terça-feira, 16 de setembro de 2014

País precisa aumentar investimentos em educação e ampliar matrículas

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo



Avançar nas metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE) é um dos principais desafios do país para os próximos anos, analisam especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O plano, cuja lei foi sancionada em junho, contém 20 metas para serem cumpridas nos próximos dez anos. As metas, que abrangem do ensino básico ao ensino superior, tratam de questões como ampliação de matrículas, inclusão de pessoas com deficiência, melhorias na infraestrutura e valorização dos professores e trabalhadores em educação. Entre elas está a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor.
“O próximo presidente vai ter que dar o primeiro salto”, diz o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. "O próximo mandato será determinante para cumprimento das metas do plano. O PNE deverá estar dentro do novo ciclo orçamentário, que começa em 2015", diz. Em termos de investimento, terá que passar dos atuais 6% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7% no fim do mandato. Pelo PNE, a meta intermediária deverá ser cumprida até 2019.

Segundo Cara, além de garantir mais recursos, será preciso, estruturar a colaboração financeira da União a estados e municípios para assegurar o Custo Aluno-Qualidade inicial (CAQi), que corresponde ao valor suficiente para cumprir os padrões mínimos de qualidade do ensino básico. O coordenador destaca também o prazo até 2016 para a criação do Sistema Nacional de Educação, responsável pela articulação entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetivação das diretrizes, metas e estratégias do PNE.
No ensino básico, até 2016, o desafio será universalizar o ensino dos 4 aos 17 anos de idade. Isso significa incluir quase 3 milhões de crianças e jovens que estão fora da escola. “O desafio mais imediato é a criação de vagas para atender a todas as crianças na pré-escola [4 e 5 anos]. Embora não caiba a estados e União, esses entes são responsáveis por prestar assessoria técnica e recursos financeiros aos municípios”, diz a gerente da Área Técnica do movimento Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. Na etapa, a geração de vagas deverá girar em torno de 1 milhão, segundo os dados oficiais mais recentes disponíveis no Observatório do PNE, portal coordenado pelo movimento.


De acordo com o secretário executivo da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), Vitor Alencar, continuam fora da escola “os mais violados em seus direitos, os negros, os indígenas e outros grupos”. Além de universalizar o ensino, Alencar ressalta que é preciso garantir qualidade. “Não podemos ter pessoas que, ao final de 5, 10 anos de estudo, não saibam ler e não consigam refletir sobre as próprias vidas, que é decorrência de um processo que pensa na quantidade e não na qualidade.” Para isso, será preciso valorizar os profissionais: “se não avançarmos na valorização e na melhoria das condições de trabalho dos profissionais de educação, não tem como fazer educação de qualidade no Brasil”, acrescenta.
No ensino superior, o plano também garante a expansão das vagas. “Nos últimos anos houve uma expansão bastante acelerada de universidades e institutos federais. Essa expansão é importante, mas não conseguiu ser acompanhada das questões de infraestrutura, das questões de trabalho, de dar boas condições a quem trabalha nesses locais”, diz o presidente da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação), Eduardo Rolim, apontando a qualidade como um dos desafios.


Ao contrário do ensino básico, no qual a maior parte das matrículas está em escolas públicas, no ensino superior 73% dos estudantes estão em instituições privadas. Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) quer mais espaço e pede maior participação dos representantes do setor privado na tomada de decisões. “Não temos participação efetiva nos colegiados que definem as políticas públicas e as implantam”, diz o diretor executivo da Abmes, Solon Caldas. “A meta de expansão só é possível em parceria com o setor privado. É preciso entender que o privado não é concorrente do público”, acrescenta.

Para a presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Marinalva Oliveira, os recursos públicos devem ser voltados à expansão nas instituições públicas. “O público está enfraquecido. Professores estão precarizados, com salários baixos, desmotivados e estão abandonando a profissão. A educação precisa urgente de investimento”. A entidade propõe ao futuro governante que eleve o investimento para 10% do PIB já nos próximos anos e não apenas no fim da década. "A educação precisa urgente de mais investimento", diz.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-09/pais-precisa-aumentar-investimentos-em-educacao-e-ampliar-matriculas

'Adultos devem aprender como ensinar seus filhos', diz Ana Teberoski


Pesquisadora Ana Teberoski


Quais são as dificuldades de orientar a educação infantil em um país tão grande e diverso como o Brasil?

É preciso ter estratégias unificadas, mas aos mesmo tempo, diversidade. Deve se levar em conta aspectos pessoais, regionais e culturais, diz a pesquisadora. A vantagem é que as crianças parecem mais entre si quando pequenas. Por outro lado, os estudos mostram que elas se diferenciam no primeiro ano de vida, em funação da família, região ou contexto socioeconômico. Na linguagem oral, já existem diferenças, que explicam problemas mais tarde, no ensino fundamental.

Quais são essas diferenças? (Clique no link para continuar lendo)

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,adultos-devem-aprender-como-ensinar-seus-filhos-diz-educadora-imp-,1560230
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,paim-nao-temos-competencia-para-fiscalizar-fundeb-imp-,1560191
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,adultos-devem-aprender-como-ensinar-seus-filhos-diz-educadora-imp-,1560230

Soneto da Educação, uma entrevista com Cristovam Buarque

Em entrevista, Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador, comenta o protagonismo da Educação no desenvolvimento do país

Fonte: Revista Época
De repente, não mais que de repente, fez-se de inteligente o ignorante, fez-se de próximo o distante, fez-se da Educação uma aventura edificante. De repente, todos os candidatos à Presidência só falam naquilo: Educação. O primeiro ministro da Educação da era petista, Cristovam Buarque, pressionou Lula a fazer a revolução que, hoje, todos prometem. Caiu por isso. A seguir, uma conversa com ele, hoje senador. Para quem tem memória curta.
Época - Educação virou "prioridade" no horário eleitoral. Por que a súbita obsessão retórica?
Cristovam Buarque - A realidade mostrou que Educação é fundamental não só para cada indivíduo, mas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Sem isso, a economia fica para trás, produzindo bens primários e importando bens de alta tecnologia.
Época - O que deu certo e errado nos 12 anos de governo do PT?
Cristovam - Deu certo o lento avanço na universalização, não deu certo o salto necessário para a qualidade. A Escola, ampliada, ficou para trás. Três brechas se aprofundam: entre a Educação no Brasil e noutros países, entre a Educação dos ricos e dos pobres, entre as necessidades de Educação e o que a Escola oferece.
Época- Por que o senhor saiu do governo?
Cristovam - O presidente Lula cansou de algumas falas minhas. No último encontro, eu lhe disse que não fazíamos o dever de casa para mudar a economia. O desinteresse político de Lula pelo longo prazo o levou a gestos imediatos no Ensino superior, sem dar atenção à Educação de base. O resultado foi aumento no Ensino superior, com qualidade desastrosa. Lula temia minha reação à mudança da Bolsa Escola para Bolsa Família, que perderia a conotação educacional, ao sair do MEC para o Ministério do Desenvolvimento Social. Lula usa espertamente a ideia de que é possível saltar para a universidade, sem passar pela Educação de base. E esse discurso, mesmo que demagógico, dá votos, como se comprova.
Época - Quais foram suas maiores frustrações como ministro?
Cristovam - Primeiro, a suspensão do programa para a erradicação do Analfabetismo, logo depois que saí. Também a paralisação do programa Escola Ideal, embrião da Federalização da Educação de Base. E os projetos que ficaram na gaveta da Casa Civil, entre eles o Programa de Apoio ao Estudante, que depois virou Prouni.
Época- Que nota daria ao PT, com base em nossos indicadores educacionais?
Cristovam - É fácil: a mesma nota do Ideb. Menos de 5: reprovado. Se tivéssemos levado adiante a proposta de adotar as Escolas de cidades pelo governo federal, hoje já teríamos 3 mil cidades com Educação de alta qualidade.
Época - O que acha da aprovação automática?
Cristovam - Uma medida errada. É como dar alta ao doente, porque ele ficou um tempo determinado no hospital, sem ao menos tomar a pressão dele. Serve apenas para mostrar diminuição no número de doentes.
Época - O que acha das cotas raciais?
Cristovam - Sou a favor, como medida paliativa, necessária para mudar a cor da cara da elite brasileira, enquanto se faz o certo e definitivo: negros e brancos, pobres e ricos em Escolas com a mesma qualidade.
Época - Algum modelo estrangeiro é inspiração para uma revolução na Educação?
Cristovam - Os melhores exemplos de países que partiram de níveis parecidos são Coreia do Sul e Irlanda. Para acabar com a vergonha em todas as Escolas de uma cidade, bastam poucos anos. Para fazer a mudança em todas, mais de 20.
Época - Que metas devem ser perseguidas?
Cristovam - O governo federal deveria escolher e adotar Escolas de cidades e implantar um novo sistema para substituir o atual. As Escolas federais, melhoradas, podem ser um padrão a espalhar. Uma revolução na Educação de base custaria 6,4% do PIB. Um grande programa para a população adulta, entre 9% e 10%. Espero um presidente que diga: "Só descansarei quando nenhuma família precisar de Bolsa Escola".
Época - O senhor diz que a violência na Escola é produto da desvalorização do magistério. Como valorizar o Professor?
Cristovam - Criando uma Carreira Nacional dos Professores, com salário capaz de atrair para o magistério os jovens mais brilhantes do Ensino superior. Para isso, precisamos pagar R$ 9.500 por mês. Escolher esses Professores de maneira rigorosa, exigir dedicação exclusiva e submetê-los a avaliações para substituir quem não tiver o desempenho desejado. Fazer Escolas bonitas e confortáveis, equipadas com a mais moderna tecnologia. Todas em horário integral.
http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/31371/soneto-da-educacao/

Aplicativo permite tirar dúvidas da língua portuguesa com rapidez

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli
A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou um aplicativo gratuito de consulta ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Com ele, é possível ter acesso em smartphones e tabletsaos quase 400 mil verbetes que já seguem as novas regras previstas no Acordo Ortográfico.  É uma solução rápida para tirar dúvidas de como se escreve alguma palavra.

O aplicativo pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store. Um dos recursos do aplicativo é o de autocompletar-se. Quando a pessoa começa a digitar uma palavra, automaticamente aparece uma listagem de possíveis resultados na tela, e ela poderá encontrar a exibição do vocábulo antes mesmo de terminar a redação de tal termo. É possível também aumentar a letra, para facilitar a leitura.
"A vantagem é que tendo uma dúvida qualquer a respeito de ortografia, pode-se estar no metrô, na rua, onde estiver, com um celular ou tablet, em poucos segundos tem-se a resposta de como se escreve a palavra", explica o presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti. Segundo ele, a tendência do mundo é a composição entre o que é impresso e o que é digitalizado. Utilizando-se dessa ferramenta, a Academia poderá "prestar serviço a um número cada vez maior de usuários, especialmente os estudantes”.

A expectativa é grande em torno da nova ferramenta. De acordo com Cavalcanti, aproximadamente 1,6 mil perguntas sobre gramática ou ortografia são feitas mensalmente no espaço online  ABL Responde. "Todos aqueles que tiverem questões de ortografia poderão obter agora a resposta rapidamente".
Há poucos dias no ar, o aplicativo tem avaliação 4,7 de uma potuação máxima 5, no Google Play. Os comentários são elogiosos: "Sempre usei no site, mas essa opção é maravilhosa", diz uma usuária. Outra, ressalta: "Esperava há muito tempo por esse aplicativo". Há também sugestões de melhora, como a possibilidade de se copiar, no próprio dispositvo, as palavras com a ortografia correta.

O sistema de busca do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa está na quinta edição, de 2009, e contém 381 mil verbetes, com as respectivas classificações gramaticais e outras informações conforme descrito no Acordo Ortográfico. Trata-se, em uma definição simples, da ortografia oficial das palavras da língua portuguesa.

Sobre se antecipar a obritatoriedade das novas regras ortográficas, que só poderão ser cobradas a partir de 1.º de janeiro de 2016, Cavalcanti diz que as mudanças já são uma realidade: "Todos já adotaram a nova ortografia, os jornais, os livros escolares, os livros editados. Todos fazem constar que seguem a nova ortografia".

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-09/aplicativo-permite-tirar-duvidas-da-lingua-portuguesa-com-rapidez

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

‘Escolas e professores ruins vão se tornar irrelevantes’

Woodie Flowers, professor emérito do MIT, fala ao Porvir sobre robótica e como a tecnologia mudará o ensino.


Woodie Flowers, 73, diz que sempre foi uma criança fora do comum, para quem o futebol (americano, claro) não parecia algo natural. Cresceu na pequena cidade de Jena, no estado da Luisiana, no sul dos Estados Unidos. A família era pobre, a escola não era um verdadeiro desafio, mas tinha um pai soldador que fazia “coisas incomuns” por gostar de arrumar e consertar. Foi o que bastou para despertar a paixão precoce pela engenharia neste senhor que hoje é tratado como herói por onde passa com a caravana da FLL (FIRST LEGO League), competição de robótica em que crianças e jovens entre 9 e 15 anos quebram a cabeça atrás de soluções inovadoras materializadas em Lego para problemas que afetam o mundo.
Professor emérito de engenharia mecânica do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Flowers começou de modo não-oficial na engenharia quando transformou um carro velho em hot rod, “uma coisa muito louca e rápida”. A aptidão para montar e desmontar que herdou do pai o levaria mais tarde a mudar o jeito MIT de ensinar, que passou a se basear em projetos.
Crédito: Mariusz Blach/Fotolia.comWoodie Flowers
Em um mundo dominado cada vez mais por máquinas, Flowers diz que é preciso saber muito mais que cálculo, novas línguas e mexer em programas de computador, habilidades que ele chama de treino. Atualmente, é necessário educação, isto é, lidar com pessoas, saber se comunicar e ajudar aos outros.
Na conversa com Porvir, Flowers fala dos fascínios da robótica e dos novos desafios para professores e alunos, que devem encarar um mundo em que tarefas simples passam a ser dominadas por máquinas. O que sobrará para ser ensinado? Leia abaixo:
Como surgiu sua paixão pela robótica?
Eu cresci em uma cidade muito pequena na Luisiana, estado no sul dos Estados Unidos. Eram poucos milhares de pessoas, uma escola pequena, não muito rígida e fácil de conseguir boas notas. Eu era uma criança fora do comum, colecionava borboletas. Eu gostava de ser assim. Eu não gostava de me enquadrar nos padrões do ensino médio da época, joguei futebol, mas nada daquilo parecia ser natural.
Quais foram suas influências?
Minha família era muito pobre, mas meus pais eram bons. Meu pai era um inventor que gostava de arrumar e consertar coisas e eu devo meu comportamento a ele, porque fazia coisas incomuns. Meu primeiro robô foi um hot rod (carro da primeira metade do século 20 modificado). Naquela época, eu não tinha um carro como as garotas queriam, então peguei um bem velho e o transformei em uma coisa muito louca e rápida.
Crédito: Élcio Paraíso/CNI/DivulgaçãoWoodie Flowers
 
Como a robótica ajuda as crianças?A FIRST (empresa que organiza as competições de LEGO), em todas as suas áreas, dentre elas a FLL, permite às crianças fazerem parte de um grupo que tem interesses diversos e as ajuda a desenvolver o que eu chamo de autoestima racional. O robô é uma coisa completamente natural, em que a mãe natureza aplica todas as suas regras. Às vezes eles fazem o que as crianças querem, às vezes não. A natureza dá um feedback rigoroso. Se conseguirem fazer direito, vão se sentir bem. E se, por uma boa razão, elas aprenderem como salvar pessoas em desastres e melhorar o aprendizado, vão para casa à noite e pensam que podem fazer coisas novas e criativas para si e para os outros.
O preço dos kits de Lego ainda é um impedimento. Como fazer com que aulas de robótica se espalhem pelo ensino público?
Eu acho que a robótica chegará às escolas públicas em um processo natural parecido com o do surgimento dos aparelhos celulares, que substituíram os telefones fixos e viraram commodity.
Como novas tecnologias têm mudado o jeito de aprender?
Havia um tempo em que você adquiria conhecimento para toda a sua carreira. Hoje, ele é livre e está por todo o lugar. Saber certas coisas não te garante nada. O que importa é saber como mostrar o que se aprendeu com empatia e integrando com coisas que ajudem aos outros. E você tem que continuar aprendendo durante toda a sua vida.
‘Meu ponto é que aprender cálculo é treino. Aprender a pensar por meio de cálculos é educação’
Que tipos de conhecimento são necessários hoje em dia?
Acho que educação e treinamento são diferentes. Se sobrepõem, mas são bem diferentes. Meu ponto é que aprender cálculo é treino. Aprender a pensar por meio de cálculos é educação. Aprender como mexer no programa de computador CAD é treino. Aprender design é educação. Aprender uma nova língua é treino. Aprender a se comunicar em diferentes situações é educação. Educação é algo que tende a envolver duas pessoas em uma mesma sala, trabalhando com outras. Pode ser que aconteça por meio de uma conexão via internet, mas é muito mais provável de acontecer pessoalmente, por meio de mentoria. Conteúdo em massa é treinamento. Acho que, no futuro, as pessoas vão aprendê-lo por conta própria. E é melhor que você comece a fazer isso agora.
Como será o aprendizado no futuro?Penso que agora todo mundo sabe como fazer um filme (aponta o celular). Em breve, todos terão a oportunidade de aprender coisas que só eram acessíveis em uma escola e transferidas por professor. As pessoas vão começar a aprender sozinhas. Se você quiser aprender a editar vídeo, pode sentar em frente ao computador e aprender sozinho e, se quiser entender como fazer um filme de alta qualidade, terá que trabalhar com um produtor experiente, porque tem um monte de coisas que você não terá pela tela. Faça o download (na App Store, loja de aplicativos da Apple) de Life on Earth, nome de uma série de sete livros de E. O. Wilson, gratuitos, e absolutamente fantásticos. É biologia que parte da microbiologia até ecossistemas inteiros. Não sei o quanto de Biologia você sabe agora, mas se passar por toda essa sequência, sozinho, em sua casa, no seu iPhone, pode se sair muito bem. Há exercícios e é de graça. Acho que escolas ruins e maus professores vão se tornar irrelevantes, porque serão substituídos por ferramentas mais eficientes. Você já ouviu falar do termo big Data?
Como ele impacta a educação?Imagine o que vai acontecer quando Big Data for aplicado na aprendizagem. O Watson (supercomputador da IBM) já consegue entender linguagem natural. Tem um programa de TV nos EUA em que o apresentador dá a resposta e o participante deve fazer a pergunta sobre esportes, entretenimento, química e tudo o que você imaginar, incluindo sarcasmo, expressões culturais, abreviações e todo tipo de coisas com linguagem bastante incomum. Watson venceu todos os melhores participantes. A empresa Viv, fundada por ex-funcionários da Apple, criou uma versão da Siri (assistente de voz do iPhone) com esteroides. O exemplo que eles usam é “Como posso encontrar no caminho para a casa do meu cunhado um lugar para comprar um vinho barato?”. São muitos os jeitos de analisar isso: onde a pessoa está, onde é a loja, onde o cunhado mora e o caminho. A Viv faz isso. O ritmo de mudança é enorme e vai mudar completamente o que é treino e o que é educação.
‘Se você tirar o treinamento da escola, quando estiver na classe, com o professor, poderá focar em educação’
Você não estará mais lidando com intuição, mas com dados. Qual será o papel dos professores?Veja, por favor, entenda que acredito que professores são incrivelmente importantes para estudantes e acho que apenas os bons vão sobreviver a essa transição. Mas, se você tirar o treinamento da escola, quando estiver na classe, com o professor, poderá focar em educação. Estamos tendo uma conversa agora que é muito complicada: fazendo contato com os olhos, vendo meus gestos com as mãos. Isso é muito importante, acontece entre pessoas, mas não necessariamente por meio da tela do computador. Você me disse que tem 31 anos (pergunta ao repórter)?
Isso mesmo.Quando chegar aos 50, você terá que trabalhar duro para conseguir fazer coisas que máquinas não podem fazer. Isso parece uma especulação maluca, mas acho que é muito real e crianças de agora têm uma tarefa ainda maior. Quando eles estiverem com 50 anos, o mundo estará bem diferente e haverá grandes questões sobre o que faz a economia funcionar e o que sobrou para as pessoas fazerem. Onde está o real valor das coisas?
Uma última questão. Por que você usa uma camisa cheia de assinaturas?
Isso começou quando eu era mestre de cerimônia das competições. Precisava de um jeito para dizer “não, obrigado” para os presentes que ganhava das crianças. Então, decidi que pedir autógrafos seria um jeito legal de fazer isso, porque tenho centenas de camisetas e objetos, que vou doar para a FIRST. Já tenho entre 15 e 20 como estas aqui, com quase 2 mil assinaturas, que são feitas até pelo lado de dentro. Tenho assinaturas [dos ex-presidentes] Bill Clinton e George Bush. Espero que minha equipe fotografe todas as partes das camisas e coloque num site onde as pessoas possam encontrar suas próprias assinaturas, coloquem tags e, assim, encontrem seus amigos.
http://porvir.org/porpessoas/escolas-professores-ruins-vao-se-tornar-irrelevantes/20140910

Educação integral só se efetiva em diálogo com o território, afirma especialista


A educação integral e os desafios de sua implementação pelas escolas foi tema de discussão no programa Revista CBN, veiculado no último sábado, 6 de setembro. Participaram do debate Natacha Costa, diretora executiva da Associação Cidade Escola Aprendiz, e Beatriz Goulart, arquiteta, urbanista e coordenadora do Cenários Pedagógicos.
Para Natacha, a educação em tempo integral deve se basear na perspectiva da educação integral, que amplia e diversifica as oportunidades de aprendizagem para além daquelas tradicionalmente ofertadas pelas escolas. A especialista entende que a discussão, que aponta uma tensão entre os diferentes modelos escolares, acontece por conta da própria configuração da sociedade, que tem mais acesso ao conhecimento e informações. “É preciso repensar esse molde escolar, a partir da integração de novos agentes e da maior participação de alunos e professores como mediadores dos processos educativos.” Natacha aponta a necessidade de uma nova cultura escolar, regulamentada por leis que ancorem a atuação do professor, e questões de infraestrutura e financiamento.
Já Beatriz Goulart reforça que é necessário questionar a escola que se tem hoje, tendo em vista o tempo que esses alunos estarão envolvidos com práticas educativas. A urbanista aponta que esta discussão toma como base experiências do Bairro Escola, da Escola Integrada de Belo Horizonte e do próprio Mais Educação, e recai não só para as instituições de ensino, mas também para as famílias, comunidades e demais atores envolvidos no processo educativo.
Além disto, a urbanista aborda a importância das escolas desenvolverem seus currículos a partir dos contextos em que estão inseridas e de realizarem a autoavaliação como maneira de entender se o percurso pedagógico implementado dialoga com as crianças, professores, gestores e comunidade do entorno.
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/09/09/educacao-integral-so-se-efetiva-em-dialogo-com-o-territorio-afirma-especialista/

Fórum do Ensino Médio discute propostas para o ensino regular e o ensino noturno

Encontro debateu a reorganização curricular do Ensino Médio noturno e a reformulação do Ensino Médio, em âmbito nacional, proposta pela Câmara Federal.

Gestores responsáveis pelo Ensino Médio das Secretarias Estaduais de Educação, estiveram na sede Conselho Nacional de Secretários da Educação – Consed, nesta quarta-feira, 3/9, em Brasília, para a reunião técnica do Fórum do Ensino Médio. No encontro foi debatido a reorganização curricular do Ensino Médio noturno e a reformulação do Ensino Médio, em âmbito nacional, proposta pela Câmara Federal. A atividade contou com a participação da secretária Estadual de Educação do Mato Grosso, Rosa Neide, e da secretária executiva do Consed, Nilce Rosa da Costa.
Durante a reunião, o foco da discussão foi a situação nacional do Ensino Médio noturno brasileiro. Para a secretária, Rosa Neide, o “ensino médio possui uma dificuldade histórica, por ter sido, durante muito tempo, negligenciado no contexto da educação brasileira”. “Os altos índices de evasão, reprovação e as condições de infraestrutura” são dificuldades encontradas e que dificultam o desenvolvimento dos alunos no ensino noturno, pontuou Roberval Furtado, superintendente de políticas de educação da Secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul.
Diante das dificuldades encontradas, o fórum analisou o documento “Educação Básica Noturna no Brasil: Realidades e Possibilidades” elaborado sob a coordenação do MEC com a participação de representantes do CONSED e das secretarias de estado de educação entre outras instituições com apontamentos e diretrizes norteadoras para a melhoria no Ensino noturno, que inclui: reorganização do tempo escolar e atualização do currículo escolar. Para a representante de Pernambuco, Raquel Fidelis, “há fragilidades no Ensino Médio noturno, como limitações no deslocamento e os altos índices de violência”, o que torna crucial a construção de um documento com ações passíveis de implementação e que ajudem a fortalecer o ensino noturno.
Já para Aliete Bormann, “não ocorrerá reforma no ensino noturno, se não houver formação maciça com os professores”, afirmou a coordenadora do Rio Grande do Norte.
“As universidades também precisam preparar os professores que estão chegando despreparados a sala de aula”, ressaltou,  Larissa Ribeiro, articuladora de Tocantins. “É necessário buscar alternativas articuladas com o desenvolvimento do aluno”, enfatizou Herivelto dos Santos, coordenadora do fórum de Roraima.
A formação dos professores, a reestruturação do currículo e a infraestrutura das escolas foram dimensões observadas na elaboração do documento, como também uma visão abrangente do ensino noturno que levou em conta as peculiaridades de cada contexto, como o dos quilombolas, indígenas e a educação no campo.
O  fórum também debateu a reformulação proposta pela Câmara Federal para o Ensino Médio. A qual dispõe que o novo currículo seja organizado por área de conhecimento: linguagens; matemática; ciências da natureza e ciências humanas. Tendo como componentes obrigatórios: língua portuguesa; matemática; conhecimento do mundo físico e natural (filosofia, sociologia,realidade política e social); inclusão de uma língua estrangeira e parte diversificada. Sendo que as metodologias de ensino e de avaliação devem evidenciar:  a contextualização; a interdisciplinariedade e a transversalidade.
O Fórum:
O Fórum foi criado pelo Consed para discussão e assessoria técnica nas discussões relativas ao Ensino Médio, na interlocução com o MEC e outros órgãos afetos às políticas, programas e projetos do segmento. Foi definido que o Fórum se reunirá a cada bimestre com o objetivo principal de alinhar propostas e formar um discurso comum em relação às melhorias do Ensino Médio no Brasil. Além de proporcionar a troca de experiências entre os diversos estados, a discussão e avaliação dos avanços ocorridos no ensino médio nacional, bem como as dificuldades detectadas atualmente.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/904-forum-do-ensino-medio-discute-propostas-para-o-ensino-regular-e-o-ensino-noturno

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Escolas municipais comemoram seis anos de implantação do Programa Mais Educação

Foto: Jorge Pinho
Rosane Brandão
Secom Cuiabá

Neste mês de setembro o Programa Mais Educação completa seis anos de implantação nas escolas da rede de Cuiabá. Para comemorar o sucesso do programa, a Secretaria Municipal de Educação está promovendo o “Setembro com Mais Educação”, evento realizado em quatro etapas, um em cada região de Cuiabá.
A abertura do Setembro com Mais Educação ocorreu nesta sexta-feira (12) no bairro Coophamil, onde reuniu cerca de 800 alunos de 15 escolas da regional Oeste.
Cada escola foi responsável por uma apresentação cultural e artística, fazendo demonstrações das oficinas que são oferecidas aos alunos, entre elas de dança, teatro, coral, flauta, balé, banda e fanfarra, demonstração de karatê e taekwondo e apresentação circense. 
“A realização desse evento mostra para toda a sociedade, principalmente aos pais, o belíssimo trabalho que as nossas escolas desenvolvem com os alunos”, disse o secretário municipal de Educação, Gilberto Figueiredo.
O secretário também parabenizou o trabalho realizado pelos articuladores e monitores do programa. “O programa tem dado resultados cada vez mais positivos e isso se deve a dedicação e empenho desses profissionais”. 
Conforme destacou a secretária-adjunta, Marioneide Kliemaschewsk, o programa tem um papel importante na vida acadêmica e social do aluno. “Um programa que colabora pela permanência do alunos na escola, e melhora o processo ensino-aprendizagem”.
Atualmente o programa está implantado em 80 escolas da rede municipal, beneficiando 16,4 mil alunos. “Percebemos que esse programa realmente faz a diferença na vida dos alunos. Ao longo desses seis anos muitas crianças passaram pelo programa e todas tiveram melhorias na educação”, disse a diretora de Ensino da SME, Vanilda Mendes.
Participaram do evento as escolas Ranulpho Paes de Barros (apresentação da banda marcial e corpo coreográfico); Rita Caldas (flauta doce); Francisval de Brito apresentação de (taekwondo); Ezequiel Siqueira (grupo de dança); Maria Lucila Barros (dança); Maria Tomich (balé); Nossa Senhora Aparecida (apresentação do coral); Benedita Xavier (dança de siriri); Alzira Valladares (dança); Udiney Gonçalves(apresentação circense); Esmeralda de Campos (Karatê); Glaucia Maria (teatro); Hilda Caetano (balé e hip hop); Marechal Rondon (dança); Tancredo Neves teatro e fanfarra).
O evento também contou com a presença dos pais que foram prestigiar as apresentações dos filhos. “Não poderia deixar de vir assistir, esse programa é muito importante para ela”, disse a esteticista Glaucia Antonia da Silva, mãe da aluna Bruna Gabrielly, 9 anos. A mãe conta que o programa tem ajudado no desenvolvimento escolar da filha. “Ela participa das oficinas de dança e teatro, mas quando está com dificuldade em alguma matéria ela também frequenta as aulas de reforço”. 
Durante o evento foram expostos os trabalhos realizados pelo Programa Escola Aberta das Escolas Nossa Senhora Aparecida e Ranulpho Paes de Barros. Um equipe do Programa com Saúde também esteve presente para dar apoio ao evento.
A banda marcial e o corpo coreográfico da escola Ranulpho fizeram a abertura do evento, com uma apresentação do Hino Nacional e dança de rasqueado, respectivamente.
O evento foi encerrado com uma apresentação de roda de capoeira, realizada em conjunto pelas escolas Hilda Caetano, Nossa Senhora Aparecida e Maria Lucila.
http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/escolas-municipais-comemoram-seis-anos-de-implantacao-do-programa-mais-educacao/9546

Especialistas debatem avaliação da educação infantil em evento

ESTADÃO.EDU

O primeiro Seminário Nacional de Avaliação da Educação Infantil deve ocorrer no dia 17 de setembro, das 9 horas às 17h30, no auditório da Torre Santander, no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo.

O objetivo do evento é contribuir para a discussão da avaliação da educação infantil no Brasil, disseminar experiências nacionais e refletir de que maneira essas ações podem colaborar com o debate de uma política nacional na perspectiva da garantia dos direitos das crianças.
Em São Paulo, por exemplo, os pais vão começar a ser ouvidos na avaliação de creches e jardins de infância da cidade para ajudas na avaliação das escolas da rede. O próximo passo da rede municipal será ouvir alunos de 4 a 5 anos no diagnóstico.
A iniciativa reunirá importantes especialistas da área como Rita Coelho, coordenadora de educação infantil do Ministério da Educação (MEC); Maria Malta Campos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas; além de Catarina Moro, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O seminário terá transmissão ao vivo pela internet, pelo sitewww.movesocial.com.br.
Mais informações:
Seminário Nacional de Avaliação da Educação Infantil
Quando: 17 de setembro, das 9 h às 17h30.
Onde: Auditório da Torre Santander, Av. Juscelino Kubistchek, 2.041, Itaim Bibi – São Paulo, SP.
Transmissão ao vivo: www.movesocial.com.br
http://blogs.estadao.com.br/ponto-edu/especialistas-debatem-avaliacao-da-educacao-infantil-em-evento/

Música melhora aprendizado de crianças na Austrália

Projeto da ONG The Song Room, que já trabalhou com mais de 250 mil estudantes no país, é finalista do prêmio Wise 2014



Criada há cerca de 15 anos na Austrália, a organização não-governamental The Song Room leva música de qualidade e aulas de arte a estudantes de baixa renda do país. Nesse período, o projeto já atingiu mais de 250 mil crianças, que passaram a se desenvolver melhor na escola. “Nossa visão é que todas as crianças da Austrália têm a oportunidade de ter contato com música e arte para melhorar sua formação, seu desenvolvimento pessoal e seu envolvimento com a comunidade”, afirmam os porta-vozes do projeto.
Essa ambição e os resultados comprovados colocaram o projeto entre os 15 finalistas do Wise Awards 2014. Lançado em 2009, o prêmio identifica e promove soluções diferenciadas e inovadoras para os desafios educacionais do mundo real. Os nomes dos seis vencedores deste ano serão anunciados em meados de setembro e a premiação ocorrerá na sexta edição do World Innovation Summit for Education, que acontece entre 4 e 6 de novembro em Doha, no Catar. Cada um deles receberá US$ 20 mil. Essa é a primeira vez que a ONG concorre ao prêmio. Caso ganhe, a organização pretende usar o dinheiro para chegar a mais escolas da Austrália.
koi88 / Fotolia.com

Atualmente, os workshops da The Song Room atingem cerca de 15 mil crianças toda semana. Os programas são adaptados às necessidades delas e das escolas onde são ministrados. Tudo é feito em parceria com a comunidade e com a ajuda da internet, em busca de resultados sustentáveis para estudantes, professores e para a comunidade escolar.
“Defendemos o ensino de música e arte por seus valores intrínsecos e extrínsecos. Em outras palavras, nossos programas existem para o benefício da educação dentro das disciplinas artísticas e também pelos muitos outros benefícios que o acesso às artes têm para o aperfeiçoamento da performance acadêmica, do engajamento escolar e do bem-estar social e emocional. Nossos programas são projetados para preencher este espaço educacional e para fornecer aos estudantes australianos a oportunidade de realizarem o seu melhor”.
Neste ano, o projeto celebra uma data especial, os dez anos de workshops feitos dentro das escolas. A organização começou em um pequeno escritório em Melbourne e cresceu. Hoje, leva suas aulas a todos os estados e territórios da Austrália. Estudantes de 5 a 12 anos são a maior parte do público, mas, em comunidades muito pobres, crianças da pré-escola, de zero a 5 anos, também são atendidas.
Divulgação

O projeto emprega artistas profissionais com experiência em ensino para trabalharem nas escolas. Primeiro, a ONG se reúne com a comunidade escolar para identificar seus objetivos e adaptar o programa àquelas necessidades específicas. Depois, o professor de arte começa os workshops semanais com os alunos, que duram entre seis e 18 meses. Além disso, os profissionais de música e arte ajudam professores generalistas a desenvolverem as habilidades necessárias para dar continuidade às aulas ao final do programa. Dependendo da especialidade do professor, os workshops podem ser construídos em torno de canto, percussão, instrumentos de cordas, artes visuais, dança ou teatro.
Segundo a ONG, música e arte são maneiras efetivas de ajudar as crianças a desenvolverem suas habilidades em todos os aspectos da vida escolar. Pesquisas mostraram que as crianças que participaram dos workshops por seis meses melhoraram seus resultados em leitura, matemática e ciências.
Um estudo independente feito pela organização destacou três importantes resultados: a melhoria da leitura e da habilidade de trabalhar com números em mais de um ano; o corte quase pela metade da proporção de crianças nos mais baixos níveis de bem-estar social e emocional e a redução das faltas em mais de 65%.
Divulgação

A pesquisa mostrou ainda que os estudantes ficaram mais confiantes, menos solitários e começaram a se engajar mais nos estudos e com os colegas. “Ensinando música e arte às crianças, nós as ajudamos a entender como expressar suas emoções e opiniões de uma forma positiva. Com isso, conseguimos encorajar estudantes que antes eram desinteressados a se tornarem membros positivos de sua comunidade”, dizem os organizadores.
De acordo com a ONG, o ensino de artes ajuda ainda a diminuir a desigualdade na performance educacional entre estudantes de diferentes níveis sociais e econômicos. Um exemplo é que jovens de origem indígena, que em geral chegam aos 15 anos com dois anos de atraso nos conhecimentos de leitura em relação a outros estudantes, ficam quase no mesmo patamar dos colegas depois de participarem do programa.
“The Song Room possibilita às crianças experimentarem um ambiente de aprendizado divertido, interativo, de coleguismo e não ameaçador. Eles ajudam os estudantes a explorar suas próprias habilidades e talentos para se destacarem”, afirma a ONG.
Recentemente, a organização lançou um programa de aulas on-line, chamado ARTS:LIVE, que oferece recursos pedagógicos para a educação criativa de aulas de artes a todas as escolas do país. Essas aulas equipam professores generalistas para ensinarem arte e música. Depois de um ano de lançamento, o programa já foi acessado por mais de duas mil escolas e está disponível ainda para o treinamento de educadores na universidade.

http://porvir.org/porfazer/musica-melhora-aprendizado-de-criancas-na-australia/20140903

Estudo relaciona uso de maconha ao fracasso de adolescentes na escola

Menores de 17 anos têm risco 60% maior de não terminar ensino médio.
Pesquisa foi publicada esta semana na revista científica 'The Lancet'.

Da France Presse


(Foto: Luis Robayo/AFP)
Os adolescentes que fumam regularmente maconha estão muito mais expostos ao fracasso escolar que os outros, segundo os resultados de um estudo publicados nesta quarta-feira na revista médica "The Lancet Psychiatry". Os adolescentes de menos de 17 anos que fumam maconha todos os dias correm 60% a mais de riscos de não concluir o ensino médio do que aqueles que nunca fumaram a substância.
Além disso, aqueles que fumam diariamente têm sete vezes mais riscos de uma tentativa de cometer suicídio e oito vezes mais riscos de utilizar outras drogas posteriormente, destaca o estudo.
"Estes resultados aparecem no momento oportuno, já que vários estados americanos e países da América Latina tomaram o caminho da descriminalização da maconha, o que poderia tornar mais fácil para os jovens o acesso a esta droga", afirmou Richard Mattick, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália), um dos autores da pesquisa.
A maconha é a droga ilegal mais consumida no mundo. Estatísticas recentes indicam que em alguns países os jovens começam a usar a substância cada vez mais cedo. O estudo publicado na revista "The Lancet" tem como base dados obtidos por três pesquisas entre jovens da Austrália e Nova Zelândia.
Os cientistas tentaram traçar um paralelo da frequência do consumo de maconha entre os jovens com menos de 17 anos e seus comportamentos na vida posteriormente. Os critérios usados foram o êxito escolar, o uso de drogas ilegais, dependência da maconha, a depressão e as tentativas de suicídio.
Uma relação "clara e consistente" foi encontrada entre a frequência da utilização da maconha antes dos 17 anos e a maioria dos critérios citados, destaca a "Lancet".
Para o doutor Edmund Silins, outro autor do estudo, os resultados demonstram "de maneira evidente" que a luta contra o consumo precoce da maconha entre os jovens representa "importantes benefícios em termos sociais e de saúde".
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/09/estudo-relaciona-uso-de-maconha-ao-fracasso-de-adolescentes-na-escola.html

Como trabalhar a autoestima em sala de aula

Leo Fraiman

Leo Fraiman



É importante ajudar os alunos a perceberem que, ao gostarem de si mesmos, sentem-se mais seguros e confiantes para tomar decisões e planejar seu futuro profissional.
Em 2009, 5% de todas as cirurgias plásticas do país foram feitas por pessoas com menos de 20 anos. O dado foi um dos resultados de uma pesquisa do IBGE divulgada em 2012. As crianças e jovens em nossa sociedade lidam cada vez mais cedo com temas relacionados à autoimagem e à aceitação pessoal, alguns fatores que influenciam diretamente na autoestima.
Autoestima tem origem no autoconceito – a imagem e a percepção que temos de nós mesmos – e está associada tanto a aspectos da personalidade como a influências ambientais. Ter uma autoestima elevada transmite confiança e gera motivação e empenho para o alcance de objetivos. Por outro lado, ter a autoestima rebaixada pode acarretar em situações de risco e desmotivação para os estudos.
Assim, o modo que uma pessoa trata a si mesma reflete em todas as suas relações e serve como modelo para tratar as pessoas com quem convive. Isso precisa ser transmitido para nossos educandos desde cedo, afinal, é a partir desse conceito pessoal que nos posicionamos em todas as áreas da vida e ele pode influenciar desde nossas escolhas profissionais até nossas ambições e sonhos.
Quando a autoestima de um aluno está baixa e sofrendo com críticas, em casa ou na escola, por exemplo, ele pode pensar que "não merece" sucesso profissional, que "não é digno" de ter e seguir seus sonhos, entre outros pensamentos sabotadores que o educador deve ajudar a combater. Caso eles tenham uma autoestima frágil, podem desanimar facilmente diante de tudo o que é demorado, difícil ou desafiador. Nesse processo, é fundamental conviver com professores e outros adultos que sejam referências saudáveis.
Muitas posturas podem ser evitadas, como o menosprezo, a ironia, as críticas vazias, o negativismo e a mesmice. A sala de aula deve ser um ambiente confortável e estimulante, que motive a autoestima dos alunos mostrando sua importância para o coletivo. Estimular essa construção sadia da própria imagem trará benefícios duradouros a todos.
Um estudo feito com adolescentes obesos no Canadá em 2012 mostrou que, mesmo quando não leva à perda de peso, a atividade física pode melhorar a autoestima, as habilidades sociais e até o desempenho escolar dos jovens. Já em Nova Iorque, a campanha "I"m a Girl", realizada pela prefeitura junto à idealizadora Samantha Levine, em 2013, promovia a construção de uma autoestima saudável com foco em meninas pré-adolescentes entre 7 e 12 anos. O objetivo da campanha era evitar que elas desenvolvessem, no futuro, problemas como alcoolismo, depressão, uso de drogas e remédios para emagrecer, além de transtornos alimentares.
Uma pessoa com boa autoestima geralmente tem mais facilidade para se relacionar, é mais produtiva, aprende melhor, tem uma vida mais saudável, pois se cuida e se considera, percebe-se digna de amor, respeito, sucesso, e faz o que for preciso para obter isso da e na vida, favorecendo a capacidade de adaptação ao meio e ao bem-estar emocional e permitindo uma recuperação mais rápida diante de situações adversas. Como educadores, precisamos refletir: como anda nossa autoestima? O que estamos fazendo pela autoestima de nossos alunos? Só assim poderemos transformar um ambiente escolar desfavorável em um cenário de respeito, tolerância, aceitação e valorização das diferenças.

LEO FRAIMAN

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br
http://educacao.uol.com.br/colunas/leo-fraiman/2014/09/11/como-trabalhar-a-autoestima-em-sala-de-aula.htm

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...