sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Brasil tem mais de 60% de alunos do 4º ano fracos em leitura e matemática

Estudo da Unesco avaliou o desempenho de alunos do ensino fundamental.
No 7º ano, 84% têm conceitos de 'muito ruim' a 'regular' em ciências.




Um estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) divulgado nesta quinta-feira (4) mostra que no Brasil mais de 60% dos alunos do quarto ano do ensino fundamental têm desempenho entre muito ruim e regular em leitura e matemática.
Já em ciências, a avaliação foi feita com alunos do sétimo ano e diagnosticou que 84% dos estudantes têm desempenho de muito ruim a regular, ou seja, cinco em cada seis alunos têm desempenho fraco, e somente um a cada seis tem desempenho bom ou muito bom em ciências.
O Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce) avaliou o desempenho em matemática, leitura e ciências naturais de 134 mil estudantes do quarto e do sétimo ano de 3.200 escolas do Brasil e de mais 14 países da América Latina: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e o estado mexicano de Nuevo Leon.
Segundo o estudo, no Brasil, 64,26% dos estudantes do quarto ano ficaram entre muito ruim (2,60%), ruim (17,19%) e regular (44,47%) em leitura. Os outros 35,74% ficaram entre bom e muito bom. O desempenho dos alunos do sétimo ano foi melhor, com 50,7% entre muito ruim e regular em leitura.
Já na avaliação de matemática, 61,40% dos alunos do quarto ano ficaram entre muito ruim (3,47%), ruim (25,82%) e regular (32,11%). Os outros 38,20% ficaram entre bom e muito bom. Já no sétimo ano, menos da metade dos alunos avaliados (48,38%) ficou entre muito ruim (0,30%), ruim (9,32%) e regular (38,68%). A maioria dos alunos do sétimo ano ficou entre bom e muito bom em matemática.
VEJA O DESEMPENHO DO BRASIL EM LEITURA, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
AVALIAÇÃO EM LEITURA AVALIAÇÃO EM MATEMÁTICA AVALIAÇÃO EM CIÊNCIAS
CONCEITO4º ano7º anoCONCEITO4º ano7º anoCONCEITO7º ano*
Muito ruim:2,60% 0,27%Muito ruim:3,47%0,30%Muito ruim:5,20%
Ruim:17,19%11,26%Ruim:25,82%9,32%Ruim:34,45%
Regular:44,47%35,42%Regular:32,11%38,68%Regular:44,69%
Bom:31,21%31,67%Bom:21,72%41,63%Bom:14,20%
Muito bom:4,53%35,27%Muito bom:16,89%10,07%Muito bom:1,46%
(*) Obs: Não foi feita avaliação em ciências para o 4º ano do ensino fundamental
Fonte: TERCE/Unesco









Já o desempenho em ciências mostra um grave problema de aprendizado nos alunos do ensino fundamental.  Apenas 15,66% dos estudantes conseguiram conceitos bom e muito bom. A grande maioria (84,34%) ficou entre muito ruim (5,20%), ruim (34,45%) e regular (44,69%).
Segundo nota técnica do Instituto Nacional Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o estudo Terce "é uma etapa no processo educacional no qual políticas públicas baseadas em evidências, constatadas de forma sistemática, podem fazer a diferença para o futuro de alunos provenientes de entornos vulneráveis, buscando assim a equidade do sistema".

Enfim!!!! Resultados de proficiência da Prova Brasil 2013 são divulgados

Clique na figura para acessar o sistema on line

A Prova Brasil tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas das redes públicas, produzindo informações sobre os níveis de aprendizagem em Língua Portuguesa (Leitura) e em Matemática e fornecendo resultados para cada unidade escolar participante. Os boletins desta edição, disponíveis em sistema on-line, ainda apresentam indicadores contextuais sobre as condições em que ocorre o trabalho da escola e as médias de desempenho de "Escolas Similares", que expressam os resultados de um grupo de escolas com características semelhantes às de cada escola.
Os dados apresentados visam servir de subsídio para o diagnóstico, a reflexão e o planejamento do trabalho pedagógico da escola, bem como para a formulação de ações e políticas públicas com vistas à melhoria da qualidade da educação básica.
Para auxiliar na análise dos resultados, está disponível Nota Explicativa da Prova Brasil 2013. O documento apresenta as normativas, a metodologia, os processos de aplicação, o cálculo dos resultados de desempenho e de divulgação da Prova Brasil 2013, bem como comentários sobre a contextualização e a análise dos resultados.
Também estão disponíveis documentos que fundamentam os indicadores contextuais da Prova Brasil 2013 e o grupo das "Escolas Similares". São eles:
Em caso de dúvidas, contate o Inep pelo e-mail cadastro.provabrasil@inep.gov.br

http://portal.inep.gov.br/web/saeb/resultados-2013

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Veja o Relatório de Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem - Talis


O Relatório Nacional da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) de 2013 foi apresentado na terça-feira, 2, a pesquisadores e representantes das secretarias estaduais de educação, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A novidade, em relação ao relatório internacional, divulgado em junho deste ano, foi a publicação do material nacional produzido pelo Inep, com análises comparativas entre os países participantes da pesquisa e entre as unidades da federação. A publicação desse material tem por objetivo principal contribuir para a elaboração de políticas públicas na área.
"Os problemas educacionais exigem reflexões sofisticadas, nós não teremos boas soluções se não tivermos bons estudos. A Talis nos permite comparação internacional, o que é essencial no avanço científico", afirmou o presidente do Inep, Chico Soares. "Durante muitos anos, a educação brasileira podia ser descrita por apenas uma taxa, a de analfabetismo. Rapidamente, com o tempo, mudamos essa situação e fomos precisando de outros indicadores", destacou ainda o presidente do Inep.
A pesquisa, amostral, contou com a participação de 14.291 professores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e respectivos diretores escolares,
A Talis contou com a participação de 34 países e foi coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No Brasil, a pesquisa é organizada pelo Inep, que também produziu o relatório nacional da pesquisa. O documento contém aspectos relacionados ao perfil de professores e diretores; formação docente; ambiente de ensino e aprendizagem, incluindo o clima escolar, práticas pedagógicas e processos de avaliação.
Os dados gerais, incluindo o relatório nacional, tabelas com resultados desagregados por estado, mapas e microdados, estão disponíveis no site da pesquisa.
Assessoria de Comunicação Social do Inep
http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/inep-apresenta-relatorio-nacional-da-pesquisa-talis?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

O currículo está nas ruas

Pesquisador espanhol Jaume Martínez Bonafé defende nova leitura das ruas para que cidadãos valorizem cidades

Por Ana Luiza Basilio, do Portal Aprendiz
A rua é uma aula, uma lousa, um lugar onde se escreve. Não é apenas parte do caminho percorrido até o museu, o centro cultural ou a escola. A rua também ensina e precisamos aprender a ler as mensagens que ela emite. Essa é a provocação feita pelo pesquisador Jaume Martínez Bonafé aos educadores brasileiros durante sua passagem por Belo Horizonte (MG). O espanhol, docente na Universidade de Valência, defende que é preciso superar a concepção de uma escola articulada com seu entorno e adotar a cidade toda como currículo.
“Proponho que exploremos a ideia da cidade fazendo currículo. Há milhares de situações construindo constantemente significados. Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal.”
Jaume Bonafécrédito Halfpoint / Fotolia.com

Segundo ele, para colocar em prática essa visão, é preciso admitir que há um currículo fora da escola, que pode ser construído a partir das diferentes experiências e práticas culturais, e levando em conta as inúmeras formas de entender e vivenciar o mundo. “Se nos ensinassem a ler a rua de outra maneira, muito provavelmente, seríamos cidadãos diferentes, saberíamos valorizar as praças e as cidades a partir de um outro olhar.”
Além de deslocar a aprendizagem para fora das instituições de ensino, a proposta de Bonafé convoca urbanistas, engenheiros, prefeitos, secretários, comunicadores, a sociedade como um todo, a refletir sobre quais mensagens as cidades que projetamos e vivemos passam para as crianças desde a mais tenra idade. É o chamado “texto da cidade” que, em sua opinião, urge ser transformado.
“É necessário intervir nesse texto da cidade, a partir de uma outra pedagogia – que não cabe só aos educadores, mas também aos prefeitos, às pessoas que têm responsabilidade na gestão municipal.”
Para entender como a cidade pode ser tomada pela educação enquanto currículo, o Portal Aprendiz conversou com Bonafé, após sua palestra no I Seminário Internacional de Educação Integral, realizado pelo Territórios, Educação Integral e Cidadania (TEIA) da UFMG, entre 5 e 7 de novembro.
Portal Aprendiz: Como se dá a construção do currículo na rua?
Jaume Martínez Bonafé: Minha hipótese de trabalho é que agora estamos pensando o currículo apenas dentro da escola. O currículo é o conjunto de significados que a escola articula, dentro de seus objetivos específicos, para dizer ‘isto é o que você tem que aprender, assim você vai ser uma pessoa útil’. Este é um pouco o seu discurso institucional.
Eu creio que também há um currículo fora dela. Há uma prática cultural que gera significados, formas de subjetivação e formas de entender o mundo e de compreender-se nele que têm a ver com as experiências vividas na cidade. Minha proposta de trabalho parte da cidade como currículo. Portanto, teríamos que analisá-la como formadora de práticas, experiências, relações e materialidades que vão articulando uma forma de entender a cultura e de se entender como parte dela.
A questão é: quem escreve o texto na cidade? Minha hipótese é que hoje o texto da cidade é a pedagogia do capitalismo, mas há também outras linguagens, outros significados, outras práticas sociais que têm a ver com os movimentos sociais e com um currículo contra-hegemônico.
“Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal”
Aprendiz: E como crê que a escola pode dialogar com estes elementos?
Bonafé: São coisas diferentes. Na minha conferência, eu quis diferenciar de uma proposta pedagógica bastante antiga e vinculada aos projetos de inovação, que diz que a escola tem que sair para o entorno, pesquisá-lo, explorá-lo. Portanto, suas matemáticas, histórias e geografias devem contemplar o entorno no trabalho pedagógico, mas eu não falo disso. Acho que, com isso, a escola não rompe com o currículo tradicional. O que faz é oxigená-lo, não para discutir a rua, e sim para que as matemáticas, histórias e geografias possam se fazer mais próximas ao sujeito, aproximando-as da rua.
O que eu digo é que o currículo está na rua e devemos investigá-lo. Vamos entender o que significam as grandes avenidas, os centros comerciais e as praças; qual o significado para as crianças ou para as pessoas mais velhas, para os homens ou mulheres, para negros e para os brancos. Vamos ver quais significados se constroem na cidade e nos dar conta de que em uma cidade há muitas cidades, interpretadas segundo o mundo de cada um.
Proponho que exploremos a ideia da cidade fazendo currículo. Há milhares de situações que estão construindo constantemente significado. Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículo e devem ser estudados como tal.
Aprendiz: Na Espanha, alguma experiência segue esse caminho?
Bonafé: Este é um conceito novo. Há algumas experiências, como na minha faculdade, onde trabalho com meus estudantes, mas o tema ainda é muito incipiente.
Aprendiz: Como as políticas públicas podem dialogar com isso?
Bonafé: É preciso que haja tamanho comprometimento de uma prefeitura com a pedagogia política, pública e social que isso possa influenciar em sua gestão. Uma possibilidade, por exemplo, seria intervir sobre o modo por meio dos quais os cidadãos se convertem em machistas. Isso não pode depender só da vontade do comércio que vende a roupa ou do publicitário, entende? É preciso um debate político e pedagógico.
É necessário intervir nesse texto da cidade, a partir de uma outra pedagogia – que não cabe só aos educadores, mas também aos prefeitos, às pessoas que têm responsabilidade na gestão municipal.
Por exemplo, eu sei que uma cidade necessita da circulação rápida de automóveis, mas penso que quem desenha os entornos do urbanismo social deveria se dar conta de que com isso nos passam a seguinte mensagem: “você vive em um mundo de pressas e, além disso, é insignificante ao lado dos carros, posto que até os semáforos são todos pensados para eles”. Isso é um texto pedagógico. Estão nos dizendo, desde pequenos, que nas cidades em que vivemos a pressa é fundamental. Acredito que os urbanistas também têm a responsabilidade de propor que o desenho dos entornos urbanos contemple uma outra maneira de entender os sujeitos.
De modo geral, nós não fomos formados para as relações que se dão com os espaços. Tampouco a escola nos ajuda a nos pensar neles, pois também está distanciada do tempo e do espaço real, por estar concentrada em seus próprios arranjos de tempo e espaço.
“A cidade é um veículo. Precisamos colocar os dispositivos culturais dela nas mãos dos projetos educativos das escolas, fazê-la educadora nesse sentido”
Aprendiz: A rua é então um espaço de socialização?
Bonafé: A rua é uma aula, uma lousa, um lugar onde se escreve. É o melhor lugar onde se dita as mensagens, é um texto pedagógico. É muito interessante analisá-la a partir da pedagogia que se propõe. Se nos ensinassem a ler a rua de outra maneira, muito provavelmente, seríamos cidadãos diferentes, saberíamos valorizar as praças e as cidades a partir de um outro olhar.
Por exemplo, me contaram de uma cidade em que na região onde os edifícios são mais altos, viviam as pessoas mais ricas. Pra mim, isso mostra o quão analfabetos podem ser os ricos, posto que sempre será mais cômodo, mais habitável, viver em um lugar mais horizontal, com pouca densidade habitacional, do que em um prédio de 30 andares. Se isso é valorizado como melhor, pior para os ricos, não? Tudo isso são mensagens culturais. É melhor viver num prédio de 30 andares? Pra mim, não. Eu quero ter um jardim, cultivar uma horta.
Aprendiz: Algumas cidades são reconhecidas como cidades educadoras. O que pensa sobre elas?
Bonafé: É um conceito interessante, mas tampouco é o que estou falando. A cidade é um veículo. Precisamos colocar os dispositivos culturais dela nas mãos dos projetos educativos das escolas, fazê-la educadora nesse sentido. A cidade passa a contemplar a ideia de que suas instituições, sobretudo culturais, cumpram seus objetivos. Que os museus tenham material didático; que os hospitais tenham um projeto pedagógico também para as crianças que se hospitalizam ou para as pessoas, etc. Isso me parece bom, mas o que eu proponho é ir além dessa questão.
Aprendiz: Então, não basta ter o equipamento sem uma intenção pedagógica?
Bonafé: Claro. A cidade educadora não é só o museu, o teatro. A rua também educa. E este espaço é, digamos, “desproblematizado” do ponto de vista pedagógico. Mas, veja, é ele que o professor utiliza para conduzir a criança até o museu. Ou seja, é tão educativo quanto, mas passa uma outra educação, outro discurso, outra pedagogia.

http://porvir.org/porpensar/o-curriculo-esta-na-rua-devemos-investiga-lo/20141127

Escolas podem acessar resultado preliminar do ENEM 2013

Está disponível, na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o resultado preliminar, por escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Os dados estão à disposição exclusivamente das escolas, em sistema específico, em destaque no Portal Inep. Em caso de discordância, os dirigentes das unidades de ensino podem entrar com recurso, no prazo de até dez dias.
Os resultados finais do Enem por escola serão divulgados após a análise dos recursos. Os dados são calculados para os estabelecimentos de ensino que tenham matriculados, no mínimo, dez concluintes do ensino médio regular seriado e 50% de alunos participantes do Enem.
Consideram-se concluintes aqueles que cursam a terceira série do ensino médio, excluídos os do ensino não seriado, conforme os dados do Censo da Educação Básica de 2013.
Acesse aqui o resultado preliminar do Enem por escola. Para isso, é preciso informar o número do CPF do responsável pelo preenchimento do Censo Escolar na instituição e o código da escola.

http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/escolas-podem-acessar-resultado-preliminar-do-exame-de-2013?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Governo de MT publica decreto de feriados e pontos facultativos de 2015

Foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (02.12) o decreto nº 2.827, que estabelece os feriados e pontos facultativos, nacionais e estaduais, nas repartições públicas de Mato Grosso para o ano de 2015. Foram decretadas 19 datas na publicação assinada pelo governador Silval Barbosa, pelo secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, e pelo secretário de Administração Pedro Elias Neto. 

Ainda segundo o decreto, não haverá prejuízo na prestação dos serviços considerados essenciais, sendo que os dirigentes e responsáveis pelos órgãos definirão quais são esses serviços. Já os feriados municipais serão observados pelas repartições públicas em cada município. 

Veja a lista com os feriados e pontos facultativos. 

1º de janeiro (quinta-feira) Confraternização Universal – feriado nacional; 

16 de fevereiro (segunda-feira) - ponto facultativo; 

17 de fevereiro (terça-feira) Carnaval - ponto facultativo; 

18 de fevereiro (quarta-feira) Cinzas - expediente a partir das 13 horas; 

03 de abril (sexta-feira) Paixão de Cristo – ponto facultativo; 

20 de abril (segunda-feira) – ponto facultativo; 

21 de abril (terça-feira) Tiradentes - feriado nacional; 

1º de maio (sexta-feira) Dia do Trabalhador - feriado nacional; 

04 de junho (quinta-feira) Corpus Christi - ponto facultativo; 

05 de junho (sexta-feira) – ponto facultativo; 

07 de setembro (segunda-feira) Independência do Brasil - feriado nacional;
 
12 de outubro (segunda-feira) Nossa Senhora Aparecida - feriado nacional; 

28 de outubro (quarta-feira) Dia do Servidor Público - ponto facultativo; 

02 de novembro (segunda-feira) Finados - feriado nacional;
 
15 de novembro (domingo) Proclamação da República - feriado nacional; 

20 de novembro (sexta-feira) Consciência Negra - feriado estadual; 

24 de dezembro (quinta-feira) - ponto facultativo; 

25 de dezembro (sexta-feira) Natal - feriado nacional; 

31 de dezembro (quinta-feira) - ponto facultativo.

http://sad.mt.gov.br/index.php?pg=ver&id=2069&c=38

A relação dos alunos com o saber

Escrito por Tania Pescarini


Bernard Charlot, filósofo, professor emérito da Universidade Paris 8 e professor da Universidade Federal do Sergipe (UFS), nasceu na França, mas já está familiarizado com a realidade brasileira – atualmente passa boa parte do ano no Nordeste. Charlot conversou com a Gestão Educacional durante a Educar 2014, em que palestrou para professores e gestores de escolas de todo o país sobre a relação dos alunos com a escola e o saber.
Charlot estuda a relação das pessoas com o saber desde a década de 1980. Sua pesquisa – que ele trouxe ao Brasil há uma década – é referência para formadores de professores no mundo todo e fonte de reflexão sobre os problemas fundamentais da educação contemporânea. Um deles é buscar compreender qual é a posição subjetiva que o jovem ocupa na sociedade e como ela afeta o seu aprendizado e a escola. Afinal, pertencer à determinada classe social tem relação com o sucesso ou com o fracasso escolar? Confira na entrevista a seguir as opiniões do especialista.
Gestão Educacional: O que falta no sistema educacional brasileiro para que o aprendizado realmente ocorra com equidade?
Bernard Charlot: Para que o aprendizado ocorra, é preciso que o aluno estude. Digo isso porque [o aprendizado] pressupõe condições necessárias, mas não o suficiente delas [no Brasil]. Há países de primeiro de mundo – que têm muitos recursos – em que muitos alunos têm dificuldade [de apredizagem]. Quais são os problemas mais urgentes a serem resolvidos no Brasil? A qualidade do ensino fundamental – que hoje já é acessível a cerca de 98% dos jovens brasileiros. Outro problema: levar a cabo a implantação do ensino integral, tarefa que não será fácil. Em particular porque já tenho dados de pesquisa que revelam o que (alguns) alunos pensam: “Ah, vai ter escola todo dia, então terei que fugir todos os dias”. Na escola atual, os alunos não estão acostumados a ficar tempo integral, e o ensino verdadeiramente integral, com professores em tempo integral, demandará muito dinheiro. Outra questão fundamental é a do ensino médio. O Brasil tem só 55% dos jovens entre 15 e 17 anos, aproximadamente, matriculados nesse nível. [Destes,] entre 25% e 30% apresentarão algum atraso escolar e outros 20% simplesmente abandonarão a escola. Assim não dá. Na Coreia do Norte, cerca de 95% dos jovens estão no ensino médio. Portanto, precisamos de qualidade no ensino fundamental, ensino integral e ensino médio para todos. Resolver esses problemas não significa que todos serão bem-sucedidos. É fundamental que o aluno encontre na escola atividade, sentido e prazer.
O que o professor pode fazer para que o aluno aprenda mais e melhor?
Charlot: Precisamos sair dessa viciosidade entre a pedagogia tradicional e a construtivista. As condições em que o professor trabalha são as da pedagogia tradicional: fragmentação do tempo e do espaço, avaliações individuais etc. Ele [o professor] tenta abrir parênteses construtivistas. Eu mudo o problema e digo que a equação pedagógica é a seguinte: aprender = atividade do aluno + sentido + prazer. O professor deve verificar constantemente se o aluno tem ou não atividade intelectual. Em uma aula expositiva, não há problema que o aluno acompanhe de cabeça, sem anotações. Em um trabalho em grupo, o que vale é saber se o aluno refletiu, teve empenho intelectual. O trabalho em grupo é bom quando o aluno reflete, pois o importante não é a forma exterior, mas sim a atividade intelectual. E não há atividade intelectual se o aluno não sente prazer no que faz, no esforço. Não se aprende sem esforço, mas este pode conviver com o prazer. E precisa haver sentido. Quando o aluno não encontra sentido algum no que se ensina, não entende por que seria importante ou interessante aprender determinado conteúdo e, consequentemente, não vai aprendê-lo.
Como despertar a curiosidade intelectual do jovem?
Charlot: O que significa curiosidade intelectual? Hoje [os alunos] usam a escola para passar de ano e no vestibular e ir bem no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Diploma, trabalho, dinheiro para uma vida normal, essa é a realidade. Curiosidade intelectual todos nós temos quando temos um ou dois anos de idade. O problema é que a vida adulta, em sociedade, mata a curiosidade intelectual. Não se trata, portanto, de despertar a curiosidade intelectual, mas sim de normatizar essa curiosidade. Quando o aluno se vê forçado a aprender algo que não faz sentido para ele e o processo se resume a decorar, é claro que matamos a curiosidade intelectual. É necessário ensinar conteúdos que façam sentido e permitam [ao estudante] entender o mundo, que o façam se sentir mais inteligente.
O senhor aborda em suas pesquisas o mito do fracasso escolar. Como o medo do fracasso escolar afeta o aprendizado?
Charlot: Não é o medo do fracasso escolar que eu critico, mas sim o discurso generalizado sobre ele, como se o fracasso escolar fosse um monstro no fundo da sala, uma doença que irá acometer os alunos. O que proponho é um discurso que busque compreender o que está acontecendo. E o que acontece é que os alunos não estudam, já que quem estuda não fracassa. Resta saber por que não estudam, por que estudam ainda menos quando são jovens, e assim procurar saber como [os jovens] se mobilizam intelectualmente, o que os mobiliza, o que é importante saber e aprender em uma escola quando se vive em uma favela, por exemplo. O que é possível aprender na escola e que não é ensinado na favela é outra questão. Critico o discurso geral sobre o fracasso escolar e o determinismo, segundo o qual o pobre irá sempre fracassar. Cuidado. É claro que, para o aluno mais pobre, é mais difícil aprender na escola. A desigualdade social adentra a escola, mas existem alunos pobres que conseguem aprender.
Assim como há alunos de classe média que fracassam.
Charlot: Fracassam. Não é uma questão moral, e sim de entender o que se passa, o que dá sentido à vida do aluno e o que a escola oferece.
Qual é a relação entre a origem social da criança e seu aprendizado na escola?
Charlot: Origem social é importante, mas não determina completamente o resultado. Eu diferencio posição social objetiva de posição social subjetiva. Por exemplo, sua posição social objetiva é jornalista (uma profissão). Já sua posição social subjetiva implica o que significa, para você, ser jornalista. Sua atividade estará ligada à forma como você interpreta sua posição social objetiva. O melhor exemplo que ofereço é o do Lula [ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva]. Ele e seus irmãos deixam sua cidade natal rumo a São Paulo. O que vai acontecer? Do ponto de vista da posição social objetiva de Lula, não se sabe naquele momento. Ele até pode entrar para o tráfico de drogas. Mas Lula decidiu se formar profissionalmente, entrou para o sindicalismo e a vida política e se tornou presidente da República. E por que não podemos nos ater somente à posição social objetiva? Porque o que importa, como dizia [Jean-Paul] Sartre, é o que fazemos com o que a sociedade fez conosco.
O aluno de posição social menos favorecida espera algo diferente da escola do que o aluno de classe média?
Charlot: Depende. Há alunos que pensam que a escola não serve para nada ou que ela é para mulheres. Mais ou menos assim: “Sou homem, o que me interessa é esporte, briga, futebol e cerveja”. A escola não faz sentido nesse espaço. Há também alunos que a consideram sua única chance de se dar bem na vida. Quem nasce pobre tem menos oportunidades para transformar a própria vida. Há o tráfico de drogas, mas este mata cedo; há o sonho de se tornar um Neymar, de jogar futebol; e há a escola, que é a forma de mudar a vida. Portanto, vir de uma origem social popular pode tanto matar quanto desenvolver o desejo de aprender. Dependerá muito também do que acontece na própria escola. O efeito da origem social [sobre o aprendizado] depende da forma como o jovem é tratado na escola, em sua origem cultural e social.
O aluno de classe média também pode ver a escola de maneira utilitária para passar no vestibular.
Charlot: Pode fazer ainda pior: nem mesmo a usar de forma utilitária para passar no vestibular. Há alunos que desistem completamente. Iniciei uma pesquisa, na França, sobre o fracasso paradoxal dos filhos de classe média, que alimentam o sonho de fazer a vida nos negócios, no comércio. Conheci um [estudante] que pensava assim, já que seu pai também não havia ido à escola. Outro exemplo: o filho de classe média com pais sem tempo para ele. A família só se preocupa com o jovem no que se refere à escola, então os estudos se tornam uma ferramenta para ele chantagear, inconscientemente, os pais. Pensa: “Irão cuidar de mim se eu fracassar na escola”. A origem social sempre é importante, mas depende da forma como ela será vivenciada em uma escola.
A escola deve ou não educar para o trabalho?
Charlot: A escola é um lugar onde vive um ser social que precisará trabalhar um dia. O que ele aprenderá na escola será útil, de várias formas, para conseguir esse intento. Hoje uma cultura geral básica é fundamental no mundo do trabalho, visto que, em uma sociedade em que se muda de emprego várias vezes na vida, a boa cultura é uma garantia de adaptação a outros tipos de emprego. O ensino profissional e técnico também é importante, o problema é quando a escola só pensa nisso, quando o aluno não estuda e o pai e o professor dizem: “Você (o jovem) vai ser gari”. Como se essa fosse a única função da escola. A escola forma, humaniza. Nela aprende-se a ser humano de outro modo, a socializar, a encontrar outras pessoas. A escola também ajuda na construção do meu sujeito como sujeito singular. Vai ajudar a me construir de forma original. A melhor formação profissional é quando a escola faz todas essas coisas juntas.
Em muitos países, a lógica tecnicista afeta muito o currículo escolar. Isso prejudica?
Charlot: Sacrifica. Uma educação politécnica demais pode ser interessante, mas são sacrificadas outras coisas. O trabalhador não dispõe apenas de competências técnicas, mas também de diversas competências culturais e de comunicação, em particular em nossa sociedade moderna. O problema é incluir o trabalho como a única dimensão importante do ser humano, [quando, na verdade, ele é apenas uma delas].
A educação está se globalizando?
Charlot: A educação não está se globalizando nos ensinos fundamental e médio. Globalizar no sentido próprio da palavra. Observamos efeitos da internet no ensino básico, mas isso não é globalização. O ensino está se globalizando na educação superior, em que vemos os estudantes fazerem mestrado em Portugal, na Espanha etc. O problema atual ainda não chegou à globalização. Há indícios de que, por exemplo, as grandes empresas de ensino particular no Brasil tenham dinheiro norte-americano. Não é dinheiro brasileiro fundamentalmente. Isso é uma forma de globalização, a internet é uma consequência da globalização. Esta já entrou no ensino superior e há uma concorrência no mercado destinado às escolas de ensino superior, mas o ensino básico não está globalizado. Há também a parte negativa da globalização, que é organizar a concorrência de todos contra todos. A internacionalização é positiva caso desenvolva a comunicação e a solidariedade.
Como fica o modelo educacional brasileiro em relação ao francês? O que o Brasil pode aprender com o modelo francês de educação básica?
Charlot: O Brasil pode aprender [com a França] e o contrário também [é verdadeiro]. Não precisamos de um modelo que se proponha a imitar tudo do primeiro mundo. O que o Brasil precisa fazer é fortalecer o ensino público. Educação pública, educação à cidadania, é isso que na França se aprende, a escola francesa é a escola republicana, é uma escola que mistura as classes sociais no ensino fundamental e no ensino médio. Há escolas particulares e muitas delas são católicas e religiosas. Quase não há escolas particulares para ganhar dinheiro na França. Nas escolas católicas, 95% dos professores são pagos pelo Estado. Não existe, no Brasil, uma escola republicana que mescle tanto as classes sociais. Já na França, a escola enfrenta o problema da imigração.
Como o senhor avalia o fenômeno recente de democratização do ensino no Brasil, em que todas as classes sociais têm acesso à educação?
Charlot: É preciso distinguir democratização de massificação. Hoje assistimos à massificação do ensino. Há elementos de democratização, mas cuidado, pois o direito à educação não é apenas o direito de ir à escola, mas sim o de aprender na escola. Democratização supõe também que o aluno aprenda, pois, se ele entra na escola e a abandona no quarto ano, não se pode falar em uma verdadeira democratização. Isso é melhor do que não ser alfabetizado, mas a democratização supõe o acesso ao próprio saber.

http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/948-a-relacao-dos-alunos-com-o-saber

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...