terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Apenas 54% dos jovens concluem o ensino médio até 19 anos, diz estudo

Índice tem crescimento abaixo do esperado, segundo Todos pela Educação.
Presidente do Inep diz que educação básica no Brasil 'está melhorando'.


Paulo GuilhermeDo G1, em São Paulo

Considerado o grande "gargalo" da educação brasileira, o ensino médio é cursado até o seu final por apenas 54,3% dos jovens até 19 anos, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (8) pela ONG Todos pela Educação. O levantamento foi feito com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013, divulgada em setembro.
Apesar de apresentar uma melhora em relação aos últimos anos, quando o índice observado para os jovens no ensino médio foi de 46,6% em 2007, 51,6% em 2009 e 53,4% em 2011, os números revelam as dificuldades que o país encontra para fazer com que os jovens concluam o ensino médio na idade certa.
Segundo o Todos pela Educação, o indicador é calculado anualmente com base nos dados da Pnad. Em 2010, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou o Censo Demográfico, a Pnad não foi realizada. Por causa da diferença metodológica (os dados do Censo são censitários, e a Pnad é amostral), o levantamento do Todos pela Educação não divulga os resultados refentes ao ano de 2010.
O levantamento divulgado nesta segunda mostra que taxa atual ainda está longe do plano de metas estabelecido pelo Todos pela Educação para 2022. Para cumprir a meta, nos próximos nove anos, a taxa de jovens de 19 anos com ensino médio completo suba para 90%. Já a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) é chegar a 2022 com 85% dos alunos de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio.
Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos pela Educação, diz que depois de 2009 esperava-se um crescimento mais acelerado, o que não vem ocorrendo. "Nesse ritmo de crescimento do ensino fundamental e na estagnação do ensino médio, não vamos alcançar a meta do PNE. A situação é procupante."
José Francisco Soares, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), afirmou ao G1 que "a educação básica não está parada, está melhorando". "O Brasil teve despertar tardio para a educação. A tarefa que temos pela frente é muito grande. Estamos caminhando, mas temos muito o que caminhar. Vamos caminhar no ritmo do Plano Nacional da Educação."
Ele lembra que, em 2007, este índice era de 46,6%, e que os números de 2013 representam uma melhora considerável. "O ensino médio tem atualmente 8 milhões de alunos. O sistema de educação teve um fluxo enorme, está se adaptando para atender a esses alunos."
O estudo mostra ainda que 19,6% dos jovens de 15 a 17 anos estão ainda no ensino fundamental, 15,7% não estudam e não concluíram o ensino médio, e 5,9% não estudam mas já terminaram o ensino médio.
No ensino fundamental, a taxa de conclusão até os 16 anos foi de 71,7%. O estudo apontou ainda diferença de aproximadamente 20 pontos percentuais entre as taxas de jovens declarados brancos que concluíram o ensino fundamental aos 16 anos (81%) e o ensino médio aos 19 anos (65,2%), e aqueles que se declaram negros (60% e 45%, respectivamente).
Em relação à renda, entre os 25% mais ricos, 83,3% terminam o ensino médio. Já entre os 25% mais pobres, este índice cai para 32,4%.
"As desigualdades na educação são apenas uma das feições da desigualdade da sociedade", diz Soares. "Algumas desigualdades tiveram uma queda enorme. Hoje não temos mais desigualdades de gênero e de acesso à escola."
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/12/apenas-54-dos-jovens-concluem-o-ensino-medio-ate-19-anos-diz-estudo.html

domingo, 7 de dezembro de 2014

SME de Cuiabá promove Seminário de Educação de Jovens e Adultos


Secom Cuiabá


A Secretaria Municipal de Educação promove nos dias 8 e 9 o I Seminário  de Educação de Jovens e Adultos da Rede Municipal de Educação de Cuiabá. Denominado “Diálogos entre os Atores Sociais da EJA/Campo”, o seminário será realizado no Hotel Fazenda Mato Grosso e a abertura será na segunda-feira (08), às 18h.
Entre os temas apresentados no seminário estão a “Alfabetização de adultos segundo a premissa freireana”, proferido pela professora doutora Analise da Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); “Os Sujeitos da Educação de Jovens”, pelo professor doutorando da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Tarcisio Grunennvaldt; e a “Diversidade na Educação de Jovens e Adultos” pelo professor doutor José Vaz Neto, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). 
Também estarão em discussões os temas Alfabetização de Idosos, Programa Brasil Alfabetizado, Áreas de conhecimento na perspectiva interdisciplinar, Educação do Campo, “A voz dos sujeitos da EJA da rede municipal: histórias e memórias”.
“O Seminário está sendo realizado por todos nós, educadores, gestores, assessores pedagógicos, coordenadores e líderes, e  pelos educandos da EJA, que merecem uma educação de fato emancipatória, que os possibilite viver e se ver como parte desta sociedade, e principalmente se reconhecer como construtores de sua cultura”, observa a professora Feliciana Cunha Figueiredo, Líder de Equipe de EJA e Educação  do Campo da Secretaria Municipal de Educação.

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/secretaria-promove-seminario-de-educacao-de-jovens-e-adultos/10009

sábado, 6 de dezembro de 2014

Avaliar docentes é uma forma de medir a eficácia da escola, diz mexicano

Marcelle Souza
Do UOL, no Rio de Janeiro

Tema delicado em qualquer sistema educativo, o México implementará em 2015 e 2016 um grande sistema de avaliação de professores. Para Luis Castillo Montes, diretor de Planejamento, Coordenação e Comunicação Social do INEE (Instituto Nacional para a Avaliação da Educação), do México, o mecanismo só funciona se tiver a ampla participação dos professores na construção dos instrumentos de avaliação e se os resultados de fato forem usados para implantar políticas pedagógicas.
Confira abaixo a entrevista ao UOL concedida durante o Bett Latin America, que aconteceu na segunda quinzena de novembro.
UOL Educação - Por que avaliar os professores? E como fazer isso?
Luis Castillo Montes - É importante avaliar os professores, porque é um dos mecanismos para verificar a eficiência e a eficácia de um sistema educativo e de uma escola. Mas não é condição suficiente, é preciso avaliar mais componentes. É importante avaliar os professores, porque dá certeza aos pais de que as crianças estão sendo atendidas por profissionais. É uma mensagem que dá certeza social em sistemas complexos, como o brasileiro e o mexicano.
O pior que se pode fazer é um sistema de avaliação distante da credibilidade magisterial, porque, com todo o respeito, a verdade é que [os professores] não querem ser avaliados. Então, temos que dar certeza para o docente nesse sentido e informá-lo sobre os mecanismos da avaliação e fazê-lo participar dos instrumentos. É algo novo, mas temos que tentar.
Divulgação/Bett Latin AmericaO pior que se pode fazer é um sistema de avaliação distante da credibilidade magisterial, porque, com todo o respeito, a verdade é que [os professores] não querem ser avaliadosLuis Castillo Montes
UOL - E depois, o que é feito com essa avaliação?
Montes - No México, temos a tradição de avaliar muito, mas melhorar pouco. As avaliações não serviam mais do que para informar um pai: 'Toninho está igual, melhorou aqui ou lá'. Conscientes disso, nós estamos procurando fazer com que os resultados das avaliações sirvam para que os docentes possam tomar decisões sobre a sua prática, sirva para que o diretor possa tomar decisões e melhorar a gestão do seu colégio, sirva a um supervisor e toda a cadeia, que sirva a um responsável por políticas para reformular ou tomar as melhores decisões a respeito de políticas e programas. Isso soa muito fácil, muito rápido, mas é muito complexo.
UOL - No México, existe relação entre boas avaliações e melhores salários para os professores?
Montes - Nossos sistemas de avaliação estavam alinhados com a possibilidade de ganhar mais dinheiro e isso foi pervertido. Efetivamente o professor mexicano aspira ganhar mais dinheiro, e ganhará, mas não necessariamente será vinculado a resultados de avaliação.
Já vivemos isso e se perverte. O professor fica o tempo todo pensando em ir a um curso, a uma conferência, para que receba um certificado e ganhe mais dinheiro. Não foi um mecanismo eficaz no caso mexicano.
UOL - Como garantir que os professores da cidade sejam os mesmos que os das zonas rurais?
Montes - Esse é um tema que não podemos resolver por enquanto. Não vamos poder ser considerados sistemas educativos eficazes até que não tenhamos a mesma qualidade de docentes na escola mais distante e na escola que está no centro da capital. É um tema forte. Devemos que garantir que os melhores estejam nas zonas mais marginalizadas, mais distantes e com maiores necessidades educativas. E isso é tarefa de gerações, não é só de um governo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Brasil tem mais de 60% de alunos do 4º ano fracos em leitura e matemática

Estudo da Unesco avaliou o desempenho de alunos do ensino fundamental.
No 7º ano, 84% têm conceitos de 'muito ruim' a 'regular' em ciências.




Um estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) divulgado nesta quinta-feira (4) mostra que no Brasil mais de 60% dos alunos do quarto ano do ensino fundamental têm desempenho entre muito ruim e regular em leitura e matemática.
Já em ciências, a avaliação foi feita com alunos do sétimo ano e diagnosticou que 84% dos estudantes têm desempenho de muito ruim a regular, ou seja, cinco em cada seis alunos têm desempenho fraco, e somente um a cada seis tem desempenho bom ou muito bom em ciências.
O Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce) avaliou o desempenho em matemática, leitura e ciências naturais de 134 mil estudantes do quarto e do sétimo ano de 3.200 escolas do Brasil e de mais 14 países da América Latina: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e o estado mexicano de Nuevo Leon.
Segundo o estudo, no Brasil, 64,26% dos estudantes do quarto ano ficaram entre muito ruim (2,60%), ruim (17,19%) e regular (44,47%) em leitura. Os outros 35,74% ficaram entre bom e muito bom. O desempenho dos alunos do sétimo ano foi melhor, com 50,7% entre muito ruim e regular em leitura.
Já na avaliação de matemática, 61,40% dos alunos do quarto ano ficaram entre muito ruim (3,47%), ruim (25,82%) e regular (32,11%). Os outros 38,20% ficaram entre bom e muito bom. Já no sétimo ano, menos da metade dos alunos avaliados (48,38%) ficou entre muito ruim (0,30%), ruim (9,32%) e regular (38,68%). A maioria dos alunos do sétimo ano ficou entre bom e muito bom em matemática.
VEJA O DESEMPENHO DO BRASIL EM LEITURA, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
AVALIAÇÃO EM LEITURA AVALIAÇÃO EM MATEMÁTICA AVALIAÇÃO EM CIÊNCIAS
CONCEITO4º ano7º anoCONCEITO4º ano7º anoCONCEITO7º ano*
Muito ruim:2,60% 0,27%Muito ruim:3,47%0,30%Muito ruim:5,20%
Ruim:17,19%11,26%Ruim:25,82%9,32%Ruim:34,45%
Regular:44,47%35,42%Regular:32,11%38,68%Regular:44,69%
Bom:31,21%31,67%Bom:21,72%41,63%Bom:14,20%
Muito bom:4,53%35,27%Muito bom:16,89%10,07%Muito bom:1,46%
(*) Obs: Não foi feita avaliação em ciências para o 4º ano do ensino fundamental
Fonte: TERCE/Unesco









Já o desempenho em ciências mostra um grave problema de aprendizado nos alunos do ensino fundamental.  Apenas 15,66% dos estudantes conseguiram conceitos bom e muito bom. A grande maioria (84,34%) ficou entre muito ruim (5,20%), ruim (34,45%) e regular (44,69%).
Segundo nota técnica do Instituto Nacional Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o estudo Terce "é uma etapa no processo educacional no qual políticas públicas baseadas em evidências, constatadas de forma sistemática, podem fazer a diferença para o futuro de alunos provenientes de entornos vulneráveis, buscando assim a equidade do sistema".

Enfim!!!! Resultados de proficiência da Prova Brasil 2013 são divulgados

Clique na figura para acessar o sistema on line

A Prova Brasil tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas das redes públicas, produzindo informações sobre os níveis de aprendizagem em Língua Portuguesa (Leitura) e em Matemática e fornecendo resultados para cada unidade escolar participante. Os boletins desta edição, disponíveis em sistema on-line, ainda apresentam indicadores contextuais sobre as condições em que ocorre o trabalho da escola e as médias de desempenho de "Escolas Similares", que expressam os resultados de um grupo de escolas com características semelhantes às de cada escola.
Os dados apresentados visam servir de subsídio para o diagnóstico, a reflexão e o planejamento do trabalho pedagógico da escola, bem como para a formulação de ações e políticas públicas com vistas à melhoria da qualidade da educação básica.
Para auxiliar na análise dos resultados, está disponível Nota Explicativa da Prova Brasil 2013. O documento apresenta as normativas, a metodologia, os processos de aplicação, o cálculo dos resultados de desempenho e de divulgação da Prova Brasil 2013, bem como comentários sobre a contextualização e a análise dos resultados.
Também estão disponíveis documentos que fundamentam os indicadores contextuais da Prova Brasil 2013 e o grupo das "Escolas Similares". São eles:
Em caso de dúvidas, contate o Inep pelo e-mail cadastro.provabrasil@inep.gov.br

http://portal.inep.gov.br/web/saeb/resultados-2013

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Veja o Relatório de Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem - Talis


O Relatório Nacional da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) de 2013 foi apresentado na terça-feira, 2, a pesquisadores e representantes das secretarias estaduais de educação, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A novidade, em relação ao relatório internacional, divulgado em junho deste ano, foi a publicação do material nacional produzido pelo Inep, com análises comparativas entre os países participantes da pesquisa e entre as unidades da federação. A publicação desse material tem por objetivo principal contribuir para a elaboração de políticas públicas na área.
"Os problemas educacionais exigem reflexões sofisticadas, nós não teremos boas soluções se não tivermos bons estudos. A Talis nos permite comparação internacional, o que é essencial no avanço científico", afirmou o presidente do Inep, Chico Soares. "Durante muitos anos, a educação brasileira podia ser descrita por apenas uma taxa, a de analfabetismo. Rapidamente, com o tempo, mudamos essa situação e fomos precisando de outros indicadores", destacou ainda o presidente do Inep.
A pesquisa, amostral, contou com a participação de 14.291 professores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e respectivos diretores escolares,
A Talis contou com a participação de 34 países e foi coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No Brasil, a pesquisa é organizada pelo Inep, que também produziu o relatório nacional da pesquisa. O documento contém aspectos relacionados ao perfil de professores e diretores; formação docente; ambiente de ensino e aprendizagem, incluindo o clima escolar, práticas pedagógicas e processos de avaliação.
Os dados gerais, incluindo o relatório nacional, tabelas com resultados desagregados por estado, mapas e microdados, estão disponíveis no site da pesquisa.
Assessoria de Comunicação Social do Inep
http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/inep-apresenta-relatorio-nacional-da-pesquisa-talis?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

O currículo está nas ruas

Pesquisador espanhol Jaume Martínez Bonafé defende nova leitura das ruas para que cidadãos valorizem cidades

Por Ana Luiza Basilio, do Portal Aprendiz
A rua é uma aula, uma lousa, um lugar onde se escreve. Não é apenas parte do caminho percorrido até o museu, o centro cultural ou a escola. A rua também ensina e precisamos aprender a ler as mensagens que ela emite. Essa é a provocação feita pelo pesquisador Jaume Martínez Bonafé aos educadores brasileiros durante sua passagem por Belo Horizonte (MG). O espanhol, docente na Universidade de Valência, defende que é preciso superar a concepção de uma escola articulada com seu entorno e adotar a cidade toda como currículo.
“Proponho que exploremos a ideia da cidade fazendo currículo. Há milhares de situações construindo constantemente significados. Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal.”
Jaume Bonafécrédito Halfpoint / Fotolia.com

Segundo ele, para colocar em prática essa visão, é preciso admitir que há um currículo fora da escola, que pode ser construído a partir das diferentes experiências e práticas culturais, e levando em conta as inúmeras formas de entender e vivenciar o mundo. “Se nos ensinassem a ler a rua de outra maneira, muito provavelmente, seríamos cidadãos diferentes, saberíamos valorizar as praças e as cidades a partir de um outro olhar.”
Além de deslocar a aprendizagem para fora das instituições de ensino, a proposta de Bonafé convoca urbanistas, engenheiros, prefeitos, secretários, comunicadores, a sociedade como um todo, a refletir sobre quais mensagens as cidades que projetamos e vivemos passam para as crianças desde a mais tenra idade. É o chamado “texto da cidade” que, em sua opinião, urge ser transformado.
“É necessário intervir nesse texto da cidade, a partir de uma outra pedagogia – que não cabe só aos educadores, mas também aos prefeitos, às pessoas que têm responsabilidade na gestão municipal.”
Para entender como a cidade pode ser tomada pela educação enquanto currículo, o Portal Aprendiz conversou com Bonafé, após sua palestra no I Seminário Internacional de Educação Integral, realizado pelo Territórios, Educação Integral e Cidadania (TEIA) da UFMG, entre 5 e 7 de novembro.
Portal Aprendiz: Como se dá a construção do currículo na rua?
Jaume Martínez Bonafé: Minha hipótese de trabalho é que agora estamos pensando o currículo apenas dentro da escola. O currículo é o conjunto de significados que a escola articula, dentro de seus objetivos específicos, para dizer ‘isto é o que você tem que aprender, assim você vai ser uma pessoa útil’. Este é um pouco o seu discurso institucional.
Eu creio que também há um currículo fora dela. Há uma prática cultural que gera significados, formas de subjetivação e formas de entender o mundo e de compreender-se nele que têm a ver com as experiências vividas na cidade. Minha proposta de trabalho parte da cidade como currículo. Portanto, teríamos que analisá-la como formadora de práticas, experiências, relações e materialidades que vão articulando uma forma de entender a cultura e de se entender como parte dela.
A questão é: quem escreve o texto na cidade? Minha hipótese é que hoje o texto da cidade é a pedagogia do capitalismo, mas há também outras linguagens, outros significados, outras práticas sociais que têm a ver com os movimentos sociais e com um currículo contra-hegemônico.
“Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal”
Aprendiz: E como crê que a escola pode dialogar com estes elementos?
Bonafé: São coisas diferentes. Na minha conferência, eu quis diferenciar de uma proposta pedagógica bastante antiga e vinculada aos projetos de inovação, que diz que a escola tem que sair para o entorno, pesquisá-lo, explorá-lo. Portanto, suas matemáticas, histórias e geografias devem contemplar o entorno no trabalho pedagógico, mas eu não falo disso. Acho que, com isso, a escola não rompe com o currículo tradicional. O que faz é oxigená-lo, não para discutir a rua, e sim para que as matemáticas, histórias e geografias possam se fazer mais próximas ao sujeito, aproximando-as da rua.
O que eu digo é que o currículo está na rua e devemos investigá-lo. Vamos entender o que significam as grandes avenidas, os centros comerciais e as praças; qual o significado para as crianças ou para as pessoas mais velhas, para os homens ou mulheres, para negros e para os brancos. Vamos ver quais significados se constroem na cidade e nos dar conta de que em uma cidade há muitas cidades, interpretadas segundo o mundo de cada um.
Proponho que exploremos a ideia da cidade fazendo currículo. Há milhares de situações que estão construindo constantemente significado. Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal.
Aprendiz: Na Espanha, alguma experiência segue esse caminho?
Bonafé: Este é um conceito novo. Há algumas experiências, como na minha faculdade, onde trabalho com meus estudantes, mas o tema ainda é muito incipiente.
Aprendiz: Como as políticas públicas podem dialogar com isso?
Bonafé: É preciso que haja tamanho comprometimento de uma prefeitura com a pedagogia política, pública e social que isso possa influenciar em sua gestão. Uma possibilidade, por exemplo, seria intervir sobre o modo por meio dos quais os cidadãos se convertem em machistas. Isso não pode depender só da vontade do comércio que vende a roupa ou do publicitário, entende? É preciso um debate político e pedagógico.
É necessário intervir nesse texto da cidade, a partir de uma outra pedagogia – que não cabe só aos educadores, mas também aos prefeitos, às pessoas que têm responsabilidade na gestão municipal.
Por exemplo, eu sei que uma cidade necessita da circulação rápida de automóveis, mas penso que quem desenha os entornos do urbanismo social deveria se dar conta de que com isso nos passam a seguinte mensagem: “você vive em um mundo de pressas e, além disso, é insignificante ao lado dos carros, posto que até os semáforos são todos pensados para eles”. Isso é um texto pedagógico. Estão nos dizendo, desde pequenos, que nas cidades em que vivemos a pressa é fundamental. Acredito que os urbanistas também têm a responsabilidade de propor que o desenho dos entornos urbanos contemple uma outra maneira de entender os sujeitos.
De modo geral, nós não fomos formados para as relações que se dão com os espaços. Tampouco a escola nos ajuda a nos pensar neles, pois também está distanciada do tempo e do espaço real, por estar concentrada em seus próprios arranjos de tempo e espaço.
“A cidade é um veículo. Precisamos colocar os dispositivos culturais dela nas mãos dos projetos educativos das escolas, fazê-la educadora nesse sentido”
Aprendiz: A rua é então um espaço de socialização?
Bonafé: A rua é uma aula, uma lousa, um lugar onde se escreve. É o melhor lugar onde se dita as mensagens, é um texto pedagógico. É muito interessante analisá-la a partir da pedagogia que se propõe. Se nos ensinassem a ler a rua de outra maneira, muito provavelmente, seríamos cidadãos diferentes, saberíamos valorizar as praças e as cidades a partir de um outro olhar.
Por exemplo, me contaram de uma cidade em que na região onde os edifícios são mais altos, viviam as pessoas mais ricas. Pra mim, isso mostra o quão analfabetos podem ser os ricos, posto que sempre será mais cômodo, mais habitável, viver em um lugar mais horizontal, com pouca densidade habitacional, do que em um prédio de 30 andares. Se isso é valorizado como melhor, pior para os ricos, não? Tudo isso são mensagens culturais. É melhor viver num prédio de 30 andares? Pra mim, não. Eu quero ter um jardim, cultivar uma horta.
Aprendiz: Algumas cidades são reconhecidas como cidades educadoras. O que pensa sobre elas?
Bonafé: É um conceito interessante, mas tampouco é o que estou falando. A cidade é um veículo. Precisamos colocar os dispositivos culturais dela nas mãos dos projetos educativos das escolas, fazê-la educadora nesse sentido. A cidade passa a contemplar a ideia de que suas instituições, sobretudo culturais, cumpram seus objetivos. Que os museus tenham material didático; que os hospitais tenham um projeto pedagógico também para as crianças que se hospitalizam ou para as pessoas, etc. Isso me parece bom, mas o que eu proponho é ir além dessa questão.
Aprendiz: Então, não basta ter o equipamento sem uma intenção pedagógica?
Bonafé: Claro. A cidade educadora não é só o museu, o teatro. A rua também educa. E este espaço é, digamos, “desproblematizado” do ponto de vista pedagógico. Mas, veja, é ele que o professor utiliza para conduzir a criança até o museu. Ou seja, é tão educativo quanto, mas passa uma outra educação, outro discurso, outra pedagogia.

http://porvir.org/porpensar/o-curriculo-esta-na-rua-devemos-investiga-lo/20141127

Escolas podem acessar resultado preliminar do ENEM 2013

Está disponível, na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o resultado preliminar, por escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Os dados estão à disposição exclusivamente das escolas, em sistema específico, em destaque no Portal Inep. Em caso de discordância, os dirigentes das unidades de ensino podem entrar com recurso, no prazo de até dez dias.
Os resultados finais do Enem por escola serão divulgados após a análise dos recursos. Os dados são calculados para os estabelecimentos de ensino que tenham matriculados, no mínimo, dez concluintes do ensino médio regular seriado e 50% de alunos participantes do Enem.
Consideram-se concluintes aqueles que cursam a terceira série do ensino médio, excluídos os do ensino não seriado, conforme os dados do Censo da Educação Básica de 2013.
Acesse aqui o resultado preliminar do Enem por escola. Para isso, é preciso informar o número do CPF do responsável pelo preenchimento do Censo Escolar na instituição e o código da escola.

http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/escolas-podem-acessar-resultado-preliminar-do-exame-de-2013?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...