quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Saber que a educação gera inclusão social é a motivação, diz professora

Maria Botelho teve prêmios em todas as edições de olimpíada. 
Professora de matemática em Uberlândia, ela diz que fez a 'escolha certa'.


Fernanda ResendeG1 Triângulo Mineiro
Na primeira vez em que cogitou ser professora, Maria Botelho Alves Pena quase desistiu da ideia diante da perspectiva de baixos salários. Hoje, com 53 anos de idade e mais de 30 deles em sala de aula, e vários prêmios, ela está feliz por ter acreditado na vocação. "Fiz a escolha certa e vivenciei bons momentos na minha carreira."


Maria assumiu uma missão difícil: ensinar matemática, uma disciplina complexa e odiada por muitos estudantes. Em vez de se deixar abater pelas dificuldades, encontrou prazer no lado desafiador da profissão. Foi isso que a fez adiar por oito anos o afastamento preliminar, uma espécie de "pré-aposentadoria". "A minha motivação sempre foi o desafio de conseguir despertar ou acentuar o gosto dos alunos pela busca de conhecimento, acreditar que eu posso inspirá-los a ir além dos limites que eles mesmos se impunham", afirma.
Formada em matemática, com especialização e mestrado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (Impa), a professora começou a carreira em Iraí de Minas (MG), e há 20 anos leciona na Escola Estadual Messias Pedreiro, em Uberlândia. Ela foi premiada em todas as edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) até 2013 pelo desempenho de seus alunos na disputa. A seguir, conheça a história de Maria, uma das entrevistadas para o especial do G1 sobre o Dia dos Professores.
G1 – Por que você decidiu lecionar?
Maria Botelho Alves Pena – Eu sempre gostei de matemática, mas a princípio não tinha certeza se realmente queria ser professora, principalmente pela questão salarial. Hoje posso dizer que fiz a escolha certa e vivenciei bons momentos na minha carreira.
G1 – Você leciona há quanto tempo?
Maria Botelho – Eu comecei em fevereiro de 1981 e trabalhei como professora de matemática por mais de 30 anos. Há uma semana me afastei da sala de aula. Na verdade, eu poderia ter me afastado há mais de oito anos. De acordo com as leis de Minas Gerais, o professor pode se afastar e prestar outro tipo de serviço ao completar 25 anos de sala de aula, mesmo não tendo a idade mínima de 50 anos. No entanto, optei por continuar com as turmas porque sempre considerei que a sala de aula era um ambiente motivador, desafiador e prazeroso.
G1 – Você atuava na rede pública ou privada?
Maria Botelho – Eu já trabalhei na rede particular, mas desde 1990 atuo apenas na rede pública estadual.
G1 – Diante da sua experiência, qual é a diferença entre a rede pública e a privada?
Maria Botelho – Tanto a rede pública quanto a privada têm alunos interessados e alunos que não têm compromisso com o conhecimento e precisam ser despertados. Mas as condições da rede pública são piores. A carga horária, por exemplo, é menor do que a de uma escola particular.
G1 – Como você lida com o estereótipo da matéria que ministra, a matemática?
Maria Botelho – É uma questão cultural. Antigamente, o aluno já chegava com a ideia de que matemática é difícil, só para gênios. Hoje acredito que essa ligação está sendo quebrada, pois percebemos que a maioria dos nossos alunos tem optado por cursos na área de exatas, em diversas engenharias. Tudo depende da forma como você conduz a disciplina. Eu sempre disse que, se resolver um problema fosse fácil, alguém já teria descoberto vacinas para Aids e câncer. O problema da matemática é que é uma matéria cumulativa, e o aluno tem que conhecer determinados assuntos de séries anteriores. Nós vivemos em uma época em que muitos não trazem o conhecimento necessário, então devemos resgatá-lo e oferecer condições para que eles adquiram competências e habilidades essenciais para avançar. Às vezes, o crescimento é assustador depois que há esse comprometimento.
G1 – Você tem ou tinha que conciliar mais de um emprego?
Maria Botelho – Eu já tive dois cargos no Estado e ainda dava aula numa escola particular. Em 1990, optei por ficar com os dois cargos do Estado, dado o planejamento, a realização das atividades múltiplas para atender alunos em situações diferentes e aos projetos que fui desenvolvendo na escola. Com isso, acabei tendo jornada tripla, sacrificando finais de semana e o convívio com a família.
G1 – Isso não te causou nenhum estresse ou problema de saúde?
Maria Botelho – Acho que sou uma pessoa privilegiada, pois não tenho nenhuma licença de saúde, a não ser a de gestação.
G1 – Sabemos que os professores da rede pública têm salário baixo, infraestrutura deficitária etc. Mesmo assim, o que te motiva?
Maria Botelho – Realmente, o piso nacional para 40 horas é vergonhoso. Mesmo assim, criaram um subsídio e as vantagens adquiridas ao longo dos anos foram incorporadas [ao salário] para dizer que se pagava o piso. Se a gente for olhar pela questão salarial, é extremamente desmotivador. Eu acho que tem outras compensações. A minha motivação sempre foi o desafio de conseguir despertar ou acentuar o gosto dos alunos pela busca de conhecimento, a ousadia de acreditar que eu posso inspirá-los a ir além dos limites que eles mesmos se impunham e, principalmente, a certeza de que a educação promove a inclusão social e pode mudar o mundo. Acho que todas essas motivações minimizaram a minha indignação com o baixo salário e a falta de condições de trabalho.
G1 – Você acredita que a sociedade tem ciência da desvalorização do profissional da educação?
Maria Botelho –
 A própria sociedade desconhece a desvalorização do professor e a dificuldade que ele encontra. Por exemplo, eu tive um aluno de 3º ano do ensino médio que, em 2011, foi aprovado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em matemática e engenharia civil. Ele me falou que o sonho dele é trabalhar com o ensino fundamental, então ele desistiu da engenharia. Na época, os colegas de sala dele me pediram para não deixá-lo ser professor. Com isso, a gente nota que não há incentivo para uma graduação de licenciatura e que é mais fácil desistir ou abandonar a profissão.
G1 – Teve algo nesses mais de 30 anos de profissão que te desmotivou?
Maria Botelho – Sempre procurei olhar para o lado que me interessava e fazer que os alunos sentissem que valorizávamos aquele que queria aprender, e não o contrário. Com isso, houve a criação de uma cultura diferenciada, e o momento do 'não dá mais' não existiu.
G1 – Você já foi vítima de agressão, violência ou ofensas na sala de aula?
Maria Botelho – Felizmente, não. Já trabalhei em escolas em várias cidades e tenho o privilégio de falar que eu e meus alunos tivemos um convívio respeitoso.
G1 – Você acredita que mesmo afastada da sala de aula vai conseguir se desvincular da educação?
Maria Botelho – Mesmo estando afastada, eu assumi o compromisso com "meus alunos" da Escola Estadual Messias Pedreiro que vamos ter um dia de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, já estamos com um encontro marcado após o resultado da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) para uma confraternização. Eu estarei envolvida de alguma forma com o compromisso de melhorar a qualidade da educação básica. Para 2015, por exemplo, eu já aceitei o convite de ajudar na organização do 1º Simpósio da Região Sudeste de Formação do Professor de Matemática da Educação Básica, que será realizado em abril. E já há outras coisas que estou formatando e analisando. 
G1 – Fale um pouco do seu papel na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, na qual tem se destacado desde que ela teve início.
Maria Botelho – A olimpíada é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e tem como alguns dos seus objetivos descobrir talentos para a ciência e a tecnologia, melhorar a qualidade da educação básica e promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento. Desde a sua criação, em 2005, fui professora responsável na Escola Messias Pedreiro e, em função do desempenho dos meus alunos, fui premiada em todas as edições até 2013. O resultado deste ano sai apenas em dezembro. Pode ser que eu não seja premiada em 2014, mas já me sinto premiada, pois eu tinha 28 alunos classificados para a segunda fase. Eles se envolveram no processo. Eu acho que conseguimos tornar a olimpíada motivadora e não discriminatória. Fizemos ações em três pilares: mobilização, preparação e comemoração. Quando falo em comemoração não é comemorar o prêmio, e sim o crescimento. Os resultados positivos obtidos na Obmep me fazem defender uma olimpíada trabalhada em sala de aula, com todos os alunos. Trabalhar mais raciocínio do que conhecimento. A própria sociedade e as empresas estão valorizando a questão do raciocínio lógico desenvolvido, pois ele ajuda a produzir tecnologia para o país.
G1 – Teve algum momento nesses mais de 30 anos de carreira que te marcou de alguma forma?
Maria Botelho – 
Eu acho que é difícil de falar em um momento mais especial. São vários momentos marcantes, e cada um tem a sua beleza. Mas não vou conseguir esquecer o dia em que eu entrei e o dia em que saí da rede pública estadual. É uma coisa que vai ficar.
G1 – Qual mensagem você quer deixar neste Dia dos Professores?
Maria Botelho – Primeiro, quero parabenizar todos os profissionais da educação que têm a coragem de enfrentar a difícil missão que é educar, que driblam as adversidades e que fazem a diferença. A data deve ser um convite para que todos nós – professores, pais, alunos, sociedade e dirigentes – repensemos o nosso compromisso com a educação. Que a educação deixe de ser a estrela só em época de eleição. Eu gostaria de agradecer a todos que me deram a oportunidade de brindar a carreira marcada por momentos gratificantes, de um modo especial a meus eternos alunos. Também não poderia deixar de reconhecer o apoio incondicional da minha família, que foi muito importante para que eu tivesse a tranquilidade necessária para desempenhar o meu papel.
Veja outros relatos.





http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2014/10/saber-que-educacao-gera-inclusao-social-e-motivacao-diz-professora.html

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

No Dia do Professor, docentes em início de carreira relatam desafios

Mariana Tokarnia* - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto


Entrar em sala de aula com crianças e adolescentes e um currículo para cumprir é uma atividade repleta de prazer e também de desafios. No Dia do Professor, comemorado hoje (15), docentes que estão há pouco tempo na sala de aula conversaram com a Agência Brasil sobre o dia a dia em escolas públicas e particulares, as dificuldades com estrutura, materiais didáticos e em prender a atenção dos alunos. Eles falaram também sobre a importância do diálogo e do respeito entre professores e estudantes. Apesar das dificuldades, lecionar é um sonho realizado para muitos deles.

Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), da Organização para a Cooperação (OCDE), divulgada este ano, mostrou que são muitos os desafios a serem vencidos pelos professores do ensino básico. Quase 90% dos professores brasileiros acreditam que a profissão não é valorizada na sociedade. Mesmo assim, a maioria (87%) sente-se realizada com o trabalho. Também, segundo a pesquisa, 20% do tempo em sala de aula são usados para controlar o comportamento dos alunos. 

A formação é fator relevante quando se fala da carreira de professor. Os dados do Censo da Educação Superior mostram que, em 2013, os formandos em licenciaturas foram 201.353. O número vem caindo desde 2011, quando foram registrados 238.107 concluintes no grau acadêmico. Em 2012, foram 223.892. O número era 145.859 em 2003 e atingiu o pico dos últimos dez anos em 2009, com 241.536 concluintes em licenciaturas.

Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas a serem cumpridas no setor em dez anos, até 2024, todos os professores do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio devem ter licenciatura na área em que atuam. Esse percentual está em 32,8% nos anos finais do ensino fundamental e em 48,3% no ensino médio, segundo dados do Observatório do PNE, que reúne informações sobre cada meta e estratégia do plano.

O Ministério da Educação tem incentivado a formação dos professores com ações como o Programa de Consolidação das Licenciaturas (Prodocência), que oferece apoio financeiro a projetos pedagógicos inovadores que contribuam para melhorar os cursos de formação de professores da educação básica. Outra iniciativa é o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), desenvolvido em parceria com instituições de educação superior e secretarias de Educação dos estados e municípios, que estimula as licenciaturas.

*Colaborou Yara Aquino
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-10/para-quarta-dia-do-professor-materia-1-de-4

15 de outubro: Dia do Professor


Estudos comparam compreensão de texto de quem lê livros eletrônicos e de papel

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo fala de pesquisas realizadas na Noruega e nos EUA com estudantes leitores de livros de papel e de livros digitais.  Em qual deles se compreende melhor um texto?

 Veja a opinião de especialistas brasileiros

ONG lança campanha para envolver pais na educação das crianças


A ONG Todos pela Educação lançou nesta terça-feira a campanha Somos Todos Educadores, que pretende engajar a sociedade, especialmente os pais, na vida escolar de seus filhos. Baseado em cinco "atitudes" (veja abaixo), o movimento quer chamar a atenção para a influência da família no desempenho dos estudantes.

Cinco atitudes pela educação


  1. • Valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento
  2. • Promover habilidades importantes para a vida e para a escola
  3. • Colocar a educação escolar no dia a dia
  4. • Apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos
  5. • Ampliar o repertório  cultural e esportivo das crianças e dos jovens

“Pais não vão garantir um ensino de qualidade, mas podem colaborar criando um ambiente favorável à aprendizagem. Incentivar os estudos é o melhor caminho de ajudar uma criança”, explica Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e um dos conselheiros do projeto.
A campanha se apoia em pesquisa com pais e estudantes nas cinco regiões do país que foram analisadas por especialistas de diversas áreas. Em seguinda, foram elaborados os cinco pontos da campanha.
"Pesquisas do Ibope de 2006 apontavam a educação como a sétima prioridade dos brasileiros. Em 2013, o tema passou para o segundo lugar, mostrando que as pessoas estão cada vez mais atentas a essa discussão e cobrando mais qualidade das escolas", afirmou o publicitário e empresário Nizan Guanaes, fundador do Grupo ABC, e responsável pela comunicação da campanha.
Entre as ações sugeridas às famílias está o inventivo à leitura, a organização de um espaço de estudos em casa, e o acompanhamento das notas pelos pais. "Ir às reuniões na escola não significa participação efetiva, muito menos fazer o dever de casa para o filho. Abrir espaço para conversas sobre a escola e cobrar mais dedicação são atitudes que surtem mais efeitos positivos", aponta Mozart.

A campanha será desenvolvida inicialmente em escolas públicas, que vão receber material de apoio para coordenadores pedagógicos, com sugestões de atividades que podem ajudar a melhorar a participação da família e com textos feitos pelos escritores Ana Maria Machado, Ricardo Azevedo e Walcyr Carrasco, entre outros. O material também poderá ser visualizado na internet, na página da campanha.

Acesse os resultados da Prova Brasil 2013

Para acessar os dados de  Língua 

Portuguesa e Matemática das 

escolas, clique em  resultados de

 Proficiência da Prova Brasil 

2013 ou clique na figura ao lado.


Ao clicar no link ou na figura acima abrirá a tela abaixo. 


Caso não tenha a senha, clique em Resultados Finais e acesse com o 

código da escola (INEP).



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Confira as apresentações do seminário “Base Nacional Comum em debate”


A Undime realizou na última quinta-feira (9), em Brasília (DF), o seminário “Base Nacional Comum em debate: desafios, perspectivas e expectativas”. A iniciativa reuniu representantes de entidades acadêmicas, gestores, trabalhadores educacionais, conselhos, institutos, fundações e organizações internacionais. Mais de 150 pessoas participaram do debate.

Confira as apresentações dos palestrantes:

Paula Louzano, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (clique aqui)
Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica/ MEC (clique aqui)
Moacir Feitosa, Conselho Nacional de Educação/ CNE –  (clique aqui)
Suely Melo de Castro Menezes, presidenta do FNCE – Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (clique aqui)
Gilvânia Nascimento, presidenta da Uncme – União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (clique aqui)
Maria Nilene Badeca da Costa, secretária de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul e presidenta do Consed – Conselho Nacional de Secretários de Educação (clique aqui)
Nilda Alves, presidenta da Associação Brasileira de Currículo/ ABdC (clique aqui)
Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (clique aqui)
Maria Luiza Sussenkind, Professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro  (clique aqui)
Helena Lopes de Freitas, presidenta da Anfope – Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (clique aqui)
Andréa do Rocio Caldas, presidenta do Forumdir – Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (clique aqui)
Heleno Araújo, secretário de Assuntos Educacionais da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (clique aqui)
Autor: Undime

http://undime.org.br/wp-content/uploads/2014/10/225.jpg

Conferência internacional discute formação de professores

Evento irá explorar implicações da tecnologia na educação e o desenvolvimento da profissão de docente no século 21
Com o desenvolvimento da tecnologia, muito tem se falado sobre a transformação do modelo de ensino tradicional e o papel do professor no século 21. A discussão sobre essas questões será tema para a conferência “Formação de professores em crise? Desenvolvimento da profissão de docente no século 21”, que acontece nos dias 6 e 7 de novembro, na Faculdade de Educação da USP, em São Paulo.
O evento é promovido pela International Network of Educational Institutions (Rede Internacional de Instituições de Ensino, em livre tradução), um grupo que reúne instituições de ensino de diversos países para pensar em temas da educação a longo prazo. A conferência já aconteceu em universidades de países como China, Austrália, Canadá, Japão, Cingapura, Coreia e Dinamarca.
crédito: tuk69tuk / Fotolia.com
 
Anualmente, o evento reúne educadores de diferentes países para discutir temas importantes da área, como o acesso ao ensino superior, desvantagem educativa e educação para o desenvolvimento sustentável.
Para essa edição, o debate será focado na discussão sobre a carreira de docente por meio de duas perspectivas. Primeiro, ela irá avaliar as implicações para o desenvolvimento da profissão a longo prazo e o resultado disso nas faculdades de educação. Num segundo momento, a discussão envolve formação e tecnologia, avaliando o papel do Estado no desenvolvimento de ações para capacitação dos educadores.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site da Faculdade de Educação da USP. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-3517 ou o e-mail danibor@usp.br.
http://porvir.org/porfazer/conferencia-internacional-discute-formacao-de-professores/20141008

Patrulhamento do "politicamente correto" assombra professores

Para especialistas, conflitos entre educadores e alunos revelam campos de tensões ainda não resolvidos na sociedade e devem ser respondidos pedagogicamente


Cristina Charão

Quando professores e alunos passam pelos portões da escola, carregam com eles não só livros, cadernos, lápis ou canetas. Trazem consigo também o que leram no jornal ou viram na TV, o que compartilharam na internet e tudo o mais que ouviram, conversaram, experimentaram pelo caminho. Professores e alunos carregam para a escola suas crenças, descrenças, certezas, incertezas e também opiniões e questionamentos que circulam pelas ruas.

Ou seja: os portões não têm o poder mágico de anular a história dos indivíduos que passam por eles e, por consequência, tampouco neutralizam os conflitos que podem nascer do encontro de visões distintas de mundo em uma sala de aula. "É uma grande ingenuidade achar que pode haver ação humana neutra", diz Pedrinho Guareschi, professor do programa de pós-graduação em psicologia social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele, que foi orientando de Paulo Freire, lembra que é justamente do encontro entre diferentes posições que nasce o processo pedagógico.

Mas quando os conflitos do lado de fora se acirram, os ânimos dentro da escola também se influenciam. "É substancialmente mais fácil uma educação em uma sociedade em que haja consenso sobre o que é belo, feio, certo e errado", diz José Sérgio Fonseca de Carvalho, doutor em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Educação na mesma instituição e colunista de Educação. "Mas vivemos, no Brasil, um momento de absoluta diversidade de posição e absoluta incomunicabilidade entre essas posições," avalia. Neste embalo, o que seria oportunidade de educar reduz-se a confronto. E sem sentido.

Patrulhamento

Um professor de cursinhos pré-vestibulares em São Paulo - que pediu para não ser identificado - reclama, por exemplo, do que ele chama de "patrulha do politicamente correto". "É uma patrulha tão cega de alguns alunos, sempre em busca de alguns indícios que, na opinião deles, mostram algum tipo de preconceito escondido que é o suficiente para que você seja alvo do ódio e perseguição", diz ele. Como exemplo, conta que fez um comentário despretensioso sobre não gostar de lojas de utilidades domésticas durante uma aula e teria sido chamado de "machista nojento" por uma aluna. Ele se diz tolhido por este tipo de postura, que considera belicosa.

José Sérgio contextualiza a questão. "Não há por que a gente temer o conflito: a relação professor aluno é uma relação pautada pelo conflito", diz. "A questão é como responder pedagogicamente aos conflitos que estão instalados."
E não há fórmula pronta a ser seguida pelos docentes, mas exclusivamente um preceito que deve balizar a prática pedagógica: a busca permanente do equilíbrio entre as convicções pessoais e o papel do professor como parte de uma instituição - a escola - regida por valores sociais, como, por exemplo, o combate a todo tipo de preconceito, a busca da igualdade racial e de gênero, a laicidade do Estado.

O professor Guareschi recorre novamente a Paulo Freire - "não há um que sabe mais e outro que sabe menos; há um que sabe uma coisa e outro que sabe outra coisa" -, para indicar que a busca desse equilíbrio passa justamente por acolher os questionamentos dos outros frente a questões.

"A essência do processo pedagógico é fazer perguntas", diz. Quando a escola se pretende neutra e deixa de ser o espaço para se questionar, passa a formatar e não formar cidadãos e cidadãs.

E quando esse ambiente não está dado no ambiente escolar, seja qual for o motivo? O professor de pré-vestibulares ouvido pela reportagem - que descreve as ações de patrulha a que tem sido submetido no seu trabalho - lembra, no entanto, que esta dinâmica de discussão e debate de ideias não cabe em aulas de cursinho, voltadas para a transmissão de conteúdos muito específicos.

Questão de classe

O professor aponta na direção das escolas ou, mais especificamente, de determinadas escolas "de elite" - que formam a maioria dos alunos que fazem parte do público que procura os cursinhos preparatórios - e que se dedicariam a uma formação mais crítica dos alunos, para indicar a origem do que considera um autoritarismo dos alunos.

Ele reconhece que é importante estar atento para não se reproduzirem o racismo, o machismo, a homofobia, mas se diz incomodado com a "patrulha injusta".

De forma sintomática, aquilo que é considerado um avanço - o reconhecimento de que a maneira como falamos ou nos referimos às minorias sociais é também uma forma de reprodução dos preconceitos - parece não ter chegado justamente à população que mais é vitimada pela exclusão social. Na escola pública, que recebe a imensa maioria dos filhos das classes mais pobres, o "politicamente correto" passa longe.

"Ninguém tá nem aí, há deboches de todo tipo", relata uma professora de português da rede municipal de Porto Alegre, que também pediu para não ter seu nome citado.

Ela conta que é muito comum o conhecido "pegar no pé" por conta da orientação sexual dos colegas e ver alunos gritando ofensas raciais - inclusive, alunos negros. Mas o deboche alcança também o próprio politicamente correto. "Outro dia, um deles me disse: ''Só não deixa eu ir ao banheiro porque sou negro''. E ele era branco!"

O que é da escola?

Mais do que com as piadas sem graça, a professora mostra-se preocupada com o fato de que a concepção de escola internalizada pelos alunos igualmente reflete o ideário da escola neutra, focada na transmissão do conteúdo. Ela narra um episódio revelador: "Eu propus aos alunos que participássemos de um concurso, produzindo vídeos sobre a questão do negro, partindo da história de Zumbi do Palmares. Um aluno, negro, me contestou, me enfrentou até em sala de aula dizendo que onde já se viu, isso não era coisa para se fazer na escola."
O que é ou não é "coisa para se fazer na escola" é foco permanente de disputas que se expressam também na postura das direções e coordenações e, frequentemente, dos pais em relação ao conteúdo e ou práticas pedagógicas propostas por professores. Em grande parte dos casos, essas disputas ganham contornos moralizantes, como ocorreu - mais de uma vez - com uma professora de português da rede privada de Porto Alegre.

Ela conta que a presença da palavra "coito" em um texto que ela havia selecionado para ler com alunos da segunda etapa do Ensino Fundamental foi o suficiente para ouvir reclamações. Em outro episódio, a menção ao hábito de fumar também foi questionada. "As pessoas que fazem a escola têm se achado muito modernas, mas em geral eu vejo muitos discursos prontos", diz a professora. "E o pior é que esta coisa toda do politicamente correto acaba mascarando as questões mais profundas."

Um efeito disso parece ser o enquadramento também dos alunos a esta lógica moralizante. Com esta professora, os alunos estranham e alguns até reclamam que livros infantojuvenis, indicados pelos programas de livros didáticos e de incentivo à leitura para a idade deles, contenham termos como "putz" ou "merda". "A escola continua trabalhando com esta coisa da aura da criança ingênua, pura. Parece não haver uma discussão sobre este suposto ser angelical com quem trabalhamos", desabafa.

Para Pedrinho Guareschi, a ideia da escola neutra mascara perguntas importantes. "''Que tipo de sociedade nós queremos?'' é a pergunta que deve guiar toda ação educativa", afirma ele. "A questão é que, como em muitas sociedades ninguém está contente, estamos vivendo convulsões em todas as sociedades, nós temos de parar para discutir o que queremos. E a educação tem de estar dentro disso."

Pressões e política

Os conflitos de caráter político-ideológico que permeiam a educação não se expressam exclusivamente como um fenômeno de sala de aula. Num momento da história do país em que se intensificam os debates sobre os diferentes tipos de discriminação - racial, de gênero, por orientação sexual -, em que as mudanças no cenário de distribuição de renda põem em questão as divisões de classe social e em que temas envolvendo as liberdades individuais e visões religiosas também se tornam foco de discussões, também na área da educação isso tudo vem à tona.

Há dois anos, o projeto Escola sem Homofobia do Ministério da Educação transformou-se no centro de uma longa polêmica sobre a tematização da sexualidade nas escolas. Representantes de igrejas evangélicas e a bancada conservadora do Congresso Nacional pressionaram o governo federal, que acabou desistindo da distribuição do material pedagógico que serviria à discussão da orientação se­xual e dos preconceitos e violências relacionados. Mais recentemente, ganhou notoriedade nas redes sociais um site que reúne denúncias contra professores que utilizariam o espaço escolar para "doutrinar" os alunos. No caso, a "doutrina" denunciada inclui questões como a reforma agrária, o direito de propriedade, os direitos da população GLBTT e o que são consideradas "versões de esquerda" da história.

A tentativa de cristalizar o conhecimento em versões estanques é apontada como grande ameaça a um projeto de educação democrático. "Quem quer continuar dominando não aceita uma nova prática educativa", alerta Guareschi. "O que pode fazer da escola um lugar emancipador em termos políticos não é apresentar a posição A, B ou C, liberal, socialista ou anarquista, mas sim ser o espaço onde estão reunidas pessoas que têm várias posições", avalia José Sérgio Carvalho. "A grande vantagem de estar no espaço escolar não é apreender uma dessas posições, mas entender as razões que cada um, nessa pluralidade de experiências, tem para tomar as suas decisões."

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/210/patrulhamento-do-politicamente-correto-assombra-professores-327567-1.asp

Educação do futuro será personalizada e híbrida, segundo pesquisa do Wise

Computadores e tablets estarão mais presentes na vida de professores e estudantes do que lousas e apostilas. Até 2030, a maior parte do ensino será personalizada, ou seja, vai acompanhar o ritmo e os interesses de cada aluno. Aulas online serão mais importantes do que as presenciais. Essas são apostas para a educação do futuro de 645 especialistas ouvidos por pesquisa do Wise (World Innovation Summitt for Education), da Fundação Catar.
O levantamento, que será lançado nesta semana e foi obtido com exclusividade pelo Estado, reuniu opiniões de experts de todos os continentes. No estudo, 93% dos pesquisadores apontam que a inovação - social, tecnológica e pedagógica - será a chave para o avanço educacional nos próximos anos.
No futuro, as escolas terão formatos híbridos: vão usar plataformas online e ter espaços para as interações sociais. Segundo 73% dos especialistas, o professor será um tutor, deixará de ser a fonte do conteúdo para ajudar o aluno a alcançar o conhecimento sozinho.
A tecnologia será fundamental, mas apenas distribuir os aparelhos não basta, destaca o trabalho. Os dispositivos terão de estar a serviço dos propósitos acadêmicos - e não o inverso.
E mais do que conteúdo, será predominante nos colégios o desenvolvimento das competências socioemocionais - habilidades como responsabilidade e resiliência. Segundo os especialistas, a intimidade com cálculos ou memorização de datas dizem pouco sobre os alunos.
A maioria também não acredita que todos devam aprender os mesmos conteúdos ao mesmo tempo. Isso pode pôr fim à divisão por séries, mas não significa que as matérias deixarão de existir - elas serão ensinadas de forma interdisciplinar, conforme os projetos dos estudantes. Um aluno que queira fazer um robô, por exemplo, terá de aprender conceitos de física, matemática e até de geografia.
Esse modelo de educação parece distante, mas já está sendo implementado em vários países, até mesmo no Brasil. As iniciativas ainda são pontuais.
Um dos exemplos no país é o Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio, que foca nas competências socioemocionais - o projeto integra uma parceria do governo fluminense com o Instituto Ayrton Senna. A escola tem jornada integral no ensino médio e eixos de formação que envolvem convívio e autonomia.
"Temos projetos de pesquisa, em que somos protagonistas", conta Anna Beatriz Figueiredo, de 17 anos, aluna do 2º ano do ensino médio da escola. A jovem, que antes estudava em um colégio público convencional, percebe a diferença entre os modelos. "Antes, eu estava em uma condição passiva, sem muita voz."
Willmann Costa, diretor da unidade, explica que o objetivo é interligar os conhecimentos e desfazer barreiras entre professores e alunos. "É um modelo de currículo atrativo, mais próximo da juventude", destaca.

Veja também: Desafio será ampliar ações na educação, diz especialista
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Como professores de todo o Brasil transformaram a vida de seus alunos

Histórias de quem superou as adversidades da profissão e ampliou o impacto de suas atividades para além dos muros da escola


Marta Avancini e Luciana Alvarez
Professora Ana Telles com seus alunos: crianças apresentaram sarau para a comunidade

No município de Campo Bom (RS), alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santos Dumond fazem mutirões para recolher lixo e plantar mudas de árvores nas margens do arroio. Em São Paulo (SP), estudantes do colégio Stance Dual fizeram um levantamento dos problemas do bairro, elegeram prioridades, se organizaram e enviaram uma carta à subprefeitura responsável pela região, solicitando a recuperação da praça Contos Fluminenses. Em Cacoal (RO), alunos da Escola Estadual Cora Coralina estão envolvidos numa iniciativa que ajuda a controlar a dengue no município: eles distribuem sementes de crotalária, uma planta que atrai libélulas, predadores naturais das larvas e do mosquito que causa a doença.

Embora diferentes entre si e fortemente vinculadas às realidades em que estão inseridas, as iniciativas acima descritas possuem algo em comum: foram colocadas em prática por professores e extrapolaram o ambiente escolar, impactando o entorno de suas escolas. No Rio Grande do Sul, a evasão escolar diminuiu junto com a redução das enchentes do arroio Peri. Em Rondônia, o projeto Cacoal contra a dengue ganhou fôlego e escala, resultando numa parceria da escola com as secretarias municipais de Saúde e do Meio Ambiente. Em São Paulo, a praça foi reformada e, agora, o desafio é envolver os comerciantes da região da Bela Vista para fazer a manutenção do local.

Esses exemplos mostram que, apesar de um cotidiano atribulado e permeado de desafios, em todas as partes do Brasil muitos docentes transformam problemas e desafios do dia a dia em iniciativas que mudam (para melhor) a vida dos alunos, das escolas e, muitas vezes, da comunidade. Quais seriam, então, as características que fazem com que esses profissionais se destaquem em seu grupo? Como eles conseguem superar a realidade muitas vezes desanimadora das escolas brasileiras? O que faz com que eles se tornem professores transformadores?

Para Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, são muitos os professores que realizam ações transformadoras e inovadoras no Brasil e que, para isso, muitas vezes, superam as dificuldades que encontram no trabalho e, até, as falhas de formação. Segundo a pesquisadora, o diferencial desses profissionais é aliar uma insatisfação com a realidade ao impulso de encontrar soluções para os problemas.

COMPROMISSO SOCIAL

Como se sabe, o cenário para o exercício da docência no Brasil oferece condições distantes do ideal. Um a cada quatro docentes tem contrato precário ou é terceirizado, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A remuneração ainda deixa a desejar, embora tenha melhorado nos últimos anos: na média, o salário dos docentes corresponde a 51% do salário médio de um profissional com curso superior, formado em outras áreas. Além de ganhar menos, os professores trabalham longas horas, muitas vezes em diversos estabelecimentos: cerca de 40% dos professores fazem jornada dupla ou tripla, segundo dados de 2009 do Ministério da Educação (MEC).

Para Bernadete, o que faz surgir algo de diferente em meio a esse cenário de problemas marcados é o sentido de compromisso social que impulsiona alguns profissionais a buscar soluções para os problemas que identificam, articulando-as com práticas educativas que, por vezes, assumem caráter inovador. A pesquisadora ressalta ainda que esses professores estão insatisfeitos com os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem e acreditam que a educação pode melhorar, apostando em seu poder transformador.

Por vezes, as iniciativas e ações são individuais, gestadas na convivência com os alunos na sala de aula, conforme o docente vai percebendo suas dificuldades e potenciais, identificando seus interesses e possibilidades de mobilização. Quando se abre o canal de diálogo e interação entre alunos e professores, as ações se traduzem em ampliação do universo de conhecimento (tanto de alunos quanto dos professores), melhoria da aprendizagem, desenvolvimento da consciência cidadã, dentre outras.

PARCERIAS ESTRATÉGICAS

Outras vezes, as iniciativas inovadoras estão associadas a projetos de maior fôlego, ligados a organizações sociais, cada vez mais presentes no cotidiano das escolas. Para Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a presença das ONGs e outras entidades é um fator que tem colaborado para o surgimento de experiências inovadoras e transformadoras na escola.
“As ONGs complementam o papel do poder público, oferecendo apoio técnico, o que pode ajudar a potencializar projetos e ações que se diferenciam das práticas tradicionais”, analisa Amabile.

Na cidade de Irecê, no interior da Bahia, a criação de uma rádio e de um jornal escolar, com apoio de uma entidade do terceiro setor, o Instituto Brasil Solidário, foi a via para modificar profundamente o ambiente da Escola Municipal Luiz Viana Filho. Na medida em que os alunos assumiram a rádio e o jornal, o clima e as relações sociais foram melhorando, a ponto de a escola deixar de ser temida, para se tornar uma das mais concorridas da região. “Hoje temos fila de professores querendo ser transferidos para cá”, conta o professor Jefferson Maciel Teixeira, que há três anos assumiu a direção do colégio.

DIREITO DE APRENDER

Para o chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marcelo Mazzoli, o somatório de compromisso social com valorização do aluno, típico das experiências transformadoras que acontecem no ambiente escolar, remete a uma dimensão fundamental: a garantia do direito de aprender. “Esses professores assumem um compromisso desenvolvendo ações que materializam, no cotidiano da escola, o direito de aprender”, diz Mazzoli.

Mas, como ganhar escala em iniciativas que hoje se restringem ao âmbito do esforço pessoal? Por isso a importância de que as ações lideradas por professores sejam valorizadas, ganhem cada vez mais espaço como prática didática e sejam propagadas, diz Mazzoli. “São iniciativas que estabelecem a adesão do aluno, da escola e da comunidade do entorno a um projeto educativo”, justifica.

Nesse ambiente, o professor assume uma posição de protagonista, na medida em que desencadeia processos que modificam hábitos, práticas, comportamentos, além de ampliar horizontes. Nesse sentido, resgata-se a centralidade do papel do docente no processo educacional. Veja, nos links abaixo, as histórias de quem já assumiu um papel central na educação brasileira.

Veja Mais:


*Reportagem publicada na íntegra originalmente na edição 210 de Educação, com o título "Profissão: transformar"
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/210/como-professores-de-diferentes-partes-do-brasil-transformaram-a-vida-327552-1.asp

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