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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Escolas de São Paulo recebem 583 impressoras 3D

Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil  São Paulo
Resultado de imagem para impressora 3dA prefeitura de São Paulo anunciou hoje (1º) a entrega de 583 impressoras 3D para escolas municipais, um investimento de R$ 3,8 milhões. E antecipou que vai liberar R$ 1,9 milhão para os estabelecimentos da rede municipal comprarem itens para aulas de tecnologia. Cada escola receberá R$ 3,5 mil para adquirir pilhas, baterias, motores, interruptores, lâmpadas de LED e resistores.
O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Covas, na Escola Municipal Ensino Fundamental Almirante Ary Parreira, na Vila Babilônia, zona sul paulistana.
Na semana passada, uma das docentes do colégio, a professora de Língua Portuguesa Débora Garofalo, ficou entre os dez finalistas do Global Teacher Prize 2019 com um projeto de ensino de robótica com sucata. A premiação internacional selecionou métodos inovadores e criativos entre 10 mil candidatos de 179 países.
Débora disse que o prêmio fortaleceu a autoestima e motivou os alunos. “Mudou muita coisa. Essas crianças não são mais aquelas crianças que não acreditam em si, que era o meu intuito maior”, enfatiza a professora. “Outra coisa que eles me relatavam era a questão de ser aluno de uma escola da favela. Eles tinham vergonha disso. E hoje eles não têm vergonha”, acrescentou.
A expectativa é que a experiência possa ser replicada dentro da própria rede municipal e também em outras partes do país.
“A proposta é que a gente ganhe escala pelo Brasil, que o ensino de programação e robótica se torne uma política pública de fato nas escolas. Mas que esse trabalho se expanda para dentro da própria rede. Essa verba anunciada hoje é uma oportunidade que isso ocorra”, ressaltou.
Edição: Kleber Sampaio

http://agenciabrasil.ebc.com.br/

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Cláudia Costin: "A educação no Brasil não ensina a pensar"

por Marcos de Aguiar Villas-Bôas 
Coordenadora do Centro de Inovação em Políticas Educacionais afirma que, em educação, o Brasil está estagnado em um patamar ruim
Para Claudia Costin, é preciso foco no desenvolvimento de competências socio-emocionais, como empatia e liderança

Uma das maiores especialistas do mundo em políticas educacionais, Cláudia Constin acumulou passagens pela secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro, de Cultura no Estado de São Paulo e ainda foi ministra da Administração e Reforma do Estado no governo de Fernando Henrique Cardoso. 
Durante sua passagem pela pasta de Educação no Rio, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) cresceu 22%. Ao sair da administração pública, tornou-se Diretora Global de Educação do Banco Mundial e, desde 2016, é professora visitante em Harvard.
Atualmente, coordena o Centro de Inovação em Políticas Educacionais (CEIP) na FGV do Rio de Janeiro.

Clique AQUI para ler a entrevista

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Várzea Grande: Escola Rita Cunha tem vagas disputadas. Saiba o porquê.

Na EMEB Rita Cunha, em Várzea Grande há pais formando filas para conseguirem a matrícula de seus filhos, desde o domingo. A matrícula será na quarta-feira (11).

A escola oferta do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental e, conforme o Censo Escolar (INEP) de 2015, lá estudavam, 571 alunos. A Escola está situada no Bairro Mappin.

Procurei saber o motivo pela preferência por essa escola, conforme foi noticiado em sites de Cuiabá. Como ficaram só com a fila, fui saber se a população estava com discernimento. O resultado foi SIM.

Vejamos, conforme dados da Prova Brasil, 2015.

Aprendizado: 6,20; fluxo: 0,96; IDEB = 6,0. A meta estabelecida pelo MEC era 5,3.
Cabe dizer que a escola obteve 5,0 em 2013 e cresceu 1,0, quando o normal é um crescimento de 0,4. 

A Média de Proficiência em Língua Portuguesa 218,28.


    A Média de Proficiência em Matemática 223,61.

    Talvez isso explique a busca. A população sabe o que é bom. O esforço dos governantes é fazer com que o bom seja para todos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Por que diferença entre escolas particulares e públicas do Brasil no Pisa foi pequena



As mensalidades de valor muitas vezes astronômico das escolas particulares no Brasil se traduzem em ensino de ponta, bem superior ao do escola pública?
De acordo com o recém-divulgado estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avalia a aprendizagem de alunos de 15 anos em 70 países e territórios, a resposta pode ser: nem sempre.
Considerada uma das mais importantes do mundo no que diz respeito à educação, a avaliação mostra que estudantes mais ricos em escolas particulares se saíram apenas um pouco melhor que colegas de pior condição sócio-econômica que estudam na rede pública.
A diferença de qualidade entre os dois tipos de educação é menor no Brasil do que em outros países que submeteram ao Pisa.
"Entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que organiza o relatório), o desempenho em ciências de um aluno de nível socioeconômico mais elevado é, em média, 38 pontos superior ao de um aluno com um nível socioeconômico menor. No Brasil, esta diferença corresponde a 27 pontos, o que equivale, aproximadamente, ao aprendizado de um ano letivo", afirma o relatório do Pisa.
Isso significa que a escola pública é de qualidade e está quase alcançando a rede privada em termos de aprendizagem do ano? <!– more –>
Pelo contrário, afirmam especialistas ouvidos pela BBC Brasil sobre o panorama da educação do país. Eles apontam duas causas principais pela performance baixa das escolas privadas:
• Formação deficiente dos professores, tanto da escola pública como da particular.
• Grade curricular engessada, que não dá autonomia ao professor.
Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador das provas do Pisa, falou sobre as escolas privadas brasileiras em um seminário da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca):
"As escolas particulares vão melhor no Pisa, mas a diferença é pequena. Por atender a um público privilegiado, elas (escolas particulares) deveriam se comparar com escolas do mundo em situação semelhante. Mas não conseguem competir", afirmou o diretor.

Mesma faculdade ruim

Para a diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, que dá aulas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (e foi secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro), a raiz dos problemas está na formação deficiente dos professores.
"Se nós estamos em um patamar muito baixo, e os alunos mais ricos estão só um pouco na frente, isso quer dizer que as escolas privadas de bom nível estão com os mesmos tipos de professores que as públicas. Professores com a mesma formação acadêmica. É aí que mora o problema", afirmou.
Na opinião de Costin, boa parte fez o mesmo tipo de faculdade, que foca excessivamente nos fundamentos, como Sociologia e História da Educação, e muito pouco em como se ensina na prática.
"É claro que um instituto privado pode estruturar melhor o processo pedagógico ou ter mais agilidade para contratar e demitir professores. Mas a formação desses professores foi a mesma, e muitos dão aula em instituições particulares e públicas para terem salário mais alto e estabilidade", diz.

'Ilusão'

Para Maria Rehder, coordenadora de Projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação - que reúne organizações da sociedade civil em prol da promoção da qualidade do ensino -, "imaginar que a escola privada é muito melhor no Brasil é uma ilusão".
Na opinião dela, "é preciso mais liberdade para o professor, para que ele tenha mais autonomia".
Um tipo de liberdade que o professor tem cada vez menos por aqui, segundo especialistas e os próprios estudantes brasileiros ouvidos pelo Pisa. Menos da metade disse que o professor muda a aula se houver problemas como, por exemplo, se a maioria dos estudantes não entender a matéria.
Sistemas de ensino como o finlandês estão baseados justamente nos alunos, adaptando as aulas e os projetos de acordo com os interesses, as habilidades e as dificuldades deles.
"É claro que a formação fraca do professor colabora para o baixo desempenho. E muitos deles fazem faculdades particulares. Mas é apenas um dos fatores", diz Amabile Pacios, diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).


"O que vivemos hoje é um currículo muito extenso e totalmente engessado. Não há tempo para o professor usar cinco aulas elaborando um conceito ou dando a aula a partir da espontaneidade da experimentação dos alunos. Temos de dar conta de um conteúdo gigantesco e maluco imposto pelo governo e, dessa maneira, não há tempo para acompanhar o feijãozinho nascer", afirmou, referindo-se ao experimento comum que as crianças mais novas fazem, com tempo, na escola.

Ciência e laboratórios

Na edição divulgada este ano, o Pisa deu ênfase à prova de ciências que, segundo Amabile, é uma área particularmente problemática.
"O ensino de ciência aqui é muito desprezado. E , como o conteúdo acaba se tornando muito maçante, as crianças se desinteressam."
Questionada sobre se as escolas particulares, especialmente as que têm laboratórios, por exemplo, não conseguiriam driblar essa morosidade com experimentos e projetos propostos pelos alunos, Amabile diz que a falta de tempo também impede essa abordagem.
A diretora cita outro prejuízo que, em sua opinião, prejudica a performance dos alunos: "A escola precisa ouvir a comunidade em que está inserida e, assim, tratar sua proposta pedagógica de acordo, para que aquilo faça sentido para o aluno".

sábado, 3 de dezembro de 2016

6 reformas prioritárias para transformar a educação na América Latina

Relatório aponta desafios para melhorar o ensino na região e destaca ações estratégicas para promover reformas educacionais

por Marina Lopes 
Para garantir que todas as crianças tenham acesso à uma educação de qualidade, os países latino-americanos estão diante de um desafio prioritário: mobilizar sociedades e governos na adoção de reformas profundas e duradouras. Segundo o relatório “Construindo uma Educação de Qualidade: um pacto com o futuro da América Latina”, o desenvolvimento com equidade e democracia precisa ganhar espaço nas agendas da região.
Lançado nesta terça-feira (29), pelo Instituto Ayrton Senna e pelo Diálogo Interamericano, com apoio da Fundação Santillana e Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, o estudo aponta seis áreas consideradas fundamentais para transformar os sistemas educativos na América Latina: a educação infantil, a excelência docente, a avaliação de aprendizagens, as novas tecnologias, a relevância da educação e o financiamento sustentável.
Nos últimos anos, apesar dos avanços consideráveis na ampliação da escolarização, os resultados de aprendizagem ainda deixam a região para trás. Entre os anos de 1999 e 2012, a América Latina aumentou a porcentagem de matrículas no ensino médio de 59% para 73%, mas ainda continua a lidar com problemas sérios de repetência e evasão. De acordo com dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), apenas metade dos jovens latino-americanos com idades entre 20 e 24 anos completaram o ensino médio em 2010.
A tendência de ampliação da cobertura, sem obter necessariamente um salto na qualidade, também se repete em outras etapas, seja na educação infantil, no ensino fundamental e até mesmo no ensino superior. “As crianças estão na escola, mas não estão aprendendo”, menciona Cláudia Costin (leia entrevista), professora de Harvard e integrante da Comissão para a Educação de Qualidade para Todos. Participante da equipe convocada pelo Diálogo Interamericano para elaborar o relatório, ela afirma que o foco dos sistemas educacionais não deve ser apenas o de cumprir uma meta. “Não basta atingir determinados resultados de aprendizagem, mas eles também precisam ser relevantes para a vida em sociedade e também para o futuro trabalho que esses jovens vão desenvolver”, diz.
Nesse sentido, o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, também avalia que o desenvolvimento de competências socioemocionais tem o potencial de reduzir desigualdades e transformar sistemas educativos, garantindo chances para todos os alunos. “As competências socioemocionais têm esse papel fundamental na vida de uma pessoa e da sociedade brasileira porque elas agem como um redutor da desigualdade de oportunidades”, explica.

sábado, 19 de novembro de 2016

‘Destino: Educação’ apresenta a Ross School, nos EUA


Uma escola que prioriza os aprendizados de vida para que os alunos sejam cidadãos globais. Essa é a missão da Ross School. A instituição norte-americana, localizada em East Hampton, nos Estados Unidos, é o tema do 9º episódio da série “Destino: Educação – Escolas Inovadoras”, realizada pelo canal Futura com consultoria do Porvir/Inspirare.
Além de oferecer educação infantil, ensino fundamental e médio, a escola também conta com um programa de pós-graduação. Diferentemente do termo usado no Brasil, trata-se de uma oportunidade para alunos que já terminaram o ensino médio, mas estão procurando uma experiência educacional por mais um ano, antes de entrarem na universidade.
Dos 765 alunos da escola, uma taxa de 50 a 60% vêm de outros países. Segundo o diretor da Upper School, o ensino médio, isso condiz com a missão da escola, que é oferecer uma experiência global e não centrada apenas no contexto norte-americano. Isso significa que, ao invés dos estudantes apenas lerem e estudarem sobre costumes de outros países, eles de fato convivem com colegas que vieram de fora dos Estados Unidos.
Além de usar um sistema de ensino que motiva a curiosidade dos alunos a partir de perguntas, a escola também tem um sistema de avaliação diferente. Ao contrário do que é comum nos EUA, a Ross School não usa letras, como A, B, C como notas, e sim conceitos: excelente, competente, suficiente e insuficiente. Dentro de uma mesma aula, o aluno pode ser avaliado em até três frentes.
Veja o programa completo:



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

As práticas e estratégias das escolas com bons resultados nos anos iniciais do Ensino Fundamental


POR ERNESTO MARTINS FARIA

No último post, há duas semanas, apresentei os resultados do Ideb 2015 e escrevi (aqui) que abordaria nesse post as escolas que conseguem bons resultados educacionais. Para começar, vou apresentar algumas características das escolas que conseguem bons resultados nos anos iniciais do Ensino Fundamental. No post seguinte abordarei as características das escolas com bons resultados nos anos finais.
Desenvolvido entre 2012 e 2014, o estudo Excelência com Equidade, feito em parceria pela Fundação Lemann e o Itaú BBA, buscou analisar o que 215 escolas que conseguiram ótimos resultados com alunos de baixo nível socioeconômico apresentam como diferenciais, de acordo com visitas aprofundadas a escolas com bons indicadores educacionais e por meio de modelos estatísticos feitos a partir de dados da Prova Brasil e do Censo Escolar.
O relatório completo da pesquisa, com os resultados dos relatórios qualitativo e quantitativos, podem ser acessados aqui: 
Algumas análises do estudo também foram apresentadas em algumas reportagens (O GloboAgência Brasileditorial de O Estado de S. Paulo).
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Mas o que encontramos?
O estudo qualitativo da pesquisa nos permitiu identificar as práticas e estratégias comuns das escolas que passaram pelos critérios, enquanto o estudo quantitativo procurou mapear as características dessas 215 unidades que podem explicar o sucesso e as ações que conseguiram implementar. Listo abaixo as principais conclusões do estudo.

Quatro práticas comuns às escolas que conseguem garantir o aprendizado de todos os alunos
Primeiramente, todas as escolas analisadas em profundidade definem metas, tendo claro seus objetivos. Essas metas sempre estão relacionadas ao aprendizado dos alunos. Um segundo aspecto, talvez o mais importante, é que as escolas acompanham de perto – e continuamente – o aprendizado dos alunos. Muitas vezes esse acompanhamento é liderado pela secretaria, que faz um acompanhamento minucioso do trabalho das escolas, buscando lhes dar um suporte adequado. Esse acompanhamento busca fornecer dados sobre o aprendizado para embasar as ações pedagógicas, como reforço escolar e formação continuada. Por fim, há uma atenção da gestão escolar par fazer da escola um ambiente agradável e propício ao aprendizado.

Quatro estratégias-chave usadas por escolas que obtiveram sucesso ao implementar mudanças
Um dos grandes apontamentos do estudo foi que tão importante quanto a prática é o “como fazer“. Uma boa ideia se mal implementada não só pode não ter efeito positivo como pode ter efeito negativo. Por isso, há aspectos chave para a implementação de uma boa política educacional. Primeiramente, é fundamental criar um fluxo aberto e transparente de comunicação, tanto entre escola e secretaria, como entre escola e comunidade escolar. Também é essencial que a gestão escolar e da secretaria de educação respeite a experiência dos professores e os apoie em seu trabalho. É preciso empoderar os professores, que estão no dia-a-dia com os alunos e buscam garantir o aprendizado deles.
Como os desafios educacionais são grandes, e mudanças em um sistema não são simples, é necessário ter grupos comprometidos para enfrentar resistências dentro das escolas. Por fim, é fundamental ganhar o apoio de atores de fora da escola, como os pais e a comunidade do entorno.

Quatro características que ilustram o porquê do sucesso das 215 escolas
O estudo quantitativo do estudo também mostrou as características dessas escolas com bons resultados. Primeiramente, boa parte delas integra uma rede de ensino que oferece condições e apoio para que as mudanças aconteçam. Um segundo aspecto muito importante é que a gestão dos recursos têm um maior foco na garantia das condições de aprendizagem em comparação com outras escolas. Essas escolas também se destacam em relação às condições para o ensino e procuram garantir um bom clima escolar para mantê-las. Por fim, elas contam com uma gestão escolar focada na aprendizagem dos alunos e se apropriam dos recursos e das condições escolares em favor do ensino.

Possui uma boa prática nos anos iniciais do Ensino Fundamental? Conte para gente!
Quer ajuda para implementar uma ação do Excelência com equidade, conte com a gente! 🙂 A Fundação Lemann está fazendo workshops para levar as práticas do estudo Excelência com Equidade para secretarias de educação. Tem interesse em levar para a sua? Inscreva-se agora! E se o estudo já inspirou mudanças na sua escola ou rede, não deixe de compartilhar a sua experiência por meio deste formulário.

http://blog.qedu.org.br/blog/2016/11/07/as-praticas-e-estrategias-das-escolas-com-bons-resultados-nos-anos-iniciais-do-ensino-fundamental/

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Juara: Comprometimento com qualidade resulta em superação de índices

O trabalho desenvolvido na Escola Estadual Luiza Nunes Bezerra, no município de Juara, no noroeste de Mato Grosso, tem ganhado destaque no cenário nacional pelos bons resultados obtidos. Com mais de 800 alunos matriculados no ensino fundamental, a instituição tem obtido índice zero de evasão escolar desde 2011.
Os números do índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) são outro ponto de destaque da escola. Em 2013, ela obteve 6,7 nos anos iniciais (primeiro ao quinto), quando o esperado era 5,8. Quanto aos anos finais (sexto ao nono) o resultado de 5,8 também superou a meta, de 5,6.
“A diferença da nossa escola é o comprometimento com a qualidade da educação, o trabalho coletivo pela aprendizagem e o envolvimento com a comunidade”, diz a professora Sibeli Lopes, diretora da instituição. Ela cita ainda a metodologia de projetos, adotada há alguns anos.

“O projeto Nossas Mãos Podem Salvar o Planeta – Lixo Transformado em Arte, incluso no projeto político-pedagógico da escola há mais de cinco anos, trabalha com conceitos de educação ambiental, solidariedade, arte, coordenação motora, conservação do patrimônio público e outros temas interdisciplinares”, explica Sibeli. “Outro projeto que vem dando certo há mais de dez anos é o Sala de Leitura, que explora o hábito de ler, a interpretação e a escrita.” Os projetos Estudantes Solidários, Apoio Pedagógico e Laboratório de Informática são outros citados pela diretora.

A Escola Estadual Luiza Bezerra foi destaque na edição de 2013 do Prêmio Gestão Escolar, promovido pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), com apoio do Ministério da Educação, União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), entre outras instituições.

De acordo com Sibeli, a premiação é resultado de trabalho coletivo, de mais de duas décadas, que envolveu muito compromisso e dedicação por parte dos profissionais da escola. “Nosso trabalho foi e é pautado no projeto político-pedagógico da escola e na legislação vigente, o que dá maior consistência no fazer educacional”, adianta.

Para 2015, a diretora pretende implementar novas ações em projetos já existentes e criar comitês, formados por grupos de alunos e um professor líder, como o de orientação sobre a preservação do patrimônio público. Outro plano é terminar as obras de reforma geral na escola, com a construção de salas para o desenvolvimento das atividades dos projetos.

Professora há cerca de dez anos e gestora desde 2013, Sibeli tem licenciatura plena em matemática e cursa pós- graduação em metodologia da interdisciplinaridade.

Fátima Schenini
Saiba mais no Jornal do Professor


http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21217

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Na Finlândia, escolas trocam letra de mão por digitação

A partir de 2016, os alunos finlandeses deixarão de aprender a escrever com letra cursiva. A Finlândia é referência mundial em qualidade de ensino

Bianca Bibiano

A Finlândia, referência mundial pela qualidade da educação básica, decidiu decretar o fim de uma era: a partir do ano letivo de 2016, as escolas não serão mais obrigadas a ensinar seus alunos a escrever com letra cursiva, mais conhecida como letra de mão. Em vez disso, crianças e adolescentes terão mais atividades de digitação.
Opine: Você concorda que as escolas devem parar de ensinar a letra de mão às crianças?

Segundo Minna Harmanen, presidente do Conselho Nacional de Educação da Finlândia, a mudança não significa que o país vai deixar de ensinar as crianças a escrever à mão, mas sim que as escolas vão priorizar o ensino das letras de forma, também chamadas de letra bastão, presente nos textos digitais. "A escrita à mão está ligada ao desenvolvimento da coordenação motora e da memória, mas sabemos que a letra cursiva, muito pessoal de cada pessoa, dificulta a alfabetização", explicou em entrevista ao site de VEJA.

Por anos, a Finlândia foi apontada como o país com a melhor educação do mundo. O currículo estruturado e a autonomia dada aos professores para inovar em metodologias de ensino são apontados como os principais responsáveis pelo sucesso dos alunos finlandeses. No último PISA, avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede o desempenho de estudantes em 63 nações e economias mundiais, o país ficou em 5º lugar em ciências e 6º em linguagem. As primeiras posições ficaram para economias asiáticas, com Xangai no topo da lista. O Brasil, por sua vez, ficou entre as últimas posições.

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De acordo com a conselheira que atua junto ao Ministério da Educação da Finlândia para traçar as diretrizes curriculares do país, a mudança também prevê que os estudantes tenham mais aulas de digitação no tempo em que atualmente estudam letras cursivas. "A razão mais importante para a mudança é que a escrita cursiva não é mais tão utilizada, mesmo na escola. Os alunos usam cada vez menos o caderno e mais livros de exercícios, onde escrevem menos. No futuro, na vida profissional, a escrita cursiva dará lugar à digitação, por isso habilidades de digitação são tão importantes." Ainda segundo Minna, as escolas que desejarem terão liberdade para manter aulas de caligrafia, mas que serão vistas como disciplinas optativas. 
Impacto no cérebro — De acordo com a neurobióloga Marta Relvas, professora da Universidade Estácio de Sá e membro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, abolir o ensino de letra cursiva na escola não impacta o desenvolvimento cerebral das crianças. "A letra cursiva é uma representação cultural. São símbolos que aprendemos a identificar como letras para formar palavras, da mesma forma que os japoneses utilizam os kanji e outros alfabetos para compor seu idioma", explica.

Segundo Marta, o sistema cognitivo localizado no lado esquerdo do cérebro, onde estão concentradas a fala, a escrita e a coordenação motora fina, não tem relação direta com o tipo de letra usada na escrita. "Essa área do cérebro se desenvolve com a escrita à mão, mas não porque ela é feita com um tipo de letra específica, e sim pela atividade mental exercida nessa função". O ideal, ela explica, é que os educadores considerem tanto a escrita à mão quanto a digitação nas aulas. "Os professores precisam ter flexibilidade. A única implicação da letra cursiva ser obrigatória é que antes a comunicação era feita por cartas, mas hoje os alunos não dependem apenas desse recurso para se comunicar."

Nos Estados Unidos, o movimento para abolir a letra cursiva também está ganhando força. Em alguns estados americanos, os estudantes só aprendem letra de forma. "O importante é que os estudantes aprendam a se comunicar e a usar o idioma com clareza, mas o tipo de letra vai depender apenas da cultura em que ele está inserido", completa.
“A escrita à mão é uma tradição, mas quais tradições não estão mudando?”, resume a finlandesa Minna Harmanen. 

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/fim-de-uma-era-escolas-finlandesas-trocam-letra-de-mao-por-aulas-de-digitacao

Declaração para um novo ano

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