segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Escolas comemoram o Dia D debatendo o PPP

ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT
Hoje (11.08), Dia do Estudante, todas as 744 escolas da rede estadual de ensino de Mato Grosso estão mobilizadas para discutir junto com a comunidade escolar o Projeto Político Pedagógico. O PPP é o plano de ação da escola, onde estão reunidos os projetos da unidade e suas pretensões. Por isso, este é um dia muito importante, onde a escola faz uma reflexão do próprio desempenho, entre eles,  evasão escolar, Ideb, entre outros indicadores são trabalhados com os alunos, pais, coordenadores e outros, numa tentativa de buscar melhorias.
Desenvolvido desde 2007 pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o Dia D é um marco no calendário escolar. Uma data para reflexão, apresentação de trabalhos e projetos e projeção dos próximos passos para o ano. Este ano, com tema “Dia D com foco no PPP”, pretende radiografar a situação da escola avaliando indicadores de promoção (aprovação), reprovação (retenção), abandono (do Ensino Fundamental e Médio), IDEB (proficiência e fluxo) e do Enem, aquelas que atuam com Ensino Médio, serão discutidos com a comunidade escolar. “Através do diagnóstico, a escola deve buscar alternativas para subsidiar a revisão e reorganização do seu PPP”, informa a Coordenadora do Ensino Médio, da Seduc, Dariluce Gomes da Silva,.
Coordenadora da Escola Estadual Maria Hermínia Alves, no CPA 4, Ziulene Francisca Batista acredita que a partir da análise da educação feita neste dia D muita coisa pode ser mudada. Para a coordenadora, o que faz a diferença é a integração entre a comunidade e a escola. Na Maria Hermínia, por exemplo, o data aborda em sala de aula os temas como evasão, PPP estão sendo trabalhados com alunos e os pais estão convidados a participar.
“É um dia que fala o que a escola está planejando, não só para este ano. Hoje aprendemos muita coisa como, por exemplo, para o que serve o PPP, os nossos índices e o que podemos melhorar. Percebi que podemos contribuir para ajudar na melhoria da escola e é muito importante a nossa participação”, diz o aluno Lucas Dantas da Silva, do 7° ano da escola Maria Hermínia.
”O resultado de todo este dia é a motivação e o compromisso de que a escola, pais, alunos, se dediquem mais para alcançarmos cada vez mais uma qualidade melhor na educação”, diz a coordenadora Ziulene Francisca.
http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14517&parent=20

Filme aborda o brincar como forma de expressão

Documentário Tarja Branca instiga espectadores a refletirem sobre a importância do espírito lúdico em todas as fases da vida
O filme Tarja Branca – A Revolução que Faltava é um convite à reflexão sobre a infância, o brincar e o espaço que a brincadeira ocupa (ou não) na vida das pessoas enquanto adultos. Cacau Rhoden, diretor do documentário produzido pela Maria Farinha Filmes, diz que o objetivo não era propor um resgate à infância, que isso seria infantilizar o adulto e a importância de cada uma das fases da vida. “A ideia era lembrar o espírito lúdico, livre e pleno que existia com mais potência em nós quando crianças e abrir espaço para que ele esteja mais presente no nosso cotidiano, nas nossas vidas e nas relações com o outro”, diz.
O filme é costurado em cima de depoimentos de pessoas das mais variadas especialidades e histórias de vida. Psicólogos, pedagogos, artistas, pesquisadores, musicistas e brincantes estão no enredo. Entre eles, alguns conhecidos como Antônio Nóbrega, José Simão, Domingos Montagner e Wandi Doratiotto.
Crédito DivulgaçãoFilme aborda o brincar como forma de expressão
Logo no começo, os entrevistados relembram suas brincadeiras preferidas na infância, como pular corda, empinar pipa e rodar piões. É o início da reflexão, da retomada dos gostos e do que nos divertia quando pequenos. “Um convite para o espectador relembrar suas brincadeiras de infância”, conta Rhoden.
O brincar é definido como a forma mais livre de expressão da criança, como a linguagem do espontâneo. “Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação”, argumenta a professora de música e pesquisadora Lydia Hortélio, que possui um papel importante na construção da narrativa e faz críticas ao sistema de ensino atual: “A ciência pedagógica, cada vez mais sofisticada, veio para ensinar a gente a fazer vestibular. Ninguém nasceu para fazer vestibular, nascemos para ser gente, para nos expressarmos em plenitude e liberdade todos os talentos que cada ser humano tem”.
“É na brincadeira que a criança vai sozinha aprender a achar solução para problemas, é onde ela vai aprender a colaborar”
A pedagoga Ana Lucia Villela coloca o brincar como fundamental para a formação completa de uma pessoa. “É na brincadeira que a criança vai sozinha aprender a achar solução para problemas, é onde ela vai aprender a colaborar, a conviver com os outros e com o diferente, a pesquisar, a ver tudo que existe com olhar criativo, é onde as invenções vão surgir”.
A identidade cultural brasileira também é debatida em todas as suas expressões, os brincantes, o maracatu, o carnaval. O como a palavra folclore, por exemplo, deixou com o passar do tempo de representar a cultura nacional e passou a ter uma conotação de pitoresco.
Assim, o debate sobre a importância do lúdico em todas as fases da vida segue e os entrevistados são convidados a falar sobre uma foto de sua infância que os tenha marcado, que represente a essência de cada um enquanto criança. A ideia de Rhoden era instigar todos a olhar nos seus próprios olhos de criança para retomar a essência do brincar. “Olhar para uma foto da sua infância e responder para aquela criança o que você fez dela, onde ela está”.
E durante todos os 80 minutos do documentário o espectador continua a se sentir dentro da história, se questionando sobre o seu próprio espírito lúdico e as escolhas que lhe fizeram aflorar ou ser deixado de canto. “O filme olha no olho de cada espectador individualmente. Faz todos refletirem sobre como foi sua infância se brincou, se não brincou. É uma semente, um gatilho para uma reflexão que as pessoas não costumam fazer”, completa.
Para saber os locais de exibição do filme, confira a página do Tarja Branca no Facebook.
http://porvir.org/porpensar/filme-aborda-brincar-como-forma-de-expressao/20140805

Currículo nacional é o primeiro passo para educação avançar

Com atraso de duas décadas, MEC começa a elaborar programa que vai definir quais conteúdos devem ser ensinados nas escolas — e em que séries

Bianca Bibiano

O Brasil ainda não possui um currículo escolar unificado, que determine o que e em que momento os conteúdos devem ser ensinados a estudantes do ensino básico. Isso talvez não fosse uma questão tão sensível se esses mesmos alunos não fossem periodicamente submetidos a avaliações (elas, sim, nacionais) que cobram os conhecimentos supostamente transmitidos. É o caso da Prova Brasil, que mede o aprendizado de estudantes do ciclo fundamental e do Enem, que além de avaliar o que sabem os concluintes do nível médio serve como critério seletivo para universidades públicas e privadas, cursos técnicos e até para programas de bolsas e financiamento estudantil.
Com o atraso habitual, a elaboração de um currículo unificado, enfim, entrou na pauta. Até o fim do mês, o Ministério da Educação abre a discussão sobre a criação da chamada Base Nacional Comum, documento que vai determinar quais conteúdos das disciplinas obrigatórias — como matemática, língua portuguesa, história, geografia e ciências — devem ser apresentados aos estudantes. E em que série. O MEC tem até 2016 para finalizar e apresentar a proposta pública. "É o primeiro grande passo para garantir que o Brasil ofereça a mesma oportunidade a todos os seus estudantes", diz David Plank, professor de políticas educacionais da Universidade Stanford, que visitou o Brasil na semana passada para debater o assunto com especialistas locais.
Hoje, Estados e municípios são responsáveis pela elaboração do currículo usado nas escolas públicas. Na rede privada, cabe a cada instituição determinar as expectativas de aprendizagem dos alunos. Há, portanto, milhares de currículos espalhados pelo país. De modo geral, esses programas de estudo se apoiam em livros didáticos e material apostilado, e nada garante que uma escola de Alagoas, por exemplo, ensine equações de segundo grau na mesma série que uma unidade de São Paulo.
"Sem saber o que os alunos devem aprender, é difícil medir se o ensino está melhorando ou não", diz Plank. O contrário também é verdadeiro. Se todos souberem o que as crianças e jovens devem aprender, será mais fácil estabelecer metas, medir resultados e cobrar mudanças. O currículo poderá ser usado, por exemplo, para a elaboração de material didático e para a formação de professores. Pode ainda facilitar o acompanhamento do ensino pelos pais, que terão mais clareza sobre o que seus filhos aprendem — ou deveriam aprender. "Que pai ou mãe nunca se questionou se o filho já não deveria saber um determinado conteúdo? Sem uma resolução clara sobre o que a escola deve ensinar, não há como dar uma resposta às famílias."
O currículo já é uma ferramenta consagrada em outros países. "A base curricular existe em todas as nações que conseguiram bom resultados na educação. A legislação brasileira, contudo, ainda não detalha o que deve ser ensinado, ainda que essa seja uma cobrança dos educadores desde 1996", diz Paula Louzano, professora da Universidade de São Paulo e doutora pela Universidade Harvard. Paula analisou o currículo de países como Finlândia, Portugal, Austrália, Estados Unidos e Cuba para saber como o processo de implantação funcionou em cada um deles. "A seu modo, todas essas nações conseguiram driblar as diferenças na oferta de ensino estabelecendo padrões mínimos de qualidade que permitiram aos pais e professores conferir se os estudantes avançavam no ritmo esperado."
O atraso de quase 20 anos na definição de um currículo foi causado, na opinião de Paula, por debates ideológicos que permeiam o tema. "O governo sempre teve medo de determinar regras específicas para a educação, com o receio de soar autoritário e de comprar briga com professores", diz. A consequência disso é que os documentos existentes hoje, como os Parâmetros Curriculares Nacionais, são pouco detalhados e não servem de base para saber o que as escolas brasileiras deveriam ensinar.
Nos Estados Unidos, os padrões de aprendizagem, chamados Common Core, começaram a ser definidos na década passada. De lá para cá, 47 Estados adotaram o currículo. "Assim como deverá acontecer no Brasil, houve por lá uma grande oposição aos padrões de aprendizagem", diz Plank, que acompanhou a implementação do Common Core na Califórnia. "Muitos professores viram o currículo como uma medida impositiva do governo. Isso acontece, em geral, por desconhecimento da importância desses padrões para a melhoria da qualidade da educação", diz. No ano que vem, os padrões de aprendizagem serão adotados inclusive pelas avaliações nacionais, como o SAT e o ACT, que, assim como o Enem, selecionam estudantes para as universidades.
Para evitar a oposição local, o MEC promete um processo mais participativo, com debates em nível estadual e municipal, além de consulta a educadores. "As linhas gerais do currículo foram pensadas por um grupo de especialistas. Elas serão apresentadas nos próximos meses a gestores públicos, que poderão sugerir mudanças. No início de 2016, queremos abrir o documento para consulta pública", diz Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do MEC. Ela garante que currículo nacional não vai afetar a autonomia dos docentes. "A base comum vai dizer o que deve ser ensinado em cada ano escolar, mas não vamos dizer que metodologia o professor deverá seguir. Cada escola e rede de ensino terá liberdade para definir os meios para atingir os fins."

Base Nacional Comum

O que diz a legislação?
Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica, de 1996, quanto o Plano Nacional de Educação, de 2014, determinam que o governo federal estabeleça os conteúdos a serem ensinados na educação básica. A legislação abrange escolas públicas e privadas
Como funciona hoje?
Estados e municípios são responsáveis pela elaboração do currículo que será usado nas escolas públicas. Na rede privada, cada escola determina as expectativas de aprendizagem com base em livros didáticos e material apostilado

Qual a proposta do governo?
A partir de 2016, todas as escolas do país, públicas e privadas, deverão seguir uma base comum, com especificação do que deve ser ensinado em cada etapa da educação. Segundo o MEC, caberá às escolas escolherem a linha pedagógica e a metodologia de ensino

Por que isso é importante?
O currículo comum é uma tentativa de garantir que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/curriculo-nacional-e-1-passo-para-educacao-avancar

I Encontro Estadual de Professores da Educação Básica



Estão abertas as inscrições e as submissões de trabalhos para o I Encontro Estadual de Formação de Professores da Educação Básica de Mato Grosso, promovido pelo Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), da Universidade Federal de Mato Grosso.

As inscrições e as submissões de trabalho devem ser feitas na página do encontro, onde também pode ser ver a Programação


Os interessados devem ficar atentos às especificações necessárias e na data limite para submissão de trabalhos, que é 10 de setembro.

Servidores da Educação em Mato Grosso promovem protestos no Dia do Estudante


Funcionários da educação de Mato Grosso vão realizar nesta segunda-feira, 11, atos públicos em todo o Estado para protestar contra os problemas enfrentados com os cursos técnicos específicos no Profuncionário e também na falta de formação superior específica. Em Cuiabá, o ato da subsede do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) acontece na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) a partir das 15 horas.

Também acontece na segunda-feira o Encontro de Funcionários da Educação do Sintep/VG, em Várzea Grande, que realiza palestras e debates nos períodos matutino, às 8 horas, e vespertino, às16 horas, no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Licínio Monteiro.
Os funcionários da educação de Rondonópolis, no Sul do Estado,  fazem um protesto na praça Brasil a partir das 8 horas. Já em Poconé, regi~]ao da própria Baixada Cuiabana,  o Encontro Municipal de Funcionários ocorre na Câmara de Vereadores às 15 horas.
A educação de Juara, 709 quilômetros a Noroeste, realiza assembleia e ato de protesto na Câmara dos Vereadores, por políticas públicas que garantam os direitos dos funcionários, às 15 horas. Em Cáceres, no Oeste, a partir das 8 horas os funcionários da educação protestam em frente à assessoria pedagógica do município.
Também participam das mobilizações municipais os educadores de Barra do Garças, Água Boa, Nova Guarita, Sinop, Acorizal, Jangada, Comodoro, Vila Bela da Santíssima Trindade, Barra do Bugres, Sapezal, Nova Olímpia, Nova Mutum, Rosário Oeste, entre outros.


http://www.24horasnews.com.br/noticias/ver/servidores-da-educacao-em-mato-grosso-promovem-protestos-no-dia-do-estudante.html

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SME de Cuiabá propõe ganho real de 2,44 sobre o salário de junho


Na quinta-feira (7) desta semana, a direção do Sintep Subsede de Cuiabá realizou reunião com representantes das escolas e creches municipais, para debater a resposta oficial do Secretário municipal de educação referente à pauta de reivindicação da categoria, protocolada no início do mês de junho.

  Como encaminhamento, os representantes assumiram o compromisso de socializar a proposta com os demais profissionais da educação na unidade educacional e, desta forma, subsidiar as deliberações que serão tomadas na reunião de representantes que ocorrerá no dia 14 de agosto.

Veja na íntegra o  Ofício SME

Nota do Blog: já houve o repasse do INPC de 6,06%. 
A SME propõe ganho real de 2,44, totalizando 8,5%.


http://sintepcba.org.br/

VI Fórum de Educação e Diversidade acontece de 13 a 15 de agosto


 VI Fórum de Educação e Diversidade acontecerá entre os dias 13 e 15 de agosto na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra. O texto proposto para a sexta edição do Fórum "Arte, identidade e Cultura nos novos contextos tecnológicos e midiáticos" foi estruturado em palestras, mesas redondas, oficinas, grupos de trabalhos, filmes e apresentações culturais envolvendo as mais diversas áreas de conhecimento.
Os Fóruns de Educação e Diversidade são realizados desde 2003 pelo Núcleo de Atividades, Estudos e Pesquisa sobre Educação, Ambiente e Diversidade (Need) com características diferenciadas de outros eventos acadêmicos científicos, uma vez que é em conjunto com a participação de escolas do campo, indígenas e quilombolas, na busca de contribuir com a discussão que relaciona educação e diversidade tendo como ponto de partida o diálogo e respeito entre os diferentes saberes.
Entre os objetivos do Fórum está a contribuição com a atual discussão sobre arte, cultura e educação baseada na dimensão política e identitária que as manifestações artísticas adquirem entre as escolas do campo, indígenas e quilombolas e o modo como se relacionam com as discussões sobre arte e cultura no contexto da formação inicial e continuada de professores nos novos contextos tecnológicos e midiáticos.
Acesse as oficinas e a programação no site da Unemat.

Dia D com foco no Projeto Pedagógico será na próxima segunda-feira (11)

ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT
Professores, funcionários, alunos e a comunidade escolar em geral estão convidados a participarem do dia D da Educação em sua respectiva unidade escolar. Na próxima segunda-feira (11), as 744 escolas estaduais de Mato Grosso destinarão o dia para discussão com toda a comunidade escolar para, juntos, refletirem a respeito de como está a escola e em que precisa avançar. Segundo a Secretária Adjunta de Políticas Educacionais (da SAPE), Ema Marta Dunck Cintra, o Dia D, que começou a ser desenvolvido na rede em 2007 pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), neste ano trabalhará com a temática “Dia D com foco no PPP (Projeto Político Pedagógico)”.
Ema Marta, à frente da SAPE, portanto, lembra que "há um trabalho desencadeado em todas as superintendências da SAPE que prevê a revisão e reorganização dos PPPs escolares para o biênio 2014/2015, observando o diagnóstico e os indicadores das unidades, para que a escola se "fotografe" e ocorram os avanços em seu Plano de Ação, de forma a atender às reais necessidades e desafios". Já se iniciaram, inclusive, formações neste sentido, via Cefapro, organizadas pela Superintendência de Formação, bem como orientações aos CDCEs escolares e às equipes gestoras, por meio da Superintendência de Gestão Escolar. A Superintendência de Diversidades, por sua vez, tem discutido o olhar inclusivo no PPP, em consonância com os Movimentos Sociais e as políticas afirmativas.
De acordo com a Coordenadora do Ensino Médio, da Superintendência de Educação Básica, Dariluce Gomes da Silva, o tema escolhido neste ano converge com o momento em que as escolas estão em processo de elaboração e revisão. Assim, para o seu PPP, a escola deve fazer o estudo da atual situação da unidade e das mudanças e projetos que pretende implementar no período. Por isso, Dariluce Gomes reforça a importância da presença da comunidade neste dia D. “Os diversos segmentos que compõem a comunidade escolar podem opinar e propor mudanças, apresentar sugestões.  É um momento de reflexão da escola sobre as suas práticas, seus resultados, seu desempenho, seus índices e as metas a partir destes” diz.
A coordenadora frisa que as unidades devem analisar os indicadores, os índices de evasão e reprovação, entre outros, e buscar mudanças. “É uma data muito expressiva e que foi fixada no calendário escolar coincidindo com o Dia do Estudante; trata-se de um dia bastante sugestivo para a escola pensar se as práticas estão de fato garantindo o direito de aprendizagem dos alunos, evidenciando experiências exitosas e pensando sobre as fragilidades e desafios” ressalta.
Segundo o diretor da Escola Estadual Pascoal Ramos, em Cuiabá, Welson Mesquita de Oliveira, o Dia D é o momento de expor o que está dando certo e o que precisa ser mudado. O professor relembra que, no ano passado, por exemplo, a discussão foi em torno da importância do trabalho dos Conselhos Deliberativos. “Muita coisa mudou após o Dia D; uma delas é a conscientização dos alunos e comunidade escolar. Fazemos um trabalho diferenciado trazendo a comunidade para a escola” diz.
A Diretora da Escola Estadual Maria Hermínia Alves, Hélia Ormond, diz que muitos avanços foram observados com a execução do Dia D. Ela diz que, a cada ano, a presença da comunidade é mais maciça neste dia de discussões. “Hoje, por exemplo, os pais já sabem o que é PPP e da importância de contribuir para a sua formulação. Quando falamos em índices do IDEB, ENEM,  a comunidade escolar também já domina o assunto. Eles sabem o quanto é importante participar. E várias sugestões dos pais apresentadas ano passado já estão sendo colocadas em prática” diz Hélia Hormond.
Entre as proposições para o Dia D estão a divulgação da série histórica dos indicadores de promoção (aprovação), reprovação (retenção), abandono (do Ensino Fundamental e Médio), IDEB (proficiência e fluxo) e do Enem, entre outros. Através do conhecimento dos dados e análise coletiva dos mesmos numa visão diagnóstica, a escola, junto com a comunidade, deve buscar alternativas para subsidiar a revisão e reorganização do seu PPP.

http://www.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14510&parent=20

Tutoria para gestores, coordenadores e professores

Escrito por Carolina Mainardes
Realizar uma ação com sucesso, na escola ou em sala de aula, pode ser um passo relevante para a motivação de educadores da rede pública de ensino. Para que isso ocorra, a tutoria é uma das ferramentas indicadas. Segundo Patricia Mota Guedes, gerente de Educação da Fundação Itaú Social, o que se pode aprender com reformas educacionais de sucesso mundo afora é que a motivação dos profissionais da Educação é um componente relevante. “Costumamos falar somente em mudanças estruturais, plano de carreira, salário. Essas questões são importantes, mas o apoio à prática profissional é fundamental para que o educador se sinta fortalecido para atuar”, afirma. Fundamentada na observação da prática, a tutoria traz resultados que impactam o dia a dia da escola. Acompanhe a seguir as explicações de Patricia sobre o funcionamento desse método e os resultados que ele pode trazer.
O que é tutoria
Segundo Patricia Mota Guedes, da Fundação Itaú Social, a tutoria é uma metodologia de formação feita no dia a dia da escola, em que se acompanha a prática do profissional. “É uma metodologia de formação continuada e de serviço que se apoia na observação da prática, em ações modelares realizadas pelo tutor, em seções customizadas de planejamento e de feedback sobre as ações realizadas”, explica a especialista. Patricia ressalta que o tutor é um parceiro do profissional tutorado, um par que tem uma experiência prática significativa e que irá contribuir, colaborar e pensar com o tutorado para aprimorar a prática dele.
Motivação
Reformas educacionais de sucesso em todo o mundo mostram que a motivação do profissional da Educação é componente fundamental de um sistema de ensino de qualidade. O apoio à prática é essencial para que o educador sinta-se fortalecido para atuar, capaz de realizar estratégias e de colocar ações em prática. “O medo do novo e a resistência à mudança são vencidos quando o profissional consegue realizar uma ação com sucesso”, afirma Patricia. Um dos grandes desafios da educação, para a especialista, é fazer com que os reflexos da política pública educacional cheguem à escola, à sala de aula e ao dia a dia do diretor e do professor. Ela acredita que a tutoria ajuda muito nessa aproximação.
Tutoria pedagógica
A tutoria pedagógica tem foco no gestor pedagógico da escola: o diretor ou o coordenador pedagógico. “Nesse caso, o tutor atuará observando e fazendo junto em alguns momentos, dependendo dos desafios que o tutorado traz, as rotinas de gestão pedagógica, as quais podem incluir desde planejamento com a equipe de coordenadores pedagógicos, planejamento e condução das reuniões de equipes de professores, até observação de sala de aula e feedback para professores, em uma perspectiva de colaborar para pensar junto e desenvolver estratégias para avançar em relação à aprendizagem dos alunos”, explica Patricia. O tutor também acompanhará a análise das avaliações externas e internas da escola, a leitura de dados, a observação de tendências e a identificação de grupos de alunos com dificuldades e estará atento para articular a proposta curricular e o projeto político-pedagógico da escola.
Tutoria de área
A tutoria de área tem foco no professor. Ela é realizada por um tutor com formação na área do tutorado ou, ainda, em áreas afins de conhecimento. Primeiramente, é feito um diagnóstico e, em seguida, um plano de formação. De acordo com Patricia, o tutor participará de seções individuais com o professor para planejamento de aula e práticas de ensino na sala de aula, em que o fator a ser observado será combinado previamente. “O tutor sempre entra na sala de aula como um parceiro do professor, para colaborar e, às vezes, realizar uma atividade com o professor e conhecer mais de perto os desafios daquela aula ou daquela turma”, ressalta a especialista. Serão abordados a gestão da sala de aula, o planejamento, os problemas de indisciplina, as dificuldades de concretizar a proposta curricular, as ações devolutivas etc.
Feedback
Depois de observar, sempre há uma seção de feedback, em que tutor e tutorado conversam sobre pontos de sucesso, problemas e possíveis estratégias para reverter dificuldades de aprendizagem, além de acompanhamento específico dos alunos em determinados conteúdos ou competências. Também é possível solicitar ao tutor sua participação para modelar uma atividade para a qual o tutorado ainda não tem confiança para aplicar. “Todas essas estratégias são combinadas e têm uma corresponsabilização para avançar. Isso porque se parte do princípio de que o tutor irá trabalhar para a autonomia do tutorado”, afirma Patricia.
Identificar pontos fortes
O tutor, por meio da observação das rotinas da escola, ajudará a identificar os avanços, os pontos fortes, as potencialidades muitas vezes não percebidas pelo tutorado. “Quando o tutor consegue mostrar, com evidências, os avanços, seja da sala de aula, seja de estratégias que o professor ou o gestor passou a dominar, o próprio tutorado se sente mais motivado”, destaca Patricia. Ela comenta que, por se pensar nas prioridades e nas urgências do dia a dia da escola, essas questões podem passar despercebidas. “Esse tipo de segundo olhar é muito importante”, frisa.
Eixo estratégico
A tutoria é considerada um eixo estratégico em reformas educacionais realizadas com sucesso em todo o mundo: Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, bem como sistemas educacionais de países menos desenvolvidos, como África do Sul, Índia e Cingapura, que têm avançado nas últimas avaliações educacionais internacionais. No Brasil, programas de tutoria são desenvolvidos pela Fundação Itaú Social em parceria com redes estaduais de ensino em São Paulo, Goiás e, mais recentemente, Ceará. Ainda em Goiás, os municípios de Catalão, Goianésia e Trindade também estão adotando a tutoria. Patricia lembra que o programa possibilita a identificação de profissionais com incrível potencial formador, para atuarem como tutores nas próprias redes de ensino, nas escolas ou nos órgãos regionais. “É uma forma interessante de ampliar a excelência, em que se pode compartilhar conhecimento com seus colegas, mas de forma estruturada, com base em uma metodologia e com apoio da rede de ensino”, observa.
Resultados
“O primeiro resultado da tutoria é a mudança na prática”, afirma Patrícia. Ela ressalta que esse é o foco da tutoria: trabalhar para gerar reflexão e ação na prática da escola e da sala de aula. “São observadas mudanças nas rotinas do diretor, do coordenador pedagógico e do professor, tanto na sala de aula como no planejamento, na capacidade de avaliação da aprendizagem dos alunos, entre outros aspectos”, elenca. Além da excelência, a tutoria atua em questões como a equidade na própria escola, com possibilidade de articular melhor os esforços para a redução do número de alunos que estão com baixo desempenho. Patricia alerta que a tutoria precisa ser aplicada em conjunto com outras estratégias que envolvam proposta curricular, avaliações, padrões básicos, suporte de gestão etc.

+Na Web
A Fundação Itaú Social lançou, em maio, dois guias para auxiliar escolas e educadores na implantação de programas de tutoria. O material introduz o leitor nos princípios e nas estratégias da tutoria e traz relatos de experiências dos tutores e depoimentos de tutorados. A iniciativa visa inspirar gestores públicos a adotarem a metodologia como ponto central em suas reformas educacionais.Conheça o Guia de tutoria pedagógica no link: www.fundacaoitausocial.org.br/_arquivosestaticos/FIS/pdf/Tutoriapedagogica.pdf. E o Guia de tutoria de área no link: www.fundacaoitausocial.org.br/_arquivosestaticos/FIS/pdf/Tutoriapedagogica.pdf. Você também pode conferir os vídeos do Programa Tutoria, disponíveis no canal da fundação no YouTube:www.youtube.com/fundacaoitausocial


http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/gestao-ensino-publico/781-tutoria-para-gestores-coordenadores-e-professores

6 filmes nacionais para trabalhar na sala de aula

Especialista em audiovisual e educação faz a indicação de obras do cinema nacional que podem ser usadas na escola
http://porvir.org/porfazer/6-filmes-nacionais-para-trabalhar-na-sala-de-aula/20140729

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Para formar leitores


Escrito por Fábio Torres
A pequena Fernanda Tamaki, aluna do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Santa Maria, de São Paulo (SP), leu no ano passado 83 livros, todos emprestados da biblioteca da escola. O motivo? “Eu gosto de ler porque imagino a história na minha cabeça como se fosse um filme de cinema”, diz Fernanda, que mantém o hábito ao ler um pouco sempre depois de realizar suas tarefas e demais obrigações. Com a popularização de aparelhos como smartphonesnotebooks e tablets, casos como o de Fernanda são cada vez mais raros entre as crianças. Segundo a pesquisa Retratos da leitura no Brasil, feita pelo Instituto Pró-Livro (IPL) com o apoio do Instituto Brasileiro de Opinião e Pública e Estatística (Ibope), o número de leitores no Brasil caiu de 2007 para 2011, passando de 95,6 milhões para 88,2 milhões, respectivamente, o que, no caso de 2011, representa metade da população. Além disso, o hábito da leitura aparece apenas em sétimo lugar, atrás de assistir à televisão, escutar música e sair com amigos, por exemplo.
Para melhorar esse cenário, a escola e o professor desempenham papel fundamental. É nisso que acreditam vários especialistas ouvidos pela Profissão Mestre a respeito do tema. “As duas principais instituições responsáveis pela formação do leitor são a família e a escola. No entanto, sabemos que as famílias estão cada vez mais absorvidas pelo trabalho, em busca da sobrevivência. À noite, quando os pais chegam em casa, o seu tempo é mais uma vez sequestrado pela TV ou por outros afazeres. Sobram, às vezes, alguns poucos minutos para a leitura de algum livro com os filhos antes de dormir, mas é muito pouco”, afirma a escritora Maria Helena Zancan Frantz, mestre em Romanística pela Universidade de Münster (ALE) e ex-professora de Literatura da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). E completa: “A responsabilidade dessa tarefa, que precisaria ser dividida entre as duas instituições, fica, na maior parte das vezes, com a escola. Essa acaba sendo a única oportunidade que a criança tem para ingressar no mundo da leitura. E, se a escola falha, sobram poucas esperanças”. A opinião de Maria Helena é compartilhada pela professora Tamara Veras de Bittencourt, mestre em Educação e assessora pedagógica. “É na escola que a leitura pode ser orientada e conduzida por um leitor mais experiente – o professor. As crianças e os adolescentes leem bastante, mas não é uma questão de quantidade apenas, e sim de qualidade: o que ler, como ler e o que fazer com a leitura”, afirma Tamara.
A professora critica a mudança de postura da escola conforme o aluno cresce: a leitura é parte importante do currículo no ensino infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, mas, a partir do 5º ano, a literatura vai sendo deixada de lado ou, como afirma Tamara, tem seu real objetivo distorcido. “A literatura como componente curricular a afasta de sua própria essência artística, porque é tratada como ciência, ou seja, há uma resposta certa para cada pergunta, há um resumo que explica detalhadamente a obra, deixando de fora a experiência estética, o prazer de compreender, de descobrir e descobrir-se com base na leitura de uma obra”, considera. “O que se observa como prática nas aulas de Literatura, de escolas públicas e privadas, é a abordagem historicista das obras, que se sustenta em uma apresentação panorâmica da série literária, isto é, em uma sequência de movimentos literários ou estilos de época e dos principais autores e obras”, completa. Para Tamara, o recorrente tem sido a supervalorização da pseudocientificidade da disciplina, ensinada sob a perspectiva histórica que torna estática e dada a verdade que emana da obra literária, a ponto de já não ser mais necessária a sua leitura.
Interesse pela leitura
E como mudar essa situação e despertar nos alunos o interesse pela leitura? Tamara indica alguns passos que podem ser adotados para isso: “Dar novos objetivos à leitura, criar espaços de discussão, ter ótimos mediadores, tornar os livros mais acessíveis, criar atividades que complementem a leitura e que levem a novas experiências são possibilidades para atrair leitores”, diz a assessora pedagógica. Já a escritora Maria Helena acredita que a simples evolução da infraestrutura escolar deve auxiliar no incentivo à leitura. “A escola e a sociedade, até pouco tempo atrás, davam pouca importância ao assunto. Bibliotecas eram quase inexistentes nas escolas. A escola estava mais preocupada em trabalhar conteúdos. Muitas vezes, em vez de incentivar, apenas cobrava. Aí entravam as famosas fichas de leitura que, em vez de aproximar os alunos do livro, os afastavam cada vez mais”, adverte. E acrescenta: “Hoje a escola está mais bem preparada e investindo bastante na formação de leitores. As bibliotecas escolares e públicas têm recebido muitos incentivos do governo [federal]. O espaço está muito mais agradável (não é apenas um depósito de livros velhos) e o acervo está bastante rico e atualizado”. Apesar disso, o número de escolas com bibliotecas no País ainda é baixo – conforme os dados do Censo Escolar 2013, apenas 35% das escolas possuem biblioteca. Quando se trata de escolas da rede pública, o percentual é ainda menor: 29%.
A escritora acredita que o País ainda precisa criar mais oportunidades de leitura, uma vez que já conta com uma imensa gama de obras literárias disponíveis, de modo que todos – crianças, adolescentes e adultos – possam encontrar algum livro de sua preferência. “Nossa literatura infantojuvenil é uma das melhores do mundo. Temos grandes autores para o público adulto também. Além disso, dispomos de um universo belíssimo de obras traduzidas da literatura do mundo inteiro. Trata-se antes de oferecer oportunidades de aproximação entre livro e leitor para que este se sinta atraído, conquistado pelo universo fantástico que a leitura oferece”, afirma a escritora. Tamara, por sua vez, defende tornar a experiência da leitura um hábito conjunto, e não um ato solitário. “Um bom incentivador para atrair leitores é tornar o livro o centro de um processo que aproxima pessoas, cria vínculos e permite interação, troca. Ou seja, tornar a atividade menos solitária e mais compartilhada. Isso pode ocorrer tanto na escola quanto em praças, livrarias, cafés, salas etc. Não precisa de um local específico, precisa ser um momento de encontro entre pessoas e dessas pessoas com a literatura”, esclarece a professora.
A opinião das especialistas é unânime quando se trata dos benefícios que a leitura traz para os alunos em suas vidas acadêmica e social. “Quem lê é mais informado, comete menos erros na escrita e tem experiências estéticas que ampliam horizontes. A leitura é também um caminho de integração do aluno com o seu meio social, e isso é ainda mais importante quando falamos das classes menos favorecidas economicamente”, afirma Tamara. Maria Helena concorda e relembra os ensinamentos de Lev Vygotsky, cientista bielo-russo falecido em 1934. “Aprendemos com Vygotsky que a linguagem desempenha o papel fundamental de mediadora na construção do conhecimento. Linguagem e pensamento caminham de mãos dadas. Quando falamos em linguagem, pensamos em leitura, oralidade e escrita. A sociedade em que vivemos é permeada pela escrita. A cultura do mundo moderno é letrada. Nela a palavra desempenha papel decisivo. Saber fazer uso de práticas de leitura e escrita e ter competência linguística são fundamentais para construir conhecimento e responder às exigências da sociedade contemporânea”.
Trabalho diferenciado
Esse trabalho de criar oportunidades de leitura em prol da melhoria do aprendizado dos alunos não surte efeito se não existir dedicação dos professores, em sala de aula, de utilizar a literatura em suas atividades. Para Rosângela Márcia Magalhães, mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e coordenadora pedagógica do Centro Educacional de Ouro Preto (CEOP), “há muitas estratégias. Você pode, por exemplo, contar histórias, trabalhar os recontos, usar fantoches, fazer teatros. Nas escolas, há vários recursos, várias tecnologias, o livro mesmo é uma tecnologia, então deve partir mesmo do professor. A criança tem que imaginar, tem que desenvolver essas linguagens que a literatura infantil possibilita: a linguagem imagética, a musical, a corporal, por meio de teatros etc.”.
Para Tamara, que desenvolveu uma tese de mestrado sobre a escola e a formação de leitores, existem outras atividades potenciais. “Há muitas possibilidades de realizar a leitura em sala de aula”, sugere a educadora gaúcha (Confira dicas de atividades no box). Ela também destaca que os professores devem tomar cuidado especial durante as aulas em relação à transição de uma disciplina para outra. “Despertar a curiosidade para o assunto que será lido é importante, porque há um rompimento brusco na mudança de período. Estão fazendo cálculos durante uma hora e, em trinta segundos, estão lendo um texto sobre biomas. É possível cuidar dessa transição, preparar [o aluno] para o que vai ser trabalhado”, ressalta.
Formação docente
As três educadoras apresentam visões diferentes em relação à formação dos professores. Para Tamara, “o que acontece na sala de aula é reflexo da formação dos professores, não é possível responsabilizá-los”. Ela prossegue: “Nós, professores, também lemos na faculdade para aprender os conteúdos sem que nos ensinem a melhor forma de fazer isso. Além disso, os cursos não ensinam os professores das mais variadas áreas do conhecimento a respeito da sua responsabilidade com a formação de leitores”. A formação continuada é vista por Rosângela como a principal alternativa para incrementar as competências e conhecer novas metodologias. “Hoje o professor tem que buscar conhecimento o tempo todo, e a formação continuada é o principal ponto. É pesquisar e trocar experiências com outros colegas, participar de encontros e oficinas para, com base nas trocas, elaborar estratégias e uma melhor prática situada”, afirma a educadora mineira.
A escritora Maria Helena destaca que a preocupação com a formação de leitores já está presente em muitas escolas. “Muitos eventos, como feiras de livros, encontros entre autor e leitores, são desenvolvidos nas escolas para fomentar o desejo de ler nas crianças e nos jovens. Tudo isso porque a escola percebe que investir na formação do leitor é cada dia mais necessário. Mesmo com os avanços tecnológicos, a leitura não se tornou dispensável; pelo contrário, ela ainda é uma tecnologia de ponta e sua importância se amplia, mesmo que com outros suportes. Ela continua sendo condição básica para a aprendizagem”, diz. A escritora aponta ainda qual é o principal obstáculo para que a formação de leitores possa ocorrer sem grandes problemas: “O maior entrave na formação de leitores continua sendo um professor não leitor”.
Profissão Mestre destaca o trabalho que vem sendo desenvolvido em algumas escolas brasileiras, por meio de projetos que visam contribuir para a formação de leitores. Acompanhe a seguir.
Revolução por meio dos livros
Na comunidade rural de Arcos (MG), distante 210 quilômetros de Belo Horizonte (MG), uma iniciativa da Escola Municipal Laura Andrade tem mudado a rotina dos alunos e de seus pais. Desde 2008, a escola realiza o projeto Lendo em Família, cujo foco é incentivar a leitura não só nas crianças, mas também nas famílias dos alunos. “A escola dispunha de 15 volumes de um mesmo livro, A ilha perdida. Eu comecei a ler pedacinho por pedacinho com os alunos e eles gostaram muito. Pedi então para eles lerem o livro em casa com os pais, mas sem TV nem rádio ligados. Os pais gostaram, os alunos gostaram. Desde então, levamos os meninos para a biblioteca e eles escolhem os livros que quiserem. Eles fazem a eleição do livro, fazemos a compra dos exemplares e eles os levam para a casa”, explica Soraya Marcelino, que era professora em 2008 e, hoje, é a diretora da escola.
De acordo com Soraya, a atividade causou uma verdadeira revolução na comunidade. “Os alunos se apaixonaram por leitura. Criamos um laço de afetividade muito grande entre alunos e pais. Há casos de pais que são analfabetos e nossos alunos, nesses casos, fazem o trabalho inverso, eles leem para os pais. É um efeito muito bonito na comunidade”, afirma a educadora. A intenção agora é criar uma biblioteca itinerante com os livros que já fizeram parte do projeto e levá-la para as diversas comunidades que a escola atende. “Vamos levar apresentações [sobre os livros], deixando algumas obras em cada comunidade e levando outras para as outras comunidades”, explica Soraya.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/ensino/881-para-formar-leitores

Incentivos ao professor fazem o ensino avançar? Em alguns casos, sim

Prêmios e benefícios são necessários e importantes, mas na maioria dos casos se convertem apenas em despesas adicionais da educação


João Batista Araujo e Oliveira

O maior incentivo para um prefeito é ser bem votado. Outros gostam de ir para casa deixando um trabalho bem feito, seja ele reconhecido ou não pela população. Alguns, ainda, preferem as benesses do poder. Diretores, professores e alunos também gostam de incentivos.
Incentivos servem para mobilizar uma determinada ação. Mas nem todo programa de incentivo funciona. No que se refere à educação, poucos incentivos têm mostrado bons resultados. A maioria dos planos é economicamente inviável e acaba logo. Ou se transforma em direito adquirido e perde o poder de incentivar. Pagar mais por tempo de serviço não leva as pessoas a serem mais produtivas, especialmente no caso de professores. Dar bolsas e incentivos para professores fazerem cursos ou obterem diplomas em nada muda o desempenho de seus alunos. Vejamos a lógica dos incentivos.
Incentivos não funcionam quando a pessoa não sabe o que fazer para ganhá-lo. Por exemplo, dar incentivo aos professores para que melhorem a nota dos alunos não funciona. Primeiro porque pressupõe que os professores sabiam fazer isso e só não faziam porque não tinham incentivo. Além de ser uma hipótese ofensiva aos professores, não corresponde à realidade. O mesmo se aplica aos alunos – não adianta prometer prêmios para quem tirar boas notas se o aluno não souber o que precisa fazer para isso. Nesses casos, ganha o prêmio quem o ganharia de qualquer forma, e não gera esforço ou aprendizagem adicional.
Incentivos funcionam quando a pessoa pode e sabe fazer o que se pede. Se o professor falta às aulas, pode-se cortar o pagamento ou pode-se premiar o professor que nunca falta. Isso funciona.
Incentivos também funcionam quando você premia ações que sabidamente influem nos comportamentos ou resultados. Por exemplo, premiar crianças para que façam deveres de casa bem concebidos ou para que leiam livros funciona porque essas atividades sabidamente melhoram o conhecimento dos alunos. Premiar crianças para que se concentrem numa tarefa durante algum tempo ou para que façam algo que já aprenderam um pouco melhor do que na vez anterior – usar conjunções numa redação, por exemplo – também funciona.
Vale lembrar que incentivos não funcionam de forma permanente: a barra tem que subir, o que era prêmio ontem vira direito adquirido, o que requeria esforço ontem virou rotina. Programas de incentivo precisam ser constantemente atualizados.
Sabemos que há professores melhores e professores piores. Bons diretores sabem quem são os bons professores. Existem mecanismos e instrumentos para avaliar a eficiência de um professor, mensurada pelo desempenho dos alunos. Mas há problemas com essas medidas.
Primeiro, há muita variedade no desempenho dos alunos de um mesmo professor, de ano a ano. Aparentemente, isso depende menos do professor e mais de fatores que estão fora de seu controle – como a presença de alunos que requerem cuidados especiais ou alunos indisciplinados numa escola em que o diretor não atua com firmeza. A variância é de 50%, ou seja, quase ano sim, ano não. Como se basear numa medida tão instável para dar incentivos a professores? Segundo, o custo da avaliação é elevado, e como a avaliação envolve benefícios, ela precisa ser feita de maneira muito cuidadosa. É pouco viável e pouco recomendável avaliar todos os professores de todas as disciplinas. Terceiro, uma escola é uma comunidade, as ações que asseguram o sucesso de um professor dependem de outros professores e de outras pessoas da escola – o que sugere que, na melhor das hipóteses, os incentivos deveriam ser compartilhados, ainda que baseados na avaliação de algumas disciplinas.
Muitos países, especialmente os europeus, não possuem sistemas de incentivo especificamente voltados para professores ou para as escolas. No entanto, existem incentivos indiretos que atraem as pessoas para o magistério e as mantêm na profissão. Por exemplo, em alguns países a profissão de magistério é associada a um alto grau de prestígio social. Isso é particularmente acentuado na tradição cultural de países asiáticos, mas também é verdade em alguns países europeus, como a Finlândia.
Há também incentivos estruturais. Em muitos países, os professores trabalham menos dias por ano (entre 170 e 200 ante 220 a 230 para os demais trabalhadores), menos horas por dia ou possuem mais flexibilidade no arranjo de horários. Em alguns países, como na França, os professores também se aposentam mais cedo do que os demais trabalhadores (embora essa tendência esteja em baixa tendo em vista a mudança no perfil demográfico).
Em síntese: sistemas de incentivo não são assunto para amadores. Incentivos são necessários e importantes, mas na maioria dos casos, em educação, convertem-se apenas em despesas adicionais. As condições de sucesso são bem conhecidas. Apesar disso, são poucos os sistemas que efetivamente dão certo.
João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa Beto
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/incentivos-ao-professor-fazem-o-ensino-avancar-em-alguns-casos-sim

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...