sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Professor propõe fim do "ç", "ch" e "ss" na língua portuguesa

Edgard Matsuki 
Do UOL, em Brasília


Um grupo de trabalho na Comisão de Educasão, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que viza modificar algumas regras da língua portugeza.
É isso mesmo. Se um estudo que tramita no Senado chegar a valer, a primeira frase desta notícia seria escrita desse jeito mesmo. O correto, atualmente, é: "Um grupo de trabalho na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que visa modificar algumas regras da língua portuguesa".
Um grupo de trabalho dentro da Comissão, presidida pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO), tem como objetivo buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos -- e estuda mudanças ortográficas em nossa língua.
Uma das propostas é a criada pelo professor Ernani Pimentel, pesquisador da língua portuguesa há 50 anos e um dos autores do projeto "Simplificando a Ortografia". Pimentel quer acabar com o uso da letra "h" antes das palavras, do "ç", do "ss", "sc" e "xc" (que seriam substituídos pelo "s" simples), do hífen, do dígrafo "ch" (que seria substituído pelo "x"). Palavras também passariam e ser escritas como o fonema aponta como o "x" e o "s" com som de "z". A letra "u" após o "g" e "q" e antes de "e" e "i" também seria suprimido.
Ainda com discussão em caráter embrionário, para chegar à vigência, a proposta que for escolhida pelo grupo de trabalho precisaria ser aprovada pelos senadores que integram a Comissão de Educação do Senado, ir a plenário, passar pela Câmara dos Deputados, receber sanção presidencial e ainda ser aprovada em outros países de língua portuguesa. Ou seja, mesmo que o projeto fosse uma unanimidade, poderia levar muitos anos para que as mudanças passassem a valer.
Mudanças ortográficas estudadas no Senado
  • Homem viraria omem
    Fim da letra "h" antes das palavras
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  • Faça viraria fasa
    Fim do "ç"
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  • Passa viraria pasa
    Fim do "ss"
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  • Acrescentar viraria acresentar
    Fim do "sc"
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  • Excelência viraria eselênsia
    Fim do "xc" e do "c" com som de "s" (como em cenoura)
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  • Couve-flor perderia o "tracinho"
    Hífen deixaria de existir
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  • Chuva viraria xuva
    Fim do "ch"
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  • Exame viraria ezame
    Fim do "x" com som de "z"
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  • Asa viraria aza
    Fim do "s" com som de "z"
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  • Quero viraria qero
    Fim do "u" após o "g" e "q", antes do "e" e do "i"
Pimentel aponta que essas mudanças acarretariam em economia com a educação no país: "Em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, sejam utilizadas apenas (ou em torno de) 150", diz.
O professor disse que o convite para integrar o grupo de trabalho (que também é liderado pelo professor Pasquale Cipro Neto) surgiu após audiência pública de 2009 em que foram tecidas críticas ao acordo ortográfico que entrou em vigor naquele ano. "Na época escrevi até um livro sobre o assunto. Em 2012, começamos a discutir simplificações da ortografia. Fomos a Portugal e vamos a Angola e Moçambique discutir com professores sobre o assunto".
Pimentel também apontou que há um espaço para sugestões de simplificação do idioma. "No site Simplificando a Ortografia estamos abertos a receber sugestões de mudanças e fizemos um abaixo-assinado de apoio às propostas". Até o momento, o site tem 33 mil propostas.

Ridículas e patéticas

Apesar dos argumentos de quem propõe as mudanças, as medidas têm rejeição por parte de alguns linguistas. O filólogo e professor da UnB (Universidade de Brasília), Marcos Bagno, não economiza críticas ao falar da proposta: "São ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil", diz.
Para Bagno, o argumento de que as novas mudanças facilitariam o aprendizado não é válido. "Aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados. A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma", aponta.
Pimentel aponta que as críticas à proposta sempre vêm da academia e não de quem ensina para crianças. "Há pessoas que defendem a etimologia na construção da ortografia. Mas há várias regras em que ela é quebrada. Temos que decidir sermos mais práticos. Assim, as crianças podem aprender melhor", responde.
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/20/senado-discute-fim-do-c-ch-e-ss-na-lingua-portuguesa.htm

Mesa Internacional aborda garantia das condições de aprendizagem para os alunos


A gestão escolar como garantia de condições de aprendizagem para todos os alunos foi o tema da segunda palestra do I Seminário Internacional de Boas Práticas de Gestão Escolar, que aconteceu na quinta-feira 14/8, em Brasília.
Participaram da mesa internacional, a secretária de Estado de Educação do Mato Grosso, Rosa Neide Sandes de Almeida; Angela Dannemann, diretora executiva na Fundação Victor Civita e os diretores americanos que estão realizando intercâmbio no Brasil: Tim Doran; Andrea Tejedor; Marco Nava; Hudson Thomas; Lindsey Pollock; Debra Livingston; David Moody e Rachel Clark.
A secretária do Mato Grosso, Rosa Neide, destacou a importância do debate com os diretores norte-americanos e de uma adequação de realidades. Ela também ressaltou a diversidade do momento. “Apesar das diferenças culturais e históricas, lidamos com educação de crianças e adolescentes, e há semelhanças nesse aspecto”. Segundo a secretária, está inserido no objetivo de todos “o desejo de ver os jovens mais felizes. É momento histórico e que contribui para os grandes avanços na educação brasileira”.
Sobre o tema da mesa internacional, Rosa Neide afirmou que “aprendizagem é aquilo que desejamos para nossos alunos e neste momento é importante a reflexão sobre o tipo de aprendizado que estamos passando a eles.” Destacou o fato de que todos os presentes fazem a educação na prática: “no chão das escolas e das regionais de ensino”. Para ela o momento é uma excelente oportunidade de trocas, pois,  “são educadores que têm práticas e que nos ajudam a refletir melhor sobre a educação que queremos”.
Por fim a secretária Rosa Neide provocou os participantes a refletirem “sobre as experiências apresentadas e busque adequá-las para o contexto brasileiro e de cada realidade regional”.
A diretora executiva da Fundação Victor Civita, Angela Dannemann, afirmou que na condução da gestão escolar deve-se priorizar “a presença de gestores que atuem como líderes nas escolas, capazes de implementar ações direcionadas para o foco da aprendizagem, contendo metas planejadas e negociadas com suas equipes e a rede de execução continuamente monitorada para corrigir desvios e assegurar os ganhos obtidos”.
Para ela, é fundamental a garantia de “formação continuada da equipe e seu próprio aprimoramento”, para os gestores. Segundo Dannemann é preciso construir uma comunidade de boas iniciativas que assegure o monitoramento escola/rede e permitir as trocas entre escolas para compartilhamento de ações e recursos, “bem como a discussão de desafios comuns.  Abrindo espaço para a inovação e a experimentação, sem perder o foco nos objetivos educacionais”, apontou.
Ao final, Angela Dannemann afirmou que é preciso “orientar e apoiar os educadores a respeitar, cada vez mais, as diversas formas de aprendizagem dos alunos, num mundo cada vez mais virtual, inundado de informações que demandam uma ação educativa intencional para se transformar em conhecimento aplicável às situações reais”, concluiu.
Os diretores americanos subdividiram-se em duplas, para abordar quatro diferentes temas: aprendizagem, equidade escolar, envolvimento da família no âmbito escolar e, também, a administração do material e o ambiente escolar.   
Aprendizagem escolar - Foi o tema abordado pelos diretores Rachel Clark e David Moody, que discutiram sobre os processos de avaliação e a importância da auto-reflexão na atuação dos alunos e professores. Os diretores apontaram as diferenciações das respectivas escolas e descreveram como melhoram os processos de aprendizagem dos alunos.
Rachel dividiu com o público as experiências com a prova principal, que eles aplicam na Carolina do Norte, que, além da nota, são avaliados níveis socioeconômicos, gênero, raça, dentre outros critérios, para o cálculo final da nota. “No fim, diretores, professores e pais se juntam num processo final, que aponta os erros e acertos da escola, de acordo com o aprendizado dos alunos, para que a cada ano, a escola melhore seu desempenho”, afirmou Rachel.
David trouxe novas perspectivas a palestra, ao falar sobre as avaliações que faz na escola que atua. “Ao invés de avaliações anuais, fazemos mensais, e ao verificar os erros, eles vão sendo ajustados continuamente”, disse.
Equipe escolar - Professores e Funcionários - Foi o assunto debatido pelos diretores Marco Nava e Debra Livinston. Eles compartilharam com o público, suas experiências sobre esse tema, especialmente, sobre o desenvolvimento de lideranças na formação de professores que “é um dos aspectos mais marcantes, devido a importância do progresso das capacidades para o professor se tornar um líder e assim formar novos líderes”, segundo Nava.
“Com as mudanças da escola, hoje exerço um papel de líder, onde não preciso acompanhar de perto cada ação, posso apenas direcionar a equipe ” afirmou Debra, ao pontuar as principais diferenças na equipe escolar com um maior número e mais liderança. Atualmente, todos tem algum cargo de liderança na escola, na devida situação, para que consigam chegar na equipe perfeita.
Para Marco “o mais importante para um diretor é ser capaz de identificar seus pontos fortes e fracos, assim como os de seus companheiros de equipe, para a melhora e o fortalecimento do grupo.” O professor ser líder e formar líderes é o principal foco de sua escola e para isso eles utilizam a “tecnica das 6 qualidades” - cada líder deve ter coragem, moral, equidade social, persistência, reflexão, diversidade e confiaça.
Envolvimento da família no âmbito escolar - Foi a questão que Hudson Thomas e Lindsey Pollock trataram durante sua participação. A colaboração e presença dos pais, é um diferencial que somente agrega aos alunos. Destacou - se a presença pais como voluntários nas Associações de Pais e Mestres, a participação nos eventos escolares e as dificuldades encontradas com os pais de alunos que não tem o poder de ajudar filho em casa.
Lindsey lembrou das qualidades de ser pai ou mãe, “precisamos nos envolver mais no processo escolar, para colaborar com a comunidade” afirmou. O trabalho voluntário de pais nas escolas dos Estados Unidos é um dos hábitos diferenciais que eles possuem.
“O aprendizado em casa é uma continuação do processo escolar e caso os pais não consigam ajudar, a escola deve estar pronta para prestar o suporte para a família” afirmou Hudson. Para ele “muitos de seus alunos possuem pais analfabetos e cabe a escola ajudar a lidar com essa crise”.
Infraestrutura Escolar - Foi o último assunto debatido pelos diretores americanos, Andrea Tejedor e Timothy Doran, trouxeram a importância da administração do material e o ambiente escolar. A importância da formação de cidadãos, participação do diretor, construções de relações com todas as pessoas que compõe o ambiente escolar, participação ativa dos alunos nas construções da escola, aprendizagem ativa e motivação escolar como  parte dos tópicos principais do debate.
Tim salientou o papel das crianças na escola, “um prédio só pode vir a ser escola quando tem crianças, e, é na escola,que elas se tornam cidadãos e assim pessoas competentes e confiantes”, afirmou.  Segundo ele “os valores e a infraestutura são os alicerces da escola”, além da própria “participação do diretor nas atividades diárias é essencial”.
Andrea abordou o tema de um modo mais global, não citando a própria escola como exemplo. “O Brasil e os Estado Unidos estão lutando com problemas parecidos em termos de aprendizagem e motivação dos alunos”. A diretora americana acredita que atualmente a tecnologia será um canal de solução “que vai nos ajudar nisso”, afirmou. Para ela “a junção da pedagogia e da tecnologia como ferramenta é a saída para uma inovação pedagógica que acompanhe em escala global as mudanças mundiais”, pontuou.
I Seminário Internacional de Boas Práticas - O evento foi uma realização do Conselho Nacional de Secretários de Educação - Consed em parceria técnica do Cenpec e da ConsisTI. E contou com a colaboração dos parceiros: Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),  Embaixada Americana,  Conselho Britânico, Undime, a Fundação Telefônica, Unesco, Fundação Victor Civita, Fundação Santillana, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco, Instituto unibanco, Instituto Natura, Fundação Roberto Marinho, Nuvem de Livros, a Gerdau e o Instituto Educação.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/892-mesa-internacional-aborda-garantia-das-condicoes-de-aprendizagem-para-os-alunos

Estudo mostra existência de práticas discriminatórias já na primeira infância

A Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade) decidiu investigar as formas de discriminação que existem dentro das escolas para conseguir avançar rumo à superação do problema. Assim, durante dois anos, professores, funcionários, diretores, pais e alunos de escolas do Brasil, Colômbia e Peru foram escutados. Seus depoimentos deram origem à "Consulta sobre Discriminação na Educação na Primeira Infância”.


A discriminação está presente em vários ambientes e a escola é um deles; nem mesmo a educação infantil está imune. A Clade confirma que até mesmo entre os pequeninos já podem ser vistas situações de exclusão e preconceitos étnico-raciais e de gênero. A comprovação veio após análise em 12 escolas. No Brasil, foram trabalhadas escolas das cidades de Fortaleza (Estado do Ceará) e Baixa Grande (Bahia); na Colômbia, escolas de Bogotá e Cartagena; e no Peru, escolas de Lima e Urubamba. Foram entrevistados 135 adultos e 300 crianças com idade entre 4 e 8 anos.

A Clade detectou diversos problemas nas escolas. Especialmente na Colômbia e no Peru, é comum a existência de conflitos e agressões físicas entre as crianças. Em várias escolas, notou-se que a questão da violência entre as crianças se mistura com as relações de gêneros. Em uma escola de Bogotá, por exemplo, as meninas reclamaram das agressões por parte dos meninos e disseram que essas atitudes eram ensinadas a eles pelos pais. Diante disso, a Clade interpreta que as relações desiguais estabelecidas entre homens e mulheres são percebidas pelas crianças e expressas nas relações entre meninos e meninas no entorno escolar.

Outro problema são os insultos e os "disse-que-disse" entre os colegas, que, em geral, incluem algum grau de discriminação. Também em Bogotá, as alunas demonstraram serem mais sensíveis a apelidos que se referem à sua aparência física.

A discriminação étnico-racial foi identificada em maior ou menor intensidade entre as crianças dos três países. O relatório avalia que as opiniões negativas sobre os negros, que parecem ser comuns nas cidades, provavelmente contribuem para aumentar a dificuldade das crianças de se identificarem como negras.

Com relação à questão de gênero, foi quase unânime a opinião das crianças de que existem jogos "corretos” para meninos e outros para meninas. Sendo assim, elas não podem participar de jogos como futebol e eles não podem brincar de boneca. As meninas foram as que mais reclamaram por não poderem brincar com seus colegas. As recomendações vindas dos adultos provavelmente são o que impedem as crianças de tomarem suas próprias decisões acerca das relações de gênero.

Por outro lado, as influências externas, vindas, por exemplo, dos meios de comunicação, contribuem para a construção de outros pontos de vista por parte dos meninos. Um garoto de Baixa Grande (Brasil), ao dar sua opinião em favor de que as meninas joguem bola, explicou: "As meninas da minha escola, em São Paulo, todos os dias, na aula de educação física, queriam jogar futebol e os meninos não deixavam. Meus colegas me dizem: 'Não, não pode'. E eu louco para dizer: 'Não, não pode? E porque aparece na televisão? As meninas não podem jogar? Podem!”.

Com relação às entrevistas feitas com adultos e adultas, a Clade encontrou o seguinte resultado: ao serem indagados/as se haviam sofrido algum tipo de discriminação no exercício de sua profissão, 54% dos entrevistados disseram sim; quando perguntados sobre a existência de discriminação na escola 78% confirmaram. Também foram apontadas situações de discriminação pela condição econômica, religião, orientação sexual, condição de migração, origem indígena, deficiência, entre outras.


Para combater as varias formas de discriminação, em particular na primeira infância, a Clade deixa 10 recomendações, que reconhece como condições essenciais para essa conquista. Uma delas é assumir a existência de práticas discriminatórias e conquistar sua superação a partir da promoção da cultura de respeito aos direitos humanos e da participação democrática no interior das escolas.

"Discriminação na Educação na Primeira Infância”. 

Natasha Pitts

Jornalista da Adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=81620

Defesa Civil orienta estudantes na prevenção às queimadas urbanas em Cuiabá

Foto:Michel Alvim



Secom Cuiabá
Embora as queimadas sejam proibidas em Mato Grosso até 15 de setembro, focos de incêndios, tanto rurais quanto urbanos, são detectados diariamente. Para tentar reduzir os efeitos maléficos que eles causam, a Prefeitura de Cuiabá iniciou nas escolas uma campanha de orientação, esclarecimento e prevenção às queimadas urbanas. A campanha é coordenada pela Defesa Civil Municipal e será levada a todas as escolas públicas ou privadas que se interessarem pela questão.  
Segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, Oscar Amélito, mostrar às crianças da rede escolar os riscos e as consequências maléficas das queimadas é também uma forma de prevenção, já que elas levam para os pais as orientações que receberam na escola.
“Além disso, começa a se criar nas crianças uma consciência dos prejuízos que as queimadas trazem, sejam eles materiais, ou para a saúde das pessoas”, afirmou Oscar Amélito.
A primeira ação nesse sentido aconteceu nesta quarta-feira (20), nos períodos matutino e vespertino, na Escola Municipal de Ensino Básico Zeferino Leite de Oliveira, localizada no bairro Pedra 90. A ação divide-se em duas partes.
Na primeira, é mostrado aos estudantes um vídeo e feita uma palestra sobre os problemas causados pelas queimadas e a punição que podem sofrer os responsáveis por elas.
Depois disso, a Brigada de Prevenção e Combate às Queimadas Urbanas apresenta equipamentos e faz exercícios práticos de contenção de incêndios. Nela, os brigadistas explicam às crianças que elas não devem apagar o fogo, mas pedir a um adulto que chame os órgãos de combate às queimadas para extingui-lo, ou denunciar os responsáveis.
As palestras e demonstrações nas escolas serão feitas por agendamento.  Elas duram cerca de uma hora e podem se repetir várias vezes ao dia na escola, dependendo do espaço físico e da quantidade de alunos. A previsão é que as orientações se estendam até o final do período de estiagem, ou de acordo com o interesse das escolas.
Neste primeiro momento, a Defesa Civil Municipal está fazendo contato com escolas, apresentando a campanha. Posteriormente serão feitas nas escolas interessadas.  Os telefones para as escolas que se interessarem são: (65) 3616-0633, ou (65) 9307-4567.
http://www.cuiaba.mt.gov.br/secretarias/governo/defesa-civil-orienta-estudantes-na-prevencao-as-queimadas-urbanas-em-cuiaba/9438

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sintep Cuiabá convoca Assembleia Geral


A  direção do Sintep Subsede de Cuiabá  convoca  os trabalhadores da rede municipal de ensino das escolas e creches para uma Assembleia Geral,  que tem como pauta a campanha salarial  de 2014. 

Esta importante atividade sindical será realizada no dia 21,  às 14:30h na EE Liceu Cuiabano. Participe. 

Quem participa, delibera.

João Custódio
Presidente

Jogos melhoram comportamento e assimilação do conteúdo


Lucas Rodrigues
Do UOL, em São Paulo
Ensinar habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, cooperação e autocontrole, pode ser mais fácil com a ajuda de jogos. Professores ouvidos pelo UOLafirmaram que essa prática melhora o comportamento dos alunos e a assimilação do conteúdo.
"Os que estimulam a violência e a agressividade para resolver problemas não são adequados. Mas aqueles que ajudam a seguir regras, comunicar-se, negociar e resolver problemas são muito bons", diz Alessandra Turini Bolsoni Silva, professora de psicologia clínica e do desenvolvimento da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), de Bauru.
As escolas Cruz de Malta e Padre Moye, em São Paulo, contam com a metodologia da Mind Lab, empresa israelense que utiliza jogos de raciocínio para o desenvolvimento dessas habilidades.
 
Os professores têm encontros de 45 minutos por semana com os alunos nas chamadas aulas de "Mente Inovadora", onde introduzem os conceitos de jogos de tabuleiro como bloqueio, damas, octi e abalone.
 
Leila Romero, docente de matemática na Cruz de Malta, afirma que houve um estranhamento quando sua escola aderiu ao programa. "Tudo que é novo assusta um pouco. Os pais perguntavam o que era isso, se seus filhos teriam aula de jogo", diz. "Mas sempre quis implementar jogos em sala porque tem tudo a ver com o desenvolvimento de raciocínio."
 
Elizabete Márcia, professora de matemática e ciências na escola Padre Moye, ensinou a metodologia com jogos de tabuleiro para seus alunos no 2º ano do ensino fundamental e conseguiu acompanhar o desenvolvimento deles ao longo de sete anos.
 
"Pude perceber um crescimento emocional e social. Além da melhor assimilação dos conteúdos, eles estão aprendendo a ter atenção antes de tomar qualquer atitude", avalia.
 
As escolas parceiras do projeto participam de uma Olimpíada Internacional, onde alunos de vários países que utilizam a metodologia com os jogos se reúnem para reforçar os conceitos aprendidos em sala de aula. As duas equipes brasileiras que disputaram a competição foram premiadas.
Conheça alguns métodos de habilidades socioemocionais, clique no link abaixo.
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/21/jogos-melhoram-comportamento-e-assimilacao-do-conteudo.htm

A educação e a formação dos valores

A educação empreendedora tem por base valores morais, que devem permear todas as atividades e atitudes em sala de aula, tanto dos alunos quanto dos professores. 
Um dos elementos que distinguem uma educação de qualidade, de excelência  e que realmente resulte duradoura e positiva para nossos educandos são as práticas de valores. Estes não se referem a ideias ou conceitos. Muitas vezes o professor, na melhor das intenções, confunde o princípio de valores com a prática de apresentar conceitualmente para os alunos o que é a fraternidade, a justiça ou a diversidade, porém essa é a parte visível do ensino de valores. Aprendemos valores quando os vivenciamos, assim percebemos que, efetivamente, praticamos esses conceitos nas escolas. 
O que são valores, então? Valores são uma espécie de bússola interior, ou um eixo norteador, que nos aproxima ou nos afasta de pessoas, experiências e atitudes, percebidas como positivas ou negativas, de acordo com o critério de avaliação do que seja importante para nós. É o valor da justiça que nos afasta de um comportamento inadequado - ao descontar na nota de uma prova um comportamento não adequado de um aluno em sala de aula, por exemplo -, assim como é o valor da fraternidade que nos faz nos aproximar de um aluno que percebemos muito calado em sala de aula, demonstrando um genuíno interesse por ele. 
António Damásio, em seu livro "E o Cérebro Criou o Homem", mostra que o cérebro precisa perceber que um conceito, um conhecimento ou um dado são realmente significativos para que recrute e direcione neurônios e perceba que aquele conhecimento é importante. Então, somos movidos de acordo com o neurologista, por um valor biológico, ou seja, se biologicamente nosso corpo não sente que determinado conhecimento é realmente importante, o aprendizado não é fixado de modo profundo. Por isso, muitas vezes o ensino de valores acaba não tendo uma efetividade. 
Os valores são importantes para o professor, pois o definem como pessoa e o ajudam a perceber como lidar com os alunos, os colegas, a instituição, na sociedade e até na vida pessoal. 
Eles também são relevantes para que o professor perceba qual é a importância e o valor que está imprimindo em sua matéria. Se o educador não mostrar que aquela matéria é importante e significativa para os alunos, dificilmente o cérebro deles vai incorporar esse conhecimento. 
E, finalmente, o valor se mostra relevante quando o professor valoriza o aluno, quando cuida, respeita, age de maneira zelosa e com consideração. E, assim, fundamentalmente, o valor se mostra ainda mais profundo quando o professor valoriza a vida, o respeito, a natureza e a aplicação daquilo que foi ensinado para melhoria da sociedade como um todo.

http://educacao.uol.com.br/colunas/leo-fraiman/2014/08/21/a-educacao-e-a-formacao-dos-valores.htm

LEO FRAIMAN

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

Educação integral: uma proposta para o nosso tempo

A entrevista com Lino de Macedo, professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo (USP), é resultado do debate realizado em São Paulo no Encontro Regional de Educadores "Educação integral: experiências que transformam", contemplado nas ações de formação de 2012 pelo Prêmio Itaú-Unicef. Esse conteúdo é um dos textos que compõem a publicação Educação integral: experiências que transformam – subsídios para reflexão. (Veja abaixo o link para obter a publicação)




Livre-docente (1983) em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Lino de Macedo é membro da Academia Paulista de Psicologia e professor titular aposentado (desde agosto de 2011) do Instituto de Psicologia da USP. Atualmente é professor e orientador no Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP.





Como o senhor vê as dificuldades hoje dos professores trabalhando a integralidade com os alunos no período da aula?
Lino de Macedo: Nós ainda raciocinamos de forma disciplinar, sobretudo do Ensino Fundamental II para frente. E mesmo no Fundamental I. É um professor especialista, que trabalha temas diferenciadamente.
O desafio da educação integral é adotarmos, dentro do possível, uma perspectiva interdisciplinar, mesmo dentro da sala de aula. Por exemplo, o pensamento que toma decisões, que argumenta, que calcula os riscos, não é privilégio da Matemática. Comportar-se na sala de aula de modo adequado e frutífero – frutífero é aquilo que faz bem e adequado é aquilo que é conveniente –também não é privilégio de nenhuma disciplina. Conversar é bom, mas dependendo da hora é inconveniente. Portanto, a ação do professor como um gestor é interdisciplinar, vale para todos.
A pergunta é: como construímos uma perspectiva multidisciplinar para trabalharmos
em equipe? Isso inclui o servente que limpa os banheiros, porque ele tem a oportunidade de observar condutas que os professores não têm.
A estrutura disciplinar dificulta algo que, para ser integral, precisa ser interdisciplinar e multidisciplinar. Existem escolas que estão conseguindo isso e essas experiências têm o valor da transformação. Existem gestores que conseguem juntar os professores nas suas diferentes disciplinas, em favor de um projeto comum. Essa é a saída, porque senão o
professor vai continuar atuando em sala de aula, em uma estrutura inadequada para o raciocínio integral. 


Qual o papel de cada agente – a família, a escola, a comunidade – na construção da educação integral? Qual é o aporte diferencial das Ongs, inclusive na perspectiva da diferenciação?
Lino de Macedo: É muito importante diferenciarmos as instituições família, escola, Ong, polícia, religião, enfim, as instituições que cuidam das crianças. A mesma criança que para a família é um filho, para a escola é um aluno, e para a Ong pode ser um consumidor de mídia. Mas é a mesma criança. Como não desagregar? Porque temos um raciocínio institucional e profissional.
Quando falamos em educação, mesmo em educação integral, pensamos nos educadores, nas agências educacionais, portanto, nos
adultos responsáveis pela transmissão de informações. É claro que os educadores fazem tudo para os educandos, mas em uma visão de
educação integral, temos que considerar a perspectiva dos educandos.
A questão da diferenciação opera em vários níveis de abstração. Uma coisa é o aspecto político, jurídico, as leis que regulam os sistemas educacionais, etc. Isso faz parte de um jogo muito complexo. Mas temos que saber que também somos jogadores, dentro dos limites da instituição e da comunidade.
Daí, quem trabalha com educação integral tem que enfrentar a problemática da família, nos termos em que ela se desenha hoje. Isto é, inserida na comunidade e em uma cultura, no seu sentido amplo. É mais trabalhoso e, por isso mesmo, é integral.

Proliferaram uma série de iniciativas do poder público que se autointitulam educação integral. Há um lado positivo, que é a inovação, a possibilidade de alcançar algumas dessas dimensões, mas há também aspectos que reduzem o conceito. Qual o papel do poder público?
Lino de Macedo: Educação integral é também fazer uma Lei de Diretrizes e Bases, regulamentos, Planos Nacionais de Educação, impondo deveres ao Estado, criado toda uma jurisprudência. Mas não é só isso. Educação integral é um novo jeito de pensar o lugar de todas as crianças no mundo de hoje.
E quem diz educação integral, diz diversidade, diferenciação. Todos têm o direito a aprender a ler e a escrever, mas cada um tem seu tempo, suas habilidades e suas capacidades. Uma criança com Síndrome de Down, por exemplo, tem direito, como qualquer outra criança, a ir ao máximo das suas possibilidades. Mas existe diferença. Confundimos diferença com desigualdade. A diferença é bem-vinda e precisa ser reconhecida, mas a desigualdade é injustiça, tem que ser combatida.
Cursar o ensino superior é uma aspiração cultural. Mas a maior parte das profissões não precisa de faculdade. Posso ser uma pessoa feliz, sendo cabeleireiro, cozinheiro, pedreiro. Por que não? Isso é uma realidade agora, inclusive em outros países. Isso é ser integral: todo mundo está na roda, mas cada um do seu jeito. Ainda temos muito o espírito da homogeneidade, da igualdade. Temos a ilusão de que todos podem e querem as mesmas coisas. Não podem e nem querem.
Nós, da escola pública, temos uma dívida com as Ongs, porque elas atuam em um espaço, que é o ponto fraco da escola pública: da formação de professores. Ainda que tenha melhorado muito, as Ongs desenvolveram ferramentas, metodologia, criaram condições. Uma coisa o professor lá com o seu dinheirinho fazer a autoformação, outra coisa é o trabalho mais sistematizado, com intencionalidade, desenvolvido pelas ONGs.
Os professores precisam e querem cada vez mais formação. E muitas prefeituras de cidades pequenas não têm condições de formar uma equipe técnica que dê esse suporte de formação aos professores e aos gestores.

Como trabalhar uma equipe que não tenha formação na área escolar para atuar na educação integral? Como aliar a integralidade na educação com uma escola deficitária, as Ongs despreparadas e a sociedade que não valoriza a educação e a cultura e, ao mesmo tempo, a universidade distante desse debate?
Lino de Macedo: Infelizmente tudo isso é verdade. A integração é um direito das crianças, porque elas têm direito de fazer parte do mundo. Elas não pediram para nascer, fomos nós que as inventamos, nós que decidimos tê-las. Elas têm direito de se inserirem nesta sociedade, que é cada vez mais integrada e precisa cada vez mais de integralidade. Então, que isso seja pelo menos um sonho, um desejo, porque os problemas são reais.
A universidade, muitas vezes, faz a crítica, mas é uma crítica teórica, não contributiva. Os professores têm razão quando nos devolvem a pergunta e pedem uma alternativa. Eles até reconhecem que a educação poderia ser melhor, mas se a universidade não der alternativa, a crítica fica injusta. Ela só é válida para o meio acadêmico.
A integralidade é um norte, é uma aspiração, não é o que a gente alcança, é algo que a gente busca. Por isso a integralidade é realizada em projetos particulares, mas o propósito é geral. O propósito é uma forma de ver a vida. A sustentabilidade, por exemplo, é educação integral. Integração é convivência, é respeito, é preservação da vida. Se não tivermos abertura para esses temas, vamos ter o discurso da integração, mas uma prática desintegradora.

As pesquisas apontam para alguma redução da pobreza e, no médio prazo, certo crescimento econômico. Que sociedade sai desse processo? Aumentar o poder aquisitivo das pessoas não significa necessariamente criar cidadãos e cidadãs plenos. Dinheiro no bolso não significa necessariamente valores, padrões de convivência. Afinal, que país queremos ser? O nosso modelo de desenvolvimento gera padronização e homogeneidade, integrando, mas sem assimilar as diferenças. Mas integrar não significa diluir a diferença e, sim, fortalecê-la. Em um país como o Brasil, que tem uma imensa diversidade cultural, como fazer que a escola assuma as diferenças como um valor e não como um problema?
Lino de Macedo: Integração é exatamente a construção de vínculos. A palavra coser existe com ’s’ e com ’z’. Coser com ‘s’ é tecer, costurar. Com um novelo de lã, é possível transformar os fios em uma blusa. Cozer com ’z’ é cozinhar. Neste caso, também se transforma algo em outra coisa. Por isso, a integração transforma o vínculo das pessoas com os outros, das pessoas consigo mesmas.
A educação integral é a grande aposta do século 21. Quando esse tema vem à tona, eu me reporto a um autor indiano que ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1998, chamado Amartya Sen. No seu livro, Desenvolvimento como Liberdade, a ideia central é que a distribuição de renda é necessária, mas se não houver a transformação educacional das pessoas, é insuficiente.
Houve um tempo não muito distante em que as coisas da escola só interessavam a algumas pessoas. Hoje, em uma sociedade tecnológica, todo mundo é atravessado pelos temas da escola, pelo conhecimento cientifico, tecnológico. Então, uma escola que vincule todas as pessoas em uma ideia de relação com o mundo, com os outros e consigo mesmo, é a aposta do século 21.
Por que a escola ficou tão importante? Infelizmente não é pelo nosso trabalho, às vezes muito bem feito. É que os economistas e os políticos descobriram que investir em educação traz vantagens muito maiores do que todas as outras coisas. Uma descoberta tardia!
Nós dependemos dos políticos e, sobretudo, da concepção que eles têm de escola, de educação, de cultura. Dependemos porque, na verdade, eles representam os nossos interesses. A visão deles é necessária, mas não substitui a nossa ação, que é uma ação técnica, se é que se pode usar esse termo.
De qualquer forma, essa ação está no cotidiano do professor, do diretor, está no cotidiano da sala de aula, na relação com a família, com a comunidade, com a vizinhança. É o dia a dia inteiro e que inteira, que complementa, que forma. E que vai, pouco a pouco, transformando as crianças em cidadãos de uma cultura do século 21.
A nossa parte é fundamental, aquilo que a gente faz no cotidiano da escola. É isso que tem valor, que transforma algo em um todo. Por isso, as Ongs não podem se abater se não estão tendo o reconhecimento que lhes é devido.
Hoje, nós pais e mães ficamos menos tempo com nossos filhos do que os membros da comunidade, seja na escola, seja nesses espaços culturais. Às vezes, os nossos filhos estão mais com essas pessoas e, por isso, dependemos dessas instituições.

Como fortalecer a conexão entre as riquíssimas experiências que o Brasil possui – as Ongs que trabalham com educação, com cultura, que também são pontos de cultura –, fortalecendo e propondo, inclusive, agendas públicas? Para fortalecer, é preciso algum grau de legitimação nas políticas públicas. Para nosso país, que está se transformando, que incorporará milhões de pessoas, não será suficiente a soma aritmética do que cada um faz, porque a demanda é imensa.
Lino de Macedo: Entendo a questão de rede como sistema complexo. Na verdade, a educação integral significa uma educação que funciona na sua complexidade. O que é um sistema complexo?
O sistema simples ou simplificado é aquele em que se pode trabalhar independente de outras variáveis. Achar que as crianças não aprendem porque são burras é um jeito simplificado de ver o problema da aprendizagem, porque reduz uma questão complexa a uma única dimensão. A mesma coisa é falar que os professores são desqualificados.
O sistema complexo é pensar as coisas em uma rede interligada, na qual tudo tem muita importância. Complexidade é ver as coisas de maneira interdisciplinar, multidisciplinar. Isso exige uma perspectiva de recorte. Recorte não significa simplificação.
É possível, por exemplo, escolher algumas experiências que ilustram transformação, em uma visão de educação integral. Esses recortes permitem iluminar certos aspectos do real. Isso tem a ver com a ideia do fractal. Isto é, pega-se um pedaço, mas naquele pedaço, está o todo. Trabalhamos o pedaço na sua perspectiva de totalidade, de rede.
Quem trabalha com educação integral tem que trabalhar com a ideia de rede, senão deixa de ser integral, porque as coisas estão interligadas. Não quer dizer que se confundam. Se, por um lado, é importante uma cumplicidade entre escola e família, por outro, em casa esse menino é filho e na escola ele é aluno. Não se confundem.
Então, trabalhar em rede é próprio da educação integral. E precisamos aprender a trabalhar em rede. Isso significa não ser cego, surdo e mudo para certas coisas que não são próprias da escola, mas aparecem na escola.
Uma criança, por exemplo, não dormiu bem à noite porque o pai bêbado ameaçou todo mundo, não deixou ninguém dormir direito. Naquele dia, ela vai estar desatenta, ou vai estar irritada, briguenta ou triste. Isso afeta o trabalho do educador. Então, é preciso ver a situação na sua complexidade e operar o trabalho em rede.
Mas precisamos aprender, porque a nossa tendência é de atuar de forma isolada ou ignorar as outras dimensões. Ver as coisas na sua complexidade é vê-las com a luz. É sair da indiferenciação, é diferenciar. É um trabalho longo e difícil, mas vale a pena.

Educação integral: experiências que transformam - subsídios para reflexão

Tendo como referência o processo de formação desenvolvido pelo Prêmio Itaú-Unicef em 2012, a publicação sistematiza as reflexões realizadas por especialistas em temas ligados à educação integral durante os debates ocorridos no período. Proteção social, educação e novos saberes, juventude, garantia de direitos de crianças e adolescentes e esporte são alguns dos assuntos. Baixe a publicação.

http://www.educacaoeparticipacao.org.br/todas-entrevistas/112-premio-itau-unicef/entrevistas-premio-itau-unicef/690-educacao-integral-uma-proposta-para-o-nosso-tempo

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