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quinta-feira, 6 de junho de 2019

SAEB 2019: Escolas devem confirmar participação até 10 de junho

As 7.735 escolas de ensinos fundamental e médio sorteadas para compor amostra do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2019 devem confirmar participação até 10 de junho.
As instituições receberam um e-mail com todas as orientações e o link para o Saeb, onde podem confirmar a participação das turmas até a data limite. A avaliação será realizada entre 21 de outubro e 1º de novembro.
As escolas da amostra não terão resultados divulgados individualmente. Elas contribuem para que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) faça um diagnóstico da educação brasileira, com divulgação de resultados das redes de ensino por unidade da Federação, regiões e do país.
As escolas selecionadas que tiverem dúvidas podem acessar o Guia de Orientações do Sistema ou entrar em contato com o Inep pelo e-mail saeb@inep.gov.br. É necessário informar o código da escola no Censo Escolar.
População-alvo – O Saeb 2019 terá aplicações censitárias e amostrais. A aplicação será censitária em todas as escolas públicas localizadas em zonas urbanas e rurais que tenham dez ou mais estudantes matriculados no 5º e no 9º ano do ensino fundamental, e na 3ª e 4ª série do ensino médio (tradicional e integrado).
No recorte amostral do Saeb, serão avaliadas escolas privadas que tenham dez ou mais estudantes matriculados em turmas de 5º e 9º ano do ensino fundamental e de 3ª e 4ª série do ensino médio (tradicional e integrado).
Também haverá amostra de escolas públicas e privadas que tenham dez ou mais estudantes matriculados em turmas do 9º ano do ensino fundamental para aplicação dos testes de Ciências da Natureza e Ciências Humanas; e de escolas públicas e privadas que tenham dez ou mais estudantes matriculados em turmas de 2º ano do ensino fundamental para aplicação dos testes de Língua Portuguesa e Matemática.
Uma amostra de instituições públicas ou conveniadas com o setor público que tenham turmas de creche ou pré-escola da etapa da educação infantil participará ainda da aplicação de questionários.
Cronograma
  • 21/10 a 1º/11 – Aplicação
  • Maio de 2020 – Divulgação de resultado preliminar
  • Agosto de 2020 – Divulgação dos resultados finais
  • Dezembro de 2020 – Divulgação dos microdados

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Novo presidente do Inep afirma que escola deve resistir a 'ideologias e crenças inadequadas' de 'pseudointelectuais'

Por Fernanda Calgaro, G1 DF
O novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues, afirmou, nesta quinta-feira (24), que o Brasil necessita de uma nova escola com "resistência a ideologias e crenças inadequadas ou inconsequentes".
Declarou que "algumas (dessas ideias) têm origens e interpretações superficiais, de pseudointelectuais ou de um oportunismo político-partidário que levou o nosso país a uma situação insustentável."
O ex-professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi empossado na presença do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.
Durante a cerimônia, Marcus Vinicius disse também que é preciso resgatar valores de respeito à família e à pátria.

Modernização do Inep

O Inep, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), é responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Segundo Rodrigues, sob a nova gestão, o órgão será modernizado.
"Em nosso projeto, elencamos 32 ações prioritárias, desde um escritório de gestão de projetos, até uma revisão criteriosa dos indicadores de avaliações ", afirmou.
Rodrigues substitui Maria Inês Fini, que ocupava a presidência do Inep desde 2016.
A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (21) e assinada por ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

https://g1.globo.com/educacao/noticia/

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Marcus Vinícius Carvalho Rodrigues é nomeado presidente do Inep

O professor Marcus Vinícius Carvalho Rodrigues foi nomeado presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A nomeação foi assinada pela Casa Civil nesta segunda-feira, 21 de janeiro, e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 22. O novo presidente do Inep participou da transição desde dezembro de 2018 e desde o início de janeiro atua no Instituto na montagem de sua equipe. “Vamos melhorar a qualidade, aumentar a confiança e diminuir os custos para que o Inep consolide sua excelência em avaliação, estatísticas e estudos educacionais”, defende.
Marcus Vinícius tem 63 anos, é cearense e já atuou como executivo, consultor organizacional, palestrante e professor em cursos de pós-graduação (MBA, Mestrado e Doutorado). É ainda e autor de 11 livros sobre gestão e análise organizacional, qualidade e produtividade, dentre eles os best sellers “Qualidade de Vida no Trabalho” e “Ações para a Qualidade”. É doutor em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); mestre em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); especialista (MBA) em Formação de Executivos pela Universidade dos Correios; e bacharel em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mais detalhes no Currículo Lattes.
Inep – O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Com a missão de subsidiar a formulação de políticas educacionais dos diferentes níveis de governo, e assim contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país, o Inep produz evidências sobre educação e atua nas seguintes áreas: Avaliações, Exames e Indicadores da Educação Básica; Avaliações, Exames e Indicadores da Educação Superior; Estatísticas Educacionais; Ações Internacionais; e Produção, Disseminação e Arquivo da Educação.
http://portal.inep.gov.br/

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

José Francisco Soares: “O Inep tinha de ser independente do governo”









O educador e estatístico diz que nossas avaliações educacionais são pouco e mal usadas e que o instituto tem de se separar do Executivo para o bem da educação

FLÁVIA YURI OSHIMA


O professor e matemático José Francisco Soares, mais conhecido como Chico Soares, é um especialista em números e dados. Mestre em estatística pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), doutor pela Universidade do Wisconsin-Madison e pós-doutorado em educação pela Universidade de Michigan, Chico Soares tem tanta intimidade com os algarismos que não se melindra em criticá-los. “Números sozinhos não ajudam o educador”, diz. “Eles têm de  vir com contexto e numa linguagem comum ao professor.” Chico Soares esteve os últimos dois anos à frente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o órgão responsável pelas avaliações da educação básica do país. O Ideb, o Enem, a Prova Brasil e todas as medições que possibilitam saber o que nossas crianças aprenderam saem de lá. Hoje, ele preside a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Em entrevista a ÉPOCA, Soares critica o formato do Enem, diz que usamos pouco e mal as avaliações de educação que temos e defende a separação entre Inep e governo. “O Inep tem de poder dizer isso aqui não está funcionando – independentemente do mal-estar que cause”, diz ele.
ÉPOCA –  O senhor já disse que o ranking consagra as escolas que fazem seleção de seus alunos. Pode explicar?
José Francisco Soares –
 Entre as escolas que aparecem nos primeiros lugares, há projetos de muito boa qualidade pedagógica, que podem ajudar a mudar a educação básica brasileira. Dito isso, um fato a ser observado é que entre as melhores escolas privadas há a seleção dos alunos pela renda e também pelo desempenho em provas. O mesmo ocorre nas escolas técnicas, que têm provas difíceis de entrada. Essas escolas fogem do aluno que precisa de ajuda, elas possuem projetos pedagógicos que excluem socialmente.
ÉPOCA – Nas escolas públicas e privadas mais procuradas, o vestibulinho foi criado para selecionar alunos de forma democrática, no caso, por mérito. O senhor condena essa prática? 
Soares –
 São três os princípios que devem guiar o debate educacional. O primeiro é o direito à educação. O segundo, a igualdade de oportunidade; e o terceiro, a meritocracia.  É muito importante que se respeite a ordem entre esses pontos.  A primeira é a do direito. Depois que atendi o direito, vou verificar se todos têm as mesmas oportunidades para aprender. E só depois disso é que podemos pensar em exames que mirem na meritocracia, como são os vestibulares. Falar de exames de mérito antes de dar oportunidades de aprendizado é excluir os vulneráveis.
ÉPOCA – Qual seria uma forma justa de seleção para escolas em que a procura é maior que o número de vagas?
Soares –
 Hoje, a única alternativa justa é o sorteio. Isso pode mudar quando formos capazes de oferecer escolas de ensino fundamental em que todos tenham a oportunidade de aprender. Depois de garantir direitos e oportunidades justos para todos, pode-se pensar em meritocracia. Agora, entenda, é claro que se eu fiz uma escola especial de dança, quem está lá tem de ter um mínimo de capacidade nessa área e o exame de entrada é importante. Eu reconheço a necessidade de o país ter opções diferenciadas de ensino médio e suas respectivas seleções. O que incomoda é usar essas provas para excluir  quem mais precisa das escolas de maior qualidade.
ÉPOCA – Os resultados do Enem mostram o abismo que a condição socioeconômica produz no aprendizado. O que a escola pode fazer para isolar esse fator?
Soares –
 Essa é uma tarefa difícil. Há muitas escolas pobres que fazem trabalhos muito bons com os alunos e, apesar disso, as notas mostram um sucesso relativo. Isso ocorre porque elas trabalham com crianças que trazem uma bagagem familiar e educativa muito pobre.  No exame, a nota é baixa, mas o trabalho que fizeram é imenso para chegar ali. Acho que o primeiro passo é olhar para as escolas que progrediram em relação às instituições que estão no mesmo patamar socioeconômico e ver o que as que evoluem nesse contexto fazem. Sabemos que a escola que funciona melhor é a que consegue ter rotina: rotina do aluno, com presença, e rotina da escola funcionando, com professores.
ÉPOCA – Uma das polêmicas em torno do Enem é a questão do ranking das escolas. O governo já tentou recuar e não divulgá-lo. Qual é sua opinião?
Soares –
 Um país democrático precisa ter informação. É bom que seja amplamente divulgado. O que não pode é divulgar o número secamente. Defendo a contextualização e a reflexão, mas que sejam divulgados todos os dados.
Aplicar exames de mérito antes de dar oportunidades de aprendizado é excluir as crianças que mais precisam"
ÉPOCA – O que se orgulha de ter feito?
Soares –
 Não fiz nada sozinho no Inep. Tem uma ótima equipe lá. Tive a felicidade de conseguir colocar duas questões na pauta. A primeira é dar informações que permitam à sociedade entender um pouco mais o que cada dado significa. Hoje o número vem acompanhado de indicadores que ajudam a ver a relação socioeconômica com o aprendizado e o impacto da regularidade dos professores no desempenho dos alunos. O segundo ponto foi acrescentar dimensões aos dados que ajudem a escola a se enxergar. O que é uma escola de qualidade? Ela atende a dois aspectos: sabe o que os alunos têm de aprender e sabe quais são as condições que ela tem de oferecer para que isso ocorra. Ainda há muito o que avançar, mas os índices já caminham nessa direção.
ÉPOCA – O que acha das avaliações?
Soares –
 Há três questões muito importantes: o que ensinar, como ensinar e como avaliar se a criança aprendeu. A avaliação tinha de dar as respostas mais claras de como ensinar. E isso não ocorre. Estamos presos num modelo que não permite isso. O Enem é um teste de múltipla escolha. Reduzir a avaliação a esse formato é pobre. Poda todas as dimensões de contexto.
ÉPOCA –  Sabemos usar as avaliações que temos?
Soares  –
 Usamos muito pouco e muito mal. Primeiro porque os resultados não trazem os dados pedagógicos de que o professor precisa. Daí,  é lógico que a escola não usa. A avaliação tem de usar a mesma linguagem do ensino. O professor e o avaliador têm de falar a mesma língua. Não temos isso no Brasil. Aqui, a avaliação começou de forma totalmente independente. Na área da gestão é diferente. Demos saltos muito grandes. Toda escola conhece seu Ideb e faz todo um esforço nesse sentido.
ÉPOCA – O senhor tem trabalhado ativamente na definição da Base Nacional Curricular Comum. Qual será o impacto dela para o Enem?
Soares –
 A Base colocará de forma explícita quais são os direitos de aprendizagem de cada criança. Todos saberão quais são eles e, dessa forma,  todos saberão também como garantir esses direitos e como verificar se eles foram ou não atendidos. Para isso, o Enem terá de ser outro. Uma avaliação tem de depender do currículo e não o contrário, como acontece hoje em muitos lugares.

ÉPOCA – O fato de o Inep estar vinculado ao governo compromete sua atuação? Ele não fica exposto à interferência do governo sobre como tratar informações que possam prejudicá-lo?
Soares –
 Eu sou completamente favorável ao Inep ser independente do governo. Integro o conselho do Inep do México, onde o órgão é completamente autônomo. O Inep do Chile é uma agência de qualidade, também independente. O Inep não pode viver essa proximidade com quem vai sofrer o desgaste pelo que o instituto aferir e mostrar.
ÉPOCA – Quando estava no Inep, o senhor chegou a sentir o incômodo por fazer parte do governo?
Soares –
 Eu fui para desempenhar uma função no governo. Não tive a vivência da outra posição. Tive a experiência de presidir o Inep sendo do governo. Procurei conviver com os ministros e ajudar. Agora, cada um de nós tem uma direção. A minha direção foi a de falar do direito à educação, do que funciona ou não. Fazíamos isso dentro das dificuldades que quem está no governo enfrenta, que são muitas. 
ÉPOCA – O que o Inep independente conseguiria fazer com mais eficiência?
Soares – 
Ele poderia ser mais incisivo sobre as necessidades da educação sem ter de considerar as dificuldades que isso vai gerar para o governo, ou para quem for, e sem considerar também as conveniências. Por exemplo, sei que preciso que o professor esteja na escola com as crianças todos os dias. Sei também que alguns professores passam em concurso e começam a faltar muito ou a trabalhar com descaso. Um órgão independente vai poder dizer:  isso aqui não está funcionando – independentemente do mal-estar que cause. 

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...