Oportunidades são para profissionais com nível médio e superior. Salários chegam a R$ 5.187,01 para cargo de coordenador pedagógico.
Por G1
A Prefeitura Municipal de São Paulo lançou os editais dos concursos públicos destinados a 1.737 vagas na Secretaria de Educação.
São 1.109 vagas para o cargo de "Auxiliar Técnico de Educação", com exigência de nível médio, e 628 vagas para o cargo de "Coordenador Pedagógico", que exige Nível Superior e experiência de 3 anos no exercício do magistério. A remuneração inicial oferecida é de R$ 1.541,14 a R$ 5.187,01.
Os interessados poderão se inscrever entre os dias 4 de junho e 5 de julho de 2019, exclusivamente pela internet, no portal da Fundação Vunesp (www.vunesp.com.br).
A primeira etapa de aplicação de provas está prevista para ocorrer no dia 1º de setembro.
No Diário Eletrônico de Contas desta segunda-feira (27/05) foi publicado o Extrato de Contrato celebrado entre a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá - SME e o Instituto Nacional de Seleções e Concursos - SELECON. A contratada tem a responsabilidade pela divulgação, publicações, inscrições, avisos, aplicação de provas escritas e práticas, análise de títulos, correções, recursos, resultados e logística, com vistas a realização do Concurso Público para a Educação de Cuiabá. Agora cabe à contratada iniciar os trabalhos para a publicação do Edital onde estarão estabelecidas as regras para o concurso, entre elas os conteúdos, as vagas e data de realização do certame.
Documento expressa de forma gráfica todos limites territoriais de Mato Grosso, relevo, hidrografia, malha viária, e territórios legalmente instituídos.
Lorena Bruschi | Secom-MT
O Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) lançou o mapa político-administrativo de Mato Grosso de 2019. O documento atualizado possibilita o controle e a fiscalização de desmatamentos e queimadas irregulares, é utilizado como base para o cadastro das propriedades rurais, projetos de Manejo Florestal, para levantamento de tipos de atividade econômica nas áreas rurais, e até para o policiamento da Fronteira.
Conforme a coordenadora de Cartografia do Intermat, Ligia Camargo, o mapa representa cartograficamente todas as Terras Indígenas, Unidades de Conservação, Territórios Quilombolas, e outras áreas legalmente instituídas no Estado, como por exemplo, a área do Pantanal. Todas as representações tomam como base Leis estaduais, municipais, e até federais, que instituem os perímetros e limites.
O setor elabora ainda, com base no mapa, a certidão de domicílio tributário. Este documento oficial determina para qual município a propriedade ou empreendimento rural deve recolher seus impostos. A atribuição de emissão dessa certidão é designada pela Secretaria estadual de Fazenda por meio de portaria.
“A equipe vai à campo, confirma as coordenadas da sede, e se a propriedade estiver recolhendo seus tributos para o município errado, esta certidão possibilita que o proprietário se regularize na Sefaz”, explica a especialista. A avaliação é feita com base nos limites oficiais dos municípios previstos em Lei.
A cartografia deixou de fazer parte da extinta Secretaria de Planejamento (Seplan) e passou a integrar o quadro de atribuições do Intermat a partir da reforma administrativa deste ano. A missão do setor é produzir, atualizar, e disponibilizar ao público em geral a base cartográfica do Estado.
A equipe é responsável pela contagem populacional para emancipação de municípios e criação de distritos, atualização das divisas municipais, e pareceres técnicos relacionados a elementos que integram a base cartográfica, como por exemplo o ICMS ecológico, e a extensão viária.
Na prática, entre outras funções, a equipe técnica coloca no mapa todos os territórios que são instituídos por Lei, e constrói ainda mapas temáticos de solo, vegetação, geologia, estradas, entre outras coisas.
Oportunidade é dada para os vencedores que ficam em 1º e 2º lugar em cada categoria
da International Science and Engineering Fair (Isef), evento considerado a maior feira
de ciências do mundo.
Por Carolina Cattaneo, G1 RS
Juliana se emociona ao receber o anúncio de que havia ganho o prêmio — Foto: ISEF/Divulgação
A estudante gaúcha Juliana Estradioto, de 18 anos, egressa do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), será nome de um asteroide. A oportunidade é dada para os vencedores que ficam em primeiro e segundo lugar em cada categoria da International Science and Engineering Fair (Isef), evento considerado a maior feira de ciências do mundo.
A jovem ficou em primeiro lugar na categoria de Ciências Materiais. O resultado foi anunciado na sexta-feira (17), no evento que ocorreu em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos. A feira contou com a participação de mais de 1,8 mil estudantes de ensino médio de 80 países.
"Muito inacreditável. Parece mentira, nunca pude imaginar que ia conseguir primeiro lugar nesta premiação. Fico muito realizada em representar como investir nos jovens é importante. Quanto ao asteroide, é muito impactante. Quando eles anunciam a premiação, eles mostram um vídeo com cientistas importantes que deram seus nomes a asteroides", afirmou Juliana ao G1.
Foi a terceira vez que Juliana participou do evento. Ela elaborou a pesquisa vencedora quando cursava Técnico de Administração Integrado ao Ensino Médio no Campus Osório do IFRS, no Litoral Norte do estado, segundo informou a instituição. A pesquisa teve orientação da professora Flávia Twardowski e coordenação do professor Thiago Maduro.
"Muito orgulhosa de ter acompanhado toda essa caminhada dela. Desde que ela entrou no Instituto [Federal do Rio Grande do Sul], é orientada por mim. Viajamos várias vezes juntas em competições. É uma honra ser professora dela e poder ter apresentado a importância da pesquisa", conta Flávia.
O programa Ceres Connection, em parceria com o MIT Lincoln Laboratories, dá nome de estudantes e professores premiados para asteroides. Desde 2001, mais de 4 mil objetos receberam nomes dos vencedores.
"Eu já tinha participado da feira outras vezes. É um marco poder estar lá. Ter participado da pesquisa no ensino básico mudou minha vida. Um dos meus sonhos é que todos os jovens possam ter esse tipo de contato com a pesquisa", acrescenta Juliana.
"A ciência tem que ser mais popular. Foi muito importante para mim, a educação e aciência são transformadoras."
Premiação na feira
O estudo de Juliana aborda o aproveitamento da casca da noz macadâmia para confeccionar uma membrana biodegradável, que pode ser utilizada em curativos de pele ou em embalagens, substituindo o material sintético. Além de contribuir com a sustentabilidade, o material é mais econômico.
"Material bem multifuncional, que tem potencial e pode ser explorado de muitas formas. São utilizados em curativos, então pode auxiliar na medicina, na saúde das pessoas. A ciência está ligada ao cotidiano e deve ser valorizada", conta Juliana.
Juliana se credenciou para participar do evento norte-americano ao participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), em março deste ano, na Universidade de São Paulo (USP).
No evento, o projeto da gaúcha conquistou o 1º lugar em Ciências Agrárias, o 2° lugar no Prêmio Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular e o Prêmio Destaque Unidades da Federação como melhor trabalho do estado.
A UNESCO abriu para inscrições e indicações os seus Prêmios Internacionais de Alfabetização que, neste ano, irão reconhecer programas e indivíduos que promovam de maneira excepcional a alfabetização ao redor do mundo sob o tema Alfabetização e Multilinguismo.
Desde 1967, os Prêmios Internacionais da UNESCO de Alfabetização reconhecem iniciativas de excelência e inovação no campo da alfabetização. Mais de 490 projetos e programas realizados por governos, organizações não-governamentais e indivíduos ao redor do mundo já foram premiados e apoiados em seus excelentes trabalhos.
O multilinguismo é um bem tanto para a alfabetização quanto para o desenvolvimento educacional em geral e, em particular, para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS4) e a sua meta 4.6 que trata da qualidade inclusiva e da expansão do acesso à educação. A educação multilíngue facilita o acesso à educação enquanto promove equidade para as minorias que falam línguas não-oficiais e indígenas, especialmente meninas e mulheres.
Por meio desses dois prestigiados prêmios, a UNESCO apoia a eficiência de práticas de alfabetização e encoraja a promoção de sociedades alfabetizadas para diminuir a lacuna de aproximadamente 750 milhões de analfabetos.
A UNESCO possui dois diferentes prêmios de alfabetização:
O Prêmio UNESCO-Rei Sejong de Alfabetização (dois premiados) foi estabelecido em 1989 e é apoiado pelo Governo da República da Coréia. Ele considera especialmente programas que focam no desenvolvimento e na utilização da língua materna na alfabetização durante a educação e treinamentos.
O Prêmio UNESCO-Confúcio para a Alfabetização (três premiados) foi criado em 2005 e é apoiado pelo Governo da República dos Povos da China. Esse prêmio reconhece programas que promovem a alfabetização de adultos, especialmente em áreas rurais e jovens que estão fora das escolas, especialmente meninas e mulheres.
Cada um dos vencedores dos prêmios recebem uma medalha, um diploma e 20 mil dólares.
Todos os programas e projetos devem obedecer os critérios de seleção (link em inglês) para serem considerados.
Governos dos Estados-membros da UNESCO e Organizações Não-Governamentais em parceria oficial com a UNESCO são encorajados a levar em consideração indivíduos, instituições e organizações que tenham feito contribuições excelentes para a promoção da alfabetização e que tenham requisitado a indicação.
O prazo para encaminhar as candidaturas para as entidades de indicação vai até 16/06/2019, a meia noite do horário de Paris (19h do dia 15/06/2019, no horário de Brasília). O prazo para que as entidades de indicação submetam as suas indicações para a UNESCO vai até 23/06/2019, a meia noite do horário de Paris (19h do dia 22/06/2019, no horário de Brasília).
As indicações serão avaliadas um júri internacional independente, composto por cinco especialistas nos critérios de seleção (link em inglês). Com base nas recomendações do júri, a Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay, irá selecionar os finalistas para a cerimônia de premiação que acontecerá por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização (08/09/2019).
Tema foi discutido nesta quinta-feira (23) em audiência pública da comissão especial que analisa a proposta do governo
Policiais e professores apresentaram nesta quinta-feira (23) aos deputados da Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 6/19) argumentos que, segundo as categorias, justificam regras especiais para as suas aposentadorias.
Eduardo Ferreira: professores enfrentam turmas superlotadas e estão expostos
a situações que afetam a saúde física e psíquica
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
O assessor político e jurídico na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Eduardo Ferreira, disse que a fixação de uma idade mínima de 60 anos para os professores, sem diferenciação entre homens e mulheres, prejudica a categoria, que é formada em sua maioria por mulheres – 88% nas prefeituras –, que hoje se aposentam, em média, com 50 anos, a atual idade mínima.
Ferreira também criticou o aumento do tempo de contribuição de 25 para 30 anos. Ele salientou que os docentes enfrentam turmas superlotadas, salários baixos, são recordistas em licenças médicas e têm, em média, 24 horas por semana de sala de aula. Na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por países desenvolvidos, a média seria de 19 horas.
Ele acrescentou que o tempo de contribuição de 30 anos é maior que o dos trabalhadores em geral, que é de 25 anos no caso do setor público, e de 20 anos, no setor privado. “O professor que está em sala de aula possui a maior carga de trabalho e está exposto a todos os agentes que mexem com seu lado físico e psíquico. Não é justo ter de ficar mais tempo em classe dos que os demais, que não estão nessas condições”, afirmou Ferreira.
Atividades de risco Por sua vez, o vice-presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Luciano Leira, pediu regras similares às oferecidas aos militares, já que, sustentou ele, o risco que enfrentam é semelhante. O dirigente informou ser favorável à criação da idade mínima de 55 anos, mas defendeu uma transição justa e sem aumento futuro.
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Para Luciano Leira, policiais devem ter direito a regras similares às dos militares
“Não é possível que a segurança pública seja tratada dessa forma pelo governo federal, sendo um dos pilares da campanha presidencial. Além de Jair Bolsonaro, praticamente todos os deputados e governadores fizeram da segurança uma das bandeiras de suas plataformas”, comentou.
Oficiais de Justiça, agentes dos Detrans e guardas municipais também solicitaram terem as mesmas regras dos policiais. Já os vigilantes querem que o texto mantenha o critério atual da periculosidade para aposentadorias diferenciadas.
Déficits Para Emerson Garcia, da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, os servidores públicos não devem ser diferenciados dos demais trabalhadores com a criação de contribuições extraordinárias. Essas contribuições temporárias seriam utilizadas para cobrir déficits futuros.
“O servidor público acabará arcando com um déficit que não é culpa dele. Vai arcar com a incompetência do gestor, com o fisiologismo político; e, ao final, tudo isso é discricionariedade administrativa”, comentou.
Especificidades A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou entender as especificidades de cada categoria, mas ressaltou que outros trabalhadores também enfrentam riscos e não têm direito a aposentadoria especial por conta disso.
“Quantas classes e categorias teremos de criar? Percebo que todas têm a sua razão. Professores enfrentam situações horrorosas em sala de aula, porém operadores de telemarketing e o pessoal da construção civil também enfrentam dificuldades”, apontou. “Não estou desqualificando de maneira nenhuma tudo o que vocês trouxeram. No entanto, meu questionamento é: não somos todos especiais?”, continuou.
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Narlon Nogueira: aposentadorias diferenciadas impactam estados e municípios
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou que não basta garantir os direitos atuais dos segurados especiais. Segundo ela, caso o regime de capitalização seja aprovado, todos terão aposentadorias ainda menores no futuro.
Estados e municípios O secretário-especial adjunto de Previdência do Ministério da Economia, Narlon Nogueira, informou que os servidores com aposentadorias diferenciadas impactam principalmente as despesas de estados e municípios. No Rio Grande do Sul, seriam 70% do total.
Nogueira disse ainda que os professores da rede pública que faleceram em 2003 receberam seus benefícios por 9 anos em média. Em 2017, esse total teria subido para 17 anos.
Debatedores destacaram papel do Fundeb na garantia de recursos e na redução da desigualdade regional na educação e sugeriram que fundo seja perenizado, como sugerido por PECs em tramitação no Senado Foto: Jane de Araújo/Agência Senado Jane de Araújo/Agência Senado
Os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb, são imprescindíveis para a educação pública nos municípios, alertaram nesta quarta-feira (22) os debatedores que participaram de audiência pública interativa na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
O Fundeb é o principal mecanismo de financiamento da educação básica no país. Ele substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental de Valorização do Magistério (Fundef), que vigorou de 1996 a 2006. A existência do Fundeb acaba em dezembro de 2020 e tramitam no Senado duas propostas que tornam o fundo permanente (PEC 33/2019 e PEC 65/2019)
Em 2018, o Fundeb ultrapassou R$ 140 bilhões, sendo 10% do montante aportados pela União e os outros 90% pelos estados e municípios, cabendo a maior parte aos estados, já que a principal fonte de recursos para o fundo é o imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual e banca quase 60% do Fundeb.
Falta água e internet
A audiência foi conduzida pelo presidente da CE, senador Dário Berger (MDB-SC). Citando recente reportagem, ele disse que ainda há, em Santa Catarina e no restante do Brasil, escolas sem ligação de fornecimento de água, sem água filtrada, sem coleta de lixo e muitas sem biblioteca, sem laboratórios de informática ou sem acesso à internet.
— Temos que garantir as condições mínimas para o professor para colhermos resultados na qualificação de nossos alunos — disse Dário Berger.
Representando o Ministério da Educação, a coordenadora-geral de Operacionalização do Fundeb, Sylvia Cristina de Toledo Gouveia, informou que o fundo é responsável por 80% dos recursos que financiam a educação básica pública no país.
Ela disse que o Fundeb já destinou R$ 1,1 trilhão para a educação básica desde 2007, financiando 454,9 milhões de matrículas nesse período.
Conforme afirmou Sylvia Gouveia, o Fundeb para 2019 é de R$ 157,8 bilhões para atender 39 milhões de alunos. Para ela, o novo Fundeb tem que ser um instrumento aperfeiçoado e mais eficaz de redistribuição de recursos na Federação.
Como a maior parte dos recursos do Fundeb são custeados pelos estados, disse a coordenadora, o fundo funciona como mecanismo que reduz a desigualdade, já que os municípios recebem mais recursos de acordo com o número de matrículas de estudantes.
O vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Fred Amancio, afirmou que, sem o Fundeb, a educação básica pública municipal “entra em colapso”, o que sobrecarregará o ensino estadual, que também seria precarizado em seguida.
Ele defendeu que a transição para o novo Fundeb seja feita para aprimorar essa “importante ferramenta de redistribuição de recursos no ambiente federativo” e torná-la permanente.
— O Fundeb é uma garantia de recursos para a educação — resumiu Fred Amancio, ao registrar que o Brasil investe apenas 6% do PIB no setor educacional, percentagem inferior à maioria dos países.
Por sua vez, o coordenador de projetos do movimento Todos pela Educação, Caio Callegari, disse esperar que o novo Fundeb diminua ainda mais as desigualdades regionais do país, principalmente entre os municípios. Ele afirmou que está nas mãos do Senado e da Câmara o aprimoramento do Fundeb, o que vai ampliar as oportunidades educacionais em todos os estados, com apoio a um maior número de estudantes, em especial os mais pobres.
Também participaram do debate o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, e o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) da região Centro-Oeste, Marcelo Ferreira Costa.
Contribuiu ainda com a discussão o vice-presidente da CE, senador Flávio Arns (Rede-PR), relator da PEC 65/2019, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que torna permanente o Fundeb. O relator afirmou que está à disposição para receber sugestões de aperfeiçoamento do texto da PEC.
O ciclo de debates na comissão sobre o fundo foi proposto pelos senadores Arns, Dário Berger, Marcos do Val (Cidadania-ES) e Izalci Lucas (PSDB-DF).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
James Heckman já era vencedor do Nobel de Economia quando começou a se dedicar ao assunto pelo qual passaria a ser realmente conhecido: a primeira infância (de 0 a 5 anos de idade), sua relação com a desigualdade social e o potencial que há nessa fase da vida para mudanças que possam tirar pessoas da pobreza.
James J. Heckman é professor de economia da Universidade de Chicago, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2000 e especialista em economia do desenvolvimento humano
Em grande parte por causa de seus estudos, o assunto tem ganhado mais atenção nos últimos anos. Heckman concluiu que o investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Ele calcula que o o retorno financeiro para cada dólar gasto é dos mais altos.
Isso porque, na etapa entre o nascimento e os cinco anos de idade, o cérebro se desenvolve rapidamente e é mais maleável. Assim, é mais fácil incentivar habilidades cognitivas e de personalidade - atenção, motivação, autocontrole e sociabilidade - necessárias para o sucesso na escola, saúde, carreira e na vida.
No início dos anos 2000, Heckman começou a se debruçar sobre os dados do Perry Preschool Project, experimento social que mudou a vida de seus participantes. Ele funcionou assim: em 1962, na pequena cidade de Ypslanti, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos, 123 alunos da mesma escola foram divididos aleatoriamente em dois grupos.
Um deles, com 58 crianças, recebeu uma educação pré-escolar de alta qualidade e o outro, com 65, não - este último é o grupo de controle. A proposta era testar se o acesso a uma boa educação infantil melhoraria a capacidade de crianças desfavorecidas de obter sucesso na escola e na vida.
"O consenso quando comecei a analisar os dados era de que o programa não tinha sido bem sucedido porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes", lembra ele, anos depois, em conversa com a BBC News Brasil.
Heckman e colegas resolveram analisar os resultados do experimento por outro ângulo. "Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida e vimos que o programa era, na verdade, muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam. Constatamos que os participantes tinham mais probabilidade de estarem empregados e tinham muito menos chance de ter cometido crimes", diz o economista.
Sua análise do programa Perry chegou à conclusão de que houve um retorno sobre o investimento de 7 a 10% ao ano, com base no aumento da escolaridade e do desempenho profissional, além da redução dos custos com reforço escolar, saúde e gastos do sistema penal.
Mais de 50 anos depois do início desse programa, Heckman divulgou, neste mês de maio, nova pesquisa, feita com seu colega na Universidade de Chicago, Ganesh Karapakula, que confirma esses resultados e mostra que não apenas os participantes se beneficiaram do programa pioneiro, mas também seus filhos, estes mais escolarizados e bem empregados do que seus pares.
Leia os principais trechos da entrevista:
BBC News Brasil - Como era o currículo do Perry e por que ele foi tão bem-sucedido?
James Heckman - Quando comecei a estudar isso, também pensava no projeto como um currículo, mas não é - nem o Perry era e nem outros programas de educação infantil de qualidade são. Não são exatamente salas de aula. São como uma família estendida. São grupos pequenos de crianças, recebendo muita atenção, orientação, muitos estímulos.
No caso do Perry, eles pegavam crianças de famílias muito pobres e levavam para a creche. Era como ser pais - ficavam muito tempo com a criança e davam uma mentoria a ela. Levavam as crianças ao zoológico, ao parque, brincavam com elas. Isso dava à criança a oportunidade de interagir com seus pares. Por isso, funcionou. O programa também tinha visitas semanais aos pais.
Os pais ficaram muito empolgados. A criança voltava para casa entusiasmada. E os pais acabavam estimulando a criança ainda mais. As lições desse programa também são transferíveis para programas de visita (às casas dos pais, nos quais um educador ensina os pais como estimular seus filhos pequenos), ainda que eles pareçam ser diferentes. Uma lição é como é importante a vida doméstica na formação.
Um programa que está sendo implementado na Jamaica, por exemplo, consiste de passar uma hora por semana com a mãe ensinando como ela pode interagir com as crianças - desafiá-la, engajá-la. O preço não é tão alto e o retorno é enorme.
Direito de imagemARQUIVO PESSOALImage captionMais estímulo na primeira infância costuma se traduzir em melhor desempenho acadêmico e autocontrole emocional
BBC News Brasil - O que te chamou a atenção nos dados sobre ele?
Heckman - Muitas pessoas diziam que o programa era um fracasso porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes. Esse foi o consenso no início. Nós olhamos para outras coisas - as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida.
Eles desenvolvem habilidades executivas - de planejamento, de interação, de cumprimento de tarefas, seguir instruções. Olhamos para sua empregabilidade, participação no crime. E assim vimos que o programa tinha sido muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam, porque eles só estavam avaliando por um ângulo restrito (o do QI).
Em todos os países onde esse assunto foi pesquisado conclui-se que desigualdade na primeira infância se mantém nas etapas posteriores. O ambiente nos primeiros anos é muito importante. Nessa fase você constrói uma base de habilidades que vão te servir para o futuro.
Crianças pequenas são muito maleáveis e mutáveis. Há uma flexibilidade nessa etapa que não se vê em outras. É uma questão de eficiência econômica.
BBC News Brasil - No entanto, em geral, mais atenção é dada à educação em etapas seguintes da vida. Por que é difícil mudar isso?
Heckman - Porque os pais de crianças desfavorecidas não sabem o que faz elas ficarem para trás. Na verdade, só é preciso estimulá-las. Há estudos que mostram que ler para as crianças já tem um impacto enorme no desenvolvimento delas.
Além disso, as pessoas não têm tempo. Não estou dizendo que as mães não devem trabalhar e passar o dia em casa com os filhos, mas esses anos iniciais precisam ser enriquecidos. Uma solução é pré-escola de qualidade.
BBC News Brasil - Acha que os governos têm dado mais atenção nas últimas décadas à primeira infância? Quais são os desafios nesse sentido?
Heckman - O desafio é mudar a forma de pensar. A forma errada é pensar que a educação formal é o caminho para a criação de habilidades e que o modelo de professor em pé na frente da turma lecionando para crianças é o jeito certo de gerar vidas bem sucedidas. Esse raciocínio é promovido inclusive por cursos superiores de educação e por pessoas bem intencionadas. Mas o que importa é pensar na família e na formação da criança.
BBC News Brasil - No caso do Perry, vocês concluem que os benefícios se estendem para a segunda geração. Como acontece essa transferência de uma para a outra?
Heckman - Os participantes são pessoas bem sucedidas. Eles têm estatisticamente uma chance muito menor de ter cometido crimes. Vemos que há muita correlação entre atividade criminal dos pais e dos filhos. Os pais do Perry reproduzem com os filhos o que aprenderam na infância.
Direito de imagemARQUIVO PESSOALImage captionProfessora do projeto-piloto Cantinho do Brincar, que busca mitigar a dificuldade de acesso a creches e prover oportunidades a crianças na primeira infância
BBC News Brasil - Suas pesquisas mostram que homens se beneficiam desses programas muito mais do que mulheres. Por que isso acontece?
Heckman - Meninos são mais sensíveis (às mudanças) e têm mais chance de entrar para o mundo do crime. As meninas também se beneficiam, mas o risco que elas correm é muito inferior aos meninos.
Há uma influência social que na prática separa meninos de meninas muito cedo. Mas também é verdade que meninas de três anos de famílias desajustadas têm maior chance de se engajar em atividades como leitura de livros e menos chance de estarem se metendo em encrencas. As pessoas não querem falar sobre isso, mas é verdade.
Os meninos se desenvolvem num ritmo diferente e as meninas parecem conseguir se estruturas mais facilmente do que meninos. As meninas são mais resilientes.
De modo geral, quando meninos são criados em famílias onde só há a mãe, sem figuras paternas, eles têm mais dificuldade de obter orientação na vida. O laço entre filhas e mães é diferente da mãe com o filho. A mãe ama o filho, mas é diferente.
BBC News Brasil - Qual é a relação entre bom desenvolvimento infantil e crimes?
Heckman - Esse é o principal resultado de todos esses programas de educação infantil. O maior retorno para cada dólar investido em todos eles é a redução de crimes e a criação de um ambiente encorajador para as crianças.
As pessoas ignoram isso, mas é importantíssimo. É por isso que esses programas são tão bem sucedidos para homens. É uma estratégia anticrime. Nem que fosse só por isso deveriam ser levados a sério como política pública.
BBC News Brasil - Se a pessoa não tiver a oportunidade de se desenvolver na primeira infância, é caso perdido?
Heckman - O desenvolvimento acontece em outras etapas da vida. No entanto, uma etapa leva a outra. A criança bem formada consegue aproveitar melhor aprendizados futuros. Mas não devemos desistir das pessoas depois de uma certa idade. Isso não é verdade.
BBC News Brasil - Alguns críticos dizem que os resultados do Perry têm de ser vistos com cuidado pois o programa foi implementado num contexto muito particular, o que torna temerário extrapolar seus resultados. O que acha disso?
Heckman - Se você fizer uma imitação e aplicar o Perry de 1960 para Porto Alegre em 2019 seria loucura. Há adaptações culturais que precisam ser feitas. Mas os mecanismos que descrevemos são replicáveis. Ensinar os pais a se engajar na vida da criança, isso dá resultado no resto da vida.