sábado, 17 de janeiro de 2015

Curso sobre ensino híbrido terá início em março de 2015 pela primeira vez no Brasil

Professores e alunos de todo o Brasil começam o ano com um presentão: o primeiro curso sobre ensino híbrido do país estará, em breve, disponível gratuitamente. Resultado da parceria entre a Fundação Lemann e o Instituto Península e fruto de um longo processo de pesquisa e validação do melhor formato, o curso Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação poderá ser realizado na plataforma online Veduca.
Cada aluno possui sua maneira e tempo de aprendizado, e o ensino híbrido fornece ao professor ferramentas e estratégias de ensino que, além de facilitar seu trabalho, possibilitam que todos os alunos tenham uma experiência mais personalizada.  A tecnologia por si só não amplia a conexão do aluno com o aprendizado, mas o curso de Ensino Híbrido irá ensinar os professores a usá-la como facilitador e potencializador desse processo.
Os educadores participantes poderão escolher assistir às videoaulas e fazer os exercícios gratuitamente ou realizar o programa de certificação que contém conteúdos exclusivos, tutoria personalizada, interação entre os cursistas e exercícios com aplicação prática em sala de aula e oferece um certificado. Esta segunda opção de formação é paga. Em ambos os formatos, o curso apresentará aos interessados ferramentas e recursos para a personalização do ensino, utilizando a tecnologia para benefício do aluno. O professor aprenderá novas formas de engajá-lo no estudo e também como aproveitar melhor seu próprio tempo e potencial impacto de trabalho.
Professores de Ensino Fundamental ou Médio que têm interesse em integrar tecnologias digitais à sala de aula estão no foco da formação, mas qualquer interessado poderá cursar o Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação.
Como material complementar do curso é indicado o material do Porvir sobre personalização do ensinoque, entre outros, utiliza e indica conteúdos do QEduCourseraKhan Academy e Geekie.
O início do curso está previsto para março, mas já é possível se pré-inscrever a partir de agora. Não perca esta oportunidade: http://goo.gl/MDQiWI.
Assista o vídeo de divulgação do curso CLIQUE AQUI


http://fundacaolemann.org.br/novidades/curso-sobre-ensino-hibrido-tera-inicio-em-marco-de-2015-pela-primeira-vez-no-brasil

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

'Só penso no que faltou', diz candidata que tirou 980 na redação do Enem

Tássia LimaDo G1 Sorocaba e Jundiaí
Nathalie Poveda teve 980 na redação do Enem
(Foto: Arquivo Pessoal)
No momento em que viu a nota que recebeu na redação do Enem, a estudante Nathalie Poveda, de Sorocaba (SP), teve uma grata surpresa: tirou 980 - muito perto da nota máxima, que é de 1.000 pontos. A alegria é inevitável, mas, passada a euforia, ela se questiona onde poderia ter feito melhor. "Estou pensando no que faltou. Talvez eu tenha errado em algumas pontuações. Também poderia ter focado mais no Brasil, porque falei do tema em um aspecto generalizado", opina.
Segundo ela, escrever não foi tão difícil quanto esperava, porque o curso pré-vestibular que a estudante frequentou havia pedido uma redação com tema semelhante ao do Enem, que foi  “Publicidade infantil em questão no Brasil”. "Eu já tinha feito uma redação parecida, então comecei a 'linkar' a redação que eu fiz no cursinho com a do Enem, na hora da prova. Deu resultado", comemora Nathalie.
Ela conta que estudou em escola pública durante toda a vida, e que, no ano passado, ao terminar o ensino médio, passou no vestibular para uma universidade federal, mas decidiu não cursar. "Eu estava indo fazer a matrícula quando falei para o meu pai que eu não queria. Lá, eu ia fazer curso de ciência e tecnologia, e depois pretendia me especializar em neurociência, mas desisti. Meu sonho é fazer medicina. Com essa nota na redação, tenho uma esperança a mais", diz a jovem de 19 anos.
A nota da redação de Amanda Lamarca foi 960 (Foto: Arquivo Pessoal)A nota da redação de Amanda Lamarca foi 960
(Foto: Arquivo Pessoal)
Mas Nathalie não foi a única a chegar perto da "redação perfeita". A vizinha dela, Amanda Lamarca, teve 960 e, apesar do "notão", também se pergunta onde errou. "Eu senti que falhei um pouco na conclusão, acho que não sintetizei muito bem. Coloquei várias intervenções", afirma a estudante.
Autocríticas à parte, Amanda se diz satisfeita com a nota - resultado de muita dedicação. "Eu fazia duas redações por semana, de temas atuais. Estudei materiais de atualidades não só do ano passado, como de anos anteriores. É preciso estar por dentro de tudo, porque o tema do Enem nunca é óbvio. Dificilmente vai ser alguma coisa que está em destaque na mídia", acredita a jovem.
Além de fazer curso pré-vestibular de manhã, Amanda tinha aulas particulares de redação uma vez por semana. A professora dela, Maria Luiza Arruda Lima, garante que a estudante fez por merecer. "A Amanda é uma menina que cultiva o hábito de ler e que treinou bastante durante o ano todo, lendo muitos textos e fazendo, no mínimo, uma redação por semana. Ela chegou a fazer mais - duas, três por semana. É esse treinamento intensivo que tem bom resultado", orienta Maria Luiza.
Outra que teve 960 na redação do Enem foi Beatriz Moraes, também de Sorocaba. "Foi a primeira nota que eu olhei, e pensei 'não acredito'. Minha professora tinha corrigido a minha redação e dado 940, então não esperava que fosse acima disso", declara a estudante.
Para atingir a nota máxima, Beatriz acredita que o tempo para realização da prova atrapalhou. "Talvez eu precisasse colocar um vocabulário mais rebuscado. É que, na pressa, você acaba deixando palavras que poderiam ser trocadas por sinônimos melhores", diz.
Entre as qualidades que levaram a redação a receber uma nota alta, ela cita o enriquecimento do texto com pensamentos de filósofos. "Antes de sair de casa para fazer a prova, eu pensei que gostaria de fazer alguma citação, mas, como não tinha nenhuma ideia, peguei meu caderno de filosofia e fiquei lendo os pensamentos dos filósofos", conta a estudante, que acabou citando Aristóteles.
Outro fator que ela acredita ter contribuído para os 960 na redação foi o hábito de ler. "Sempre li muito, tanto livros de escola quanto os de fora, e sempre gostei muito de escrever. Também fiz pelo menos uma redação por semana durante o ano", diz a jovem, que pretende estudar letras.
A professora Maria Luiza, que também deu aulas para Beatriz, reforça que a leitura é mesmo fundamental para quem vai prestar vestibular. "Não existe escrita sem leitura. O aluno que tem o hábito de ler vai assimilando a gramática sem perceber, vai melhorando o nível vocabular, vai aprendendo a pontuar. O aluno que lê muito desenvolve os textos com mais facilidade", encerra.

http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2015/01/penso-no-que-faltou-diz-candidata-que-tirou-980-na-redacao-do-enem.html

TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO: Professora paulista aproxima crianças de culturas diferentes

A partir da exploração de temas como moradia, alimentação, transporte e brincadeiras, uma professora de Valinhos, no interior paulista, desenvolveu projeto para comparar o modo de vida dos alunos de uma escola da rede particular de ensino com os de uma escola indígena do Pará. “Queríamos promover uma leitura intercultural”, diz Josane Batalha Sobreira da Silva, professora polivalente no Colégio Visconde de Porto Seguro.
Seu projeto, Aproximando Culturas por Meio da Tecnologia, confrontou semelhanças e diferenças entre estudantes do quarto ano do ensino fundamental do colégio paulista e da Escola Professor Antônio de Sousa Pedroso (Escola Borari), em uma comunidade indígena da vila Alter do Chão, distrito paraense, a 30 quilômetros de Santarém.
Alunos de seis turmas formularam perguntas relacionadas à escola, moradia, alimentação, meios de transporte, brincadeiras e festas típicas. “Ficamos três semanas trocando perguntas e respostas”, diz Josane. As perguntas, elaboradas em sala de aula, eram postadas no portal educacional Faceduc, durante as atividades realizadas no laboratório de informática. Além de postar e responder perguntas enviadas pelos alunos da comunidade indígena, os estudantes paulistas tinham de refletir e escrever sobre o que acharam de mais interessante nos comentários postados a cada semana.
Além disso, os professores postaram vídeos e fotos de diferentes locais para permitir a comparação de pontos geográficos, modos de vida e cultura. Foi possível, assim, analisar a situação dos alunos de uma comunidade indígena nos dias atuais e perceber aquela comunidade como “um outro diferente, mas não inferior”, enfatiza a professora.
Os estudantes pesquisaram sobre a vila Alter do Chão para conhecer um pouco mais sobre o lugar, localizaram a comunidade indígena no mapa, conheceram o cotidiano das crianças e compararam a forma de vida dos indígenas de antigamente com a de hoje. “Os alunos puderam perceber o cuidado que as crianças indígenas têm com a natureza, tirando dela apenas o que necessitam para seu sustento”, ressalta a professora. Os estudantes paulistas também aprenderam sobre o nheengatu, língua da família linguística do tupi-guarani, falada pela comunidade de Alter do Chão.
Livro — As reflexões sobre o que cada um aprendeu a respeito dos temas trabalhados foram registradas em um livro, criado no Faceduc. “Ao ler os relatos, percebemos que essa troca pode estabelecer correlações entre o conteúdo estudado em história e geografia e a realidade”, analisa a professora.
O trabalho foi finalizado com uma videoconferência. Por meio do skype, os alunos puderam se conhecer em tempo real, conversar e finalizar o trabalho. “Foi um momento mais que especial”, diz Josane.
Prêmio — A inclusão do projeto entre os finalistas da sétima edição do Prêmio Vivaleitura, na categoria 2, voltada para escolas públicas e particulares, deixou Josane emocionada. “Sempre acreditei na tecnologia como algo que oferece ao aluno um espaço de interação e conhecimento, que possibilita uma diversidade de caminhos para a melhoria do ensino-aprendizagem”, ressalta. Ela pretende dar continuidade ao projeto este ano, com mudanças e ampliação. “Estamos trabalhando nas adaptações, desenhando as mudanças e acrescentando ideias.”
Professora há 18 anos, Josane é graduada em pedagogia e em psicopedagogia, com pós-graduação em relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral. Tem ainda especialização em ética, valores e saúde na escola.

Fátima Schenini

Saiba mais no Jornal do Professor

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

‘Sala de aula invertida faz alunos virarem autores’


Professora de espanhol fala do impacto na metodologia nas aulas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Diário de Inovações
Por Jorgelina Tallei
"Sempre pesquisei formas diferentes de trabalhar com os alunos e novas tecnologias para a sala de aula. No início do primeiro semestre de 2014, decidi pôr em prática a sala de aula invertida na disciplina Espanhol como Língua Adicional, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu (PR).
A instituição tem alunos paraguaios, argentinos, bolivianos, peruanos e uruguaios, que contribuem muito para que o brasileiro aprenda espanhol. Na convivência do dia a dia, o aluno pode aprender novos costumes e culturas dentro da sala de aula.
Diário de InovaçõesCrédito: CurvaBezier/Fotolia.com

A nova experiência contou com a participação de turmas dos cursos de História da América Latina e de Antropologia e Diversidade Cultural, que fazem aulas de espanhol de quatro horas durante duas vezes na semana (estudantes de outras nacionalidades têm a mesma carga horária para o português). Como tempo era muito longo, os estudantes tinham dificuldade para se manter motivados, e a sala de aula invertida faz com que eles tenham que pesquisar e buscar novas ferramentas para o aprendizado, até porque devem escrever o trabalho de conclusão do curso na língua estrangeira.
A sala de aula invertida era a estratégia certa para que eles atuassem como autores, e não apenas como consumidores de tecnologia
Trabalhamos a pedagogia por projetos e a perspectiva do aluno, uma vez que, nas aulas, eles usavam diferentes tecnologias, como computadores, celulares e tablets. A sala de aula invertida era a estratégia certa para que eles atuassem como autores, e não apenas como consumidores de tecnologia. Além disso, a prática possibilita uma reflexão do uso do idioma tanto fora quanto dentro da classe, além de um trabalho a partir de uma reflexão crítica e de autonomia dos alunos.
Até aquele momento, os vídeos não eram utilizados na prática de língua adicional e nem havia registro de experiências neste sentido nas aulas. Usamos o YouTube para trabalhar os conteúdos e hospedar os vídeos que, tão logo publicados, eram compartilhados na página do Facebook. Na hora da revisão, quando não lembravam de uma palavra, eles sempre recorriam aos vídeos, porque é mais fácil associar palavras com as imagens.

De certa forma, esse trabalho ajudou alunos a: a) praticar língua estrangeira; b) revisar conteúdos já estudados em sala de aula; c) treinar a escrita em língua estrangeira; d) ampliar letramento digital; e) trabalhar em colaboração.
Ao terminar o curso, os alunos responderam a um questionário de avaliação em que dizem que a aula foi legal, mas que os vídeos precisam ser aprimorados. Já temos um projeto para trabalhar com designers e editores, mas levará um tempo.
Os vídeos produzidos pelos alunos podem ser encontrados na páginaIntercâmbio UNILA do Facebook, no blog Integrando las lenguas e noYouTube.
assinatura_professora_jorgelina

* Diário de Inovações é uma seção com relatos de educadores que estão inovando dentro da sala de aula. Para compartilhar suas experiências com a gente, acesse aqui o formulário e conte sua história.

http://porvir.org/diariodeinovacoes/sala-de-aula-invertida-da-autonomia-ao-aluno/20150114

A ciência da autonomia


Escrito por Celso Antunes

A autonomia é qualidade invejável em qualquer adulto, mas impressiona muito mais e melhor quando ocorre na infância. Uma criança dotada de autonomia depende dos adultos apenas para o que é essencial à sua idade e, assim, sabe brincar, fazer amigos, resolver problemas, o que a faz feliz. Impressiona pelo empreendedorismo e pela segurança, visto que é sempre capaz de se sair bem em situações intrincadas, de fazer de sua solidão um momento de alegria, maturidade e criatividade. A autonomia infantil, entretanto, não é característica de caráter programada pelos genes e, dessa forma, é progressivamente conquistada quando cercada de pais e professores que fazem da educação para a autonomia um procedimento respaldado pela neurociência.
Para que seja plenamente desenvolvida na infância – quanto mais cedo, melhor –, é essencial ação cooperativa e sistemática de pais, professores e, eventualmente, tios, primos mais velhos ou outros adultos que convivam, ainda que esporadicamente, com a criança. O que existe de essencial na educação para a autonomia plena é o esforço comum dos adultos em desenvolvê-la em todas as oportunidades, respeitando as limitações físicas da idade, jamais esquecendo a certeza de que qualquer criança saudável pode ser responsabilizada por aquilo que necessitar ou desejar fazer.
Dessa forma, evita-se a exagerada e desnecessária atenção assistencial que, ao artificializar responsabilidades, retarda o poder de autonomia infantil. Trocar a própria fralda, por exemplo, é quase impossível para uma criança de dois anos, mas levá-la ao lixo é sua obrigação. É importante que as crianças sejam alertadas sobre os riscos de uma aventura, como o de subir em uma árvore, mas também aprendam que tombos fazem parte das correrias e, se são acudidas e tratadas, jamais serão bloqueadas no empenho por aprender. O adulto está sempre por perto para socorrer e até pode providenciar o algodão e o mercurocromo, mas, com paciência, pode mostrar à criança o bom procedimento para esterilizar e cuidar do ferimento. Eventualmente, as crianças podem ser privadas de cortar o pão, pois ainda não sabem manejar a faca, mas, no mais, são feitas responsáveis pelo manuseio do que querem, na quantidade que realmente é compatível com seu apetite. Quebrar copos e pratos pode representar risco para crianças pequenas, pois, após usados, os mesmos devem ser lavados. No entanto, esse problema se resolve substituindo-se a louça e o vidro pelo plástico, e jamais é atribuída a elas a responsabilidade de organizarem a mesa e guardarem corretamente tudo que se fez necessário para alimentação (e os exemplos podem se multiplicar infinitamente). Assim, cresce na criança a certeza de que “se virar sozinha” não representa omissão de ajuda, mas consciência sobre a importância de se aprender a crescer.
Nenhuma dessas e de inúmeras outras ações que se refletem no cotidiano infantil é novidade na educação em países escandinavos, mas se tornam difíceis de se transferirem para a realidade brasileira, a qual mal educa crianças com adultos, que servem de “pajens” caridosos que as viciam na dependência, da qual jamais se libertam pela vida afora. 

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/colunistas-pm/celso-antunes/1113-a-ciencia-da-autonomia

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ENEM: Sinal de alerta

Andre Ramal
G1

O resultado do Enem 2014 mostra que o ensino médio brasileiro segue estagnado. No resultado divulgado, caíram as médias da redação e da prova de matemática. Não é um resultado isolado, porque o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) vem mostrando a mesma coisa: neste segmento da educação básica, nunca conseguimos alcançar a média 4,0 sobre 10,0.

Além da queda na nota da redação, meio milhão de candidatos ficou com zero nessa prova. Um dos fatores que explicam isso é o provável número de analfabetos funcionais. São alunos que foram aprovados em anos anteriores e estão no final do ensino médio, mas não sabem ler um enunciado, explicar uma ideia, fazer um texto com encadeamento e lógica.

Os três últimos ministros de Educação, quando assumiram, anunciaram que a prioridade seria "reformar o ensino médio". Neste ano, Cid Gomes disse o mesmo. Mas há décadas as notas não mudam e o processo de aprendizagem também não. Vão-se os ministros, ficam os problemas.

Todos os indicadores convergem nesse sentido. O Pisa (prova internacional de competências) fornece um diagnóstico similar há anos, num ranking em que os alunos brasileiros ocupam o desonroso 58º lugar entre 65 países. A última Prova Brasil indicou que a cada dez alunos, nove terminam o ensino médio sem aprendizagem adequada em matemática.

O resultado disso é que, mesmo longe da nota ideal, milhares de alunos entrarão no ensino superior através do Enem e das políticas de inclusão – boas e oportunas, em si - mas infelizmente correm o risco de abandonar os estudos, sobretudo em carreiras que dependem de matemática ou exigem cálculos mais complexos.

Este último Enem é um sinal de alerta: não podemos mais adiar a reforma no sistema educacional. Caso contrário, a competitividade do país estará seriamente ameaçada. Não é de hoje que as empresas reclamam por não encontrar gente qualificada. O Brasil pode até voltar a crescer em função de medidas econômicas, mas tornar este crescimento de fato sustentável só será possível com educação pública de qualidade.


http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/1.html

Universidades abrem inscrições para licenciaturas em libras

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) realiza processo seletivo especial para candidatos surdos e ouvintes ao curso de licenciatura plena em letras/libras/português, para ingresso no primeiro semestre deste ano. São 30 vagas para estudantes com ensino médio, sendo 18 vagas para surdos e 12 para ouvintes. As inscrições devem ser feitas até o dia 27 deste mês.
De acordo com o edital da Unifap, a licenciatura tem a finalidade de formar professores na língua brasileira de sinais (libras), surdos e ouvintes, para lecionar na educação básica e superior. A graduação será ministrada no campus Marco Zero do Equador, em Macapá, no turno da manhã. Para se candidatar à vaga, o aluno precisa ter concluído o ensino médio ou formação equivalente até o prazo final de habilitação para a matrícula.
A seleção consta de uma prova objetiva com 30 questões de múltipla escolha sobre conhecimentos gerais – linguagem, história e geografia -, e redação de dez a 25 linhas, ambas com caráter eliminatório e classificatório. A prova objetiva e a redação serão aplicadas em 15 de fevereiro, um domingo, das 13h às 17h. O Edital nº 14/2014está disponível no portal da Unifap.
Goiás – Já a Universidade Federal de Goiás (UFG) está com inscrições abertas para licenciatura em letras/libras exclusiva para candidatos surdos que tenham concluído o ensino médio. O programa UFGInclui oferece 15 vagas no turno da noite, no campus Goiânia, para ingresso neste semestre. As inscrições podem ser feitas até 22 de janeiro.
Entre as exigências para concorrer à vaga, o candidato precisa apresentar laudo preenchido por médico da área da deficiência do aluno e, antes das provas, passar por perícia de uma junta médica. O teste objetivo e a redação serão realizados em 8 de fevereiro. A prova objetiva terá 30 questões de múltipla escolha sobre conteúdos de língua portuguesa e literatura brasileira valendo 30 pontos; e a redação valerá 40 pontos.
No portal da UFG, o candidato encontra o Edital nº 1/2015, e o roteiro da seleção, exigências e datas.
Ionice Lorenzon
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21026

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Olhares sobre o Sistema Nacional de Educação


© UNESCO

"A iniciativa do Ministério da Educação de comemorar os 80 anos do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, homenageando, de forma especial, o Professor Fernando de Azevedo, um dos seus proponentes, foi muito oportuna. Não só porque este foi o primeiro Manifesto brasileiro em defesa da educação pública como direito social de todos, mas porque ele expressa um movimento de intelectuais e educadores preocupados com o desafio republicano de concretizar o direito à educação em um momento ainda incipiente. Defenderam uma necessária expansão de vagas na educação escolar e se dispuseram a buscar consensos possíveis com grupos de diferentes formações e convicções sobre os rumos da educação brasileira, à semelhança do que estamos fazendo nos dias atuais. [...] É nesse sentido que esta publicação traduz o compromisso entre a verdade e a utopia de hoje, dos que querem e lutam por uma educação de qualidade social para todos, com as condições para que ela se torne realidade, e a luta dos outros, dos que nos antecederam há mais de 80 anos"(Lisete Regina Gomes Arelaro). Esta publicação foi editada em cooperação com a UNESCO no Brasil.

Organizadores: Cunha, Célio da; Gadotti, Moacir; Bordignon, Genuíno; Nogueira, Flávia
Brasília: MEC, 2014. 220 p.
ISBN: 978-85-7994-086-6
Exemplares impressos são distribuídos somente por intermédio da MEC/SASE.


http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/o_sistema_nacional_de_educacao_diversos_olhares_80_anos_apos_o_manifesto/#.VLKKotLF91Y

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Educação tem dívidas de R$ 190 milhões e Taques avalia demissões de contratados

Foto: José Medeiros/Secom-MT
Educação tem dívidas de R$ 190 milhões e Taques avalia demissões de contratados
O governador Pedro Taques (PDT) visitou hoje (12) pela primeira vez a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o cenário é dos piores. Pelo menos 20% do orçamento está comprometido com o pagamento de dívidas e empenhos realizados pelas gestões passadas. São R$ 190 milhões em restos a pagar e mais R$ 148 milhões empenhados em obras espalhadas pelo estado. Diante do desequilíbrio financeiro, o chefe do Executivo estuda medidas para reduzir os custos, dentre elas demissões de professores contratados. O grande desafio é promover uma gestão que equalize os problemas administrativos para ter condições de aprimorar a política pedagógica.


Antes de falar com todos os profissionais, Taques teve a oportunidade de conhecer dados e ouvir os anseios dos gestores da pasta durante reunião com o secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto. O governador promete providências em relação à falta de infraestrutura, de equipamentos e de qualificação profissional. “A escola é a cara de uma administração. Venho aqui pedir o empenho de todos”, frisou Taques.

Assim que chegou na Seduc, Taques ouviu de Permínio Pinto que o orçamento da educação aprovado para 2015 está subestimado em pelo menos 25%. “Contamos com aproximadamente R$ 1,9 bilhão, recurso que dá para pagar a folha salarial”. Taques promete rever o montante com lideranças da Assembleia Legislativa para que a Seduc tenha capacidade de investimento. Há escolas que precisam ser reformadas até 9 de fevereiro, quando começa o ano letivo. O governador destaca que técnicos do Gabinete de Projetos Estratégicos estão à disposição para elaborar as propostas de reformas. “Mato Grosso tem índices elevadíssimos de analfabetismo e evasão escolar. É vergonhoso. Precisamos transformar a riqueza econômica dos grãos em melhoria da educação e qualidade de vida”.

Permínio recebeu a secretaria com R$ 190 milhões de restos a pagar das gestões anteriores, o equivalente a 10% do orçamento. Outros R$ 148 milhões estão empenhados para custear 124 obras em 52 municípios, diz o secretário. Porém, deste montante, R$ 34 milhões estavam previstos para construções que, segundo o secretário, a Seduc sequer têm condições de prosseguir com as obras. “Precisamos mostrar à sociedade como recebemos o Estado”, aponta Taques. Em um mês, Permínio aposta na redução de 15% dos restos a pagar. Ele também pretende cortar custos em áreas não finalisticas, como a Tecnologia da Informação, setor que recebeu R$ 60 milhões da pasta em 2014.  

Pedro Taques já estuda medidas para reduzir os gastos e espera um levantamento de Permínio para promover corte de professores contratados. Mais da metade dos professores da rede estadual são contratados. A meta é inverter essa realidade, chegando a pelo menos 80% de concursados.

Mato Grosso conta com 746 unidades escolares onde estudam 437 mil alunos. Lembrando da época em que estudava em colégios públicos da capital, Taques destaca a importância de não “dar as costas aos alunos”. “O meu sonho da época de estudante era ter uma recepção humanizada dos gestores e uma mochila, nem isso eu tinha”, conta o governador, destacando ser filho e neto de professoras. “Vou cobrar muito, preciso de uma escola onde os professores saibam o nome dos alunos”. A técnica administrativa Angela Perottoni avalia que, com o tempo, estudantes transformaram-se em apenas número para os administradores. “Com mais alunos matriculados, mais recursos para as unidades educacionais, pelo menos esta era a lógica das gestões anteriores”, relata Angela. O foco da Seduc nesta gestão, segundo o secretário, é a aprendizagem.

Taques pretende se reunir semanalmente com o secretário e a equipe no Palácio Paiaguás. Também promete retornar à Seduc para ouvir novamente os profissionais. Outra iniciativa do governador é visitar as duas escolas, uma em Jangada e outra em Acorizal, que figuram entre as últimas no quesito qualidade de ensino. “Permínio, vamos fazer o possível para que estas escolas estejam entre as melhores no próximo levantamento”, diz Taques.
http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Educacao_tem_dividas_de_R_190_milhoes_e_Taques_avalia_demissoes&id=387583

Década Internacional dos Afrodescendentes


© UN
“Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”
Assembleia Geral, por meio de sua Resolução n. 68/237, de 23 de dezembro de 2013, proclamou a Década Internacional dos Afrodescendentes, com início em 1º de janeiro de 2015 e fim em 31 de dezembro de 2024, e com o tema: “Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.
O principal objetivo da Década Internacional consiste em promover o respeito, a proteção e a realização de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais dos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Década será uma oportunidade para se reconhecer a contribuição significativa feita pelos afrodescendentes às nossas sociedades, bem como propor medidas concretas para promover sua inclusão total e combater todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e qualquer tipo de intolerância relacionada.
A Década terá como foco os seguintes objetivos:
  • Fortalecer a cooperação e as ações nacionais, regionais e internacionais relativas ao pleno gozo dos direitos econômicos, sociais, culturais. civis e políticos pelos afrodescendentes, bem como sua participação plena e igualitária em todos os aspectos da sociedade;
  • Promover um maior conhecimento e um maior respeito aos diversos patrimônios, culturas e contribuições dos afrodescendentes para o desenvolvimento das sociedades;
  • Adotar e fortalecer marcos legais nos âmbitos nacional, regional e internacional, de acordo com a Declaração e Plano de Ação de Durban, e com a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, bem como garantir a sua implementação total e efetiva.
A Década Internacional permitirá que as Nações Unidas, Estados-membros, sociedade civil e outros atores relevantes se juntem aos afrodescendentes e tomem medidas efetivas para a implementação do programa de atividades, com o espírito de reconhecimento, justiça e desenvolvimento.
Links (em inglês)

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/prizes-and-celebrations/2015-2024-international-decade-for-people-of-african-descent/#c1465007

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A escola e a nova dinâmica familiar

Escrito por Carolina Mainardes


Uma nova dinâmica familiar, que coloca o filho no lugar mais alto dessa relação assimétrica, transforma a maneira de se pensar a educação e a forma da família se relacionar com a escola. “Hoje, é em torno dos filhos que gira a vida dos adultos da família. Essa é uma mudança radical e fundamental”, afirma Rosely Sayão, psicóloga e consultora em Educação. Frente a isso, Rosely acredita que a escola deve adotar uma nova concepção de educação e entender de forma mais clara as responsabilidades do processo educacional: “Cabe à família dar conta do filho, tornar essa criança um ser humano de bem segundo os valores da família, e cabe à escola formar essa pessoa para se tornar um cidadão de bem”. Para isso, ambas as instituições devem estar atentas ao fato de que não é possível instruir sem educar e nem educar sem instruir. Acompanhe a seguir a entrevista concedida pela psicóloga à Profissão Mestredurante sua passagem por Curitiba (PR), em fevereiro de 2014, para participar de um evento para educadores promovido pela Band News FM, Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR) e pela prefeitura local.
Profissão Mestre: Qual o perfil da família na atualidade e que características essa nova família traz para a escola?
Rosely Sayão: Não é a nova família, são as novas famílias, não podemos mais falar em família no singular. Isso a gente conseguiu fazer até o final dos anos [19]50, mas daí para frente não tem mais jeito. E, portanto, não há um perfil, há diversos perfis. Mas, uma questão acompanha as novas famílias – não vou falar da configuração, do desenho, da composição –, vou falar da dinâmica familiar. O tipo de relacionamento entre os integrantes da família mudou radicalmente. Antes, a gente tinha um desenho que era bem clássico, que hoje diminuiu muito, mas ainda existe: a família com o desenho “pai, mãe e filhos”, que ficavam juntos, o casal “até que a morte os separasse” e os filhos até que tivessem vida própria. Hoje, o que temos são pais que não necessariamente estão juntos com os filhos. Eles podem estar distantes dos filhos pelos motivos mais diversos possíveis, desde um rompimento de casamento até excesso de trabalho. Essa relação [familiar] é assimétrica, e sem assimetria a gente não tem condição de praticar a educação. Mas, essa assimetria mudou, ou seja, hoje, quem tem o lugar mais alto nessa relação assimétrica são os filhos. É em torno dos filhos que gira a vida dos adultos da família. Essa é uma mudança radical e fundamental, que muda a maneira da gente pensar a escola, a relação com a escola, com a educação e tudo mais.
Profissão Mestre: O que muda na relação da família com a escola?
Rosely: Os pais sempre vão pensar nos seus filhos. Na escola, não há filho de ninguém. Na escola, há alunos. E quando as crianças fazem a passagem do papel de filho para o papel de aluno, elas mudam, nós mudamos. Qualquer um de nós, quando passamos a ocupar o lugar de aluno, muda. Às vezes, faço palestra para professores, e há aqueles que ficam no fundão, fazem barulho, passam bilhetinho, usam o celular. É um papel [de aluno] que vem carregado com um “pacote”. E quando os pais vão à escola falar dos filhos, eles falam de alguém a quem eles querem atender em cem por cento. E eles se esquecem, e a escola também se esquece, que eles não estão falando de seus filhos na escola. Aliás, a escola falha muito nesse sentido, porque ela deveria falar “nosso aluno” e ela fala com os pais o “seu filho” – não é o seu filho, o filho é uma coisa, o aluno é outra.
Profissão Mestre: É necessário que o professor tenha uma preparação diferente para adquirir uma nova concepção de educação?
Rosely: A escola deveria ter uma nova concepção [de educação]. O professor é uma figura, uma pessoa que exerce uma função em uma instituição. Mas quem precisa capitanear essa nova concepção é a instituição, porque daí as pessoas que trabalham na instituição vão junto. Se hoje temos muitos professores chamados de autoritários, retrógrados, é porque a instituição escolar falhou nesse aspecto.
Profissão Mestre: O que é responsabilidade da família e o que é responsabilidade da escola em relação à educação? Deve haver um trabalho conjunto?
Rosely: Há uma discussão em pauta, na sociedade. O [Fernando] Savater, filósofo espanhol, que também é um pensador da área da Educação, escreveu um livro maravilhoso sobre essa questão chamado O valor de educar (Ed. Dom Quixote), e ele já dizia sobre essa discussão, hoje em pauta no Brasil, de que a diferença entre educar e instruir é inócua, não existe, porque não é possível instruir sem educar e nem educar sem instruir. Essa é uma diferença que não existe. Mas, como já disse, filho é uma categoria e aluno é outra. Cabe à família dar conta do filho, tornar essa criança um ser humano de bem segundo os valores da família, e cabe à escola formar essa pessoa para se tornar um cidadão de bem. O filho diz respeito a um ambiente privado, a uma pessoa; e o aluno diz respeito a um ambiente público, a um cidadão.
Profissão Mestre: E como a escola pode se aproximar da família?
Rosely: É difícil. Toda nossa bibliografia, não só brasileira, mas [internacional] sobre educação, trata esse como um tema muito delicado. A pergunta que existe é: “É possível essa relação?”. Não conseguimos afirmar: “É possível”, e também não achamos bom que não haja proximidade [entre família e escola]. A maneira como temos agido não é boa nem para as escolas nem para a família, porque o que temos hoje é uma relação de poder entre uma instituição – bem ou mal, a escola é uma instituição, e tem normas e regras que todo mundo conhece – e as famílias, que são uma multidão desgovernada, porque cada família é um pequeno núcleo. Então teríamos que inventar uma maneira diferente de fazer essa aproximação, sem desrespeitar a família, a cultura familiar. Eu ouço muito as escolas falarem: “As famílias não educam”. Isso é uma falta de respeito muito grande, porque [a escola] não confia nos pais dos alunos. [A família] educa, sim. Não do jeito que as escolas e os professores gostariam, mas educa.
Profissão Mestre: Quando a senhora fala em uma maneira diferente de fazer essa aproximação entre escola e família, por onde começar?
Rosely: Participei de algumas experiências, e todas elas dirigidas por movimento dos pais e não da própria escola. O primeiro movimento dos pais, nas escolas que eu acompanhei, foi criar um grupo de pais – não se trata daquela associação de pais e mestres, porque é um grupo só de pais. A única motivação é que os filhos de todos eles frequentam aquela escola. Primeiro, eles tentam se organizar para evitar que cada um vá até a escola pedir algo relacionado a uma questão pessoal: “Meu filho precisa disso, precisa daquilo”. Eles começam a se organizar e formular pautas importantes para todo alunado e daí eles vão batalhar junto à escola pelas questões que consideram importantes para todos.
Profissão Mestre: A senhora critica a agenda lotada de atividades das crianças. Quais as consequências dessa rotina tão comum atualmente?
Rosely: A criança está perdendo o presente dela. Com essa mania que nós, adultos, temos de pensar no futuro dela, a gente rouba o seu presente. E toda vez que a gente rouba um pedaço de vida de uma pessoa, esse pedaço de vida voltará, mas não sabemos como. Temos algumas pistas: atualmente, os alunos universitários são absolutamente infantilizados. Os professores universitários não sabem o que fazer com aqueles adolescentes, que não têm autonomia, que querem ficar brincando. Isso já é um reflexo da geração na qual os pais queriam que seus filhos, lá pelos seus 4, 5 anos, fizessem informática, inglês, aprendessem a ler e escrever... É importante que a criança tenha tempo para ser criança. E ser criança é, basicamente, brincar. Essa é a linguagem da infância, e é brincando que a criança se comunica consigo, com as questões internas dela, e com o ambiente externo também, e entende o mundo.
Profissão Mestre: O que as novas tecnologias representam para o processo ensino-aprendizagem? O que muda na forma de ensinar com a presença da internet e das redes sociais?
Rosely: Por enquanto, nada. O que é uma pena, porque as [novas] tecnologias e esses aparelhos todos poderiam ser um estímulo para a mudança. Por exemplo, a gente proíbe o celular na escola porque a gente não sabe o que fazer com ele. Deveríamos integrar o celular à escola. E dentro do ambiente escolar, não vale contato de amiga, de mãe. Até porque, se a gente integrá-lo ao ambiente intelectual escolar, as coisas vão ficando mais tranquilas. Tenho visto muita escola com tablet – não há diferença entre o tablet e o caderno. Agora, as apostilas estão no tablet, passaram do papel para a tela. Não vejo nenhuma mudança. Podemos ter, e aí o céu é o limite. Cada escola pode inventar uma mudança. Temos vários exemplos já, mas preferimos, por enquanto, ficar na “idade das pedras”.
Profissão Mestre: Por que é tão difícil implementar mudanças no atual sistema escolar, mesmo com as novas tecnologias fazendo parte da vida dos alunos e professores?
Rosely: Porque o ser humano é muito resistente à mudança. Veja a questão das famílias – vamos terminar onde começamos [a entrevista] – as novas famílias: se você pega o corpo dos trabalhadores de uma escola, dificilmente você vai encontrar nesse corpo de trabalhadores – e eu incluo aí todo tipo de trabalhador da escola, não só professor –, quem tem aquela família formada por pai, mãe e filhos, todos juntos. Mas, na hora de falar da família dos alunos, a gente fala que ela é desestruturada, que os pais trabalham demais, mas o professor está na escola e tem filho em casa, sem pai e sem mãe também. A gente olha para fora e enxerga. Olhar para dentro é mais difícil. A escola acha o máximo dar tablet para os seus alunos, com a apostila lá dentro, e acha isso uma grande inovação. E ela olha para as escolas que não têm isso e pensa: “Coitadas, né?”. Mas, você não é capaz de olhar para si mesmo e falar: “Que besteira que eu fiz, deixei o mesmo conteúdo da apostila [no tablet]!”.

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/1107-a-escola-e-a-nova-dinamica-familiar

EDUCAÇÃO INDÍGENA: Diretrizes para a formação de professores são homologadas

A formação de professores indígenas em cursos de nível médio e superior no Brasil deve respeitar a organização sociopolítica e territorial dos povos, valorizar as línguas e promover diálogos interculturais. Esses princípios estão na resolução que instituiu asDiretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores Indígenas, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em abril de 2014 e agora homologada pelo Ministério da Educação.
Conforme a resolução do CNE, as diretrizes curriculares têm por objetivo regulamentar os programas e cursos de formação inicial e continuada de professores junto aos sistemas estaduais e municipais de ensino, às instituições formadoras e aos órgãos normativos. No documento de apresentação das diretrizes, o CNE salienta que 2.620 professores indígenas fizeram a formação em magistério entre 2005 e 2011. No período, foram ministrados 23 cursos por 20 instituições de educação superior em 14 estados. Desde 2005, segundo o conselho, o Ministério da Educação fomenta, por meio de editais, o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) em instituições de educação superior públicas.
Cursos — De acordo com as diretrizes curriculares, a formação inicial de professores deve ser realizada em cursos específicos de licenciatura e pedagogia interculturais; a formação continuada, em cursos e programas específicos de atualização, extensão, aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado. Será responsabilidade dos sistemas de ensino garantir a formação inicial e continuada em serviço aos professores.
É tarefa das universidades, responsáveis pelo itinerário formativo, preparar os professores indígenas para atuar e participar de diferentes dimensões da vida de suas comunidades como forma de adquirir conhecimentos. Eles devem ser orientados a usar a respectiva língua materna nos processos de ensino e aprendizagem, de pesquisas e de promoção e revitalização das práticas linguísticas e culturais, além de elaborar materiais didáticos. O documento contém uma relação de 14 itens a serem desenvolvidos com os professores cursistas.
Currículos — Os currículos podem ser organizados em núcleos, eixos, temas contextuais, módulos temáticos e áreas de conhecimento. Na formação inicial e continuada, o currículo deve considerar a territorialidade, o conhecimento indígena e seus modos de produção e expressão, a presença dos sábios, a consonância do currículo da escola indígena com o da formação do professor, a interculturalidade, o bilinguismo ou o multilinguismo.
Quando trata da qualificação dos encarregados de trabalhar na formação de professores indígenas, as diretrizes relacionam diversos requisitos. Entre os quais, que sejam profissionais com experiência no trabalho com os povos e comprometidos política, pedagógica, étnica e eticamente com os respectivos projetos que orientam os processos formativos.
As diretrizes tratam também da gestão democrática dos programas, projetos e cursos de formação de professores. Deve ser assegurada a participação de representantes indígenas, e cabe às instituições formadoras criar instâncias específicas de participação e controle social. O regime de colaboração entre os sistemas de ensino e instituições formadoras é outro ponto definido nas diretrizes. A colaboração é necessária para garantir acesso aos cursos, a permanência e o êxito.
A homologação do Parecer CNE/CP nº 6/2014 consta de despacho de 30 de dezembro de 2014, publicado no Diário Oficial da União de 31 de dezembro de 2014. A íntegra do parecer homologado está na página do CNE na internet.
Ionice Lorenzon
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21013

EDUCAÇÃO INDÍGENA: Aulas da Unemat começam na segunda-feira no campus de Barra do Bugres

LYGIA LIMA
Assessoria Unemat
Começam na segunda-feira (12) as aulas dos 100 acadêmicos indígenas no campus de Barra do Bugres. São, ao todo, quatro cursos de licenciatura: Pedagogia Intercultural; Ciências Sociais; Línguas, Artes e Literatura e Ciências da Matemática e da Natureza. Na Escola Agrícola, onde os alunos ficam hospedados e fazem as alimentações, os trabalhos de limpeza e as equipes de alimentação e manutenção trabalham para receber os acadêmicos.
                                      
As aulas da Educação Indígena ocorrem em momentos concentrados, no período de 10 de janeiro a 07 de fevereiro, e também no mês de julho. Nos demais períodos, os alunos realizam atividades pedagógicas com a supervisão dos professores da Unemat nas próprias aldeias onde atuam como professores.
                                                
“Queremos mostrar a Mato Grosso o tesouro que é a Unemat. Nossa gestão também começa agora e estamos trabalhando com metas de planejamento e de divulgação das nossas ações”, disse Ana Di Renzo, em reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, nesta quinta-feira, no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
                            
Segundo a reitora, o secretário da Casa Civil assegurou que o Estado vai determinar um interlocutor para tratar e atender as demandas da universidade, garantindo um espaço de diálogo com o governo.
http://www.mt.gov.br/editorias/educacao/aulas-da-unemat-comecam-na-segunda-feira-no-campus-de-barra-do-bugres/132616

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os estados brasileiros relatam suas dificuldades para cumprir o novo piso salarial dos professores em 2015. O valor passou de R$ 1.697 em 2014 para R$ 1.917,78, um reajuste de 13,01%, acima da inflação e superior, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), à receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
O secretário de Educação do Rio Grande do Sul, Vieira da Cunha foi claro: “Eu disse ao próprio ministro que não haverá saída para o pagamento do piso, dadas as condições financeiras do estado, sem o aporte de recursos federais”, observou, em visita à sede do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato). O estado é um dos que não conseguem cumprir a Lei do Piso (Lei 11.738/2008), que estabelece que o valor mínimo deve ser pago no vencimento e não com gratificações ou complementações, como é feito no Rio Grande do Sul.
O estado não está sozinho. “Como o reajuste tem sido superior à receita do Fundeb, a conta em algum momento não vai fechar. Há estados e municípios que ultrapassaram, com o pagamento da folha, o valor do Fundeb. Tivemos um ano bastante difícil”, explica o presidente em exercício do Consed, Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina. O estado, segundo ele, discutirá, a partir da semana que vem, o impacto do reajuste do piso nos demais salários, com o plano de carreira.
Os secretários não negam a importância do piso, essencial para a valorização dos docentes e também para o cumprimento do Plano Nacional de Educação, que estabelece prazo de seis anos para a equiparação do salário dos professores ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente. Atualmente, o rendimento médio dos docentes representa aproximadamente 60% dos salários médios dos demais profissionais.
“O piso foi uma conquista importante da educação brasileira. Eu não tenho a menor dúvida de que a melhoria da qualidade da educação básica passa pela valorização do professor”, destaca o secretário de Educação do Espírito Santo, Haroldo Rocha. O estado não cumpre o piso para os professores com formação de nível médio. Segundo ele, são 80 docentes nessas condições. O valor do vencimento inicial para a formação é R$ 579,26 por uma jornada de 25 horas. Para cumprir a lei, mesmo antes do ajuste, o valor seria R$ 1.060. O secretário acrescenta que o estado pretende corrigir esses salários já com o reajuste.
Ainda em início de mandato, os governos se organizam para avaliar o novo valor. No Paraná, por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria da Educação informa que vai tratar do assunto “dentro da Comissão de Política Salarial, que foi criada pelo Decreto 31/2015. No momento, não temos ainda uma avaliação mais precisa”. Na Bahia, “a Secretaria da Administração do Estado está fazendo a análise para verificar os impactos na folha de pagamento dos professores da ativa, aposentados e pensionistas com o novo piso nacional”.
A Lei do Piso estabelece o valor mínimo a ser pago aos professores com formação de nível médio, com jornada de 40 horas semanais. O reajuste é feito anualmente, com base no aumento do percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno, referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, ou seja, a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno, definido nacionalmente pelo Fundeb.
O piso salarial subiu de R$ 950, em 2009, para R$ 1.024,67, em 2010, e R$ 1.187,14, em 2011. Em 2012, o valor era R$ 1.451. Em 2013, o piso passou para R$ 1.567 e em 2014 foi reajustado para R$ 1.697. O maior reajuste foi registrado em 2012, com 22,22%.
Antes de anunciar o novo valor, o ministro da Educação, Cid Gomes, reuniu-se com com representantes do Consed, da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
Segundo as entidades, o ministro tem se mostrado aberto ao diálogo. O Consed, que terá ainda novas reuniões com Gomes, discutirá novos cálculos para o reajuste anual de forma a garantir um aumento real, mas um impacto menor nas contas públicas nos próximos anos. Além disso, demandará o cumprimento do trecho da Lei do Piso que diz que a União deverá complementar a integralização nos casos em que o ente federativo não tenha disponibilidade para cumprir o valor. “Falta definir a forma ou o critério para analisar quais os estados ou municípios que não têm essas condições”, explica Deschamps, destacando essa como uma das pautas em conjunto com o ministério.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/noticias-pr/1109-estados-mostram-dificuldades-para-cumprir-novo-piso-salarial-dos-professores

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...