domingo, 16 de outubro de 2016

Jovens da América Latina e do Caribe reivindicam uma educação holística e que esteja além da escola


Foi o que revelou a primeira etapa da consulta pública “Diles qué quieres aprender” (Diga-lhes o que você quer aprender, em tradução livre), por meio da qual o Escritório Regional de Educação para a América Latina e o Caribe (OREALC/UNESCO Santiago) fez uma pesquisa virtual com jovens da região.

A UNESCO lançou oficialmente a segunda etapa desse trabalho, que se concentrará em priorizar os assuntos com os quais se deveria avançar. A pesquisa, rápida de ser respondida, está disponível até 31 de outubro de 2016 no site www.dilesquequieresaprender.org.
A primeira fase da consulta revela que os jovens querem aprender diversos conteúdos, mas também, gostariam de se abrir para outros conhecimentos e assuntos pertinentes ao mundo atual. Por isso, veem como necessárias as habilidades básicas em leitura e matemática, apesar de também quererem recuperar a importância dos idiomas globais e locais e aprender sobre as formas de organização das sociedades, por meio do conhecimento da história e do desenvolvimento da humanidade. 
A juventude deseja, ainda, aproximar-se tanto da área científica e tecnológica quanto da arte em todas suas formas de expressão; querem aprender a se olhar, a identificar suas capacidades e receios, e a saber observar o mundo, sua lógica e dinâmica. A consulta indicou, também, interesse por construir uma comunidade e um planeta diferente, que seja democrático, sustentável e pacífico, baseando-se em noções de cidadania e sustentabilidade ativa, respeito, colaboração, empatia e solidariedade entre todos.
Essa é uma parte dos principais dados encontrados pela consulta regional virtual “Diles qué quieres aprender”, lançada em agosto de 2016 e concebida para escutar a voz dos jovens entre 15 e 25 anos sobre seus interesses em relação ao o quê e como querem aprender. Esta ação foi realizada no âmbito dos desafios da nova agenda mundial Educação 2030, e sua implementação está sob a responsabilidade do Escritório Regional de Educação para a América Latina e o Caribe (OREALC/UNESCO Santiago), com a colaboração de diferentes atores sociais da região e com o apoio da Fundación Chile (Fundação Chile) como secretaria técnica deste processo. 
Em relação a como querem aprender, os resultados preliminares das opiniões dos jovens apontam também para um método que vá além da escola e das formas tradicionais de ensino. Existe uma necessidade de pensar também na educação fora da sala de aula, nos espaços públicos e recreativos das comunidades, o que não impede que o papel vital seja o do professor. Eles desejam aprender de forma colaborativa, de maneira prática, fazendo uso de recursos virtuais, por meio de palestras, ateliês e cursos, e dando um forte destaque à brincadeira e ao descobrimento. 
“Tem sido todo um processo educativo como instituição nos abrirmos às vozes da juventude e de outros atores sociais. Acredito que devíamos mostrar claramente nosso papel e nossa forma de fazer as coisas neste novo período marcado por uma nova Agenda Mundial de Educação”, afirmou Jorge Sequeira, diretor do OREALC/UNESCO Santiago. 
Atilio Pizarro, coordenador dessa iniciativa, que coordena, ainda, o Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação (LLECE) da UNESCO, afirmou que “estamos muito surpresos com a perspectiva integral e holística que os jovens reivindicam para o aprendizado. Para eles, as habilidades básicas não são suficientes: querem uma formação integral e com valores”. 
Ana María Raad, gerente da Fundación Chile, afirmou que, segundo o ponto de vista da secretaria técnica, “as salas de nossas escolas devem se transformar em todos os sentidos: a localização espacial voltada para o trabalho em grupo, o papel facilitador do docente diante de estudantes que aprendem em seu próprio ritmo, e a criação conjunta de conteúdos dentro e fora da sala de aula”, indicou.
Segunda fase 
O OREALC/UNESCO Santiago lançou, no dia 15/09/2016, a segunda parte da consulta regional sobre aprendizado. Da mesma forma que a etapa anterior, esta é voltada a jovens entre 15 e 24 anos da América Latina e do Caribe. 
Na segunda etapa, os jovens deverão escolher, dentre alternativas já propostas, o que e como querem aprender. As opções foram obtidas dos conteúdos da primeira etapa, e espera-se obter novamente uma amostra representativa de toda a região, superando a fase anterior.
Essa pesquisa da UNESCO é um foro de participação cujas respostas farão parte de um quadro de referência que será apresentado a ministros de educação da região em janeiro de 2017. As informações serão um valioso material para a elaboração de políticas públicas que implicarão diretamente a juventude.
*** 
O OREALC/UNESCO Santiago agradece aos atores que apoiam esta iniciativa: Internacional de Educação (IE-AL), Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação (CLADE), Programa Mercosul Social e Solidário, Rede Latino-americana pela Educação (REDUCA), Rede Latino-americana de Portais Educativos (RELPE), Teach for All (TFA) e Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC). Também destaca a colaboração das seguintes instituições: Virtual Educa, Observatório da Juventude para a América Latina e o Caribe da CEPAL (JUVELAC), Instituto Internacional de Planejamento da Educação (IIPE) e Fundación Semilla. 
O que é a Agenda de Educação 2030?
A Educação 2030 faz parte dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que compõem a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.  Essas metas e objetivos mundiais têm como propósito estimular a ação, durante os próximos 15 anos, em cinco campos de importância fundamental (conhecidos como “os 5 P”, devidos a seus nomes em inglês): os seres humanos, o planeta, a prosperidade, a paz e as iniciativas conjuntas. O sucesso no alcance destes objetivos depende em grande parte dos resultados atingidos na educação. Os ODS refletem a importante função que a educação desempenha ao resumir suas metas em um objetivo singular, o ODS 4. 
A educação é também um componente de outros objetivos, que dizem respeito à saúde, ao fim da desigualdade e à geração de emprego decente, ao consumo e à produção sustentáveis e às mudanças climáticas. Na Declaração de Incheon, que representa o compromisso da comunidade internacional com o programa Educação 2030, a UNESCO ficou responsável pela coordenação e pela função de organismo central em matéria de educação, no quadro da coordenação geral para o cumprimento dos ODS.


http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/young_people_from_latin_america_and_the_caribbean_demand_a/#.WAPlZugrLIU

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cuiabá: Secretaria divulga inscrições deferidas do processo eleitoral para gestores da Educação

Foto: Jorge Pinho
Rosane Brandão

A Secretaria Municipal de Educação divulgou nesta sexta-feira (14), a relação com as inscrições deferidas e indeferidas do processo eleitoral para diretores, coordenadores pedagógicos e secretários das unidades educacionais da rede municipal de Cuiabá.

Confira a relação aqui
Os recursos contra o resultado das inscrições deferidas e indeferidas podem ser feitos na segunda-feira (17), das 8h às 18h, no Protocolo Central da Secretaria Municipal de Educação. 
As eleições para diretor e coordenador foram divididas em quatro etapas: Ciclo de Estudo, Avaliação de Conhecimento, Proposta de Trabalho e Eleição. Para secretário, a eleição foi divida em duas etapas: Ciclo de Estudo e Avaliação de Conhecimento.  
O ciclo de estudos (veja aqui) será realizado entre os dias 17 e 19 de outubro, das 18h às 21h30. Para os candidatos ao cargo de diretor e coordenador será na escola estadual Presidente Médice e para os candidatos ao cargo de secretário será no auditório da Secretaria Municipal de Educação. 
A avaliação de conhecimento será constituída de prova escrita com questões objetivas e subjetivas e será realizada no dia 24 de outubro às 14 horas, na Faculdades Evangélicas Integradas Cantares de Salomão (Feics). A divulgação dos resultados da avaliação de conhecimento será no dia 1º de novembro.
A eleição para diretor e coordenador pedagógico será no dia 25 de novembro, nas unidades educacionais. Nas escolas será das 7h às 17h (nas escolas com dois turnos) e das 7h às 20h (escolas com três turnos). Nas unidades de creches e Cmeis será das 6h30 às 18h. O resultado da eleição será divulgado no dia 09 de dezembro.
Todas etapas desse processo estão sendo coordenadas por uma comissão, constituída por representantes da Secretaria Municipal de Educação, Conselho Municipal de Educação e Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep – subsede Cuiabá). 



http://cuiaba.mt.gov.br/educacao/secretaria-divulga-inscricoes-deferidas-do-processo-eleitoral-para-gestores-da-educacao/13614

José Francisco Soares: “O Inep tinha de ser independente do governo”









O educador e estatístico diz que nossas avaliações educacionais são pouco e mal usadas e que o instituto tem de se separar do Executivo para o bem da educação

FLÁVIA YURI OSHIMA


O professor e matemático José Francisco Soares, mais conhecido como Chico Soares, é um especialista em números e dados. Mestre em estatística pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), doutor pela Universidade do Wisconsin-Madison e pós-doutorado em educação pela Universidade de Michigan, Chico Soares tem tanta intimidade com os algarismos que não se melindra em criticá-los. “Números sozinhos não ajudam o educador”, diz. “Eles têm de  vir com contexto e numa linguagem comum ao professor.” Chico Soares esteve os últimos dois anos à frente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o órgão responsável pelas avaliações da educação básica do país. O Ideb, o Enem, a Prova Brasil e todas as medições que possibilitam saber o que nossas crianças aprenderam saem de lá. Hoje, ele preside a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Em entrevista a ÉPOCA, Soares critica o formato do Enem, diz que usamos pouco e mal as avaliações de educação que temos e defende a separação entre Inep e governo. “O Inep tem de poder dizer isso aqui não está funcionando – independentemente do mal-estar que cause”, diz ele.
ÉPOCA –  O senhor já disse que o ranking consagra as escolas que fazem seleção de seus alunos. Pode explicar?
José Francisco Soares –
 Entre as escolas que aparecem nos primeiros lugares, há projetos de muito boa qualidade pedagógica, que podem ajudar a mudar a educação básica brasileira. Dito isso, um fato a ser observado é que entre as melhores escolas privadas há a seleção dos alunos pela renda e também pelo desempenho em provas. O mesmo ocorre nas escolas técnicas, que têm provas difíceis de entrada. Essas escolas fogem do aluno que precisa de ajuda, elas possuem projetos pedagógicos que excluem socialmente.
ÉPOCA – Nas escolas públicas e privadas mais procuradas, o vestibulinho foi criado para selecionar alunos de forma democrática, no caso, por mérito. O senhor condena essa prática? 
Soares –
 São três os princípios que devem guiar o debate educacional. O primeiro é o direito à educação. O segundo, a igualdade de oportunidade; e o terceiro, a meritocracia.  É muito importante que se respeite a ordem entre esses pontos.  A primeira é a do direito. Depois que atendi o direito, vou verificar se todos têm as mesmas oportunidades para aprender. E só depois disso é que podemos pensar em exames que mirem na meritocracia, como são os vestibulares. Falar de exames de mérito antes de dar oportunidades de aprendizado é excluir os vulneráveis.
ÉPOCA – Qual seria uma forma justa de seleção para escolas em que a procura é maior que o número de vagas?
Soares –
 Hoje, a única alternativa justa é o sorteio. Isso pode mudar quando formos capazes de oferecer escolas de ensino fundamental em que todos tenham a oportunidade de aprender. Depois de garantir direitos e oportunidades justos para todos, pode-se pensar em meritocracia. Agora, entenda, é claro que se eu fiz uma escola especial de dança, quem está lá tem de ter um mínimo de capacidade nessa área e o exame de entrada é importante. Eu reconheço a necessidade de o país ter opções diferenciadas de ensino médio e suas respectivas seleções. O que incomoda é usar essas provas para excluir  quem mais precisa das escolas de maior qualidade.
ÉPOCA – Os resultados do Enem mostram o abismo que a condição socioeconômica produz no aprendizado. O que a escola pode fazer para isolar esse fator?
Soares –
 Essa é uma tarefa difícil. Há muitas escolas pobres que fazem trabalhos muito bons com os alunos e, apesar disso, as notas mostram um sucesso relativo. Isso ocorre porque elas trabalham com crianças que trazem uma bagagem familiar e educativa muito pobre.  No exame, a nota é baixa, mas o trabalho que fizeram é imenso para chegar ali. Acho que o primeiro passo é olhar para as escolas que progrediram em relação às instituições que estão no mesmo patamar socioeconômico e ver o que as que evoluem nesse contexto fazem. Sabemos que a escola que funciona melhor é a que consegue ter rotina: rotina do aluno, com presença, e rotina da escola funcionando, com professores.
ÉPOCA – Uma das polêmicas em torno do Enem é a questão do ranking das escolas. O governo já tentou recuar e não divulgá-lo. Qual é sua opinião?
Soares –
 Um país democrático precisa ter informação. É bom que seja amplamente divulgado. O que não pode é divulgar o número secamente. Defendo a contextualização e a reflexão, mas que sejam divulgados todos os dados.
Aplicar exames de mérito antes de dar oportunidades de aprendizado é excluir as crianças que mais precisam"
ÉPOCA – O que se orgulha de ter feito?
Soares –
 Não fiz nada sozinho no Inep. Tem uma ótima equipe lá. Tive a felicidade de conseguir colocar duas questões na pauta. A primeira é dar informações que permitam à sociedade entender um pouco mais o que cada dado significa. Hoje o número vem acompanhado de indicadores que ajudam a ver a relação socioeconômica com o aprendizado e o impacto da regularidade dos professores no desempenho dos alunos. O segundo ponto foi acrescentar dimensões aos dados que ajudem a escola a se enxergar. O que é uma escola de qualidade? Ela atende a dois aspectos: sabe o que os alunos têm de aprender e sabe quais são as condições que ela tem de oferecer para que isso ocorra. Ainda há muito o que avançar, mas os índices já caminham nessa direção.
ÉPOCA – O que acha das avaliações?
Soares –
 Há três questões muito importantes: o que ensinar, como ensinar e como avaliar se a criança aprendeu. A avaliação tinha de dar as respostas mais claras de como ensinar. E isso não ocorre. Estamos presos num modelo que não permite isso. O Enem é um teste de múltipla escolha. Reduzir a avaliação a esse formato é pobre. Poda todas as dimensões de contexto.
ÉPOCA –  Sabemos usar as avaliações que temos?
Soares  –
 Usamos muito pouco e muito mal. Primeiro porque os resultados não trazem os dados pedagógicos de que o professor precisa. Daí,  é lógico que a escola não usa. A avaliação tem de usar a mesma linguagem do ensino. O professor e o avaliador têm de falar a mesma língua. Não temos isso no Brasil. Aqui, a avaliação começou de forma totalmente independente. Na área da gestão é diferente. Demos saltos muito grandes. Toda escola conhece seu Ideb e faz todo um esforço nesse sentido.
ÉPOCA – O senhor tem trabalhado ativamente na definição da Base Nacional Curricular Comum. Qual será o impacto dela para o Enem?
Soares –
 A Base colocará de forma explícita quais são os direitos de aprendizagem de cada criança. Todos saberão quais são eles e, dessa forma,  todos saberão também como garantir esses direitos e como verificar se eles foram ou não atendidos. Para isso, o Enem terá de ser outro. Uma avaliação tem de depender do currículo e não o contrário, como acontece hoje em muitos lugares.

ÉPOCA – O fato de o Inep estar vinculado ao governo compromete sua atuação? Ele não fica exposto à interferência do governo sobre como tratar informações que possam prejudicá-lo?
Soares –
 Eu sou completamente favorável ao Inep ser independente do governo. Integro o conselho do Inep do México, onde o órgão é completamente autônomo. O Inep do Chile é uma agência de qualidade, também independente. O Inep não pode viver essa proximidade com quem vai sofrer o desgaste pelo que o instituto aferir e mostrar.
ÉPOCA – Quando estava no Inep, o senhor chegou a sentir o incômodo por fazer parte do governo?
Soares –
 Eu fui para desempenhar uma função no governo. Não tive a vivência da outra posição. Tive a experiência de presidir o Inep sendo do governo. Procurei conviver com os ministros e ajudar. Agora, cada um de nós tem uma direção. A minha direção foi a de falar do direito à educação, do que funciona ou não. Fazíamos isso dentro das dificuldades que quem está no governo enfrenta, que são muitas. 
ÉPOCA – O que o Inep independente conseguiria fazer com mais eficiência?
Soares – 
Ele poderia ser mais incisivo sobre as necessidades da educação sem ter de considerar as dificuldades que isso vai gerar para o governo, ou para quem for, e sem considerar também as conveniências. Por exemplo, sei que preciso que o professor esteja na escola com as crianças todos os dias. Sei também que alguns professores passam em concurso e começam a faltar muito ou a trabalhar com descaso. Um órgão independente vai poder dizer:  isso aqui não está funcionando – independentemente do mal-estar que cause. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Pesquisas científicas comprovam que o hábito de ler promove o desenvolvimento do cérebro


Decifrar, compreender, generalizar, sintetizar ou até mesmo propor hipóteses são funções superiores da mente, usadas durante a leitura. Talvez por isso, pesquisas científicas realizadas nos Estados Unidos – Universidade de Stanford ­– e na França – Unidade de Neuroimagiologia Cognitiva do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm/Comissão de Energia Atômica e de Energias) comprovam que a leitura faz bem ao cérebro.
No Brasil, além de reconhecer a importância da prática, é celebrado o 12 de outubro como Dia Nacional da Leitura, instituído pela Lei nº 11.899, de 8 de janeiro de 2009, que instituiu, também, a Semana Nacional da Leitura e da Literatura.
“Um jovem, uma criança que lê, amplia seu vocabulário, seu conhecimento, sua redação e escrita”, observa o ministro da Educação, Mendonça Filho. “O conhecimento abre janelas para um mundo desconhecido, que é ampliado a partir da boa leitura.”
Cérebro – De acordo com a professora e escritora Lucília do Carmo Garcez, doutora em linguística aplicada, a leitura é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. “É como se fosse uma expansão do cérebro”, diz. Ela faz uma comparação com o aprendizado audiovisual, no qual a pessoa age de forma mais passiva. “Na leitura, é preciso ativar diversas camadas de reflexão para compreender.”
Escritora de livros infantis há mais de 20 anos, Lucília destaca a necessidade de uma alfabetização sólida para transformar uma pessoa em leitor. “É importante assegurar que as pessoas tenham uma alfabetização bem consolidada e, depois disso, é preciso que a sociedade valorize a leitura”, afirma.
Além do acesso aos livros, a escritora salienta a importância de as escolas contarem com bibliotecas e de as crianças frequentarem esses espaços. Outras atividades, como feiras de livros e debates com escritores, são citadas. “É preciso que as crianças vejam os leitores lendo e que sejam motivadas a procurar leituras com respostas às indagações interiores que elas têm”, destaca.
Sempre envolvida com o estímulo à leitura, Lucília também visita escolas e conversa com as crianças sobre os mais diversos temas, dentre eles, as temáticas de seus livros. Dentre suas últimas publicações está Tonho e os Dragões, sobre um menino com leucemia. A obra foi escrita para o Hospital da Criança. Outro livro recente é Palavras Mágicas, sobre uma criança que sonha estar em um tapete mágico. Ela desce em um parque de diversões sem bilheteria. Tudo é feito por meio de palavras e boas maneiras, como por gentileza, por favor, com licença, eu gostaria e muito obrigado. A escritora faz parte do grupo Casa de Autores.
Fábulas – Com a mesma vontade, a professora Heucionéia Rocha Bassetto desenvolve projetos na Escola Estadual José dos Santos, da rede de ensino do município paulista de Jales. No ano passado, um dos projetos, Na Trilha das Autorias Misteriosas, foi selecionado entre os ganhadores do Prêmio Professores do Brasil. Este ano, o projeto Fábulas promove leitura, escrita e revisão textual.
O resultado da iniciativa foi uma coletânea de fábulas, feita pelos alunos do quarto ano do ensino fundamental e entregue para a sala de leitura para fazer parte do acervo da escola. “Para o aluno escrever um texto de qualidade ele precisa saber o porquê de escrever esse texto. Quem vai ler o texto? Onde ele vai circular? Qual gênero e qual vai ser a estrutura desse texto? Tudo isso foi trabalhado”, garante a professora.
“Esse projeto tem um propósito didático, porque neles os alunos se sentem parte do processo e do trabalho, se sentem responsáveis pelo que estão fazendo”, acrescenta Heucinéia, ao afirmar que com metas as crianças se envolvem com mais entusiasmo nos projetos.
“Dá gosto de fazer a leitura dos textos produzidos por eles. Trabalham com descrições de cenário, de personagem, marcadores temporais e até técnicas discursivas para evitar a repetição de elementos de ligação”, completa Heucinéia Rocha Bassetto, ao comentar a qualidade dos textos produzidos pelos futuros escritores.
“Ler é aprender e é ampliar as oportunidades de educação para as crianças, jovens e adultos também. Ler é uma excelente prática que deve ser cada vez mais cultivada por todos nós”, conclui o ministro.
Assessoria de Comunicação Social

http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40291

Brasil é 1º lugar na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica




Michèlle Canes - Repórter da Agência Brasil

Um grupo de estudantes brasileiros ficou em primeiro lugar no quadro geral de medalhas da oitava edição da Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA).

Os brasileiros conquistaram duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. A OLAA ocorreu entre os dias 2 e 8 de outubro, na cidade de Córdoba, na Argentina. Ao todo, 41 estudantes de nove países participaram do evento.

O professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), João Canalle, que liderou a delegação brasileira no evento, disse que os estudantes participaram de provas teóricas e práticas de astronomia e astronáutica. Em uma delas, os conhecimentos dos alunos foram testados em um planetário.“Ele aponta para vários objetos solicitados pelo examinador, ou seja, onde está tal estrela, tal constelação, um planeta”, explicou.

Durante as provas, os estudantes também tiveram que mostrar que sabem usar os equipamentos de observação, como telescópios. “É uma olimpíada que demanda conhecimentos teóricos de física, matemática, astronomia e elementos de astronáutica, mas também a parte prática é muito importante”, disse Canalle.

Os estudantes da equipe brasileira foram selecionados durante a etapa nacional da olimpíada, que é um requisito para os países terem representantes na competição internacional. “É uma forma de induzir a criação de olimpíadas nacionais. É uma forma de você difundir, popularizar, a astronomia e a astronáutica. É o que fazemos no Brasil há 19 anos. Somos o país que tem a mais longa experiência, tradição em olimpíadas de conhecimento de astronáutica”.

Experiência

Mateus Siqueira foi um dos brasileiros na competição latino-americana. Aos 16 anos, o estudante está no terceiro ano do ensino médio em Mogi das Cruzes (SP) e foi o ganhador de uma das medalhas de ouro da equipe. O interesse de Mateus pelo tema veio das conversas com o pai. “Ele é engenheiro mecânico, mas gosta bastante da área e sempre falou bastante comigo sobre isso desde criança”, contou.

No ano passado, Mateus foi chamado para participar das seletivas nacionais e chegou à OLAA. Para ele, a experiência de participar do evento foi além dos conhecimentos testados durante as provas. “Teve bastante intercâmbio cultural. São nove países. A gente aprendeu espanhol, economia. No geral, a parte de integração foi muito legal, então a gente teve bastante oportunidade de conhecer as pessoas de outros países.”

Além do intercâmbio cultural e da medalha que trouxe na mala, a participação de Mateus na OLAA teve outro resultado importante: vai influenciar sua escolha profissional. “Estou pensando em cursar engenharia espacial. A olimpíada me ajudou até a decidir qual a carreira vou seguir.”

Em 2017, a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica será realizada no Chile. Para se inscrever na etapa brasileira, as escolas interessadas devem acessar o site da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Os estudantes devem estar cursando o ensino fundamental ou médio em escolas públicas ou particulares de qualquer estado.

Edição: Luana Lourenço

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-10/brasil-e-o-1o-lugar-na-olimpiada-latino-americana-de-astronomia-e

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ensino Médio: Mato Grosso poderá ter mais 24 escolas públicas em tempo integral

Novo programa do MEC amplia a jornada escolar de 800 para 1,4 mil horas por ano e destinará 257,4 mil vagas a 572 escolas públicas (arte: ACS/MEC)

O Ministério da Educação, por meio de portaria publicada nesta terça-feira, 11, instituiu o Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral, criado pela Medida Provisória nº 746, de 22 de setembro último, que estabelece a reforma do ensino médio no país.

De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, o programa, que amplia a jornada escolar de 800 para 1,4 mil horas por ano e transfere recursos para as secretarias estaduais de Educação, destinará 257,4 mil vagas a 572 escolas públicas, em todas as unidades de Federação, como exposto na tabela. “O governo federal repassará às redes de ensino, para cada vaga de ensino médio integral, R$ 2 mil por ano” disse o ministro. “Com a iniciativa, o MEC dá andamento a ações compartilhadas com estados e Distrito Federal para universalizar o acesso e a permanência de todos os adolescentes de 15 a 17 anos nessa etapa da educação básica.”


Para aderir ao programa, as secretarias Estaduais de educação precisam atender ao número mínimo de 2,8 mil alunos e apresentar projeto pedagógico, a ser avaliado pelo MEC. Caso alguma unidade federativa opte por não aderir ao programa, haja sobra de vagas e outras queiram pedir mais vagas, terão prioridade aquelas com o menor índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) no ensino médio. As escolas em tempo integral devem estar implementadas até o fim do primeiro semestre de 2017.

A carga horária estabelecida na proposta curricular das proponentes deve ser de no mínimo 2.250 minutos semanais, com um mínimo de 300 minutos de aulas de língua portuguesa, 300 de matemática e 500 destinados a atividades da parte flexível do currículo.

Na Portaria do MEC nº 1.145/2016, publicada nesta terça-feira, 11, no Diário Oficial da União, também estão estabelecidos os critérios de avaliação e monitoramento a serem adotados nas escolas, as recomendações para a infraestrutura necessária àquelas que pretendem aderir ao programa e o perfil recomendado para a equipe de implantação.

Assessoria de Comunicação Social 

http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40251

Juventudes, educação e história





Maria Alice Setubal

Na semana passada, com a publicação dos resultados do Enem e do Censo do Ensino Superior, a educação esteve no centro das reportagens da mídia e da discussão na sociedade.

Parece que o consenso de que educação é uma prioridade faz com que os diferentes setores da sociedade busquem informações sobre o significado da proposta de reforma do Ensino Médio, assim como as consequências dos resultados publicados.
Novamente, notamos os baixos índices das escolas públicas no Enem – a exceção está nas escolas federais e as técnicas. Mesmo olhando para o conjunto das escolas privadas, as notas não são boas. Com relação ao Ensino Superior, em 2015 tivemos uma queda dos alunos de 2% nas universidades públicas e de 6% nas privadas, consequência nessas últimas de uma diminuição significativa no Fies e da crise econômica, que fez com que muitos alunos não conseguissem mais arcar com as mensalidades.
Assim, é claro para nós que os jovens devem ser importantes atores de todo esse debate que está mobilizando a sociedade, pois são as pessoas envolvidas diretamente nestes problemas.

No momento em que o Congresso discute a PEC 241 (que pretende instituir um teto de gastos em todas as áreas do governo por vinte anos para tentar equilibrar as contas públicas), precisamos ter em mente a importância da luta pelos recursos da educação, para alcançarmos uma educação de qualidade para todos.

A questão da juventude está posta em um mundo que entrelaça diferentes dimensões de violência relativas às drogas, ao tráfico, aos homicídios de jovens negros, à violência contra as mulheres e grupos LGBT. A escola é fundamental neste momento, pois consiste em um dos mais importantes espaços para essa juventude se qualificar para a participação na sociedade civil e no mercado de trabalho.

Os protestos que se iniciaram em 2013 colocaram os jovens nas ruas. Juntos, eles clamaram por mais educação e equidade. Esse movimento também abriu mais espaço para a voz das periferias, que têm nos saraus, no hip hop e no funk muitas das suas manifestações artísticas, concretizadas em coletivos que se espalham pelas cidades.

Um pouquinho de história nos mostra que esses movimentos de hoje têm sua origem no passado e atualmente, com um contingente muito maior de jovens na escola, essa voz pode se expandir.
O escritor Marcelo Rubens Paiva e o músico Clemente Tadeu do Nascimento acabam de lançar o livro "Meninos em Fúria", que trata deste momento histórico e do poder dos jovens.
Um trecho afirma: "Nos anos 1960, a juventude combateu com pedras, coquetéis molotov, pichações, negou-se a se enquadrar no padrão do adulto-pai, anunciou que era proibido proibir.  Parte dela pegou em armas. Nos anos 1980, outra juventude viu que a luta armada que acabou no terrorismo não dava em nada. O futuro não tinha solução. O desencanto virou cultura. O rock uma arma. Desprezávamos a fama e o consumo. Hoje soa esquisito. Acredite, existiu uma época em que criticávamos a fama, o culto à personalidade, o consumo excessivo que, para nós, trazia à tona as mazelas e as injustiças sociais do capitalismo. "

Em outro trecho, os autores concluem que:

"O ideal punk parecia impossível, mas não era. O punk rendeu frutos, criou um novo mundo. A internet é inspirada no ideal punk, foi criada pela geração que viveu aquela época, dançou e ouviu o punk. Danem-se as corporações: do it yourself. Continua contra o sistema. Inovações que fariam gravadoras, deram nova organicidade ao mercado... O ideal punk 'você pode ter sua própria banda' se expandiu para 'você pode ter sua própria emissora de rádio, editora, ser um canal de notícia, ser fotógrafo, ter sua revista própria'".

A evolução desses movimentos, que vão se transformando e expandindo para um número maior de territórios e impactando mais pessoas, tem na educação uma importante base de sustentação e qualificação.

Neste momento, o Brasil busca alternativas para retomar seu desenvolvimento. Mas a história das nações mostra que nenhum país alcançou índices adequados de desenvolvimento sem que sua população tivesse índices adequados de escolaridade.
Nossos jovens precisam com urgência de boa educação -- apenas 17% dos jovens com entre 18 e 24 anos estão cursando o Ensino Superior, índice mais baixo que na maioria dos países latino-americanos.
Mudar esse cenário para que seja possível a construção de um país justo e sustentável exige o enfrentamento dos baixos resultados das avaliações. Para isso, precisamos de políticas públicas de longo prazo que tenham no seu centro a concepção de equidade.

MARIA ALICE SETUBAL

Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, é socióloga e educadora. Doutora em psicologia da educação, preside os conselhos do Cenpec e da Fundação Tide Setubal e pesquisa educação, desigualdades e territórios vulneráveis.

O que eu preciso saber sobre a reforma do ensino médio?




























Priscila Cruz
Priscila Cruz

Nos últimos anos, poucas vezes a gente viu uma mudança gerar tanta repercussão na educação quanto a reforma do ensino médio divulgada no fim do mês passado pelo governo federal. A notícia gerou bastante burburinho entre professores, políticos, especialistas, alunos e pais, deixando muita gente confusa sobre os detalhes e impactos da proposta. Juntamente com a divulgação dos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), todo o debate que se formou em torno dessa etapa de ensino não deve ficar só nos sites, jornais e redes sociais. Ele deve estar dentro das escolas e das casas de família.
Para tentar clarear um pouco as ideias, eu trouxe aqui alguns pontos que considero importantes sobre esse assunto. Vamos lá!

- O Ensino Médio precisava de mudança?

Sim, há bastante tempo, inclusive. Os dados mais recentes mostram que a situação é crítica. A taxa de reprovação, por exemplo, é de 12,1% (sendo 13,1% na rede pública). Além disso, 1,7 milhão de jovens de 15 a 17 anos (17% do total da população) estão fora da escola. Os índices de avaliação nacional mostram que a etapa está estagnada desde 2011, apesar de os investimentos por alunos terem dobrado nos últimos dez anos. Um exemplo bastante grave ilustra essa situação: somente 9% dos jovens saem do ensino médio com conhecimento mínimo em matemática.

- Por que há tantas criticas à reforma?

Principalmente pelo fato de o governo ter optado por fazer as mudanças por meio de uma medida provisória, que é considerada uma decisão autoritária por muitos especialistas, uma vez que dispara uma mudança profunda na oferta do ensino médio no Brasil. Acho que a mudança não deveria ter sido realizada dessa maneira por duas razões. A primeira é que existe um projeto de lei (6.840/2013) sobre o assunto, que está pronto para ser votado na Câmara (ainda que no Senado a tramitação possa demorar anos). A segunda é que a proposta está atrelada à BNCC (Base Nacional Curricular Comum), que ainda não está pronta –a previsão é para 2017. Então por que correr agora?
Além disso, a reforma também atraiu críticas pelo seu nome. Reforma é um termo ambicioso e amplo. Então muitos começaram a questionar: e as ações relativas aos professores? Existe algum projeto para melhorar o Ensino Fundamental? Alguma proposta para garantir a infraestrutura das escolas?  Ações para reduzir a desigualdade educacional? Talvez se a proposta tivesse o nome de "plano de indução de melhoras no Ensino Médio" ou algo similar, tudo teria sido muito mais tranquilo. "Indução" porque quem vai colocar o plano em prática são os estados, e não a União.
Isso tudo sem falar nas falhas terríveis de divulgação e comunicação, que abriram margem para interpretações e especulações de toda ordem – inclusive no programa do Faustão!

- Quais as principais alterações que a proposta faz, afinal?

A ampliação do tempo que o aluno passa na escola é uma das principais alterações. Haverá um aumento progressivo das atuais 800 horas letivas para 1.400 horas, o que deixa a jornada escolar diária com 7 horas. Com isso, o governo pretende atender à meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de aumentar para 50% o total de escolas de Ensino Médio com tempo integral até 2024.
Além disso, a "reforma" estimula a diversificação da oferta de itinerários formativos pelos estados. Digo que estimula porque quem oferta são as redes estaduais, e essa diversificação já seria possível e não se torna obrigatória com a "reforma".
Com a flexibilização do currículo proposta, os alunos terão 1.200 horas para disciplinas escolhidas por eles na sua área de interesse, entre cinco possíveis: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. Disciplinas como língua portuguesa, matemática e inglês continuam sendo obrigatórias nos três anos da etapa. O MEC afirma que não haverá corte de nenhuma disciplina, e que a grade será definida pela BNCC.
Veja aqui a MP na íntegra.

- O que eu, como pai, posso fazer?

Por ora, é importante acompanhar o caminho da MP. O texto já recebeu emendas na Câmara. As audiências devem ocorrer nas próximas semanas – tudo dentro de um prazo de cinquenta dias. O Supremo Tribunal Federal também pediu esclarecimentos ao governo. Fique atento e, principalmente, converse com seu filho sobre o que ele pensa e espera da escola. Quais são as suas críticas? O que poderia melhorar? Ele se informou sobre a reformulação? Qual dessas cinco áreas ele escolheria para a sua formação?
Traga esse assunto para dentro de casa. Conversar sobre educação é uma excelente forma de se engajar pela melhora do ensino.

PRISCILA CRUZ

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

http://educacao.uol.com.br/colunas/priscila-cruz/2016/10/05/o-que-eu-preciso-saber-sobre-a-reforma-do-ensino-medio.htm

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Secretaria inicia processo eleitoral para gestores das unidades educacionais

A Secretaria Municipal de Educação iniciou esta semana o processo para eleição geral para a escolha de diretor e coordenador pedagógico das unidades educacionais da rede municipal de Cuiabá (escolas, creches e centros municipais de educação infantis - Cmeis). O ato inclui também processo seletivo para escolha de secretários para as escolas e CMEIs. 
As inscrições para os candidatos serão realizadas  nos dias 10 e 11, das 8h às 11h e das 14h às 18h, na sede da Secretaria Municipal de Educação. A relação das inscrições deferidas será divulgada no dia 14 de outubro, no mural da Secretaria Municipal de Educação.

Para pleitear a função de diretor, coordenador ou secretário o profissional da educação deve seguir alguns critérios.
CONSULTE A LEGISLAÇÃO CONSTANTE DA BIBLIOGRAFIA AQUI
Para a vaga de diretor ou coordenador, o candidato deve ocupar cargo efetivo ou estável do quadro de profissionais da rede municipal de educação e ter no mínimo dois anos de efetivo exercício ininterruptos na unidade educacional que pretende atuar. No caso de diretor, o candidato deve ser habilitado em licenciatura plena e o coordenador ser habilitado em licenciatura plena em Pedagogia.
Para o cargo de secretário o candidato deverá ocupar cargo de técnico de administração escolar; ser efetivo ou estável na rede municipal de educação; e ter formação em ensino médio.
Conforme explica a secretária municipal de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, as eleições para diretor e coordenador serão divididas em quatro etapas: Ciclo de Estudo, Avaliação de Conhecimento, Proposta de Trabalho e Eleição. Para secretário, a eleição será divida em duas etapas, Ciclo de Estudo e Avaliação de Conhecimento.  
Toda a organização das estapas dese processo será de responsabilidade de uma comissão, constituída por representantes da Secretaria Municipal de Educação, Conselho Municipal de Educação e Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep – subsede Cuiabá). 
O ciclo de estudos será realizado entre os dias 17 e 19 de outubro na escola municipal Maria Dimpina, das 18h às 21h30. Será de forma presencial e não presencial. Serão considerados aptos os candidatos que obtiverem 100% de frequência na formação presencial e na execução das atividades de formação não presencial, estabelecidas pela comissão. 
A avaliação de conhecimento será constituída de prova escrita com questões objetivas e subjetivas e será realizada no dia 24 de outubro às 14 horas, na Faculdades Evangélicas Integradas Cantares de Salomão (Feics). A divulgação dos resultados da avaliação de conhecimento será no dia 1º de novembro.
A eleição para diretor e coordenador pedagógico será no dia 25 de novembro, nas unidades educacionais. Nas escolas será das 7h às 17h (nas escolas com dois turnos) e das 7h às 20h (escolas com três turnos). Nas unidades de creches e Cmeis será das 6h30 às 18h. O resultado da eleição será divulgado no dia 09 de dezembro.
Terão o direito a voto para diretor os profissionais efetivos e contratados; alunos a partir dos 12 anos de idade, regularmente matriculados e com frequência comprovada; pai, mãe ou responsável legal dos alunos menores de 16 anos de idade.
O coordenador pedagógico das unidades educacionais será eleito pelos profissionais da educação em efetivo exercício na unidade. Nas escolas, os conselheiros titulares também terão direito a voto para coordenador pedagógico. 
“É importante que toda a comunidade escolar participe desse processo, pois ela tem o papel fundamental para o exercício da gestão democrática na escola”, destacou a secretária.
A posse dos diretores, coordenadores e secretários será no dia 16 de dezembro, às 20 horas, no Hotel Fazenda Mato Grosso. 


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Após viagem à NASA, estudante de Mato Grosso conta sobre a experiência

100516_Seduc_NASA-7 (Small).jpgAcostumada desde muito cedo a admirar o céu por horas a fio, deitada, muitas vezes da calçada de sua casa, a jovem Maria Gisllany Bezerra da Silva, de 18 anos, acredita estar mais perto de, enfim, se aproximar dele, a exemplo das estrelas. “Consegui o meu passaporte para o espaço”, diz convicta, com a sinceridade expressa nos olhos que brilham, ao abordar o sonho maior de sua vida: se tornar astronauta.
Recém-chegada ao Brasil após visita à NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration), possibilitada após ter sido premiada em um concurso de redação promovido pela agência espacial norte-americana e apoiada pela Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Seduc-MT), Maria obteve maior clareza sobre o que precisa fazer para concretizar sua grande ambição.
“Sinto que os meus horizontes se expandiram. Continuarei a aprofundar as minhas pesquisas e estudos em astronomia, pretendo me inscrever em projetos futuros da própria NASA para capacitação de astronautas e, se tudo der certo, serei uma”, enfatiza. Ela é natural do município de Serra Talhada (PE), mas se mudou com a família para Mato Grosso logo no primeiro ano de vida.


Estudante do ensino médio da Escola Estadual 13 de Maio, de Tangará da Serra, Maria, nos 10 dias em que esteve nos Estados Unidos, conversou muito com diretores da agência espacial e, sobretudo, com gente que foi ao espaço e voltou. “Contaram histórias, me incentivaram e passaram várias dicas sobre projetos da NASA para eu me inscrever e ampliar os meus conhecimentos e chances em me tornar astronauta. E é nisso em que agora irei me dedicar”, explica.
Durante a estadia nas cidades de Houston e Washington D. C., Maria também teve a oportunidade de conhecer de perto os laboratórios da agência, ônibus espaciais, espaçonaves, equipamentos de pesquisa que devem ser utilizados daqui a 10 anos (na próxima viagem do homem à Lua) e foguetes – como o Saturno V, de 100 metros de comprimento, responsável por levar os primeiros seres humanos (os norte-americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin) ao satélite natural da Terra, em 1968.
Loucura
Além dos desafios para conseguir chamar a atenção da NASA no concurso de redação e realizar o sonho de conhecer a agência espacial, Maria teve que lidar com a desconfiança de alguns dos próprios professores e familiares, que a consideravam “louca”. Ela ainda foi vítima de violência verbal e, por vezes, física, dos colegas de sala de aula.
“Falaram que eu nunca iria conseguir chegar a lugar nenhum, que os meus sonhos não passavam de besteira. Justamente por isso eu quero agradecer, de coração, ao estado de Mato Grosso, a Seduc e a todos da equipe, que me acolheram em um momento muito difícil”, ressalta.
A estudante tomou conhecimento de que havia sido premiada pela NASA em março deste ano. Na redação, ela discorreu a respeito das vantagens da sonda Cassini em pesquisar o planeta Júpiter e enumerou os benefícios à astronomia, como consequência do referido estudo. Ela argumentou que, a partir da pesquisa, seria possível treinar a sonda para estudar planetas fora do sistema solar – os chamados exoplanetas.
Com a cabeça nas nuvens, mas com os pés no chão, Maria acredita que os sonhos existem por uma razão: para que sejam realizados. “Se você tem um sonho, seja lá qual for, e as pessoas dizem que é impossível, que é loucura, não desanime. Acredite em ti e siga em frente. Pode ser que aconteça, por exemplo, de a gente ser reprovado em uma prova. Isso não interessa, todo mundo reprova. O importante é fazer de novo e crer que na próxima vez você vai passar. É assim que deve ser. E quero, sim, levar a bandeira do Brasil para o espaço. Não irei desistir enquanto não conseguir”, dá o recado.
Sabatina
Bem humorada, Maria ainda lembra o episódio responsável por selar sua ida aos Estados Unidos. Já premiada pela NASA pela redação, faltava assegurar os recursos para a viagem. Por meio do assessor pedagógico de Tangará da Serra, foi então apresentada ao governador Pedro Taques, para falar do projeto.
“Durante quase uma hora ficamos conversando sobre física e astronomia. Ele perguntou a mim o que era o tempo, de qual parte da física quântica eu gosto mais, pediu-me para explicar as leis de Copérnico, para falar a respeito de Heliocentria e para que eu argumentasse sobre a ida do homem à Lua. Foi bem legal”, recorda. Após o bate-papo, a estudante ganhou o “sinal verde” e os bons votos do governador para a viagem.
Para o titular da Seduc, Marco Marrafon, os feitos de Maria servem de exemplo e inspiração para todos aqueles que almejam ir além. "O que a Maria nos traz é a prova do quanto a educação pode ser transformadora na vida de cada um. A Seduc fica muito feliz em participar e apoiar esse projeto e apoiará todos os que se dedicarem e buscarem melhores condições de estudo e vida”, conclui.

http://www.seduc.mt.gov.br/Paginas/Ap%C3%B3s-viagem-%C3%A0-NASA,-estudante-de-Mato-Grosso-conta-sobre-a-experi%C3%AAncia.aspx

Censo da Educação Superior mostra alta taxa de evasão e baixa ocupação de vagas


Pela primeira vez, o Censo da Educação Superior traçou um perfil dos estudantes ao longo da graduação, considerando as taxas de permanência, conclusão e desistência. Os dados relativos ao ano de 2015, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta quinta-feira, 6, revelam um acréscimo desordenado na taxa de desistência do curso de ingresso, na avaliação da trajetória dos alunos entre 2010 e 2014. Em 2010, 11,4% dos alunos abandonaram o curso para o qual foram admitidos. Em 2014, esse número chegou a 49%.
“Este Censo da Educação Superior reforça a tese de que há uma necessidade muito grande de reforma do ensino médio no Brasil. A mudança, proposta pela Medida Provisória nº 746/2016, terá um impacto direto nos indicadores do ensino superior”, garantiu o ministro da Educação, Mendonça Filho. Segundo ele, a ausência de orientação vocacional durante o ensino médio é um dos agravantes. “O Brasil tem apenas 8% dos alunos do ensino médio em programas vocacionais. A falta de orientação contribui para que haja uma desistência significativa dos jovens que ingressam no nível superior”, disse.
De acordo com o censo, 8.033.574 alunos estão matriculados no ensino superior. O número supera a estatística de 2014 em 2,5%, quando havia 7.839.765 matriculados. São ofertados 33 mil cursos de graduação em 2.364 instituições de ensino superior.
Um dado preocupante mostra uma grande ociosidade no sistema. Dos 8 milhões de vagas disponíveis, somente 42,1% estão preenchidas e 13,5% das vagas remanescentes foram ocupadas. “A falta de interesse em ocupar as vagas amplamente oferecidas, tanto na rede pública quanto na particular, deve-se ao fato de o jovem não identificar, na sua vontade, uma perspectiva desse ou aquele curso. É preciso haver uma conexão entre a educação básica e a de nível médio para ampliar as oportunidades de acesso à educação superior”, defende a presidente do Inep, Maria Inês Fini. “As vagas remanescentes indicam pouca eficiência do sistema. A reforma do ensino médio vai dar a esses jovens a oportunidade de vivenciar algumas trajetórias acadêmicas mais associadas a cursos e carreiras no ensino superior”, conclui.
Assessoria de Comunicação Social
Consulte os dados do Censo da Educação Superior 2015

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...