"Quem, em sã consciência, não gostaria de ver a excelência das escolas militares espalhada por toda a rede de ensino do país?", diz o filósofo, educador e autor de best-sellers Mário Sérgio Cortella em entrevista à BBC News Brasil.
"Se um dia, ministro da Educação eu fosse, e tivesse recurso para colocar em todas as escolas públicas brasileiras o mesmo orçamento que tem a Escola Naval em Angra, não teria dúvida em fazê-lo", afirma Cortella, que faz, no entanto, uma ressalva: a de que a disciplina militarizada não combina com a sala de aula. "A disciplina militarizada tem outro tipo de objetividade", pondera.
Cortella, que chegou a ser cotado para um eventual governo do candidato derrotado Fernando Haddad (PT), sinaliza uma tentativa de se afastar da polarização que marca os principais debates do país, em especial aquele que envolve a educação brasileira. Defende que, passadas as eleições, é preciso eliminar ressentimentos.
"As pessoas que não pensam como eu não estão necessariamente erradas, mas não é porque não pensam como eu que, só por isso, estão certas", diz, citando o educador e filósofo Paulo Freire, reconhecido por lei como o patrono da educação brasileira, e com quem Cortella atuou por mais de 18 anos.
"Se diz que Paulo Freire era comunista. Jamais! Ele não teve nenhuma perspectiva de adesão aos sistemas totalitários nos países de organização comunista. Paulo Freire era socialista no sentido de agregar o lema da revolução francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade", afirma
O educador critica os argumentos "superficiais" ou propositalmente "canalhas" que deturpam debates relevantes sobre educação. "Não está se defendendo dizer para crianças de 12 anos de idade, numa sala de aula, que gênero é uma escolha, você que decide, é livre. O que está se falando é que as pessoas que têm essa condição precisam ser respeitadas e não podem ser entendidas como 'menos pessoa', 'menos gente'. Elas não são inferiores por serem diferentes."
Embora veja com maus olhos iniciativas como as ameaças de filmar professores em sala de aula, Cortella pondera que as reivindicações do movimento Escola sem Partido fazem parte do debate de ideias em um regime democrático. "O que eu sou avesso é a aprovação de algo que instala uma tornozeleira eletrônica no magistério", destaca
Você já deve ter ouvido a história de que as cores da bandeira nacional brasileira seriam uma homenagem às riquezas naturais do país. O verde representaria a exuberância de nossas florestas e o amarelo, o ouro encontrado no subsolo.
O azul seria uma referência aos rios que permeiam o território brasileiro e ao mar que banha a costa. Até o branco da faixinha teria sua justificativa: a paz.
Essa interpretação pode até soar simpática, mas não tem nexo histórico. "As cores vêm da bandeira do Império", resume à BBC News Brasil a historiadora Mary Del Priore, autora, entre outros livros, da tetralogia Histórias da Gente Brasileira, em que aborda o país desde a colônia até os tempos atuais.
"Esse negócio de verde das matas e amarelo das nossas riquezas é balela", comenta o historiador e escritor Paulo Rezzutti, biógrafo das principais figuras da monarquia brasileira. "O verde é uma alusão à Casa de Bragança. O amarelo remete à Casa de Habsburgo."
A primeira é a família nobre portuguesa à qual pertenceu Dom Pedro 1º. Sua primeira mulher, Leopoldina, era da dinastia austríaca dos Habsburgo. Conforme conta o historiador Clovis Ribeiro no livro Brasões e Bandeiras do Brasil, publicado em 1933, o próprio marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República e tornou-se o primeiro presidente do Brasil, quis que a nova flâmula aludisse à anterior.
"A explicação do verde das matas e do amarelo do ouro foi construída depois. Foi uma maneira tardia de a República tentar modificar o simbolismo original da bandeira, associado à monarquia", completa Rezzutti.
A Presidência da República reconhece a referência ao período imperial. "Após a proclamação da República, em 1889, uma nova bandeira foi criada para representar as conquistas e o momento histórico para o país. Projetada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, foi inspirada na Bandeira do Império, desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret", informa a comunicação do Palácio do Planalto.
Desenho
Publicado em 19 de novembro de 1889, o decreto que instituiu o atual desenho da bandeira cita expressamente a consideração de que "as cores da nossa antiga bandeira recordam as lutas e as vitórias gloriosas do nosso exército e da armada na defesa da pátria", e que "essas cores, independente da forma de governo, simbolizam a perpetuidade e integridade da pátria entre outras nações".
"A bandeira adotada pela República mantém a tradição das antigas cores nacionais - verde e amarelo - do seguinte modo: um losango amarelo em campo verde, tendo no meio a esfera celeste azul, atravessada por uma zona branca, em sentido oblíquo e decrescente da direita para a esquerda, com a legenda 'Ordem e Progresso' e pontuada por vinte e uma estrelas, entre as quais as da constelação do Cruzeiro, dispostas na sua situação astronômica, quanto à distância e ao tamanho relativos, representando os vinte Estados da República e o município neutro", diz o decreto.
Obviamente que as estrelas foram sendo atualizadas conforme novos Estados eram criados. E o município neutro - a capital federal era o Rio de Janeiro - hoje é o Distrito Federal, Brasília. "De acordo com a Lei nº 8.421, de 11 de maio de 1992, deve ser atualizada no caso de criação ou extinção de algum Estado", ressalta a Presidência da República.
Quando a República foi proclamada, o astrônomo Manuel Pereira Reis, que trabalhou no Observatório do Rio de Janeiro, foi chamado para determinar com precisão científica a disposição das estrelas. O Brasil é o único país cujo desenho da bandeira respeita a posição astronômica das estrelas.
Concepção
Durante quatro dias, de 15 a 19 de novembro de 1889, a bandeira brasileira teve um desenho semelhante à dos Estados Unidos - mas com faixas verde e amarelas, em vez de vermelhas e brancas.
Isto porque a nação norte-americana, já independente e uma República desde 1776, era tida como exemplo para os republicanos brasileiros. Então esse desenho, claramente inspirado na bandeira dos EUA, foi a proposta pelo jurista Ruy Barbosa. E chegou a ser utilizada.
Ela foi hasteada na redação do jornal A Cidade do Rio e no navio Alagoas, que levou a família imperial ao exílio.
A revisão foi feita a mando do marechal Deodoro que, de acordo com Clovis Ribeiro, "queria manter a bandeira do Império, com a eliminação apenas da coroa".
A ideia da atual bandeira foi concretizada por um grupo do qual faziam parte os positivistas Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, e o professor de astronomia Manuel Pereira Reis. O pintor Décio Vilares foi recrutado para fazer o desenho do círculo azul.
O positivismo - proposto pelo filósofo francês Augusto Comte - estava em alta nas altas rodas do poder brasileiro. Trata-se de uma doutrina filosófica, sociológica e política que, entre outras coisas, defende os valores humanos e que só são válidos os conhecimentos científicos.
O político Benjamin Constant, outro positivista, foi quem propôs o lema "Ordem e Progresso", um resumo da teoria de Comte.
"A República não podia encontrar melhores luzes do que na religião que se resume na fórmula: o Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim; nem melhores guias do que nós", afirmou, na época, Constant.
"Na nossa mensagem propusemos que o governo provisório adotasse a divisa 'Ordem e Progresso', conforme as indicações de Augusto Comte, por ser essa divisa o resumo da política republicana."
Direito de imagemARQUIVO NACIONALImage captionBenjamin Constant, o articulador do lema Ordem e Progresso na bandeira brasileira
"Nestas condições, receando que o empirismo democrático fizesse adotar para a bandeira nacional uma imitação da dos Estados Unidos da América do Norte, e em obediência às indicações de Augusto Comte, resolvemos apresentar a Benjamim Constant um projeto que ele aceitou sem hesitação", disse, pouco tempo depois, Teixeira Mendes, sobre as conversas que culminaram na criação da bandeira.
"O nosso intuito era evitar que se instituísse um símbolo nacional com o duplo inconveniente de fazer crer em uma filiação que não existe entre os dois povos, e de conduzir a uma imitação servil daquela república", explicou ele, sobre o descarte do modelo semelhante ao dos Estados Unidos.
"Era preciso que não perdêssemos as nossas tradições latinas e que o pensamento nacional se fixasse sobre a França como a nação em cujo seio se elaborou a regeneração humana."
Teixeira Mendes ainda contou que, quando o projeto foi apresentado a Deodoro, "ele o achara o melhor dos símbolos propostos".
Aprovada a ideia, o presidente delegou a um desenhista o trabalho de executá-la. "O desenho destas, segundo a versão corrente, foi feito sob encomenda do marechal Deodoro, por um seu amigo - um alemão, litógrafo da casa Laemmert e que não entendia patavina de heráldica, nem conhecia as tradições do país", afirma, em seu livro, Clovis Ribeiro.
Bandeira imperial
Direito de imagemREPRODUÇÃOImage captionBandeira do Brasil na época do Império
Mas, se a bandeira da República brasileira é uma releitura daquela utilizada pelo Império, como foi criada então esta primeira?
O historiador Ribeiro conta que momentos após proclamar a independência, ainda na região do Ipiranga, em São Paulo, dom Pedro teria tirado as insígnias portuguesas de seu chapéu e determinado as novas cores do País. "Doravante teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais", afirmou o novo imperador, de acordo com tal versão.
O livro Brasões e Bandeiras do Brasil, apesar de reconhecer que o mais provável seja que tais cores aludissem às casas de Bragança e Habsburgo, conta ainda uma versão alternativa, quase anedótica - considerando o caráter mulherengo de dom Pedro.
Conta-se que ele, naquele 7 de setembro de 1822, carregava na lapela uma flor "cor de ouro num ramo verde", que teria sido presente de "uma formosa dama paulistana".
"Diz esta lenda galante que, ao escolher, no próprio momento da fundação do novo império, as cores da nova bandeira, dom Pedro não teve senão o intuito de perpetuar, no síbilo da pátria nascente, a recordação dessa dádiva querida", narra Ribeiro.
Causos à parte, o que parece certo é que as cores nacionais foram escolhidas por Dom Pedro 1º no próprio dia da proclamação da independência. O historiador Ribeiro atesta que, no mesmo dia, tais cores foram usadas pela primeira vez como símbolos da pátria em São Paulo.
Quando retornou ao Rio, o imperador delegou ao pintor francês Jean Baptista Debret, fundador da Academia de Belas Artes, a missão de criar a flâmula oficial do Império.
Menos de 1 em cada dez brasileiros acha que professor é respeitado em sala de aula
Por Fabrício Vitorino, G1
Professor desempreago transformou a calçada de casa em sala de aula, em Aracaju (SE). — Foto: Mara Lúcia de Paula
Muito trabalho, salários menores do que se imagina, falta de respeito dos alunos e um dos piores sistemas educacionais do mundo. É assim que o brasileiro vê a profissão de professor, o que fez o Brasil cair para a última posição do ranking de prestígio de docentes. A pesquisa, realizada em 35 países, foi divulgada na noite desta quarta-feira (7) pela Varkey Foundation, entidade dedicada à melhoria da educação mundial.
O resultado do Brasil se torna ainda mais alarmante se comparado ao do cenário global, que registrou uma melhora na percepção do status dos professores. Vale lembrar que, na última edição da pesquisa, em 2013, o país ocupava a penúltima posição dentre os 21 pesquisados. A avaliação de 2018, por sua vez, foi realizada em 35 países – acompanhando as avaliações do PISA –, e foram entrevistadas mil pessoas entre 16 e 64 anos.
E se no ranking de prestígio geral o resultado não é bom para o Brasil, nos recortes específicos os dados também são muito desanimadores. Menos de 1 em cada 10 brasileiros (9%) acha que os alunos respeitam seus professores em sala de aula – também o último lugar do ranking. Para efeito de comparação, a China é país com a melhor avaliação: lá, 81% das pessoas acreditam que os docentes são respeitados pelos alunos.
Para Sunny Varkey, fundador da Varkey Foundation, o índice fornece provas de que o status dos professores na sociedade, seu prestígio e a forma como são enxergados, tem influência decisiva no desempenho dos alunos na escola.
“Respeitar os professores não é apenas um dever moral importante, é essencial para os resultados educacionais de um país. Mas ainda há muito a ser feito antes que os professores recebam o respeito que merecem”, diz Varkey.
A pesquisa também mostra que há pouca compreensão do trabalho e da remuneração dos professores. Enquanto os entrevistados acreditam que os docentes trabalham, em média, 39,2 horas por semana, os profissionais relatam 47,7 horas dedicadas semanalmente ao ofício de ensinar – quase 20% a mais. Por outro lado, as pessoas estimam que os professores têm salário médio inicial de US$ 15 mil, enquanto, na verdade, a remuneração é de US$ 13 mil, em média. Há ainda a percepção de que os salários não sejam justos: os brasileiros defendem que um docente em início de carreira deva ganhar o equivalente a US$ 20 mil por ano – um aumento de US$ 7 mil.
O levantamento mostra ainda que 88% dos brasileiros consideram a profissão de professor como sendo de “baixo status” – o segundo pior lugar do ranking mundial, perdendo apenas para Israel, onde 90% dos cidadãos pensam da mesma forma. Talvez por isso, apenas 1 em cada cinco brasileiros incentivariam o filho a ser professor, a sétima pior posição global. Em comparação, na Índia, 54% dos pais dizem que encorajariam o filho a ensinar.
Diante do cenário caótico, é natural que os brasileiros classifiquem seu sistema de ensino como ruim – melhor apenas que o egípcio: enquanto o Brasil leva nota 4,2, o país africano é avaliado em 3,8 por seus cidadãos. Nossa vizinha Argentina ganhou nota 5,4 e a Finlândia, líder do ranking, foi avaliada com 8 na escala que vai de zero a dez.
Mas, afinal, o que faz com que os brasileiros tenham essa percepção negativa sobre a educação no país e seus professores? Para Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM e ex-secretária de educação básica do Ministério da Educação, a falta de respeito para com os docentes é um sintoma de vários problemas. O primeiro deles é que o modelo da escola é obsoleto.
“Temos um modelo educacional marcado pelo modelo das escolas no início do século 20, com um desenho completamente diferente. As crianças recebiam as informações na escola, e, hoje, recebem milhares de informações fora da escola. Se você tem uma educação que não prioriza a interpretação, a reflexão, não é à toa que tenha uma campanha presidencial feita com Fake News. As crianças recebem essa montanha de informações, do YouTube, WhatsApp... E quando chegam na escola, ela ainda é analógica. Os professores escrevem no quadro e as crianças copiam. É um livro em texto, ainda monodimensional, sendo que as crianças enxergam tudo de forma multidimensional. O professor foi formado para trabalhar dessa maneira tradicional, arcaica, obsoleta. Muitas vezes ele sente que tem que mudar, mas não tem a formação para mudar”, explica Pilar.
A educadora lembra ainda a desigualdade econômica e a violência urbana como fatores que prejudicam o ensino e afetam o professor, tanto no desenvolvimento da sua profissão quanto no cotidiano do trabalho. A educação em áreas vulneráveis será tema de seu painel selecionado para o South by Southwest EDU, festival realizado em março nos EUA que discute novas iniciativas educacionais.
“Muitas vezes o professor para o projeto no meio por conta de alunos assassinados, abandono de bairro por brigas de facções. É um cenário com uma indecente desigualdade socioeconômica. Os professores encontram situações de alunos de 8 a 10 anos em situação de extrema miséria. E quando a gente pensa na educação para todos, temos que pensar em educação para crianças cujos pais e avós não estudaram, que não têm acesso à literatura, cinema, teatro”, lembra.
Um outro fator a ser considerado é a mudança radical que a profissão de professor sofre a partir dos anos 1980 e 1990, após a Constituição de 1988 e a inclusão digital. “Quando você pergunta a essas crianças o que elas querem fazer quando crescerem, grande parte cita profissões que não existiam cinco anos atrás: youtuber, influenciadora digital... Mesmo professores na faixa dos 40 anos sequer sabem como se ganha dinheiro sendo youtuber, influenciadora digital. Isso não faz parte do desenho mental. Temos que ressignificar isso com os alunos, trabalhar com projeto de vida, qual o sonho profissional, aprofundar o diálogo”.
Para Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, a crise na percepção do status dos professores – e consequentes falta de respeito e má remuneração – passa diretamente pela falta de atratividade do magistério no Brasil.
“Quando a gente compara dados iniciais do salário da carreira de professor com outras áreas, a diferença é de 11%. Na medida em que isso evolui, a diferença atinge 40%, no nível intermediário. Já no fim da carreira, atinge até 70%. São estudos da PNAD, que mostram o crescimento da defasagem salário ao longo da carreira. No último PISA, dos adolescentes que participaram, nenhum respondeu que queria ser professor. Isso é um retrato da baixa atratividade e do baixo prestígio que tem a carreira de professor no Brasil”, fala Mozar Neves Ramos.
Ainda para Mozart, é necessária uma atuação mais adequada das universidades na formação dos professores. Para ele, os cursos são extremamente teóricos e pouco práticos, o que contribui para que os profissionais estejam pouco conectados com a escola. “Se a universidade não melhorar sua formação, não vamos ter uma qualidade na base para atingirmos a meta do ensino superior. Enquanto o mundo está se preparando para a revolução 4.0, nossos professores estão lidando com problemas do século 19, do século 20. O professor tem que ser um tutor, indutor de qualidade, que promova o trabalho em equipe, ele tem que ser formado em educação integral, coisa que as universidades não fazem.”
Por fim, Mozart lembra dos inúmeros casos de violência contra professores registrados nos últimos anos. Para ele, o problema é maior que apenas o campo da educação. “Essa pesquisa retrata um grave problema do Brasil, não só da educação brasileira. Quando a gente vê essas inúmeras reportagens de violência dos alunos contra professores, isso passa por um ponto central: é dever do estado e da família prover essa educação. O que hoje observamos é que as famílias estão delegando às escolas o seu papel, que é educar seus filhos. E quando falta essa educação familiar, ela se manifesta no ambiente escolar. E quem é a vítima desse processo? O professor”
Pivetta elogia escola Tiradentes, hoje presente em 7 municípios, e considera que seria uma revolução ampliar o método para cada unidade do Estado, de modo a ter militar para despertar nos alunos civismo, respeito e bons costumes
Romilson Dourado
Otaviano Pivetta elogia gestão Taques pelas escolas Tiradantes e propõe metodologia militar em todas as unidades
O vice-governador eleito, empresário Otaviano Pivetta, defende a realização de uma consulta popular para, caso se tenha respaldo da sociedade, ampliar e implantar a metodologia das escolas militares Tiradentes em todas as unidades educacionais do Estado. Com know-how de quem ajudou a revolucionar a qualidade da ensino em Lucas do Rio Verde, onde foi prefeito por três vezes, Pivetta cita que vem recebendo muitos pedidos de famílias que querem matricular os filhos nas escolas militares. Para se ter ideia, a unidade Tiradentes, implantada pelo Estado em Lucas do Rio Verde, possui 150 alunos, mas a demanda hoje seria para mais de 900 vagas.
Existem no Estado sete escolas militares Tiradentes funcionando em Cuiabá, Nova Mutum, Confresa, Sorriso, Juara, Alta Floresta e Lucas do Rio Verde. Na de Rondonópolis, que está pronta, vai ter aula somente no início de 2019. Em Barra do Garças, o prédio está em reforma para abrir no ano que vem. E, em Sinop, o governo estadual está aguardando definição de local para construir a unidade. No geral, são mais de 700 escolas estaduais e 40 funcionam em tempo integral.
"Eu respondo a essas pessoas que querem filhos nas escolas militares que podemos usar os métodos da escola Tiradentes onde a sociedade quiser. Nossas escolas estaduais podem receber a mesma metodologia, implantando disciplina, ordem e civismo, a cultura do comprometimento, de comportamento". Pivetta reconhece e elogia o governador Pedro Taques pela iniciativa de ampliar o funcionamento das escolas militares. "Foi uma coisa boa que este governo começou a fazer e que vem de encontro ao desejo da sociedade".
Consulta popular
Afirma ser possível o novo governo fazer consulta para mudança da metodologia nas escolas, de modo a estabelecer que alunos voltem a usar uniforme, a cantar o Hino Nacional, inclusive em fila e em posição de sentido, assim nas décadas de 1970 e 1980. Pivetta observa que é preciso restabelecer disciplina, obediência rigorosa aos professores e que alunos se comportem e respeitem-nos. "Se a sociedade demandar isso, ao invés de construir escolas, vamos usar essa metodologia. Estou percebendo que todo mundo quer isso. Vamos mudar a cultura da bagunça, da baderna, mudar de imediato, se for preciso. Aluno tem de respeitar professor, que muitas vezes é agredido com palavras e fisicamente".
Na prática, de acordo com Otaviano Pivetta, os professores seriam os mesmos, assim como a gestão escolar, embora precise melhorar nesse aspecto. Seriam implantada novas disciplinas, como de Educação Moral e Cívica, e cada escola contaria com um militar treinado para promover e despertar o sentimento cívico. "Faríamos escola digna para todos, uma grande revolução na educação. Parece que a sociedade está demandando nessa nova ordem".
Evento terá palestras, mesas redondas, grupos de trabalho e exposição das práticas e ações pedagógicas
MARIA BARBANT
Foto: Jorge Pinho
A Prefeitura de Cuiabá realiza do dia 26 ao dia 30 de novembro, no Hotel Fazenda Mato Grosso, o II Seminário de Educação da Rede Municipal, com o tema Educação Básica como Direito, e III Seminário Integrador da Rede Municipal de Ensino. O evento é direcionado aos profissionais da rede pública municipal de Educação de Cuiabá e vai reunir, por dia, cerca de 1.500 mil pessoas entre professores e Técnicos de Desenvolvimento Infantil (TDI), da Educação Infantil ao Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA/Campo), além de Gestores e Assessores da Secretaria Municipal de Educação - SME.
Durante a semana do evento cerca de quatro mil profissionais da Educação devem passar pelos seminários que têm como objetivo promover reflexões sobre as ações pedagógicas.
O secretário de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos destacou a importância desse momento, para as atividades desenvolvidas pela secretaria. “Nesta edição, esperamos contribuir para o aprofundamento e as reflexões teóricas e práticas, de questões ligadas ao processo educativo, ao mesmo tempo em que estamos possibilitando a socialização das práticas, realizadas pelas unidades educacionais e valorizando o trabalho em sala de aula, por esses profissionais”, disse ele.
A secretária adjunta de Educação, Edilene Machado falou sobre os seminários ressaltando o tema que norteia o evento, ‘Educação Básica como Direito’. “Além de possibilitarmos aos profissionais a compreensão sobre o papel e as responsabilidades da Educação como Direito Humano, articulando essa discussão com o processo de elaboração da política educacional de Cuiabá, estamos valorizando as experiências e fortalecendo a formação dos profissionais e, com isso, humanizando as relações entre os sujeitos envolvidos no processo educativo”, avaliou.
Programação
Ao longo do evento serão quatro palestras, além de mesas redondas e grupos de trabalho. Na abertura, dia 27, às 9h, acontece a palestra de abertura terá como tema ‘Os desafios dos educadores na construção de uma escola democrática e humana na contemporaneidade’. A palestra será proferida pela Profª. Drª. Viviane de Souza Mosé, psicóloga e psicanalista, especialista em políticas públicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFE), mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ).
No dia 29, pela manhã, a palestra será sobre as ‘Contribuições da Neurociência para o desenvolvimento e as aprendizagens das crianças na infância’, com a palestrante Profª. Drª Elvira de Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música. À noite, o tema será ‘O que é mesmo avaliar as aprendizagens’, com a Profª. Drª. Jussara Hoffmann, uma das maiores especialistas em avaliação da aprendizagem do país.
A última palestra do evento, no dia 30, pela manhã, será sobre o tema ‘Currículo, cultura e conhecimento na Educação Básica na perspectiva da formação humana integral, com a Profª. Drª. Jaqueline Moll, professora universitária e uma das principais referências sobre a Educação Integral.
No dia 28, acontece o III Seminário Integrador da Rede Municipal de Cuiabá com mostra das experiências dos profissionais nas escolas. Nos períodos da manhã, tarde e noite, serão realizados dez grupos de trabalho, sessão de pôsteres, palestra e uma mesa redonda.
Nos GT’s os profissionais vão apresentar as práticas pedagógicas desenvolvidas nas várias modalidades de ensino e às 19 horas, haverá uma palestra sobre a Educação de Jovens e Adultos com ênfase na juventude e uma mesa redonda, com o tema ‘Inserção e transição da criança da primeira para a segunda infância’.
Construído de forma colaborativa, plataforma disponibiliza acesso ao Currículo da Cidade de modo dinâmico.
Na sexta-feira (19/10/2018), foi lançado o Currículo Digital da Cidade de São Paulo, fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO no Brasil). O lançamento contou com uma cerimônia realizada na Casa do Pátio Digital.
A plataforma foi desenhada por meio de um processo colaborativo, com o apoio de professores da rede municipal e transforma o Currículo da Cidade em um material vivo e dinâmico, disponível on-line para consulta, inspiração e aplicação em sala de aula.
O Currículo Digital da Cidade de São Paulo está disponível no endereço http://curriculo.prefeitura.sp.gov.br, e por meio dele já é possível conhecer e explorar o Currículo da Cidade, buscar sequências didáticas do Ciclo de Alfabetização referentes aos componentes de Matemática, Língua Portuguesa e Ciências Naturais, e encontrar sequências relacionadas aos objetivos do Currículo, à matriz de saberes e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Quem ganha com essa iniciativa são os estudantes de nossa rede, que terão professores ainda mais equipados para fazer o seu trabalho da melhor forma possível”, ressaltou o Secretário Municipal de Educação, Alexandre Schneider. "Além disso, tanto os recursos educacionais quanto a Plataforma são abertos, ou seja, qualquer outro município ou estado pode utilizar e customizar para a sua própria realidade, sem custos", completou.
Ainda estão previstas as inclusões, na plataforma, de buscas textuais, criação de perfis, planejamento do uso de sequências, a possibilidade de envio de comentários e sugestões e a disponibilização de novas sequências de atividades dos demais componentes do Ciclo de Alfabetização e, também, do Ciclo Autoral e Interdisciplinar. Para adição dessas novas funcionalidades, a SME receberá apoio da Fundação Lemann.
Sobre o Currículo da Cidade
O Currículo da Cidade de São Paulo foi criado a muitas mãos a partir dos conhecimentos produzidos e das práticas realizadas por professoras e professores da Rede Municipal de Ensino ao longo dos últimos anos. Fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo com a UNESCO no Brasil, o novo currículo do Ensino Fundamental, publicado em dezembro de 2017, integra de forma inédita a Agenda 2030, relacionando seus objetivos de aprendizagem a cada um dos 17 ODS. O movimento de atualização do currículo envolveu mais de 43 mil estudantes e 16 mil professores ao longo de 2017, em paralelo às discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que se faziam nacionalmente, de forma a ser a primeira cidade a lançar o documento em sua versão já alinhada às diretrizes nacionais.
(Fonte: Secretaria Municipal de Educação da Cidade de São Paulo)
A Prefeitura de Cuiabá divulgou o editaldo novo processo seletivo para a Secretaria Municipal de Educação. São 2.254 vagas temporárias para contratação imediata, além de formação de cadastro de reserva, em cargos de níveis médio e superior, com vencimentos que variam de R$ 1.115,48 a R$ 3.319,20, para o ano letivo de 2019.
Há vagas para Cuidador de Aluno com Deficiência – CAD, Intérprete ou de Instrutor de Libras, Técnico em Desenvolvimento Infantil – TDI, Técnico em Manutenção e Infraestrutura (nas funções de Auxiliar de Serviços Gerais e Condutor de Veículos), Técnico em Nutrição Escolar (Merendeira); Professor (Ciências, Educação Artística, Educação Física Geografia, História, Espanhol, Inglês, Português, Pedagogo, Matemática), Professor Especializado em Atendimento Educacional Especializado e/ou Educação Especial, Professor Licenciado na ocupação de Instrutor ou Intérprete de Libras e Técnico de Nível Superior (Administrador, Arquiteto, Bacharel em Direito, Contador, Engenheiro Ambiental e Sanitarista, Engenheiro Civil, Engenheiro Eletricista, Estatístico, Fonoaudiólogo, Nutricionista e Psicólogo). As funções disponibilizadas e nível de ensino exigido para seus exercícios estão relacionadas no edital do certame já publicado no Diário Oficial do Tribunal de Contas do Estado - TCE e no site selecon.org.br.
As inscrições começam no dia 1º de novembro e poderão ser feitas até o dia 29 também de novembro, no site do Instituto Selecon, organizador. A taxa de inscrição é de R$ 60,00 para as funções de nível médio e R$ 70,00 para superior. Aqueles que estiverem desempregados, tiverem renda de até um salário mínimo ou forem doadores de sangue ou de medula poderão pedir isenção da taxa de inscrição. As solicitações poderão se feitas nos dias 30 e 31/10/2018, até as 16 horas, no site do Instituto Selecon. É preciso conferir toda a documentação exigida e o horário de atendimento do posto de entrega de documentos, que funcionará para receber a documentação do pedido de isenção, localizado nas Faculdades Evangélicas Integradas Cantares de Salomão - FEICS, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, 3500 – Bosque da Saúde – Cuiabá-MT, nos dias 30 e 31/10, das 9h às 17:30h.
A seleção será realizada mediante prova objetiva de conhecimentos básicos e específicos prevista para o dia 16 de dezembro. Haverá análise de títulos e experiência para candidatos não eliminados na prova objetiva. O resultado preliminar da prova objetiva está previsto para o dia 20 de dezembro.
Opção de transferência do crédito da devolução de taxa do seletivo anterior para inscrição no novo processo seletivo
Os inscritos no processo seletivo da Secretaria Municipal de Educação (Edital 03/2018), que foi revogado pela Prefeitura, podem escolher se desejam participar desta nova seleção (realizando nova inscrição) ou querem solicitar a devolução da taxa. A escolha deve ser feita no site do Instituto Selecon, na página do novo processo seletivo - Edital 006/2018, onde os inscritos poderão optar por transferir o crédito da inscrição antiga para efetivar inscrição no novo processo seletivo ou solicitar a devolução. Todas as informações estão no site do Instituto Selecon (selecon.org.br).
Processo Seletivo - Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá