quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Cursos de graduação da Unemat reservarão 5% das vagas para indígenas

A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) reservará 5% de todas as vagas oferecidas nos seus cursos de graduação, a partir do próximo vestibular organizado pela Instituição, para indígenas. Com isso, a Unemat passa a destinar vagas para negros ou pardos, índios e alunos de escola pública nos cursos de graduação. A medida foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) na sessão ordinária realizada nos dias 22 e 23 deste mês em Cáceres.
Com a aprovação da resolução que institui a Política de Ações Afirmativas da Unemat, a população indígena poderá concorrer em vagas específicas em todos os cursos de graduação da Instituição. A Unemat, já oferece há mais de uma década cursos específicos e diferenciados exclusivamente para indígenas, mas são cursos de licenciaturas oferecidos no câmpus de Barra do Bugres.
Para concorrer às vagas destinadas aos indígenas, os candidatos deverão se autodeclarar índios e, no ato da matrícula, apresentar uma declaração da comunidade indígena reconhecendo-o como integrante da etnia/povo indígena.
A criação de um programa de ação afirmativa que atende aos povos indígenas, amplia a integração e valoriza essa comunidade, dando acesso ao ensino superior em cursos não apenas de licenciaturas, mas também de bacharelados. No caso da política de cotas na Unemat nos cursos de graduação serão reservados os seguintes percentuais: 5% para indígenas, 25% para negros ou pardos, 30 % para alunos de escola pública e 40% para ampla concorrência.
No caso de ingresso nos cursos da Unemat por meio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), adotado pela Unemat para o ingresso nos primeiros semestres de cada ano, a distribuição de vagas para os ingressantes em cursos com oferta de vagas em números de 30 ou 50 irão seguir o arredondamento adotado pelo sistema específico do Ministério da Educação (MEC).




http://www.mt.gov.br/-/5322294-cursos-de-graduacao-da-unemat-reservarao-5-das-vagas-para-indigenas

Relator apresenta no dia 30 parecer sobre MP do Ensino Médio

Em audiência na comissão mista, debatedores divergiram sobre pontos como carga horária, ensino integral e capacitação de professores
Debatedores divergiram nesta quarta-feira (23) sobre a reforma no ensino médio (MP 746/16) em reunião da comissão mista que discute o assunto.
O parecer do relator, senador Pedro Chaves (PSC-MS), deve ser apresentado ao colegiado na próxima quarta-feira (30).
Para o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Ricardo Chaves Martins, a retirada da obrigatoriedade de artes e educação física do currículo do ciclo médio, uma das polêmicas do texto, não altera o que previa a Lei de Diretrizes Bases da Educação Nacional (LDB).
Ele explicou que, apesar de classificar como obrigatórias, a lei não definia carga horária mínima e metodologia para essas disciplinas, o que, na prática, tornava o ensino discricionário. “O fato de ficar como estava na LDB não alteraria em nada o caráter de flexibilidade da reforma”, frisou.
Mas ele ressaltou que a situação é diversa em relação a sociologia e filosofia. Na legislação anterior à MP, essas disciplinas eram obrigatórias em todos os anos do ensino médio.
Ensino integral 
O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps, por sua vez, disse que a MP falha ao não prever investimentos em infraestrutura. Como exemplo, ele citou Santa Catarina, onde a estimativa era ampliar o ensino integral para 30 escolas e 14 mil alunos, mas até o momento a medida alcançou 14 escolas, que foram selecionadas justamente por já contar com infraestrutura.
Na avaliação do consultor Ricardo Martins, a proposta para educação integral, que atualmente abrange 572 escolas no País, terá efeito inicial modesto. “ O percentual de alunos do ensino médio abrangido por esse programa de incentivo vai ser muito baixo – passará de 3,8% para 9,5% do total de estudantes”, disse.
Já o professor João Batista Araujo e Oliveira, do Instituto Alfa e Beto, disse não ver sentido no aumento de carga horária. “É preferível ter mais recursos e aulas melhores do que essa fúria por expansão em nome não sei de quê”, criticou.
De acordo com o professor, nenhum país adota a carga de 800 horas, e a média é de 183 horas nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Notório saber
Na visão da coordenadora da Rede Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, Maria Helena Kruger, a MP “privatiza” o currículo dos professores ao permitir que técnicos lecionem na educação profissionalizante.
“A formação do professor de ensino médio é por disciplina. Quando dizemos que basta ter notório saber para ser professor voltamos ao século passado”, reclamou, ao salientar que 50% dos docentes da rede pública são contratados em caráter provisório.
O deputado Thiago Peixoto (PSD-GO) refutou os argumentos. Segundo ele, a iniciativa privada pode contribuir para solucionar a carência de docentes. “O notório saber precisa obedecer a critérios, mas não se pode limitar que o conhecimento chegue ao aluno apenas por meio do professor, seria irreal”, disse.
Para a deputada Dorinha Seabra Resende (DEM-TO), se o notório saber for mantido no texto, caberá aos conselhos nacional e estaduais de Educação regulamentar o assunto.  "A medida provisória“não é artifício para retirar a importância dos professores”, avaliou.
Ensino técnico 
Professor e autor do livro “O Nó do Ensino Médio”, Moacir Alves Carneiro pediu mais clareza sobre a aprendizagem técnica. As diretrizes pedagógicas são “confusas” e não preveem acompanhamento qualificado, afirmou.
“Nos Estados Unidos, verificou-se que a liberdade para o aluno montar o currículo resultou em um ensino tão difuso que se perdeu o foco", disse o professor, que sugeriu a adoção de currículo mínimo.
Ministros A comissão mista volta a se reunir na próxima semana para ouvir o ministro da Educação, Mendonça Filho, e ex-chefes da pasta, entre eles Fernando Haddad e Aloizio Mercadante.  


ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição - Rosalva Nunes


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http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/519930-RELATOR-APRESENTA-NO-DIA-30-PARECER-SOBRE-MP-DO-ENSINO-MEDIO.html

World Voice: Professores da rede pública participam da segunda etapa de projeto de musicalização

Angélica Moraes SEC-MT 
O World Voice assegura, a crianças e jovens, a oportunidade de usar o canto como ferramenta de desenvolvimento humano. - Foto por: Mayke Toscano/GCom-MT

Acontece nesta quinta (24) e sexta-feira (25.11), na Escola Estadual José Leite de Moraes, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, a segunda fase do workshop com os educadores participantes do programa World Voice, realizado pelo Governo de Mato Grosso por meio das secretarias de Cultura (SEC) e de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) em parceria com o Conselho Britânico.
Professores da rede pública que participaram da primeira fase, em março deste ano, desenvolvem as atividades nos períodos matutino e vespertino, sob orientação de Paulo Bezulle, músico e master training do World Voice Brasil, de São Paulo. Ele é responsável por acompanhar os cerca de 30 educadores que participam do projeto em Cuiabá. “Este é um trabalho muito mais abrangente onde os professores poderão difundir a aula de canto como processo da pedagogia”, explica.
Desenvolvido pela primeira vez em Mato Grosso, o World Voice fomenta a utilização da música em sala de aula e assegura, a crianças e jovens, a oportunidade de usar o canto como ferramenta de desenvolvimento humano.
Esta é a segunda edição brasileira do programa, que aconteceu pela primeira vez, como projeto piloto, em São Paulo no ano passado. O projeto envolve educadores e professores de canto altamente qualificados, com uma programação que inclui workshops, performance e a formação de professores na metodologia do World Voice. Estes se tornarão multiplicadores aptos a ensinar a metodologia para outros professores de outras escolas permitindo, assim, a expansão do programa no estado.
Esta edição do World Voice em Mato Grosso inclui os módulos de Aquecimentos estratégicos, Ensinando canções, Vocalidade e Sonoridade. As próximas edições, em dezembro e janeiro de 2017, englobam também os módulos de Prática Criativa e Improvisação.
Conselho
O British Council é uma organização internacional do Reino Unido que tem a missão de criar oportunidades educacionais e relações culturais com outros países. Está presente em seis continentes e em mais de 100 países. No Brasil atua desde 1945 com programas e serviços no idioma inglês, educação, sociedade e artes.
Começou há três anos a desenvolver o World Voice e está presente em 12 países, orientando professores a usar o canto como uma opção de agregar valor e criatividade ao conteúdo programático tradicional.
Além da sonoridade, ritmo e movimentos corporais, o programa desenvolve outras características nos participantes como a concentração, foco, persistência e liderança. Além disso, a sociabilidade e a capacidade de respeitar, observar, ouvir e aprender com o outro também são resultados positivos alcançados com o programa.


http://www.mt.gov.br/web/sec/-/5316967-professores-da-rede-publica-participam-da-segunda-etapa-de-projeto-de-musicalizacao

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Escolas Técnicas: Secitec abrirá processo seletivo para cadastro de reserva de professores



A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secitec) lançou o Processo Seletivo Simplificado de Professores, para compor o cadastro de reserva de oito Escolas Técnicas Estaduais de Educação Profissional e Tecnológica (ETE’s). As inscrições serão abertas no próximo dia 1º de dezembro e terminarão no dia 7 do mesmo mês. Os salários vão de R$ 2.031,03 a R$ 8.124,11.

O edital pode ser conferido no site da Secitec por meio deste link. O Formulário de Inscrição também estará disponível na página eletrônica da secretaria no período de 01/12/2016 a 07/12/2016. Todos os itens deverão ser preenchidos e entregues juntamente com os documentos relacionados na respectiva Escola Técnica pela qual o candidato pretende concorrer.
O processo é para atender as escolas técnicas de Alta Floresta, Barra do Garças, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Poxoréu, Sinop, Rondonópolis e Tangará da Serra, bem como as Unidades Fora da Sede a elas vinculadas. O prazo de validade do Processo Seletivo Simplificado será de um ano, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, a critério da administração.
A jornada de trabalho será de 20, 30 ou 40 horas semanais, conforme a necessidade da Escola Técnica, podendo também ser convocado para lecionar nos cursos Fora de Sede e, dentre as ETE’s, localizadas em outros municípios.
A seleção levará em conta o somatório da pontuação da prova de título, avaliação curricular e prova de desempenho didático. E a remuneração equivalente ao nível inicial da classe, de acordo com a titulação na qual candidato estiver enquadrado.
Segundo o edital, no dia 10 de dezembro serão publicadas as notas da prova de títulos, avaliação curricular e divulgação do tema para prova de desempenho didático. as provas serão realizadas nos dias 12, 13, 14, 15 e 16 do mesmo mês em três horários diferentes.
Conforme o cronograma, as notas das provas de desempenho serão divulgadas no dia 19, enquanto o resultado final será publicado no dia 22 de dezembro.
De acordo com o edital, os candidatos não poderão se inscrever em mais de um dos perfis profissionais na mesma Escola, sob pena de cancelamento das duas inscrições. Estão impedidos de participar deste processo seletivo os integrantes das Comissões Locais e Central do Processo Seletivo Simplificado, funcionários da Secitec, diretamente relacionados com a atividade, bem como cônjuges, conviventes, pais, irmãos e filhos.


http://www.mt.gov.br/-/5312747-secitec-abrira-processo-seletivo-para-cadastro-de-reserva-de-professores

Comissão que analisa MP do Ensino Médio realiza debate nesta tarde



A Comissão Especial que analisa medida provisória sobre a reforma do ensino médio (MP 746/16) realiza audiência pública hoje para debater o assunto. O relator da MP, senador Pedro Chaves (PSC-MS), pretende ouvir cerca ainda neste mês cerca de 40 convidados, divididos em grupos de oito pessoas.

A MP alterou regras curriculares e de funcionamento do ensino médio e recebeu 568 emendas de parlamentares. A proposta cria a Política de Fomento à Implantação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral e eleva a carga horária mínima anual, progressivamente, das atuais 800 horas para 1.400 horas.

A comissão mista é presidida pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) e tem o senador Elmano Férrer (PTB-PI) como vice-presidente. O relator revisor é o deputado Wilson Filho (PTB-PB).

Foram convidados:
- o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps;
- o consultor Legislativo da Câmara dos Deputados, Ricardo Chaves Martins;
- o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araujo e Oliveira;
- o presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, Marcelo Bender Machado;
- a coordenadora de Educação Básica e Superior da Rede Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, Maria Helena Kruger;
- o professor Moaci Alves Carneiro;
- o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Mozart Neves Ramos; e
- o pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman.
O debate será realizado a partir das 14h30, no plenário 6 da ala Nilo Coelho, no Senado. 


Da Redação - RL

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http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/519854-COMISSAO-QUE-ANALISA-MP-DO-ENSINO-MEDIO-REALIZA-DEBATE-NESTA-TARDE.html

Mais de um terço de alunos LGBT sofreram agressão física na escola, diz pesquisa

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Estudantes lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) relatam que são agredidos dentro das escolas e que isso atrapalha o rendimento nos estudos. Alguns inclusive declaram que já cogitaram tirar a própria vida por causa das agressões. De acordo com pesquisa divulgada hoje (22), 73% foram agredidos verbalmente e 36% foram agredidos fisicamente.

Os dados são da Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil 2016 - As experiências de adolescentes e jovens LGBT em nossos ambientes educacionais, apresentada na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. O relatório foi elaborado pela Secretaria de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Ausências e baixo rendimento

Entre aqueles que sofrem agressões verbais frequentemente ou quase sempre por causa da orientação sexual, 58,9% faltaram às aulas pelo menos uma vez no último mês. Entre aqueles que sofrem agressões por conta da identidade de gênero - por serem travestis ou transexuais - , 51,9% faltaram às aulas.
Em relação ao desempenho, os estudantes que são alvo menos frequente de preconceito relatam obter notas melhores do que aqueles que são vítimas da discriminação com mais intensidade. Os que relataram sofrem agressões pela orientação sexual ou pela identidade ou expressão de gênero "nunca, raramente ou às vezes", cerca de 80% disseram ter recebido notas boas ou excelentes, entre 7 a 10 pontos. Os índices caem entre aqueles que sofrem agressões frequentemente ou quase sempre por orientação sexual (73,5%) e expressão de gênero (72,4%).

Ao todo, foram entrevistados 1.016 estudantes LGBT de 13 a 21 anos que frequentaram a escola em 2015. Os dados foram coletados entre dezembro de 2015 e março de 2016 pelas mídias sociais - Instagram, Facebook e Twitter - e por email. A maior parte deles estuda em instituições públicas, 73,1%. Os demais estudam em escolas religiosas (6,5%) e outras instituições privadas (20,4%). Os estudantes não foram identificados, pois trata-se de uma pesquisa anônima.

"É importante deixar claro que não queremos privilégio, não queremos ensinar ninguém a ser gay, queremos cidadania, queremos ser respeitados", diz o secretário de Educação da ABGLT, Toni Reis. Segundo ele, o que mais impressionou na pesquisa foram os depoimentos colhidos. Um deles, reforça a fala de Reis: "Os estudantes LGBT precisam ser tratados como são os estudantes heterossexuais. Não queremos ser tratados de maneira privilegiada, nem queremos ser melhor que os outros". A frase foi dita por um estudante gay, de 17 anos, de São Paulo.

"Eu passei só a tirar notas baixas, parei de frequentar a escola, o que acabou fazendo com que eu reprovasse de ano", relatou uma estudante lésbica, de 16 anos, de São Paulo. 

Suicídio

A pesquisa constatou ainda que os estudantes LGBT que vivenciaram maiores níveis de agressão verbal devido à orientação sexual ou identidade de gênero tem probabilidade 1,5 vezes maior de relatar níveis altos de depressão. Alguns dos depoimentos de estudantes evidenciam também níveis mais baixos de autoestima e até mesmo desejo de cometer suicídio. 

Um estudante gay, de 17 anos, de Minas Gerais, disse em depoimento: "Penso em me matar quase todos os dias, não aguento mais ser chamado de viadinho na escola". Outra estudante, transexual, sem idade informada, do Rio Grande do Sul, reforça: "Obrigada por tudo, mas não vai ser agora a ajuda de vocês vai fazer eu parar de me cortar ou parar de querer morrer".

De acordo com os dados do levantamento, 60% dizem que se sentem inseguros na escola por serem LGBT.

Falta de preparo dos professores

Segundo a representante do Fórum Nacional de Educação (FNE) Olgamir Amância, que participou do debate, a formação dos professores é central para o combate de qualquer tipo de preconceito e agressão por identidade de gênero e orientação sexual. "A formação global que permite ver a sexualidade como importante dimensão humana não é trabalhada na formação de professores, a não ser por uma ou outra iniciativa de alguns programas", diz.

A pesquisa mostra que 60,9% dos participantes relataram que ficam muito à vontade ou mais ou menos à vontade para conversar com professores sobre questões LGBT. Metade fica à vontade para falar com pedagogos e 38,1% com diretor.

Segundo a maioria dos estudantes, 56,9%, as questões LGBT não foram abordadas na escola em 2015. Cerca de um quinto, 20,2% relatam que aprenderam questões positivas; 16,7%, questões negativas; e, 6,2%, positivas e negativas.

Na avaliação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), para reverter esse cenário, é preciso que os professores tenham uma formação com conteúdos específicos voltados para a diversidade sexual e que haja materiais pedagógicos para promover o respeito a todos sem distinção de qualquer característica pessoal. Além disso, diz que são necessários canais para que os estudantes possam denunciar as agressões. Entre outras medidas, a associação pede políticas públicas e leis para combater a discriminação contra a população LGBT. 

"Estamos trabalhando na elaboração de uma plataforma para a judicialização de casos graves. Há casos em que a União, estados e municípios se omitem. Vamos processar", diz o ativista Toni Reis. A entidade trabalha também em plataforma nacional de apoio para a prevenção de suicídio.

O Ministério da Educação (MEC) pretende lançar curso de direitos humanos para professores da educação básica, segundo o diretor de Políticas de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), Daniel de Aquino Ximenes, também presente na audiência. Serão módulos de estudo online nos quais os professores terão acesso a temas como racismo, homofobia e bullying. A intenção é que eles tenham subsídio tanto para lidar com essas questões na escola quanto para levar os temas para a sala de aula. Isso deve ocorrer em 2017.

Edição: Amanda Cieglinski

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-11/mais-de-um-terco-de-estudantes-lgbt-ja-foram-agredidos-fisicamente-diz

Procons lançam cartilha eletrônica com orientações sobre mensalidade escolar

Pais e responsáveis precisam ler atentamente o contrato
Assessoria Proconsbrasil/Procon-MT 

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Com a chegada do final do ano, muitas escolas particulares já estão enviando aos pais e alunos os novos contratos para 2017. E, claro, dúvidas surgem e para esclarecê-las, os procons de todo o país lançaram uma cartilha eletrônica que estará disponível nos sites e páginas das redes sociais dos órgãos se defesa do consumidor.
Na cartilha, os pais e alunos poderão ter informações sobre reajustes das mensalidades escolares, direitos dos alunos inadimplentes, que tipo de material pode ser exigido, entre outras informações importantes.
De acordo com a superintendente do Procon-MT, Gisela Simona Viana, “é preciso que os consumidores fiquem atentos aos seus direitos e deveres nessa relação e, sobretudo, que reclamem ao encontrar alguma irregularidade”.
Muitos pais acabam não reclamando por medo de algum tipo de retaliação em relação aos seus filhos. Nesses casos, aconselha-se que a reclamação seja feita de forma coletiva, com a reunião de vários pais, avalia a superintendente.
Acesse aqui a cartilha eletrônica. Ela também estará disponível no site www.procon.mt.gov.br .
Serviço
O Procon-MT é um órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e atende em sua sede estadual na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (do CPA), nº 917, Edifício Eldorado Executive Center – Bairro Araés, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, para registro de reclamações, audiências, consulta de processos e protocolo de documentos.
Nos postos de Ganha Tempo da Praça Ipiranga e do Várzea Grande Shopping, o atendimento ao público também é de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h. No posto da Assembleia Legislativa (AL), o atendimento é de segunda a sexta-feira, das 07h às 18h.
Outras informações podem ser obtidas pelos telefones 151 ou (65) 3613-8500.


http://www.mt.gov.br/web/sejudh/-/5307930-procons-lancam-cartilha-eletronica-com-orientacoes-sobre-mensalidade-escolar

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Várzea Grande: Comunidade escolar vai às urnas nesta sexta para eleger novos diretores


A prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer realiza na próxima sexta-feira, dia 25, mais uma eleição para escolha de diretores escolares para o triênio 2017/2019. Professores, servidores lotados nas unidades, pais e responsáveis, como também alunos do 6º ao 9º ano poderão votar e eleger gestores para 59 escolas da rede pública municipal de ensino.
O processo de eleição direta cumpre o dispositivo da Lei Municipal 2380/2001 que trata da gestão democrática nas escolas. A votação estará aberta das 7h às 17h. Até às 21h do mesmo dia a secretaria espera estar com a apuração encerrada. A utilização de urnas eletrônicas não foi possível nesse pleito em razão de 2016 ser um ano eleitoral e por esta razão o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deve mantê-las guardadas por seis meses, após o processo eleitoral que nesse ano elegeu prefeitos e vereadores.
As eleições vão eleger diretores para 13 Centros de Educação Infantil (CMEI), 42 unidades urbanas e quatro unidades do campo, totalizando 59 escolas.
O secretário municipal, Sílvio Fidelis, explica que  desde agosto a comunidade escolar está mobilizada para a escolha dos novos gestores. “Acredito que a participação será bastante ampla e positiva na próxima sexta-feira. As escolas com mais de um candidato promoveram debates, expuseram suas propostas de trabalho”. Outro ponto positivo destacado pelo secretário é que a pedido das próprias escolas, a eleição será realizada na sexta-feira e não no domingo. “Vamos aproveitar a presença dos pais e responsáveis para que votem e façam parte desse processo da gestão democrática”, completa. As aulas não serão interrompidas no Município em função do pleito escolar.
Além de uma comissão central formada por técnicos da Secretaria, cada unidade escolar constituiu sua comissão interna e será ela a responsável pela lisura do pleito realizado por meio de cédulas. No dia da votação cada escola receberá o acompanhamento de um técnico da secretaria para legitimação dos resultados.
O secretário destaca ainda que a eleição direta é uma conquista da categoria e que faz parte da necessidade de democratização do ensino público. “Tenho certeza que os novos gestores serão pessoas comprometidas, criativas e inovadores para gerir a educação de Várzea Grande. No processo de votação haverá o acompanhamento por parte das comissões que foram criadas na garantia da lisura do processo. A eleição é uma oportunidade que as escolas têm de mostrar, principalmente aos alunos, como deve ser e como é importante o exercício do processo democrático”.
A secretária adjunta de Educação, Catarina Sena, reforça que cada um dos candidatos elaborou suas propostas com foco na melhoria e no avanço do ensino público municipal. “O plano de trabalho de cada um dos candidatos tem ação voltada à melhoria da qualidade de ensino e do aprendizado. Cada um deles conhece a realidade da sua unidade e sabe da importância que terá a partir do próximo ano letivo”.
O cronograma das eleições para a escolha dos diretores municipais, estabelecido por meio do Edital 02/2016, teve início no final de agosto com a publicação do edital e vai ser finalizado em 23 de janeiro de 2017 com a posse dos novos diretores.
A secretária adjunta conta ainda que todos os candidatos passaram por curso de capacitação relacionado à gestão escolar e à legislação.
A rede municipal é formada por 79 unidades e somente 59 terão eleições diretas nessa sexta-feira. As 20 restantes não irão participar do pleito. Isso se dá ou por falta de candidatos ou por as unidades não preencherem critérios estabelecidos na lei 2.380, como possuir apenas duas salas de aulas, nenhum professor efetivo ou inexistência de conselho escolar. Nesses casos, haverá a indicação de um professor (formação superior como todos os demais eleitos) por parte da Secretaria e com o aval do Executivo municipal.

Reporter
Marianna Peres
Foto
Divulgação
FonteSecom/VG 

http://www.varzeagrande.mt.gov.br/conteudo/16100

Bernardete Gatti: "Nossas faculdades não sabem formar professores"


ELA PERSEGUE RESULTADOS
Bernardete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas. Há 50 anos, ela se dedica ao estudo do aprimoramento dos professores  (Foto: Anna Carolina Negri/ÉPOCA)

 Uma das maiores pesquisadoras em Educação do Brasil diz que a mentalidade predominante nos cursos de pedagogia é anacrônica e não atende às demandas sociais do país


A professora Bernardete Gatti, de 74 anos, interessou-se por formação de professores na década de 1960, quando ninguém no país falava no assunto. Saiu pelo mundo em busca do conhecimento que ainda não existia aqui. Fez seu doutorado na Universidade de Paris, seguiu para o Canadá, para um pós-doutorado na Universidade de Montreal, e para os Estados Unidos, para outro pós-doutorado na área, desta vez na Universidade da Pensilvânia. Deu aulas de psicologia da educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Hoje, coordena as pesquisas da Fundação Carlos Chagas. Defende, sobretudo, que nenhuma formação de professores pode ser eficaz sem ênfase nas práticas de como ensinar – algo que não ocorre nas faculdades. Bernardete é a favor da criação de um exame nacional para professores, do aumento de salário, como peça-chave para mudar o perfil dos candidatos à profissão, e de avaliações constantes de professores, atreladas à remuneração.

ÉPOCA – O que falta na formação para professor?
Bernardete Gatti – 
O problema da formação de professores começa na faculdade. Os docentes de pedagogia e das licenciaturas – de matemática, língua portuguesa, biologia etc. – não sabem ensinar para quem dará aula. Isso porque eles mesmos não aprenderam como fazer isso. Para não dizer que a formação didática não existe, podemos dizer que ela é precária. A maioria dos futuros professores não aprende como lecionar. Não recebem na faculdade as ferramentas que possibilitarão que eles planejem da melhor forma possível como ensinar ciências, matemática, física, química e mesmo como alfabetizar. Muitos de nossos professores saem da faculdade sem saber alfabetizar crianças. É um problema grave.
ÉPOCA – Muito já se discutiu sobre como melhorar essa formação. Por que esses cursos não mudam?
Bernardete – 
A gente constata em entrevistas e em pesquisas com docentes das faculdades que eles não têm a noção de que estão formando um profissional da Educação, que vai para a sala de aula lidar com crianças e adolescentes. Eles trabalham para formar intelectuais e pesquisadores. Até certo ponto isso é importante. Mas essa é apenas parte da formação. É preciso focar também na prática social nas escolas. Dizer para os acadêmicos que eles têm de formar professores para a sala de aula chega a escandalizá-los. Muitos encaram essa questão como algo menor. Essa mentalidade vem de longe, lá dos séculos XVI, XVII. E até hoje prevalece. 
ÉPOCA – Quais são os exemplos que podem nos inspirar?
Bernardete –
 Há iniciativas bastante interessantes na Austrália, em alguns locais nos Estados Unidos, na França, na Bélgica e na Itália. Essas iniciativas têm em comum o fato de preservar a vivência em sala de aula do professor universitário. Aquele docente que formará o professor trabalha em pesquisa, dá aula na universidade, mas não perde o vínculo com o que ocorre na educação básica. Isso é importante porque, à medida que as coisas mudam – e tudo muda sempre –, o conhecimento muda e as relações educacionais também. As novas gerações trazem culturas diversificadas. Quem formará os professores tem de frequentar a educação básica para acompanhar esse movimento e manter-se em sintonia com as vivências escolares.
ÉPOCA – Os cursos de pedagogia e de licenciatura proliferam nas instituições de ensino superior. Os problemas mudam de acordo com o tipo de faculdade?
Bernardete –
 A maioria dos professores hoje é formada por instituições de natureza privada (80% deles). Em muitas delas, os cursos são encurtados  e, de certa maneira, aligeirados. Esse encurtamento não é permitido por lei. Ele ocorre porque as aulas podem ser substituídas por seminários culturais e atividades programadas. O problema é que esses eventos não são desenvolvidos a contento. Grande parte da formação é feita à distância. O aluno que passa por esse tipo de faculdade sai com precárias condições de entrar numa sala de aula. É despreparado, especialmente, para trabalhar com alfabetização. Por isso, vemos esses resultados de alfabetização problemáticos no país (13 milhões de pessoas não sabem ler e escrever. Uma em cada cinco crianças de 8 anos não lê).
ÉPOCA – Um professor precisa passar por um estágio obrigatório de 400 horas. Esse período é suficiente para dar a experiência de sala de que os professores precisam?
Bernardete –
 A questão principal é que essas 400 horas não são cumpridas como deveriam. A pesquisa de campo mostra continuamente que esses estágios são feitos a toque de caixa. Não há controle algum se as horas foram cumpridas, se o estudante estagiou mesmo ou se simplesmente a declaração de que ele estagiou foi assinada por alguma instituição que nunca o teve em sala de aula. As faculdades não providenciam convênios com escolas ou redes para fazer um projeto de trabalho dos estagiários junto aos professores da rede. Um complicador é que  60% dos cursos de pedagogia são feitos à distância. Nesse modelo, o estudante perde muito da relação com as crianças. Sem um programa de estágio estruturado, esse déficit na formação só aumenta.
ÉPOCA – Em carreiras como Direito e medicina, o aluno que conclui a faculdade tem de fazer um teste rigoroso que mostre que ele aprendeu o que precisa. Isso poderia ser aplicado também aos candidatos a professor?
Bernardete –
 Seria factível tanto para a pedagogia quanto para as licenciaturas ter um exame nacional para professores. Isso foi ensaiado na fase em que Fernando Haddad foi ministro da Educação (2005 a 2012), tanto que os pressupostos de um exame dessa natureza estão prontos lá no Inep (órgão do governo responsável pelas avaliações de Educação do país). Mas não foi adiante porque há muita resistência e interferência política em relação a isso. Não sei se essa seria uma solução. Mas um exame nacional como o da OAB seria  um indicador do nível de formação de nossos professores.
"Um exame nacional para professores como o da OAB seria um indicador do nível de formação de nossos profissionais"
ÉPOCA – É possível sanar o déficit de formação que os milhares de professores em serviço carregam?
Bernardete –
 Com esforço muito grande. Os alunos saem da faculdade para a sala de aula com uma formação tão precária que os esforços de especialização são punidos. O problema é que temos uma distorção. Como as faculdades são muito ruins, o que deveria ser uma especialização vira uma formação básica dada quando o professor já tem alunos em sala. A formação continuada deveria ser um aprimoramento, uma forma de enriquecer as aulas que ele já deveria saber conduzir. Isso não acontece. Então, bancamos cursos para formar alfabetizadores, cursos para dar iniciação em matemática, cursos para professores de ciências. Estados e municípios não têm condições de programar e de controlar o que é feito nessas formações continuadas, e os resultados educacionais continuam sendo bastante precários apesar de todo o dinheiro investido – que não é pouco.
ÉPOCA – O que tornaria essa carreira mais atraente?
Bernardete – 
Olha, muita gente já disse que maior remuneração não faz tanta diferença, mas eu sou contra. Para mim, remuneração é chave. Aumentar os salários é fundamental para valorizar a profissão, para trazer gente mais bem preparada para a sala de aula e para fazer os que já estão nela correr atrás de melhorar. Ninguém escolhe uma carreira só por ideologia. Você olha o que será seu futuro profissional. E a carreira do professor, em geral, não delineia um futuro muito bom. Ela cria uma armadilha. Para o professor avançar em termos de salário, ele é obrigado a deixar de ser professor para ser coordenador ou ser diretor. Tem de abandonar a sala. Isso ocorre justamente quando ele já tem experiência em dar aula. Acho que a carreira tem de dar incentivos para que ele se mantenha na sala. 
ÉPOCA – Qual sua opinião sobre a estabilidade? Ela compromete a qualidade?
Bernardete –
 Essa é uma discussão complexa. A vantagem da estabilidade é que se pode investir bastante no professor porque ele ficará na rede. Ela prejudica o desenvolvimento do profissional porque pode gerar muita acomodação. Agora, repito, num país como o nosso, a estabilidade é uma questão complexa, que tem de ser discutida em profundidade. Não dá para dizer: “Sou contra ou sou a favor e pronto”. Uma ação eficaz para garantir a estabilidade sem comprometer a qualidade é acompanhar com rigor o estágio probatório de três anos (até então o professor não tem estabilidade) e estabelecer pontos de passagem na carreira atrelados a aperfeiçoamento, aumento de qualidade da aula e remuneração.

http://epoca.globo.com/educacao/noticia/2016/11/bernardete-gatti-nossas-faculdades-nao-sabem-formar-professores.html

Aprovada obrigatoriedade de escolas divulgarem telefones de serviços de emergência em local visível

A Comissão de Educação aprovou proposta que obriga as escolas públicas e privadas a afixar, em local visível de suas áreas de acesso comum, cartaz com os telefones dos serviços públicos de emergência e de utilidade pública de sua respectiva jurisdição.
Reprodução/TV Câmara
dep. Jorge Silva
Dr. Jorge Silva: medida deve contemplar todas as unidades de ensino. 
O texto aprovado é o Projeto de Lei 3103/15, do deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), que recebeu parecer favorável, com emenda, do relator, deputado Dr. Jorge Silva (PHS-ES). O projeto original restringia a obrigação às escolas de ensino médio, de ensino técnico e de ensino superior. O relator acredita que a medida deve contemplar todas as unidades de ensino e propôs emenda nesse sentido.
“A medida é de fácil cumprimento e pode, de fato, representar importante meio de garantia da segurança e da saúde da comunidade escolar”, afirmou Silva.
Tramitação
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.


ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Lara Haje
Edição - Rachel Librelon













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http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/519678-APROVADA-OBRIGATORIEDADE-DE-ESCOLAS-DIVULGAREM-TELEFONES-DE-SERVICOS-DE-EMERGENCIA-EM-LOCAL-VISIVEL.html

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Londrina faz "concurso" para secretário de Educação; 129 se inscreveram

Rafael Moro Martins
Colaboração para o UOL, em Curitiba





O processo seletivo que irá, segundo o prefeito eleito Marcelo Belinati (PP), definir o secretário da Educação de Londrina (381 km ao norte de Curitiba) recebeu 129 inscrições. Deles, 70 vivem na cidade, mas há também "gente do Ceará, da Paraíba, do Mato Grosso, de São Paulo", comentou o político. O prazo terminou na terça-feira (15).

Belinati foi eleito no primeiro turno, com 51,57% dos votos válidos, e irá comandar pelos próximos quatro anos a cidade de 553.393 habitantes, segundo maior município do Paraná e o quarto do Sul do país.

"Será um processo semelhante ao da escolha de um CEO de uma empresa", prometeu o novo prefeito. "Haverá análise curricular, psicológica, se pessoa tem conhecimento da rede pública municipal de Londrina", elencou. "Serão selecionados de três a cinco nomes, submetidos a mim, que darei a palavra final."
 
A opção pelo "concurso" não foi uma promessa de campanha. "Veio depois [do resultado nas urnas]. Eu tinha a ideia de fazer isso para toda a administração. Mas priorizei a Educação", explicou. "Quero mudar essa lógica [da indicação política]."

"Nós inovamos em relação ao João [Dória, tucano que comandará São Paulo a partir de 2017] (risos). Espero que ele se inspire em nós (risos)", brincou Belinati. O político garante que não há custos "nem para a prefeitura, nem para os inscritos".

Questionado pelo UOL sobre o motivo de fazer o processo apenas para a escolha do secretário da Educação, e por que não o estendeu para, por exemplo, a Fazenda ou a Saúde, ele disse que o "processo de escolha é lento e demorado, mas não está descartado".
Apesar de a seleção estar em curso, Belinati disse não descartar nomeações políticas no lugar do candidato aprovado para o cargo. 
"Mesmo no processo seletivo [do secretário da Educação], a experiência em gestão pública será levada em conta. E não há [no acordo com a empresa que realiza a seleção, a Vetor Brasil] a obrigatoriedade expressa de que o nomeado deverá ser escolhido entre os finalistas", acrescentou.

"Tanto faz", diz sindicato

Presidente do Sindiserv (Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina), Marcelo Urbaneja não demonstrou empolgação com o método anunciado pelo prefeito eleito para escolher o secretário da Educação. "É uma ideia que ele teve, está dentro da prerrogativa dele, então ele faz como achar melhor. Não temos que opinar a respeito disso", afirmou.
"Para nós, é indiferente. Nem positivo, nem negativo. Quando [o novo secretário] for escolhido, teremos que negociar condições de trabalho, número de alunos em sala de aula, toda a pauta que temos, que será trabalhada com qualquer secretário", argumentou.
"Ele [Belinati] está procurando maneiras de inovar, achou que esse ato atenderia a esse propósito. Não vejo como [algo] marqueteiro. A Secretaria da Educação sempre foi a menina dos olhos [da cidade]: 100% dos professores têm nível superior, muitos têm pós-graduação, alguns têm mestrado", afirmou Urbaneja.
Segundo o prefeito eleito, Londrina tem mais de 40 mil estudantes na rede pública municipal, distribuídos em 116 escolas, 34 centros de educação infantil próprios e 53 conveniados. O presidente do sindicato informa que cerca de 3,8 mil professores trabalham para o município, mas "4,5 mil seria o número ideal."
"É uma proposta bastante ousada, e positiva. Vejo com bons olhos a tentativa de buscar talentos que trabalhem com Educação, para dar um impacto na área. Normalmente, se escolhe um professor bem preparado da casa, ou um indicado político, que não tem preparo para o cargo. Mas, com certeza, vai encontrar muita resistência", avaliou o consultor em educação Renato Casagrande, ex-pró-reitor Acadêmico e de Planejamento e Avaliação na Universidade Positivo, em Curitiba.
"Se o prefeito eleito não for capaz de convencer os professores de que a estratégia dele vale a pena, vão lhe puxar o tapete. Se o secretário não mostrar a que veio, o projeto fracassa. E, muito importante, precisa ter estratégia de implantação [do novo modelo de administração], não basta apenas a novidade na escolha [do secretário]", argumentou.

Sobrenome famoso

Marcelo Belinati carrega consigo um sobrenome famoso em Londrina. O tio dele, Antonio Belinati, um ex-radialista, foi prefeito da cidade por três vezes entre as décadas de 1970 e 90. No terceiro mandato, foi alvo de acusações de desvio de dinheiro público, nepotismo, enriquecimento ilícito e fraude de licitações, entre outras irregularidades.
"Devido às acusações, foi afastado três vezes do cargo e, em 23 de junho de 2000, foi cassado pela Câmara Municipal de Londrina por 14 votos a seis. Após a cassação, o Tribunal de Contas do Paraná (TCE/PR) rejeitou a prestação de contas referente à sua gestão na prefeitura nos anos de 1997 e 1998, apontando gastos irregulares de cerca de 113 milhões de reais. Em 2001, foi preso duas vezes. Após ser libertado, voltou a comandar um programa de rádio", registra o verbete sobre ele no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas.
Apesar disso, Antonio Belinati seguiu um político popular na cidade. Candidatou-se para um quarto mandato, em 2004, mas perdeu. Em 2008, venceu nas urnas, mas teve o registro cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não tomou posse. A mulher dele, Emilia Belinati, foi vice-governadora entre 1995 e 2003, sob Jaime Lerner (sem partido, então no DEM). Um filho do casal, Antonio Carlos Belinati, primo de Marcelo, o prefeito eleito, foi deputado estadual.
Procurado pela reportagem, Antonio Belinati decidiu não comentar as acusações.
O processo de seleção será realizado em parceria com a Vetor Brasil, ONG que informa em seu site a missão de "desenvolver talentos e práticas no governo para oferecer serviços públicos de qualidade a quem mais precisa". A companhia tem apoio, dentre outros, da Fundação Lemann, do multimilionário Jorge Paulo Lemann.






http://educacao.uol.com.br/noticias/2016/11/18/londrina-faz-concurso-para-secretario-de-educacao-129-se-inscreveram.htm

Declaração para um novo ano

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