segunda-feira, 21 de julho de 2014

Professores de Sinop (MT) entram em greve por redução da jornada

Do G1 MT

Servidores cobram redução da carga horária e equiparação salarial.
Secretaria alega não ter condições de arcar com o custo das reivindicações.

Professores entraram em greve nesta segunda por tempo indeterminado (Foto: Sidnei Cardoso/ Sintep de Sinop (MT)
Professores da rede municipal de ensino de Sinop, a 503 km de Cuiabá, entraram em greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira (21). De acordo com a presidente da subsede do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep), Sidnei Cardoso, professores cobram a redução da carga horária de trabalho de 40h para 30h semanais e a equiparação salarial dos servidores da rede municipal com a rede estadual de ensino. A rede municipal de Sinop atende a cerca de 13 mil alunos.
A secretária de Educação do município, Gisele Faria de Oliveira, disse que, atualmente, o município não tem condições financeiras para arcar com as reivindicações dos professores. Segundo ela, um documento foi encaminhado ao sindicato contendo as justificativas dessa decisão. “O município não tem condições de equiparar o salário ao do estado nem de implantar as 30h”, afirmou Oliveira.
Ela disse ainda que a secretaria deve se reunir com a assessoria jurídica do município na tarde desta segunda-feira para receber orientações sobre as reivindicações dos professores. “Sempre estamos estudando, mas por enquanto a secretaria não tem condições”, afirmou a secretária.
Na manhã desta segunda-feira, os professores realizaram uma manifestação na cidade e percorreram a avenida principal com faixas e cartazes. Em seguida, os professores se reuniram em frente à prefeitura, local onde permaneceram até por volta das 11h [horário de Mato Grosso].
“Enviamos dois planejamentos em fevereiro para essas que essas duas pautas fossem implantadas de forma gradativa, mas não foram aceitas pela prefeitura. Eles alegam que estão no limite prudencial de gastos”, disse a presidente do Sintep. Segundo o sindicato, aproximadamente 80% dos profissionais aderiram à paralisação.

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/07/professores-de-sinop-mt-entram-em-greve-por-reducao-da-jornada.html

O que pode ser ensinado a partir do futebol


Derrota brasileira na Copa do Mundo pode ser usada para trabalhar habilidades não cognitivas com os alunos
Fim de Copa do Mundo, Alemanha campeã, e o Brasil fora da grande festa da final após ser eliminado por um placar embaraçoso de 7×1. Na escola, tanto essa quanto qualquer outra derrota pode ser usada como gancho para trabalhar nas aulas de educação física habilidades socioemocionais que moldam o caráter e preparam os alunos para a vida, como aprender a lidar com perdas, trabalhar em equipe e aceitar e obedecer regras.
Para Fernando Lobo, gestor pedagógico da Rede de Ensino Desportivo (REDE),  instituição de ensino voltada para a capacitação de profissionais ligados a esportes, os grandes eventos esportivos são um bom pretexto para colocar em prática atividades que envolvem o desenvolvimento de questões não cognitivas. “Nos esportes em geral, sempre vai ter um perdedor e um vencedor. Nas aulas de educação física, algumas modalidades esportivas como o futebol podem ser usadas como ferramentas de desenvolvimento não só motor, mas também socioafetivo”.
crédito Kungverylucky / Fotolia.comO que pode ser ensinado a partir do futebol
Segundo ele, preparar os alunos para lidar com vitórias e derrotas é papel do educador físico, que deve propor atividades com esse fim. “É importante deixar claro que perder é natural e que em um próximo jogo quem perdeu pode ganhar. Em uma atividade de jogo, o professor pode mesclar os alunos de forma que um time fique mais forte que o outro para que todos passem pela experiência de ganhar e perder”, explica Lobo, que ainda acrescenta  que cabe ao professor manipular e induzir situações para que todos os alunos vivenciem os dois lados da moeda.
“Crianças, em geral, mas principalmente as na primeira infância, têm dificuldade em perder, muitas vezes chegam a burlar regras para poderem vencer, e isso deve ser trabalhado”, explica o gestor. Ele também ressalta que outra questão importante a ser trabalhada é o seguimento de regras. “Regras são extremamente importantes como limitadores de atitudes”, completa.
O coordenador do curso de educação física do Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo, Ronê Paiano, acrescenta que as regras devem ser trabalhadas em uma perspectiva reflexiva, que esclareça por que elas existem e abrindo espaço para que os alunos as questionem. “As regras do esporte podem ser transferidas para a vida em geral. Não existe convívio social sem regras”, afirma. “É interessante questionar os alunos se é possível jogar sem regras, pode até coloca-los para jogar alguma coisa sem regras, para faze-los entender a necessidade delas”, completa o coordenador, que ressalta que atividades regradas desenvolvem atitudes honestas e o falar a verdade.
Outro habilidade de grande importância que os esportes coletivos dão abertura para ser trabalhada é a colaboração, a importância do trabalho em equipe.
“As regras do esporte podem ser transferidas para a vida em geral. Não existe convívio social sem regras”
“Nos esportes coletivos, além da competição com o adversário, é necessário se relacionar com os colegas de time. Para que o grupo tenha sucesso, é fundamental aprender a trabalhar em conjunto e para isso é preciso respeitar as escolhas e as atitudes dos outros como, por exemplo, reconhecer quando é melhor passar a bola para um colega melhor posicionado ou mesmo compreender se alguém errar uma jogada”, explica Paiano.
Segundo ele, o professor pode instigar os alunos a perceberem que atitudes individualistas não são benéficas em atividades coletivas permitindo que a turma debata jogadas e estratégias em conjunto. “Os alunos têm que ser levados a essa reflexão, o professor pode incitar a conversa, mas entre adolescentes, por exemplo, é mais proveitoso o debate entre pares”, argumenta.
Os valores trabalhados e desenvolvidos através do esporte nas aulas de educação física, como colaboração e lealdade, são aprendizados que serão levados por toda a vida, segundo Lobo.  “Todo mundo convive com vitórias e derrotas, no esporte e na vida. Trabalhar em equipe e colaborar com o outro, também. As crianças têm que interiorizar essas sensações, pois sempre estarão presentes em suas vidas”, conclui.
http://porvir.org/porfazer/pode-ser-ensinado-partir-futebol/20140714

CONSTRUINDO A IGUALDADE: 10ª edição do prêmio sobre relações de gênero

Estão abertas as inscrições para a décima edição do prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, que seleciona redações, artigos científicos e projetos pedagógicos na área das relações de gênero, mulheres e feminismos. O prêmio é uma parceria da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ONU Mulheres.
O concurso avaliará trabalhos nas categorias: estudante de ensino médio – redações; estudante de graduação; graduado, especialista e estudante de mestrado; mestre e estudante de doutorado – artigos científicos; e escola promotora da igualdade de gênero – projetos e ações pedagógicas desenvolvidas em escolas de nível médio.
Instituído, em 2005, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, no âmbito do Programa Mulher e Ciência, o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero tem como objetivos estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismo no país, e promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas.
As inscrições são individuais e devem ser realizadas até 28 de novembro de 2014, às 18 horas de Brasília, exclusivamente via internet, para todas as categorias, na página do prêmio.
Assessoria de Comunicação Social
Acesse a página do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20541

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Maioria das escolas públicas não tem acessibilidade nem rede de esgoto

Escolas sem acessibilidade, sem rede de esgoto, sem quadra de esportes e biblioteca, sem laboratórios de ciências e informática. Essa é a realidade de mais da metade dos colégios públicos do país, segundo dados do Censo Escolar 2013, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Vista Alegre do Alto (SP) é exceção no país: todas
as escolas públicas têm acessibilidade, esgoto
encanado, quadra, biblioteca e internet (Foto:
Igor Savenhado/G1)
Levantamento feito a pedido do G1 pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu, mostra a desproporção entre as escolas públicas e privadas no que diz respeito à infraestrutura no Brasil. Na metade dos colégios públicos, por exemplo, não há acesso à internet. Já na rede particular, o número de escolas com computadores conectados chega a quase 90% .
Os dados mostram que só 36% das escolas públicas têm esgoto encanado hoje – mais da metade delas contam apenas com uma fossa –, e 7% das instituições mantidas pelos governos não têm nenhum tipo de estrutura para lidar com os resíduos sólidos. Trata-se de uma enorme diferença em relação às particulares. Na rede privada, só 17% das escolas não contam com o serviço de esgoto encanado.
Clique no link abaixo para continuar lendo:

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/07/maioria-das-escolas-publicas-nao-tem-acessibilidade-nem-rede-de-esgoto.html

Uma escola árvore ou uma árvore escola?

A criatividade da criança é um bem a ser preservado. Durante a infância, somos capazes de imaginar as mais diversas situações, criar amigos imaginários, inventar cenários com apenas alguns simples objetos… Ao crescermos, a criatividade vai perdendo a sua força, dando lugar a pensamentos racionais. Como manter a imaginação de uma criança?
Em Tóquio, no Japão, uma professora quis desenvolver algo que pudesse ajudar as crianças a preservarem e desenvolverem ainda mais a criatividade. Para isso, chamou um famoso escritor e ilustrador japonês de livros infantis que faz muito sucesso entre crianças, Kazuo Iwamura.
Iwamura, ao entrar na escola, soube imediatamente o que iria fazer. No saguão de entrada há um teto redondo e sua ideia foi pintar uma grande árvore que percorre o teto 360 graus. As crianças, ao entrarem na escola, entrarão dentro de uma grande árvore.
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Com essa proposta, o Iwamura queria que as crianças utilizassem sua criatividade para aproximarem-se mais da natureza. Em um mundo em que os humanos estão constantemente esgotando os recursos da natureza, as professoras e o ilustrador acreditaram que seria importante criar uma ligação de afeto e carinho com ela desde pequenos.
Poder habitar uma “árvore” sem realmente habitá-la pode apresentar para as crianças meios para imaginar possibilidades infinitas.
Por que não dizer que a escola é uma árvore? Ou que a sua casa fica nas nuvens? Ou que está comendo minhocas ao comer espaguete?
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O que você pode fazer para estimular a criatividade das crianças?

http://todacriancapodeaprender.org.br/uma-escola-arvore-ou-uma-arvore-escola/

As Lições de Foz do Iguacu

Com uma gestão eficiente, investimento em infraestrutura e apoio pedagógico às escolas, rede se torna destaque nacional em educação


Escola Santa Rita de Cássia
Conhecida pelos seus atrativos turísticos como as cataratas do Iguaçu e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a cidade de Foz do Iguaçu, localizada na região oeste do Paraná, passou a se destacar nacionalmente também pelo ensino de alta qualidade.

Das dez melhores escolas públicas do Brasil nas séries iniciais do ensino fundamental, três são do município, incluindo a primeira colocada, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011. A Escola Santa Rita de Cássia conquistou a nota 8,6 na avaliação, a mais alta do país, ao lado da Escola Carmelita Dramis, do município de Itaú de Minas (MG). Nessa mesma avaliação, entre as 20 escolas paranaenses com maior Ideb, dez são iguaçuenses.

Apesar de Foz do Iguaçu ter concentrado o maior número de escolas entre as melhores do país, seu feito mais notável foi sair de um patamar relativamente baixo em 2007, quando o Ideb médio da sua rede foi de 4,8, e ter chegado à nota média de 7,0  para todas as 51 escolas municipais em 2011. O aumento de 25% no desempenho dos 19.120 alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental da rede pública colocou Foz acima das médias do Paraná e do Brasil para essa fase de ensino, que foram de 5,6 e 5,0 respectivamente. Mas como Foz do Iguaçu conseguiu conquistar resultados tão expressivos num prazo relativamente curto?

O segredo está na implantação de uma política educacional eficiente, colaborativa e comprometida com a aprendizagem dos estudantes. “Na educação nós não podemos ficar atribuindo culpabilidade aos pais, aos professores, aos dirigentes. Nós temos de ter uma atuação que seja superior a essa busca por culpados”, afirma a ex-secretária de Educação do município, Joane Vilela, que esteve à frente da pasta na gestão passada.

Para implementar a reforma no sistema educacional, Joane apostou na sua experiência de mais de 25 anos na rede, onde atuou como professora, diretora e supervisora de escola. Assim que foi nomeada como secretária de Educação, ela criou uma equipe multidisciplinar – composta por psicólogos, fonoaudiólogos e assistentes sociais – comprometida com o projeto de melhoria da qualidade da educação para prestar apoio às escolas.

Em seguida, deu início ao que considera a primeira ação voltada para a transformação da educação municipal de Foz: ouvir as instituições de ensino. “Nós fizemos reuniões em todas as unidades da rede, com um objetivo muito específico que era escutar da escola o que ela achava que a Secretaria da Educação poderia fazer para possibilitar um trabalho melhor dentro da sala de aula”, explica.
Foi por meio desses encontros realizados com os diretores, supervisores, professores, equipes da cozinha e da limpeza e até com os vigias das escolas que a equipe pedagógica do órgão montou o seu programa de atuação. “Nós construímos os três eixos que norteariam o nosso trabalho: a melhoria da infraestrutura, o fortalecimento da ação pedagógica e o fortalecimento da gestão democrática. Todas as ações estão sintetizadas neles”, afirma Joane.

Infraestrutura
Após ouvir as escolas, o primeiro passo dado pelo município foi investir na melhoria da infraestrutura da rede pública. Construtor por profissão, o foco do prefeito da cidade na época, Paulo Mac Donald Ghisi, era priorizar a estrutura das unidades escolares e adotar um novo padrão de escola. Com isso, 75% da rede foi reestruturada, reformada ou ainda construída, relata a ex-secretária da Educação. “Na nossa gestão, criamos seis Centros de Convivências de Educação Infantil (Cemeis), além de escolas com espaços adequados para as atividades físicas e aulas de reforço”, afirma.

Além disso, as escolas municipais passaram a contar com temperatura climatizada. Em função do clima subtropical da cidade – que garante altas temperaturas durante o verão, com máximas registradas de até 45 graus, e um frio intenso no inverno – foram instalados aparelhos de ar-condicionado em todas as unidades da rede.

Ação pedagógica
O município também colocou em prática uma política de qualificação e valorização dos educadores. Para isso, investiu na formação continuada, realizada pela própria equipe da Secretaria de Educação em conjunto com os professores. “O docente é protagonista dessa ação porque participa, inclusive, da preparação do material pedagógico”, afirma Joane.

A ação trouxe educadores motivados, cooperativos e comprometidos com a qualidade do ensino. “A nossa essência é o aluno: o que é melhor para ele”, garante Leda Márcia Dias Dallin, diretora da Escola Santa Rita de Cássia. Na opinião dela, o compromisso de todos os envolvidos no processo, desde a direção até a merendeira, foi um dos principais fatores para o bom desempenho da escola.

Outra ação da rede foi a adoção do Plano de Recuperação de Estudos no contraturno. As aulas de reforço ocorrem ao menos uma vez por semana e, além das disciplinas do currículo normal, os estudantes fazem atividades físicas, xadrez, dança e música. “Conseguimos diminuir a reprovação e a distorção idade/série, que era em torno de 35% no início gestão, ficando em 6% quando deixamos o governo”, lembra Joane Vilela. Hoje a evasão está em zero.

A oferta regular de aulas de reforço para todas as séries iniciais do ensino fundamental no contraturno é uma das características da Escola Santa Rita de Cássia, que conseguiu o melhor Ideb 2011. “O trabalho não é só centrado nas dificuldades das crianças. Apesar de ser voltado basicamente para português e matemática, é um trabalho com jogos para estimular o raciocínio lógico e promover a troca de experiência e interação entre os alunos”, afirma Shirley de Carvalho, ex-diretora da escola e atual secretária de Educação do município.

Andréa Singer, mãe de uma ex-aluna, não tem dúvida de que o reforço escolar no contraturno foi importante para sua filha. De acordo com ela, Najla Younes, de 11 anos, cursou desde a pré-escola até a quarta série do ensino fundamental na unidade. Ao mudar para a rede particular para dar sequência aos estudos, a estudante sentiu a diferença na qualidade do ensino. “Tudo o que a minha filha já tinha aprendido na quarta série estava vendo novamente na quinta série da escola particular”, diz.

Além do reforço, os alunos da rede pública passam por uma avalição institucional várias vezes ao ano. Os resultados ajudam a definir prioridades e ações.

Trabalho em equipe

A partir da avaliação, é traçada uma meta para o próximo Ideb de cada escola. E as instituições que alcançaram bom desempenho no índice recebem um 14º salário, de acordo com uma lei municipal. A premiação é concedida à escola, beneficiando todos os funcionários, da diretora ao porteiro, pois parte do princípio de que uma boa escola se faz mediante esforço e trabalho em equipe.


Os professores também são estimulados a desenvolver soluções criativas para os desafios cotidianos. Uma das iniciativas mais bem-sucedidas surgiu na Escola Santa Rita de Cássia. Na instituição, duas professoras dividem o ensino dos alunos do quinto ano, aproveitando melhor as competências de cada uma em disciplinas e áreas específicas do currículo. “Como nós tínhamos duas quartas, enquanto uma professora ficava trabalhando português com os alunos, a outra série estudava matemática com a outra professora”, conta Shirley, que atribui a essa iniciativa também os bons resultados que foram colhidos pela escola.

O envolvimento dos pais na vida escolar é outra ação importante para a rede de Foz do Iguaçu. “A participação da comunidade é o princípio de tudo”, acredita Shirley. No entanto, ela reconhece que levar a família para a escola não é tarefa fácil. Uma forma encontrada pela ex-diretora para aproximar os pais da instituição foi promover atividades culturais, como teatro e dança. “É uma forma de mostrar que o aluno é capaz de desenvolver a questão corporal e artística. Isso para os pais é extremamente importante”, acredita.

Evasão
A participação dos pais ajuda, ainda, a combater a evasão. Localizada na fronteira com o Paraguai e a Argentina, Foz do Iguaçu tem situações específicas nas escolas, inclusive, de crianças que acompanham os pais no atravessamento de produtos ilícitos. Para contornar o cenário, o município investiu na integração entre as áreas de educação, saúde e assistência social. As equipes iam uma vez por semana a cada escola para acompanhar a frequência dos alunos e, dependendo do caso, visitavam as famílias. “Tínhamos muitas crianças que precisavam desistir porque trabalhavam, ou mudavam de bairro. Vários contextos complicados, mas a equipe multidisciplinar identificava os motivos da ausência e procurava solucionar os problemas”, explica Joane Vilela.

A iniciativa foi fundamental para garantir a aprendizagem. Com isso, o município conseguiu zerar a evasão escolar. “Todos sem exceção têm direito a uma educação de qualidade. E a grande mudança de conceito foi acreditar que todos os alunos podem aprender, independentemente da condição socioeconômica, ou da localização da escola”, acredita a ex-secretária.

No entanto, Joane reconhece que a questão financeira impediu algumas realizações na sua gestão que contribuiriam para a transformação da rede. “Eu gostaria, por exemplo, de ter zerado toda a demanda de Educação Infantil”, lamenta. Na avaliação dela, uma das saídas mais eficientes para sanar as dificuldades financeiras é a busca por recursos federais. “Nós conseguimos laboratório de informática, ônibus e carteiras novas com o governo, além de boa parte da construção de creches”, diz. Mas avisa: “o secretário precisa ir atrás para saber dessas possibilidades. Fazer planos de trabalho e encaminhar, porque um convênio com o governo federal não é fácil”.

http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/39/as-licoes-de-foz-do-iguacu-319362-1.asp

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Saúde e educação básica podem receber recursos do pré-sal

Projeto que beneficia a saúde e a educação básica pública com recursos provenientes da exploração de petróleo e gás da camada pré-sal (PLS 280/2013) foi aprovado nesta quarta-feira (16) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
A proposta, dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ricardo Ferraço (PMDB-ES), destina para o Fundo Social, instituído pela Lei 12.351/2010, a totalidade dos recursos arrecadados com os bônus de assinatura (taxa cobrada pelo governo para autorizar o consórcio vencedor do leilão a operar no pré-sal). Apesar de a lei já direcionar, de forma genérica, as verbas do Fundo Social para a educação e a saúde , os autores pretendiam canalizar ainda mais recursos especificamente para a saúde pública infantil e a educação básica.
O relator na CAS, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), apresentou emenda para retirar a destinação de recursos para investimento exclusivo na saúde das crianças, pois em seu entendimento tal vinculação contraria princípio de constituição do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990), a epidemiologia é quem deve ser utilizada para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática, e destinar recursos exclusivamente para a saúde infantil poderia engessar o orçamento do SUS, lembrou Rollemberg.
Entretanto, o senador apresentou emendas para garantir que os aportes financeiros sejam realmente fontes adicionais de financiamento ao SUS; e concordou com a emenda da Comissão de Educação para determinar o uso dos recursos extras pela educação básica.
Parlamentares da base governista iriam pedir vista da proposta, mas um acordo permitiu a aprovação da proposta na CAS, que tratou do mérito, sendo que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deve verificar os aspectos financeiros da proposta, com a elaboração de uma redação que considere as observações do Ministério do Planejamento, como salientou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Na CAE o projeto será analisado em caráter terminativo.
Agência Senado

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/07/16/saude-e-educacao-basica-podem-receber-recursos-do-pre-sal

Educadores ganham conteúdo exclusivo sobre esporte

O esporte é reconhecidamente uma poderosa ferramenta para inclusão social e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Se bem orientados, professores, assistentes sociais e lideranças comunitárias podem fazer a diferença na formação cidadã de meninos e meninas. A fim de contribuir com a capacitação de educadores e disseminar a cultura esportiva em escolas e comunidades, os Cadernos de Referência de Esporte trazem os mais modernos conceitos e metodologias pedagógicas sobre esporte para o desenvolvimento. Os 12 volumes da coleção são parte do Programa Brasil Vale Ouro, da Fundação Vale, em foram editados parceria com a UNESCO no Brasil.

“Em tempos de Copa do Mundo, fica claro o quanto o esporte mobiliza pessoas e encanta as crianças e adolescentes de todo o país. Se unido às práticas para a educação integral, formação de capacidades, abordagem cidadã e cultura de paz, o esporte se torna altamente estratégico para a promoção do desenvolvimento humano”, explica Fábio Eon, Oficial de Programas em Ciências Humanas e Sociais da UNESCO.
Time de alto nível
Os Cadernos de Referência de Esporte contam com a participação e o envolvimento de mais de 50 especialistas entre autores, revisores técnicos e organizadores. Eles foram convidados a estruturar tecnologias que garantam a qualidade das atividades esportivas oferecidas, inicialmente, pela Fundação Vale. O conteúdo é de acesso livre no site da UNESCO no Brasil.
O material pedagógico consiste em orientar profissionais para a abordagem de temáticas consideradas essenciais à prática do esporte. São eles: Valores no esporte; Fisiologia humana; Fisiologia do exercício; Crescimento, desenvolvimento e maturação; Treinamento esportivo; Aprendizagem motora; Psicologia do esporte; O esporte como possibilidade de desenvolvimento; Nutrição no esporte; Biomecânica do movimento humano; Avaliação física; Pedagogia da cooperação e Proposta pedagógica de esporte.
Nesse sentido, a Coleção colabora para a construção de padrões conceituais, operacionais e metodológicos que orientem a prática pedagógica dos profissionais do Programa Brasil Vale Ouro, principal programa de apoio ao esporte da Fundação Vale. A coleção passou a contribuir na formação continuada dos profissionais envolvidos no Programa, de maneira que os educadores se sintam cada vez mais seguros para proporcionar experiências significativas ao desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes.
Conheça a coleção Cadernos de Referência de Esporte.
Mais informações:

Consed realiza I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar

Estabelecer o diálogo para troca de experiências e a reflexão sobre os avanços, dificuldades e desafios da Escola Pública são os estímulos para a realização do I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar, nos dias 14 e 15 de agosto de 2014, em Brasília.
O seminário é parte integrante do Prêmio Gestão Escolar - PGE 2013/2014, realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação – Consed, com o objetivo de fortalecer a escola pública por meio da autoavaliação como ferramenta para a melhoria da gestão.
A presidente do Consed e secretária de Educação do Mato Grosso do Sul, professora Maria Nilene Badeca, aponta que entre os principais objetivos do seminário estão à promoção do “debate das questões contemporâneas da gestão da escola pública, analisando-as à luz de diferentes experiências e enfoques teóricos, como também, estimular o diálogo entre os participantes de modo a propiciar trocas de experiências e propostas de disseminação de boas práticas”.
Com a coordenação pedagógica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – Cenpec, o evento reunirá diretores que foram destaques estaduais no ano de premiação do PGE, os coordenadores estaduais do prêmio, os secretários estaduais de Educação e os superintendentes da área pedagógica dessas secretarias, além dos parceiros do Consed que viabilizam essas iniciativas. Contará também com a participação de gestores de escolas americanas que estarão no Brasil para visitar escolas e demais espaços educativos em vários estados, como parte do programa de intercâmbio promovido pela Embaixada Americana.
Embora o evento seja restrito aos convidados, “a intenção é que toda a comunidade escolar participante do PGE 2013/2014 se beneficie das palestras e debates realizados. Nesse sentido, este site, de livre acesso, foi criado para que todos acompanhem o seminário, ouçam, leiam e possam guardar, para posterior consulta, os relatos de experiências exitosas em gestão escolar e as contribuições dos convidados”, destacou a secretária executiva do Consed, Nilce Rosa da Costa.
O Prêmio
O Prêmio Gestão Escolar - PGE, que se encontra na 16ª edição, diferencia-se de todas as demais premiações na área educacional básica. Baseia-se no instrumento de autoavaliação como um caminho para a melhoria dos processos de gestão escolar e o consequente impacto positivo na qualidade do ensino. É o olhar da comunidade escolar em relação a si mesma. Gestores, corpo docente, funcionários, alunos e familiares são estimulados a refletir sobre a escola.
A partir da edição 2013, o PGE passou a ser uma premiação bianual, sendo que, nos anos, ímpares concentram-se o processo seletivo e a premiação, enquanto que nos anos pares são promovidas uma série de ações de formação para os agentes envolvidos no PGE.
Durante toda a história do prêmio, mais de 34 mil instituições escolares já participaram, sendo que, na edição 2013/2014, foram mais de nove mil inscritos. O prêmio congrega uma série de entidades que apoiam o fomento da educação no Brasil: União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime); Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); Fundação Roberto Marinho; Instituto Educação; Nuvem de Livros; Fundação Victor Civita; Fundação Santillana; Fundação Itaú Social; Instituto Gerdau; Instituto Unibanco; Instituto Natura; Ministério da Educação (MEC) e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/860-consed-realiza-i-seminario-internacional-de-boas-praticas-em-gestao-escolar

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Especialistas apontam atraso do Brasil na educação a distância

Marilia Coêlho

É irreversível a tendência de aprendizagem a distância, mas o Brasil está atrasado em termos legislativos e práticos no assunto. Essa foi a conclusão dos debatedores que participaram de audiência pública sobre a implementação do ensino online no Brasil realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta quarta-feira (16).
Requerida pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da comissão, a audiência reuniu especialistas em tecnologia e educação para tratar do tema.  O professor e assessor do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Formiga, afirmou que o Brasil tem implementado a educação a distância num ritmo muito aquém do necessário.
- Existem casos de sucesso, existem muitos bons exemplos a serem seguidos, mas, comparativamente ao padrão internacional, o Brasil ainda está muitíssimo atrasado – disse.
O atraso do país no uso das novas tecnologias para a educação também foi confirmado pelo consultor em projetos educacionais, Edelvício Souza Júnior. Segundo o consultor, o modelo de escola e de educação brasileiras ainda é o mesmo do tempo de nossos avós.
- Nós vivemos hoje a 'Geração Z', em que uma criança nem completou um ano já sabe perfeitamente, da sua maneira, usar um tablet, usar um celular, sem que ninguém precise ensinar. E nós queremos que essa criança também continue estudando com livro didático, preparando-se para fazer provas do modo convencional – argumentou.
Para o assessor do Ministério da Educação, Rubens de Oliveira Martins, o governo quer usar a educação a distância como estratégia no ensino superior até mesmo para alcançar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), como diminuir as desigualdades de acesso a esse nível de ensino.
- E também para atingirmos as metas de expandir o ensino superior em áreas consideradas mais importantes para o país, seja na educação profissional, tecnológica, seja na educação de jovens e adultos e também no caso daqueles que, por questões financeiras, não podem ter acesso – explicou.
Legislação
Formiga criticou o excesso de legislação educacional no país, que, segundo ele, tem 70 mil leis, somando os três níveis: federal, estadual e municipal. Para ele, o excesso de legislação não é sinônimo de qualidade. O professor criticou o PNE, que classificou como perverso na questão da educação a distância. Ele também criticou as demais normas relativas ao assunto, como uma portaria do MEC que determina que apenas 20% da carga horária de cursos superiores possam ser a distância.
- A legislação hoje inibe e desestimula a educação a distância. Basta ver o ridículo percentual: pode fazer 20% a distância. Não existe isso em nenhum país do mundo. Os países que fazem educação a distância de boa qualidade não têm legislação, têm marcos legais muito genéricos – comparou.
O senador Cyro Miranda também criticou o fato de o PNE para o período de 2010 a 2020 ter sido aprovado apenas em 2014. Ele falou que algumas metas do plano deveriam ser obrigatoriedades, como a expansão do ensino integral, por exemplo.
Mooc
Os Cursos Massivos Abertos Online (Mooc's, na sigla em inglês) foram citados pelos debatedores como o caminho para a expansão da educação a distância no Brasil. O Mooc, que surgiu nos Estados Unidos em 2011 e começou no Brasil em 2012. Ele é um curso gratuito, online e feito para um número ilimitado de alunos.
Segundo o assessor do MEC, 29% dos cursos de educação superior no país são a distância e, de acordo com o consultor Edelvício Souza, apesar do atraso brasileiro no uso da educação a distância, 15% dos universitários já fazem curso online no país.
- O brasileiro, por mais dificuldade de idioma que tenha, já é o terceiro maior público do Coursera, que é o maior Mooc do mundo – afirmou Souza.
Para o diretor-geral da MGB Serviços e Computadores, Mauro Farias Dutra, o Mooc tem a possibilidade de quebrar o ciclo vicioso de professores mal pagos porque são pouco qualificados. Ele defendeu a proposta do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) de federalizar a educação básica.
Dutra também defendeu a chamada “Educação Blended”, que mistura o ensino presencial com o ensino a distância, utilizando os Mooc's, e a qualificação dos professores para o uso da tecnologia na educação. Para o empresário, deveria haver um modelo de escola digital em que o ensino seria feito em período integral com um turno na escola e outro turno em casa com o auxílio dos Mooc's.
Na opinião de Cristovam, é preciso haver uma revolução na educação brasileira para que ela seja online.
- Não tem mais como considerar a escola uma sala com professor e aluno usando quadro negro. Não tem mais como considerar que universidade tenha endereço geográfico, e não endereço eletrônico. Tem que haver uma revolução – disse.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/07/16/especialistas-apontam-atraso-do-brasil-na-educacao-a-distancia

PNE: Do discurso para a execução

Especialista em políticas públicas educacionais, Carlos Roberto Jamil Cury destaca os desafios que se abrem com a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) e as oportunidades de melhorias que ele traz consigo

Marina Kuzuyabu
  
Com três anos de atraso, o Congresso aprovou, em junho passado, a versão definitiva do Plano Nacional de Educação (PNE). São 20 metas que devem ser cumpridas pelo governo federal, estados e municípios nos próximos dez anos, contados a partir da sanção da lei pela presidente Dilma Rousseff. Nessa entrevista, Carlos Roberto Jamil Cury, especialista em políticas públicas educacionais, analisa os desafios do plano e seu potencial para mudar a educação brasileira. Cury é professor emérito da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, entre outros cargos, ocupou ao longo de sua carreira a presidência do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Em suas palavras, o PNE representa a oportunidade de ouro para avançarmos na quantidade e na qualidade da educação, especialmente porque desta vez foi incluída uma meta de financiamento – elemento fundamental que ficou de fora do primeiro PNE e inviabilizou sua implementação. Apesar dos avanços, a execução da lei depende de muitos fatores, entre eles da concretização de um Sistema Nacional de Educação que articule estados e municípios e o Distrito Federal em “favor das finalidades maiores da educação”.
Analisando de maneira geral, o que o governo, os partidos e os movimentos da sociedade civil demonstraram ao longo desses três anos de negociações em torno do PNE? Qual a sua análise sobre esse processo?
Durante o tempo de tramitação do projeto, houve inúmeras audiências públicas na Comissão de Educação da Câmara e mesmo do Senado. Foram convidadas organizações da sociedade civil, como o Todos pela Educação, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, associações profissionais e científicas, além de representantes governamentais, a exemplo do Ministério da Educação (MEC), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Havia um razoável consenso quanto à maioria das metas e das estratégias. Os pontos de conflito foram: os 10% do PIB; se se adicionaria ou não o adjetivo ‘pública’ após o substantivo ‘educação’; se o enunciado seria só os professores ou os professores e as professoras e, finalmente, o modo de inclusão do enunciado no Plano do Custo-aluno-qualidade, que consta da Lei de Diretrizes e Bases (LDB). A delonga na aprovação do PNE também evidenciou a dificuldade de passar à ação e à efetividade a sempre proclamada (e adiada) prioridade da educação. Ficamos três anos sem metas oficiais para a educação.
O que o PNE recém-aprovado traz de novo em comparação com a proposta anterior? E qual o legado do primeiro PNE? 
A grande novidade é a assinalação de recursos para o devido investimento. Que sejam os 7% do PIB para o primeiro quinquênio, sejam os 10% na chegada do ano 2022 (bicentenário da Independência), desta vez não se poderá dizer que haverá veto ao financiamento. O importante é que o investimento seja feito com rigor, com racionalização e com destinação legal. O legado do primeiro PNE foi o de ter registrado metas a partir de uma radiografia consistente. As metas, no entanto, ficaram muito mais como referências do que algo a ser atingido. Mas o que ficou de negativo, no anterior, foi a consciência aguda de que sem financiamento não há plano porque as metas não se sustentam.
Quais são as perspectivas que se abriram com a promessa de que, em até dez anos, 10% do PIB, no mínimo, será aplicado na educação? 
É preciso notar que, no primeiro quinquênio, o investimento deverá chegar aos 7% do PIB. Já o de 10% é ao final do segundo quinquênio. Não se pense que é pouco dinheiro. Contudo, sem um controle civil destes recursos, como o exercido pelos Conselhos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), sem um controle dos órgãos existentes para tal, como os Tribunais de Contas, ou as metas não se atingem ou elas ficarão parcialmente comprometidas. Como o investimento é de grande porte, será possível ampliar significativamente o acesso a todas as etapas obrigatórias (de 4 a 17 anos) e se pensar nos flancos abertos da formação inicial dos docentes, na formação continuada, na melhoria salarial dentro de uma carreira e, então, na avaliação de desempenho. Em outros termos: é a oportunidade de ouro para avançar na quantidade e na qualidade.
Entre as metas do PNE estão a erradicação do analfabetismo e 25% de oferta de ensino integral. É possível cumprir metas ambiciosas como essas em uma década?
De fato são metas ambiciosas. Mas quem não sonha com catedral, não constrói igreja. Elas são urgentes e necessárias. É preciso, entrementes, que o regime de colaboração, agora à luz do Sistema Nacional de Educação – cujo perfil operatório é de fundamental importância –, entre em ação. Vale dizer, é preciso que os governos todos se empenhem, no regime federativo, em uma mesa de negociação para que a gestão não se disperse e nem os recursos se percam.
O governo federal conseguiu evitar que fossem retirados da base de cálculo os recursos aplicados em entidades filantrópicas e programas de expansão do ensino, como o Fies, e o ProUni. O relator do PNE disse que esses valores são insignificantes se comparados ao que será investido em educação pública. Você está de acordo?
Esses recursos, amanhã, poderão fazer falta. Trata-se de uma possibilidade. Ocorre que há um dispositivo constitucional, o artigo 213, que faculta essa possibilidade, reiterada na LDB. Por sua vez, o PNE é uma lei ordinária. Então o dispositivo está valendo. Será preciso regulamentar essa franquia, com as devidas condicionalidades, e, por outro lado, ampliar a face pública do Estado tanto na oferta da educação profissional quanto no ensino superior. O único programa que entendo fora deste cômputo, dentro do parâmetro legal, é o Fies. Trata-se de um contrato entre o indivíduo e um banco. E embora o banco possa ser estatal, o Fies depende de uma ação voluntária do sujeito em contratar tal financiamento.

O PNE não explicita qual deve ser o incremento financeiro que cabe à União e aos entes subnacionais para chegar aos 10% do PIB. Como então a sociedade poderá cobrar o cumprimento dessa meta?
Esse talvez seja o mais difícil dispositivo na forma de sua montagem e operação. Para tanto será preciso aprovar uma lei complementar, como previsto no parágrafo único do art. 23 da Constituição. Sem a aprovação desta lei complementar, o caminho será complicado e o Sistema Nacional de Educação não fechará. Para mim, é o artigo-chave dos recursos referidos ao PIB e o que possibilitaria a criação de um fundo de caráter nacional que, mediante uma radiografia minuciosa, seja redistribuído de forma a reduzir as disparidades regionais.
Qual seria a diferença entre esse fundo e o Fundeb?
O atual Fundeb é constituído por 27 fundos estaduais, sendo que em alguns estados há com­plementação da União. Um Fundo Nacional a ser dirigido pela União e assessorado por mesa interfederativa permitirá a redução de disparidades hoje existentes, seja nas transferências obrigatórias, seja nas voluntárias. Ou seja, um fundo nacional pode ser mais justo por ser equitativo.
Qual sua avaliação sobre a inclusão de metas para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)? 
Não acho que indicadores de avaliações nacionais ou internacionais devam compor o Plano. Uma lei tem um sentido permanente e estas avaliações são mutáveis. Esses indicadores são termômetros de uma situação. Logo evidenciam coisas que não vão bem, mas tomá-los como referência principal pode ocultar outras coisas importantes. Certamente que tais avaliações hão de continuar. Mas elas devem cooperar com o Plano, porém de maneira auxiliar.
Não estão previstas medidas contra os gestores que descumprirem as metas. Isso coloca o PNE em risco?
Hoje já temos medidas suficientes previstas em vários dispositivos, é preciso aplicá-las. A meu ver, seria importante uma espécie de código que reunisse em um só lugar todos os dispositivos. Um ponto, geralmente esquecido, apesar de constante em lei, é a obrigatoriedade de ouvidorias para que o cidadão tenha um canal direto com os gestores. A reunião de tais normas em uma Lei de Responsabilidade Educacional poderá se explicitar, clarificar e até aperfeiçoar as mesmas normas.

Lei obriga escolas a exibirem filmes nacionais mensalmente


Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Talita Cavalcante

Pelo menos 43 mil escolas brasileiras não estão preparadas para atender à nova lei que determina a exibição mensal de, pelo menos, duas horas de filmes produzidos no Brasil. O número corresponde às instituições que não têm televisão, de acordo com o Censo Escolar de 2013. O número aumenta quando se trata de aparelhos de DVD – do total de 190,7 mil colégios, mais de 48 mil não têm o equipamento. Em relação aos retroprojetores, que também podem ser usados na exibição de filmes, apenas um terço (63 mil) tem o equipamento.
A lei entrou em vigor no final do mês de junho. Pelo texto, a exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola. "Infelizmente, a lei ainda vai permanecer como desafio, por mais que tenha a norma, ela não será implementada imediatamente. Somos um país gigante, com muita diversidade. Temos escolas que não dispõem de recursos mínimos como TV e vídeo. Elas terão que ser equipadas", diz o vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima.
A maior deficiência está entre as escolas públicas, de acordo com a plataforma de dados educacionais QEdu, em que 74% têm TV e 71%, DVD. Entre as particulares as porcentagens aumentam para 90% e 88% respectivamente. As escolas municipais são a maioria no Brasil (119,9 mil) e são também as que apresentam as maiores deficiências. Entre esses centros de ensino, 69% têm TV e 66%, DVD.
Alessio Lima é também secretário de Educação de Tabuleiro do Norte (CE) e diz que no município o desafio de implementar o serviço está praticamente vencido. Das 23 escolas públicas do município, 22 têm TV e aparelho de DVD. "Já temos essa prática nas escolas, de exibir filmes. Mas, agora o incentivo será para planejar a aquisição de um acervo e orientar a prática de forma sistemática". Uma das possibilidades é que os recursos transferidos para as escolas pelo Programa Dinheiro Direto na Escola sejam usados também para esse fim.
Entre os estados, o Acre é um dos que têm a pior infraestrutura para a exibição dos filmes. No estado, 41% das escolas têm TV e 37% DVD. "Não estamos preparados, não houve planejamento, até porque eles decidiram isso sem o conhecimento das escolas. O Parlamento brasileiro deveria ouvir mais a sociedade", diz o diretor da Secretaria de Educação do Acre, Hildo Cézar Freire Montysuma. A maior dificuldade está nas escolas da área rural, onde não há equipamentos são muito antigos, conta o professor.
No Amazonas, 35% das escolas públicas têm televisão e 30% DVD. A Secretaria de Educação, por meio da assessoria, diz que está projetando estratégias para inserir a proposta no Plano Político Pedagógico nas escolas. "Por enquanto, as ações ainda estão sendo projetadas para futura execução", informa o órgão.
O Ministério da Educação informa que desde 1996 tem políticas de disponibilização de conteúdos audiovisuais por meio da TV Escola, do Portal da TV Escola e do Portal do Professor, além da distribuição dos kits de DVDs da TV Escola, que poderão auxiliar as redes e escolas no cumprimento da lei.
Esses conteúdos audiovisuais, com exceção dos kits de DVD da TV Escola – que são enviados somente para as escolas –, estão disponíveis para livre acesso por todos os cidadãos brasileiros que tenham captação de imagem por meio de antena parabólica, TV a cabo e acesso à internet. Além disso, o MEC diz que vem articulando com o Ministério da Cultura mecanismos e orientações para ampliar o acervo de filmes nacionais, conforme as diretrizes curriculares nacionais.
Sobre os equipamentos, a pasta estimula a aquisição do Projetor Interativo Proinfo pelas licitações de registro de preços promovidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Por se tratar de uma compra nacional, os preços são inferiores aos praticados no mercado e aos obtidos em licitações em um único município ou estado. O projetor pode ser usado na exibição de películas.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-07/mais-de-40-mil-escolas-nao-tem-equipamentos-para-exibir-filmes

Abertas inscrições para o 4º Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos


Instituições com atuação destacada na área de educação em direitos humanos têm até 27 de agosto próximo para fazer a inscrição no Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos. Podem participar instituições públicas e particulares de educação básica e superior, secretarias estaduais e municipais de educação e instituições de educação não formal.
Essas instituições podem inscrever trabalhos desenvolvidos em parceria com outras entidades ou organizações da sociedade civil, como associações de pais e mestres, grêmios estudantis, diretórios acadêmicos, conselhos escolares, municipais e estaduais de educação, sindicatos, igrejas e demais entidades vinculadas à educação e à cultura.
Quatro categorias serão premiadas:
  • As Secretarias de Educação na Construção da Educação em Direitos Humanos.
  • A Educação em Direitos Humanos na Escola.
  • A Formação, a Pesquisa e a Extensão em Educação em Direitos Humanos
  • A Sociedade na Educação em Direitos Humanos.
Os primeiros colocados em cada categoria receberão prêmio de R$ 15 mil; os segundos colocados, R$ 5 mil. Há também menção honrosa para experiências referentes a temáticas específicas. Este ano, o tema será a educação indígena.
A quarta edição do prêmio, que é bienal, foi lançada em maio, no Fórum Nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Ela é promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e pelo Ministério da Educação. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas na página do prêmio na internet ou pelos Correios, como carta registrada ou Sedex, com aviso de recebimento.
Assessoria de Comunicação Social do MEC

http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/abertas-inscricoes-para-o-4%C2%BA-premio-nacional-de-educacao-em-direitos-humanos?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f

terça-feira, 15 de julho de 2014

Escolas já podem incluir dados no sistema da Provinha Brasil



A partir desta segunda-feira, 14, diretores e professores de escolas públicas podem fazer o lançamento on-line dos dados da primeira aplicação da Provinha Brasil este ano. O prazo para envio das informações termina em 30 de setembro.
O sistema on-line funciona como ferramenta para visualização do desempenho dos alunos e também para a produção de relatórios de desempenho por estudante, turma e escola. Em setembro, os interlocutores estaduais e municipais terão acesso aos relatórios consolidados das respectivas redes de ensino.
A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica das habilidades relativas à alfabetização e ao letramento em língua portuguesa e em matemática desenvolvidas pelas crianças matriculadas no segundo ano do ensino fundamental das escolas públicas do país. A prova é aplicada no início e no fim do ano letivo para permitir o diagnóstico e a aferição da evolução da aprendizagem dos estudantes.
Mais informações sobre a Provinha Brasil na página do exame na internet. Na mesma página, diretores e professores devem fazer o lançamento dos dados da primeira aplicação da prova este ano.
Assessoria de Comunicação Social, com informações do Inep

Programas de Governo de candidatos a Governador de MT

As eleições para Governador acontecerão em outubro deste ano. Os candidatos a Governador, por determinação da Justiça Eleitoral, apresentaram seus Planos de Governo, todos dizendo que são diretrizes, ou seja, sem detalhamento e disponíveis para contribuições. O setor educacional, ao que está exposto, requer muita, mas é muita informação, para que o esqueleto não vire uma assombração.  


Portanto, conheça os Planos e opine. Lembrem-se: quem participa da concepção pode ser mais efetivo na execução.


Veja o Programa de Governo de Lúdio Cabral 






Veja o Programa de Governo de José Riva

Veja o Programa de Governo de Pedro Taques

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...