segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"Eliminar 'ç', 'ch', 'ss' é uma grande besteira", diz linguista

Ideia circula em grupo de estudo do Senado. Embora negue proposta, senador defende revisão do acordo ortográfico que sequer entrou plenamente em vigor

Bianca Bibiano

Nesta semana, uma discussão sobre (mais) uma nova reforma ortográfica da língua portuguesa veio a público revelando uma proposta esdrúxula. Segundo a versão que circulou, um grupo do Senado defenderia uma "simplificação" do idioma escrito propondo para isso que palavras grafadas com "ç", "ss", "sc" e "xc" passassem a ser redigidas exclusivamente um "s"; o "h" no início das palavras, por sua vez, seria suprimido — "homem" viraria "omem". Isso evitaria confusões na hora de escrever. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado Federalque de fato debate uma revisão da reforma que entrou em vigor em 2009, nega que defenda a aposentadoria do "ç", "ss", "xc" e assim por diante. "Tudo não passou de um mal-entendido", diz Miranda.
Segundo ele, a proposta é de autoria de Ernani Pimentel, professor de língua portuguesa, dono da rede de cursos preparatórios Vesticon. Pimentel faz parte do grupo de trabalho técnico do Senado formado em 2013 para revisar o acordo ortográfico de 2009. Também fazem parte do grupo os senadores Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) e o também professor Pasquale Cipro Neto. "As ideias do Pimentel não representam a opinião do grupo. Não há nenhuma proposta nesse sentido tramitando na Casa", diz Miranda.

Defendida pelo senador ou não, ideia de mexer no "ç" e no "h" não encontra amparo junto a um dos maiores linguistas do Brasil. "É uma grande besteira. A ortografia é influenciada tanto pela história da língua como por seu registro oral. Ela guarda suas raízes latinas e gregas e não pode ser alterada apenas levando em conta a fala atual", diz Ataliba de Castilho, assessor do Museu da Língua Portuguesa e professor das Universidade de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp).

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O linguista questiona ainda um argumento defendido por Pimentel para suprimir "ç" e "h": o de que o corte facilitaria a aprendizagem escolar. "A dificuldade de alfabetizar não diz respeito à grafia das palavras, mas sim ao método de ensino do professor, que precisa ajudar o estudante a compreender as diferenças entre língua falada e escrita. Mudar as letras não muda esse processo."
A última reforma ortográfica entrou em vigor em 2009, introduzindo mudanças como o fim do trema e da acentuação em palavras como ideia e assembleia. Embora escolas, editoras de livros e publicações, entre outros, já tenham assimilado as novas regras, Miranda conseguiu, em 2012, negociar com a presidente Dilma Rousseff o adiamento do prazo final para adoção das novas normas. Ao invés de 1º de janeiro de 2013, o prazo foi prorrogado para 1º de janeiro de 2016.
Vitorioso na primeira empreitada, o senador propôs a criação do grupo de trabalho do qual faz parte Pimentel. O objetivo é rever as normas gramaticais estebelecidas no acordo firmado em 2008 pelas nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). E propor mais mudanças. "Há muitas críticas ao fato de que grupos da sociedade, como professores e linguistas, não terem sido consultados sobre as mudanças", diz Miranda. "Faremos reuniões com representantes da CPLP e para criar uma nova proposta de adequação da ortografia e uma votação para saber quais países desejam aderir ou não ao acordo ortográfico."
A discussão não faz sentido algum, na visão de Castilho. "Editoras, imprensa e até empresas de softwares já adaptaram todos os seus produtos, como previa a lei. Continuar discutindo a mudança é desconsiderar o gasto financeiro desse processo", diz. Ele diz ainda que a discussão ignora o trabalho dos linguistas Antonio Houaiss e Malaca Casteleiro, que, na década de 1990, delinearam a proposta da ortografia introduzida em 2009. "Foi um trabalho amplo, com participação da sociedade civil, da academia e do poder público, ao contrário do que diz o grupo de trabalho do Senado."
Ainda que o Senado continue a arquitetar uma contrarreforma ortográfica, pouco poderá ser feito no sentido de mudar o que foi acordado em 1990 e reiterado pelos oito países em 2008. O Instituto Internacional de Língua Portuguesa, órgão da CPLP, é o único responsável por preparar o Vocabulário Ortográfico, documento de referência nos oito países. "Nada poderia ser feito no Congresso brasileiro para mudar esse fato", afirma Castilho.

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/eliminar-c-ch-ss-e-uma-grande-besteira-diz-linguista

Salário: Categoria aceita 2.44% de ganho real

  
Os trabalhadores da educação, reunidos em Assembleia Geral, realizada no dia 21 de agosto, deliberaram por acatar a contra proposta apresentada pelo Secretário Municipal de Educação, em resposta à pauta de reivindicação da categoria referente à Campanha Salarial de julho de 2014.

 Conforme decisão, os subsídios da categoria serão recompostos em 8.50%, sendo 6.06% em julho e 2.44% em outubro.

Para cobrar maior celeridade nas reformas das unidades educacionais, a categoria deliberou pela realização de um ATO PÚBLICO, na Praça Alencastro, no mês de setembro.


João Custodio da Silva 
Presidente do Sintep Subsede de Cuiabá

Clóvis Matos: uma paixão eterna pela literatura

CAROLINE LANHI

  • Lenine Martins/Secom-MT

Clóvis Matos leva livros a quem não tem acesso a eles
O que faz o Papai Noel quando não está às voltas com o Natal? Muita coisa! Conta histórias, cria rodas de leituras, monta bibliotecas, oferece oficinas e mostras de cinema em comunidades rurais. Pelo menos é esta a rotina de Clóvis Matos, 59, também conhecido como Papai Noel. E não é somente pela barba longa e branca que Clóvis leva a fama de bom velhinho. Ele realmente exerce a função durante todo o mês de dezembro, desde 2005. Nos outros 11 meses do ano, quando não está trabalhando na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde é servidor, dedica-se a despertar em crianças, jovens e adultos o gosto pela literatura e pelo cinema. 

No mesmo ano que adotou o uniforme vermelho e branco, Clóvis – que também é historiador e produtor cultural – iniciou o projeto “Inclusão Literária” para levar livros a quem quase não tem acesso a eles e, com isso, estimular a leitura. Não importa onde. Cidade ou zona rural, empresas ou espaços públicos, qualquer lugar é lugar. Para isso ele conta com uma parceira experiente, a Furiosa, uma caminhonete F 75, verde oliva e cheia de livros que funciona como uma biblioteca itinerante. Basta estacioná-la, abrir a carroceria e aguardar os leitores de todas as idades.



   

Mais do que transportar os livros para lá e para cá o “Papai Noel” cria pequenas bibliotecas chamadas Livro no Ponto. São como aquelas sapateiras, mas em vez de sapatos recebem livros. Boa parte das bibliotecas foi instalada em comunidades rurais, de preferência em locais públicos como restaurantes, supermercados e associações. Todos os livros são resultado de doações ou de compras feitas pelo próprio produtor. Clóvis não vê problema em não devolver o livro, mas se devolver melhor, pois ele pode ser lido por outra pessoa. A ideia é fazer o livro circular! 

   


Clóvis Matos/Arquivo pessoal
Clóvis Matos em seus projetos de inclusão literária
Clóvis em seus projetos de inclusão literária cria o espaço de leitura principalmente nas comunidades rurais

O projeto é realizado em parceria com o produtor Epaminondas de Carvalho e oferece ainda oficinas de produção de vídeo e mostras de cinema. Varginha, zona rural próxima a Santo Antônio de Leverger, foi a primeira comunidade a receber o projeto. “Tinha umas 300 pessoas na quadra de esportes da escola no dia de lançamento da biblioteca”, relembra o historiador que já nem sabe quantas unidades montou – “mais de 20”. Atuante na região do Pantanal, Clóvis criou em Barão de Melgaço (113 km ao sul de Cuiabá) uma base que serve de apoio para as ações que realiza nas redondezas. 

A ideia do Inclusão Literária começou a ganhar forma quando Clóvis foi trabalhar em uma livraria de um shopping, em 2003. Depois de criar um espaço de leitura dentro da loja, percebeu que muita gente ia à livraria apenas para ler, sem comprar. Alguns devoraram um livro em um fim de semana. Clóvis percebeu que, além da dificuldade econômica, muita gente não lê porque não tem estímulo. Dois anos depois, lá estava o produtor cultural com a Furiosa na rua.

   

Em 2013 o projeto chegou à localidade de João Carro, próxima a Chapada dos Guimarães, e outras comunidades nas cercanias. Dessa vez houve também palestras sobre saúde e cidadania. Apesar das dificuldades de acesso, o resultado não poderia ser melhor, garante Clóvis. A Associação de Mulheres de João Carro recebeu uma biblioteca e as participantes produziram um filme sobre o trabalho desenvolvido por elas. A garotada também colocou a mão na massa e produziu “Bullying: casos da vida real”, disponível no You Tube. Além disso, outra biblioteca foi montada em um restaurante local.

   

Outro destino é o distrito de Bom Jardim, que pertence a Nobres (146 km ao norte da Capital), com um diferencial: agora eles contam com mais um veículo, uma Kombi.  “A minha vontade é colocar o Inclusão Literária na estrada, para o estado inteiro, como antigamente quando eu ia de ônibus, caminhão, Kombi”, lembra Clóvis que, no início da década de 80, viajava com Epaminondas pelo interior de Mato Grosso, com um projetor 16 mm para fazer mostra de cinema. Nem as duras regras impostas pela ditadura militar impediram o jovem historiador de realizar uma mostra de cinema soviético. “Quase fomos presos, o material ficou detido na alfândega e prestamos depoimento na Polícia Federal”, recorda.

  

Clóvis Matos/Arquivo pessoal
Clóvis Matos em seus projetos de inclusão literária e de Natal
Projeto oferece ainda oficinas de produção de vídeo e mostras de cinema


De produtor cultural a Bom Velhinho - É quase impossível olhar para Clóvis Matos e não lembrar do Papai Noel. Quando trabalhava na livraria, o historiador era sempre convidado pelo setor de marketing do shopping para exercer a doce e dura tarefa de ser o Bom Velhinho. Foram tantos pedidos que, em 2005, ele resolveu aceitar o desafio e não parou mais e nem pretende desistir tão cedo. “Enquanto tiver força para trabalhar, eu vou fazer”.

   

A função exige paciência e disposição, afinal não é fácil aguentar os puxões na barba para saber se ela é “verdadeira”, as birras de algumas crianças e as horas diárias posando para fotógrafos. Mas as boas histórias e demonstrações de carinho superam qualquer dissabor, garante Clóvis. São tantos sonhos e pedidos que ele pretende escrever um livro. E um pedido especial não deve ficar de fora, o de uma garotinha que pediu ao Papai Noel que trouxesse para ela uma escada para que pudesse chegar à lua e pegar uma estrela.

   

Em oito Natais Clóvis viu seu público crescer e mudar. Hoje, além de crianças, recebe na sua “casa de Papai Noel” muitos adolescentes – aqueles que na infância adoravam posar ao lado do bom velhinho – e idosos. “Esse público tem aumentado gradativamente, às vezes eles vão lá apenas para bater papo”, conta. A única coisa que não muda é a fama de Papai Noel. “Mesmo que eu tire a barba, acabo sendo Papai Noel o ano inteiro, não tem jeito!”.

http://www.mt.gov.br/conheca-mt/nossa-gente/paixao-pela-literatura/115346

Projeto prevê suspensão de alunos que desrespeitarem integridade de professores

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7307/14, que estabelece punições à criança e ao adolescente que não cumprirem regras de conduta estabelecidas pelas instituições de ensino na qual estiverem matriculados, e não respeitarem a integridade física e moral de professores e demais membros da escola.
A proposta, do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), prevê a suspensão da frequência do aluno às atividades escolares e, em caso de falta mais grave, o encaminhamento dele à autoridade judiciária competente para outras sanções cabíveis. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90) não prevê a adoção desse tipo de penalidade.
Mendonça ressalta que são cada vez mais frequentes os casos de violência escolar, especialmente em relação aos professores da educação básica. “A violência é um problema enfrentado diariamente por milhares de docentes das redes pública e privada de ensino, que são alvos de ameaças de estudantes quase sempre devido ao baixo rendimento escolar”, afirma. Depredações e arrombamentos de salas de aula, acrescenta o parlamentar, também integram a ampla lista de atitudes condenáveis no ambiente escolar.
Segundo o parlamentar, o ECA deve obrigar os estudantes a respeitarem as normas de conduta dos colégios e preservar o bom convívio com a comunidade estudantil. “O estatuto estabelece uma série de obrigações do Estado, da família e das instituições de ensino com o intuito de garantir o direito à educação de crianças e adolescentes. A lei, no entanto, não prevê uma contrapartida aos estudantes”, argumentou.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Veja a íntegra do PL 7307/2014

Projeto “Bincadiquê?” oferece formação continuada a professores de educação infantil


Secom Cuiabá
Pelo menos 40 professores de 11 unidades de educação infantil da rede municipal estão recebendo formação continuada por meio do projeto “Brincadiquê? Pelo Direito ao Brincar na Escola”. A realização do projeto é resultado de uma parceria firmada entre a Prefeitura de Cuiabá com a Rede Marista de Solidariedade, por meio do Centro Marista da Infância, e o Instituto HSBC de Solidariedade.
A diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Vanilda Mendes, explica que o projeto Brincadiquê? ocorre por meio de formação presencial dos professores, dividida em 10 encontros com oito horas cada. Nesta quarta e quinta-feira (20 e 21) foi realizada a primeira etapa de formação dos educadores em Cuiabá.
“A formação tem por objetivo apresentar ao educador da educação infantil meios para promover o direito de brincar com criatividade e qualidade”, disse a diretora.
O conteúdo aplicado nas formações é baseado nas Diretrizes do Plano Nacional Pela Primeira Infância da Convenção sobre Direitos das Crianças e no conhecimento sistematizado pela Rede Marista.
Rede Marista – presente no Brasil desde 1897, o grupo é uma instituição que se divide em unidades administrativas, entre elas o Grupo Marista. Atua nas áreas de Educação, Solidariedade, Saúde e Comunicação, por meio de uma agremiação de organizações sem fins lucrativos. A Rede Marista de Solidariedade atende diretamente 16 mil crianças e jovens de maneira contínua, além de atuar em todas as frentes do Grupo Marista a partir de programas com base na promoção e defesa dos direitos das infâncias e juventudes.

Saiba Maishttp://www.brincadique.com.br/

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/projeto-bincadique-oferece-formacao-continuada-a-professores-de-educacao-infantil/9440

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Professor propõe fim do "ç", "ch" e "ss" na língua portuguesa

Edgard Matsuki 
Do UOL, em Brasília


Um grupo de trabalho na Comisão de Educasão, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que viza modificar algumas regras da língua portugeza.
É isso mesmo. Se um estudo que tramita no Senado chegar a valer, a primeira frase desta notícia seria escrita desse jeito mesmo. O correto, atualmente, é: "Um grupo de trabalho na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que visa modificar algumas regras da língua portuguesa".
Um grupo de trabalho dentro da Comissão, presidida pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO), tem como objetivo buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos -- e estuda mudanças ortográficas em nossa língua.
Uma das propostas é a criada pelo professor Ernani Pimentel, pesquisador da língua portuguesa há 50 anos e um dos autores do projeto "Simplificando a Ortografia". Pimentel quer acabar com o uso da letra "h" antes das palavras, do "ç", do "ss", "sc" e "xc" (que seriam substituídos pelo "s" simples), do hífen, do dígrafo "ch" (que seria substituído pelo "x"). Palavras também passariam e ser escritas como o fonema aponta como o "x" e o "s" com som de "z". A letra "u" após o "g" e "q" e antes de "e" e "i" também seria suprimido.
Ainda com discussão em caráter embrionário, para chegar à vigência, a proposta que for escolhida pelo grupo de trabalho precisaria ser aprovada pelos senadores que integram a Comissão de Educação do Senado, ir a plenário, passar pela Câmara dos Deputados, receber sanção presidencial e ainda ser aprovada em outros países de língua portuguesa. Ou seja, mesmo que o projeto fosse uma unanimidade, poderia levar muitos anos para que as mudanças passassem a valer.
Mudanças ortográficas estudadas no Senado
  • Homem viraria omem
    Fim da letra "h" antes das palavras
  •  
  • Faça viraria fasa
    Fim do "ç"
  •  
  • Passa viraria pasa
    Fim do "ss"
  •  
  • Acrescentar viraria acresentar
    Fim do "sc"
  •  
  • Excelência viraria eselênsia
    Fim do "xc" e do "c" com som de "s" (como em cenoura)
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  • Couve-flor perderia o "tracinho"
    Hífen deixaria de existir
  •  
  • Chuva viraria xuva
    Fim do "ch"
  •  
  • Exame viraria ezame
    Fim do "x" com som de "z"
  •  
  • Asa viraria aza
    Fim do "s" com som de "z"
  •  
  • Quero viraria qero
    Fim do "u" após o "g" e "q", antes do "e" e do "i"
Pimentel aponta que essas mudanças acarretariam em economia com a educação no país: "Em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, sejam utilizadas apenas (ou em torno de) 150", diz.
O professor disse que o convite para integrar o grupo de trabalho (que também é liderado pelo professor Pasquale Cipro Neto) surgiu após audiência pública de 2009 em que foram tecidas críticas ao acordo ortográfico que entrou em vigor naquele ano. "Na época escrevi até um livro sobre o assunto. Em 2012, começamos a discutir simplificações da ortografia. Fomos a Portugal e vamos a Angola e Moçambique discutir com professores sobre o assunto".
Pimentel também apontou que há um espaço para sugestões de simplificação do idioma. "No site Simplificando a Ortografia estamos abertos a receber sugestões de mudanças e fizemos um abaixo-assinado de apoio às propostas". Até o momento, o site tem 33 mil propostas.

Ridículas e patéticas

Apesar dos argumentos de quem propõe as mudanças, as medidas têm rejeição por parte de alguns linguistas. O filólogo e professor da UnB (Universidade de Brasília), Marcos Bagno, não economiza críticas ao falar da proposta: "São ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil", diz.
Para Bagno, o argumento de que as novas mudanças facilitariam o aprendizado não é válido. "Aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados. A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma", aponta.
Pimentel aponta que as críticas à proposta sempre vêm da academia e não de quem ensina para crianças. "Há pessoas que defendem a etimologia na construção da ortografia. Mas há várias regras em que ela é quebrada. Temos que decidir sermos mais práticos. Assim, as crianças podem aprender melhor", responde.
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/20/senado-discute-fim-do-c-ch-e-ss-na-lingua-portuguesa.htm

Mesa Internacional aborda garantia das condições de aprendizagem para os alunos


A gestão escolar como garantia de condições de aprendizagem para todos os alunos foi o tema da segunda palestra do I Seminário Internacional de Boas Práticas de Gestão Escolar, que aconteceu na quinta-feira 14/8, em Brasília.
Participaram da mesa internacional, a secretária de Estado de Educação do Mato Grosso, Rosa Neide Sandes de Almeida; Angela Dannemann, diretora executiva na Fundação Victor Civita e os diretores americanos que estão realizando intercâmbio no Brasil: Tim Doran; Andrea Tejedor; Marco Nava; Hudson Thomas; Lindsey Pollock; Debra Livingston; David Moody e Rachel Clark.
A secretária do Mato Grosso, Rosa Neide, destacou a importância do debate com os diretores norte-americanos e de uma adequação de realidades. Ela também ressaltou a diversidade do momento. “Apesar das diferenças culturais e históricas, lidamos com educação de crianças e adolescentes, e há semelhanças nesse aspecto”. Segundo a secretária, está inserido no objetivo de todos “o desejo de ver os jovens mais felizes. É momento histórico e que contribui para os grandes avanços na educação brasileira”.
Sobre o tema da mesa internacional, Rosa Neide afirmou que “aprendizagem é aquilo que desejamos para nossos alunos e neste momento é importante a reflexão sobre o tipo de aprendizado que estamos passando a eles.” Destacou o fato de que todos os presentes fazem a educação na prática: “no chão das escolas e das regionais de ensino”. Para ela o momento é uma excelente oportunidade de trocas, pois,  “são educadores que têm práticas e que nos ajudam a refletir melhor sobre a educação que queremos”.
Por fim a secretária Rosa Neide provocou os participantes a refletirem “sobre as experiências apresentadas e busque adequá-las para o contexto brasileiro e de cada realidade regional”.
A diretora executiva da Fundação Victor Civita, Angela Dannemann, afirmou que na condução da gestão escolar deve-se priorizar “a presença de gestores que atuem como líderes nas escolas, capazes de implementar ações direcionadas para o foco da aprendizagem, contendo metas planejadas e negociadas com suas equipes e a rede de execução continuamente monitorada para corrigir desvios e assegurar os ganhos obtidos”.
Para ela, é fundamental a garantia de “formação continuada da equipe e seu próprio aprimoramento”, para os gestores. Segundo Dannemann é preciso construir uma comunidade de boas iniciativas que assegure o monitoramento escola/rede e permitir as trocas entre escolas para compartilhamento de ações e recursos, “bem como a discussão de desafios comuns.  Abrindo espaço para a inovação e a experimentação, sem perder o foco nos objetivos educacionais”, apontou.
Ao final, Angela Dannemann afirmou que é preciso “orientar e apoiar os educadores a respeitar, cada vez mais, as diversas formas de aprendizagem dos alunos, num mundo cada vez mais virtual, inundado de informações que demandam uma ação educativa intencional para se transformar em conhecimento aplicável às situações reais”, concluiu.
Os diretores americanos subdividiram-se em duplas, para abordar quatro diferentes temas: aprendizagem, equidade escolar, envolvimento da família no âmbito escolar e, também, a administração do material e o ambiente escolar.   
Aprendizagem escolar - Foi o tema abordado pelos diretores Rachel Clark e David Moody, que discutiram sobre os processos de avaliação e a importância da auto-reflexão na atuação dos alunos e professores. Os diretores apontaram as diferenciações das respectivas escolas e descreveram como melhoram os processos de aprendizagem dos alunos.
Rachel dividiu com o público as experiências com a prova principal, que eles aplicam na Carolina do Norte, que, além da nota, são avaliados níveis socioeconômicos, gênero, raça, dentre outros critérios, para o cálculo final da nota. “No fim, diretores, professores e pais se juntam num processo final, que aponta os erros e acertos da escola, de acordo com o aprendizado dos alunos, para que a cada ano, a escola melhore seu desempenho”, afirmou Rachel.
David trouxe novas perspectivas a palestra, ao falar sobre as avaliações que faz na escola que atua. “Ao invés de avaliações anuais, fazemos mensais, e ao verificar os erros, eles vão sendo ajustados continuamente”, disse.
Equipe escolar - Professores e Funcionários - Foi o assunto debatido pelos diretores Marco Nava e Debra Livinston. Eles compartilharam com o público, suas experiências sobre esse tema, especialmente, sobre o desenvolvimento de lideranças na formação de professores que “é um dos aspectos mais marcantes, devido a importância do progresso das capacidades para o professor se tornar um líder e assim formar novos líderes”, segundo Nava.
“Com as mudanças da escola, hoje exerço um papel de líder, onde não preciso acompanhar de perto cada ação, posso apenas direcionar a equipe ” afirmou Debra, ao pontuar as principais diferenças na equipe escolar com um maior número e mais liderança. Atualmente, todos tem algum cargo de liderança na escola, na devida situação, para que consigam chegar na equipe perfeita.
Para Marco “o mais importante para um diretor é ser capaz de identificar seus pontos fortes e fracos, assim como os de seus companheiros de equipe, para a melhora e o fortalecimento do grupo.” O professor ser líder e formar líderes é o principal foco de sua escola e para isso eles utilizam a “tecnica das 6 qualidades” - cada líder deve ter coragem, moral, equidade social, persistência, reflexão, diversidade e confiaça.
Envolvimento da família no âmbito escolar - Foi a questão que Hudson Thomas e Lindsey Pollock trataram durante sua participação. A colaboração e presença dos pais, é um diferencial que somente agrega aos alunos. Destacou - se a presença pais como voluntários nas Associações de Pais e Mestres, a participação nos eventos escolares e as dificuldades encontradas com os pais de alunos que não tem o poder de ajudar filho em casa.
Lindsey lembrou das qualidades de ser pai ou mãe, “precisamos nos envolver mais no processo escolar, para colaborar com a comunidade” afirmou. O trabalho voluntário de pais nas escolas dos Estados Unidos é um dos hábitos diferenciais que eles possuem.
“O aprendizado em casa é uma continuação do processo escolar e caso os pais não consigam ajudar, a escola deve estar pronta para prestar o suporte para a família” afirmou Hudson. Para ele “muitos de seus alunos possuem pais analfabetos e cabe a escola ajudar a lidar com essa crise”.
Infraestrutura Escolar - Foi o último assunto debatido pelos diretores americanos, Andrea Tejedor e Timothy Doran, trouxeram a importância da administração do material e o ambiente escolar. A importância da formação de cidadãos, participação do diretor, construções de relações com todas as pessoas que compõe o ambiente escolar, participação ativa dos alunos nas construções da escola, aprendizagem ativa e motivação escolar como  parte dos tópicos principais do debate.
Tim salientou o papel das crianças na escola, “um prédio só pode vir a ser escola quando tem crianças, e, é na escola,que elas se tornam cidadãos e assim pessoas competentes e confiantes”, afirmou.  Segundo ele “os valores e a infraestutura são os alicerces da escola”, além da própria “participação do diretor nas atividades diárias é essencial”.
Andrea abordou o tema de um modo mais global, não citando a própria escola como exemplo. “O Brasil e os Estado Unidos estão lutando com problemas parecidos em termos de aprendizagem e motivação dos alunos”. A diretora americana acredita que atualmente a tecnologia será um canal de solução “que vai nos ajudar nisso”, afirmou. Para ela “a junção da pedagogia e da tecnologia como ferramenta é a saída para uma inovação pedagógica que acompanhe em escala global as mudanças mundiais”, pontuou.
I Seminário Internacional de Boas Práticas - O evento foi uma realização do Conselho Nacional de Secretários de Educação - Consed em parceria técnica do Cenpec e da ConsisTI. E contou com a colaboração dos parceiros: Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),  Embaixada Americana,  Conselho Britânico, Undime, a Fundação Telefônica, Unesco, Fundação Victor Civita, Fundação Santillana, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco, Instituto unibanco, Instituto Natura, Fundação Roberto Marinho, Nuvem de Livros, a Gerdau e o Instituto Educação.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/892-mesa-internacional-aborda-garantia-das-condicoes-de-aprendizagem-para-os-alunos

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