quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sintep Cuiabá convoca Assembleia Geral


A  direção do Sintep Subsede de Cuiabá  convoca  os trabalhadores da rede municipal de ensino das escolas e creches para uma Assembleia Geral,  que tem como pauta a campanha salarial  de 2014. 

Esta importante atividade sindical será realizada no dia 21,  às 14:30h na EE Liceu Cuiabano. Participe. 

Quem participa, delibera.

João Custódio
Presidente

Jogos melhoram comportamento e assimilação do conteúdo


Lucas Rodrigues
Do UOL, em São Paulo
Ensinar habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, cooperação e autocontrole, pode ser mais fácil com a ajuda de jogos. Professores ouvidos pelo UOLafirmaram que essa prática melhora o comportamento dos alunos e a assimilação do conteúdo.
"Os que estimulam a violência e a agressividade para resolver problemas não são adequados. Mas aqueles que ajudam a seguir regras, comunicar-se, negociar e resolver problemas são muito bons", diz Alessandra Turini Bolsoni Silva, professora de psicologia clínica e do desenvolvimento da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), de Bauru.
As escolas Cruz de Malta e Padre Moye, em São Paulo, contam com a metodologia da Mind Lab, empresa israelense que utiliza jogos de raciocínio para o desenvolvimento dessas habilidades.
 
Os professores têm encontros de 45 minutos por semana com os alunos nas chamadas aulas de "Mente Inovadora", onde introduzem os conceitos de jogos de tabuleiro como bloqueio, damas, octi e abalone.
 
Leila Romero, docente de matemática na Cruz de Malta, afirma que houve um estranhamento quando sua escola aderiu ao programa. "Tudo que é novo assusta um pouco. Os pais perguntavam o que era isso, se seus filhos teriam aula de jogo", diz. "Mas sempre quis implementar jogos em sala porque tem tudo a ver com o desenvolvimento de raciocínio."
 
Elizabete Márcia, professora de matemática e ciências na escola Padre Moye, ensinou a metodologia com jogos de tabuleiro para seus alunos no 2º ano do ensino fundamental e conseguiu acompanhar o desenvolvimento deles ao longo de sete anos.
 
"Pude perceber um crescimento emocional e social. Além da melhor assimilação dos conteúdos, eles estão aprendendo a ter atenção antes de tomar qualquer atitude", avalia.
 
As escolas parceiras do projeto participam de uma Olimpíada Internacional, onde alunos de vários países que utilizam a metodologia com os jogos se reúnem para reforçar os conceitos aprendidos em sala de aula. As duas equipes brasileiras que disputaram a competição foram premiadas.
Conheça alguns métodos de habilidades socioemocionais, clique no link abaixo.
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/21/jogos-melhoram-comportamento-e-assimilacao-do-conteudo.htm

A educação e a formação dos valores

A educação empreendedora tem por base valores morais, que devem permear todas as atividades e atitudes em sala de aula, tanto dos alunos quanto dos professores. 
Um dos elementos que distinguem uma educação de qualidade, de excelência  e que realmente resulte duradoura e positiva para nossos educandos são as práticas de valores. Estes não se referem a ideias ou conceitos. Muitas vezes o professor, na melhor das intenções, confunde o princípio de valores com a prática de apresentar conceitualmente para os alunos o que é a fraternidade, a justiça ou a diversidade, porém essa é a parte visível do ensino de valores. Aprendemos valores quando os vivenciamos, assim percebemos que, efetivamente, praticamos esses conceitos nas escolas. 
O que são valores, então? Valores são uma espécie de bússola interior, ou um eixo norteador, que nos aproxima ou nos afasta de pessoas, experiências e atitudes, percebidas como positivas ou negativas, de acordo com o critério de avaliação do que seja importante para nós. É o valor da justiça que nos afasta de um comportamento inadequado - ao descontar na nota de uma prova um comportamento não adequado de um aluno em sala de aula, por exemplo -, assim como é o valor da fraternidade que nos faz nos aproximar de um aluno que percebemos muito calado em sala de aula, demonstrando um genuíno interesse por ele. 
António Damásio, em seu livro "E o Cérebro Criou o Homem", mostra que o cérebro precisa perceber que um conceito, um conhecimento ou um dado são realmente significativos para que recrute e direcione neurônios e perceba que aquele conhecimento é importante. Então, somos movidos de acordo com o neurologista, por um valor biológico, ou seja, se biologicamente nosso corpo não sente que determinado conhecimento é realmente importante, o aprendizado não é fixado de modo profundo. Por isso, muitas vezes o ensino de valores acaba não tendo uma efetividade. 
Os valores são importantes para o professor, pois o definem como pessoa e o ajudam a perceber como lidar com os alunos, os colegas, a instituição, na sociedade e até na vida pessoal. 
Eles também são relevantes para que o professor perceba qual é a importância e o valor que está imprimindo em sua matéria. Se o educador não mostrar que aquela matéria é importante e significativa para os alunos, dificilmente o cérebro deles vai incorporar esse conhecimento. 
E, finalmente, o valor se mostra relevante quando o professor valoriza o aluno, quando cuida, respeita, age de maneira zelosa e com consideração. E, assim, fundamentalmente, o valor se mostra ainda mais profundo quando o professor valoriza a vida, o respeito, a natureza e a aplicação daquilo que foi ensinado para melhoria da sociedade como um todo.

http://educacao.uol.com.br/colunas/leo-fraiman/2014/08/21/a-educacao-e-a-formacao-dos-valores.htm

LEO FRAIMAN

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

Educação integral: uma proposta para o nosso tempo

A entrevista com Lino de Macedo, professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo (USP), é resultado do debate realizado em São Paulo no Encontro Regional de Educadores "Educação integral: experiências que transformam", contemplado nas ações de formação de 2012 pelo Prêmio Itaú-Unicef. Esse conteúdo é um dos textos que compõem a publicação Educação integral: experiências que transformam – subsídios para reflexão. (Veja abaixo o link para obter a publicação)




Livre-docente (1983) em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Lino de Macedo é membro da Academia Paulista de Psicologia e professor titular aposentado (desde agosto de 2011) do Instituto de Psicologia da USP. Atualmente é professor e orientador no Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP.





Como o senhor vê as dificuldades hoje dos professores trabalhando a integralidade com os alunos no período da aula?
Lino de Macedo: Nós ainda raciocinamos de forma disciplinar, sobretudo do Ensino Fundamental II para frente. E mesmo no Fundamental I. É um professor especialista, que trabalha temas diferenciadamente.
O desafio da educação integral é adotarmos, dentro do possível, uma perspectiva interdisciplinar, mesmo dentro da sala de aula. Por exemplo, o pensamento que toma decisões, que argumenta, que calcula os riscos, não é privilégio da Matemática. Comportar-se na sala de aula de modo adequado e frutífero – frutífero é aquilo que faz bem e adequado é aquilo que é conveniente –também não é privilégio de nenhuma disciplina. Conversar é bom, mas dependendo da hora é inconveniente. Portanto, a ação do professor como um gestor é interdisciplinar, vale para todos.
A pergunta é: como construímos uma perspectiva multidisciplinar para trabalharmos
em equipe? Isso inclui o servente que limpa os banheiros, porque ele tem a oportunidade de observar condutas que os professores não têm.
A estrutura disciplinar dificulta algo que, para ser integral, precisa ser interdisciplinar e multidisciplinar. Existem escolas que estão conseguindo isso e essas experiências têm o valor da transformação. Existem gestores que conseguem juntar os professores nas suas diferentes disciplinas, em favor de um projeto comum. Essa é a saída, porque senão o
professor vai continuar atuando em sala de aula, em uma estrutura inadequada para o raciocínio integral. 


Qual o papel de cada agente – a família, a escola, a comunidade – na construção da educação integral? Qual é o aporte diferencial das Ongs, inclusive na perspectiva da diferenciação?
Lino de Macedo: É muito importante diferenciarmos as instituições família, escola, Ong, polícia, religião, enfim, as instituições que cuidam das crianças. A mesma criança que para a família é um filho, para a escola é um aluno, e para a Ong pode ser um consumidor de mídia. Mas é a mesma criança. Como não desagregar? Porque temos um raciocínio institucional e profissional.
Quando falamos em educação, mesmo em educação integral, pensamos nos educadores, nas agências educacionais, portanto, nos
adultos responsáveis pela transmissão de informações. É claro que os educadores fazem tudo para os educandos, mas em uma visão de
educação integral, temos que considerar a perspectiva dos educandos.
A questão da diferenciação opera em vários níveis de abstração. Uma coisa é o aspecto político, jurídico, as leis que regulam os sistemas educacionais, etc. Isso faz parte de um jogo muito complexo. Mas temos que saber que também somos jogadores, dentro dos limites da instituição e da comunidade.
Daí, quem trabalha com educação integral tem que enfrentar a problemática da família, nos termos em que ela se desenha hoje. Isto é, inserida na comunidade e em uma cultura, no seu sentido amplo. É mais trabalhoso e, por isso mesmo, é integral.

Proliferaram uma série de iniciativas do poder público que se autointitulam educação integral. Há um lado positivo, que é a inovação, a possibilidade de alcançar algumas dessas dimensões, mas há também aspectos que reduzem o conceito. Qual o papel do poder público?
Lino de Macedo: Educação integral é também fazer uma Lei de Diretrizes e Bases, regulamentos, Planos Nacionais de Educação, impondo deveres ao Estado, criado toda uma jurisprudência. Mas não é só isso. Educação integral é um novo jeito de pensar o lugar de todas as crianças no mundo de hoje.
E quem diz educação integral, diz diversidade, diferenciação. Todos têm o direito a aprender a ler e a escrever, mas cada um tem seu tempo, suas habilidades e suas capacidades. Uma criança com Síndrome de Down, por exemplo, tem direito, como qualquer outra criança, a ir ao máximo das suas possibilidades. Mas existe diferença. Confundimos diferença com desigualdade. A diferença é bem-vinda e precisa ser reconhecida, mas a desigualdade é injustiça, tem que ser combatida.
Cursar o ensino superior é uma aspiração cultural. Mas a maior parte das profissões não precisa de faculdade. Posso ser uma pessoa feliz, sendo cabeleireiro, cozinheiro, pedreiro. Por que não? Isso é uma realidade agora, inclusive em outros países. Isso é ser integraltodo mundo está na roda, mas cada um do seu jeito. Ainda temos muito o espírito da homogeneidade, da igualdade. Temos a ilusão de que todos podem e querem as mesmas coisas. Não podem e nem querem.
Nós, da escola pública, temos uma dívida com as Ongs, porque elas atuam em um espaço, que é o ponto fraco da escola pública: da formação de professores. Ainda que tenha melhorado muito, as Ongs desenvolveram ferramentas, metodologia, criaram condições. Uma coisa o professor lá com o seu dinheirinho fazer a autoformação, outra coisa é o trabalho mais sistematizado, com intencionalidade, desenvolvido pelas ONGs.
Os professores precisam e querem cada vez mais formação. E muitas prefeituras de cidades pequenas não têm condições de formar uma equipe técnica que dê esse suporte de formação aos professores e aos gestores.

Como trabalhar uma equipe que não tenha formação na área escolar para atuar na educação integral? Como aliar a integralidade na educação com uma escola deficitária, as Ongs despreparadas e a sociedade que não valoriza a educação e a cultura e, ao mesmo tempo, a universidade distante desse debate?
Lino de Macedo: Infelizmente tudo isso é verdade. A integração é um direito das crianças, porque elas têm direito de fazer parte do mundo. Elas não pediram para nascer, fomos nós que as inventamos, nós que decidimos tê-las. Elas têm direito de se inserirem nesta sociedade, que é cada vez mais integrada e precisa cada vez mais de integralidade. Então, que isso seja pelo menos um sonho, um desejo, porque os problemas são reais.
A universidade, muitas vezes, faz a crítica, mas é uma crítica teórica, não contributiva. Os professores têm razão quando nos devolvem a pergunta e pedem uma alternativa. Eles até reconhecem que a educação poderia ser melhor, mas se a universidade não der alternativa, a crítica fica injusta. Ela só é válida para o meio acadêmico.
A integralidade é um norte, é uma aspiração, não é o que a gente alcança, é algo que a gente busca. Por isso a integralidade é realizada em projetos particulares, mas o propósito é geral. O propósito é uma forma de ver a vida. A sustentabilidade, por exemplo, é educação integral. Integração é convivência, é respeito, é preservação da vida. Se não tivermos abertura para esses temas, vamos ter o discurso da integração, mas uma prática desintegradora.

As pesquisas apontam para alguma redução da pobreza e, no médio prazo, certo crescimento econômico. Que sociedade sai desse processo? Aumentar o poder aquisitivo das pessoas não significa necessariamente criar cidadãos e cidadãs plenos. Dinheiro no bolso não significa necessariamente valores, padrões de convivência. Afinal, que país queremos ser? O nosso modelo de desenvolvimento gera padronização e homogeneidade, integrando, mas sem assimilar as diferenças. Mas integrar não significa diluir a diferença e, sim, fortalecê-la. Em um país como o Brasil, que tem uma imensa diversidade cultural, como fazer que a escola assuma as diferenças como um valor e não como um problema?
Lino de Macedo: Integração é exatamente a construção de vínculos. A palavra coser existe com ’s’ e com ’z’. Coser com ‘s’ é tecer, costurar. Com um novelo de lã, é possível transformar os fios em uma blusa. Cozer com ’z’ é cozinhar. Neste caso, também se transforma algo em outra coisa. Por isso, a integração transforma o vínculo das pessoas com os outros, das pessoas consigo mesmas.
A educação integral é a grande aposta do século 21. Quando esse tema vem à tona, eu me reporto a um autor indiano que ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1998, chamado Amartya Sen. No seu livro, Desenvolvimento como Liberdade, a ideia central é que a distribuição de renda é necessária, mas se não houver a transformação educacional das pessoas, é insuficiente.
Houve um tempo não muito distante em que as coisas da escola só interessavam a algumas pessoas. Hoje, em uma sociedade tecnológica, todo mundo é atravessado pelos temas da escola, pelo conhecimento cientifico, tecnológico. Então, uma escola que vincule todas as pessoas em uma ideia de relação com o mundo, com os outros e consigo mesmo, é a aposta do século 21.
Por que a escola ficou tão importante? Infelizmente não é pelo nosso trabalho, às vezes muito bem feito. É que os economistas e os políticos descobriram que investir em educação traz vantagens muito maiores do que todas as outras coisas. Uma descoberta tardia!
Nós dependemos dos políticos e, sobretudo, da concepção que eles têm de escola, de educação, de cultura. Dependemos porque, na verdade, eles representam os nossos interesses. A visão deles é necessária, mas não substitui a nossa ação, que é uma ação técnica, se é que se pode usar esse termo.
De qualquer forma, essa ação está no cotidiano do professor, do diretor, está no cotidiano da sala de aula, na relação com a família, com a comunidade, com a vizinhança. É o dia a dia inteiro e que inteira, que complementa, que forma. E que vai, pouco a pouco, transformando as crianças em cidadãos de uma cultura do século 21.
A nossa parte é fundamental, aquilo que a gente faz no cotidiano da escola. É isso que tem valor, que transforma algo em um todo. Por isso, as Ongs não podem se abater se não estão tendo o reconhecimento que lhes é devido.
Hoje, nós pais e mães ficamos menos tempo com nossos filhos do que os membros da comunidade, seja na escola, seja nesses espaços culturais. Às vezes, os nossos filhos estão mais com essas pessoas e, por isso, dependemos dessas instituições.

Como fortalecer a conexão entre as riquíssimas experiências que o Brasil possui – as Ongs que trabalham com educação, com cultura, que também são pontos de cultura –, fortalecendo e propondo, inclusive, agendas públicas? Para fortalecer, é preciso algum grau de legitimação nas políticas públicas. Para nosso país, que está se transformando, que incorporará milhões de pessoas, não será suficiente a soma aritmética do que cada um faz, porque a demanda é imensa.
Lino de Macedo: Entendo a questão de rede como sistema complexo. Na verdade, a educação integral significa uma educação que funciona na sua complexidade. O que é um sistema complexo?
O sistema simples ou simplificado é aquele em que se pode trabalhar independente de outras variáveis. Achar que as crianças não aprendem porque são burras é um jeito simplificado de ver o problema da aprendizagem, porque reduz uma questão complexa a uma única dimensão. A mesma coisa é falar que os professores são desqualificados.
O sistema complexo é pensar as coisas em uma rede interligada, na qual tudo tem muita importância. Complexidade é ver as coisas de maneira interdisciplinar, multidisciplinar. Isso exige uma perspectiva de recorte. Recorte não significa simplificação.
É possível, por exemplo, escolher algumas experiências que ilustram transformação, em uma visão de educação integral. Esses recortes permitem iluminar certos aspectos do real. Isso tem a ver com a ideia do fractal. Isto é, pega-se um pedaço, mas naquele pedaço, está o todo. Trabalhamos o pedaço na sua perspectiva de totalidade, de rede.
Quem trabalha com educação integral tem que trabalhar com a ideia de rede, senão deixa de ser integral, porque as coisas estão interligadas. Não quer dizer que se confundam. Se, por um lado, é importante uma cumplicidade entre escola e família, por outro, em casa esse menino é filho e na escola ele é aluno. Não se confundem.
Então, trabalhar em rede é próprio da educação integral. E precisamos aprender a trabalhar em rede. Isso significa não ser cego, surdo e mudo para certas coisas que não são próprias da escola, mas aparecem na escola.
Uma criança, por exemplo, não dormiu bem à noite porque o pai bêbado ameaçou todo mundo, não deixou ninguém dormir direito. Naquele dia, ela vai estar desatenta, ou vai estar irritada, briguenta ou triste. Isso afeta o trabalho do educador. Então, é preciso ver a situação na sua complexidade e operar o trabalho em rede.
Mas precisamos aprender, porque a nossa tendência é de atuar de forma isolada ou ignorar as outras dimensões. Ver as coisas na sua complexidade é vê-las com a luz. É sair da indiferenciação, é diferenciar. É um trabalho longo e difícil, mas vale a pena.

Educação integral: experiências que transformam - subsídios para reflexão

Tendo como referência o processo de formação desenvolvido pelo Prêmio Itaú-Unicef em 2012, a publicação sistematiza as reflexões realizadas por especialistas em temas ligados à educação integral durante os debates ocorridos no período. Proteção social, educação e novos saberes, juventude, garantia de direitos de crianças e adolescentes e esporte são alguns dos assuntos. Baixe a publicação.

http://www.educacaoeparticipacao.org.br/todas-entrevistas/112-premio-itau-unicef/entrevistas-premio-itau-unicef/690-educacao-integral-uma-proposta-para-o-nosso-tempo

Capoeira pode entrar no currículo das escolas


Os alunos do ensino fundamental e médio poderão aprender a jogar capoeira nas escolas. Um projeto do senador Gim (PTB-DF) reconhece o caráter educacional da capoeira e autoriza os estabelecimentos de educação a celebrarem parcerias para possibilitar cursos de capoeira. Segundo o PLS 17/2014, o ensino de capoeira deve ser integrado à proposta pedagógica e as aulas terão que ser acompanhadas por professores de educação física.
A filósofa e educadora Heidi Strecker informa que a capoeira chegou ao Brasil junto com os escravos africanos e em terras brasileiras foi adaptada para o que é hoje. Segundo ela, tratava-se de uma maneira de os negros mostrarem resistência, mas para não levantar suspeitas, a luta foi misturada aos movimentos de canto da África. Assim, ficou mais parecida com uma dança. O senador Gim acrescenta que a capoeira foi proibida pelo Código Penal de 1890 e os praticantes passaram a ser perseguidos pela polícia.
A proibição vigorou até 1937, quando a capoeira foi permitida por lei e estruturou-se em duas escolas: a Capoeira Angola e a Capoeira Regional. “Nós, brasileiros, orgulhamo-nos de ser o povo criador da capoeira, arte hoje presente em praticamente todos os países do mundo. Entretanto, há muito a fazer para difundi-la, com qualidade e orientação pedagógica, em nosso próprio país”, afirmou Gim ao defender a aprovação do projeto.
O PLS 17/2014 vai ser votado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A proposta tramita em conjunto com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 31/2009, que propõe o reconhecimento da prática da capoeira como profissão.
Após deliberação pela CAS, os projetos seguem para análise da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), em caráter terminativo, ou seja, não há necessidade de análise pelo Plenário do Senado a não ser que haja recurso com esse objetivo.
Autor: Agência Senado
http://undime.org.br/capoeira-pode-entrar-no-curriculo-das-escolas/

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Brasileiro não reconhece escola como instituição importante na formação da cidadania

Sistema de Educação Básica aparece em penúltimo lugar - atrás apenas do Judiciário - em avaliação da contribuição das instituições

Fonte: O Globo Online



O brasileiro não reconhece a Escola como elemento importante na formação da cidadania. O sistema de Educação básica aparece em penúltimo lugar - atrás apenas do Judiciário - em avaliação da contribuição das instituições para formação e disseminação dos valores cívicos feita em pesquisa da CPM Research com 1.110 entrevistados.
A família aparece em primeiro lugar, seguida da universidade, da mídia, da polícia e do Ministério Público.O estudo será apresentado hoje no Encontro Internacional do Ciclo Educação para o Futuro, na PUC-SP. Segundo o estudo, feito com habitantes das cinco regiões do país no início deste mês, os brasileiros não admitem ter deficiências na formação sobre o assunto.
A maioria se considera cidadão ativo por ter consciência de seus direitos e deveres.- As manifestações de junho de 2013 mostraram a nossa incapacidade no que diz respeito à cidadania ativa. Cada um saiu de casa com o seu cartaz, dizendo o que era importante para si, mas sem estar organizado. Isso vem de uma falta de formação no Ensino básico, que não nos ensina sobre nossos direitos e deveres como cidadãos - avalia Oriana Monarca White, diretora da CPM Research e membro do Núcleo de Estudos de Futuro (NEF) da PUC-SP.Entre as ações consideradas mais importantes para ser um cidadão ativo,
“Ensinar as crianças a serem cidadãos ativos desde os primeiros anos da Escola” aparece quinto lugar e “Acompanhar o trabalho dos representantes públicos” em nono, atrás, por exemplo, de “Ter um CPF”, em sétimo.Oriana desenvolve pesquisa de pós-doutorado sobre o tema. Ela compara a situação do Brasil com a de outros países como Itália e Espanha, onde o Ensino de cidadania ativa é orientado por programas conduzidos pelos ministérios da Educação. Durante um mês, a Professora aplicou métodos usados por esses países em duas Escolas públicas de São Paulo. O projeto envolveu exibição de filme, leitura de contos e fotografia.- A ideia foi fortalecer alguns preceitos e ensiná-las a se articular na hora de reclamar - conta Oriana.
Duas Educadoras italianas, Milva Valentini e Patrizia Bracarda, vão participar do encontro na PUC-SP. Depois de apresentar o projeto de pós-doutorado, em outubro, Oriana pretende enviar propostas sobre o tema para o Ministério da Educação:
- A discussão desse tema nas Escolas, desde muito cedo, precisa ser imposta pelo ministério. É incrível que a sociedade civil - através de ONGs, por exemplo - se organize para trabalhar com isso. Mas precisamos de leis tratando do assunto. 

Educadores criticam demora do governo federal para divulgar Ideb

Autoridades e especialistas dizem que publicação do índice que avalia ensino deveria ocorrer no primeiro semestre

POR 


BRASÍLIA E RIO - Uma das principais referências para políticas educacionais na educação básica, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) está atrasado na escola. Divulgado a cada dois anos, o indicador mede a qualidade do aprendizado e da infraestrutura das cerca de 190 mil unidades escolares de ensino fundamental e médio em todo Brasil. Em 2010, foi liberado em julho. Em 2012, no dia 14 de agosto. Para este ano, no entanto, ainda não há uma data exata; o Ministério da Educação (MEC) diz apenas que será “nos próximos dias”. 

A demora vem gerando críticas entre especialistas e autoridades.Segundo o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, a demora prejudica o planejamento pedagógico e a implementação de melhorias do ensino:

— Esse atraso complica a vida de todos os secretários. À medida que o tempo passa, perde-se a chance de fazer algum tipo de correção. Usamos as avaliações bimestrais para fazer correções, mas o Ideb é um índice que compara o comportamento ao longo do tempo. Por ser externo, é uma avaliação mais isenta e permite comparar com o restante do país, qual a velocidade de melhora e onde temos que atuar.


Criado em 2005 para balizar políticas para a educação, o Ideb estabelece metas bianuais até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. O cálculo do indicador, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao MEC, leva em conta a taxa de aprovação dos alunos e as médias de desempenho na Prova Brasil, para escolas e municípios, e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para nível estadual e federal. O Ideb estabelece uma nota de 0 a 10 para cada escola, rede de ensino, município e estado, além de traçar uma média nacional.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também criticou a demora na divulgação dos resultados do Ideb de 2013:

— Tem duas explicações: incompetência ou manipulação. Não tem tem outra alternativa — afirmou o senador. — Ou foram incompetentes para cumprir o prazo ou estão escondendo resultados negativos. Temo que estejam fazendo na educação o que fazem hoje na economia, com a chamada contabilidade criativa.

Buarque, que foi ministro da Educação no primeiro ano do governo Lula, em 2003, destacou a importância de os resultados virem a público durante a campanha eleitoral, a fim de serem debatidos pelos candidatos.

O presidente do Inep, José Francisco Soares, disse que a demora se deve à análise de recursos apresentados por escolas e redes de ensino. Segundo ele, isso ocorreu depois que o Inep divulgou os resultados da Prova Brasil a todas as mais de 50 mil escolas participantes, bem como aos secretários estaduais e a representantes da Undime, entidade que reúne secretários municipais de Educação. Soares afirmou que não existe hipótese de manipulação:

— O fato de já termos divulgado para as escolas, impede o uso “estranho” dos resultados — afirma Soares. — Afinal, esses resultados já não são privados: dezenas de autoridades da área de educação e 60 mil escolas tiveram acesso a eles. Falar em manipulação é uma hipótese de quem não conhece o sistema.

Antes de ser divulgado nacionalmente, os resultados do Ideb são repassados antecipadamente e sob embargo a escolas e secretarias estaduais e municipais. No Rio, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) afirmou que recebeu há dois meses apenas os microdados sobre taxas de rendimento (aprovação de alunos, reprovação e abandono). O ideal, segundo o órgão, seria que a entrega acontecesse entre março e maio. Mas, de acordo com a autarquia do MEC, não há atraso para divulgação do índice, uma vez que nunca houve uma data preestabelecida.

DIVULGAÇÃO ANTECIPADA

Este é exatamente este ponto o criticado pela pedagoga da Universidade de São Paulo (USP) Paula Louzano. Acadêmica com doutorado em Política Educacional pela Universidade de Havard, ela acha que os dados deveriam ser publicados com mais antecedência:

— É importante que o resultado possa sair o mais rápido possível. Temos que trabalhar para divulgar isso no primeiro semestre. Tem que ser uma meta. Se for uma tendência de cada vez atrasar mais, com um mês de diferença para mais, é ruim. A tendência deveria ser encurtar o tempo, criar formas para acelerar o processo, sem comprometer a qualidade do processo. É um direito das escolas saber antes de isso se tornar público.


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Segundo pesquisador: processo de inclusão, profissionais capacitados, gestão eficiente e engajamento da comunidade são essenciais para um sistema educacional notável

A abertura do Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar foi marcada pela realização da palestra magna “Práticas de Gestão para uma Escola Notável”, proferida por Anthony McNamara, diretor do National College for Teaching and Leadership - GELP.

A palestra foi mediada pela presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação - Consed, Maria Nilene Badeca, e pela superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana.

O palestrante, Anthony McNamara, falou sobre a gestão escolar, a partir das referências de educação na Inglaterra e em relação as perspectivas internacionais, ressaltando a  experiência enquanto diretor de uma escola de ensino médio (de porte de 1100 alunos), por 18 anos. Hoje, McNamara é responsável por 85 escolas públicas do Reino Unido. Para Anthony a “qualidade do ensino, eficácia da liderança e validade do currículo são aspectos que constituem o grau de confiança das escolas”, enumerou.

Durante a palestra, McNamara ressaltou que o avanço nas grandes economias mundiais foi devido à qualificação da mão de obra nacional, que pode ser atribuído a melhoria no sistema educacional daqueles países, “todos os países estão hoje avaliando seus resultados, o funcionamento de seus sistemas de educação procurando compreender as principais estratégias para elevar as metas”, afirmou.

Entre as estratégias mais importantes para alcançar a melhoria no ensino escolar, apontadas pelo palestrante, estão: desenvolvimento dos conhecimentos básicos que envolvem a atuação gestora, respeito pela história da comunidade a qual a escola está inserida, a valorização das realizações da equipe pedagógica e a partilha de uma visão inclusiva com colegas de trabalho, pais e alunos, boa gestão da sala de aula e uma infraestrutura adequada.

Para McNamara, existem blocos de construção essencial para um sistema educacional de categoria mundial - o ideal para alcançar uma escola notável, e que se apoie em objetivos exigentes: processo inclusivo (toda criança é importante); pessoas de qualidade excepcional como professores e gestores de escola; carreira atrativa e a priorização à gestão da mudança e ao engajamento com as comunidades que eles servem.
Características de gestores notáveis apontadas por McNamara:
Confiáveis: ganharam respeito da própria comunidade;
Positivos: atitude otimista, entusiástica e curiosa frente a vida;
Tem forte compromisso com a justiça social e igualdade (combatem qualquer forma de preconceito);
Mostram determinação e energia incansável;
São persistentes na busca da excelência para todos;
Colocam as crianças em primeiro lugar;
Corajosos e empenhados e, ao mesmo tempo, flexíveis;
Presença animadora de apoio em todos os espaços da escola (não fica na sala);
Mostram respeito e empatia com todos;
Possuem iniciativa, vontade e determinação;
São ambiciosos – não só para eles mas para os outros;
Inspiram-se em outros exemplos de liderança;
Liderança caracterizada por humildade e motivada por uma crença forte na dignidade humana.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/884-segundo-pesquisador-processo-de-inclusao-profissionais-capacitados-gestao-eficiente-e-engajamento-da-comunidade-sao-essenciais-para-um-sistema-educacional-notavel

"É preciso um currículo escolar que desenvolva capacidades"










David Albury, aponta quais as competências e desafios que ajudam no desenvolvimento dos alunos em palestra no I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar.

David Albury, diretor de design e desenvolvimento e membro do grupo de direção do Gelp (Global Education Leader’s Program), apresentou nesta quinta feira (14/7), durante o I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar, a palestra “Como articular a gestão de novas tecnologias e a gestão da aprendizagem”, na qual abordou as competências e desafios para a preparação de alunos.

Durante a palestra, David apontou que “a capacidade de resolver problemas e de aprimoramento da comunicação (escrever e falar) são competências” que precisam ser desenvolvidas nas crianças e adolescentes para prepará-las para o século 21. “Um currículo escolar que vise desenvolver as capacidades dos alunos e a transformação do uso da tecnologia nas escolas, de modo a agregar a aprendizagem”, também foram formas apontadas para desenvolvê-las segundo o pesquisador.

Ao analisar a situação do Brasil, Albury, disse que os desafios são maiores do se imagina, “as pessoas às vezes buscam soluções mágicas como, por exemplo, dar um tablet para cada criança. Isso parece mais rápido do que formar professores e cuidar das instalações. Tablets são instrumentos fantásticos, é certo, mas só podem ajudar se forem inseridos em contextos de fato educativos”. E declarou ainda “que é preciso ter a intencionalidade ao decidir o que queremos de fato que os alunos aprendam”, não bastando apenas à modernização dos recursos.

A importância da gestão da aprendizagem com a tecnologia foi a tônica da palestra, na qual também foi ressaltado que é preciso ter cautela ao utilizar recursos tecnológicos, que podem apoiar e emponderar os alunos, mas, se não for pensado os usos pedagógicos, na avaliação e na grade curricular, não ajuda no desenvolvimento dos alunos.

http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/889-e-preciso-um-curriculo-escolar-que-desenvolva-capacidades-aponta-david-albury

UFMT oferece doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade 2015


O Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas, do Instituto de Biociências (IB) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá, oferece 10 vagas para o curso de doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade 2015. As inscrições poderão ser feitas no período de 20 a 31 de outubro. Será cobrada uma taxa de R$ 132,64.

Os interessados deverão procurar a secretaria da coordenação de Pós-graduação do Instituto de Biociências, CCBS II, das 8h às 11h e das 14h às 17h, com os seguintes documentos: fotocópias do diploma de graduação, diploma ou certificado de conclusão de mestrado, fotocópia do histórico escolar do curso de mestrado, comprovação de proficiência em língua inglesa e em uma segunda língua estrangeira, curriculum-vitae documentado (modelo Lattes completo), fotocópia da documentação pessoal; foto 3x4 recente, pré-projeto de tese, declaração de dedicação integral e declaração da Instituição de origem de que o candidato será liberado para dedicar-se ao curso.


O candidato residente fora de Cuiabá poderá solicitar inscrição mediante procuração de próprio punho com firma reconhecida em cartório ou por correspondência registrada e postada até 31 de outubro, via encomenda expressa (Sedex), e os documentos devem estar autenticados. Nesse caso, o candidato deverá entrar em contato com a secretaria do programa para confirmar o recebimento da inscrição. O resultado das inscrições deferidas será divulgado no dia 10 de novembro. 


O curso de doutorado requer dedicação integral dos alunos para o cumprimento da programação didática. Além de aulas expositivas, serão realizadas reuniões de estudo e debates, práticas de campo, desenvolvimento de pesquisa, participação em eventos técnico-científicos e elaboração e submissão de artigos científicos.


O processo de seleção será realizado por meio de prova escrita (dia 3 de dezembro), arguição do candidato (dia 4 dezembro), análise do pré-projeto (dia 9 de dezembro) e avaliação do currículo (dia 11 de dezembro). O resultado final será divulgado no dia 16 de dezembro. Os candidatos selecionados deverão efetivar a pré-matrícula no período de 16 a 24 de fevereiro de 2015 e a matrícula no dia 2 de março de 2015. O início das aulas está previsto para o dia 2 de março de 2015.


Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3615 8878 ou na página do programa. 
Confira a íntegra do edital.


http://www.ufmt.br/ufmt/site/index.php/noticia/visualizar/17657/Cuiaba

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Brasileiro: 'analfabeto' científico?

Novo índice mostra que a ciência influencia a forma de ver o mundo e de lidar com situações complexas de apenas 5% dos avaliados, enquanto mais da metade sequer consegue aplicar o que aprendeu na escola em situações cotidianas.
Por: Marcelo Garcia
Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras - CC BY-NC-ND 2.0)
Como você avalia a sua capacidade de utilizar o conhecimento científico para resolver questões do dia a dia? E para fazer abstrações, criar hipóteses, planejar e inovar? Em um mundo em que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes, em que a sociedade é chamada a se posicionar sobre grandes questões como pesquisas com células-tronco e cultivo de transgênicos e no qual inovar é a palavra de ordem das empresas, essas questões são fundamentais. Mas, segundo a primeira edição do Índice de Letramento Científico (ILC), no Brasil é muito baixa a quantidade de pessoas ‘letradas’ em ciências, capazes de empregar os conhecimentos escolares no seu cotidiano e no planejamento do futuro.  
Bem diferente das avaliações de ensino existentes no Brasil, a proposta do ILC é medir quanto do conhecimento escolar é de fato aplicado na prática. Para seus criadores, o resultado negativo ajuda a entender alguns gargalos sociopolíticos e econômicos do país, como a baixa capacidade de inovação. O índice, cuja versão completa foi divulgada recentemente (clique para ver), é fruto de uma parceria entre o Instituto Abramundo, o Instituto Paulo Montenegro, responsável pela ação social do Grupo Ibope, e a ONG Ação Educativa.  
O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores
Para sua construção, foram aplicados questionários a 2002 pessoas entre 15 e 40 anos, com ao menos quatro anos do ensino fundamental completos, em oito capitais estaduais e no Distrito Federal. O questionário era composto por mais de 60 perguntas, que avaliaram a capacidade de identificar simples informações explícitas em texto, tabela ou gráfico (como consumo de energia ou dosagem em bula de remédio), de comparar informações simples para tomar decisões; de empregar informações não explícitas para resolver problemas práticos e processos do cotidiano e, ainda, de propor e analisar hipóteses sobre fenômenos complexos, mesmo não diretamente ligados ao seu dia a dia. A partir das respostas, os participantes foram classificados por nível de letramento: ausente, elementar, básico e proficiente.
O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores. A metodologia aplicada foi adaptada do Índice de Analfabetismo Funcional (IAF), também produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e que avalia os conhecimentos de português e matemática na prática. A ideia é que a avaliação seja repetida a cada dois anos.

Resultados preocupantes

De forma geral, 79% dos participantes ficaram na zona intermediária (48% no nível 2 e 31% no nível 3), enquanto 16% apresentaram letramento ausente (nível 1) e apenas 5% do total se mostraram de fato proficientes em ciência. O índice torna clara a dificuldade de grande parte dos entrevistados em realizar tarefas simples: 43% deles declararam ter problemas para compreender gráficos e tabelas, enquanto 48% acham difícil interpretar rótulos de alimentos. Entre aqueles com ILC elementar (mais comum), 58% tem problemas, por exemplo, para consultar dados sobre saúde e medicamentos na internet. 
Ciência na gestão pública
Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Os resultados também foram relacionados ao nível de formação e à área de atuação dos entrevistados – e ficam ainda mais preocupantes, já que os indivíduos com ensino superior considerados proficientes em ciência foram apenas 11%, enquanto 48% estão no nível 3, 37% no nível 2 e quase inacreditáveis 4% apresentaram letramento ausente.
Em relação ao mercado de trabalho, as áreas de administração pública, educação e saúde alcançaram o melhor resultado, apesar de pouco animador: 43% das pessoas têm letramento básico e 9%, proficiente. Na indústria e na prestação de serviços, 42% e 31% dos trabalhadores ficaram no nível 3, enquanto apenas 5% e 6% eram proficientes, respectivamente. 
A diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima, diz ter ficado surpresa com a baixa proficiência dos indivíduos mais escolarizados e dos tomadores de decisões, empreendedores e empresários, envolvidos diretamente no investimento e planejamento de atividades que vão desde o descarte do lixo à gestão da saúde e da educação. “Os dados mostram que o aprendizado fica restrito à escola e é preocupante que a ciência influencie tão pouco a visão de mundo dessas pessoas, sua atividade cotidiana e as decisões que tomam”, avalia.

Consequências adversas

Para os responsáveis pelo ILC, os impactos do cenário apontado pelo índice vão desde questões cotidianas a problemas que abrangem a vida econômica e social do país. “No dia a dia, isso se manifesta quando a cabeleireira usa um produto que ela deveria saber que faz mal ou quando os pais medicam os filhos por conta própria sem pensar nos efeitos colaterais ou nas interações entre medicamentos”, exemplifica Lima.
Garcia: “Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam ostatus quo
“Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam o status quo”, afirma Ricardo Uzal Garcia, presidente do Instituto Abramundo. “Além disso, o brasileiro não parece, em geral, preparado para opinar sobre grandes temas da ciência nem para tomar decisões cada vez mais necessárias sobre temas como transgênicos e células-tronco.”
Lima aponta ainda a formação de um gargalo de mão de obra no país e faz um alerta para o futuro. “Os empregos no país têm aumentado, mas apenas as vagas pouco especializadas; cargos melhores permanecem ociosos também pela inexistência de um pensamento científico aplicado, necessário para tais posições”, analisa. “Algo precisa ser feito para mudar essa situação, pois se nossos gestores tomam decisões que pouco consideram o conhecimento científico, a ciência nunca será valorizada como deve e isso continuará a impactar a inovação, a saúde, o meio ambiente e todas as áreas.”  

Ensino de ciências

Junto com o índice, também foi feita uma pesquisa de percepção pública da ciência, cujo resultado é significativo: apesar do fraco desempenho no ILC, os participantes reconhecem a importância da ciência para a compreensão de mundo (42% concordam plenamente e 30% concordam em parte) e para obter boas oportunidades de trabalho (41% e 27%, respectivamente). “As pessoas têm interesse e acham a ciência importante, mas não vão a fundo porque não se sentem competentes”, avalia Lima. “É uma pista importante de que há algo errado na formação dos estudantes”, completa Garcia.
Uma olhada em outros indicadores de ensino reforça a má situação do país na área: no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, um dos piores desempenhos do Brasil é em ciências (59º entre 65 países).
Ciência para crianças
Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl - CC BY 2.0)

Lima recupera a história da educação no país para explicar a situação atual. “O ensino se tornou um grande desafio a partir da década de 1990, pois sua universalização incluiu pessoas historicamente segregadas, famílias com níveis muito baixos de escolaridade”, afirma. A mudança, segundo ela, levou a um natural privilégio do ensino de português e de matemática, por serem competências mais básicas. “Em 25 anos, os avanços nessas áreas ainda não foram suficientes, mas ainda assim acredito que já seja hora de avançar para outros campos, e a ciência é a candidata natural para receber mais atenção.”
Lima:  “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”
Um dado que se destaca no ILC é o desempenho semelhante de indivíduos com ensino fundamental e com ensino médio – 50% de pessoas do primeiro grupo têm letramento elementar, contra 52% no segundo, que também conta com 15% de pessoas com letramento ausente. Para Lima, as conversas com professores dão pistas sobre os motivos por trás desse resultado, por reforçarem que nas séries iniciais as crianças adoram ciências, mas perdem o interesse depois. “O desempenho no ensino médio deveria ser proporcional ao investimento maior, com professores especialistas e maior carga horária”, diz. “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”
Garcia ressalta a necessidade de criação de programas de ensino voltados para as séries mais baixas. “O impacto da iniciação científica de qualidade desde as primeiras séries pode ser fundamental para despertar o gosto por ciências no futuro”, diz.  
Os organizadores também apostam na educação não formal e na parceria com a iniciativa privada para tentar mudar esse quadro. “Precisamos criar museus e centros de ciência para estimular uma cultura científica que hoje não existe”, defende o presidente da Abramundo. “Podemos pensar, por exemplo, em exposições sobre os ciclos do petróleo ou da agricultura, áreas em que atuam empresas enormes.” Lima conclui: “O problema não é só da escola, já que muitas pessoas não voltarão à sala de aula; é aí que a ação de igrejas, sindicatos e empresas pode ser fundamental.”
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/brasileiro-analfabeto-cientifico

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...