Notícia do Diário de Cuiabá
Feudo
O Conselho Estadual de Educação vem sendo controlado pelo PT, que manda e desmanda no órgão. Fontes da coluna dizem que várias irregularidades ocorrem por lá.
Feudo 2
Entre as denúncias está o processo de escolha do conselho, no qual os petistas estariam manobrando para que apenas aliados consigam assento.
http://www.diariodecuiaba.com.br/indice.php?assunto=CBAU
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
O futuro já chegou
Escrito por Fábio Torres
A inserção de novas tecnologias em sala de aula é constante. A cada mês, semana ou dia, ferramentas inéditas surgem para modificar ou incrementar a forma de ensinar as crianças e os jovens. Um desses novos aparatos tecnológicos que surgiram nos últimos anos foi a carteira eletrônica, que nada mais é do que a carteira tradicional em que os alunos se sentam, mas com um computador embutido. A CPU, ou unidade central de processamento, fica onde é o tampo da carteira, com o monitor acima.
Esse equipamento, graças ao Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, localizado em Campinas (SP), já faz parte do cotidiano dos alunos da rede municipal de ensino das cidades de Serrana (SP) e de Porto Murtinho (MS). “A ideia surgiu a partir da ênfase dada pelo governo federal em educação, a partir de 2004. Houve grande envolvimento das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com projetos de inclusão digital e social, que estimularam o emprego de tecnologias do CTI Renato Archer para a área de educação”, explica Victor Mammana, diretor do CTI. E prossegue: “Do ponto de vista tecnológico, a carteira tem como base o Br Tablet, que é um dispositivo de interação com computador criado no CTI no período entre as décadas de 1980 e 1990, cuja patente nos foi concedida nos Estados Unidos em 2005. Esse dispositivo é baseado em uma patente de deposição de filmes finos transparentes, obtida pela professora Alaide Mammana em 1980”.
Por ser voltada exclusivamente para a educação, Mammana acredita que a carteira eletrônica é uma ferramenta fundamental para estimular a inclusão digital dos estudantes, independentemente de sua idade. “A carteira é uma forma de implantar o computador na escola, obedecendo a critérios de conforto e segurança que não estão presentes no uso de laptops. Fizemos também estudos ergonômicos e de qualificação”, relata. Como o dispositivo é conectado à internet por meio de conexão wi-fi (sem fio) e conta com uma tela sensível ao toque, as possibilidades de atividades são imensas, e cabe ao professor soltar sua criatividade e fazer as atividades que deseja com a carteira eletrônica. Como qualquer equipamento eletrônico, as carteiras necessitam de um cuidado grande, mas Mammana não demonstra preocupações. “Devem ser tomados os mesmos cuidados relacionados a carteiras comuns, mas no geral são equipamentos bem robustos”, afirma o diretor do CTI.
Aplicação
O dispositivo atualmente se encontra presente na forma de um programa piloto nas cidades de Serrana (SP), que conta com 160 carteiras eletrônicas, e Porto Murtinho (MS), que tem outras 30 carteiras. Para Mammana, a aplicação dos dispositivos na prática é o ponto alto de toda a trajetória da carteira eletrônica. “Em geral, as carteiras são muito bem recebidas, porque oferecem uma experiência muito mais confortável de interação com o computador. Quando essas carteiras foram concebidas, ainda não se falava em tabletsna escola, portanto elas traziam uma grande inovação”, relata o diretor. A presença dos tablets, aliás, não é vista por Mammana como algo que impeça a utilização das carteiras eletrônicas, mas sim uma boa alternativa para novas atividades práticas que envolvam os dois equipamentos. “Com a chegada dostablets, como iPad e outros, é possível imaginar a integração das carteiras com esses dispositivos, garantindo um conceito bring your own device [em português, “traga seu próprio dispositivo”], combinado com o conforto de grandes áreas de interação visual para os estudantes”, diz Mammana.
Ainda de acordo com o diretor, o projeto da carteira eletrônica deu origem a uma lousa digital de baixo custo e a um tablet com uma tecnologia tátil chamada haptics, que permite que deficientes visuais possam utilizar o dispositivo. Além disso, ele revela que já existem outros dispositivos sendo planejados para auxiliar no processo ensino-aprendizagem dos estudantes brasileiros. “O CTI Renato Archer está bastante envolvido com o desenvolvimento de tecnologias educacionais, principalmente relacionadas às tecnologias assistivas (para remoção de barreiras do ambiente para as pessoas com deficiência). Além disso, o CTI Renato Archer atua com robótica pedagógica e projetos educacionais para a comunidade”, elenca o diretor.
+Para ver
No canal do YouTube www.youtube.com/latindisplay, é possível conferir alguns vídeos sobre as tecnologias educacionais criadas no CTI Renato Archer, tais como a carteira eletrônica e o tablet comhaptics.
Construção de creche está parada em Cuiabá
Secretaria de Educação disse que empresa não deu conta do serviço.
Creche está sendo construída no Bairro Real Parque para 240 crianças.
| Empresa rompeu contrato e nova licitação foi feita (Foto: Luiz Rodrigues/Arquivo Pessoal) |
A construção de uma creche com capacidade para atender 240 crianças, no Bairro Real Parque, em Cuiabá, está parada. Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), a empresa responsável pela obra não conseguiu dar continuidade aos trabalhos e rompeu o contrato. Ainda de acordo com o órgão, um novo processo licitatório está em andamento e outra empresa já foi escolhida, porém, o contrato ainda não foi assinado.
Segundo o internauta Luiz Rodrigues, que mora na região há 17 anos, a obra está parada há pelo menos um ano. “Faz mais ou menos um ano que estão sem mexer na creche, está tudo parado”, afirmou. A secretaria não soube informar quando a obra foi iniciada, nem qual seria o prazo de entrega da creche. Também não informou quanto da obra foi concluído pela primeira empresa.
O processo de licitação deve ser concluído em um mês, momento em que um novo contrato deverá ser assinado com novos prazos para a entrega da creche. A partir disso, a obra deverá ser retomada.
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/09/morador-reclama-sobre-construcao-de-creche-que-esta-parada-em-cuiaba.html
EMEB 12 de Outubro: Projeto cultural transforma praça no centro de Cuiabá em sala de aula
Crianças ouviram histórias em um 'piquenique cultural' na capital.
Nesta quinta (18), aula diferente será no Parque Mãe Bonifácia.
Do G1 MT
Trinta alunos da Escola Municipal 12 de Outubro, de Cuiabá, tiveram uma aula diferente na Praça Clóvis Cardoso, na região central da capital. Os estudantes, com idade entre seis e nove anos, deixaram a sala de aula da escola localizada no Bairro Itamaraty e participaram de um piquenique cultural com contação de histórias e visita a uma biblioteca móvel. A ação realizada na terça-feira (16) faz parte do projeto Contos do Mato, que pretende levar cultura de forma lúdica aos estudantes. Nesta quinta (18), a partir das 13h, outro grupo de estudantes deve participar do piquenique cultural no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá.
Essa programação antecede o II Encontro Nacional de Contadores de História, que será realizado no início de outubro no Sesc Arsenal. Na primeira edição realizada em setembro de 2012, o encontro reuniu um público de aproximadamente 2 mil pessoas. A idealizadora do projeto, Alicce Oliveira, conta que tudo começou como um sonho, com o desejo de contar histórias. Alicce Oliveira exerce há mais de 20 anos essa profissão.
“Foram cinco anos para o sonho se tornar realidade. Eu sempre acompanhava projetos semelhante ao nosso em outros estados e pensei: por que não aqui em Cuiabá? Apresentamos esse projeto, que recebeu incentivo do Programa de Ações Culturais (Proac) da Secretaria Estadual de Cultura. A meta é, na próxima edição, estender essa programação para o interior do estado, despertando novos profissionais para a contação de história e aproximando esse mundo mágico das crianças", comenta Alicce Oliveira, que utiliza sons, imagens e brinquedos lúdicos para atrair a atenção das crianças.
Para a professora Simone Nunes da Silva, esse contato externo dos estudantes é importante para a formação do aluno. “Hoje, com o avanço da tecnologia, está cada vez mais difícil fazer os alunos terem prazer na leitura. Ações como essa ajudam a despertar o interesse pela literatura, facilitando assim nosso trabalho da sala de aula”, finaliza.
Durante o mês de setembro, o piquenique cultural foi realizado em seis locais diferentes, como a Praça Alencastro e o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O II Encontro Nacional de Contadores de Histórias será realizado de 1º a 3 de outubro, sendo dois primeiros dias no Sesc Arsenal e o último será um piquenique em diversos pontos da cidade.
Unemat oferece mestrado em Linguística
Foi publicado o edital para ingresso no Programa de pós-graduação em Linguística (PPGL), turma de 2015, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Cáceres. As inscrições para concorrer às 20 vagas foram abertas no dia 19 de agosto e serão encerradas em 31 de outubro de 2014.
As vagas do Mestrado Acadêmico são ofertadas com duas linhas de pesquisa. “Descrição e análise de línguas, instituição e ensino” e “Estudos e análise dos processos discursivos e semânticos” em conformidade com as exigências do regulamento do PPGL.
Quanto à inscrição, os candidatos deverão encaminhar a documentação via Sedex, conforme edital, ou se inscreverem diretamente na Secretaria da PPGL, no Centro de Pesquisa e pós-Graduação em Linguagem, no Bloco II, no Campus Cidade Universitária, na Avenida Santos Dumont, s/nº, no bairro DNER, em Cáceres.
Os candidatos passarão por prova escrita, avaliação de projeto de pesquisa, entrevista e teste de proficiência em língua estrangeira. A prova escrita será realizada no dia 17 de novembro. Todas as etapas de seleção serão realizadas na Unemat em Cáceres.
As entrevistas acontecerão nos dias 19 e 20 de novembro. O resultado final será publicado a partir do dia 02 de dezembro. Para mais Informações, consulte o Edital nº 001/2014-PPGL.
http://www.novoportal.unemat.br/index.php?pg=noticia/8966
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Salários e infraestrutura agravam falta de professores no ensino público
José Marcelino de Rezende Pinto
Especial para o UOL
Que faltam professores nas escolas brasileiras ninguém duvida. Basta fazer uma pesquisa sobre o tema na internet, ou simplesmente visitar uma escola. E frente a essa constatação, liberou-se a criação de cursos de formação de professores no Brasil, as chamadas licenciaturas.
A título de exemplo, em 2008 foram oferecidas 637 mil vagas em cursos presenciais de licenciatura e mais de um milhão em cursos a distância. Ou seja, se todas essas vagas fossem preenchidas (ainda bem que não são) e se todos os ingressantes concluíssem o curso, dali a cerca de quatro anos o país teria 1,7 milhão de novos professores formados em um único ano! E isso se repetiria ano após ano.
Ora, considerando que em 2009 existiam cerca de 1,9 milhão de professores em atividade, e que para se aposentar um professor deve trabalhar de 25 a 30 anos, vê-se o despropósito que virou a formação de professores no país. Contudo, é importante ver os professores que efetivamente concluem seus cursos e em que áreas, pois há grande variação entre as mesmas.
Assim, foi construída a Tabela 1 (veja abaixo), que estima uma demanda de professores - tendo por base a matrícula, a razão de alunos por turma e a distribuição da jornada escolar pelas diferentes disciplinas - e a compara com os professores formados em um período de 20 anos e que, portanto, estariam disponíveis para a docência.
De nada adianta formar bons licenciados se os mesmos se recusam a ingressar no magistério, ou se rapidamente o abandonamJosé Marcelino de Rezende Pinto, professor, sobre a necessidade de tornar a docência mais atrativa
Comparando a demanda com os formados, é possível observar o excesso de oferta em boa parte dos componentes curriculares. Somente em três áreas parecem existir problemas: língua estrangeira, ciências e física.
Com relação à primeira, pode-se supor que decorre mais de algum problema de contabilização, pois boa parte dos estudantes de letras, que se forma em língua portuguesa, costuma também obter habilitação em uma língua estrangeira. Logo, se um décimo dos licenciados em língua portuguesa possuírem uma habilitação em língua estrangeira o problema desaparece.
Algo análogo ocorre com ciências, pois licenciados em biologia (com um excedente de 176 mil professores em relação à demanda), de química e de física podem ministrar essa disciplina. Resta, portanto, como único deficit real aquele que se refere aos professores de física, de cerca de 8 mil professores.
No entanto, se além de olharmos para os concluintes, que representam os profissionais efetivamente disponíveis para lecionar, fizermos uma análise das vagas oferecidas apenas em instituições públicas com educação superior, e em um período de dez anos (Tabela 2 - abaixo), o que se constata é um potencial absolutamente suficiente para que essa rede, de reconhecida qualidade, atenda toda a demanda de professores do país.
Divulgação/ José Marcelino R. Pinto
Com base nos dados apresentados, a principal conclusão que se pode tirar é a de que o Brasil já possui uma oferta de vagas mais do que suficiente para atender as necessidades de professores, mesmo em áreas como química e física. Mais do que estimular a criação de novos cursos através de subsídios ao setor privado, como Prouni e Fies, caberia ao MEC priorizar as licenciaturas já existentes nas instituições públicas, melhorando suas condições de oferta e criando estímulos para que os ingressantes concluam sua formação.
Contudo, é evidente tratar-se de uma solução pela metade, pois de nada adianta formar bons licenciados se os mesmos se recusam a ingressar no magistério, ou se nele ingressam e rapidamente o abandonam. Assim, para fazer com que os melhores alunos do ensino médio priorizem o ingresso nas licenciaturas e, formados, optem pelo exercício da docência na educação básica é necessário tornar a profissão atrativa.
Essa tarefa passa por três coisas: 1º) Salário. Um professor formado em nível superior e que atua nas séries finais do ensino fundamental ganha menos que um policial militar, um caixa de banco ou um corretor de imóveis, que são ocupações que não exigem um diploma de nível superior; 2º) É fundamental estabelecer um vínculo de dedicação exclusiva entre o professor e apenas uma escola, para que ali ele possa desenvolver seus vínculos com os colegas e com a comunidade; 3º) Escola não pode ser apenas "cuspe e giz", escola sem biblioteca, sem laboratório que funciona, sem fanfarra, sem quadra aberta no recreio, sem jardim bonito, sem árvore com sombra, não é escola, é cadeia. E ninguém merece lecionar ou estudar em cadeia.
O Brasil aprovou o Plano Nacional de Educação que prevê dobrar os gastos com educação em um período de dez anos. O passo decisivo, feito por países como Finlândia e Coreia do Sul, foi transformar a profissão de docente em prioridade nacional. É uma boa hora para começar. Vagas e futuros bons professores não faltam.
http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/09/17/salarios-e-infraestrutura-agravam-falta-de-professores-no-ensino-publico.htm
Professores surdos participam de capacitação na Gramática em Libras
Mais de 20 professores e instrutores surdos das escolas de Cuiabá e Várzea Grande participam durante toda a semana (15 a 19.09), na Escola Estadual Professor Antônio Cesário de Figueiredo Neto, de uma Formação Continuada para a Gramática em Libras. A capacitação em forma de Grupo de Trabalho é desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e visa fortalecer o ensino das Libras principalmente voltado à Gramática.
Os técnicos da Gerência de Educação Especial da Seduc, Luzinete Almeida Campos de Siveira e Riguel Brum, ressaltam a importância da formação, principalmente para os novos professores. Luzinete explica que trabalhos como este são desenvolvidos há onze anos pela Seduc. A ideia é que estes professores cursistas realizem formações com os professores ouvintes e os resultados sejam aplicados em sala de aula.
“Nosso objetivo é aprender gramática e repassar aos alunos. Ter uma absorção de conteúdo e disseminá-los, pois muitas escolas carecem de comunicação. Alguns professores tem pouco conhecimento no assunto e essa troca de experiência vai ajudar muito. Estávamos mesmo precisando deste aprofundamento em estudos, no Estado. Agora minha missão é aplicar o conteúdo em sala de aula e mostrar que a Gramática em Libras existe”, diz a professora cursista Tamy Lessi.
A formação contou com a palestra do aluno de Letras/Libras, da Universidade Federal de Goiás, Paulo Henrique Pereira, que ministrou o tema “A referência dos surdos: gramática em Libras”. Paulo explica que a ideia é mostrar aos alunos o foco em Libras, que tem a sua própria gramática. “O objetivo é valorizar os conhecimentos e dar novos conhecimentos para os cursistas, de forma que eles progridam na ajuda aos alunos quanto ao ensino” diz.
O GT da Seduc reúne a Superintendência de Diversidades Educacionais (Sude), Gerência de Educação Especial e Centro de Apoio e Suporte a Inclusão da Educação Especial (Casies).
ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Proposição legislativa defende a federalização da educação básica no Brasil
Especialistas apontam brechas em projeto e defendem a aplicação do Plano Nacional de Educação
Os dados do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD , não negam: o Brasil ainda é um país muito desigual. O ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) apresentado no levantamento pode ser dividido em duas partes: da 1ª até a 11ª posição, onde ficam os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e do 12º lugar até o último, onde ficam os estados do Nordeste e Norte.
Essa disparidade entre estados pode ser sentida em todos os indicadores sociais, como, por exemplo, nos relacionados à educação. No Brasil, a média nacional da taxa de cobertura de creche é de 22,53%. O estado com melhor colocação nesse índice é Santa Catarina, com 39,23% das crianças de zero a três anos do estado matriculadas nessa etapa de ensino e, o pior, é o Amapá, com apenas 5,15%. Trata-se de uma diferença alarmante.
Além disso, no país, a média de alunos que abandonam o ensino médio antes de concluírem seus estudos é de 48,4%. O estado onde esse índice é mais baixo é São Paulo, com taxa de abandono de 32,9%, e o mais alto é Alagoas, com 67,4%.
Com o objetivo de diminuir as diferenças educacionais do país, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentou, em dezembro do ano passado, o PDS 460/2013, que prevê a realização de um plebiscito para consultar o eleitorado nacional sobre a transferência da responsabilidade do financiamento da educação básica para a União. O projeto tramita agora na Comissão de Assuntos Econômicos e aguarda o parecer da relatora, senadora Gleisi Hoffmann.
Cristovam Buarque defende a federalização da educação básica por entender que, apesar da maior parte da arrecadação tributária do país ser destinada à União, estados e municípios são responsáveis pela quase totalidade do financiamento da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio no Brasil.
Para o senador, toda criança tem o direito de ter acesso a uma escola que ofereça a mesma qualidade e recursos, independente da renda familiar ou do local onde mora. Mas, em sua opinião, é impossível conseguir essa igualdade deixando o investimento em educação aos cuidados de municípios e estados tão desiguais entre si.
De acordo com a publicação “Educação pública de qualidade: quanto custa esse direito?”, produzida pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, uma escola de qualidade precisa ter uma estrutura adequada, com salas de aulas suficientes para atender seus alunos de maneira adequada, bibliotecas com acervo de qualidade, quadra coberta, laboratório de informática, etc. Entretanto, essa não é a realidade de todas as escolas do país.
A fim de garantir que essa qualidade comum seja alcançada, Cristovam Buarque propõe a federalização da educação básica, que deve ser acompanhada da criação da Carreira Nacional do Magistério – com salário de R$ 9,5 mil para cada professor –, da construção de escolas bem equipadas e com infraestrutura moderna e da adoção da jornada de ensino integral. Para isso, o senador afirma que irá precisar de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 20 anos. Vale mencionar que a Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), prevê a destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação, ao final do decênio do vigente plano.
“A federalização serve para fazer com que a educação seja oferecida em todas as cidades com a mesma qualidade. Hoje, ao nascer, a criança recebe um carimbo com CEP da cidade e o CPF da família. Dependendo de onde nasce tem acesso a oportunidades distintas. Isso é uma injustiça”, diz o senador autor do projeto.
É importante destacar que, de acordo com o projeto do senador, a federalização deve ter descentralização gerencial. “Federalizar não significa centralizar. As escolas devem ter liberdade pedagógica. Além disso, é a escola que irá decidir como será aplicada a verba repassada por meio de um comitê gestor formado por diretores, professores e pais”, explica.
Entretanto, segundo o senador, apesar de propor uma grande melhoria na educação do Brasil, a proposta enfrenta muita resistência. “O maior desafio é convencer as pessoas de que o país precisa de uma revolução educacional e não apenas de uma melhora no sistema de ensino. As pessoas não aceitam com facilidade mudanças. Por mais claro que seja, é difícil convencer estados e municípios de que eles não têm capacidade de garantir a qualidade da educação e pagar um bom salário ao professor, convencer os sindicatos de que o modo como é garantida a estabilidade do educador precisa mudar”, conta Cristovam Buarque.
Especialistas apontam problemas para a aplicação da proposição legislativa
Uma das principais dificuldades apontadas por especialistas para a efetivação da proposta é o impacto que ela causará na capacidade de gestão da União.
“Uma coisa é administrar uma rede de escolas federais de educação básica hoje, com poucas centenas de unidades, outra é administrar milhares de escolas em um país com dimensões continentais. Isso irá impactar muito a capacidade de gestão do MEC [Ministério da Educação]”, afirma o deputado federal, Paulo Rubem Santiago (PDT-PE).
Para a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Rodrigues Repulho, outro impasse que a proposta pode criar é a dificuldade para a efetivação da participação popular. “Hoje com a gestão localizada nos municípios, os pais e as famílias podem falar com os gestores mais facilmente. Como faremos isso com a federalização? Na Região Norte, por exemplo, que é extensa, com rios e floresta, as pessoas terão que se deslocar para ter esse diálogo? Esse caminho fica muito mais difícil”, argumenta Repulho.
O deputado Paulo Rubem Santiago também enxerga essa possível dificuldade “Como será a participação popular nesse processo de federalização? Como será feito o controle social, a participação dos conselhos de escola, conselhos de educação?”, questiona o parlamentar.
Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a proposta do senador Cristovam Buarque é provocadora, mas possui pouca materialidade. “Penso que o caminho seja a União cumprir com o que a Constituição já diz sobre o regime de colaboração. O PNE, recentemente sancionado, constrói um instrumento para efetivar esse mecanismo: o CAQ [Custo Aluno-Qualidade]. Não vejo como abrir mão desse princípio em nome de uma tese”, explica.
Segundo o deputado Paulo Rubem, a proposta gera uma discussão importante, porém, ele afirma não ter uma adesão entusiasmada com o projeto. “A federalização não dialoga com o que a sociedade discutiu nesses últimos anos com o PNE. Foi realizada uma infinidade de audiências públicas sobre esse tema. Não podemos simplesmente desconsiderar o resultado de todo esse processo”, pondera o parlamentar.
A presidente da Undime acredita que a melhor estratégia para melhorar a educação no país seja a aplicação concreta do PNE. “O Plano aponta questões que são importantes e estratégicas para o Brasil garantir a qualidade da educação, principalmente no que diz respeito ao financiamento, com as propostas do CAQ e dos 10% do PIB para a área”, comenta Cleuza Repulho.
O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, por sua vez, afirma que o PNE não é uma lei milagrosa, mas dá conta de uma melhoria possível e apresenta metas para que o quadro educacional brasileiro melhore de maneira mais rápida. Por fim, Daniel Cara lembra que para que o PNE dê certo é preciso agora que todos realizem o controle social e exijam que os governantes, em todos os níveis da Federação, cumpram com as obrigações estabelecidas no Plano.
Autor: Fundação Abrinq
http://undime.org.br/proposicao-legislativa-defende-a-federalizacao-da-educacao-basica-no-brasil/
Festival estimula jovens a produzirem vídeos sobre direito à escola pública de qualidade
Da Redação
A terceira edição do Festival Imagens EMdiálogo está com inscrições abertas para os estudantes de Ensino Médio das escolas públicas de diversos países da América Latina, incluindo o Brasil.
Totalmente online, o Festival pretende estimular a autonomia dos jovens e fazer com que a produção audiovisual realizada nas escolas se torne um canal de comunicação para o diálogo sobre o direito à educação pública de qualidade.
O tema desta edição é “Uma escola sem muros”. Os vídeos inscritos devem durar no máximo cinco minutos (incluindo créditos) e podem ser de ficção, documentário, animação ou até mesmo experimental.
Não há limite de inscrição por estudante ou escola. A única exigência é que o aluno esteja matriculado no Ensino Médio de uma escola pública brasileira.
O festival é organizado pelo Portal Ensino Médio EMdiálogo. Segundo os organizadores, 60% da produção brasileira no último festival veio de cidades localizadas fora das regiões metropolitanas.
As inscrições devem ser feitas no site do Festival e estão abertas até o dia 1/10. Leia o regulamento do evento aqui.
Parceria com PM possibilita continuidade do Proerd em escolas municipais
ROSANE BRANDÃO
Secom Cuiabá
Secom Cuiabá
O secretário de Educação de Cuiabá, Gilberto Figueiredo, recebeu nesta terça-feira (16) o coordenador estadual do Programa Educacional de Resistências às Drogas (Proerd), Coronel Jacques Lopes, para tratar da parceria que possibilita a continuidade do programa nas escolas da rede municipal neste segundo semestre.
As atividades do programa devem começar na próxima semana e vai atender cerca de dois mil alunos do 5º ano das escolas municipais.
O Proerd é um programa criado pela Polícia Militar e desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Educação. A parceria já existe desde o ano de 2000 e trabalha ações de prevenção ao uso de drogas e as consequências que ela pode gerar para as famílias.
“É importante dar continuidade a essa parceria, pois o programa tem um papel fundamental na orientação aos alunos sobre os perigos das drogas. Esse é um programa que, aliado ao trabalho realizado pelos professores em sala de aula, tem dado ótimos resultados”, avaliou o secretário.
Na parceria, a Secretaria fica responsável em disponibilizar o material pedagógico, o uniforme (camisetas e bonés) e a cerimônia de formatura dos alunos. Já a PM disponibilizará oito policiais, que serão os monitores do programa. “Este é um programa que dá bons resultados e com um custo baixo para os municípios”, observou o coronel.
Conforme explicou a secretária-adjunta de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, a diretoria de Ensino está fazendo um levantamento para determinar quais as escolas serão beneficiadas neste segundo semestre. “Usamos como referência o perfil socioeconômico dos alunos e aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social”.
A cabo da PM, Ana Paula Souza, membro da coordenação estadual do Proerd, explicou que o trabalho é realizado em um período de três meses, divididos em 10 encontros. Nesse período os alunos assistem a palestras e participam de atividades educacionais que visam orientá-los dos perigos e consequências do uso das drogas.
ATO PÚBLICO/REFORMAS NAS UNIDADES DE ENSINO
| Rede Municipal- ATO PÚBLICO/REFORMAS NAS UNIDADES DE ENSINO |
Por: Donizete Louzada
Conforme decisão da Assembleia Geral realizada no dia 21 de agosto, a direção do Sintep Subsede de Cuiabá realizará no próximo dia 25, às 14:30h, na Praça Alencastro, um ATO PÚBLICO, para cobrar dos gestores de Cuiabá maior celeridade nas reformas das Unidades Educacionais.
Fotos retratando a precária realidade da infra-estrutura das Unidades Educacionais da rede municipal serão expostos à população em praça pública.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
País precisa aumentar investimentos em educação e ampliar matrículas
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo
Avançar nas metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE) é um dos principais desafios do país para os próximos anos, analisam especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O plano, cuja lei foi sancionada em junho, contém 20 metas para serem cumpridas nos próximos dez anos. As metas, que abrangem do ensino básico ao ensino superior, tratam de questões como ampliação de matrículas, inclusão de pessoas com deficiência, melhorias na infraestrutura e valorização dos professores e trabalhadores em educação. Entre elas está a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor.
“O próximo presidente vai ter que dar o primeiro salto”, diz o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. "O próximo mandato será determinante para cumprimento das metas do plano. O PNE deverá estar dentro do novo ciclo orçamentário, que começa em 2015", diz. Em termos de investimento, terá que passar dos atuais 6% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7% no fim do mandato. Pelo PNE, a meta intermediária deverá ser cumprida até 2019.
Segundo Cara, além de garantir mais recursos, será preciso, estruturar a colaboração financeira da União a estados e municípios para assegurar o Custo Aluno-Qualidade inicial (CAQi), que corresponde ao valor suficiente para cumprir os padrões mínimos de qualidade do ensino básico. O coordenador destaca também o prazo até 2016 para a criação do Sistema Nacional de Educação, responsável pela articulação entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetivação das diretrizes, metas e estratégias do PNE.
No ensino básico, até 2016, o desafio será universalizar o ensino dos 4 aos 17 anos de idade. Isso significa incluir quase 3 milhões de crianças e jovens que estão fora da escola. “O desafio mais imediato é a criação de vagas para atender a todas as crianças na pré-escola [4 e 5 anos]. Embora não caiba a estados e União, esses entes são responsáveis por prestar assessoria técnica e recursos financeiros aos municípios”, diz a gerente da Área Técnica do movimento Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. Na etapa, a geração de vagas deverá girar em torno de 1 milhão, segundo os dados oficiais mais recentes disponíveis no Observatório do PNE, portal coordenado pelo movimento.
De acordo com o secretário executivo da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), Vitor Alencar, continuam fora da escola “os mais violados em seus direitos, os negros, os indígenas e outros grupos”. Além de universalizar o ensino, Alencar ressalta que é preciso garantir qualidade. “Não podemos ter pessoas que, ao final de 5, 10 anos de estudo, não saibam ler e não consigam refletir sobre as próprias vidas, que é decorrência de um processo que pensa na quantidade e não na qualidade.” Para isso, será preciso valorizar os profissionais: “se não avançarmos na valorização e na melhoria das condições de trabalho dos profissionais de educação, não tem como fazer educação de qualidade no Brasil”, acrescenta.
No ensino superior, o plano também garante a expansão das vagas. “Nos últimos anos houve uma expansão bastante acelerada de universidades e institutos federais. Essa expansão é importante, mas não conseguiu ser acompanhada das questões de infraestrutura, das questões de trabalho, de dar boas condições a quem trabalha nesses locais”, diz o presidente da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação), Eduardo Rolim, apontando a qualidade como um dos desafios.
Ao contrário do ensino básico, no qual a maior parte das matrículas está em escolas públicas, no ensino superior 73% dos estudantes estão em instituições privadas. Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) quer mais espaço e pede maior participação dos representantes do setor privado na tomada de decisões. “Não temos participação efetiva nos colegiados que definem as políticas públicas e as implantam”, diz o diretor executivo da Abmes, Solon Caldas. “A meta de expansão só é possível em parceria com o setor privado. É preciso entender que o privado não é concorrente do público”, acrescenta.
Para a presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Marinalva Oliveira, os recursos públicos devem ser voltados à expansão nas instituições públicas. “O público está enfraquecido. Professores estão precarizados, com salários baixos, desmotivados e estão abandonando a profissão. A educação precisa urgente de investimento”. A entidade propõe ao futuro governante que eleve o investimento para 10% do PIB já nos próximos anos e não apenas no fim da década. "A educação precisa urgente de mais investimento", diz.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-09/pais-precisa-aumentar-investimentos-em-educacao-e-ampliar-matriculas
'Adultos devem aprender como ensinar seus filhos', diz Ana Teberoski
Pesquisadora Ana Teberoski
Quais são as dificuldades de orientar a educação infantil em um país tão grande e diverso como o Brasil?
É preciso ter estratégias unificadas, mas aos mesmo tempo, diversidade. Deve se levar em conta aspectos pessoais, regionais e culturais, diz a pesquisadora. A vantagem é que as crianças parecem mais entre si quando pequenas. Por outro lado, os estudos mostram que elas se diferenciam no primeiro ano de vida, em funação da família, região ou contexto socioeconômico. Na linguagem oral, já existem diferenças, que explicam problemas mais tarde, no ensino fundamental.
Quais são essas diferenças? (Clique no link para continuar lendo)
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Soneto da Educação, uma entrevista com Cristovam Buarque
Em entrevista, Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador, comenta o protagonismo da Educação no desenvolvimento do país
Fonte: Revista Época
De repente, não mais que de repente, fez-se de inteligente o ignorante, fez-se de próximo o distante, fez-se da Educação uma aventura edificante. De repente, todos os candidatos à Presidência só falam naquilo: Educação. O primeiro ministro da Educação da era petista, Cristovam Buarque, pressionou Lula a fazer a revolução que, hoje, todos prometem. Caiu por isso. A seguir, uma conversa com ele, hoje senador. Para quem tem memória curta.
Época - Educação virou "prioridade" no horário eleitoral. Por que a súbita obsessão retórica?
Cristovam Buarque - A realidade mostrou que Educação é fundamental não só para cada indivíduo, mas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Sem isso, a economia fica para trás, produzindo bens primários e importando bens de alta tecnologia.
Cristovam Buarque - A realidade mostrou que Educação é fundamental não só para cada indivíduo, mas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Sem isso, a economia fica para trás, produzindo bens primários e importando bens de alta tecnologia.
Época - O que deu certo e errado nos 12 anos de governo do PT?
Cristovam - Deu certo o lento avanço na universalização, não deu certo o salto necessário para a qualidade. A Escola, ampliada, ficou para trás. Três brechas se aprofundam: entre a Educação no Brasil e noutros países, entre a Educação dos ricos e dos pobres, entre as necessidades de Educação e o que a Escola oferece.
Cristovam - Deu certo o lento avanço na universalização, não deu certo o salto necessário para a qualidade. A Escola, ampliada, ficou para trás. Três brechas se aprofundam: entre a Educação no Brasil e noutros países, entre a Educação dos ricos e dos pobres, entre as necessidades de Educação e o que a Escola oferece.
Época- Por que o senhor saiu do governo?
Cristovam - O presidente Lula cansou de algumas falas minhas. No último encontro, eu lhe disse que não fazíamos o dever de casa para mudar a economia. O desinteresse político de Lula pelo longo prazo o levou a gestos imediatos no Ensino superior, sem dar atenção à Educação de base. O resultado foi aumento no Ensino superior, com qualidade desastrosa. Lula temia minha reação à mudança da Bolsa Escola para Bolsa Família, que perderia a conotação educacional, ao sair do MEC para o Ministério do Desenvolvimento Social. Lula usa espertamente a ideia de que é possível saltar para a universidade, sem passar pela Educação de base. E esse discurso, mesmo que demagógico, dá votos, como se comprova.
Cristovam - O presidente Lula cansou de algumas falas minhas. No último encontro, eu lhe disse que não fazíamos o dever de casa para mudar a economia. O desinteresse político de Lula pelo longo prazo o levou a gestos imediatos no Ensino superior, sem dar atenção à Educação de base. O resultado foi aumento no Ensino superior, com qualidade desastrosa. Lula temia minha reação à mudança da Bolsa Escola para Bolsa Família, que perderia a conotação educacional, ao sair do MEC para o Ministério do Desenvolvimento Social. Lula usa espertamente a ideia de que é possível saltar para a universidade, sem passar pela Educação de base. E esse discurso, mesmo que demagógico, dá votos, como se comprova.
Época - Quais foram suas maiores frustrações como ministro?
Cristovam - Primeiro, a suspensão do programa para a erradicação do Analfabetismo, logo depois que saí. Também a paralisação do programa Escola Ideal, embrião da Federalização da Educação de Base. E os projetos que ficaram na gaveta da Casa Civil, entre eles o Programa de Apoio ao Estudante, que depois virou Prouni.
Cristovam - Primeiro, a suspensão do programa para a erradicação do Analfabetismo, logo depois que saí. Também a paralisação do programa Escola Ideal, embrião da Federalização da Educação de Base. E os projetos que ficaram na gaveta da Casa Civil, entre eles o Programa de Apoio ao Estudante, que depois virou Prouni.
Época- Que nota daria ao PT, com base em nossos indicadores educacionais?
Cristovam - É fácil: a mesma nota do Ideb. Menos de 5: reprovado. Se tivéssemos levado adiante a proposta de adotar as Escolas de cidades pelo governo federal, hoje já teríamos 3 mil cidades com Educação de alta qualidade.
Cristovam - É fácil: a mesma nota do Ideb. Menos de 5: reprovado. Se tivéssemos levado adiante a proposta de adotar as Escolas de cidades pelo governo federal, hoje já teríamos 3 mil cidades com Educação de alta qualidade.
Época - O que acha da aprovação automática?
Cristovam - Uma medida errada. É como dar alta ao doente, porque ele ficou um tempo determinado no hospital, sem ao menos tomar a pressão dele. Serve apenas para mostrar diminuição no número de doentes.
Cristovam - Uma medida errada. É como dar alta ao doente, porque ele ficou um tempo determinado no hospital, sem ao menos tomar a pressão dele. Serve apenas para mostrar diminuição no número de doentes.
Época - O que acha das cotas raciais?
Cristovam - Sou a favor, como medida paliativa, necessária para mudar a cor da cara da elite brasileira, enquanto se faz o certo e definitivo: negros e brancos, pobres e ricos em Escolas com a mesma qualidade.
Cristovam - Sou a favor, como medida paliativa, necessária para mudar a cor da cara da elite brasileira, enquanto se faz o certo e definitivo: negros e brancos, pobres e ricos em Escolas com a mesma qualidade.
Época - Algum modelo estrangeiro é inspiração para uma revolução na Educação?
Cristovam - Os melhores exemplos de países que partiram de níveis parecidos são Coreia do Sul e Irlanda. Para acabar com a vergonha em todas as Escolas de uma cidade, bastam poucos anos. Para fazer a mudança em todas, mais de 20.
Cristovam - Os melhores exemplos de países que partiram de níveis parecidos são Coreia do Sul e Irlanda. Para acabar com a vergonha em todas as Escolas de uma cidade, bastam poucos anos. Para fazer a mudança em todas, mais de 20.
Época - Que metas devem ser perseguidas?
Cristovam - O governo federal deveria escolher e adotar Escolas de cidades e implantar um novo sistema para substituir o atual. As Escolas federais, melhoradas, podem ser um padrão a espalhar. Uma revolução na Educação de base custaria 6,4% do PIB. Um grande programa para a população adulta, entre 9% e 10%. Espero um presidente que diga: "Só descansarei quando nenhuma família precisar de Bolsa Escola".
Cristovam - O governo federal deveria escolher e adotar Escolas de cidades e implantar um novo sistema para substituir o atual. As Escolas federais, melhoradas, podem ser um padrão a espalhar. Uma revolução na Educação de base custaria 6,4% do PIB. Um grande programa para a população adulta, entre 9% e 10%. Espero um presidente que diga: "Só descansarei quando nenhuma família precisar de Bolsa Escola".
Época - O senhor diz que a violência na Escola é produto da desvalorização do magistério. Como valorizar o Professor?
Cristovam - Criando uma Carreira Nacional dos Professores, com salário capaz de atrair para o magistério os jovens mais brilhantes do Ensino superior. Para isso, precisamos pagar R$ 9.500 por mês. Escolher esses Professores de maneira rigorosa, exigir dedicação exclusiva e submetê-los a avaliações para substituir quem não tiver o desempenho desejado. Fazer Escolas bonitas e confortáveis, equipadas com a mais moderna tecnologia. Todas em horário integral.
http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/31371/soneto-da-educacao/
Cristovam - Criando uma Carreira Nacional dos Professores, com salário capaz de atrair para o magistério os jovens mais brilhantes do Ensino superior. Para isso, precisamos pagar R$ 9.500 por mês. Escolher esses Professores de maneira rigorosa, exigir dedicação exclusiva e submetê-los a avaliações para substituir quem não tiver o desempenho desejado. Fazer Escolas bonitas e confortáveis, equipadas com a mais moderna tecnologia. Todas em horário integral.
Aplicativo permite tirar dúvidas da língua portuguesa com rapidez
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli
A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou um aplicativo gratuito de consulta ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Com ele, é possível ter acesso em smartphones e tabletsaos quase 400 mil verbetes que já seguem as novas regras previstas no Acordo Ortográfico. É uma solução rápida para tirar dúvidas de como se escreve alguma palavra.
O aplicativo pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store. Um dos recursos do aplicativo é o de autocompletar-se. Quando a pessoa começa a digitar uma palavra, automaticamente aparece uma listagem de possíveis resultados na tela, e ela poderá encontrar a exibição do vocábulo antes mesmo de terminar a redação de tal termo. É possível também aumentar a letra, para facilitar a leitura.
"A vantagem é que tendo uma dúvida qualquer a respeito de ortografia, pode-se estar no metrô, na rua, onde estiver, com um celular ou tablet, em poucos segundos tem-se a resposta de como se escreve a palavra", explica o presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti. Segundo ele, a tendência do mundo é a composição entre o que é impresso e o que é digitalizado. Utilizando-se dessa ferramenta, a Academia poderá "prestar serviço a um número cada vez maior de usuários, especialmente os estudantes”.
A expectativa é grande em torno da nova ferramenta. De acordo com Cavalcanti, aproximadamente 1,6 mil perguntas sobre gramática ou ortografia são feitas mensalmente no espaço online ABL Responde. "Todos aqueles que tiverem questões de ortografia poderão obter agora a resposta rapidamente".
Há poucos dias no ar, o aplicativo tem avaliação 4,7 de uma potuação máxima 5, no Google Play. Os comentários são elogiosos: "Sempre usei no site, mas essa opção é maravilhosa", diz uma usuária. Outra, ressalta: "Esperava há muito tempo por esse aplicativo". Há também sugestões de melhora, como a possibilidade de se copiar, no próprio dispositvo, as palavras com a ortografia correta.
O sistema de busca do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa está na quinta edição, de 2009, e contém 381 mil verbetes, com as respectivas classificações gramaticais e outras informações conforme descrito no Acordo Ortográfico. Trata-se, em uma definição simples, da ortografia oficial das palavras da língua portuguesa.
Sobre se antecipar a obritatoriedade das novas regras ortográficas, que só poderão ser cobradas a partir de 1.º de janeiro de 2016, Cavalcanti diz que as mudanças já são uma realidade: "Todos já adotaram a nova ortografia, os jornais, os livros escolares, os livros editados. Todos fazem constar que seguem a nova ortografia".
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