sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Paula Louzano fala sobre a necessidade de discutir o sistema de ensino brasileiro

Pesquisadora diz que definição de uma base curricular comum para todo o país é tarefa-chave na garantia do direito à educação


Marina Almeida

A partir de um levantamento sobre como estão organizados os currículos escolares em países da América Latina e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Paula Louzano analisa o modelo brasileiro, que não define nacionalmente os conteúdos e habilidades necessários para cada etapa da Educação Básica. A pesquisadora, que possui doutorado na Universidade Harvard e cursa o pós-doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, fala também sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, recém-divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que indicam a necessidade de rediscutirmos o sistema educacional do país. Na entrevista a seguir, concedida à editora Marina Almeida, ela ainda fala sobre o crescimento dos materiais apostilados em meio a esse vácuo curricular, o espaço para a autonomia docente e a importância de envolver os entes federados, professores e pesquisadores nessa discussão.

Como a senhora avalia os resultados nacionais do Ideb recém-divulgado?
O Ideb é um indicador que condensa um conjunto de informações sobre a situação da educação, ele é muito mais um instrumento de gestão do que instrumento de planejamento pedagógico e compreensão dos problemas de ensino das escolas. O que a gente consegue apreender dos dados disponibilizados até o momento é a dificuldade com o segundo ciclo do ensino fundamental e o ensino médio. A melhoria que há no ensino fundamental 1 não está sendo levada adiante, para esses próximos ciclos. O fato de continuar havendo uma melhora também não significa que estamos em um nível excelente ou ótimo. O resultado da Prova Brasil de 2011 - porque ainda não recebemos os resultados da Prova Brasil de 2013 para falar [o Ideb foi divulgado em 5 setembro sem os dados da Prova Brasil]- mostra que menos de 40% dos estudantes do ensino fundamental 1 estão aprendendo em um nível que é considerado adequado, em matemática, que já é relativamente baixo em relação ao que as escolas privadas ou de outras partes do mundo chamam de adequado. Mesmo assim, só conseguimos que menos de 40% aprendam, por exemplo, a fazer uma divisão com divisor de dois dígitos. Esses resultados são melhores que os do ensino médio, mas não significa que sejam bons. E quando chegamos ao fundamental 2, caímos pela metade: só 20% conseguem fazer o esperado. No final do nono ano do fundamental, o aluno precisa saber transformar uma fração em porcentagem - um conceito matemático-chave para a criança continuar aprendendo - e só 20% conseguem fazer isso. Por isso, não me surpreende que lá no ensino médio ele não consiga fazer o que ele deveria e, por exemplo, calcular um juros simples. E veja: não estou falando de trigonometria, mas de uma habilidade relativamente simples para essa etapa. É uma cadeia de problemas que tem a ver com o sistema educacional como um todo e que gera um filtro no acesso ao conhecimento. Não concordo que a crise da educação esteja no ensino médio, mas sim em todo o sistema educacional . O quanto essas dificuldades estão relacionadas à matemática, à língua portuguesa e especificamente em que habilidades, dentro dessas áreas, não consigo saber porque o Ideb sozinho não traz uma métrica pedagógica. Eu preciso da Prova Brasil para fazer a gestão pedagógica.

Por que o Ideb não é suficiente para fazer a gestão pedagógica?
Quando o Ideb diz que uma escola tem uma nota 5, ele diz o quão longe de uma meta ela está, mas não aponta o que está faltando aprender em matemática e em língua portuguesa, nem o que os alunos já aprenderam. Quem dá essas informações é a nota da Prova Brasil. Portanto, ela é um complemento fundamental para a divulgação dos dados, mas ainda não temos esse dado de 2013. O Ideb permite ranquear os sistemas e as escolas, além de mostrar quem cumpriu ou não sua meta, coisas que eu acho pouco úteis para a melhoria da educação. São necessárias informações mais precisas sobre o aprendizado para orientar as ações das escolas. Eu não acredito nesse modelo de avaliação e de ranqueamento como gerador de melhoria. Acho que a informação qualificada para o professor e para o gestor é que pode realizar essa melhoria, ou dar a viabilidade para ele melhorar. A pressão sem a informação pressupõe que as pessoas saibam o que deve ser feito, mas não necessariamente elas sabem, porque não têm uma boa "foto" do diagnóstico. E essa boa "foto", para mim, precisa dos dados da Prova Brasil. No geral ele era divulgado junto com o Ideb, mas neste ano não foi. Além disso, um dado que nos ajuda nessa interpretação dos fenômenos educacionais é o de contexto, presente nos questionários da Prova Brasil, que traz um conjunto de informações sobre as condições das escolas e sobre o contexto socioeconômico. Mas entendo que é mais complexo tabular essas informações do que a Prova Brasil; ainda não recebemos nem um nem outro.

O ensino médio, que teve os piores resultados do Ideb, tem sido apontado como o grande problema da educação no país. É preciso mudar seu formato? Que caminhos a senhora vê para essa etapa?
Para mim é o caso de repensar o nosso sistema de educação como um todo. Faço um diagnóstico diferente: o ensino médio é onde os problemas deságuam, não acho que o foco dos problemas esteja ali. Não significa que o ensino médio esteja bem, não está, mas muito mais por um acúmulo de problemas que começa lá na ponta que por coisas estruturais. É muito importante discutirmos esse diagnóstico para determinarmos as políticas que teremos de implementar. Como não acho que o foco esteja no ensino médio, acredito que devemos repensar o nosso currículo para todo o sistema educacional, começando pelo fato de ele não existir. A discussão de uma base nacional para o Brasil, definindo um conjunto de habilidades ligadas aos diferentes conhecimentos a que todos têm de ter direito em um processo de escolarização, é fundamental. Falamos que o currículo está carregado, porque a matemática é muito complexa. Mas vamos simplificar até onde? Até onde o aluno consegue fazer? Então vamos começar a ensinar fração no ensino médio porque ele não está aprendendo antes? Ou vamos garantir que ele chegue ao ensino médio sabendo um conjunto de coisas para garantir que ele aprenda matemática ou aprofunde as outras habilidades, como a língua portuguesa? Ele tem dificuldade para aprender geografia ou história muitas vezes porque tem dificuldade na leitura, que é outro problema. Os alunos passam às vezes 10 anos na escola e não conseguem compreender o que leem. Isso não é um problema do currículo que é carregado, é um problema da escola que não ensinou a ler. A discussão da base nacional comum é importante, pois é a possibilidade de discutirmos quais são os conhecimentos que todos os brasileiros devem ter por direito.

Os parâmetros curriculares que temos hoje não dão conta dessa questão? O que mudaria com a base nacional comum?
Os parâmetros curriculares não são obrigatórios. São um documento curricular de sugestão às escolas, o que é muito diferente de dizer que o aluno tem o direito de aprender determinados conteúdos. É muito radical a mudança. O parâmetro curricular pode ser usado como ponto de partida, porque ele representou um acúmulo naquele momento, mas ele é de 1996; já experimentamos e sabemos de outras coisas. O único documento curricular obrigatório no Brasil, em nível nacional, são as Diretrizes Curriculares Nacionais. E o que eu mostro na minha pesquisa comparada é que, diferentemente de outros países do mundo, o Brasil não especifica, dentro das áreas do conhecimento, quais são as habilidades, os conteúdos, os valores que todos devem aprender; ele deixa essa decisão para os estados, municípios e até para as escolas decidirem. Ou ainda para os professores.

Essa base nacional afetaria também a formação de professores, inicial e continuada?
Sim, você ter uma base nacional comum, que especifique um conjunto de conhecimentos e habilidades que todos os brasileiros têm direito a aprender no processo de escolarização deveria (é pelo menos o que eu espero) mudar a formação de professores. De certa forma os professores vão ter de ensinar esse conjunto de coisas. Não vai ser todo o seu trabalho, porque além da parte comum, teremos a parte diversificada, prevista na nossa Lei de educação, mas parte da tarefa do professor vai ser ensinar a base comum.

Isso poderia afetar a autonomia do professor dentro da sala de aula?
Depende do que entendemos por autonomia. Se entendermos que a escolha pelo que se ensina é uma escolha do professor em cada escola, sim, a Base Nacional Comum vai determinar uma parte do trabalho docente. Agora, se entendermos que a autonomia é como ele ensina determinados conteúdos que estão previstos no decorrer do processo de escolarização, ele não vai se ver afetado. Eu imagino que a discussão da Base Nacional Comum não vai entrar na questão do como ensinar, até porque a nossa Constituição e a LDB garantem essa autonomia de modelos pedagógicos. Os países em que os professores têm mais autonomia no mundo, quando fazemos um estudo comparado, são a Finlândia e a Nova Zelândia. Nesses países existe uma base nacional comum. Está escrito que ao final do segundo ano o aluno tem de conhecer o conceito concreto de fração e saber representar frações simples, como 1/2, 1/3 e 1/4. O professor pode escolher como ensinar isso e quando ensinar isso em um período de dois anos, mas ele não pode decidir se os alunos vão ou não estudar isso. Os professores sentem que têm muita autonomia, mas que é um direito dos finlandeses aprender fração até o segundo ano. Portanto, a autonomia deles começa onde termina o direito do aluno. Se entendermos assim, não vejo a autonomia do professor sendo ferida. Agora, se autonomia é o professor decidir que o aluno não vai ter acesso a certo conteúdo, porque é muito pobre e tem dificuldade para aprender, não acho justo que ele tenha esse poder de decisão.

O que podemos aprender com os modelos de outros países, a partir do que a senhora analisou em sua pesquisa sobre o currículo no mundo?
O Brasil está totalmente fora do debate internacional sobre currículo, não nos encaixamos em nenhum modelo. Em um extremo temos a Finlândia, com grande autonomia, e em outro Cuba, em que se diz o que o professor tem de fazer todos os dias. Onde deveríamos nos encaixar nesse espectro mundial? Acho que estamos mais para a Finlândia, pelas características do nosso debate, do nosso sistema de educação, da formação dos nossos professores. Acreditamos que não se deve especificar tudo o que o professor vai fazer, então devemos olhar mais para países que dão mais autonomia aos professores. Mas é importante entender que hoje não temos nada em termos de prescrição, pois onde as diretrizes curriculares nacionais param - em definir que a base nacional comum deve se materializar nas áreas de conhecimento - é exatamente onde os demais países começam seus documentos curriculares, mas paramos ali. Os currículos dos demais países começam dizendo: o ensino de matemática tem essa concepção, dividimos os conhecimentos dessa forma, e vão especificando o que os alunos devem aprender ano a ano, dando progressão ao conhecimento.

E como deve ocorrer a elaboração desse documento curricular nacional?
Se queremos que ele seja apropriado pelas escolas, precisamos fazer de uma maneira participativa e com debate democrático. Se não ele vira mais um documento qualquer. O currículo só tem sentido como documento se ele for apropriado pelas escolas. E como temos tendência à maior autonomia e à menor centralização, será preciso conquistar os professores para esse currículo. Para isso eu preciso da participação deles. A Austrália é um exemplo interessante de país que se preocupou muito com o processo e a participação na elaboração de seu currículo nacional. Eles se preocuparam tanto com os professores, que vão usar o currículo, quanto com os estados, pois é um país federativo e precisam da participação deles. Como também contamos com a autonomia dos entes federados, não só dos estados, mas dos municípios, precisaremos trazê-los para o debate, porque afinal são eles que fazem a gestão do sistema da Educação Básica. Lembrando que eles já têm expe­riências com os currículos de maneiras diferentes. Estados que já têm em currículo há muito tempo e outros que estão reformulando os seus, municípios que têm e outros que não... Há, portanto, esse conjunto de soluções e o governo federal precisa dialogar com elas. Fora os especialistas das áreas, que pesquisam o ensino da matemática, geografia, etc, há todas essas pessoas que também têm de contribuir.

E qual a relação dos materiais apostilados com o currículo?
Os entes federados buscaram soluções para a falta de referência curricular, já que não há algo nacional, e esses materiais foram uma delas. Em minha opinião, eles representam mais a necessidade de um currículo estruturado do que de um material de qualidade, pois há livros didáticos muito bons, mas que não trazem um currículo estruturado, pois não há, necessariamente, a mesma coleção sendo usada no município inteiro ou sendo renovada na próxima compra. Ainda que os professores olhem muito para o livro para pensar o currículo, isso é feito de forma aleatória e por escola. Já o sistema apostilado entrega um currículo para o município, não para uma escola, mas para o secretário de educação, que consegue fazer a gestão a partir daquele material. Mas, se passa a existir uma oferta pública de currículo, não há por que precisar de um material estruturado, pois essa necessidade já estará suprida. Tanto que esse fenômeno de material apostilado só existe no Brasil, porque há um vácuo curricular no país.

As grandes avaliações acabam influenciando o conteúdo do ensino no país, como acontece com o Enem. Com a definição do currículo, a tendência é que ocorra o contrário?
Exato. Infelizmente, como não há um documento mais objetivo, com um conjunto de habilidades e conhecimento que as crianças devem aprender, temos a matriz da avaliação como algo mais próximo ao currículo nacional. Não me surpreende que as escolas foquem nisso, primeiro, porque elas são cobradas a partir dessas avaliações e, segundo, porque não têm alternativa. Por isso eu defendo a existência de um currículo, para que a escola se baseie nele, e não na prova. Se a avaliação reflete o currículo ou parte dele, ela vai ocupar o lugar que tem de ocupar, que é o de apoiar o ensino, e não ser o objetivo final do nosso sistema, como ocorre hoje.

http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/41/entrevista-330232-1.asp

Brasil desperdiça um dia de aula por semana



Alunos brasileiros perdem em média um dia de aula por semana por conta de desperdício de tempo em sala de aula, gasto com atrasos, excesso de tarefas burocráticas (fazer chamada, limpar a lousa e distribuir trabalhos) e em aulas mal preparadas pelo professor - tempo este que deixa de ser gasto com o ensino de conteúdo.
Essa foi uma das principais conclusões de um estudo recém-lançado pelo Banco Mundial que analisou o trabalho de professores na América Latina e seu impacto sobre a qualidade do aprendizado, a formação dos alunos e o desempenho desses países em rankings internacionais de educação.
A pesquisadora Barbara Bruns, uma das autoras do estudo, lembra que o tempo de interação entre aluno e professor é o momento para qual se destinam, em última instância, todos os investimentos em educação. "Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não ser que impacte sobre o que ocorre na sala de aula", diz ela.
O Banco Mundial avaliou 15,6 mil salas de aula, mais da metade delas no Brasil (classes dos ensinos fundamental e médio em MG, PE e RJ), e calcula que, em média, apenas 64% do tempo da classe seja usado para transmissão de conteúdo, 20 pontos percentuais abaixo de padrões internacionais.
Confira a entrevista que Bruns, estudiosa da educação brasileira há 20 anos, concedeu por telefone à BBC Brasil:
BBC Brasil - O fato de um tempo tão significativo de aula ser perdido ajuda a explicar o desempenho abaixo da média dos países latino-americanos em avaliações internacionais?
Barbara Bruns - Sim, definitivamente é um fator. Em escolas no leste da Ásia, Japão, Cingapura, Finlândia e Alemanha, você não vê professores chegarem à sala de aula sem um material pronto, sem essa percepção de que o tempo precisa ser usado para ensinar e manter os alunos engajados, algo crucial para o aprendizado.
E com frequência nas salas de aula da América Latina parece haver uma falta de organização por parte do professor. Não parece haver a percepção da limitação do tempo e do que economistas chamam de custo de oportunidade de não usar esse tempo para o ensino.
E o tempo entre alunos e professores na sala de aula é o ponto em que culminam todos os investimentos em educação: gastos com salários dos professores, com a formulação do currículo escolar, infraestrutura, material, gerenciamento. Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não ser que impacte no que ocorre na sala de aula.
Vemos que na América Latina muitos países gastam uma proporção alta de seu PIB na educação, e não estão obtendo resultados porque esses investimentos não estão sendo usados (para aprimorar) o momento que os professores têm com os alunos.
Se professores estão perdendo 20% do tempo de instrução com os estudantes, é como dizer que estão sendo perdidos 20% dos investimentos em educação, porque não estão sendo usados para o ensino.
BBC Brasil - Como resolver isso?
Bruns - Primeiro, mudar a forma como o professor é preparado antes de entrar ao sistema de ensino. Na América Latina, há muito pouca ênfase (nos cursos preparatórios) sobre como gerenciar uma sala de aula, como ser um professor eficiente. Ouço com frequência de ministros e autoridades: as faculdades de pedagogia falam muito de filosofia, história da educação, das disciplinas (do currículo), mas muito pouco sobre a prática do ensino.
Barbara Bruns estuda educação no Brasil há 20 anos
Fazendo uma analogia com a medicina, ninguém ia querer um médico que fosse treinado apenas em história da medicina e em questões teóricas. Médicos passam vários anos aprendendo como lidar com pacientes reais. Os professores precisam dessa mesma oportunidade de praticar.
E o que vemos em sistemas educacionais de alta performance, desde Cuba – que tem boa tradição de treinamento de professores – ao leste da Ásia e ao norte da Europa, é que professores em treinamento passam muito tempo observando outros professores e sendo orientados. Isso quase não ocorre na América Latina.
Outra coisa que precisa mudar é o apoio a professores que já estão em sala de aula. Eles precisam receber "feedback" sobre sua performance, ver bons exemplos e ser estimulados a compartilhar conhecimento.
O Rio está fazendo isso no Ginásio Experimental Carioca (projeto que traz mudanças em gestão e currículo escolar nos anos finais do ensino fundamental da cidade), mudando o calendário escolar para criar momentos em que os professores se reúnem para trabalhar juntos; ou colocando professores novos para observar os melhores e mais experientes.
Uma das descobertas mais importantes e surpreendentes de nossa pesquisa é que, dentro de uma mesma escola, há grande variação na forma como os professores ensinam – desde o professor excelente até o que é muito pouco eficiente.
Por isso, é preciso encontrar formas de estimular os professores a trabalhar juntos na escola, como fazem no Japão e na Finlândia.
O Banco Mundial tem um projeto com a Secretaria de Educação do Ceará para criar uma comunidade de aprendizado dentro de cada escola. Daqui a um ano saberemos que tipo de impacto isso terá (no ensino) de 350 escolas.
BBC Brasil - A preparação de professores é um dos maiores desafios educacionais da América Latina?
Bruns - Uma das estratégias mais importantes de curto prazo na região deve ser o treinamento de professores para que eles usem o tempo de aula de forma mais eficiente e, além disso, mantenham os estudantes engajados.
Ao observar as salas de aula, descobrimos que, mesmo enquanto os professores estão ensinando, metade do tempo eles não conseguem manter os alunos focados no conteúdo.
Víamos os estudantes dormindo, digitando no celular, conversando entre si, olhando pela janela. E isso jamais seria permitido pelos professores do leste asiático, por exemplo – eles estariam dando um jeito de fazer com que todos estivessem engajados. Sabemos que, para aprender, os estudantes têm de estar engajados.
Mesmo durante o tempo gasto com o ensino de conteúdo, muitos alunos estão dispersos
No longo prazo, porém, o desafio é atrair um novo tipo de profissional à carreira de professor: fazer com que ela seja uma carreira atraente para os formandos de melhor performance (acadêmica), como acontece na Finlândia e Cingapura. Daí ficará muito mais fácil obter professores excelentes.
Já na América Latina e nos EUA, a profissão ficou tão degradada que os professores acabam sendo recrutados entre estudantes de pior performance. Ou seja, é necessário criar incentivos para que pessoas com bom desempenho escolham a carreira.
E também acho que, quanto aos aumentos salariais – e há muitas evidências de que os salários dos professores precisam aumentar para atrair pessoas competentes -, eles devem ocorrer de forma diferenciada (de acordo com o desempenho). Não pode ser que professores bons e professores ruins ganhem a mesma coisa.
É preciso criar incentivos para que as pessoas trabalhem melhor e para que os mais inteligentes entrem na profissão. Na América Latina, a maioria das promoções de carreira é com base em tempo de casa, em vez de desempenho. Então em alguns casos, dois professores ganham o mesmo salário, mas um faz um trabalho excelente e outro não faz nada.
A cidade de Washington fez uma grande reforma educacional, estabelecendo claros parâmetros para a excelência de professores e avaliando professores segundo esses parâmetros. Os que não os cumprissem eram demitidos ou tinham um ano para melhorar seu desempenho. Já os excelentes tiveram seus salários dobrados. Passados quatro anos, mesmo em meio a polêmicas, os professores gostaram (do projeto), e o desempenho dos alunos de Washington passou a estar entre os melhores do país.
Mas é bom acrescentar que o Brasil vive um momento empolgante: muitos secretários de educação e prefeitos querem fazer mudanças. Vemos diversas experimentações e inovações promissoras pelo país. Se conseguirmos medir esses experimentos, teremos (armas) poderosas. Nos 20 anos que estudo o Brasil, pude ver muitos avanços. Mas obviamente há muito a melhorar.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141117_entrevista_bruns_educacao_pai

“Obstáculos limitam uso da tecnologia na educação brasileira”

Para a professora Márcia Lucena “não é uma questão apenas de computadores ou tablets, é preciso garantir o melhor uso dos recursos tecnológicos”

A professora Márcia de Figueirêdo Lucena Lira, secretária de Educação da Paraíba, afirmou nesta segunda-feira (17), que o País “precisa investir fortemente em infraestrutura tecnológica (TI) para atender as diversas demandas econômicas e sociais, especialmente, em relação às necessidades da educação. Temos hoje uma série de obstáculos que limitam uso da tecnologia na educação brasileira”, durante o Bett Latin América - evento sobre o uso de tecnologia na educação.
Para Márcia Lucena as inovações não chegam a todos os rincões do Brasil, “o que acaba por afetar diretamente na infraestrutura tecnológica disponível nas escolas”. Contudo, pondera a secretária, “ocorreram avanços como o da rede estadual de educação da Paraíba, que a exemplo das demais redes públicas do país, superou os desafios deste gargalo tecnológico”. Segundo a secretária, hoje, o estado possui o equivalente a 66,1% do total das escolas com infraestrutura de TI.
Lucena afirma que “a Internet é hoje um meio importante para o desenvolvimento social e pessoal, bem como para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos”, por isso “é preciso o esforço conjunto de governos, empresas e sociedade para a ampliação deste acesso”, pontuou.
A professora citou a produção de dados estatísticos sobre o acesso e uso das Tecnologia da Informação e Comunicação - TIC, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que vem oferecendo dados regulares. A série histórica, produzida por esses dados, demonstra que as “mudanças ainda são tímidas no que diz respeito ao acesso” de tecnologias nas escolas brasileiras, “devido sobretudo à falta de infraestrutura disponível no interior do Brasil”, relata a professora.

A tecnologia como instrumento para potencializar a aprendizagem - “Nós gestores da educação estamos realizando investimentos para garantir o melhor uso dos recursos tecnológicos” destaca a professora, completando que “não é uma questão apenas de computadores ou tablets”, citando o exemplo do projeto “Educador Digital” que já capacitou mais de 10 mil professores para a utilização da tecnologia como ferramenta pedagógica em sala de aula.

“Ao final da primeira etapa da capacitação, o professor recebe um netbook para praticar os aprendizados e utilizar como ferramenta pedagógica”, completa a secretária Márcia Lucena, que considera o “Educador Digital” um projeto revolucionário.

Segundo a titular da Rede da Paraíba, o foco deve ser “nos usos pedagógicos do computador, da Internet e de dispositivos móveis”.  Para Lucena “não podemos prescindir de prover a oportunidade para o alcance das habilidades necessárias de professores e alunos no uso das TIC”, concluiu.

http://www.consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/945-obstaculos-limitam-uso-da-tecnologia-na-educacao-brasileira-afirma-secretaria-de-educacao-da-paraiba

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

20 de novembro: Dia da Consciência Negra

Pintura retrata o herói nacional Zumbi dos Palmares
Foto: Wikimedia Foundations / Reprodução

Prefeito estuda fusão entre Secretarias de Esportes e Educação (Atualizada)

O Prefeito decidiu, nesta quarta (19), manter a Secretaria de Educação com a mesma estrutura, optando pela fusão da Secretaria de Esportes com Turismo e Cultura.




Em meio à crise econômica brasileira que deve levar a uma arrecadação inferior a R$ 53 milhões no orçamento de 2015, o prefeito Mauro Mendes (PSB) planeja apresentar ainda nesta semana na Câmara Municipal a proposta de reforma que prevê mudanças na estrutura administrativa do Palácio Alencastro. A reforma administrativa prevê a fusão de secretarias municipais que são Planejamento e Finanças com Fazenda, Governo com Secretaria Municipal de Comunicação, Cultura com Turismo e Esportes com Educação.
Como as alterações na estrutura da máquina pública dependem de aprovação do Legislativo, Mendes prefere se antecipar para esclarecer as dúvidas necessárias e assim evitar qualquer dificuldade para concretizar o processo de mudança. Mendes compareceu nesta terça-feira (18) na solenidade do governo do Estado que entregou a trincheira Jurumirim-Trabalhadores localizado na Avenida Miguel Sutil. Na ocasião, evitou antecipar quais são as mudanças planejadas que deverão ser entregues em seu gabinete nas próximas horas.
Porém, ressaltou que o corte de gastos é necessário para manter a linha crescente de investimentos no município, notadamente nos setores de saúde e infraestrutura. “Com o desaquecimento da economia brasileira, os municípios estão sendo atingidos e a previsão é que tenhamos uma arrecadação de R$ 53 milhões a menos no orçamento. A expectativa de crescimento para 2015 não é boa e por isso planejamos reduzir gastos com a máquina pública para manter o foco no cidadão”, declarou Mendes. 
O dinheiro em caixa é fundamental para que investimentos como o Parque das Águas, revitalização do bairro do Porto, construção do novo Pronto Socorro e obras de pavimentação asfáltica do programa Novos Caminhos. 

http://folhamax.com.br/politica/mauro-funde-4-secretarias-para-manter-investimentos/28183

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Confira a programação da Conae 2014


Faltam apenas dois dias para o início da 2ª Conferência Nacional de Educação (Conae). O Fórum Nacional de Educação (FNE) é o responsável pela organização do evento. A expectativa é que cerca de 4 mil pessoas participem da Conferência. Do dia 19 ao dia 23 de novembro, serão quatro intensos dias de trabalho.
A programação incluiu atividades relacionadas a sete eixos temáticos. São eles: o Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação – organização e regulação; Educação e Diversidade: justiça social, inclusão e direitos humanos; Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável: cultura, ciência, tecnologia, saúde, meio ambiente; Qualidade da Educação: democratização do acesso, permanência, avaliação, condições de participação e aprendizagem; Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social; Valorização dos Profissionais da Educação: formação, remuneração, carreira e condições de trabalho; Financiamento da Educação, Gestão, Transparência e Controle Social dos recursos.
Clique aqui e confira a programação completa.
Além disso, no dia 22 de novembro, parte da tarde será destinada às mesas de interesse. Todas abordarão assuntos atuais que envolvem a educação no país. Ao todo serão 28 mesas de interesse com duas horas de duração cada uma delas. Clique aqui e confira quais são os temas das mesas de interesse e qual a instituição responsável por cada uma delas.
A Undime participará de três mesas de interesse. Entre elas, duas da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, entidade a qual a Undime compõe. Uma intitulada “De Olho nos Planos – como ampliar e fortalecer a participação popular” em parceria com a Ação Educativa; e outra sobre o “Fora da Escola Não Pode! Direito à educação para todas e todos”, em parceria com o Unicef. Além disso, a Undime participa da mesa de interesse promovida pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi/ MEC) referente ao Programa Bolsa Família e ao Programa de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) – Inclusão Escolar.
Autor: Undime

http://undime.org.br/confira-quais-serao-as-mesas-de-interesse-da-conae-2014/

Educação personalizada e on-line

Escrito por Fábio Torres
Entrar em contato com mais de 35 milhões de educadores e estudantes espalhados ao redor do mundo, trocar experiências e conhecimentos com eles e, o mais importante, fazer tudo isso sem sair de casa ou até mesmo direto do seu celular smartphone. Essa é a proposta do Edmodo (www.edmodo.com), rede social on-line dedicada exclusivamente a professores, alunos, gestores e até mesmo pais, criada para que todos possam manter contato entre si e conhecer novidades.
Fundada em 2008 pelos americanos Nic Borg e Jeff O’Hara, a plataforma surgiu com base em uma constatação da dupla: ambos trabalhavam como administradores de tecnologia da informação (TI) em um distrito escolar de Illinois, nos Estados Unidos, e estavam encarregados de vetar o acesso dos alunos às principais redes sociais durante as aulas. Em meio ao processo, Borg e O’Hara identificaram a necessidade de uma rede social dedicada aos professores e alunos para que eles pudessem conversar entre si e para que os educadores pudessem trocar ideias, recursos e descobrir conteúdos digitais. Assim surgiu o Edmodo, que reúne hoje 112 colaboradores e mais de 35,7 milhões de usuários de diversos países – incluindo o Brasil. O site já conta com boa parte de seu conteúdo traduzida para o português, dado o grande volume de acessos provenientes do Brasil. “O Edmodo é gratuito e acessível de qualquer dispositivo compatível com um navegador de internet, criando um ambiente de aprendizagem em qualquer hora e qualquer lugar”, explica Heath Silverman, diretor de Negócios Internacionais da plataforma, em entrevista à Profissão Mestre. O site permite aos professores anexar e compartilhar links, vídeos, imagens e textos que eles considerem interessantes. Além disso, os professores podem criar grupos com outros docentes e alunos, postar lições de casa e trabalhos didáticos e criar planilhas de notas, calendários e bibliotecas on-line – tudo já incorporado às funcionalidades básicas do Edmodo. Por outro lado, os estudantes também podem enviar por meio da plataforma as tarefas solicitadas pelos professores e participar de discussões com colegas de sala e escola.
Silverman também destaca o papel desempenhado pela ferramenta na formação continuada dos educadores. “Por meio das comunidades do Edmodo, os professores podem se conectar uns com os outros para trocarem ideias, compartilharem as melhores práticas e descobrirem novos recursos, o que não somente economiza o tempo dos educadores, mas também os ajuda a avançar profissionalmente”, afirma o diretor. Para auxiliar nesse propósito, a ferramenta conta com uma funcionalidade de sugestão de conteúdos em tempo real e de pessoas interessantes para o usuário e facilita o encontro entre colegas que lecionam sobre os mesmos assuntos. Os desenvolvedores da plataforma também disponibilizam desde março de 2013 parte de seus códigos, de modo que empresas possam desenvolver outros aplicativos para serem utilizados no site.
EdmodoCon
O Edmodo realiza anualmente a EdmodoCon, conferência que reúne especialistas e educadores para debaterem o papel das novas tecnologias na educação e compartilharem entre si suas práticas, usando a própria plataforma e outros conteúdos digitais. “No ano passado, tivemos 27 mil educadores de 170 países registrados para o evento”, revela Silverman, que explica que não é preciso viajar até a Califórnia para acompanhar as palestras e os debates. “A EdmodoCon é transmitida pela internet, portanto educadores do Brasil e de várias outras localidades podem se inscrever e assisti-la on-line”, comenta.
E o que o futuro reserva para o Edmodo? Segundo Silverman, muita coisa ainda. “Nosso foco principal desde a concepção [da plataforma] tem sido o de criar uma rede dinâmica e envolvente que conecte pessoas e recursos necessários para ajudar os estudantes a alcançarem seu verdadeiro potencial. Nós vamos continuar crescendo e o envolvimento dos professores com o Edmodo é o que nos mantém no rumo”, diz o diretor da rede social, que complementa: “Professores amam o Edmodo porque ele os ajuda a fazerem melhor seu trabalho, e nós acreditamos que, por ajudarmos os professores, estamos ajudando os estudantes. Se nós pudermos ajudar os professores a personalizarem a educação para os estudantes, nós poderemos alcançar melhores resultados de aprendizagem”.

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/ferramentas-digitais/1047-educacao-personalizada-e-on-line

EMEB Raimundo Pombo promove noite cultural afro-brasileira

Foto: Jorge Pinho

A Escola Municipal de Educação Básica Padre Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz, do bairro Parque Cuiabá, promove nesta quarta-feira (19), a partir das 19h, evento cultural para encerrar as atividades do projeto Pombo África, realizado em consonância com a Lei 10.639. O evento será realizado na quadra de esporte da escola e contará com a presença de toda a comunidade escolar.
O Projeto Pombo África foi criado em 2010 e tem por objetivo valorizar a cultura africana e superar o preconceito racial por meio da dança e do artesanato. 
Idealizado pela professora Isabel Garcia de Farias, este ano o projeto tem como tema “O Homem em Busca do conhecimento: consciência ambiental e dignidade humana”. 
Além das apresentações de dança afro-brasileira e regionais, o evento também contará com exposição de trabalhos artesanais, realizados pelos profissionais e alunos no decorrer do ano.
Os alunos das escolas municipais Joana Dark e Silva Freire e as estaduais Historiador Rubens de Mendonça, Heliodoro Capistrano, Alice Pontes e Doutor Estevão Alves Corrêa também participam do evento com apresentações culturais.
Grupos de siriri e de capoeira de bairros da região também se apresentarão no evento.

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/escola-raimundo-pombo-promove-noite-cultural-afro-brasileira/9902

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O papel do professor na formação integral

Escrito por Roberto Emílio Bispo de Almeida
Segundo o psicopedagogo clínico Cláudio Miranda, “cabe à escola o ensino de conteúdos acadêmicos que vão dar uma visão ao aluno de como o mundo funciona”. Analogamente, o ministrar de tais conteúdos cabe ao professor, cuja formação tem por objetivo desenvolver disciplinas, as quais integram a formação do educando. Para que seja um facilitador dessa formação, o professor deve propor a construção de ideias dentro dos limites impostos pela realidade do aluno, buscando elevar sua autoestima. Dessa forma, o aprendizado será alcançado plenamente.
Esse é o objetivo principal da escola, e os professores vêm trabalhando com maestria para atingi-lo. Tal pensamento é verdadeiro nas palavras de Anastesiou (2004), que afirma ser do professor as funções de provocar, instigar, elaborar uma ligação com o objeto de aprendizagem que, em algum estágio, consista com a carência do educando.
Essa ligação só ocorrerá em um momento propício, o qual tem como ingrediente especial a abertura à problematização e à discordância adequada dos procedimentos do pensamento crítico e do crescimento. A exemplo disso, escolas no interior do Espírito Santo relatam que desenvolvem projetos nos quais os grandes objetivos são elevar a autoestima do aluno e valorizar seu desenvolvimento e o que ele pensa. Para isso, pode-se utilizar da arte, da música, da culinária, do esporte, dentre outras instâncias que busquem atingir as multiculturas existentes no seio escolar, incitando bons resultados.
De acordo com Maurice Tardif, deve-se propor uma pedagogia que priorize a tecnologia de interação humana, colocando-se em evidência, ao mesmo tempo, a questão das dimensões epistemológica e ética, apoiada necessariamente em uma visão dualista de mundo: homem e sociedade. Ademais, a prática pedagógica deve ter dinâmica própria, que permita ao aluno o exercício do pensamento reflexivo e conduza à visão política de cidadania. Donald A. Schon destaca que “o professor deve fazer uso de um conjunto de processos que combinem o ensino da ciência aplicada com a instrução, no talento artístico da reflexão-ação, mobilizando, além da lógica, manifestações de talento, intuição e sensibilidade artística”.
Muitos colegas de profissão concordam que o professor, além de facilitador do ensino, é o incentivador da criação de ideias, da pesquisa, da observação, da experiência e provável referência, independentemente da classe em que se insira na sociedade. Aqui se aplica o ditado que diz: “O exemplo é a melhor forma de ensinar”. Também é seu dever ser responsável, assíduo, honesto na avaliação e na autoavaliação e disposto a fazer com que o educando participe de todos os processos envolvidos.
A não observância dessas atitudes provoca o mau desempenho dos estudantes em diferentes estágios de aprendizagem e, muitas vezes, ocasiona a evasão escolar pela não manutenção da autoestima. Tal fato também ocorre na esfera profissional, em que há a dificuldade de inserção do aluno no mercado, em razão da deficiência do agora profissional em certos conhecimentos básicos, os quais não foram bem absorvidos pela falta de uma metodologia inclusiva, comprometendo o desempenho.
Assim, com toda a comunidade (pais, alunos, educadores, vizinhos etc.) tendo maior participação na vida escolar, podem-se construir regras, aprimorar valores – inclusive os da própria família, como o incentivo à leitura –, chegando-se a uma conquista. Nesses moldes, a educação brasileira dará saltos estatísticos consideráveis, desmistificando o estigma de sua má qualidade.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/artigos/dando-a-letra/1044-o-papel-do-professor-na-formacao-integral

12 plataformas para professores compartilharem e publicarem conteúdos digitais


De acordo com a pesquisa TIC Educação 2013, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) com cerca de 2 mil professores de escolas públicas, 96% dos entrevistados usam ferramentas on-line para preparar aulas ou atividades do dia a dia - entre as opções preferidas estão fotos, ilustrações, textos, vídeos e questões de prova. Destes, 88% declararam que fazem alterações nas publicações originais para moldá-las de acordo com as necessidades de seus estudantes.

No entanto, apenas 21% dos educadores disseram que já disponibilizaram conteúdos próprios na rede. Para ajudar os professores a disseminar seus conteúdos digitais, selecionamos 12 canais para compartilhar e divulgar os materiais. 

Canais para compartilhar

SlideShare - repositório de apresentações

Prezi - ferramenta para a criação de apresentações

Dropbox - repositório em nuvem

Google Drive - disponibiliza diversas ferramentas que podem ser compartilhadas, como arquivos de texto e planilhas
Youblisher - ferramenta para a criação de livros e revistas online

FazGame - plataforma para a criação de jogos digitais

YouTube - canal de compartilhamento de vídeos
Onde publicar
Wikimedia - plataforma para o desenvolvimento de atividades coletivas e compartilhamento de experiências

Portal do Professor - iniciativa do Ministério da Educação (MEC), o portal disponibiliza sugestões de planos de aula, download de mídias de apoio e notícias sobre o setor, além de possibilitar ocompartilhamento de aulas e atividades

P2P  - registrada na Califórnia, a organização sem fins lucrativos criou uma plataforma aberta (em inglês) para o desenvolvimento de aulas e conteúdos educacionais. Aceita materiais em português

Connexions - plataforma aberta para a publicação de REA. Está em inglês, mas aceita conteúdos em português

Educopédia - iniciativa da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro para o compartilhamento de conteúdos educacionais que sigam o currículo.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/211/12-plataformas-para-os-professores-compartilharem-e-publicarem-conteudos-digitais-330395-1.asp

Federalização da educação básica é tema de audiência pública na Comissão de Educação

Senador Cyro Miranda, presidente da Comissão de Educação (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Senador Cyro Miranda, presidente da Comissão de Educação (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
A Comissão de Educação (CE) realiza na quarta-feira (19) audiência pública sobre a federalização da educação básica. A audiência foi solicitada pelos senadores Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da comissão, e pelo senador Paulo Paim (PT-RS) e faz parte da programação do Programa Jovem Senador.
A comissão pediu aos professores orientadores dos jovens que participam do programa que escolhessem um tema, entre quatro sugeridos, para ser objeto de audiência pública. Entre currículo nacional único/pleno, ensino em tempo integral, formação do professor e federalização da educação básica, os professores optaram por este último.
A reunião terá início às 9h na sala 15 da Ala Senador Alexandre Costa e terá como convidado o consultor legislativo do Senado, Waldery Rodrigues Júnior.
Federalização por plebiscito
A comissão já havia aprovado no último dia 5 de agosto o Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 460/2013, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que convoca um plebiscito para que o eleitor decida a respeito da transferência para a União da responsabilidade sobre a educação básica.
À época, o relator da matéria na CE, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), lembrou que estados e municípios são responsáveis por cerca de 80% dos recursos destinados à educação, enquanto a União, que detém para si mais da metade do bolo da arrecadação de tributos, participa com apenas 20%.
Como consequência, disse Randolfe, há disparidades na infraestrutura escolar pelo país afora, incapacidade de diversos governos estaduais e prefeituras para honrar o piso salarial dos professores; lacunas na oferta de vagas em creches; e inexistência de um padrão nacional mínimo de qualidade; entre outros problemas.
Atualmente o pedido de plebiscito está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e aguarda relatório da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Autor: Agência Senado

http://undime.org.br/federalizacao-da-educacao-basica-e-tema-de-audiencia-publica-na-comissao-de-educacao/

INSTRUÇÃO NORMATIVA № 018/14/GS/SEDUC/MT








Dispõe sobre o processo de atribuição de classes 
e/ou aulas do Professor e do regime/jornada de 
trabalho do Técnico Administrativo Educacional e 
Apoio Administrativo Educacional, pertencentes ao 
quadro efetivo nas Unidades Escolares da Rede 
Estadual de Ensino para o ano letivo de 2015
demais providências.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Por que investir na primeira infância pode mudar o Brasil

Estudos mostram como o investimento nos primeiros cinco anos de vida das crianças pode garantir incremento de até 60% à renda da população e reduzir problemas de baixa escolaridade, violência e mortalidade infantil

Bianca Bibiano

Tárlis Schneider/VEJA.com)
Por volta dos dois anos de idade, o cérebro do ser humano atinge o pico de sua atividade. Nessa fase, é possível estabelecer até 700 novas conexões neuronais por segundo — praticamente o dobro de sinapses executadas aos dez anos de idade, de acordo com estudos feitos pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. É nessa fase que se formam as bases de aprendizado que serão utilizadas ao longo de toda a vida. Entretanto, mais de 200 milhões de crianças ao redor do mundo nessa faixa etária não conseguem atingir seu pleno potencial cognitivo por estarem expostas a fatores como subnutrição, pobreza, violência e aprendizagem inadequada. No Brasil, a vulnerabilidade social atinge 21,6% das crianças de zero a três anos, segundo dados da ONG Todos Pela Educação, com base na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) 2013. Na zona rural, a taxa sobe para 40%.

Para o Banco Mundial, instituição que financia projetos em países em desenvolvimento, reverter essa situação não é apenas uma necessidade ética, mas também uma atitude inteligente do ponto de vista econômico. “O prejuízo causado para os cofres públicos para contornar problemas como baixa escolaridade, falta de segurança e mortalidade infantil seria incomparavelmente menor se os recursos fossem destinados para estimular o bom desenvolvimento das crianças na primeira infância", defende Claudia Costin, diretora da área de educação do Banco Mundial.

A especialista conversou com a reportagem de VEJA.com durante conferência realizada em São Paulo na última semana, que reuniu especialistas das áreas de saúde, educação e proteção social para debater políticas de incentivo aos cuidados nos primeiros anos de vida das crianças. Durante o evento, o Banco Mundial lançou o relatório "Intensificando o Desenvolvimento da Primeira Infância", que oferece orientações a governantes sobre como implementar ações para reduzir os principais problemas de vulnerabilidade social.

As intervenções abrangem desde o atendimento pré-natal até os cuidados ao longo dos seis primeiros anos de vida, visando cuidados com nutrição, educação, saúde, saneamento básico e proteção social. "A maioria das ações não requer altos custos. A suplementação de ácido fólico na gravidez, por exemplo, custa cerca de três dólares por pessoa, mas garante desempenho 20% acima da média ao longo da vida escolar da criança", explica Claudia.

Leia também:
Brasil deve investir na pré-escola, diz Nobel de Economia
Educação infantil: o dever de casa do Brasil para o futuro

'Investir em educação infantil é investir em capital humano'

Outro estudo divulgado durante a conferência reforça a ideia. Coordenado pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que promove projetos de desenvolvimento na primeira infância, o trabalho mostra que, no longo prazo, crianças expostas a menos oportunidades de desenvolvimento nessa fase tornam-se, com maior probabilidade, adultos pobres, produzindo o fenômeno conhecido como ciclo intergeracional da pobreza. "A evidência empírica demonstra que crianças que frequentaram boas escolas e tiveram atenção à saúde adequada na primeira infância tornaram-se cidadãos com menor propensão ao envolvimento com tabagismo, alcoolismo, criminalidade e violência, além de precisarem menos da ajuda do governo para sua sobrevivência", diz o relatório assinado por educadores, psicólogos e economistas.
No início deste mês, a Fundação estabeleceu uma parceria com o governo de São Paulo para realizar projetos que integram saúde, educação e proteção social em 34 cidades do Estado. A partir de 2015, o programa Primeiríssima Infância vai oferecer assistência qualificada para aproximadamente 5.000 gestantes e 11.500 crianças de até três anos de idade, além de capacitar professores, pediatras e assistentes sociais. "Existe certa burocracia nos governos para fazer projetos integrados entre diferentes pastas, mas as pesquisas mostram que esse é o melhor caminho para uma ação efetiva", explica Eduardo Marino, porta-voz da Fundação.

Incremento na renda e qualidade de vida — O crescente movimento em torno desse tema nos últimos anos tem como percussor o economista americano James Heckman, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2000. Ao longo dos últimos dez anos, Heckman fez dezenas de análises sobre educação infantil e comprovou que o investimento na primeira infância pode resultar em um incremento de renda de até 60% de adultos que frequentaram creches, se comparado a pessoas que não fizeram essa etapa de ensino. "O investimento em educação infantil significa investimento em capital humano. Um dos estudos, realizado em uma pré-escola chamada Perry, nos EUA, mostrou que após cinco anos, 67% das crianças que tiveram acesso à educação desde cedo registraram QI acima de 90 - no grupo que pulou essa etapa, apenas 28% atingiu esse patamar", afirmou o pesquisador ao site de VEJA.

Ainda de acordo com Heckman, após 14 anos, o grupo que participou do programa de educação infantil teve o triplo de notas satisfatórias ao longo da vida escolar em comparação com estudantes que não tiveram o mesmo acesso. "Também houve impacto significativo na redução do envolvimento com criminalidade e até mesmo na capacidade de manter uma relação afetiva estável", conclui.

Para Ann Masten, professora da Universidade de Minnesota, nos EUA, e representante do fórum Investing in Young Children Globally (IYCG), formado por 21 organizações públicas e privadas para incentivar políticas nessa área, as pesquisas de Heckman estão ajudando a mudar o modo como a educação infantil é pensada. "Estamos assistindo a um movimento muito positivo na sociedade: as pessoas estão reunindo seus conhecimentos, seja na economia, saúde ou educação, para investir no futuro. Já sabemos o quão prejudicial pode ser a falta do atendimento na primeira etapa da vida das crianças e agora estamos reunindo recursos para reverter a situação. Os avanços que temos visto nos mostra que é possível reduzir as diferenças socioeconômicas ainda no berço."

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/por-que-investir-na-primeira-infancia-pode-mudar-o-brasil

SME: PORTARIA Nº 212 /2014/GS/SME ATRIBUIÇÃO DE CLASSES E/OU AULAS


PORTARIA N.º 212 /2014/GS/SME DE 04 NOVEMBRO DE 2014

(CLIQUE NO LINK PARA ACESSAR)


Dispõe sobre o processo de normatização da atribuição de classes e/ou

aulas do Professor e do regime/jornada de trabalho dos Técnicos, pertencentes 

ao quadro efetivo da Secretaria Municipal de Educação, lotados no Órgão 

Central e nas Unidades Educacionais, para o ano de 2015 e demais 

providências.



Veja também a INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 018/GS/SEDUC/MT

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Formação docente: O impacto na pedagogia



Como as novas abordagens pedagógicas surgidas a partir do uso tecnológico estão alterando o processo de ensino-aprendizagem nas salas de aula brasileiras

Paula Ribeiro e Luciana Zenti

Em recente pesquisa rea­lizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), pais e alunos declararam acreditar que a tecnologia pode ser uma das ferramentas para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Também é cada vez mais comum que os estudantes cheguem com seus dispositivos móveis no ambiente escolar. Em inegável momento de pressão pelo uso de ferramentas digitais em sala de aula, cabe perguntar: até que ponto a tecnologia está influenciando a pedagogia? As novas abordagens que começam a aparecer como “modas” no processo ensino-aprendizagem vão realmente alterar a relação professor-aluno?
Em um cenário onde o uso desses dispositivos em sala de aula é incipiente, e as pesquisas de avaliação de impacto ainda estão em estágio inicial, questões como essas estão sendo formuladas e suscitam todo tipo de reação, inclusive a resistência. Se por um lado a tecnologia parece uma “onda” invadindo a escola, por outro a instituição escolar tem natural receio de mudanças. Mesmo assim, especialistas, professores e gestores podem pressentir que elas estão acontecendo. É o que Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETICbr.), chama de “revolução silenciosa”. “Há um movimento de mudança, é claro que não na velocidade que gostaríamos, mas as escolas estão nesse movimento muitas vezes silencioso.”
Para Alexandre, o principal impacto na ciência da educação será a passagem para a construção coletiva do conhecimento – um desafio atual que afeta a escola, quer ela queira, quer não. “A escola certamente vai ser reinventada. Passará de uma escola menos focada na aquisição de conhecimento individual para uma conhecimento mais coletivo”, exemplifica.
Para a professora em Educação, Comunicação e Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB), Laura Maria Coutinho, os alunos são os principais agentes dessa transformação em curso. “Minha hipótese é a de que os alunos já trazem para a sala de aula seus equipamentos conectados [e isso contribui para as mudanças].” Para ela, esse é um movimento em ascensão. “Cada vez mais, vamos ter acesso aos meios digitais. E vamos ter de lutar para que isso ocorra porque é parte da democratização da educação.”

Uma teoria alternativa
Em dezembro de 2004, o canadense George Siemens, juntamente com Stephen Downes, lançou um novo conceito de aprendizagem no texto intitulado Conectivismo: Uma teoria de aprendizagem para a idade digital. No texto, Siemens critica o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo como as três grandes teorias da aprendizagem mais frequentemente usadas na criação de ambientes instrucionais, sendo que as três foram desenvolvidas em um tempo em que a aprendizagem não sofria o impacto da tecnologia – que hoje realiza muitas das operações cognitivas anteriormente realizadas pelos aprendizes, como armazenamento e recuperação de informação.
Siemens reflete que um dogma central da maioria das teorias de aprendizagem é a ideia de que a aprendizagem ocorre dentro da pessoa. “Mesmo a visão construtivista social, que defende que a aprendizagem é um processo rea­lizado socialmente, promove a primazia da pessoa (e sua presença física – i.e. baseado no cérebro) na aprendizagem. Estas teorias não abordam a aprendizagem que ocorre fora da pessoa (i.e. aprendizagem que é armazenada e manipulada através da tecnologia). Elas também falham em descrever como a aprendizagem acontece dentro das organizações”, escreve.
Segundo a nova teoria, posteriormente sistematizada no livro Knowing Knowledge (2006), o conhecimento não é um objetivo ou um estado que pode ser alcançado ou através do raciocínio ou das experiências. Considerando que a produção do conhecimento cresceu exponencialmente, os indivíduos devem aprender a acessá-los. “Não podemos mais, pessoalmente, experimentar e adquirir a aprendizagem de que necessitamos para agir. (...) Para aprender, em nossa economia do conhecimento, é necessário ter a capacidade de formar conexões entre fontes de informação e daí criar padrões de informação úteis. (...) Este ciclo de desenvolvimento do conhecimento (da pessoa para a rede para a organização) permite que os aprendizes se mantenham atualizados em seus campos, através das conexões que formaram”, descreve.
Para o professor aposentado da USP e especialista em inovação na educação, José Moran, a teoria de Siemens e Downes ainda são estudos parciais acerca da nova realidade, muito recente. As mudanças pelas quais passa o campo educacional, entretanto, não desvalidam as teorias interacionistas idealizadas por pensadores como J. Piaget, Lev Vigotski e Paulo Freire, que defendem que a aprendizagem é fruto da interação do aprendiz com as pessoas do mundo. “As teorias continuam válidas, mas começam a ser adaptadas a um mundo conectado, no qual podemos aprender em espaços, tempos e de formas muito diferentes, num contínuo entre o encontro físico e digital, impensável décadas atrás”, avalia.

Mudanças em curso
Há mais de três décadas, o antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin tem pensado as mudanças globais da contemporaneidade, entre elas o avanço da tecnologia da informação. Longe de citar a tecnologia como reformadora da educação, sua aposta é no pensamento complexo (aquilo que é pensado em conjunto), e na ideia de totalidade (contra a fragmentação dos saberes). Sua teoria, indicada, entre outros, no livro Os sete saberes necessários à educação do futuro (Cortez Editora), aponta para a necessidade de os professores religarem os seres e os saberes. Seriam as novas tecnologias instrumentos propulsores – e não veículos – para o professor se apoiar em tais mudanças?
“Vejo para o futuro uma educação integral, com níveis distintos de qualidade e intencionalidade pedagógica. O ensino ficará menos teórico. Será mais vivencial”, diz Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare. Para ela, na prática isso se manifestará em menos aulas expositivas. “Haverá mais projetos, mais experiências em laboratórios. Serão criadas coisas a partir do conhecimento, do teste de hipóteses. O conhecimento será mais vivido e a ênfase na teoria diminuirá.”
Por ora, o impacto desse pensamento se dá em diversas abordagens que, em comum, têm no uso da tecnologia o cerne para promover práticas que se coadunam em eixos similares: ensino personalizado (ou aprendizado adaptativo), compartilhamento de saberes e descentralização da sala de aula como único ambiente de aprendizagem. Entretanto, elas não devem ser vistas separadamente – o importante é que o recurso escolhido esteja adequado ao planejamento e aos objetivos pedagógicos traçados pelo professor, e não o contrário (a aula planejada para a utilização da ferramenta).

No mundo real
As opções que se apresentam aos professores são cada vez mais globais, e normalmente vindas de países imersos na cultural digital. Em 2012, o editor da revista Wired­ e autor do best-seller A cauda longa, Chris Anderson, lançou o livro Makers – A nova revolução industrial (Elsevier). Segundo sua teoria, “os últimos dez anos foram de descobertas de novas maneiras de criar, de inventar e de colaborar na web. Os próximos dez anos serão de aplicações desses ensinamentos no mundo real”. Já aportado no campo educacional, o movimento “maker” ou “faça você mesmo” preconiza que alunos e professores desenvolvam os projetos que desejarem (leia mais na página 42).
“Devemos repensar a divisão em disciplinas, aulas, conteúdos programáticos e a ideia da sala de aula como único espaço da aprendizagem”, acredita Adolfo Tanzi Neto, consultor pedagógico e de pesquisas da Fundação Lemann.
A mudança, porém, é ampla e afeta a concepção da própria escola e do trabalho docente. Em meados de 2009, o educador português António Nóvoa publicou o livro Professores: Imagens do futuro presente (Lisboa: Educa). Para ele, desenha-se neste momento um novo espaço público da educação, onde deverá ser firmado um novo contrato entre os professores e a sociedade, no qual os professores devem assumir uma nova capacidade de comunicação e um reforço da sua presença pública. Neste contexto, o “bom professor” ganha relevância, definindo-se em função de cinco características: conhecimento, cultura profissional, tato pedagógico, trabalho em equipe e compromisso social.

Educação em rede
A tarefa de religar diretores, coordenadores e professores em torno de um mesmo projeto tem se materializado em currículos desenvolvidos a partir da integração de mídias e tecnologias digitais de informação e comunicação, chamado de “webcurrículo” por alguns especialistas. Segundo a pesquisa TIC Educação 2013, os professores já estão ligados nesse movimento: 96% dos docentes de escolas públicas usam ferramentas on-line para preparar aulas ou atividades do dia a dia. Mas a maior prova dessa mudança talvez seja o crescente compartilhamento de conteúdos, chamados de Recursos Educacionais Abertos (REA) (leia mais na página 54).
“O grupo de professores terá de se valorizar, trocar ideias, falar sobre seus dilemas. E tudo isso em rede, conectado, para aprender com outras realidades e trazer para a sua os exemplos que estão dando certo”, diz Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital. Para Priscila, um dos impactos na relação professor-aluno é o compartilhamento de experiências. “O professor não precisa aprender primeiro para depois passar o conhecimento. Todos podem aprender juntos”, acredita.
Quando contemplam diversos recursos multimídia – vídeo, som e imagem –, os materiais didáticos começam a responder a uma das demandas mais contemporâneas da educação: o ritmo e a forma de aprendizagem de cada aluno. “A principal vantagem do uso desses materiais está no fato de promover autonomia e protagonismo de maneira efetiva para os alunos, pois eles têm controle do objeto analisado, desde o horário até o local e a forma com que irão desenvolver o conteúdo”, diz Ailton Luiz Camargo, professor de história do Colégio Objetivo Sorocaba e da rede municipal de Iperó (SP).
Nesse sentido, uma das fortes tendências apontadas por especialistas é o ensino híbrido, em que se mesclam aulas presenciais com atividades virtuais personalizadas: pode ser uma videoaula sobre um tópico em que o aluno está com dificuldade, um jogo pedagógico para aprofundar um conteúdo ou um curso on-line inteiro. “A ideia é que educadores e estudantes ensinem e aprendam em tempos e locais variados”, explica Lilian Bacich, que pesquisa o tema no seu doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento na Universidade de São Paulo (USP).

Princípios do conectivismo
* Aprendizagem e conhecimento apoiam-se na diversidade de opiniões;
* Aprendizagem é um processo de conectar nós especializados ou fontes de informação;
* Aprendizagem pode residir em dispositivos não humanos;
* A capacidade de saber mais é mais crítica do que aquilo que é conhecido atualmente;
* É necessário cultivar e manter conexões para facilitar a aprendizagem contínua;
* A habilidade de enxergar conexões entre áreas, ideias e conceitos é fundamental;
* Atualização (currency – conhecimento acurado e em dia) é a intenção de todas as atividades de aprendizagem conectivistas;
* A tomada de decisão é, por si só, um processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e o significado das informações que chegam é enxergar através das lentes de uma realidade em mudança. Apesar de haver uma resposta certa agora, ela pode ser errada amanhã devido a mudanças nas condições que cercam a informação e que afetam a decisão.

Independentemente da abordagem utilizada, as questões levantadas por pensadores e professores em sua prática diária ainda precisarão de tempo para obter respostas duradouras. Em momentos de mudanças, é natural que as tentativas de adaptação sejam permeadas pelo erro-acerto. Mas, assim como estão ocorrendo transformações nas relações pessoais no espaço social, elas parecem irreversíveis no ambiente educacional. Resta saber como serão processadas.
Veja algumas dessas possibilidades.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/211/artigo330334-1.asp

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...