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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

PISA: 2% dos alunos brasileiros têm nota máxima em avaliação internacional

Pisa 2018 foi aplicado em 79 países a 600 mil estudantes de 15 anos

Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro
O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações de leitura, matemática e ciências no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), mas apenas dois a cada 100 estudantes atingiram os melhores desempenhos em pelo menos uma das disciplinas avaliadas. Os resultados da avaliação, que é referência mundial, foram divulgados hoje (3), pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
O Pisa 2018 foi aplicado em 79 países e regiões a 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O país obteve, em média, 413 pontos em leitura, 384 pontos em matemática e 404 pontos em ciências. Na última avaliação, aplicada em 2015, o Brasil obteve, 407 em leitura, 377 em matemática  e 401 em ciências.
As pontuações obtidas pelos estudantes colocam o Brasil no nível 2 em leitura, no nível 1 em matemática e também no nível 1 em ciências, em uma escala que vai até 6. Pelos critérios da OCDE, o nível 2 é considerado o mínimo adequado. Ao todo, quase metade, 43,2% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 2 nas três disciplinas avaliadas. Na outra ponta, apenas 2,5% ficaram nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma das disciplinas.
O Brasil ficou abaixo das médias dos países da OCDE. Em leitura, os 37 países membros do grupo, composto por exemplo, por Canadá, Finlândia, Japão e Chile, obtiveram 487 pontos em leitura, 489, em matemática e 489, em ciências. Como na avaliação 35 pontos equivalem a um ano de estudos, o Brasil está a pouco mais de dois anos atrás desses países.  Na OCDE, 15,7% dos estudantes estão nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma disciplina e 13,4% estão abaixo no nível 2. 
O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57ª lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em leitura, na 70ª posição em matemática e na 64º posição em ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países. China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nos três fica atrás de países latino americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em leitura e a Argentina em leitura e matemática. 
Apesar de participar do relatório, os resultados do Vietnã não são comparáveis, de acordo com a OCDE e, por isso não fazem parte do ranking, e a Espanha não teve os resultados de leitura divulgados. 

Leitura 

O Pisa é aplicado a cada três anos e, a cada edição, a ênfase é em uma das disciplinas. Nessa edição, o foco é em leitura. Em 2009, último ano, em que o foco foi em leitura, o Brasil obteve 412 pontos. De acordo com a OCDE, o Brasil não apresentou grandes saltos desde esse ano. “Depois de 2009, na matemática, assim como na leitura e na ciência, o desempenho médio pareceu flutuar em torno de uma tendência estável”, diz o relatório. 
No Brasil, metade dos estudantes obteve pelo menos o nível 2 em leitura. Isso significa que esses estudantes são capazes de identificar a ideia principal de um texto de tamanho moderado e que podem refletir sobre o objetivo e a forma dos textos quando recebem instruções explícitas. Entre os países da OCDE, em média, 77% dos estudantes obtiveram esse desempenho.
Já os estudantes que obtiveram as melhores notas em leitura, que no Brasil representam apenas 2%, são capazes de compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos e estabelecer distinções entre fato e opinião, com base em pistas implícitas relativas ao conteúdo ou fonte das informações. Entre os países da OCDE, 9% dos estudantes estão nos melhores níveis.

Matemática e ciências

Após queda na última avaliação, em 2015, a nota dos estudantes brasileiros em matemática voltou a crescer, mas apenas um a cada três estudantes, 32%, teve o desempenho mínimo - nível 2 ou superior. Entre os países da OCDE, três a cada quatro estudantes, 76%, obtiveram esse resultado. 
Apenas 1% dos brasileiros está no nível 5 ou 6 em matemática. A média da OCDE é 11%. Esses alunos podem resolver situações complexas matematicamente.
Em ciências 45% dos estudantes brasileiros estão pelo menos no nível 2 e 1% está entre os melhores. Entre os países da OCDE, essas porcentagens são respectivamente, 78% e 7%.

Desigualdade 

De acordo com a OCDE, o nível socioeconômico dos estudantes teve impacto no desempenho nas provas. No Brasil, a diferença de desempenho entre aqueles com nível socioeconômico alto e aqueles com nível baixo, foi de 97 pontos em leitura, o que equivale a quase três anos de estudo. Essa diferença superou a média da OCDE, que é de 89 pontos.  
http://agenciabrasil.ebc.com.br/

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Estudantes brasileiros são 'felizes' e estão entre os que mais usam internet fora da escola, diz OCDE


Há mais estudantes brasileiros que se dizem felizes do que na média dos países desenvolvidos, revela um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta quarta-feira.
A pesquisa diz ainda que os adolescentes no Brasil também estão entre os que mais usam a internet fora da escola.
Os dados estão no relatório "O Bem-Estar dos Estudantes", o terceiro volume do último estudo PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2015, que entrevistou 540 mil jovens de 15 anos de redes públicas e privadas de ensino em 72 países.

A pesquisa pediu que os alunos avaliassem, em uma escala de 0 ("a pior vida possível") a 10 ("a melhor vida possível"), o grau de satisfação com suas vidas.
A média do Brasil foi de 7,59, pouco acima dos 7,31 obtidos na média dos países da OCDE. Mas pouco menos que a metade (44,6%) dos jovens brasileiros de 15 anos se disseram "muito satisfeitos" com suas vidas (deram notas 9 e 10).
Esse total é bem acima da média dos alunos da OCDE, que é de pouco mais de um terço (34,1%). Mas a proporção de "muito satisfeitos" foi mais alto em países como Islândia, (46,7%), Colômbia (50,9%), México (58,5%) e República Dominicana (67,8%).
Em economias asiáticas, no entanto, como a da Coreia do Sul e Hong Kong, o total de "muito satisfeitos com a vida" não chega a 20%.
Já o número dos que se dizem "infelizes" (com notas de 0 a 4) no Brasil é de 11,8%, que é exatamente a média dos países da OCDE.
"O bem-estar dos alunos se refere ao estado psicológico, cognitivo, social e físico e as capacidades que o estudante precisa para viver uma vida feliz e com realizações", diz a OCDE.
"O bem-estar é acima de tudo definido pela qualidade de vida", ressalta o relatório, acrescentando que apenas no Brasil e na Colômbia os estudantes desfavorecidos relatam maior satisfação com a vida do que os mais favorecidos.
Outro indicador medido, a ansiedade, revela que a grande maioria dos alunos no Brasil (quase 81%) se sente "muito ansioso" mesmo quando bem preparado para as provas. É o segundo índice mais elevado entre os países analisados.
O relatório também revela que os estudantes de 15 anos no Brasil passam mais de três horas (190 minutos) por dia na internet nos dias de semana, no período fora da escola.
É o segundo maior tempo gasto entre os países do estudo, ficando abaixo apenas do Chile (195 minutos). Mas cerca de 20 países não forneceram esses dados. A média na OCDE é de quase duas horas e meia.
Nos finais de semana, os estudantes no Brasil utilizam ainda mais a internet: 209 minutos. Mas estudantes de vários outros países, como Holanda, Suécia ou Reino Unidos, passam mais tempo online do que os brasileiros.
A OCDE vê essa atividade como uma forma de estender o aprendizado. "As ferramentas da internet, incluindo redes online, mídias sociais e tecnologias interativas, estão criando estilos de aprendizado, onde jovens se veem como agentes de seu próprio conhecimento e podem aprender mais sobre o mundo", afirma o estudo.

Bullying

O relatório também analisa a questão do bullying nas escolas. No Brasil, 17,5% dos estudantes afirmam sofrer algum tipo de bullying (tirar sarro, sumiço ou destruição de pertences, sofrer rumores e ameaças, por exemplo) algumas vezes por mês. Na OCDE, a média é de 18,7%.
Mas apenas 3,2% dos alunos brasileiros dizem sofrer violência física (socos ou empurrões), segundo o estudo. A média na OCDE nesses casos de bullying é de 4,3%. Em Hong-Kong, é quase o triplo, 9,5%.
O relatório "O Bem-Estar dos Alunos" afirma que alunos com desempenho baixo na escola estão mais sujeitos a se tornar vítimas de bullying.
"De acordo com os resultados do PISA, a proporção de vítimas de bullying é maior em escolas com alto percentual de estudantes que repetiram de ano, onde há pouca disciplina na sala de aula e onde alunos relatam ser tratados de forma injusta pelo professor", diz o estudo.


BBC

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Por que diferença entre escolas particulares e públicas do Brasil no Pisa foi pequena



As mensalidades de valor muitas vezes astronômico das escolas particulares no Brasil se traduzem em ensino de ponta, bem superior ao do escola pública?
De acordo com o recém-divulgado estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avalia a aprendizagem de alunos de 15 anos em 70 países e territórios, a resposta pode ser: nem sempre.
Considerada uma das mais importantes do mundo no que diz respeito à educação, a avaliação mostra que estudantes mais ricos em escolas particulares se saíram apenas um pouco melhor que colegas de pior condição sócio-econômica que estudam na rede pública.
A diferença de qualidade entre os dois tipos de educação é menor no Brasil do que em outros países que submeteram ao Pisa.
"Entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que organiza o relatório), o desempenho em ciências de um aluno de nível socioeconômico mais elevado é, em média, 38 pontos superior ao de um aluno com um nível socioeconômico menor. No Brasil, esta diferença corresponde a 27 pontos, o que equivale, aproximadamente, ao aprendizado de um ano letivo", afirma o relatório do Pisa.
Isso significa que a escola pública é de qualidade e está quase alcançando a rede privada em termos de aprendizagem do ano? <!– more –>
Pelo contrário, afirmam especialistas ouvidos pela BBC Brasil sobre o panorama da educação do país. Eles apontam duas causas principais pela performance baixa das escolas privadas:
• Formação deficiente dos professores, tanto da escola pública como da particular.
• Grade curricular engessada, que não dá autonomia ao professor.
Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador das provas do Pisa, falou sobre as escolas privadas brasileiras em um seminário da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca):
"As escolas particulares vão melhor no Pisa, mas a diferença é pequena. Por atender a um público privilegiado, elas (escolas particulares) deveriam se comparar com escolas do mundo em situação semelhante. Mas não conseguem competir", afirmou o diretor.

Mesma faculdade ruim

Para a diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, que dá aulas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (e foi secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro), a raiz dos problemas está na formação deficiente dos professores.
"Se nós estamos em um patamar muito baixo, e os alunos mais ricos estão só um pouco na frente, isso quer dizer que as escolas privadas de bom nível estão com os mesmos tipos de professores que as públicas. Professores com a mesma formação acadêmica. É aí que mora o problema", afirmou.
Na opinião de Costin, boa parte fez o mesmo tipo de faculdade, que foca excessivamente nos fundamentos, como Sociologia e História da Educação, e muito pouco em como se ensina na prática.
"É claro que um instituto privado pode estruturar melhor o processo pedagógico ou ter mais agilidade para contratar e demitir professores. Mas a formação desses professores foi a mesma, e muitos dão aula em instituições particulares e públicas para terem salário mais alto e estabilidade", diz.

'Ilusão'

Para Maria Rehder, coordenadora de Projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação - que reúne organizações da sociedade civil em prol da promoção da qualidade do ensino -, "imaginar que a escola privada é muito melhor no Brasil é uma ilusão".
Na opinião dela, "é preciso mais liberdade para o professor, para que ele tenha mais autonomia".
Um tipo de liberdade que o professor tem cada vez menos por aqui, segundo especialistas e os próprios estudantes brasileiros ouvidos pelo Pisa. Menos da metade disse que o professor muda a aula se houver problemas como, por exemplo, se a maioria dos estudantes não entender a matéria.
Sistemas de ensino como o finlandês estão baseados justamente nos alunos, adaptando as aulas e os projetos de acordo com os interesses, as habilidades e as dificuldades deles.
"É claro que a formação fraca do professor colabora para o baixo desempenho. E muitos deles fazem faculdades particulares. Mas é apenas um dos fatores", diz Amabile Pacios, diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).


"O que vivemos hoje é um currículo muito extenso e totalmente engessado. Não há tempo para o professor usar cinco aulas elaborando um conceito ou dando a aula a partir da espontaneidade da experimentação dos alunos. Temos de dar conta de um conteúdo gigantesco e maluco imposto pelo governo e, dessa maneira, não há tempo para acompanhar o feijãozinho nascer", afirmou, referindo-se ao experimento comum que as crianças mais novas fazem, com tempo, na escola.

Ciência e laboratórios

Na edição divulgada este ano, o Pisa deu ênfase à prova de ciências que, segundo Amabile, é uma área particularmente problemática.
"O ensino de ciência aqui é muito desprezado. E , como o conteúdo acaba se tornando muito maçante, as crianças se desinteressam."
Questionada sobre se as escolas particulares, especialmente as que têm laboratórios, por exemplo, não conseguiriam driblar essa morosidade com experimentos e projetos propostos pelos alunos, Amabile diz que a falta de tempo também impede essa abordagem.
A diretora cita outro prejuízo que, em sua opinião, prejudica a performance dos alunos: "A escola precisa ouvir a comunidade em que está inserida e, assim, tratar sua proposta pedagógica de acordo, para que aquilo faça sentido para o aluno".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pisa 2015 reforça desafios da educação brasileira nas áreas de ciências, português e matemática

Análises e reflexões sobre o desempenho dos estudantes brasileiros no Programme for International Student Assessment (Pisa) foram apresentados na manhã desta terça-feira, 6, no Seminário do Pisa 2015, na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em ciências, foco desta edição, pouco mais de 40% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 da escala de proficiência, considerado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o nível básico para aprendizagem e participação plena na vida social, econômica e cívica das sociedades modernas em um mundo globalizado. Em leitura, 51% dos estudantes estão abaixo do nível 2 e, em matemática, esse número chega a 70,3%.

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Da última edição do Pisa em 2012 para a mais recente, de 2015, não foram registradas diferenças estaticamente representativas em ciências e leitura. Já em matemática, o desempenho dos estudantes brasileiros foi estatisticamente menor do que na edição de 2012, mas para a OCDE a trajetória geral no Pisa é positiva para os jovens brasileiros porque, em média, tem ocorrido uma elevação da proficiência média em cada edição do Pisa desde 2003.
Os testes e questionários do Pisa propiciam três principais tipos de resultados: um perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes; como essas habilidades são relacionadas a variáveis demográficas, sociais, econômicas e educacionais, além das tendências que acompanham o desempenho dos estudantes e monitoram os sistemas educacionais ao longo do tempo. A avaliação é trienal e direcionada para estudantes com idade entre 15 anos e 3 meses (completos) e 16 anos e 2 meses (completos) no início do período de aplicação. A aplicação e tratamento dos dados é responsabilidade do Inep.
Amostra – A edição de 2015 foi a primeira com aplicação totalmente computadorizada. Foram selecionados estudantes das 27 unidades da Federação (UFs), totalizando 23.141 alunos de 841 escolas do Brasil. O perfil típico do estudante brasileiro participante foi do sexo feminino (51,5%), matriculado no ensino médio (77,7%) de uma rede de ensino estadual (73,8%), localizada em área urbana (95,4%) e no interior (76,7%).
AVALIAÇÃO DE CIÊNCIAS
Resultados – A proficiência média dos jovens estudantes brasileiros na avaliação de ciências foi de 401 pontos, valor significativamente inferior à média dos estudantes dos países membros da OCDE, que é de 493. O desempenho médio dos jovens brasileiros da rede estadual foi de 394 pontos. Por ofertar prioritariamente o ensino fundamental, a rede municipal apresentou desempenho inferior ao das escolas de outras dependências administrativas (329). Alunos da rede federal obtiveram o melhor desempenho em ciências, 517 pontos, superando a média nacional, mas não sendo estatisticamente diferente do desempenho médio dos estudantes da rede particular (487).
Por estado – O Espírito Santo apresentou o maior desempenho (435), e Alagoas, o menor (360). O desempenho médio dos meninos em ciências foi superior ao das meninas na maioria das UFs brasileiras.
Dificuldades – Interpretar dados e evidências cientificamente, lidar com conhecimento procedimental, e questões com resposta abertas e de múltipla escolha complexa são os pontos fracos dos brasileiros revelados na avaliação de ciências. Nossos estudantes têm mais facilidade em explicar fenômenos cientificamente, e lidar com conhecimento de conteúdo e respostas do tipo múltipla escolha simples.
AVALIAÇÃO DE LEITURA
Resultados – A proficiência média dos estudantes brasileiros na avaliação de leitura foi de 407 pontos, significativamente inferior que o escore médio dos estudantes dos países membros da OCDE, que foi de 493. O desempenho médio em leitura dos jovens brasileiros da rede estadual foi de 402 pontos, enquanto na rede municipal observou-se um desempenho médio de 325. Alunos da rede federal têm o melhor desempenho em leitura, 528 pontos, superando a média nacional, o que não é, entretanto, estatisticamente diferente do desempenho médio dos estudantes da rede particular (493).
Por estado – O Espírito Santo apresentou o maior desempenho (441 pontos) e Alagoas, o menor (362). Em todas as UFs, o desempenho em leitura das meninas superou o dos meninos.
Dificuldades – Os pontos fortes dos estudantes brasileiros é lidar com textos representativos de situação pessoal (e-mails, mensagens instantâneas, blogs, cartas pessoais, textos literários e textos informativos). Questões com textos contínuos, definidos por sua organização em orações e parágrafos, e típicos em textos argumentativos, contos e romance e questões que envolvem o aspecto localizar e recuperar informação também foram mais fáceis para eles. A principal dificuldade, por outro lado, é lidar com textos da situação pública (textos e documentos oficiais, notas públicas e notícias). Questões com textos no formato combinado, caracterizados pela junção de parágrafos em prosa e listas, gráficos, tabelas ou diagramas; e que envolveram o aspecto integrar e interpretar foram as mais difíceis para os brasileiros.
AVALIAÇÃO DE MATEMÁTICA
Resultados – A proficiência média dos jovens brasileiros na avaliação de matemática foi de 377 pontos, valor significativamente inferior à média dos estudantes dos países membros da OCDE, que é de 490. O desempenho médio em matemática dos estudantes da rede estadual foi de 369 pontos e da rede municipal, 311, uma diferença estatisticamente significativa. Estudantes da rede federal tiveram melhor desempenho, 488 pontos, embora esse resultado não seja estatisticamente diferente do desempenho médio dos estudantes de escolas particulares, que foi de 463.
Por estado – O Paraná apresentou melhor desempenho (406 pontos) e Alagoas, o pior desempenho (339). Contudo, o estado do Paraná, bem como o Amapá, não atingiu a taxa de respostas exigida, prejudicando, assim, uma análise fidedigna desses estados. Praticamente em todas as UFs o desempenho em matemática dos meninos superou o das meninas.
Dificuldades – Estudantes brasileiros têm melhor desempenho em questões sobre valor em dinheiro, razão e proporção e cálculos aritméticos. Isso significa que o manuseio com dinheiro ou a vivência com fatos que gerem contas aritméticas ou proporções é uma realidade mais próxima. Por outro lado, o desempenho é mais baixo em questões que trabalham as propriedades das figuras geométricas, como o perímetro ou a área, ou as características das figuras espaciais. A interação dinâmica com formas reais bem como suas representações mostrou-se como um conteúdo mais difícil e trabalhoso para os brasileiros.
Os estudantes tem facilidade maior para lidar com a matemática envolvida diretamente com suas atividades cotidianas, família ou colegas. Problemas como preparação de comidas, jogos, saúde pessoal ou finanças pessoais são situações mais facilmente "matematizadas" e resolvidas por eles mesmos. Algo semelhante ocorre com o mundo laboral/ocupacional (desde que acessível e condizente com a condição de um estudante de 15 anos), que é mais facilmente reconhecido pelos jovens como, por exemplo, decisões profissionais, controle de qualidade, regras de pagamento de trabalho, etc.
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Assessoria de Comunicação Social


http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/pisa-2015-reforca-desafios-da-educacao-brasileira-nas-areas-de-ciencias-portugues-e-matematica?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2fhome

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pisa:quase metade dos estudantes brasileiros tem desempenho menor que o adequado








Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

Quase metade dos estudantes brasileiros (44,1%) está abaixo do nível de aprendizagem considerado adequado em leitura, matemática e ciências, de acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados hoje (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Esses estudantes obtiveram uma pontuação que os coloca abaixo do nível 2, considerado adequado nas três áreas avaliadas pelo Pisa. Separadamente, 56,6% estão abaixo do nível 2 e  apenas 0,02% está no nível 6, o máximo da avaliação. Em leitura, 50,99% estão abaixo do nível 2 e 0,14% estão no nível máximo; em matemática, 70,25% estão abaixo do adequado, contra 0,13% no maior nível.

Veja o Relatório sobre o Brasil
Veja o Relatório Resumido Pisa (em espanhol)
Veja o Relatório Completo Pisa Volume I - Excelência e equidade em educação (em inglês)
Veja o Relatório Completo Pisa Volume II - Políticas e práticas de escolas de sucesso (em inglês)

Isso significa que esses estudantes não conseguem reconhecer a ideia principal em um texto ou relacioná-lo com conhecimentos próprios, não conseguem interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples ou interpretar fórmulas matemáticas.
"O nível 2 é o nível considerado mínimo para a pessoa exercer a cidadania", diz a secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena Guimarães de Castro. "Todos os educadores insistem e nós também na questão da equidade. Esse resultado mostra problema de desigualdade muito grande". 
O Pisa testa os conhecimentos de matemática, leitura e ciências de estudantes de 15 anos de idade. A avaliação é feita a cada três anos e cada aplicação é focada em uma das áreas. Em 2015, o foco foi em ciências, que concentrou o maior número de questões da avaliação.
No total, participaram da edição do ano passado 540 mil estudantes que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos dos países participantes. O Pisa incluiu os 35 países-membros da OCDE, além de economias parceiras, como o Brasil. No país, participaram 23.141 estudantes de 841 escolas. A maior parte deles (77%) estava matriculada no ensino médio, na rede estadual (73,8%), em escolas urbanas (95,4%).
Desigualdade
Dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Pisa no Brasil, mostram que há no país grande desigualdade entre os estados em relação aos resultados do exame.
Em ciências, o estado que obteve a maior pontuação foi o Espírito Santo, com 435 pontos. O estado com o pior desempenho foi Alagoas, com 360 pontos. De acordo com os critérios da organização, 30 pontos no Pisa equivalem a um ano de estudos. Isso significa que, em média, há mais de dois anos de diferença entre os dois estados. A média do Brasil em ciências foi de 401 pontos.
Em leitura, cuja média do Brasil foi de 407 pontos, e em matemática, cuja média foi 377, 15 estados ficaram abaixo da média nacional: Roraima, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Rondônia, Amapá, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe, Maranhão, Tocantins, Bahia e Alagoas.
Entre os fatores destacados pelo Inep que influenciam o baixo desempenho está o índice de repetência que, entre outras questões, pode desestimular os estudantes. Na avaliação, 36% dos jovens de 15 anos afirmaram ter repetido uma série pelo menos uma vez.
O nível socioeconômico também influencia o desempenho. Alunos com maior nível socioeconômico tendem a tirar notas maiores. Entre os países da OCDE, a diferença entre estudantes com maior e menor nível pode chegar a 38 pontos de proficiência. No Brasil, essa diferença chega a 27 pontos, ou o equivalente um ano de aprendizagem.
"O Brasil não melhorou a qualidade e nem a equidade nos últimos 13 anos, principalmente", diz Maria Helena. "A única melhora do país foi no fluxo. É importante registrar que 77% dos estudantes que fizeram o Pisa estão no ensino médio", acrescenta.

Edição: Graça Adjuto

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-12/quase-metade-dos-brasileiros-tem-desempenho-menor-que-o-adequado-no-pisa

sábado, 16 de maio de 2015

Cinco lições à América Latina do maior ranking global de educação


"O futuro da América Latina realmente depende do que acontece em suas escolas."
Eric Hanushek, professor da Universidade de Stanford (EUA) e um dos mais respeitados acadêmicos especializados em Educação, é um dos autores do novo relatório internacional que mostra, mais uma vez, o enorme abismo entre os estudantes latino-americanos e os do leste asiático.
O ranking divulgado na quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mais amplo publicado até agora, compara o desempenho de estudantes em Matemática e Ciências em 76 países, com base nos testes internacionais, como o PISA.
Com o excelente desempenho de seus estudantes, Cingapura lidera o ranking, seguida por Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Taiwan.
O Brasil está na 60ª posição, atrás de outros latino-americanos como Chile, México e Costa Rica e um pouco melhor do que Argentina e Colômbia.
Mas o relatório vai mais além do ranking e vincula a educação em cada país ao futuro de sua economia.
Qual seria o crescimento econômico de países da região se seus estudantes alcançassem um nível básico de desempenho em Matemática e Ciências?
A seguir, cinco lições que o relatório ensina para os países latino-americanos:

1) A educação ruim faz mal à economia

O relatório diz que as falhas educacionais de um país cobram seu preço não apenas em oportunidades perdidas a milhões de adolescentes, mas também impacta a economia do país inteiro.
A conclusão é de que, se o Brasil proporcionar educação básica universal eficiente para todos os adolescentes de 15 anos, pode ajudar seu PIB a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas.
E se todos os adolescentes do México cursassem o Ensino Médio e obtivessem um nível básico em Matemática e Ciências - ou seja, capacidade em raciocinar e resolver problemas com os conceitos aprendidos -, o PIB do país poderia ser 551% maior em 80 anos. O PIB da Argentina também cresceria 693% nessas condições.
"Claro que há considerável incerteza (nas projeções do PIB)", diz Hanushek à BBC Mundo. "Mas mesmo se reduzíssemos as projeções pela metade, veríamos que as mudanças em educação representam melhorias dramáticas no bem-estar de toda a população."

2) 'Educação de qualidade e petróleo não se misturam'

O exame PISA mostra uma relação negativa entre o dinheiro que os países ganham a partir de seus recursos naturais e as habilidades de seus estudantes.
"Em países com poucos recursos naturais, como Finlândia, Japão ou Cingapura, a educação é muito valorizada em parte porque toda a população entendeu que o país tem de ganhar a vida com o seu conhecimento - e este depende da educação", diz o estudo.

Desempenho depende mais das habilidades dos estudantes do que das origens sociais

Qual o recado, então, para a Venezuela, rica em petróleo, e o Brasil, onde os royalties da exploração do pré-sal serão destinados à educação?
"No curto prazo, os países conseguem grande parte de sua renda com seus recursos naturais. Mas cada vez mais, à medida que o mundo se move em direção a economias baseadas em conhecimento, a renda e o desenvolvimento dependerão do que as pessoas sabem - o que chamamos de capital de conhecimento das nações", afirma Hanushek.

3) O que importa é a qualidade

Educação universal e obrigatória é apenas um primeiro passo: o crucial são as habilidades transmitidas aos alunos.
"Os estudantes da América Latina têm aprendido muito menos em cada ano escolar do que seus pares no leste da Ásia", afirma Hanushek. "Os latino-americanos passam muitos anos na escola, mas não aprendem nem de longe o que (aprendem) os estudantes de outros países."
Para o especialista, atualmente metade da população mundial é "analfabeta funcional" - já que até mesmo o conceito de alfabetização mudou.
Não basta saber ler e escrever, mas sim "ter capacidade de compreender e refletir criticamente sobre a informação, além de raciocinar com conceitos matemáticos e extrair conclusões baseadas em evidências."
Por onde começar? O fundamental é chegar primeiro ao nível básico de Matemática e Ciências como uma base para uma aprendizagem mais profunda e uma melhor habilidade de interagir com outros em nível de ideias e conceitos, segundo Hanushek.

4) A alta renda de um país não o protege da educação ruim

Cerca de 25% dos alunos de 15 anos dos EUA não completam com êxito o nível básico do PISA em Matemática e Ciências.
E a maior potência mundial está abaixo do Vietnã no ranking da OCDE.
A conclusão é de que o mais importante é a forma como os recursos são gastos.

Desempenho de estudantes do leste asiático tem superado o de outras partes do mundo

Um dos fatores mais importantes é melhorar o nível e a habilidade dos professores, aponta Hanushek.
"As escolas devem reconhecer e premiar os professores mais eficientes e garantir que os menos eficientes recebam ajuda para melhorar. Ou desempenhem outras tarefas, nas quais não tenham uma influência negativa sobre crianças e adolescentes", opina o especialista.
O relatório cita o exemplo de sucesso do Brasil em melhorar, ainda que não em níveis suficientes, seu desempenho em Matemática, em parte por conta de iniciativas para melhorar o salário e a formação dos professores.

5: Valores são fundamentais

"Podemos aprender com os países que lideram o ranking", diz o relatório. "Eles parecem ter convencidos seus cidadãos a fazer escolhas que valorizam a educação acima das outras coisas."
Pais e avós chineses, por exemplo, costumam investir suas poupanças na educação de filhos e netos.
Outra ideia difundida em países de boa performance é que todas as crianças consigam alcançar um bom nível educacional.
Para Hanushek, "China e Cingapura ensinam que todas as crianças podem aprender, e não só as que vieram de lares privilegiados. E os pais devem se envolver na vida escolar de seus filhos."
Sobre a América Latina, Hanushek adverte que, sem melhorias na educação, a região estará cada vez mais distante do bem-estar econômico desfrutado por outros países.
"Mas se melhorarem seriamente suas escolas, podem ter benefícios econômicos sem precedentes. Não há alternativas. Se a América Latina quer competir e se desenvolver, tem de melhorar as habilidades de sua população."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Na Finlândia, escolas trocam letra de mão por digitação

A partir de 2016, os alunos finlandeses deixarão de aprender a escrever com letra cursiva. A Finlândia é referência mundial em qualidade de ensino

Bianca Bibiano

A Finlândia, referência mundial pela qualidade da educação básica, decidiu decretar o fim de uma era: a partir do ano letivo de 2016, as escolas não serão mais obrigadas a ensinar seus alunos a escrever com letra cursiva, mais conhecida como letra de mão. Em vez disso, crianças e adolescentes terão mais atividades de digitação.
Opine: Você concorda que as escolas devem parar de ensinar a letra de mão às crianças?

Segundo Minna Harmanen, presidente do Conselho Nacional de Educação da Finlândia, a mudança não significa que o país vai deixar de ensinar as crianças a escrever à mão, mas sim que as escolas vão priorizar o ensino das letras de forma, também chamadas de letra bastão, presente nos textos digitais. "A escrita à mão está ligada ao desenvolvimento da coordenação motora e da memória, mas sabemos que a letra cursiva, muito pessoal de cada pessoa, dificulta a alfabetização", explicou em entrevista ao site de VEJA.

Por anos, a Finlândia foi apontada como o país com a melhor educação do mundo. O currículo estruturado e a autonomia dada aos professores para inovar em metodologias de ensino são apontados como os principais responsáveis pelo sucesso dos alunos finlandeses. No último PISA, avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede o desempenho de estudantes em 63 nações e economias mundiais, o país ficou em 5º lugar em ciências e 6º em linguagem. As primeiras posições ficaram para economias asiáticas, com Xangai no topo da lista. O Brasil, por sua vez, ficou entre as últimas posições.

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De acordo com a conselheira que atua junto ao Ministério da Educação da Finlândia para traçar as diretrizes curriculares do país, a mudança também prevê que os estudantes tenham mais aulas de digitação no tempo em que atualmente estudam letras cursivas. "A razão mais importante para a mudança é que a escrita cursiva não é mais tão utilizada, mesmo na escola. Os alunos usam cada vez menos o caderno e mais livros de exercícios, onde escrevem menos. No futuro, na vida profissional, a escrita cursiva dará lugar à digitação, por isso habilidades de digitação são tão importantes." Ainda segundo Minna, as escolas que desejarem terão liberdade para manter aulas de caligrafia, mas que serão vistas como disciplinas optativas. 
Impacto no cérebro — De acordo com a neurobióloga Marta Relvas, professora da Universidade Estácio de Sá e membro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, abolir o ensino de letra cursiva na escola não impacta o desenvolvimento cerebral das crianças. "A letra cursiva é uma representação cultural. São símbolos que aprendemos a identificar como letras para formar palavras, da mesma forma que os japoneses utilizam os kanji e outros alfabetos para compor seu idioma", explica.

Segundo Marta, o sistema cognitivo localizado no lado esquerdo do cérebro, onde estão concentradas a fala, a escrita e a coordenação motora fina, não tem relação direta com o tipo de letra usada na escrita. "Essa área do cérebro se desenvolve com a escrita à mão, mas não porque ela é feita com um tipo de letra específica, e sim pela atividade mental exercida nessa função". O ideal, ela explica, é que os educadores considerem tanto a escrita à mão quanto a digitação nas aulas. "Os professores precisam ter flexibilidade. A única implicação da letra cursiva ser obrigatória é que antes a comunicação era feita por cartas, mas hoje os alunos não dependem apenas desse recurso para se comunicar."

Nos Estados Unidos, o movimento para abolir a letra cursiva também está ganhando força. Em alguns estados americanos, os estudantes só aprendem letra de forma. "O importante é que os estudantes aprendam a se comunicar e a usar o idioma com clareza, mas o tipo de letra vai depender apenas da cultura em que ele está inserido", completa.
“A escrita à mão é uma tradição, mas quais tradições não estão mudando?”, resume a finlandesa Minna Harmanen. 

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/fim-de-uma-era-escolas-finlandesas-trocam-letra-de-mao-por-aulas-de-digitacao

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Cristovam Buarque: Maior campeonato que o Brasil está perdendo é o das condições sociais

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lamentou, nesta quarta-feira (9), a derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha na Copa do Mundo. Ele disse, no entanto, que a tristeza da população pelo terceiro ou quarto lugar no mundial - que a seleção vai disputar no sábado - deveria ser sentida também pelo desempenho ruim do Brasil em áreas como educação, desenvolvimento social e tecnologia.
Cristovam cobrou o mesmo abatimento pela derrota da seleção diante do ranking do país no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no qual o Brasil é o 85º entre 106 países, ou da classificação da educação mundial, feita pela Unesco, em que o Brasil ocupa o 88º lugar entre 127 países. E ainda diante da avaliação de estudantes feita pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico, em que o Brasil é 58º de 65 países.
Para o senador, os resultados ruins nesses campeonatos têm consequências muito mais graves do que a derrota de 7x1 contra a Alemanha, que será esquecida em alguns meses ou anos, principalmente se o Brasil vencer a Copa de 2018.
- O mais importante para o país não é o campeonato de futebol, embora este toque mais na alma da gente; o maior campeonato que a gente está perdendo, e que é a base de tudo neste país, é o das condições sociais, das possibilidades de eficiência no país, da educação e da segurança. Esses são os campeonatos que devem fazer com que nós, brasileiros, trabalhemos para superar - afirmou o senador.
Cristovam Buarque também elogiou a postura do jogador David Luiz que pediu desculpas por não ter feito o povo brasileiro sorrir ao menos no futebol. Para o senador, quem deveria pedir desculpas à população eram os parlamentares, ministros e chefes do Executivo, que não conseguem levar o país sequer ao quarto lugar em áreas mais importantes.
Agência Senado

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/07/09/cristovam-buarque-maior-campeonato-que-o-brasil-esta-perdendo-e-o-das-condicoes-sociais

quarta-feira, 21 de maio de 2014

'Avaliação está ocupando o lugar do currículo escolar', diz educadora

Paula Louzano, doutora em política educacional pela Universidade Harvard (EUA) e pesquisadora da USP, discute como os países da OCDE e da América Latina encaram as políticas curriculares

Fonte: UOL Educação

Por causa da falta de uma política curricular clara no Brasil, a avaliação é quem está cobrando da escola os conteúdos que devem ser ensinados aos alunos. Esta é a opinião de Paula Louzano, doutora em política educacional pela Universidade Harvard (EUA) e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo).
Em entrevista ao UOL, Louzano discute como os países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da América Latina encaram a questão das políticas curriculares, com base em estudo realizado por ela no ano passado. No Brasil, a falta de diretrizes específicas têm gerado desigualdade no sistema.
A educadora será uma das convidadas da 21ª Educar/Educador, feira e congresso de educação, que acontece esta semana, dos dias 21 a 24 de maio, na cidade de São Paulo. Confira abaixo trechos da conversa.
UOL Educação - Quais são os maiores gargalos da educação brasileira?
Paula Louzano - Creio que um deles é a baixa qualidade, que passa pela experiência que o aluno tem na sala de aula. A gente precisa melhorá-la, principalmente para os estudantes mais vulneráveis, que estão nas escolas menos preparadas.
UOL - Como outros países do mundo resolveram o tema da política curricular?
Paula - Eu diria que existem três modelos de política curricular nos países que analiso. Alguns centralizam mais o que deve ser ensinado, num alto grau de detalhamento, como é o caso de Portugal. A metodologia fica a critério do professor, mas a autonomia é baixa. Outros dão mais autonomia, como a Finlândia e a Austrália, que têm um currículo mais geral, com alguns conteúdos que seriam fundamentais de serem trabalhados e algumas habilidades nos anos escolares. Já em Cuba há inclusive o número de horas que o professor vai trabalhar cada conteúdo, ou seja, a estratégia de ensino está estabelecida na política curricular.
UOL - Como é no Brasil?
Paula - O Brasil estabeleceu também que existe alguma coisa comum que todos os brasileiros têm direito a aprender. No caso é o que chamamos de Base Nacional Comum. O que difere é o grau de especificação, que é muito baixo quando comparado com outros países, mesmo com aqueles que atribuem grande autonomia às suas escolas, como Finlândia e Nova Zelândia. Ainda que alguns Estados e municípios tenham investido nesta especificação por meio de orientações curriculares, estas não se baseiam em um documento nacional claro. Além disso, a diferença na capacidade destes entes federados em produzir estas orientações tem gerado desigualdade no sistema. A falta de especificação e a baixa capacidade técnica de algumas redes e escolas em desenvolvê-la tem colocado o livro didático, e mais recentemente as avaliações externas, como responsáveis indiretas por essa decisão.
UOL - Os modelos de Portugal, da Finlândia ou de Cuba têm mais sentido no nosso contexto?
Paula - Eu diria que é o modelo mais parecido com a Finlândia, porque dá mais autonomia ao professor. Essa é uma característica do nosso sistema de educação, é como a gente enxerga o papel do docente no Brasil. Contudo, hoje não há uma política curricular clara no país, como existe na Finlândia, mas sim uma política de avaliação, que cobra um resultado do aluno. A avaliação está ocupando o lugar do currículo. Quando deixamos de discuti-lo entregamos para a avaliação o poder de definir o que as pessoas aprendem no Brasil.
UOL - Há movimentos que pedem a introdução de novas disciplinas obrigatórias na escola, como música. Como vê essa situação?
Paula - Em outros países essa decisão não está na mão do legislativo. Não é uma decisão política, partidária, é uma decisão da sociedade, e principalmente dos educadores e especialistas. Eu não tenho que ficar discutindo se tenho que colocar uma disciplina obrigatória. Tenho que discutir na sociedade brasileira o que é importante que todo mundo tem de aprender. Como vou organizar o sistema é outra questão. A organização do sistema não tem que estar na mão do Congresso Nacional, mas sim dos gestores públicos.
UOL - Como você analisa as más posições do Brasil em exames como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)?
Paula - Não é uma surpresa. Elas refletem a baixa qualidade da educação. Mostram como a gente tem dificuldade de ensinar habilidades mais complexas, que não requerem apenas o conhecimento de um conceito, mas que pedem que você seja capaz de tomar uma decisão a partir da compreensão. Se você levar em conta a taxonomia de Bloom, essa é a habilidade cognitiva mais avançada. Isso a gente não consegue fazer.
UOL - Falta investimento na educação brasileira?
Paula - Dá para fazer mais com que a gente gasta hoje em educação? Sem dúvida. Dá para ter uma experiência de padrão internacional em cada sala de aula brasileira gastando o que a gente gasta hoje? Não. Dá para gastar melhor, e acho que tem vários exemplos que mostram isso no próprio Brasil, mas dentro de um limite que está dado pelas condições de gasto de nosso sistema, que é baixo, comparado com países da nossa própria região, como México e Chile, que gastam mais do que a gente por aluno.  

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