quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O pensador liberal à frente do MEC





Futuro ministro da Educação, Vélez Rodríguez critica aparelhamento do Estado por marxistas e 

vê iniciativa privada como saída










Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo
Ricardo Vélez Rodríguez, novo ministro da Educação. Foto: GILBERTO ABELHA ARQUIVO GAZETA DO POVO
SÃO PAULO - Ele bate com as duas mãos no PT, na Teologia da Libertação, no aparelhamento do Estado por marxistas e em tudo mais que lhe pareça associado às ideias do italiano Antonio Gramsci (1891-1937), principal teórico, para ele, de movimento mundial, cultural e educacional de conquista de governos pela esquerda. O norte do pensamento político de Ricardo Vélez Rodríguez, de 75 anos, futuro ministro da Educação, está na direita liberal, amparado na matriz do francês Alexis de Tocqueville (1802-1859), defensor do sistema de representação política americano que, por outro lado, temia o despotismo de maiorias.
O ministro de Jair Bolsonaro é favorável ao projeto da Escola sem Partido, critica a discussão de gênero nos colégios, e acredita que a saída está na iniciativa privada e numa cultura liberal construída de baixo para cima, desde o ambiente político dos municípios. Colombiano radicado no Brasil, chegou nos anos 1970 para estudar. Cursou mestrado em Filosofia (PUC-RJ) e doutorado (Gama Filho-RJ), após ter se graduado na matéria em 1964 pela Universidade Pontifícia Javeriana, de Bogotá, e em Teologia no Seminário Conciliar de Bogotá (1967). 
É seguidor religioso do autor de A Democracia na América (1835) e do modo de vida dos Estados Unidos, onde vive o escritor Olavo de Carvalho, responsável por indicá-lo ao governo. Vélez nunca teve experiência como a que encontrará em janeiro nem geriu orçamentos enormes – o do Ministério da Educação está na casa de R$ 108 bilhões. O que o levou ao cargo foram seu conhecimento da política do País e claras posições antimarxistas contrárias ao que chama de “lulopetismo”.
Professor emérito da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército (Eceme), Vélez costuma refletir que o líder sindical que chegou ao poder em 2002 – e hoje cumpre pena por corrupção em Curitiba – é parte do plano esquerdista de controle social segundo os preceitos gramscianos da “hegemonia da classe trabalhadora”, pregação encontrada nos Cadernos do Cárcere, obra de Gramsci.
Em artigos no Estado, Vélez analisa a realidade do País desde os caudilhos do século 19, período de pesquisa acadêmica que embasa sua retórica liberal.Uma obra sua é Castilhismo: Uma Filosofia da República, em que disseca o republicano gaúcho Júlio Prates de Castilhos (1860-1903) para concluir: “O autocratismo castilhista não entrou no jogo ao acaso ou como simples transposição de uma teoria estrangeira. Preencheu um vazio no pensamento da elite dirigente brasileira, desobrigando-a da má consciência de haver contestado radicalmente a monarquia, sem dar solução ao problema fundamental colocado por ela: a representação”. 
Em Por Que Ler Saint-Simon, no Estado de 22 de março de 1981, trata da religião na organização social e discute o que chamou de “messianismo da Teologia da Libertação”, atuação de setores da Igreja Católica na política brasileira à esquerda desde a redemocratização. “Ideologia totalizante visando a redenção do homem latino-americano das cadeias da dependência, mediante implantação da ditadura do proletariado.”
No texto Política e Regeneração Nacional, de 25 de junho de 2017, atacou seguidores de Lula. “A reação da sociedade brasileira contra os desmandos do lulopetismo, potencializado pelo cientificismo marxista, não pode cair nesse beco sem saída que nos leva direto ao passado da ditadura positivista.” Nem tanto lá, nem tanto cá, uma preocupação tocquevilliana. 
Dilma e militares. Em 29 de agosto de 2012, Vélez formulou, porém, ao menos como linha de argumento, que “Dilma (Rousseff, presidente cassada) pode firmar-se como estadista se, com as privatizações necessárias, confrontar de forma decidida os dirigentes do grevismo irresponsável”. No texto, diz que não votou em Dilma ou Lula. Mas sustentava o raciocínio de que ela deveria seguir a líder britânica Margaret Thatcher (1925-2013). As liberdades e a iniciativa privada são pontos centrais em sua obra, além de defender a redução da participação do Estado nos negócios.
Um dos criadores do Instituto Humanidades, concorda com premissas do golpe de 1964, elogia a ação dos militares que, segundo defende, livrou o País do “comunismo”. Mas, como bom tocquevilliano, tem críticas e objeções à ditadura.
Em palestra na Universidade Federal de Juiz de Fora, onde coordena o Centro de Pesquisas Estratégicas Paulino Soares de Souza, divergiu do governo militar. Sua reflexão é que o modelo adotado atrapalhou o desenvolvimento do pensamento liberal. Critica “generais gaúchos” que comandaram o País em ao menos um ponto. Para ele, os militares concentraram política patrimonialista e estatizante. Por tabela, isolaram pensadores liberais impedindo-os de florescer como alternativa. 
Diz que intelectuais da esquerda voltaram no fim dos anos 1970 e acharam terreno fértil para teses esquerdizantes pela falta de consistência no conhecimento teórico dos liberais. Para Vélez, a posição do regime permitiu o avanço esquerdista levou à eleição de governos, sequência interrompida só com o impeachment em 2016. 
No Itamaraty, em abril de 2017, disse que para o câmbio político era preciso “chutar o pau da barraca”, de “dentro do governo para fora” e não esperar um movimento de fora para dentro. Para ele, a figura brasileira liberal que executou essa atuação política foi Roberto Campos (1917-2001), quem ele compara a John Locke (1632-1704), pai do liberalismo e teórico da Revolução de 1688 na Inglaterra. 
Colômbia. Processo reconstrutivo semelhante ao que vive hoje o Brasil ocorreu no seu país natal, a  Colômbia, atravessada por décadas de conflitos revolucionários das Farc e outros grupos rebeldes. No artigo "A Colômbia após as Farc", publicado em 8 de julho de 2008, o futuro ministro da Educação trata de uma reconstrução que consumiu, pelos cálculos dele, pelo menos 15 anos de esforços. Segundo Vélez, houve "a vontade do povo colombiano de rejeitar os narcotraficantes pela revitalização do tecido municipal". Ele argumentou que a limpeza começou nos anos 1990 com a demissão em massa de agentes da Polícia Nacional, seguida de uma reforma das Forças Armadas que tiveram a ajuda do Plano Colômbia, bombado pelos americanos, além da criação de um corpo de "inteligência militar".
Todo esse processo colombiano teve ainda o apoio de grupos da sociedade civil daquele País, que impulsionaram a retomada da vida democrática, bem ao modo de iniciativas de movimentos da sociedade civil recentes do Brasil, operadores presentes, por exemplo, na campanha política que elegeu Bolsonaro. Vélez Rodrigues é hoje professor aposentado, mora em Londrina, onde atua também na Faculdade Arthur Thomas.Vélez é hoje professor aposentado e vive em Londrina (PR), onde atua na Faculdade Arthur Thomas.
Meta é educação humanista voltada para a cidadania
Para quem quer entender melhor a cabeça do futuro ministro da Educação, a dica é buscar autores como Miguel Reale, José Guilherme Merquior, Roque Spencer Maciel de Barros e José Osvaldo de Meira Penna, além de Francisco José Oliveira Viana, Rui Barbosa, Roberto Campos e, obviamente, Alexis de Tocqueville, todos eles base relevante no pensamento de Vélez Rodríguez.
Mas um deles é especial para ele: o baiano Antônio Paim. Também com um passado de formação ligado ao pensamento marxista, Paim viveu na União Soviética, onde se formou em Filosofia em Moscou antes de tornar-se um pensador liberal brasileiro. Ele se aposentou quando atuava da Universidade Gama Filho, no Rio. 
Numa reflexão sobre Paim, também crítico do patrimonialismo brasileiro, Vélez dá pistas da educação que pensa para o Brasil. “A educação brasileira somente poderá ser renovada se superar, de forma radical, o vezo profissionalizante, mediante a volta ao estudo das humanidades”, disse ele. O alvo, com base nas ideias do mestre, é ser uma educação humanista, com foco na moral. Num curso sobre o tema, elaborado pelo educador liberal e que contou com a participação do futuro ministro, Paim prega a educaçãopara a cidadania, “a única que verdadeiramente consolida a modernidade”.
Vélez cita Paim quando este defende a quebra do “modelo encadeado, atualmente vigente, para um que faça de cada uma dessas séries etapa independente”. “O ensino primário, assim, seria terminal e teria como finalidade primordial formar a consciência cidadã e dotar as crianças dos conhecimentos mínimos necessários para a sua inserção na sociedade."
https://educacao.estadao.com.br/

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Mais de 1 milhão de jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos

Levantamento é do movimento Todos pela Educação com dados da Pnad

Por Luiza Damé - Repórter da Agência Brasil  Brasília
Alunos da Escola Sesc de Ensino Médio durante aula, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
Alunos da escola Sesc na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio - Tomaz  Silva/Agência Brasil
Dos 3,2 milhões de brasileiros com 19 anos, 2 milhões concluíram o ensino médio, o que representa 63,5% do total, segundo levantamento do movimento Todos Pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2012 a 2018 (Pnad-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total que não concluiu o ensino médio, 62% não estão mais na escola e, desses jovens, 55% pararam de estudar no ensino fundamental.
Para o diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, o desafio não é só garantir a permanência dos jovens no ensino médio, mas levar para a escola os que abandonaram as salas de aula. "Os indicadores mostram que temos graves problemas no ensino médio e não estamos conseguindo revertê-los. Porém, o desafio maior refere-se à educação básica. Precisamos reverter a trajetória de insucesso na educação básica", afirmou.
Entre 2012 e 2018, conforme o levantamento, houve um crescimento de 11,8 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio até os 19 anos. Segundo Nogueira Filho, a avaliação dos dados por estado mostra que é possível melhorar o atendimento aos jovens no ensino médio. Em Pernambuco, por exemplo, a taxa dos que concluem o ensino médio até os 19 anos (67,6%) é maior do que a média nacional. "Isso mostra que é possível fazer melhor", disse. A responsabilidade pela educação básica é dos estados e municípios. A União participa com o financiamento.

Ensino fundamental

No ensino fundamental, conforme o levantamento, as taxas de conclusão mantiveram-se estáveis no período. Essa etapa teve uma queda no número absoluto de concluintes devido à redução da população de 16 anos no país. Em 2018, foram 212.281 concluintes a menos do que em 2017, que por sua vez teve menos concluintes que o ano anterior, com uma redução de 64.058.

Qualidade

Segundo a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, os números refletem "um patamar baixo de qualidade da educação básica" no país. “Embora o país tenha o mérito de ter avançado na oferta do acesso à escola, temos falhado em garantir qualidade do ensino para todos e com isso vamos perdendo nossas crianças e jovens pelo caminho, configurando um grave cenário de exclusão escolar", argumentou.
O movimento defende a adoção de uma estratégia nacional e uma atuação integrada da União, dos estados e dos municípios, na educação básica - que inclui educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. "Os indicadores demonstram que os desafios para nossos jovens concluírem a educação básica na idade certa são complexos e exigem atuação sistêmica, ou seja, com políticas públicas em várias frentes ao mesmo tempo e de forma integrada. Temos diagnósticos, temos evidências sobre quais os melhores caminhos, temos redes que estão avançando. Está na hora de priorizar as medidas que realmente podem fazer o país avançar na qualidade da educação básica", afirmou Priscila Cruz.
O levantamento evidenciou a desigualdade no ensino. Adolescentes negros e moradores das áreas rurais têm taxas de conclusão mais baixas do que as dos brancos e de regiões urbanas em todas as etapas da educação básica. No ensino fundamental, a diferença entre negros e brancos é de 10,4 pontos percentuais e entre jovens de áreas rurais e urbanas, 12 pontos percentuais. No ensino médio, a distância se amplia para 19,8 pontos percentuais e 19 pontos percentuais, respectivamente.
A avaliação do Todos pela Educação é que o baixo índice de conclusão da educação básica na idade certa está relacionado à taxa de insucesso escolar, ou seja, a combinação da reprovação com o abandono. O levantamento mostra que, a partir do 3º ano do ensino fundamental, o final do ciclo de alfabetização, a taxa de insucesso escolar começa a se intensificar: em 2017, 10,5% dos alunos não passaram de ano. Já no 6º ano, esse índice salta para 15,5%. No 1º ano do ensino médio, de cada 100 alunos, 23 são reprovados.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Jardim Sensorial é inaugurado no Ceja Almira de Amorim em Cuiabá

Yuri Ramires Seduc-MT 

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Considerando a importância do estímulo sensorial aos alunos portadores de deficiência, professores do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Almira de Amorim e Silva, no Bairro CPA IV, em Cuiabá, inaugurou nesta segunda-feira (17) o projeto de intervenção Jardim Sensorial.
De acordo com a coordenadora pedagógica da unidade, Sandra Cristina, o projeto foi pensando para suprir a falta de lugares na cidade que possibilitam a exploração dos sentidos, bem como promover o contato com a natureza.
“Somos uma escola inclusiva e 20% dos nossos estudantes são pessoas com deficiência. Atendemos ainda idosos e outras pessoas com algum tipo de limitação, contudo, não temos um espaço na comunidade um espaço apropriado para esse tipo de experiência e interação com plantas medicinais e ornamentais ”, lembrou.
Além dos canteiros, foi montado um tapete sensorial, com uma série de elementos que servem para a pessoa brincar e ao mesmo tempo em que desenvolve os sentidos, em especial do tato. Com as mãos e pés, ela pode sentir as diferentes texturas, materiais e formas, como grama, bambu, pedras e casca de pinus. 
A ideia é que o espaço possibilite ainda a aprendizagem multidisciplinar de forma inclusiva e sustentável. Para a coordenadora, o ambiente é um espaço educativo diferenciado, que poderá ser usado por toda a comunidade escolar.
“Atenderá tanto as atividades direcionadas às pessoas cegas, como também na elaboração de aulas diferenciadas; reflexão sobre homem e natureza, noção de cuidados com as plantas, conservação do jardim e outros”, lembrou.
No desenvolver das atividades, os professores esperam que os alunos possam desenvolver na prática, também, os conteúdos trabalhados em sala de aula, como noção de espaço, cálculo de área, volume e outros.
“Somado a tudo isso, o trabalho em equipe na construção, ornamentação e manutenção, também permitirão aos estudantes e professores uma experiência pedagógica rica e significativa, que tende a marcar sua trajetória escolar”, finalizou
http://www2.seduc.mt.gov.br

Etapa do ensino médio é homologada e Base Nacional Comum Curricular está completa

O ministro da Educação, Rossieli Soares, homologou nesta sexta-feira, 14, a etapa do ensino médio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim, a BNCC da Educação Básica está completa, com a definição dos conteúdos que todos os alunos têm o direito de aprender no decorrer do percurso escolar. “O Brasil está definindo pela primeira vez onde cada aluno precisa chegar em cada um dos anos do ensino médio”, comemorou o ministro. “O que vem agora é uma etapa muito importante de discussão com as escolas, pais e professores, para construção dos currículos.”  
Com a BNCC completa, o ministro acredita que o Brasil pela primeira vez define onde cada aluno precisa chegar a cada etapa do ensino médio (Foto: Luís Fortes/MEC) Rossieli destacou, ainda, a integração entre as áreas do conhecimento a partir da aprovação da BNCC. “O que foi aprovado é para que trabalhemos por área, com todos os professores de todos os componentes. Queremos trazer flexibilidade, protagonismo para os jovens e que eles possam discutir o seu projeto de vida. Vamos estar mais próximo deles nesse processo de aprendizagem para que eles entendam por que estão estudando. Este ensino médio que foi pedido pelos estudantes por muito tempo”, disse.
O documento soma-se às etapas da educação infantil e do ensino fundamental, homologadas em dezembro de 2017. Durante a solenidade, realizada no Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília, o ministro anunciou a liberação de R$ 58 milhões aos estados e ao Distrito Federal, por meio do Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular (ProBNCC) do Ensino Médio, para que comecem o processo de implementação dessa etapa. Na ocasião, ele também lançou o Portal Novo Ensino Médio, que reúne informações sobre todas as políticas e ações que têm sido organizadas pelo MEC nesse período e que estão à disposição dos gestores e da comunidade em geral. 
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Smole, o foco está na continuidade de um trabalho conjunto entre os estados e o MEC. “O ensino médio como um todo vai exigir bastante da sociedade, dos educadores. Chegamos aqui com um documento robusto que precisa virar currículo, ação afirmativa junto aos estados e instituições formadoras. O Brasil avançou em educação nos últimos anos de jeito maduro, trazendo estados e municípios para junto do Ministério da Educação”, falou.
Na mesma linha, o presidente do CNE, Luiz Roberto Liza Curi, pontuou que o documento homologado é resultado de longas discussões. “Foi um processo extenso. A etapa que preparou a entrega da Base em 2016 foi antecedida por uma longa discussão nacional e o documento homologado expressa o conjunto dessas participações. Os próximos passos são de implantação. São os passos mais complexos e relevantes”. Já o presidente da Comissão do Ensino Médio no CNE, Eduardo Deschamps, destacou que “a versão final é robusta, dá clareza quanto aos objetivos de aprendizagem e preserva a flexibilidade curricular norteada pela Lei 13.415/2017, que reformou o ensino médio”. 
O documento foi entregue pelo MEC em abril de 2018 ao CNE e a aprovação no colegiado ocorreu em 5 de dezembro. O texto homologado foi aprimorado com as contribuições dos segmentos sociais, secretarias e conselhos estaduais de educação, gestores escolares, professores e alunos. As alterações foram feitas no sentido de dar maior clareza ao documento, tanto em relação às competências e habilidades, quanto a aspectos como a progressão de aprendizagem, projeto de vida, trabalho e mundo digital.
Com o objetivo de alinhamento à base, deverá ser implementada a Política Nacional de Formação de Professores e revisados o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Currículos – Os currículos deverão estar estruturados até junho de 2019. Entre julho e setembro, haverá consultas públicas regionais nos estados. Os novos documentos deverão ser analisados e aprovados pelos conselhos estaduais de educação entre outubro e dezembro, para serem aplicados a partir do início do ano letivo de 2020. As primeiras turmas irão se formar em 2022.
A Base está organizada por áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). Língua portuguesa e matemática devem ser ministradas em cada um dos três anos do curso. Os demais componentes curriculares continuam obrigatórios e serão abordados conforme os arranjos curriculares das escolas. A carga total será de 3.000 horas, sendo 1.800 para os conteúdos da base e 1.200 para os itinerários formativos, que visam aprofundar as áreas de conhecimento e a formação técnico-profissional, conforme a escolha do aluno.
Ainda nesta sexta-feira, o MEC anunciou que está finalizando o documento dos Referenciais para a Elaboração dos Itinerários Formativos previstos na BNCC e estruturados conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Ensino Médio. São cinco itinerários correspondentes a cada área do conhecimento e ao ensino técnico-profissional. Eles deverão ser organizados em torno de um ou mais entre os seguintes eixos estruturantes: investigação científica, processos criativos, mediação e intervenção sociocultural, e empreendedorismo.
Portal – O Portal Novo Ensino Médio reúne informações sobre as políticas, programas e ações desenvolvidas pelo MEC no processo de implementação da etapa do ensino médio. Na página, é possível ter acesso, por exemplo, ao Guia de Implementação do Novo Ensino Médio, que traz estudos e diagnósticos, a implementação da nova arquitetura dessa etapa de ensino, o questionário de escuta dos estudantes e o compartilhamento de boas práticas.  
O novo portal também detalha as diretivas de programas como o ProBNCC do Ensino Médio, que possibilita a organização de equipes de currículo com bolsistas por estado, e o Programa Dinheiro Direto na Escola do Novo Ensino Médio, que prevê apoio financeiro com o objetivo de garantir a implementação do projeto de vida dos estudantes, flexibilização curricular e carga horária anual para, no mínimo, mil horas. Ao todo, serão cerca de 3,7 mil unidades escolares beneficiadas, que serão escolas-piloto para a implementação do Novo Ensino Médio.
Já o Programa de Apoio ao Novo Ensino Médio oferece assistência técnica em variadas frentes, inclusive na elaboração do Plano de Implementação, oferta de materiais de orientação, ferramentas digitais de acompanhamento. Além disso, com auxílio do Banco Mundial, será oferecido suporte financeiro mediante acordo de empréstimo firmado até 2022.
Informações sobre o Ensino Médio em Tempo Integral também podem ser acessadas pelo novo portal. O programa visa ampliar as matrículas e melhorar os índices de aprendizagem dos alunos, mensurados a partir de indicadores como Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e mesmo o Enem.
Assessoria de Comunicação Social

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

MEC divulga base comum para reformar a formação de professores

Por Ana Carolina Moreno e Flavia Foreque, G1 e TV Globo














O governo federal divulgou, na tarde desta quinta-feira (13), uma proposta de reformulação dos cursos de licenciatura que inclui a exigência de uma prova nacional para que professores possam dar aulas nas escolas básicas e a reformulação do curso de pedagogia. Batizado de Base Nacional Comum de Formação de Professores da Educação Básica (BNC Formação de Professores), o documento ainda não é final: a versão elaborada pelo Ministério da Educação será entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE), que será responsável pela discussão do texto e elaboração e aprovação da versão final.
Entre as principais mudanças propostas estão:
  • a criação de um instituto nacional de formação de professores para centralizar ações de acreditação de cursos, formulação de políticas avaliação e monitoramento
  • a substituição das horas de estágio por uma residência pedagógica desde o primeiro semestre do curso
  • a aplicação anual do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) para as licenciaturas, que seja obrigatório para que o estudante possa dar aulas
  • a criação de um estágio probatório para professores novatos, sob a mentoria paga de professores mais experientes
  • a redefinição da formação continuada no âmbito das secretarias estaduais e municipais, criando quatro níveis de proficiência
  • a instituição de avaliações ao longo da carreira docente
  • a atualização das diretrizes curriculares dos cursos de licenciatura e de pedagogia pelo CNE; no caso da pedagogia, a proposta do MEC é dividir os quatro anos de graduação em três etapas distintas de formação
Leia matéria completa https://g1.globo.com/educacao/

FNDE lança o primeiro Plano de Compras Nacional com previsão de licitações para 2019

  • Escrito por  Assessoria de Comunicação Social do FNDE
Gestores estaduais e municipais podem conferir os produtos e serviços que serão licitados até o fim do primeiro semestre de 2019
Construção de escolas indígenas, conjunto de robótica educacional, laboratório móvel de ciências, mobiliário infantil, ônibus escolar rural. Esses são alguns exemplos de serviços e produtos que constam do 1º Plano de Compras Nacional (PCN) do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Concebido com o intuito de aprimorar a assistência técnica prestada aos entes federativos na área de compras para a educação, o PCN é um novo instrumento de planejamento e avaliação das compras governamentais que beneficiam estados e municípios de todo o Brasil.
Já em andamento, o Plano aponta todas as licitações previstas durante um ciclo de doze meses (até o fim do primeiro semestre de 2019), elenca as prioridades definidas pelo FNDE, apresenta o cronograma de cada uma e ainda traz uma avaliação dos pregões realizados no ciclo anterior. O objetivo final é melhorar a execução de diversos programas e projetos educacionais do FNDE e do Minstério da Educação (MEC), como o Caminho da Escola, o Proinfância, o Programa de Educação Conectada, entre outros.
“Essa nova ferramenta de planejamento vai possibilitar uma melhor gestão das ações na área de compras governamentais”, afirma o diretor de Administração do FNDE, Manuel Dernival. “Mas essa previsão de licitações não vai nos engessar. Caso haja qualquer mudança no cenário das políticas educacionais, o FNDE poderá alterar as prioridades ao logo do ano”, explica.
Segundo o coordenador de Compras do FNDE, João César da Fonseca Neto, os ganhos devem ser imediatos, como a redução do interstício entre as atas de registro de preços; mais eficiência e racionalidade para o planejamento das compras; ganhos na avaliação dos processos realizados e maior transparência nos processos de compras nacionais.
“O sucesso na implementação desse primeiro PCN dependerá não só do compromisso de todas as áreas envolvidas do FNDE e do MEC, mas também dos fornecedores e dos nossos parceiros nos estados e municípios, pois, em um modelo de compra compartilhada como o do Registro de Preços Nacional (RPN), o aprimoramento contínuo dos processo requer a participação de todas as partes envolvidas”, avalia o coordenador.
Modelo – O RPN pode ser definido como um modelo gerencial de compras governamentais que visa garantir a oferta de produtos de qualidade à comunidade escolar a partir de um processo compartilhado de compras públicas.
A União, por meio do FNDE, concentra seus esforços nos aspectos técnicos da licitação, notadamente na especificação dos produtos, realização do pregão eletrônico, controle de qualidade dos itens licitados e gestão da ata de registro preços disponibilizada aos entes federados. Estes, por sua vez, se responsabilizam pelo planejamento da demanda pelo produto em sua respectiva rede de ensino, por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR), pela gestão e fiscalização dos contratos administrativos e pela prestação de contas dos recursos transferidos pelo FNDE, quando for o caso.
Elaborado por diversas áreas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com a participação da Secretaria de Educação Básica e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização Diversidade e Inclusão do MEC, o PCN já está disponível no portal eletrônico do FNDE. O Plano foi aprovado pelo Comitê Deliberativo de Compra Nacional em setembro passado e já têm diversos processos em andamento. Com acesso à previsão da publicação das atas de registro de preços, gestores estaduais e municipais podem se planejar melhor para adquirir os produtos prioritários para suas redes de ensino.
http://www.fnde.gov.br/

Dois brasileiros ficam no top 50 de professores do mundo e disputam ‘Global Teacher Prize’

Por Fabrício Vitorino, G1

Débora Garofalo é professora de tecnologias da EMEF Ary Parreiras, em São Paulo, e Jayse Ferreira é professor de Educação Artística na Escola de Referência em Itambé, Pernambuco. — Foto: Divulgação
Dois brasileiros estão na lista final dos 50 melhores educadores do mundo, e seguem com chances de ganhar Global Teacher Prize, considerado o “prêmio Nobel da Educação”. Débora Garofalo é professora de tecnologias da EMEF Ary Parreiras, em São Paulo, e Jayse Ferreira é professor de Educação Artística na Escola de Referência em Itambé, Pernambuco. Eles agora aguardam a próxima etapa da disputa pelo prêmio de US$ 1 milhão, que será entregue em março de 2019, em Dubai, capital dos Emirados Árabes.
Débora e Jayse foram selecionados entre mais de 10 mil candidatos de 179 países de todo o mundo. A lista dos 50 finalistas tem representantes de 39 países. Para a escolha, o comitê de premiação leva em consideração o emprego de práticas educacionais escalonáveis, inovadoras, que tenham resultados visíveis, causem impacto na comunidade, melhorem a profissão docente e ajudem os alunos a tornarem-se cidadãos. Na próxima etapa, em fevereiro de 2019, a Academia do Prêmio Global de Professores vai anunciar os 10 finalistas.
Débora Garofalo ensina matérias de tecnologia em uma área carente de São Paulo, cercada por quatro favelas famosas pela violência. Apesar de ser formada em Letras, Garofalo criou o projeto “Robótica com sucata promovendo a sustentabilidade”, que já removeu mais de 700 kg de lixo das ruas.
“Eu queria desmistificar que usar a tecnologia é somente usar o computador. A tecnologia vai além disso. Ela pode ser uma ferramenta de aprendizagem. Muitos falavam que nosso trabalho era artesanato. Precisávamos programar, prototipar”, explica, em entrevista exclusiva ao G1. De fato, dentro os projetos de seus alunos estão robôs, carros, barcos, aviões e até máquinas de refrigerante.
Além da constante falta de condições, a professora teve que enfrentar outro problema: o machismo. “Mulher não é aceita nesse mundo de tecnologia, mexer com ferramentas, com robótica... Mas houve um esforço muito grande dos alunos em integrar as mulheres. No início, elas apenas olhavam, e hoje os melhores trabalhos que eu tenho são de mulheres”, orgulha-se.
Jayse Ferreira é professor de Educação Artística em uma escola pública com poucos recursos, numa cidade pequena na divisa entre Pernambuco e a Paraíba. Eleito “Melhor Professor do Brasil em 2014”, Ferreira conta que encontrou uma escola com altíssimo índice de faltas e muitos problemas de preconceito racial e religioso na escola, que prejudicavam seriamente o desempenho escolar, além do fato de que os pais nunca atendiam às convocações.
Com projetos que envolviam filmes, ensaios fotográficos, internet e muitas atividades envolvendo a comunidade, Jayse conta que conseguiu resgatar a auto-estima dos alunos: “Mostramos a beleza de outros países, e quando perceberam que era bonito ser diferente, passaram a frequentar mais a escola, ter orgulho de seus corpos, usar guias de umbanda... Fizemos até mesmo uma exposição onde os alunos eram as obras de arte. Chamar o aluno pra fazer parte promove uma diferença gigantesca: permanência na escola, aumento do número de matrículas, envolvimento dos pais, tudo melhora”, conta.
Mas para iniciar seus projetos, o professor conta que é preciso ser “um pouco rebelde” para botar tudo em prática. “Uma a professora sempre me disse para dar uma aula que você gostaria de assistir. A gente tinha uma evasão gigantesca, os pais mal apareciam. Mas também, as reuniões só trazem más notícias. Porém, quando trouxe os os pais para participar, a família se tornou parceira da escola. E a escola tem que mostrar para a comunidade que funciona. A gente tem que mostrar que é pública, mas é da melhor qualidade. Eu não queria essa imagem de professor-‘sofressor’. A educação transformou minha vida e vai transformar a deles também”, diz.
Atualmente em sua 5ª edição, o Global Teacher Prize já teve 2 brasileiros entre seus 10 finalistas: o capixaba Wemerson da Silva Nogueira, em 2017, quando o prêmio ficou com a canadense Maggie McDonnell, e o paulista Diego Mahfouz, em 2018, que viu a professora de artes britânica Andria Zafirakou levar o prêmio.

https://g1.globo.com/educacao/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Um país mal educado

No Brasil, os primeiros a não respeitarem os professores são as autoridades públicas

Somos um país que temos uma das piores educações do planeta. E não é de hoje; é algo que vem desde o tempo do Brasil colônia. Mesmo a América espanhola desde o século XVI teve universidades, mas a América portuguesa – Brasil – só terá curso superior quando da vinda da família real portuguesa, fugindo de Portugal devido à invasão de Napoleão, no século XIX. Apesar de estarmos entre as maiores economias do planeta, estamos entre os piores sistemas educacionais. Nossa riqueza não vem do povo (explorado!), mas da exploração da natureza exuberante. No continente americano apenas o Haiti está atrás de nós. Países muito mais pobres que o Brasil tem escolas muito superiores às nossas, e seus estudantes saem das escolas sabendo ler e escrever, além de saber fazer contas, o que não ocorre no país.

Também, contrariamente ao que ocorre no resto do mundo, onde se aplica no desenvolvimento de sua população, no Brasil se aplica apenas em bens materiais e em explorar a “bondosa” natureza. Primeiro foi a cana de açúcar, depois o ouro, depois o café, depois a borracha, e agora são as commodity e petróleo do pré-sal, mas na educação do seu povo, na população, no máximo um verniz cultural, sendo mesmo as elites mal educadas, com escolas fracas e ruins.

Nossa alfabetização em grande parte não se dá na idade própria. Temos evasão no ensino médio que assustariam qualquer país descente, jovens que são cooptados pelo crime porque não tem uma escola razoável para frequentar e de onde são expulsos. Temos déficit de aprendizado e capacitação de professores, que recebem formação precária e ainda se permite que pessoas lecionem sem formação para tanto. Pesquisas mostram que 55% das crianças de oito e nove anos não sabem ler, e 93% dos alunos não sabem matemática ao concluir o ensino médio, mas o futuro governo e seu ministro da Educação acha que seu grande problema é a doutrinação de crianças e jovens.

Os melhores países em educação no mundo tratam seus educadores como pessoas que fazem um trabalho sério, com grande valor para toda a comunidade, remunerando bem e dedicando respeito

Pesquisas mostram que os jovens atuais não se interessam por serem professor, que é uma “carreira” que se torna cada vez mais um bico, que capta apenas os piores quadros das universidades, aqueles que não conseguem exercer outra profissão de curso superior, todas elas melhor remuneradas do que um professor.

Os professores precisam se virar, dando aulas em várias escolas diferentes, para fazer o dinheiro caber no mês. Essa rotina extenuante dos docentes, aliás, tem um efeito ainda mais perverso. Com menos tempo, eles acabam dando aulas piores. Afinal, bons professores precisam estudar para exercer seu ofício, e não perder tempo se locomovendo entre escolas distantes para lecionar. Além disso, alunos perdem dias preciosos de aulas e sofrem com o rodízio de profissionais da educação, que não se fixam nas escolas. A baixa aprendizagem dos estudantes também tem ligação com a falta de aulas, com os improvisos pedagógicos para adequar a educação à falta de condições educacionais. 

Os melhores países em educação no mundo tratam seus educadores como pessoas que fazem um trabalho sério, com grande valor para toda a comunidade, remunerando bem e dedicando respeito. No Brasil, os primeiros a não respeitarem os professores são as autoridades públicas e os governantes, que fazem e desfazem da educação sem consultar os professores. É hora de acabar com os puxadinhos nas escolas brasileiras, o improviso, as coisas feitas no calor da hora, reformas que mais deformam algo que nem está pronto. Não precisamos de reformas, mas da construção de um sistema educacional descente, ensino integral, algo que nunca houve no Brasil. Não estamos em crise, o que pressuporia que um dia tivemos um sistema educacional bom e agora decaímos, estamos numa condição precária pelas opções políticas seculares desse país.

Países bem escolarizados tem baixo nível de violência e criminalidade, tem alto nível de saúde, de ordem pública e cívica. O povo é mais obediente e participativo.

Enfim, se queremos diminuir a criminalidade e aumentarmos o nível de participação cívica, é preciso criar bons cidadãos, que têm que sair de boas escolas. E isto é tarefa da sociedade civil e não apenas de governos, pois que para tanto é preciso o compromisso de todos pela defesa de uma educação pública de qualidade: qualquer sistema educacional demora uns 20 anos para apresentar seu resultado, e se deixarmos na mão dos políticos e governantes, que mudam a cada eleição, nunca terminamos de efetivar um sistema educacional, pois cada governo quer inaugurar o seu e desmanchar o que foi feito pelos antecessores.

Deixem os professores estabelecerem o sistema educacional e a educação, sem limites no orçamento, pois que uma educação boa é cara, mas barateia a vida social com pessoas bem educadas, mais cívicas, mais honestas. Que se tirem os políticos e governantes da organização educacional para que não se gaste na corrupção, nem com o privilégio dos seus parentes e aliados. É tempo de a sociedade civil fazer sua parte e perceber que os políticos e governantes são antes o nosso problema, mais do que a solução.

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia na UFMT.
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