terça-feira, 14 de outubro de 2014

Confira as apresentações do seminário “Base Nacional Comum em debate”


A Undime realizou na última quinta-feira (9), em Brasília (DF), o seminário “Base Nacional Comum em debate: desafios, perspectivas e expectativas”. A iniciativa reuniu representantes de entidades acadêmicas, gestores, trabalhadores educacionais, conselhos, institutos, fundações e organizações internacionais. Mais de 150 pessoas participaram do debate.

Confira as apresentações dos palestrantes:

Paula Louzano, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (clique aqui)
Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica/ MEC (clique aqui)
Moacir Feitosa, Conselho Nacional de Educação/ CNE –  (clique aqui)
Suely Melo de Castro Menezes, presidenta do FNCE – Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (clique aqui)
Gilvânia Nascimento, presidenta da Uncme – União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (clique aqui)
Maria Nilene Badeca da Costa, secretária de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul e presidenta do Consed – Conselho Nacional de Secretários de Educação (clique aqui)
Nilda Alves, presidenta da Associação Brasileira de Currículo/ ABdC (clique aqui)
Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (clique aqui)
Maria Luiza Sussenkind, Professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro  (clique aqui)
Helena Lopes de Freitas, presidenta da Anfope – Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (clique aqui)
Andréa do Rocio Caldas, presidenta do Forumdir – Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (clique aqui)
Heleno Araújo, secretário de Assuntos Educacionais da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (clique aqui)
Autor: Undime

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Conferência internacional discute formação de professores

Evento irá explorar implicações da tecnologia na educação e o desenvolvimento da profissão de docente no século 21
Com o desenvolvimento da tecnologia, muito tem se falado sobre a transformação do modelo de ensino tradicional e o papel do professor no século 21. A discussão sobre essas questões será tema para a conferência “Formação de professores em crise? Desenvolvimento da profissão de docente no século 21”, que acontece nos dias 6 e 7 de novembro, na Faculdade de Educação da USP, em São Paulo.
O evento é promovido pela International Network of Educational Institutions (Rede Internacional de Instituições de Ensino, em livre tradução), um grupo que reúne instituições de ensino de diversos países para pensar em temas da educação a longo prazo. A conferência já aconteceu em universidades de países como China, Austrália, Canadá, Japão, Cingapura, Coreia e Dinamarca.
crédito: tuk69tuk / Fotolia.com
 
Anualmente, o evento reúne educadores de diferentes países para discutir temas importantes da área, como o acesso ao ensino superior, desvantagem educativa e educação para o desenvolvimento sustentável.
Para essa edição, o debate será focado na discussão sobre a carreira de docente por meio de duas perspectivas. Primeiro, ela irá avaliar as implicações para o desenvolvimento da profissão a longo prazo e o resultado disso nas faculdades de educação. Num segundo momento, a discussão envolve formação e tecnologia, avaliando o papel do Estado no desenvolvimento de ações para capacitação dos educadores.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site da Faculdade de Educação da USP. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-3517 ou o e-mail danibor@usp.br.
http://porvir.org/porfazer/conferencia-internacional-discute-formacao-de-professores/20141008

Patrulhamento do "politicamente correto" assombra professores

Para especialistas, conflitos entre educadores e alunos revelam campos de tensões ainda não resolvidos na sociedade e devem ser respondidos pedagogicamente


Cristina Charão

Quando professores e alunos passam pelos portões da escola, carregam com eles não só livros, cadernos, lápis ou canetas. Trazem consigo também o que leram no jornal ou viram na TV, o que compartilharam na internet e tudo o mais que ouviram, conversaram, experimentaram pelo caminho. Professores e alunos carregam para a escola suas crenças, descrenças, certezas, incertezas e também opiniões e questionamentos que circulam pelas ruas.

Ou seja: os portões não têm o poder mágico de anular a história dos indivíduos que passam por eles e, por consequência, tampouco neutralizam os conflitos que podem nascer do encontro de visões distintas de mundo em uma sala de aula. "É uma grande ingenuidade achar que pode haver ação humana neutra", diz Pedrinho Guareschi, professor do programa de pós-graduação em psicologia social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele, que foi orientando de Paulo Freire, lembra que é justamente do encontro entre diferentes posições que nasce o processo pedagógico.

Mas quando os conflitos do lado de fora se acirram, os ânimos dentro da escola também se influenciam. "É substancialmente mais fácil uma educação em uma sociedade em que haja consenso sobre o que é belo, feio, certo e errado", diz José Sérgio Fonseca de Carvalho, doutor em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Educação na mesma instituição e colunista de Educação. "Mas vivemos, no Brasil, um momento de absoluta diversidade de posição e absoluta incomunicabilidade entre essas posições," avalia. Neste embalo, o que seria oportunidade de educar reduz-se a confronto. E sem sentido.

Patrulhamento

Um professor de cursinhos pré-vestibulares em São Paulo - que pediu para não ser identificado - reclama, por exemplo, do que ele chama de "patrulha do politicamente correto". "É uma patrulha tão cega de alguns alunos, sempre em busca de alguns indícios que, na opinião deles, mostram algum tipo de preconceito escondido que é o suficiente para que você seja alvo do ódio e perseguição", diz ele. Como exemplo, conta que fez um comentário despretensioso sobre não gostar de lojas de utilidades domésticas durante uma aula e teria sido chamado de "machista nojento" por uma aluna. Ele se diz tolhido por este tipo de postura, que considera belicosa.

José Sérgio contextualiza a questão. "Não há por que a gente temer o conflito: a relação professor aluno é uma relação pautada pelo conflito", diz. "A questão é como responder pedagogicamente aos conflitos que estão instalados."
E não há fórmula pronta a ser seguida pelos docentes, mas exclusivamente um preceito que deve balizar a prática pedagógica: a busca permanente do equilíbrio entre as convicções pessoais e o papel do professor como parte de uma instituição - a escola - regida por valores sociais, como, por exemplo, o combate a todo tipo de preconceito, a busca da igualdade racial e de gênero, a laicidade do Estado.

O professor Guareschi recorre novamente a Paulo Freire - "não há um que sabe mais e outro que sabe menos; há um que sabe uma coisa e outro que sabe outra coisa" -, para indicar que a busca desse equilíbrio passa justamente por acolher os questionamentos dos outros frente a questões.

"A essência do processo pedagógico é fazer perguntas", diz. Quando a escola se pretende neutra e deixa de ser o espaço para se questionar, passa a formatar e não formar cidadãos e cidadãs.

E quando esse ambiente não está dado no ambiente escolar, seja qual for o motivo? O professor de pré-vestibulares ouvido pela reportagem - que descreve as ações de patrulha a que tem sido submetido no seu trabalho - lembra, no entanto, que esta dinâmica de discussão e debate de ideias não cabe em aulas de cursinho, voltadas para a transmissão de conteúdos muito específicos.

Questão de classe

O professor aponta na direção das escolas ou, mais especificamente, de determinadas escolas "de elite" - que formam a maioria dos alunos que fazem parte do público que procura os cursinhos preparatórios - e que se dedicariam a uma formação mais crítica dos alunos, para indicar a origem do que considera um autoritarismo dos alunos.

Ele reconhece que é importante estar atento para não se reproduzirem o racismo, o machismo, a homofobia, mas se diz incomodado com a "patrulha injusta".

De forma sintomática, aquilo que é considerado um avanço - o reconhecimento de que a maneira como falamos ou nos referimos às minorias sociais é também uma forma de reprodução dos preconceitos - parece não ter chegado justamente à população que mais é vitimada pela exclusão social. Na escola pública, que recebe a imensa maioria dos filhos das classes mais pobres, o "politicamente correto" passa longe.

"Ninguém tá nem aí, há deboches de todo tipo", relata uma professora de português da rede municipal de Porto Alegre, que também pediu para não ter seu nome citado.

Ela conta que é muito comum o conhecido "pegar no pé" por conta da orientação sexual dos colegas e ver alunos gritando ofensas raciais - inclusive, alunos negros. Mas o deboche alcança também o próprio politicamente correto. "Outro dia, um deles me disse: ''Só não deixa eu ir ao banheiro porque sou negro''. E ele era branco!"

O que é da escola?

Mais do que com as piadas sem graça, a professora mostra-se preocupada com o fato de que a concepção de escola internalizada pelos alunos igualmente reflete o ideário da escola neutra, focada na transmissão do conteúdo. Ela narra um episódio revelador: "Eu propus aos alunos que participássemos de um concurso, produzindo vídeos sobre a questão do negro, partindo da história de Zumbi do Palmares. Um aluno, negro, me contestou, me enfrentou até em sala de aula dizendo que onde já se viu, isso não era coisa para se fazer na escola."
O que é ou não é "coisa para se fazer na escola" é foco permanente de disputas que se expressam também na postura das direções e coordenações e, frequentemente, dos pais em relação ao conteúdo e ou práticas pedagógicas propostas por professores. Em grande parte dos casos, essas disputas ganham contornos moralizantes, como ocorreu - mais de uma vez - com uma professora de português da rede privada de Porto Alegre.

Ela conta que a presença da palavra "coito" em um texto que ela havia selecionado para ler com alunos da segunda etapa do Ensino Fundamental foi o suficiente para ouvir reclamações. Em outro episódio, a menção ao hábito de fumar também foi questionada. "As pessoas que fazem a escola têm se achado muito modernas, mas em geral eu vejo muitos discursos prontos", diz a professora. "E o pior é que esta coisa toda do politicamente correto acaba mascarando as questões mais profundas."

Um efeito disso parece ser o enquadramento também dos alunos a esta lógica moralizante. Com esta professora, os alunos estranham e alguns até reclamam que livros infantojuvenis, indicados pelos programas de livros didáticos e de incentivo à leitura para a idade deles, contenham termos como "putz" ou "merda". "A escola continua trabalhando com esta coisa da aura da criança ingênua, pura. Parece não haver uma discussão sobre este suposto ser angelical com quem trabalhamos", desabafa.

Para Pedrinho Guareschi, a ideia da escola neutra mascara perguntas importantes. "''Que tipo de sociedade nós queremos?'' é a pergunta que deve guiar toda ação educativa", afirma ele. "A questão é que, como em muitas sociedades ninguém está contente, estamos vivendo convulsões em todas as sociedades, nós temos de parar para discutir o que queremos. E a educação tem de estar dentro disso."

Pressões e política

Os conflitos de caráter político-ideológico que permeiam a educação não se expressam exclusivamente como um fenômeno de sala de aula. Num momento da história do país em que se intensificam os debates sobre os diferentes tipos de discriminação - racial, de gênero, por orientação sexual -, em que as mudanças no cenário de distribuição de renda põem em questão as divisões de classe social e em que temas envolvendo as liberdades individuais e visões religiosas também se tornam foco de discussões, também na área da educação isso tudo vem à tona.

Há dois anos, o projeto Escola sem Homofobia do Ministério da Educação transformou-se no centro de uma longa polêmica sobre a tematização da sexualidade nas escolas. Representantes de igrejas evangélicas e a bancada conservadora do Congresso Nacional pressionaram o governo federal, que acabou desistindo da distribuição do material pedagógico que serviria à discussão da orientação se­xual e dos preconceitos e violências relacionados. Mais recentemente, ganhou notoriedade nas redes sociais um site que reúne denúncias contra professores que utilizariam o espaço escolar para "doutrinar" os alunos. No caso, a "doutrina" denunciada inclui questões como a reforma agrária, o direito de propriedade, os direitos da população GLBTT e o que são consideradas "versões de esquerda" da história.

A tentativa de cristalizar o conhecimento em versões estanques é apontada como grande ameaça a um projeto de educação democrático. "Quem quer continuar dominando não aceita uma nova prática educativa", alerta Guareschi. "O que pode fazer da escola um lugar emancipador em termos políticos não é apresentar a posição A, B ou C, liberal, socialista ou anarquista, mas sim ser o espaço onde estão reunidas pessoas que têm várias posições", avalia José Sérgio Carvalho. "A grande vantagem de estar no espaço escolar não é apreender uma dessas posições, mas entender as razões que cada um, nessa pluralidade de experiências, tem para tomar as suas decisões."

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/210/patrulhamento-do-politicamente-correto-assombra-professores-327567-1.asp

Educação do futuro será personalizada e híbrida, segundo pesquisa do Wise

Computadores e tablets estarão mais presentes na vida de professores e estudantes do que lousas e apostilas. Até 2030, a maior parte do ensino será personalizada, ou seja, vai acompanhar o ritmo e os interesses de cada aluno. Aulas online serão mais importantes do que as presenciais. Essas são apostas para a educação do futuro de 645 especialistas ouvidos por pesquisa do Wise (World Innovation Summitt for Education), da Fundação Catar.
O levantamento, que será lançado nesta semana e foi obtido com exclusividade pelo Estado, reuniu opiniões de experts de todos os continentes. No estudo, 93% dos pesquisadores apontam que a inovação - social, tecnológica e pedagógica - será a chave para o avanço educacional nos próximos anos.
No futuro, as escolas terão formatos híbridos: vão usar plataformas online e ter espaços para as interações sociais. Segundo 73% dos especialistas, o professor será um tutor, deixará de ser a fonte do conteúdo para ajudar o aluno a alcançar o conhecimento sozinho.
A tecnologia será fundamental, mas apenas distribuir os aparelhos não basta, destaca o trabalho. Os dispositivos terão de estar a serviço dos propósitos acadêmicos - e não o inverso.
E mais do que conteúdo, será predominante nos colégios o desenvolvimento das competências socioemocionais - habilidades como responsabilidade e resiliência. Segundo os especialistas, a intimidade com cálculos ou memorização de datas dizem pouco sobre os alunos.
A maioria também não acredita que todos devam aprender os mesmos conteúdos ao mesmo tempo. Isso pode pôr fim à divisão por séries, mas não significa que as matérias deixarão de existir - elas serão ensinadas de forma interdisciplinar, conforme os projetos dos estudantes. Um aluno que queira fazer um robô, por exemplo, terá de aprender conceitos de física, matemática e até de geografia.
Esse modelo de educação parece distante, mas já está sendo implementado em vários países, até mesmo no Brasil. As iniciativas ainda são pontuais.
Um dos exemplos no país é o Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio, que foca nas competências socioemocionais - o projeto integra uma parceria do governo fluminense com o Instituto Ayrton Senna. A escola tem jornada integral no ensino médio e eixos de formação que envolvem convívio e autonomia.
"Temos projetos de pesquisa, em que somos protagonistas", conta Anna Beatriz Figueiredo, de 17 anos, aluna do 2º ano do ensino médio da escola. A jovem, que antes estudava em um colégio público convencional, percebe a diferença entre os modelos. "Antes, eu estava em uma condição passiva, sem muita voz."
Willmann Costa, diretor da unidade, explica que o objetivo é interligar os conhecimentos e desfazer barreiras entre professores e alunos. "É um modelo de currículo atrativo, mais próximo da juventude", destaca.

Veja também: Desafio será ampliar ações na educação, diz especialista
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Como professores de todo o Brasil transformaram a vida de seus alunos

Histórias de quem superou as adversidades da profissão e ampliou o impacto de suas atividades para além dos muros da escola


Marta Avancini e Luciana Alvarez
Professora Ana Telles com seus alunos: crianças apresentaram sarau para a comunidade

No município de Campo Bom (RS), alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santos Dumond fazem mutirões para recolher lixo e plantar mudas de árvores nas margens do arroio. Em São Paulo (SP), estudantes do colégio Stance Dual fizeram um levantamento dos problemas do bairro, elegeram prioridades, se organizaram e enviaram uma carta à subprefeitura responsável pela região, solicitando a recuperação da praça Contos Fluminenses. Em Cacoal (RO), alunos da Escola Estadual Cora Coralina estão envolvidos numa iniciativa que ajuda a controlar a dengue no município: eles distribuem sementes de crotalária, uma planta que atrai libélulas, predadores naturais das larvas e do mosquito que causa a doença.

Embora diferentes entre si e fortemente vinculadas às realidades em que estão inseridas, as iniciativas acima descritas possuem algo em comum: foram colocadas em prática por professores e extrapolaram o ambiente escolar, impactando o entorno de suas escolas. No Rio Grande do Sul, a evasão escolar diminuiu junto com a redução das enchentes do arroio Peri. Em Rondônia, o projeto Cacoal contra a dengue ganhou fôlego e escala, resultando numa parceria da escola com as secretarias municipais de Saúde e do Meio Ambiente. Em São Paulo, a praça foi reformada e, agora, o desafio é envolver os comerciantes da região da Bela Vista para fazer a manutenção do local.

Esses exemplos mostram que, apesar de um cotidiano atribulado e permeado de desafios, em todas as partes do Brasil muitos docentes transformam problemas e desafios do dia a dia em iniciativas que mudam (para melhor) a vida dos alunos, das escolas e, muitas vezes, da comunidade. Quais seriam, então, as características que fazem com que esses profissionais se destaquem em seu grupo? Como eles conseguem superar a realidade muitas vezes desanimadora das escolas brasileiras? O que faz com que eles se tornem professores transformadores?

Para Bernadete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, são muitos os professores que realizam ações transformadoras e inovadoras no Brasil e que, para isso, muitas vezes, superam as dificuldades que encontram no trabalho e, até, as falhas de formação. Segundo a pesquisadora, o diferencial desses profissionais é aliar uma insatisfação com a realidade ao impulso de encontrar soluções para os problemas.

COMPROMISSO SOCIAL

Como se sabe, o cenário para o exercício da docência no Brasil oferece condições distantes do ideal. Um a cada quatro docentes tem contrato precário ou é terceirizado, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A remuneração ainda deixa a desejar, embora tenha melhorado nos últimos anos: na média, o salário dos docentes corresponde a 51% do salário médio de um profissional com curso superior, formado em outras áreas. Além de ganhar menos, os professores trabalham longas horas, muitas vezes em diversos estabelecimentos: cerca de 40% dos professores fazem jornada dupla ou tripla, segundo dados de 2009 do Ministério da Educação (MEC).

Para Bernadete, o que faz surgir algo de diferente em meio a esse cenário de problemas marcados é o sentido de compromisso social que impulsiona alguns profissionais a buscar soluções para os problemas que identificam, articulando-as com práticas educativas que, por vezes, assumem caráter inovador. A pesquisadora ressalta ainda que esses professores estão insatisfeitos com os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem e acreditam que a educação pode melhorar, apostando em seu poder transformador.

Por vezes, as iniciativas e ações são individuais, gestadas na convivência com os alunos na sala de aula, conforme o docente vai percebendo suas dificuldades e potenciais, identificando seus interesses e possibilidades de mobilização. Quando se abre o canal de diálogo e interação entre alunos e professores, as ações se traduzem em ampliação do universo de conhecimento (tanto de alunos quanto dos professores), melhoria da aprendizagem, desenvolvimento da consciência cidadã, dentre outras.

PARCERIAS ESTRATÉGICAS

Outras vezes, as iniciativas inovadoras estão associadas a projetos de maior fôlego, ligados a organizações sociais, cada vez mais presentes no cotidiano das escolas. Para Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a presença das ONGs e outras entidades é um fator que tem colaborado para o surgimento de experiências inovadoras e transformadoras na escola.
“As ONGs complementam o papel do poder público, oferecendo apoio técnico, o que pode ajudar a potencializar projetos e ações que se diferenciam das práticas tradicionais”, analisa Amabile.

Na cidade de Irecê, no interior da Bahia, a criação de uma rádio e de um jornal escolar, com apoio de uma entidade do terceiro setor, o Instituto Brasil Solidário, foi a via para modificar profundamente o ambiente da Escola Municipal Luiz Viana Filho. Na medida em que os alunos assumiram a rádio e o jornal, o clima e as relações sociais foram melhorando, a ponto de a escola deixar de ser temida, para se tornar uma das mais concorridas da região. “Hoje temos fila de professores querendo ser transferidos para cá”, conta o professor Jefferson Maciel Teixeira, que há três anos assumiu a direção do colégio.

DIREITO DE APRENDER

Para o chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marcelo Mazzoli, o somatório de compromisso social com valorização do aluno, típico das experiências transformadoras que acontecem no ambiente escolar, remete a uma dimensão fundamental: a garantia do direito de aprender. “Esses professores assumem um compromisso desenvolvendo ações que materializam, no cotidiano da escola, o direito de aprender”, diz Mazzoli.

Mas, como ganhar escala em iniciativas que hoje se restringem ao âmbito do esforço pessoal? Por isso a importância de que as ações lideradas por professores sejam valorizadas, ganhem cada vez mais espaço como prática didática e sejam propagadas, diz Mazzoli. “São iniciativas que estabelecem a adesão do aluno, da escola e da comunidade do entorno a um projeto educativo”, justifica.

Nesse ambiente, o professor assume uma posição de protagonista, na medida em que desencadeia processos que modificam hábitos, práticas, comportamentos, além de ampliar horizontes. Nesse sentido, resgata-se a centralidade do papel do docente no processo educacional. Veja, nos links abaixo, as histórias de quem já assumiu um papel central na educação brasileira.

Veja Mais:


*Reportagem publicada na íntegra originalmente na edição 210 de Educação, com o título "Profissão: transformar"
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/210/como-professores-de-diferentes-partes-do-brasil-transformaram-a-vida-327552-1.asp

sábado, 11 de outubro de 2014

Aluna da EE União e Força (Cáceres - MT) é vencedora do Programa Jovem Senador. Veja a redação

A representante de Mato Grosso no Programa Jovem Senador, a estudante  Nathalia Lima Janones, 17 anos, foi a vencedora nacional  no concurso com a redação “Se eu fosse Senador”. Primeira colocada no país, após concorrer com outras 26 redações, a aluna do ensino médio da Escola Estadual União e Força, de Cáceres, aguarda com expectativa representar o Estado e o país no Programa.
O Programa anual  proporciona aos estudantes do ensino médio das escolas públicas conhecerem o funcionamento do Poder Legislativo, debatendo sobre as responsabilidades do Senado Federal. Segundo a  técnica responsável pelo Programa na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Telma Regina Oliveira Peres, Nathalia foi selecionada na etapa estadual após concorrer com outras 14 redações. O material analisado na comissão estadual apresentou todos os critérios definidos pelo Programa. No Senado, uma outra comissão responsável pela análise anunciou na terça-feira (07) o texto vencedor.

 
“Estou muito feliz com a oportunidade de representar o Estado e o Brasil junto ao programa. Esse é um projeto futurista, pois posso representar os anseios de todo o Estado” disse a estudante premiada. Nathalia conta que o interesse pelo Protagonismo Juvenil surgiu  muito cedo, mas a participação foi instigada com a palestra de um Parlamentar Jovem que falou sobre vários programas onde os estudantes poderiam estar inseridos. O premio será entregue em Brasília, quando a Jovem Senadora estará no Senado Federal entre os  dias 18 à 22 de novembro.

“Minha missão é voltar e fazer a mudança”. Conforme ela, representar o Estado é ser a semente necessária para despertar  o desejo dos jovens em conhecerem mais sobre política. Mostrar que o tema vai além do partidarismo. “Nós vivemos política e mesmo não querendo nós estamos inseridos nela. Este projeto nós ajuda a entender o que podemos fazer para mudar a nossa realidade”, conclui Nathalia Janones.

http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14663&parent=20

Veja gráficos preparados pelo QEdu sobre o IDEB

Quer ver mais dados sobre o município de Cuiabá, acesse

http://www.qedu.org.br/ajuda/artigo/434125

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mato Grosso divulga os textos selecionados na etapa estadual da 4ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa

A Comissão Julgadora Estadual de Mato Grosso da 4ª Edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro definiu nesta semana (06.10) os quatro textos vencedores em cada categoria: artigo de opinião, crônica, memórias literárias e poemas. A comissão recebeu das comissões municipais o total de 410 textos para avaliar e selecionar os vencedores nesta etapa. Mato Grosso obteve 16 (dezesseis) semifinalistas, os quais representarão o Estado nas próximas etapas do concurso, regional e nacional.

Na etapa regional, os alunos semifinalistas e respectivos professores participarão de oficinas pedagógicas e visitas culturais. No mesmo momento que acontecem essas atividades nos Encontros Regionais, a Comissão Julgadora Regional selecionará os 152 (cento e cinqüenta e dois) textos finalistas. Serão realizados 4 (quatro) encontros – um para cada categoria, sob a coordenação técnica do Cenpec.

Nesta edição da Olimpíada, os encontros regionais acontecerão em Belo Horizonte-MG (poema) de 28 a 30 de outubro; Maceió-AL (memórias literárias) de 03 a 05 de novembro; Porto Alegre-RS (crônica) de 10 a 12 de novembro; e, em Brasília-DF (artigo de opinião) de 17 a 19 de novembro.

Os encontros da etapa regional têm por objetivo ampliar as habilidades de leitura e escrita e o universo cultural dos alunos, além de desenvolver, com os professores, ati¬vidades destinadas a contribuir para a melhoria da qualidade do trabalho docente.

Os professores de alunos semifinalistas entregarão à Coordenação da Olimpíada, durante os encontros regionais, o ‘Relato de Prática’ e participarão da seleção no segmento docente. Na oportunidade, serão selecionados 7 (sete) Relatos em cada categoria: poema, memórias literárias, crônicas e artigo de opinião. 
A premiação dos alunos semifinalistas da Etapa Estadual, professores vencedores na categoria Relato de Prática e dos alunos finalistas da Etapa Regional acontecerá nos Encontros Regionais. A premiação pode ser conferida no Regulamento disponível no Portal da Olimpíada: <https://www.escrevendoofuturo.org.br>.
Nos próximos dias, a Equipe Técnica do Cenpec entrará em contato com os professores semifinalistas para orientar e organizar a viagem dos alunos para os Encontros Regionais.

Outras informações, acompanhar a página da Olimpíada de Língua Portuguesa em Mato Grosso: <https://www.facebook.com/OlimpiadaDeLinguaPortuguesamt>, ou entrar em contato com a coordenação estadual da Olimpíada (Consed-MT), professora Neiva de Souza Boeno, pelo  telefone (65) 3613-6321 ou pelo e-mail neiva.boeno@seduc.mt.gov.br, ou na Central de Atendimento da Olimpíada, telefone 0800-771.9310 (ligação gratuita).










http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14660&parent=20

A importância da visão empreendedora na educação

Leo Fraiman


Como a escola pode deixar antigos paradigmas de lado e adotar uma nova forma de educar, mais consonante com um mundo em constante transformação, e numa velocidade cada vez mais rápida? Nessa nova realidade, a educação deve ter uma visão empreendedora, que contemple valores, esteja aberta às novas tecnologias, integre família e escola, transcenda o "conteudismo", aprenda a se conectar com as crianças e jovens deste tempo e considere o sonho e a felicidade como metas a alcançar.
A educação empreendedora parte de duas grandes premissas. Uma considera o valor do todo e de todos. É a partir do envolvimento de todos os profissionais da instituição e do alinhamento de suas atitudes que esta poderá servir a sociedade de forma ética e sustentável. A outra premissa é a integridade, alcançada quando se mobiliza cada ação cotidiana em direção ao maior alinhamento possível entre o que pensamos e desejamos. Ao unir pensamentos, sentimentos e comportamentos, uma pessoa está mais integrada consigo mesma, com a sua verdade, e obtém maior poder pessoal.
Não cabe somente ao professor, em sala de aula educar. A polidez, a clareza na comunicação, o desejo de ajudar devem estar presentes em cada gesto, olhar e atitude de todos os profissionais da escola. Pois tudo que se fala sobre direitos humanos na sala de aula vai por água abaixo se na secretaria da escola as pessoas tratam os pais de maneira indecorosa. De nada adianta a professora falar sobre a importância do capricho nos trabalhos aos alunos, se na hora do lanche eles recebem sua comida colocada de qualquer jeito no prato.
Assim como o aprendizado de língua portuguesa não se restringe somente aos professores desta matéria e precisam ser reforçados pelos colegas nas suas aulas (falando adequadamente e com clareza), nas provas (com boa redação e facilidade de entendimento), nos murais espalhados pela escola (atrativos, claros e motivadores) e na forma como tratam os alunos (com assertividade e polidez nas palavras usadas e na maneira de falar), valores, crenças e atitudes são transmitidas pelo que se fala e faz no contexto escolar. É preciso unidade para uma instituição se tornar forte e seu sucesso se mostrar duradouro.
Esse nosso jeito de educar está baseada numa série de compromissos, que norteiam todas as nossas ações e atitudes. O primeiro deles é com o aluno. Cada educando bem formado é fonte de novos bens, valores e força motriz para a sociedade. Isso significa que todos nós educadores cuidamos dos recursos humanos que garantirão o desenvolvimento do nosso país no longo prazo, e educar, assim, se torna um ato ético e sustentável. E você, como educador, já pensou em como pode adotar esses novos pensamentos e adaptá-los ao cotidiano de seus alunos?

LEO FRAIMAN

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br
http://educacao.uol.com.br/colunas/leo-fraiman/2014/10/09/a-importancia-da-visao-empreendedora-na-educacao.htm

Escolas municipais participam de campeonato de xadrez

Foto: Jorge Pinho

Secom Cuiabá

Ao menos 16 escolas municipais de Cuiabá participam nesta sexta-feira (10), a partir das 7h30, do campeonato de xadrez promovido pela Secretaria Municipal de Educação. O evento ocorrerá na escola Henrique da Silva Prado, no bairro Areão.
O campeonato é uma das atividades esportivas do 3º Jogos Escolares de 2014 e será dividido nas categorias A (alunos nascidos de 2000 a 2002) e B (nascidos de 2003 a 2005).
Vão participar alunos das escolas municipais Rafael Rueda, Ana Tereza Arcos Krause, Alzira Valladares, Antonia Tita, Maria Dimpina, Ranulpho Paes de Barros, Marechal Cândido Mariano Rondon, Lenine de Campos, Orlando Nigro, Santa Cecília, Rafael Rueda, Helio de Souza, Jescelino Reiners, Maria da Glória de Souza, Francisval de Brito e Ana Alves de Oliveira.

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/escolas-municipais-participam-de-campeonato-de-xadrez/9678

Projeto cria espaços de leitura nas creches

Foto: Jorge Pinho

Secom Cuiabá
A Secretaria de Educação de Cuiabá desenvolverá em 10 creches o projeto "Biblibaby", que visa criar espaços de leitura para as crianças das unidades. O projeto será realizado no mês de outubro em comemoração ao Dia da Criança (12) e ao Dia Nacional do Livro (29).
O projeto será coordenado pela equipe das bibliotecas Saber com Sabor, em parceria com a equipe de Educação Infantil. Conforme explica a coordenadora das bibliotecas Saber com Sabor, Edvair Alves, o projeto visa o desenvolvimento de saberes e habilidades necessárias à prática da educação em espaço sobre rodas (prateleiras) com um acervo diversificado contendo literatura infantil, gibis, revistas educativas, material para colorir, desenhos, entre outros.
“O objetivo é levar conhecimento, cultura, lazer e entretenimento a essas crianças. Sempre incentivo a leitura para promover o ensino-aprendizagem”, observa Edvair Alves.
O projeto conta também com oficinas de produção de livros infantis em tecido e feltro para os Técnicos em Desenvolvimento Infantil (TDIs), Técnicos em Multimeios Didáticos (TMDs) e Assessores da equipe de educação infantil. As oficinas serão realizadas nos dias 10, 17 e 18 de outubro, totalizando carga horária de 20 horas.
Nos dias 22, 23 e 24 serão realizadas as entregas das estantes, dos livros, gibis e revistas, bem como a montagem e inauguração das Biblibaby nas creches.
Os livros confeccionados farão parte do acervo das Biblibaby e servirão de ferramentas para serem utilizados de forma lúdica na contação de história, buscando despertar a imaginação e a criatividade das crianças. 
As creches municipais que vão participar do projeto são: Amália Curvo de Campos, CAIC Eldorado, Elzira Cavalcante, Jamil Boutros, João Batista Scalabrini, José Luiz de Borges Garcia, Padre Armando Cavallo, Santa Clara, Sebastião Tolomeu e Antônio Marcos Ruzzene.

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/projeto-cria-espacos-de-leitura-nas-creches/9679

Chamada de "burra" nos tempos de escola, jovem lança HQ sobre bullying

Vanessa Bencz foi diagnosticada com transtorno de déficit de atenção. 
'Quem pratica bullying também tem problema e precisa ser ouvido', diz.

Paulo GuilhermeDo G1, em São Paulo


Vanessa Bencz sofreu bullying por causa de TDAH e escreveu um livro em HQ para tratar o tema (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)

Durante boa parte da infância, a catarinense Vanessa Bencz se acostumou com as notas baixas na escola, a dificuldade em se concentrar durante a aula, e o estigma de que não conseguiria aprender nada. Se via perdida em meio às brincadeiras dos colegas de classe, isolada em um canto da sala, às vezes reprovada com olhares pelos professores. "Ninguém queria andar perto de mim. Diziam que a burrice era contagiosa", afirma.

Vanessa demorou para descobrir que sofria de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a entender que era vítima de bullying. Hoje, jornalista formada, ela conta a sua trajetória em forma de ficção no livro de história em quadrinhos "A menina distraída".
A jovem de Joinville (SC) diz que descobriu que algo estava errado em sua vida aos dez anos, depois de tirar várias notas zero nas provas. Era comum parar de prestar a atenção na aula para olhar pela janela ou desligar-se da aula para desenhar no caderno.
"Sempre fui muito tímida e tirava só nota baixa. Ninguém queria andar comigo", afirma. "Eu só não repetia de ano porque estudava em colégio particular que me aprovava por causa das mensalidades."
Livro lembra episódio em que ela foi reprimida por professor por desenhar durante a aula (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)Livro lembra episódio em que ela foi reprimida por professor por desenhar durante a aula (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)
Já na adolescência, um professor de matemática a repreendeu diante de toda a classe depois de flagrá-la desenhando em vez de fazer os exercícios. "Ele disse que eu jamais seria uma desenhista, no máximo iria fazer cartaz de supermercado."
Os pais encaminharam Vanessa para uma psicóloga e aos poucos seu desempenho escolar começou a melhorar. A psicóloga diagnosticou o transtorno de déficit de atenção e passou a orientar Vanessa a como fazer seu cérebro funcionar "à sua maneira". "Ela me explicou que se eu anotasse o que o professor falava, dormisse 20 minutos à tarde e olhasse o que anotei em seguida, conseguiria entender melhor", explica. "Meu problema era ficar olhando para a janela."
A psicóloga recomendou muita leitura para Vanessa, como as séries "Harry Potter" e "Senhor dos anéis". Passou a escrever melhor, fazer ótimas redações, fez vestibular e entrou em jornalismo. Na faculdade, ganhou vários amigos.
No livro, menina distraída cria alter ego e se projeta na Mulher Raio (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)No livro, 'menina distraída' cria alter ego e se
projeta na Mulher Raio (Foto: Arquivo pessoal/
Vanessa Bencz)
Também no ensino superior foi se consultar com uma psiquiatra que a receitou o uso de ritalina. Na medicina, a droga de uso controlado é usada para reduzir impulsividade e hiperatividade de pessoas com TDAH. "Meu cérebro é como uma orquestra maluca, todo mundo tocando ao mesmo tempo", diz Vanessa.
O uso da ritalina por quem não precisa de tratamento é condenado pelos médicos.  Além de não aumentar o poder de concentração, o remédio pode trazer riscos para a saúde.
Identificação
A jovem teve a ideia de escrever um livro em formato de história em quadrinhos para discutir os problemas que quem tem dificuldades na escola sofre. "Fiz algumas palestras e conheci muitos alunos que se identificaram com a minha história", afirma Vanessa, que chamou o namorado, Fábio Ori, para ilustrar a obra. Ela vez uma campanha no site de crowfunding Catarse e arrecadou R$ 21 mil para a produção do livro.
Na história em quadrinhos, a personagem Leila não presta atenção no professor, não consegue fazer amizades e acaba excluída na escola. Então, ela cria um 'alter ego' e passa a interagir com ela. "Ela desenha a Mulher Raio, uma heroína capaz de resolver todos estes problemas."
A história mostra ainda que o menino que praticava o bullying é, no fundo, alguém que também tem muitos problemas e precisa de cuidado e atenção. "A escola e os pais precisam entender que não apenas quem sofre o bullying, mas também quem pratica, precisa ser ouvido. Em geral eles excluem todo mundo, tanto o agressor quanto o agredido".
O livro será distribuídos em escolas da rede pública e estará à venda por R$ 25.
Para Vanessa, escolas precisam ouvir melhor as vítimas e praticantes de bullying (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)Para Vanessa, escolas precisam ouvir melhor as vítimas e praticantes de bullying (Foto: Arquivo pessoal/Vanessa Bencz)
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/10/chamada-de-burra-nos-tempos-de-escola-jovem-lanca-hq-sobre-bullying.html

Declaração para um novo ano

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