quarta-feira, 19 de junho de 2013

Juventude em luta, enfim. Gilberto Fraga de Melo



Ufa! Enfim, temos um levante que pode nos alentar para um futuro diferente da pasmaceira que se afigurava até há poucos dias. Hoje uma jovem de pouco mais de vinte e cinco anos me disse que pretende participar da manifestação marcada para esse dia 20 de junho em Cuiabá. Perguntei-a se já havia participado de alguma manifestação. A resposta foi negativa. É isso. Esses jovens são herdeiros de uma luta de seus pais, mas, de fato, foram impedidos de lutar no auge de sua adolescência e início de sua fase adulta. Sim, eles foram acreditando que o país estava sendo bem governado, que a fome estava sendo eliminada, e, mais recente, que não mais existem miseráveis em nosso Brasil. No entanto, essa cortina de bonança é apenas uma cortina, frágil como são as ações que tentam iludir uma sociedade. Um dia a cortina já não impede ver ou enxergar. E vê-se e enxerga-se algo que de tanto ficar oculto, muito estranho ficou, e quando visto nos dá o direito de superdimensioná-lo. Assim está ocorrendo agora: o monstro adormecido aos nossos olhos está de um tamanho que só a força de muitos para vencê-lo. Que monstro é esse? Está na hora de cada um colocar para fora aquele que lhe atormenta. Pode ser a inflação que veio com força e atinge a todos, com todas as suas consequências; pode ser o emprego, mas mal remunerado, ou mesmo a falta dele; pode ser o acesso a escola, mas com baixa qualidade; pode ser a ambulância, mas sem o hospital e digno atendimento; pode ser o julgamento do mensalão que parece não se concretizar com as condenações aos larápios; pode ser a constante de eleições que elegem gestores que fazem de conta que se assustam com o que encontram e se apegam ao passado para não deixar transparecer sua incompetência no presente; pode ser o discurso de moralização por quem é beneficiário da impunidade; enfim, pode ser muitos e muitos e outros ainda silenciados. Agora, bem, agora não dá mais para segurar. É preciso fugir do jogo de palavras de medo x esperança, de pobre contra rico, de patrão x empregado, de branco contra negro, de hetero x homo, de católico x evangélico. Agora é um momento em que se requer uma limpeza de base, com a profundidade necessária para expelir marcas que podem impedir a visão de futuro, que pode comprometer gerações. 
Que bom, juventude. É isso, vão às ruas, levem seus cartazes, apresentem suas indignações, assumam o presente que estavam lhes tomando. 
É isso, meu filho, que já lutou pelo seu direito na universidade. Também lutei para que você tivesse um futuro melhor. Agora, lhe peço para lutar para assegurar meu futuro como idoso.  É assim que se faz juventude, não perca a oportunidade de se manifestar e expressar sua capacidade de conduzir o país para a harmonia, verdade, transparência, respeito, enfim, democracia.

Vão, jovens. Ocupem os vãos. Por favor, não abandone a luta em vão.

Beijos

Gilberto

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