianca/9661

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”; leia entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

POR THAÍS NICOLETI

Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.
O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009,  cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.
De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.
Depois da publicação do Vocabulário (e de uma errata com substituições, correções e aditamentos) e, sobretudo, depois de ser o corpus posto gratuitamente à disposição para consulta no site da ABL (www.academia.org.br), os ânimos se acalmaram e o processo de adaptação parecia seguir seu rumo.
Eis que a divulgação de uma proposta de ortografia fonética, que imporia grandes mudanças à ortografia vigente (em nada comparáveis à supressão de alguns acentos e à alteração nas regras do hífen), vem novamente trazer à tona o tema da ortografia.
Hoje quem conversa com o blog a respeito do assunto é o professor Deonísio da Silva,  que é membro da Academia Brasileira de Filologia, professor universitário, escritor e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo.
Respeitado nos círculos acadêmicos, Deonísio é também muito conhecido fora deles – e não é à toa, pois sua página de etimologia na revista “Caras” é sucesso há 20 anos. Além desse trabalho, Deonísio tem uma coluna na Rádio Bandnews Fluminense e vem publicando, ao longo de sua vida, títulos de grande interesse, entre os quais está o best-seller “De Onde Vêm as Palavras”, já na 17ª edição. É autor de  34 livros, em meio aos quais se destacam outras obras voltadas à etimologia (“A Vida Íntima das Frases” e “Palavras de Direito”) e os romances “Lotte & Zweig” (2012), baseado na vida do escritor, poeta e dramaturgo austríaco Stefan Zweig, “Teresa d’Avila” (1997) e “Avante, Soldados: para trás” (2005), romance que recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas, em júri presidido por nada menos que José Saramago – e o Nobel de Literatura não lhe poupou elogios.
Leia, a seguir, a entrevista com o professor Deonísio da Silva:
Thaís Nicoleti – O senhor esteve no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, realizado recentemente em Brasília (nos dias 10, 11 e 12 de setembro)?  portugues em pautaO senhor apresentou uma proposta de revisão do Acordo Ortográfico de 1990? Em que ela consiste?
Deonísio da Silva – Sim, estive no simpósio, que teve seu herói,  o escritor José Carlos Gentili, que do nada tirou aquele evento. Para fazer jus ao convite, preparei um “paper”. O título foi “A Extinção do Hífen”, mas não o apresentei porque notei certo enfado dos presentes com a repetição de questões de complexas sutilezas, cuja explicação é inútil, apesar da alta qualificação dos conferencistas.  Fiz, então, da etimologia a referência solar de minha intervenção, ilustrando com exemplos concretos o quanto perderíamos se adotássemos uma escrita fonética, de resto impossível de ser sequer formulada, quanto mais aplicada. Copo é copo, e leite é leite, mas “copo de leite” designa um copo com leite, porém “copo-de-leite” [com hifens] designa a açucena, uma planta ornamental. “Copo” e “leite” vieram ambos do latim, respectivamente de “cuppa” e de “lacte”; açucena veio do árabe “as-susana”, designando o que o grego conhecia por “leírion”, que deu “lilium” em latim e “lírio” em português. Essas questões etimológicas tornam-se ainda mais esclarecedoras no caso dos fármacos, em que a mudança de uma letra, não apenas da dosagem, pode designar remédio ou veneno. Além do mais, sou de Santa Catarina e lá se pronuncia “leite” de um modo diferente do que ouvi por longos anos no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo, estados onde morei por vários anos. E no Rio, onde vivo há 11 anos, a pronúncia tem outras variações. Minha crítica foi esta: o Acordo ouviu muito pouca gente! Não me refiro a plebiscitos, mas acredito que profissionais da língua, como aqueles que, como eu, a estudam e a explicam a alunos ou a leitores, devam ser ouvidos. Essa foi a minha proposta. Como é que pode o nosso amigo Evanildo Bechara ser o executor das medidas de emergência do Acordo? Ele é altamente qualificado, é uma honra ser colega dele na Academia Brasileira de Filologia, mas ele precisa consultar, por exemplo, os colegas das duas Academias: da ABL e da ABRAFIL! Pelo menos esses!
TN – Há alguma proposta de revisão do Acordo formalizada, além da sua, em condições de ser discutida no âmbito do Senado?
DS – Creio que ainda não, mas achei bom o Senado estar envolvido nisso.
TN – A quem caberá liderar essa discussão no Senado e como exatamente se definirão as novas regras, na hipótese de isso vir a acontecer? Há um conselho de pessoas especializadas?
DS – Se houver uma proposta, ela deverá ser formulada por quem entende do riscado. O brasileiro tem uma habilidade verbal impressionante, mas estuda pouco a sua língua. É bom que seus representantes no Senado examinem esta questão. Alguns dos que têm determinado como devemos escrever deveriam usar tornozeleiras eletrônicas para sabermos por onde andam e por que formulam tantas impropriedades. Não é o caso de Ernani Pimentel. Ele detectou certa hostilidade em minhas críticas, mas eu não critico pessoas. Critico instituições. E elas, apesar de conduzidas por pessoas, também moldam aqueles que as conduzem.
TN – A quem exatamente o senhor se refere?
DS –  Por exemplo: recentemente, o dinheiro público financiou uma edição de 600 mil exemplares de “O Alienista”, de Machado de Assis, em que, em vez de serem explicadas as palavras que ampliavam e melhoravam o vocabulário dos leitores, principalmente alunos, elas eram substituídas por outras, tidas por mais fáceis, resultando em edição falsificada de nosso maior escritor, paga com dinheiro público! Ora, todos sabemos que o autor é modelo de escrever bem.
TN – Novamente a ideia de que é preciso “simplificar” as coisas. Penso que seria mais produtivo ensinar mais e melhor, fomentar a leitura e despertar o interesse pela nossa literatura. Mas, ainda sobre as possíveis mudanças ortográficas, o senhor acredita que um GTT [grupo de trabalho técnico, criado pela Comissão de Educação do Senado] coordenado por alguém que está fora do meio acadêmico vai conseguir congregar professores e estudiosos das universidades para debater o tema?
DS – Não vai. O meio acadêmico trabalha sobre credenciais, vitae, competência, desempenho, aferidos trienalmente por suas publicações, palestras, conferências etc., de acordo com a Plataforma Lattes, do CNPQ.
TN – O senhor percebeu alguma intenção desse GTT de levar o debate aos especialistas que estão nas universidades? O Senado, ao criar o GTT, não deveria ter buscado a universidade?
DS - “Pau que nasce torto, nunca se endireita”, como diz o Melô do Tchan,  e “menina que requebra… mãe, pega na cabeça”. O GTT – ele existe? – começou mal e pode terminar pior. “Depois de nove meses você vê o resultado”. Vai nascer um monstrinho.
TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão?   
DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.
TN – O senhor acredita que haja intenção por parte da própria ABL de propor algum tipo de alteração no Acordo ou no Volp [Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa]?
DS – Eu me esforço para acreditar que haja, mas estou muito desconfiado de que não seja assim! Ademais, a ABL não é sequer a instituição mais indicada para fazer isso. Examinemos os “vitae” de cada um dos acadêmicos. Quem ali pode fazer isso? Poucos. Acho que há excluídos até mesmo no interior da ABL, quanto mais fora! Os responsáveis pelo Acordo não podem desprezar os centros universitários de excelência onde a língua portuguesa é pesquisada e ensinada.
TN – Que críticas o senhor faz ao texto do Acordo Ortográfico e/ou à interpretação que a ABL fez dele? 
DS – A principal é não terem consultado mais gente. “In medio virtus”, como ensinaram os sábios romanos. Não era necessário fazer plebiscito sobre os temas, mas tampouco era necessário tratar o Acordo como obra de “illuminati”. Ainda mais que pesam tantas controvérsias sobre se são tão “illuminati” assim.
TN – O senhor acredita que qualquer pessoa, independentemente da formação acadêmica, possa propor um novo sistema ortográfico?
DS – Não! Se eu não acreditasse na relação bunda-cadeira-hora, não teria estudado tanto! Quando um técnico de informática vem resolver um problema em meu computador, não lhe pergunto se ele sabe quais as mais de 21 mil palavras com hífen que sofreram alterações no português com o Acordo. E espero que ele não me pergunte se eu sei as sutis diferenças entre um “software” e um “hardware”. Dele espero que entenda de computador. Se as pessoas que inventaram computadores, celulares e “smartphones” escrevessem como seus usuários escrevem nesses utensílios, estaríamos na idade do “chip” lascado…
TN – Na sua avaliação, o Acordo Ortográfico de 1990 era necessário? Fazer a reforma desse Acordo vale a pena? 
DS – Se você está passando mal e não sabe o que tem, é melhor procurar um médico no qual confie. O português estava passando bem e, ainda assim, resolveram medicá-lo e, mais do que isso, submetê-lo a intervenções cirúrgicas dispensáveis. A verdade é que não precisávamos deste Acordo. Unificar modos de escrever, como fez o árabe, que tinha 14 grafias e agora tem uma apenas, para efeito internacional, respeitando a variação de cada país, tudo bem. Mas impor, não! Fala-se em Acordo com as outras nações lusófonas. Certo! Mas antes é preciso fazer o Acordo com os brasileiros. Esta proposta de refazê-lo é pior ainda. Este coelho não saiu do mato. Saiu de alguma cartola.
TN – O professor Ernani Pimentel, coordenador do GTT, apresenta em seu site uma proposta de ortografia fonética que chegou a ser divulgada por vários veículos de comunicação. Após a divulgação, as reportagens foram desmentidas pela Agência Senado, mas o desmentido foi baseado apenas no fato de que tal proposta não estaria “formalizada”. O senhor acha que os senadores que criaram o GTT conhecem, de fato, essa proposta? Cristóvão Buarque aparece no site do prof. Ernani Pimentel  ao lado de declaração favorável a ela.  
DS – Tenho grande apreço pelo senador Cristóvão Buarque, aliás, um bom romancista, mas esta parte de sua biografia é sempre esquecida. E sempre tenho  sido um defensor intransigente de  parlamentos, por piores que sejam, pois nos representam. Se o jabuti está no galho da árvore, alguém o pôs lá. Então, se são aqueles os nossos representantes, foi o povo quem os pôs lá. E livremente. Mas senadores podem ser enganados por espertos, por desavisados, por quem não tem maldade, mas prejudica mais do que se tivesse… Sem contar que os senadores não são santos. Enfim, todo cuidado é pouco quando se mexe no patrimônio público. E a língua é isso: um patrimônio do povo brasileiro.

http://thaisnicoleti.blogfolha.uol.com.br/2014/10/06/lingua-e-patrimonio-do-povo-brasileiro-leia-entrevista-com-o-filologo-deonisio-da-silva/

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Criatividade na matemática depende de experimentação

“Diálogo Brasil-Alemanha” mostra como professores precisam viver a matemática da sala de aula para tirar a desconfiança dos alunos

“O que torna a matemática muitas vezes chata é que dá a impressão que se trata da aplicação de fórmulas de maneira a ser memorizada”, disse Artur Ávila ao Porvir logo após a conquista da inédita Medalha Fields, prêmio popularmente conhecido como “Nobel da Matemática”. O pesquisador brasileiro vivia uma agenda lotada e, em breves palavras, comentou que o que afasta alunos da disciplina é o fato de que “não há espaço para a criatividade”.
Nesta quarta-feira, 1, o Centro Alemão de Ciência e Inovação reuniu especialistas para tratar desta questão no painel “Equações para uma matemática atraente”, parte da 3a edição do evento “Diálogo Brasil-Alemanha de ciência, pesquisa e inovação”, realizado na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo (SP).
Crédito: patpitchaya/Fotolia.comMatemática vida real

Para Marcelo Viana, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática e idealizador do Mestrado Profissional em Matemática Nacional, é necessária uma transformação profunda, desde a infraestrutura das escolas, passando pela melhoria no Português que permita melhor entendimento dos enunciados, até a formação dos professores. “Hoje, o professor se sente inseguro para sair do roteiro estabelecido e estimular a criatividade. Também ouço muitas críticas ao sistema, que exige cumprimento de programa pré-estabelecido em que o tempo para aplica-lo é muito curto. Então, não há margem de manobra”, diz Viana.
E como seria o mundo ideal? Viana explica que a matemática é uma disciplina considerada “complicada” porque é sequencial, “o aluno não aprende a multiplicar sem primeiro saber como somar. É uma ordem e, se você perde uma etapa, vira um tédio, um jogo abstrato sem sentido”. Ele defende a criação de ritmos diferenciados, que de um lado atenda os que estão com maior dificuldade e, de outro, não prenda um aluno talentoso por causa de um “nivelamento por baixo”.
Um outro ponto defendido por ele é que professores participem do jogo para conduzir a classe de um conceito concreto para a abstração. “A maioria dos professores da educação básica não está habilitada na área em que dá aula. Além disso, [nas faculdades] há um excesso de conteúdo muito avançado, de pedagogia, e muitos professores saem sem saber o que vão ensinar na sala de aula. Eles usam muito mais o que aprenderam na época em que estavam na escola”, completa.
Outras abordagens
Ricardo Karan, engenheiro licenciado em Matemática e atualmente em estágio pós-doutoral na Universidade Hamburgo, defende o conhecimento histórico de conceitos e o uso de sua relação com a física para estimular a aprendizagem da matemática. “Dizer que um carro está a 90 km/h ou a 25 m/s não é a mesma ideia. A previsão de que em um segundo eu vou me descolar 25 metros é mais razoável do que falar o que vai acontecer daqui uma hora”, exemplifica. “Quanto menor é o intervalo de tempo, melhor é a aproximação que você tem”.
Dentre as experiências da Alemanha levantadas no evento está a aproximação entre o futebol e a matemática trazida pela professora Susanne Prediger, que também é diretora do Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa na Educação em Matemática localizado em Dortmund. Ela conta que a principal missão para educadores de seu país está em despertar o interesse, e não descobrir talentos. “A Alemanha precisa de profissionais em eletrotécnica e no setor de máquinas, por isso temos melhorar o interesse de jovens entre 14 e 16 anos pela matemática”, diz.
Em junho, antes da Copa do Mundo, Susanne colocou seus alunos de 8a série em contato com porcentagem e estatísticas que, dependendo do contexto, poderiam revelar os favoritos a vencer o mundial. “Quando formulam afirmações, muitas vezes absurdas, eles vivenciam competências diferentes. E isso só funciona se tiver relevância”, conta.
Para ela, uma experiência que ajudaria a atrair mais estudantes seria contar mais para alunos pequenos sobre o dia a dia de matemáticos e mostrar como a disciplina é essencial em atividades como previsões meteorológicas, por exemplo. Susanne também diz que um dos desafios para professores e educadores é estudar de onde vem as barreiras no aprendizado. “Os que não entendem conteúdo na 5a série podem ter passado por algo na 2a série. Precisamos discutir de onde veio isso”.
http://porvir.org/porfazer/criatividade-na-matematica-depende-de-experimentacao/20141003

Veja as propostas de Pedro Taques para a educação


O Senador Pedro Taques foi eleito para governar Mato Grosso nos próximos 4 anos. 

Todo candidato deve apresentar suas propostas ao Tribunal Regional Eleitoral, antes do pleito. Essas ficam marcadas como sugestões, passíveis de mudanças, na medida em que se conhece os meandros da máquina administrativa. 

De qualquer forma é possível verificar algumas ideias do futuro governador na área da educação. 

Veja alguns compromissos: 

 Valorizar os profissionais e oferecer condições básicas nas unidades educacionais para que 
possam efetivamente realizar suas atividades. 

 Garantir os repasses constitucionais para a Educação.

 Estabelecer ações em conjunto com os municípios e instituições para ampliar a taxa de atendimento de jovens e adultos, visando reduzir as taxas de analfabetismo no estado.

 Focar ações para o Ensino Médio:
- Aumentar a oferta de vagas para uma cobertura integral da população-alvo.
- Reduzir os índices de evasão escolar.

 Promover a realização de Concursos Públicos, na medida das necessidades de regularização do vínculo dos profissionais da educação nos termos da legislação específica.

 Implantar programa de Avaliação Institucional Estadual Índice de Desenvolvimento da Educação em MT.


Para acessar a íntegra do documento, clique  AQUI

Falta 1,4 milhão de professores para atingir o ensino básico universal

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 
Necessário mais de 1,4 milhão docentes. Foto: Unesco/Antonio Fiorente

O mundo tem um défice de mais de 1,4 milhões de professores para alcançar a educação primária universal até 2015, o segundo dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODM.
Mais de 3,4 milhões do tipo de profissionais serão necessários até 2030, de acordo com o Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.
Oportunidades
No Dia Mundial do Professor, assinalado neste 5 de outubro, chefes de agências da ONU consideram urgente investir nas melhores oportunidades possíveis para milhões de crianças, jovens e adultos do mundo.
Um comunicado conjunto destaca que é uma prioridade capacitar os professores para que estes tenham sucesso. Entre os requisitos estão formação rigorosa, melhores condições de trabalho, treinamento com base na qualidade, desenvolvimento de carreira bem planeado.
A estes junta-se também a necessidade de atrair novos professores e novos talentos, especialmente jovens e mulheres de comunidades sub-representadas.
Resultado
A data é celebrada pelo 20º  ano, com um pedido de um  ensino inovador, inclusivo e focado em resultados para o período pós-2015.  A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, subscreve a declaração juntamente com o diretor geral da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Guy Ryder.
São também assinantes o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef,  Anthony Lake, A administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Helen Clark e o secretário-geral da Internacional da Educação, Fred van Leeuwen, que representa organizações de professores em todo o mundo.
Progresso
De acordo com a Unesco, a escassez global de professores pressionou muitos países para a contratar educadores com pouca ou nenhuma formação. O facto comprometeu o progresso da educação de inúmeras crianças em idade escolar em todo o mundo.
O consenso é que está-se oerante uma "crise de aprendizagem global", com 250 milhões de crianças que não aprendem o básico. Mais de metade delas passaram quatro anos na escola.
Os chefes de agências também observam que a qualidade do ensino depende de professores que gozam de direitos básicos como a proteção contra a violência, a liberdade académica e a liberdade de aderir a sindicatos independentes.

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2014/10/faltam-14-milhao-de-professores-para-atingir-o-ensino-basico-universal/#.VDKWlGddXkw

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...