quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Educadores criticam demora do governo federal para divulgar Ideb

Autoridades e especialistas dizem que publicação do índice que avalia ensino deveria ocorrer no primeiro semestre

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BRASÍLIA E RIO - Uma das principais referências para políticas educacionais na educação básica, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) está atrasado na escola. Divulgado a cada dois anos, o indicador mede a qualidade do aprendizado e da infraestrutura das cerca de 190 mil unidades escolares de ensino fundamental e médio em todo Brasil. Em 2010, foi liberado em julho. Em 2012, no dia 14 de agosto. Para este ano, no entanto, ainda não há uma data exata; o Ministério da Educação (MEC) diz apenas que será “nos próximos dias”. 

A demora vem gerando críticas entre especialistas e autoridades.Segundo o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, a demora prejudica o planejamento pedagógico e a implementação de melhorias do ensino:

— Esse atraso complica a vida de todos os secretários. À medida que o tempo passa, perde-se a chance de fazer algum tipo de correção. Usamos as avaliações bimestrais para fazer correções, mas o Ideb é um índice que compara o comportamento ao longo do tempo. Por ser externo, é uma avaliação mais isenta e permite comparar com o restante do país, qual a velocidade de melhora e onde temos que atuar.


Criado em 2005 para balizar políticas para a educação, o Ideb estabelece metas bianuais até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. O cálculo do indicador, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao MEC, leva em conta a taxa de aprovação dos alunos e as médias de desempenho na Prova Brasil, para escolas e municípios, e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para nível estadual e federal. O Ideb estabelece uma nota de 0 a 10 para cada escola, rede de ensino, município e estado, além de traçar uma média nacional.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também criticou a demora na divulgação dos resultados do Ideb de 2013:

— Tem duas explicações: incompetência ou manipulação. Não tem tem outra alternativa — afirmou o senador. — Ou foram incompetentes para cumprir o prazo ou estão escondendo resultados negativos. Temo que estejam fazendo na educação o que fazem hoje na economia, com a chamada contabilidade criativa.

Buarque, que foi ministro da Educação no primeiro ano do governo Lula, em 2003, destacou a importância de os resultados virem a público durante a campanha eleitoral, a fim de serem debatidos pelos candidatos.

O presidente do Inep, José Francisco Soares, disse que a demora se deve à análise de recursos apresentados por escolas e redes de ensino. Segundo ele, isso ocorreu depois que o Inep divulgou os resultados da Prova Brasil a todas as mais de 50 mil escolas participantes, bem como aos secretários estaduais e a representantes da Undime, entidade que reúne secretários municipais de Educação. Soares afirmou que não existe hipótese de manipulação:

— O fato de já termos divulgado para as escolas, impede o uso “estranho” dos resultados — afirma Soares. — Afinal, esses resultados já não são privados: dezenas de autoridades da área de educação e 60 mil escolas tiveram acesso a eles. Falar em manipulação é uma hipótese de quem não conhece o sistema.

Antes de ser divulgado nacionalmente, os resultados do Ideb são repassados antecipadamente e sob embargo a escolas e secretarias estaduais e municipais. No Rio, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) afirmou que recebeu há dois meses apenas os microdados sobre taxas de rendimento (aprovação de alunos, reprovação e abandono). O ideal, segundo o órgão, seria que a entrega acontecesse entre março e maio. Mas, de acordo com a autarquia do MEC, não há atraso para divulgação do índice, uma vez que nunca houve uma data preestabelecida.

DIVULGAÇÃO ANTECIPADA

Este é exatamente este ponto o criticado pela pedagoga da Universidade de São Paulo (USP) Paula Louzano. Acadêmica com doutorado em Política Educacional pela Universidade de Havard, ela acha que os dados deveriam ser publicados com mais antecedência:

— É importante que o resultado possa sair o mais rápido possível. Temos que trabalhar para divulgar isso no primeiro semestre. Tem que ser uma meta. Se for uma tendência de cada vez atrasar mais, com um mês de diferença para mais, é ruim. A tendência deveria ser encurtar o tempo, criar formas para acelerar o processo, sem comprometer a qualidade do processo. É um direito das escolas saber antes de isso se tornar público.


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Segundo pesquisador: processo de inclusão, profissionais capacitados, gestão eficiente e engajamento da comunidade são essenciais para um sistema educacional notável

A abertura do Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar foi marcada pela realização da palestra magna “Práticas de Gestão para uma Escola Notável”, proferida por Anthony McNamara, diretor do National College for Teaching and Leadership - GELP.

A palestra foi mediada pela presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação - Consed, Maria Nilene Badeca, e pela superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana.

O palestrante, Anthony McNamara, falou sobre a gestão escolar, a partir das referências de educação na Inglaterra e em relação as perspectivas internacionais, ressaltando a  experiência enquanto diretor de uma escola de ensino médio (de porte de 1100 alunos), por 18 anos. Hoje, McNamara é responsável por 85 escolas públicas do Reino Unido. Para Anthony a “qualidade do ensino, eficácia da liderança e validade do currículo são aspectos que constituem o grau de confiança das escolas”, enumerou.

Durante a palestra, McNamara ressaltou que o avanço nas grandes economias mundiais foi devido à qualificação da mão de obra nacional, que pode ser atribuído a melhoria no sistema educacional daqueles países, “todos os países estão hoje avaliando seus resultados, o funcionamento de seus sistemas de educação procurando compreender as principais estratégias para elevar as metas”, afirmou.

Entre as estratégias mais importantes para alcançar a melhoria no ensino escolar, apontadas pelo palestrante, estão: desenvolvimento dos conhecimentos básicos que envolvem a atuação gestora, respeito pela história da comunidade a qual a escola está inserida, a valorização das realizações da equipe pedagógica e a partilha de uma visão inclusiva com colegas de trabalho, pais e alunos, boa gestão da sala de aula e uma infraestrutura adequada.

Para McNamara, existem blocos de construção essencial para um sistema educacional de categoria mundial - o ideal para alcançar uma escola notável, e que se apoie em objetivos exigentes: processo inclusivo (toda criança é importante); pessoas de qualidade excepcional como professores e gestores de escola; carreira atrativa e a priorização à gestão da mudança e ao engajamento com as comunidades que eles servem.
Características de gestores notáveis apontadas por McNamara:
Confiáveis: ganharam respeito da própria comunidade;
Positivos: atitude otimista, entusiástica e curiosa frente a vida;
Tem forte compromisso com a justiça social e igualdade (combatem qualquer forma de preconceito);
Mostram determinação e energia incansável;
São persistentes na busca da excelência para todos;
Colocam as crianças em primeiro lugar;
Corajosos e empenhados e, ao mesmo tempo, flexíveis;
Presença animadora de apoio em todos os espaços da escola (não fica na sala);
Mostram respeito e empatia com todos;
Possuem iniciativa, vontade e determinação;
São ambiciosos – não só para eles mas para os outros;
Inspiram-se em outros exemplos de liderança;
Liderança caracterizada por humildade e motivada por uma crença forte na dignidade humana.
http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/884-segundo-pesquisador-processo-de-inclusao-profissionais-capacitados-gestao-eficiente-e-engajamento-da-comunidade-sao-essenciais-para-um-sistema-educacional-notavel

"É preciso um currículo escolar que desenvolva capacidades"










David Albury, aponta quais as competências e desafios que ajudam no desenvolvimento dos alunos em palestra no I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar.

David Albury, diretor de design e desenvolvimento e membro do grupo de direção do Gelp (Global Education Leader’s Program), apresentou nesta quinta feira (14/7), durante o I Seminário Internacional de Boas Práticas em Gestão Escolar, a palestra “Como articular a gestão de novas tecnologias e a gestão da aprendizagem”, na qual abordou as competências e desafios para a preparação de alunos.

Durante a palestra, David apontou que “a capacidade de resolver problemas e de aprimoramento da comunicação (escrever e falar) são competências” que precisam ser desenvolvidas nas crianças e adolescentes para prepará-las para o século 21. “Um currículo escolar que vise desenvolver as capacidades dos alunos e a transformação do uso da tecnologia nas escolas, de modo a agregar a aprendizagem”, também foram formas apontadas para desenvolvê-las segundo o pesquisador.

Ao analisar a situação do Brasil, Albury, disse que os desafios são maiores do se imagina, “as pessoas às vezes buscam soluções mágicas como, por exemplo, dar um tablet para cada criança. Isso parece mais rápido do que formar professores e cuidar das instalações. Tablets são instrumentos fantásticos, é certo, mas só podem ajudar se forem inseridos em contextos de fato educativos”. E declarou ainda “que é preciso ter a intencionalidade ao decidir o que queremos de fato que os alunos aprendam”, não bastando apenas à modernização dos recursos.

A importância da gestão da aprendizagem com a tecnologia foi a tônica da palestra, na qual também foi ressaltado que é preciso ter cautela ao utilizar recursos tecnológicos, que podem apoiar e emponderar os alunos, mas, se não for pensado os usos pedagógicos, na avaliação e na grade curricular, não ajuda no desenvolvimento dos alunos.

http://consed.org.br/index.php/comunicacao/noticias/889-e-preciso-um-curriculo-escolar-que-desenvolva-capacidades-aponta-david-albury

UFMT oferece doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade 2015


O Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas, do Instituto de Biociências (IB) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá, oferece 10 vagas para o curso de doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade 2015. As inscrições poderão ser feitas no período de 20 a 31 de outubro. Será cobrada uma taxa de R$ 132,64.

Os interessados deverão procurar a secretaria da coordenação de Pós-graduação do Instituto de Biociências, CCBS II, das 8h às 11h e das 14h às 17h, com os seguintes documentos: fotocópias do diploma de graduação, diploma ou certificado de conclusão de mestrado, fotocópia do histórico escolar do curso de mestrado, comprovação de proficiência em língua inglesa e em uma segunda língua estrangeira, curriculum-vitae documentado (modelo Lattes completo), fotocópia da documentação pessoal; foto 3x4 recente, pré-projeto de tese, declaração de dedicação integral e declaração da Instituição de origem de que o candidato será liberado para dedicar-se ao curso.


O candidato residente fora de Cuiabá poderá solicitar inscrição mediante procuração de próprio punho com firma reconhecida em cartório ou por correspondência registrada e postada até 31 de outubro, via encomenda expressa (Sedex), e os documentos devem estar autenticados. Nesse caso, o candidato deverá entrar em contato com a secretaria do programa para confirmar o recebimento da inscrição. O resultado das inscrições deferidas será divulgado no dia 10 de novembro. 


O curso de doutorado requer dedicação integral dos alunos para o cumprimento da programação didática. Além de aulas expositivas, serão realizadas reuniões de estudo e debates, práticas de campo, desenvolvimento de pesquisa, participação em eventos técnico-científicos e elaboração e submissão de artigos científicos.


O processo de seleção será realizado por meio de prova escrita (dia 3 de dezembro), arguição do candidato (dia 4 dezembro), análise do pré-projeto (dia 9 de dezembro) e avaliação do currículo (dia 11 de dezembro). O resultado final será divulgado no dia 16 de dezembro. Os candidatos selecionados deverão efetivar a pré-matrícula no período de 16 a 24 de fevereiro de 2015 e a matrícula no dia 2 de março de 2015. O início das aulas está previsto para o dia 2 de março de 2015.


Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3615 8878 ou na página do programa. 
Confira a íntegra do edital.


http://www.ufmt.br/ufmt/site/index.php/noticia/visualizar/17657/Cuiaba

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Brasileiro: 'analfabeto' científico?

Novo índice mostra que a ciência influencia a forma de ver o mundo e de lidar com situações complexas de apenas 5% dos avaliados, enquanto mais da metade sequer consegue aplicar o que aprendeu na escola em situações cotidianas.
Por: Marcelo Garcia
Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras - CC BY-NC-ND 2.0)
Como você avalia a sua capacidade de utilizar o conhecimento científico para resolver questões do dia a dia? E para fazer abstrações, criar hipóteses, planejar e inovar? Em um mundo em que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes, em que a sociedade é chamada a se posicionar sobre grandes questões como pesquisas com células-tronco e cultivo de transgênicos e no qual inovar é a palavra de ordem das empresas, essas questões são fundamentais. Mas, segundo a primeira edição do Índice de Letramento Científico (ILC), no Brasil é muito baixa a quantidade de pessoas ‘letradas’ em ciências, capazes de empregar os conhecimentos escolares no seu cotidiano e no planejamento do futuro.  
Bem diferente das avaliações de ensino existentes no Brasil, a proposta do ILC é medir quanto do conhecimento escolar é de fato aplicado na prática. Para seus criadores, o resultado negativo ajuda a entender alguns gargalos sociopolíticos e econômicos do país, como a baixa capacidade de inovação. O índice, cuja versão completa foi divulgada recentemente (clique para ver), é fruto de uma parceria entre o Instituto Abramundo, o Instituto Paulo Montenegro, responsável pela ação social do Grupo Ibope, e a ONG Ação Educativa.  
O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores
Para sua construção, foram aplicados questionários a 2002 pessoas entre 15 e 40 anos, com ao menos quatro anos do ensino fundamental completos, em oito capitais estaduais e no Distrito Federal. O questionário era composto por mais de 60 perguntas, que avaliaram a capacidade de identificar simples informações explícitas em texto, tabela ou gráfico (como consumo de energia ou dosagem em bula de remédio), de comparar informações simples para tomar decisões; de empregar informações não explícitas para resolver problemas práticos e processos do cotidiano e, ainda, de propor e analisar hipóteses sobre fenômenos complexos, mesmo não diretamente ligados ao seu dia a dia. A partir das respostas, os participantes foram classificados por nível de letramento: ausente, elementar, básico e proficiente.
O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores. A metodologia aplicada foi adaptada do Índice de Analfabetismo Funcional (IAF), também produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e que avalia os conhecimentos de português e matemática na prática. A ideia é que a avaliação seja repetida a cada dois anos.

Resultados preocupantes

De forma geral, 79% dos participantes ficaram na zona intermediária (48% no nível 2 e 31% no nível 3), enquanto 16% apresentaram letramento ausente (nível 1) e apenas 5% do total se mostraram de fato proficientes em ciência. O índice torna clara a dificuldade de grande parte dos entrevistados em realizar tarefas simples: 43% deles declararam ter problemas para compreender gráficos e tabelas, enquanto 48% acham difícil interpretar rótulos de alimentos. Entre aqueles com ILC elementar (mais comum), 58% tem problemas, por exemplo, para consultar dados sobre saúde e medicamentos na internet. 
Ciência na gestão pública
Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Os resultados também foram relacionados ao nível de formação e à área de atuação dos entrevistados – e ficam ainda mais preocupantes, já que os indivíduos com ensino superior considerados proficientes em ciência foram apenas 11%, enquanto 48% estão no nível 3, 37% no nível 2 e quase inacreditáveis 4% apresentaram letramento ausente.
Em relação ao mercado de trabalho, as áreas de administração pública, educação e saúde alcançaram o melhor resultado, apesar de pouco animador: 43% das pessoas têm letramento básico e 9%, proficiente. Na indústria e na prestação de serviços, 42% e 31% dos trabalhadores ficaram no nível 3, enquanto apenas 5% e 6% eram proficientes, respectivamente. 
A diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima, diz ter ficado surpresa com a baixa proficiência dos indivíduos mais escolarizados e dos tomadores de decisões, empreendedores e empresários, envolvidos diretamente no investimento e planejamento de atividades que vão desde o descarte do lixo à gestão da saúde e da educação. “Os dados mostram que o aprendizado fica restrito à escola e é preocupante que a ciência influencie tão pouco a visão de mundo dessas pessoas, sua atividade cotidiana e as decisões que tomam”, avalia.

Consequências adversas

Para os responsáveis pelo ILC, os impactos do cenário apontado pelo índice vão desde questões cotidianas a problemas que abrangem a vida econômica e social do país. “No dia a dia, isso se manifesta quando a cabeleireira usa um produto que ela deveria saber que faz mal ou quando os pais medicam os filhos por conta própria sem pensar nos efeitos colaterais ou nas interações entre medicamentos”, exemplifica Lima.
Garcia: “Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam ostatus quo
“Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam o status quo”, afirma Ricardo Uzal Garcia, presidente do Instituto Abramundo. “Além disso, o brasileiro não parece, em geral, preparado para opinar sobre grandes temas da ciência nem para tomar decisões cada vez mais necessárias sobre temas como transgênicos e células-tronco.”
Lima aponta ainda a formação de um gargalo de mão de obra no país e faz um alerta para o futuro. “Os empregos no país têm aumentado, mas apenas as vagas pouco especializadas; cargos melhores permanecem ociosos também pela inexistência de um pensamento científico aplicado, necessário para tais posições”, analisa. “Algo precisa ser feito para mudar essa situação, pois se nossos gestores tomam decisões que pouco consideram o conhecimento científico, a ciência nunca será valorizada como deve e isso continuará a impactar a inovação, a saúde, o meio ambiente e todas as áreas.”  

Ensino de ciências

Junto com o índice, também foi feita uma pesquisa de percepção pública da ciência, cujo resultado é significativo: apesar do fraco desempenho no ILC, os participantes reconhecem a importância da ciência para a compreensão de mundo (42% concordam plenamente e 30% concordam em parte) e para obter boas oportunidades de trabalho (41% e 27%, respectivamente). “As pessoas têm interesse e acham a ciência importante, mas não vão a fundo porque não se sentem competentes”, avalia Lima. “É uma pista importante de que há algo errado na formação dos estudantes”, completa Garcia.
Uma olhada em outros indicadores de ensino reforça a má situação do país na área: no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, um dos piores desempenhos do Brasil é em ciências (59º entre 65 países).
Ciência para crianças
Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl - CC BY 2.0)

Lima recupera a história da educação no país para explicar a situação atual. “O ensino se tornou um grande desafio a partir da década de 1990, pois sua universalização incluiu pessoas historicamente segregadas, famílias com níveis muito baixos de escolaridade”, afirma. A mudança, segundo ela, levou a um natural privilégio do ensino de português e de matemática, por serem competências mais básicas. “Em 25 anos, os avanços nessas áreas ainda não foram suficientes, mas ainda assim acredito que já seja hora de avançar para outros campos, e a ciência é a candidata natural para receber mais atenção.”
Lima:  “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”
Um dado que se destaca no ILC é o desempenho semelhante de indivíduos com ensino fundamental e com ensino médio – 50% de pessoas do primeiro grupo têm letramento elementar, contra 52% no segundo, que também conta com 15% de pessoas com letramento ausente. Para Lima, as conversas com professores dão pistas sobre os motivos por trás desse resultado, por reforçarem que nas séries iniciais as crianças adoram ciências, mas perdem o interesse depois. “O desempenho no ensino médio deveria ser proporcional ao investimento maior, com professores especialistas e maior carga horária”, diz. “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”
Garcia ressalta a necessidade de criação de programas de ensino voltados para as séries mais baixas. “O impacto da iniciação científica de qualidade desde as primeiras séries pode ser fundamental para despertar o gosto por ciências no futuro”, diz.  
Os organizadores também apostam na educação não formal e na parceria com a iniciativa privada para tentar mudar esse quadro. “Precisamos criar museus e centros de ciência para estimular uma cultura científica que hoje não existe”, defende o presidente da Abramundo. “Podemos pensar, por exemplo, em exposições sobre os ciclos do petróleo ou da agricultura, áreas em que atuam empresas enormes.” Lima conclui: “O problema não é só da escola, já que muitas pessoas não voltarão à sala de aula; é aí que a ação de igrejas, sindicatos e empresas pode ser fundamental.”
Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/brasileiro-analfabeto-cientifico

Boas práticas: Tradição inovadora

Escola aposta no uso da internet para atrair o interesse dos alunos e a participação dos pais


Cristina Casagrande

Em Gurupi (TO), município de cerca de 80 mil habitantes a 223 quilômetros de Palmas, a Escola Estadual Presidente Costa e Silva é modelo de administração aliada a boas práticas pedagógicas. Com 346 estudantes, em sua maioria de baixa renda, a escola aumentou 38% seu Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em dois anos, atingindo em 2009 a meta prevista para 2013: 5,1. 

Mas a unidade nem sempre foi modelo. Em 2006, o índice de evasão dos alunos era de 22% e as faltas, frequentes. Diante desse quadro, a equipe gestora, funcionários, professores, alunos e pais se mobilizaram para melhorar o ensino. A partir de um processo de comunicação e planejamento constante, a unidade incentivou a participação dos pais, utilizou a tecnologia para atrair o interesse dos alunos, acompanhou de perto a frequência e valorizou a formação docente e a dedicação exclusiva dos professores à escola.

Para a professora de língua portuguesa Joana D'Arc Maluf, o equilíbrio entre a tradição e inovação foram essenciais para o avanço da escola. "Nós temos bem definidos os papéis de gestores e educadores. Os alunos sabem que podem contar com o professor como um guia, como ocorre em qualquer instituição organizada. Por outro lado, buscamos ser criativos nas atividades, nos materiais e na infraestrutura da escola", explica.

No quadro de professores da unidade, 90% possuem alguma especialização e os que ainda não têm estão em início de carreira. O número de profissionais também mudou. Há cinco anos, havia 35 professores na escola que, hoje, conta com apenas 12 docentes. Isso porque todos os professores agora têm dedicação exclusiva à instituição. A dificuldade de realizar reuniões e conselhos com professores que lecionavam em várias escolas foi tema de debates e reflexão na unidade. Foi definido um horário semanal, no período noturno, para o planejamento, acompanhamento e avaliação das ações e, gradativamente, os professores foram ajustando seus horários para participar desses encontros e concentrando seu trabalho naquela unidade. 

"O número de aulas dos professores é o mesmo das outras escolas, mas garantimos a carga horária máxima a todos eles, por serem exclusivos da escola", explica Adriana. "Não oferecemos nenhum incentivo específico para que os professores concentrassem suas aulas nesta escola, mas sempre buscamos proporcionar a assessoria pedagógica necessária ao professor, diálogo e boas condições de trabalho como forma de reconhecimento." A diretora acredita ainda que quando os professores se dedicam apenas a uma escola, podem conhecer melhor os alunos e trabalhar de forma mais individualizada com eles. Além disso, a escola, que já atendeu à educação infantil e à alfabetização de adultos, decidiu focar-se nas aulas de 6o a 9o ano, para poder se dedicar mais a esses alunos. "Esse certamente foi um dos fatores de sucesso de gestão", diz Adriana.

Para controlar as faltas e a evasão escolar a unidade utiliza a tecnologia. As chamadas são feitas com um notebook, que é monitorado pela administração da unidade. Quando algum aluno falta, imediatamente a escola entra em contato com os pais pelo telefone. Se a falta ocorrer três vezes consecutivas, as famílias recebem visitas de algum funcionário da escola para saber o motivo e, quando possível, ajudar a família a resolver o problema.

Escola tecnológica
Para combater as faltas e a alta taxa de evasão, a coordenação da Costa e Silva foi buscar as razões da baixa frequência dos alunos e encontrou na curiosidade pela internet parte do desinteresse pelas aulas tradicionais. Foi então que a unidade decidiu lutar por uma oportunidade de ser uma das escolas piloto do projeto Um Computador por Aluno (UCA), do governo federal. E conseguiu. A escola ganhou 350 laptops, uma para cada aluno.

Segundo o coordenador do UCA, Claudonei das Neves, que assumiu o projeto desde seu início, em 2009, sua implantação foi realizada em conjunto com toda a  equipe. Juntos, tomaram a decisão de manter os computadores na própria escola, devido ao modelo de salas ambiente implantado. Os laptops ficam guardados nos armários das salas e cada aluno tem um login e senha para usar os computadores.

Na central do UCA, há 60 computadores disponíveis para os alunos usarem em horários fora das aulas, dependendo de seu desempenho escolar. "Há uma série de atividades que permitem que os alunos usem a internet, como tirar boas notas, ter um bom desempenho nas gincanas culturais, atividades sociais, entre outras", afirma a diretora Adriana. "Alguns chegaram a ganhar o direito de usar até oito horas de internet, de forma fragmentada ao logo do mês. Essa medida foi crucial para a erradicação da evasão em nossa escola e as faltas também diminuíram bastante", conta Claudonei. 

Para envolver toda a comunidade, muitas vezes os alunos levam os laptops para casa e ensinam seus pais, promovendo a inclusão digital também da família. Os computadores podem ser levados conforme agendamento e planejamento específico das aulas, e apenas se os pais autorizarem. Há ainda um projeto da escola em parceria com a Universidade Federal do Tocantins, que deve ter início em abril, para propiciar sinal de internet em todos os bairros de Gurupi, pois poucos alunos têm acesso à rede em casa. "Isso vai facilitar muito alguns trabalhos propostos", afirma o coordenador.

Participação
Segundo a professora Joana D'Arc, as áreas da instituição dialogam bastante entre si, o que colabora para o crescimento da escola. "Aqui não temos uma equipe gestora que se preocupa apenas com a parte administrativa e financeira, a diretoria está a par do pedagógico e do aprendizado também. Estamos interligados", ressalta.

Toda quarta-feira à noite os coordenadores e professores ficam à disposição nas escolas para atender os pais, orientá-los e conhecê-los. Para incentivar a participação, ao frequentar a escola, as famílias concorrem a prêmios de material escolar.

Após quatro conselhos de classe anuais, são realizadas orientações pedagógicas, em que os pais podem observar, por meio de gráficos, os resultados alcançados no decorrer do ano letivo. 

A escola ainda realiza anualmente uma gincana cultural, que conta com competições sociais, artísticas e esportivas. Algumas provas ocorrem de forma pontual em horários previamente agendados e outras duram todo o ano letivo como a disputa das turmas que têm maior frequência às aulas e melhor rendimento escolar. 

Gestão
A inovação reflete o contato com diferentes experiências em programas de gestão escolar pelas quais a unidade passou. De 2007 a 2011, a Costa e Silva participou do Projeto Liderança nas Escolas (Connecting Classrooms), uma parceria entre o Conselho Britânico e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), que busca fortalecer a gestão escolar. Nesse projeto, a diretora era instigada a refletir sobre sua postura na unidade.  

"Uma das ações mais interessantes do projeto foi estar presente como diretora na sala de aula. Eu observava as aulas e fazia relatórios analisando o ensino, mas com cuidado para que isso não caracterizasse uma fiscalização, sem retorno para o docente, pois não era esse o objetivo", ressalta Adriana. "Observo a aula e, logo em seguida, converso com o professor. É importante mostrar as fragilidades, mas também apontar caminhos, elogiar e realçar seus pontos positivos. O chão da sala de aula é de fato um termômetro para a gestão da escola."

Administrar melhor o tempo foi outra ação importante estimulada na troca com o Conselho Britânico. Recentemente, a escola passou a formar salas ambiente, em que são os alunos que trocam de sala a cada disciplina e lá encontram materiais e decoração específica para aquela matéria. "Descobrimos que as aulas duplas de uma mesma matéria rendem muito mais do que uma hora-aula apenas. Mas o aproveitamento depende, também, do planejamento do professor", diz. 

Considerada exemplo de administração, a Escola Estadual Presidente Costa e Silva ganhou o primeiro lugar do Prêmio Gestão Escolar 2011. Além de um intercâmbio da diretora para os Estados Unidos, a escola recebeu R$ 30 mil para investir na unidade. Durante a viagem, Adriana percebeu que as escolas norte-americanas usam cada vez mais a tecnologia em favor de sua comunicação interna. Com base nisso, ela voltou com a ideia de colocar na Costa e Silva uma televisão no pátio para mostrar os trabalhos dos alunos. Com o dinheiro, a equipe gestora vai implantar câmeras de segurança ao redor da escola e adquirir mais projetores e bebedouros para as salas de aula, devido ao forte calor em Gurupi.
http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/26/tradicao-inovadora-257974-1.asp

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Edgar Morin: ‘A educação não pode ignorar a curiosidade das crianças’

Para Edgar Morin, literatura e artes não podem ser tratados como conhecimentos secundários - Guito Moreto / Guito Moreto

POR 

RIO - O antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin fará uma das quatro conferências magnas do encontro internacional Educação 360, promovido por O GLOBO e "Extra" em parceria com Sesc e da Prefeitura do Rio, com apoio do Canal Futura. O evento acontece dias 5 e 6 de setembro, na Escola Sesc do Ensino Médio, em Jacarepaguá. Nesta entrevista, Morin critica o modelo ocidental de ensino e diz que o professor tem uma missão social, por isso, segundo ele, “é preciso educar os educadores”.

Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?
A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor. Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado. É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.

Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual?
O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo. O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.

O senhor pode explicar melhor esse conceito de conhecimento?
Vamos pensar em um conhecimento mais simples, a nossa percepção visual. Eu vejo as pessoas que estão comigo, essa visão é uma percepção da realidade, que é uma tradução de todos os estímulos que chegam à nossa retina. Por que essa visão é uma fotografia? As pessoas que estão longe, são pequenas, e vice-versa. E essa visão é reconstruída de forma a reconhecermos essa alteração da realidade, já que todas as pessoas apresentam um tamanho similar. Todo conhecimento é uma tradução, que é seguido de uma reconstrução, e ambos os processos oferecem o risco do erro. Existe um outro ponto vital que não é abordado pelo ensino: a compreensão humana. O grande problema da Humanidade é que todos nós somos idênticos e diferentes, e precisamos lidar com essas duas ideias que não são compatíveis. A crise no ensino surge por conta da ausência dessas matérias que são importantes ao viver. Ensinamos apenas o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas ele também precisa se adaptar aos fatos e a si mesmo.

O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento?
As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa. O meu livro “O homem e a morte” é tipicamente transdisciplinar, pois busco entender as diferentes reações humanas diante da morte através dos conhecimentos da pré-história, da psicologia, da religião. Eu precisei fazer uma viagem por todas as doenças sociais e humanas, e recorri aos saberes de áreas do conhecimento, como psicanálise e biologia.

Como a associação entre a razão e a afetividade pode ser aplicada no sistema educacional?
É preciso estabelecer um jogo dialético entre razão e emoção. Descobriu-se que a razão pura não existe. Um matemático precisa ter paixão pela matemática. Não podemos abandonar a razão, o sentimento deve ser submetido a um controle racional. O economista, muitas das vezes, só trabalha através do cálculo, que é um complemento cego ao sentimento humano. Ao não levar em consideração as emoções dos seres humanos, um economista opera apenas cálculos cegos. Essa postura explica em boa parte a crise econômica que a Europa está vivendo atualmente.

A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê?
Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a literatura e as artes também são um meio de conhecimento. Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário.

Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino?
O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão.


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Professores doentes e um mar de atestados

Em seis meses, docentes apresentaram 16,4 mil documentos
O Ensino público do Distrito Federal está doente. Levantamento da Secretaria de Educação revela um dado que deixa ainda mais deficiente uma área que enfrenta problemas para proporcionar uma Educação de qualidade a crianças e adolescentes do Distrito Federal.
De acordo com a pesquisa, só nos seis primeiros meses com dias letivos, foram emitidos 16,4 mil atestados médicos para Professores da rede oficial. Comparativamente, esse número é equivalente a mais da metade do quadro de efetivos, que conta com 32 mil concursados. Esse número pode aumentar, se for levada em conta a estatística da a Associação de Pais e Alunos do Distrito Federal (Aspa). “São quase 250 por dia", afirma o presidente da associação, Luis Cláudio Megiorin. Em um ano atípico, com a realização da Copa do Mundo no Brasil, feriados e calendário reduzido - 82 dias de aula, outro empecilho prejudica o aprendizado de estudantes da rede pública: a falta de Professores. Diante de um quadro crítico como esse, a associação resolveu acionar o Ministério Público para encontrar o remédio.
Aspa se reuniu, na última terça-feira (12), com promotores da Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc) para um debate sobre a falta de Professores no Ensino público do DF. De acordo com Luis Cláudio Megiorin, entre os principais problemas ligados à Educação pública relacionados no encontro, está a grande quantidade de Professores afastados devido aos atestados. A quantidade de faltas abonadas, por Educador, até agora, variou entre três e 20 dias. "A reposição de Professores de imediato é morosa. Esbarra na burocracia e dificuldade de se conseguir um substituto”, aponta Megiorin. Conforme explica Megiorin, é necessária uma análise para entender a grande quantidade de atestados apresentados. “Muitas vezes, o diretor chega na unidade e se vê diante de quatro, cinco atestados de até duas semanas e não tem como dar aula e nem repor de imediato”, lamenta.

Muito além do conteúdo
A importância de manter os Alunos em aula não ocorre somente pela importância do conteúdo perdido devido à falta de Professores, que prejudica o aprendizado, mas sim porque muitos pais não podem ficar com seus filhos, pois estão no trabalho, e contam com a Escola para que a segurança de seus filhos seja mantida. Por isso, os estabelecimentos de Ensino têm de proporcionar atividades, a fim de manter os estudantes dentro da instituição durante o período em que deveriam assistir normalmente às aulas.

Alunos são dispensados das aulas
Outra questão abordada na reunião entre representantes da comunidade e membros do MP apontada pelo presidente da Aspa refere-se à dispensa dos Alunos no caso da falta de Professores e a falta de reposição de aulas. “Sabemos que os diretores de Escola fazem um sacrifício e mantêm seus Alunos ocupados com atividades extraclasse. Mas, pelo visto, boa parte ainda prefere o caminho mais fácil. Ou seja, faltou Professor, dispensam-se os Alunos”, queixou-se Luís Cláudio Megiorin.
A decisão de dispensa é tratada como uma falta grave para a Secretaria de Educação, que reforça a proibição da liberação dos Alunos nesse tipo de situação. Em vez disso, os estudantes devem fazer outras atividades na Escola. O problema também é sentido pelo Sindicato dos Professores do DF (Sinpro). A entidade afirma que insistiu nas contratações de aprovados em concurso, e que estão esperando a publicação no Diário Oficial do DF da contratação de aproximadamente 320 novos Professores para o Ensino público. Apesar do número, o sindicato afirma que sabe que não é suficiente para atender a demanda da quantidade de Professores de licença. Com isso, o Sinpro se reuniu ontem com a Secretaria de Administração do DF, que convocará os coordenadores de Ensino de cada região, para analisarem e tentarem achar um solução para o problema. A reportagem convocou outros segmentos da sociedade para debater o caso.
O especialista em administração pública José Matias-Pereira analisou que esse problema se dá devido a um mau planejamento do sistema de Educação. “O sistema de Educação é complexo, medidas paliativas simples geram uma crise como essa. Isso só evidencia o quão despreparado está quem planeja a Educação no DF”, afirmou. O especialista ainda destacou a falta de valorização dos profissionais da área e afirmou qual deve ser a principal preocupação dos pais em ano eleitoral. “Em época de eleições, os pais e responsáveis devem exigir dos candidatos a priorização da Educação em seus mandatos”, completou.
Saiba mais
»O calendário Escolar de 2014 da rede pública de Ensino tem 200 dias letivos.
»No Distrito Federal, a principal mudança em relação aos anos anteriores está no recesso entre os semestres. Em vez dos 15 dias habituais, os 480 mil Alunos tiveram 30 dias de férias .
»A folga foi de 12 de junho e 13 de julho, período de disputa da Mundial, como publicado no Diário Oficial do Distrito Federal.

Pais cobram explicações das escolas
Uma das Escolas que estão sofrendo com o problema é a Escola base 8 do Cruzeiro. De acordo com alguns pais, os anos Escolares prejudicados com a falta de Educadores foram o segundo, o quarto e o quinto. Preocupado com o aprendizado da filha, Antônio Guedes, de 32 anos, pai de Alice Guedes, de nove anos, aluna do quarto ano, afirma que cobrou uma explicação da direção da Escola sobre o problema. “Eles nos disseram o que estava acontecendo e que estavam tentando achar uma solução”, contou. Em relação a dispensas em caso de falta de Professores, a pequena Alice afirmou que isso não ocorre na Escola do Cruzeiro. “Eles sempre arrumam alguma outra atividade pra nós, nunca ficamos sem fazer nada”, contou a garota.

A importância de manter os Alunos em aula não ocorre somente pela importância do conteúdo perdido, mas sim porque muitos pais não podem ficar com seus filhos, pois estão no trabalho, e contam com a Escola para que a segurança de seus filhos seja mantida. É o caso da manicure de 33 anos Mitilene Pereira. Ela afirma que durante a tarde trabalha e por isso escolheu o horário para os filhos. “Ainda bem que eles não dispensam os Alunos, se isso acontecesse, não sei o que eu faria”, contou Mitilene. A equipe do J Br. esteve ontem à tarde em outra Escola apontada pela Aspa como uma das unidades onde ocorreram a maior quantidade de faltas por dispensa médica: a Escola Classe 27 de Taguatinga. A direção do colégio negou que o problema tenha voltado a ocorrer. "Temos 29 Professores na Escola. Todos estão trabalhando", disse a diretora, que não quis se identificar. Mas uma estudante do 5º ano do Ensino fundamental, de 10 anos, disse que uma Professora não trabalha desde quarta-feira. 

http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/31059/professores-doentes-e-um-mar-de-atestados/

Letras impressas ou voadoras


Escrito por Anna Veronica Mautner

A escola, essa de fileiras, a tradicional, em que cada um tem o seu lugar de sentar, melhor falando, cada um tem a sua carteira de frente para a lousa e a mesa do professor, essa escola é mais de ouvir do que de ver. A paisagem que cada um de nós vê na sala de aula é cansativamente monótona por horas e horas. Eventualmente, conteúdos mudam no quadro-negro. Em nossa frente, a mesma nuca, o mesmo colega. Poderíamos dizer que essa escola é a escola sonora. O humor e a surpresa ficam praticamente ausentes.
Há muitas décadas, os professores anunciavam quando “dariam um ponto novo”. O tal do ponto novo era esperado. A escola não era amada, não despertava paixão. O tédio era a sensação dominante. Era tão monótona que até inspirou um programa de rádio. Em meio a uma liberdade maior, a Escola risonha e franca era um programa diário de rádio no qual Dona Olinda era a professora e cada aluno tinha uma personalidade, um jeito de ser.
Já na escola de verdade tínhamos que ser todos iguais. O diferencial era a nota que se conseguia e o comportamento. Havia nota de comportamento, sim. Mexer-se muito na cadeira dava nota baixa de comportamento no boletim. A carteira era uma prisão, na qual o aluno tinha que fingir interesse por um conteúdo pouco interessante. Alguns professores excepcionais conseguiam minimizar o peso do tédio.
Hoje não podemos imaginar que crianças de 6 a 10 anos, por exemplo, consigam ficar ouvindo e fazendo coisas “chatas”. Hoje os olhos das crianças estão acostumados a ver movimentos ininterruptos dos jogos eletrônicos, da televisão. A postura é parecida: a criança fica parada e a máquina traz imagens em movimento, sem parar.
Não posso imaginar o que vai acontecer com as mentes criadas à vista de movimento com o corpo parado. Qual será a consequência disso? Ainda está em gestação a primeira geração com essa nova condição. Em casa, televisão e joguinhos. Na escola, tablets e outros recursos para atrair o olhar.  Conteúdos sempre em movimento são apresentados aos corpos parados. Antes, era corpo parado diante de conteúdo parado. Agora, o olho vê movimentos, aproximações, afastamentos e sons.
E o que vai acontecer com as nossas bibliotecas de livros impressos, cujo conteúdo não está nas nuvens?  Estamos vivendo um momento de diluição do livro-objeto. O livro-objeto que enfeita as prateleiras torna-se cada vez mais objeto e menos fonte de informação. Ninguém quer que o livro desapareça, apesar de recorrer cada vez mais ao conteúdo eletrônico.
Vivemos em um momento de muita dificuldade: ainda queremos que a escola tenha biblioteca e que ela seja eletronicamente equipada. Que bom que ainda temos os dois! Ainda é notícia de jornal a existência de bibliotecas nas escolas, assim como é notícia também o quanto de recursos eletrônicos estão disponíveis nas mesmas escolas. Um não substitui o outro. Um não rouba espaço do outro. Existe uma especificidade sensorial no livro impresso e uma mental no livro eletrônico. O conteúdo pode até ser o mesmo.
Este é o momento que nós vivemos: a superposição dos dois recursos para acessar conteúdo. Um a gente apaga, outro a gente guarda. Um a gente guarda na nuvem, outro a gente guarda na estante. Parece que ficamos mais ricos. Será?

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/colunistas-pm/anna-veronica/904-letras-impressas-ou-voadoras

Google Sala de aula já pode ser usado por escolas

Ferramenta traduzida para o português ajuda a criar, gerenciar e organizar tarefas de classe e otimiza o tempo do professor
Agora é para valer. A fase de testes do Google Classroom acabou esta semana. A ferramenta está oficialmente liberada para ser utilizada por escolas e está disponível em 42 idiomas. Em português, assume o nome traduzido de Google Sala de aula.
Desenvolvida para facilitar o trabalho de professores e alunos, faz parte doGoogle Apps for Education e organiza recursos do Gmail, do disco virtual Drive e do kit de produtividade Google Docs. Através da ferramenta, o professor pode gerenciar tarefas escolares, acompanhar a execução de trabalhos e tirar dúvidas em tempo real. O educador consegue, por exemplo, criar e enviar automaticamente cópias de documentos para cada aluno. Além disso, também é possível separar cada disciplina, conteúdo ou estudante em uma pasta diferente, o que abre diversas possibilidades de organização dos materiais.
crédito archideaphoto / Fotolia.comGoogle Sala de aula já pode ser usado por escolas
Do lado do aluno, eles podem ver as atividades propostas na página de tarefas e consultar materiais de apoio didático arquivados no Google Drive. Os professores conseguem acompanhar em tempo real o andamento de cada estudante, quem concluiu a atividade proposta e dar feedbacks personalizados. (Para mais detalhes, leia matéria anterior do Porvir).
Qualquer pessoa que tenha uma conta do Google Apps for Education pode ter acesso ao serviço. Se o serviço for uma novidade para você, basta acessar  classroom.google.com). Em seguida, selecione aluno ou professor para criar uma turma, ou entrar em uma já existente.
Clique para acessar o vídeo que explica como a ferramenta funciona:

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...