sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A escola e a nova dinâmica familiar

Escrito por Carolina Mainardes


Uma nova dinâmica familiar, que coloca o filho no lugar mais alto dessa relação assimétrica, transforma a maneira de se pensar a educação e a forma da família se relacionar com a escola. “Hoje, é em torno dos filhos que gira a vida dos adultos da família. Essa é uma mudança radical e fundamental”, afirma Rosely Sayão, psicóloga e consultora em Educação. Frente a isso, Rosely acredita que a escola deve adotar uma nova concepção de educação e entender de forma mais clara as responsabilidades do processo educacional: “Cabe à família dar conta do filho, tornar essa criança um ser humano de bem segundo os valores da família, e cabe à escola formar essa pessoa para se tornar um cidadão de bem”. Para isso, ambas as instituições devem estar atentas ao fato de que não é possível instruir sem educar e nem educar sem instruir. Acompanhe a seguir a entrevista concedida pela psicóloga à Profissão Mestredurante sua passagem por Curitiba (PR), em fevereiro de 2014, para participar de um evento para educadores promovido pela Band News FM, Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR) e pela prefeitura local.
Profissão Mestre: Qual o perfil da família na atualidade e que características essa nova família traz para a escola?
Rosely Sayão: Não é a nova família, são as novas famílias, não podemos mais falar em família no singular. Isso a gente conseguiu fazer até o final dos anos [19]50, mas daí para frente não tem mais jeito. E, portanto, não há um perfil, há diversos perfis. Mas, uma questão acompanha as novas famílias – não vou falar da configuração, do desenho, da composição –, vou falar da dinâmica familiar. O tipo de relacionamento entre os integrantes da família mudou radicalmente. Antes, a gente tinha um desenho que era bem clássico, que hoje diminuiu muito, mas ainda existe: a família com o desenho “pai, mãe e filhos”, que ficavam juntos, o casal “até que a morte os separasse” e os filhos até que tivessem vida própria. Hoje, o que temos são pais que não necessariamente estão juntos com os filhos. Eles podem estar distantes dos filhos pelos motivos mais diversos possíveis, desde um rompimento de casamento até excesso de trabalho. Essa relação [familiar] é assimétrica, e sem assimetria a gente não tem condição de praticar a educação. Mas, essa assimetria mudou, ou seja, hoje, quem tem o lugar mais alto nessa relação assimétrica são os filhos. É em torno dos filhos que gira a vida dos adultos da família. Essa é uma mudança radical e fundamental, que muda a maneira da gente pensar a escola, a relação com a escola, com a educação e tudo mais.
Profissão Mestre: O que muda na relação da família com a escola?
Rosely: Os pais sempre vão pensar nos seus filhos. Na escola, não há filho de ninguém. Na escola, há alunos. E quando as crianças fazem a passagem do papel de filho para o papel de aluno, elas mudam, nós mudamos. Qualquer um de nós, quando passamos a ocupar o lugar de aluno, muda. Às vezes, faço palestra para professores, e há aqueles que ficam no fundão, fazem barulho, passam bilhetinho, usam o celular. É um papel [de aluno] que vem carregado com um “pacote”. E quando os pais vão à escola falar dos filhos, eles falam de alguém a quem eles querem atender em cem por cento. E eles se esquecem, e a escola também se esquece, que eles não estão falando de seus filhos na escola. Aliás, a escola falha muito nesse sentido, porque ela deveria falar “nosso aluno” e ela fala com os pais o “seu filho” – não é o seu filho, o filho é uma coisa, o aluno é outra.
Profissão Mestre: É necessário que o professor tenha uma preparação diferente para adquirir uma nova concepção de educação?
Rosely: A escola deveria ter uma nova concepção [de educação]. O professor é uma figura, uma pessoa que exerce uma função em uma instituição. Mas quem precisa capitanear essa nova concepção é a instituição, porque daí as pessoas que trabalham na instituição vão junto. Se hoje temos muitos professores chamados de autoritários, retrógrados, é porque a instituição escolar falhou nesse aspecto.
Profissão Mestre: O que é responsabilidade da família e o que é responsabilidade da escola em relação à educação? Deve haver um trabalho conjunto?
Rosely: Há uma discussão em pauta, na sociedade. O [Fernando] Savater, filósofo espanhol, que também é um pensador da área da Educação, escreveu um livro maravilhoso sobre essa questão chamado O valor de educar (Ed. Dom Quixote), e ele já dizia sobre essa discussão, hoje em pauta no Brasil, de que a diferença entre educar e instruir é inócua, não existe, porque não é possível instruir sem educar e nem educar sem instruir. Essa é uma diferença que não existe. Mas, como já disse, filho é uma categoria e aluno é outra. Cabe à família dar conta do filho, tornar essa criança um ser humano de bem segundo os valores da família, e cabe à escola formar essa pessoa para se tornar um cidadão de bem. O filho diz respeito a um ambiente privado, a uma pessoa; e o aluno diz respeito a um ambiente público, a um cidadão.
Profissão Mestre: E como a escola pode se aproximar da família?
Rosely: É difícil. Toda nossa bibliografia, não só brasileira, mas [internacional] sobre educação, trata esse como um tema muito delicado. A pergunta que existe é: “É possível essa relação?”. Não conseguimos afirmar: “É possível”, e também não achamos bom que não haja proximidade [entre família e escola]. A maneira como temos agido não é boa nem para as escolas nem para a família, porque o que temos hoje é uma relação de poder entre uma instituição – bem ou mal, a escola é uma instituição, e tem normas e regras que todo mundo conhece – e as famílias, que são uma multidão desgovernada, porque cada família é um pequeno núcleo. Então teríamos que inventar uma maneira diferente de fazer essa aproximação, sem desrespeitar a família, a cultura familiar. Eu ouço muito as escolas falarem: “As famílias não educam”. Isso é uma falta de respeito muito grande, porque [a escola] não confia nos pais dos alunos. [A família] educa, sim. Não do jeito que as escolas e os professores gostariam, mas educa.
Profissão Mestre: Quando a senhora fala em uma maneira diferente de fazer essa aproximação entre escola e família, por onde começar?
Rosely: Participei de algumas experiências, e todas elas dirigidas por movimento dos pais e não da própria escola. O primeiro movimento dos pais, nas escolas que eu acompanhei, foi criar um grupo de pais – não se trata daquela associação de pais e mestres, porque é um grupo só de pais. A única motivação é que os filhos de todos eles frequentam aquela escola. Primeiro, eles tentam se organizar para evitar que cada um vá até a escola pedir algo relacionado a uma questão pessoal: “Meu filho precisa disso, precisa daquilo”. Eles começam a se organizar e formular pautas importantes para todo alunado e daí eles vão batalhar junto à escola pelas questões que consideram importantes para todos.
Profissão Mestre: A senhora critica a agenda lotada de atividades das crianças. Quais as consequências dessa rotina tão comum atualmente?
Rosely: A criança está perdendo o presente dela. Com essa mania que nós, adultos, temos de pensar no futuro dela, a gente rouba o seu presente. E toda vez que a gente rouba um pedaço de vida de uma pessoa, esse pedaço de vida voltará, mas não sabemos como. Temos algumas pistas: atualmente, os alunos universitários são absolutamente infantilizados. Os professores universitários não sabem o que fazer com aqueles adolescentes, que não têm autonomia, que querem ficar brincando. Isso já é um reflexo da geração na qual os pais queriam que seus filhos, lá pelos seus 4, 5 anos, fizessem informática, inglês, aprendessem a ler e escrever... É importante que a criança tenha tempo para ser criança. E ser criança é, basicamente, brincar. Essa é a linguagem da infância, e é brincando que a criança se comunica consigo, com as questões internas dela, e com o ambiente externo também, e entende o mundo.
Profissão Mestre: O que as novas tecnologias representam para o processo ensino-aprendizagem? O que muda na forma de ensinar com a presença da internet e das redes sociais?
Rosely: Por enquanto, nada. O que é uma pena, porque as [novas] tecnologias e esses aparelhos todos poderiam ser um estímulo para a mudança. Por exemplo, a gente proíbe o celular na escola porque a gente não sabe o que fazer com ele. Deveríamos integrar o celular à escola. E dentro do ambiente escolar, não vale contato de amiga, de mãe. Até porque, se a gente integrá-lo ao ambiente intelectual escolar, as coisas vão ficando mais tranquilas. Tenho visto muita escola com tablet – não há diferença entre o tablet e o caderno. Agora, as apostilas estão no tablet, passaram do papel para a tela. Não vejo nenhuma mudança. Podemos ter, e aí o céu é o limite. Cada escola pode inventar uma mudança. Temos vários exemplos já, mas preferimos, por enquanto, ficar na “idade das pedras”.
Profissão Mestre: Por que é tão difícil implementar mudanças no atual sistema escolar, mesmo com as novas tecnologias fazendo parte da vida dos alunos e professores?
Rosely: Porque o ser humano é muito resistente à mudança. Veja a questão das famílias – vamos terminar onde começamos [a entrevista] – as novas famílias: se você pega o corpo dos trabalhadores de uma escola, dificilmente você vai encontrar nesse corpo de trabalhadores – e eu incluo aí todo tipo de trabalhador da escola, não só professor –, quem tem aquela família formada por pai, mãe e filhos, todos juntos. Mas, na hora de falar da família dos alunos, a gente fala que ela é desestruturada, que os pais trabalham demais, mas o professor está na escola e tem filho em casa, sem pai e sem mãe também. A gente olha para fora e enxerga. Olhar para dentro é mais difícil. A escola acha o máximo dar tablet para os seus alunos, com a apostila lá dentro, e acha isso uma grande inovação. E ela olha para as escolas que não têm isso e pensa: “Coitadas, né?”. Mas, você não é capaz de olhar para si mesmo e falar: “Que besteira que eu fiz, deixei o mesmo conteúdo da apostila [no tablet]!”.

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/1107-a-escola-e-a-nova-dinamica-familiar

EDUCAÇÃO INDÍGENA: Diretrizes para a formação de professores são homologadas

A formação de professores indígenas em cursos de nível médio e superior no Brasil deve respeitar a organização sociopolítica e territorial dos povos, valorizar as línguas e promover diálogos interculturais. Esses princípios estão na resolução que instituiu asDiretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores Indígenas, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em abril de 2014 e agora homologada pelo Ministério da Educação.
Conforme a resolução do CNE, as diretrizes curriculares têm por objetivo regulamentar os programas e cursos de formação inicial e continuada de professores junto aos sistemas estaduais e municipais de ensino, às instituições formadoras e aos órgãos normativos. No documento de apresentação das diretrizes, o CNE salienta que 2.620 professores indígenas fizeram a formação em magistério entre 2005 e 2011. No período, foram ministrados 23 cursos por 20 instituições de educação superior em 14 estados. Desde 2005, segundo o conselho, o Ministério da Educação fomenta, por meio de editais, o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) em instituições de educação superior públicas.
Cursos — De acordo com as diretrizes curriculares, a formação inicial de professores deve ser realizada em cursos específicos de licenciatura e pedagogia interculturais; a formação continuada, em cursos e programas específicos de atualização, extensão, aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado. Será responsabilidade dos sistemas de ensino garantir a formação inicial e continuada em serviço aos professores.
É tarefa das universidades, responsáveis pelo itinerário formativo, preparar os professores indígenas para atuar e participar de diferentes dimensões da vida de suas comunidades como forma de adquirir conhecimentos. Eles devem ser orientados a usar a respectiva língua materna nos processos de ensino e aprendizagem, de pesquisas e de promoção e revitalização das práticas linguísticas e culturais, além de elaborar materiais didáticos. O documento contém uma relação de 14 itens a serem desenvolvidos com os professores cursistas.
Currículos — Os currículos podem ser organizados em núcleos, eixos, temas contextuais, módulos temáticos e áreas de conhecimento. Na formação inicial e continuada, o currículo deve considerar a territorialidade, o conhecimento indígena e seus modos de produção e expressão, a presença dos sábios, a consonância do currículo da escola indígena com o da formação do professor, a interculturalidade, o bilinguismo ou o multilinguismo.
Quando trata da qualificação dos encarregados de trabalhar na formação de professores indígenas, as diretrizes relacionam diversos requisitos. Entre os quais, que sejam profissionais com experiência no trabalho com os povos e comprometidos política, pedagógica, étnica e eticamente com os respectivos projetos que orientam os processos formativos.
As diretrizes tratam também da gestão democrática dos programas, projetos e cursos de formação de professores. Deve ser assegurada a participação de representantes indígenas, e cabe às instituições formadoras criar instâncias específicas de participação e controle social. O regime de colaboração entre os sistemas de ensino e instituições formadoras é outro ponto definido nas diretrizes. A colaboração é necessária para garantir acesso aos cursos, a permanência e o êxito.
A homologação do Parecer CNE/CP nº 6/2014 consta de despacho de 30 de dezembro de 2014, publicado no Diário Oficial da União de 31 de dezembro de 2014. A íntegra do parecer homologado está na página do CNE na internet.
Ionice Lorenzon
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21013

EDUCAÇÃO INDÍGENA: Aulas da Unemat começam na segunda-feira no campus de Barra do Bugres

LYGIA LIMA
Assessoria Unemat
Começam na segunda-feira (12) as aulas dos 100 acadêmicos indígenas no campus de Barra do Bugres. São, ao todo, quatro cursos de licenciatura: Pedagogia Intercultural; Ciências Sociais; Línguas, Artes e Literatura e Ciências da Matemática e da Natureza. Na Escola Agrícola, onde os alunos ficam hospedados e fazem as alimentações, os trabalhos de limpeza e as equipes de alimentação e manutenção trabalham para receber os acadêmicos.
                                      
As aulas da Educação Indígena ocorrem em momentos concentrados, no período de 10 de janeiro a 07 de fevereiro, e também no mês de julho. Nos demais períodos, os alunos realizam atividades pedagógicas com a supervisão dos professores da Unemat nas próprias aldeias onde atuam como professores.
                                                
“Queremos mostrar a Mato Grosso o tesouro que é a Unemat. Nossa gestão também começa agora e estamos trabalhando com metas de planejamento e de divulgação das nossas ações”, disse Ana Di Renzo, em reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, nesta quinta-feira, no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.
                            
Segundo a reitora, o secretário da Casa Civil assegurou que o Estado vai determinar um interlocutor para tratar e atender as demandas da universidade, garantindo um espaço de diálogo com o governo.
http://www.mt.gov.br/editorias/educacao/aulas-da-unemat-comecam-na-segunda-feira-no-campus-de-barra-do-bugres/132616

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os estados brasileiros relatam suas dificuldades para cumprir o novo piso salarial dos professores em 2015. O valor passou de R$ 1.697 em 2014 para R$ 1.917,78, um reajuste de 13,01%, acima da inflação e superior, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), à receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
O secretário de Educação do Rio Grande do Sul, Vieira da Cunha foi claro: “Eu disse ao próprio ministro que não haverá saída para o pagamento do piso, dadas as condições financeiras do estado, sem o aporte de recursos federais”, observou, em visita à sede do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato). O estado é um dos que não conseguem cumprir a Lei do Piso (Lei 11.738/2008), que estabelece que o valor mínimo deve ser pago no vencimento e não com gratificações ou complementações, como é feito no Rio Grande do Sul.
O estado não está sozinho. “Como o reajuste tem sido superior à receita do Fundeb, a conta em algum momento não vai fechar. Há estados e municípios que ultrapassaram, com o pagamento da folha, o valor do Fundeb. Tivemos um ano bastante difícil”, explica o presidente em exercício do Consed, Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina. O estado, segundo ele, discutirá, a partir da semana que vem, o impacto do reajuste do piso nos demais salários, com o plano de carreira.
Os secretários não negam a importância do piso, essencial para a valorização dos docentes e também para o cumprimento do Plano Nacional de Educação, que estabelece prazo de seis anos para a equiparação do salário dos professores ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente. Atualmente, o rendimento médio dos docentes representa aproximadamente 60% dos salários médios dos demais profissionais.
“O piso foi uma conquista importante da educação brasileira. Eu não tenho a menor dúvida de que a melhoria da qualidade da educação básica passa pela valorização do professor”, destaca o secretário de Educação do Espírito Santo, Haroldo Rocha. O estado não cumpre o piso para os professores com formação de nível médio. Segundo ele, são 80 docentes nessas condições. O valor do vencimento inicial para a formação é R$ 579,26 por uma jornada de 25 horas. Para cumprir a lei, mesmo antes do ajuste, o valor seria R$ 1.060. O secretário acrescenta que o estado pretende corrigir esses salários já com o reajuste.
Ainda em início de mandato, os governos se organizam para avaliar o novo valor. No Paraná, por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria da Educação informa que vai tratar do assunto “dentro da Comissão de Política Salarial, que foi criada pelo Decreto 31/2015. No momento, não temos ainda uma avaliação mais precisa”. Na Bahia, “a Secretaria da Administração do Estado está fazendo a análise para verificar os impactos na folha de pagamento dos professores da ativa, aposentados e pensionistas com o novo piso nacional”.
A Lei do Piso estabelece o valor mínimo a ser pago aos professores com formação de nível médio, com jornada de 40 horas semanais. O reajuste é feito anualmente, com base no aumento do percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno, referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, ou seja, a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno, definido nacionalmente pelo Fundeb.
O piso salarial subiu de R$ 950, em 2009, para R$ 1.024,67, em 2010, e R$ 1.187,14, em 2011. Em 2012, o valor era R$ 1.451. Em 2013, o piso passou para R$ 1.567 e em 2014 foi reajustado para R$ 1.697. O maior reajuste foi registrado em 2012, com 22,22%.
Antes de anunciar o novo valor, o ministro da Educação, Cid Gomes, reuniu-se com com representantes do Consed, da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
Segundo as entidades, o ministro tem se mostrado aberto ao diálogo. O Consed, que terá ainda novas reuniões com Gomes, discutirá novos cálculos para o reajuste anual de forma a garantir um aumento real, mas um impacto menor nas contas públicas nos próximos anos. Além disso, demandará o cumprimento do trecho da Lei do Piso que diz que a União deverá complementar a integralização nos casos em que o ente federativo não tenha disponibilidade para cumprir o valor. “Falta definir a forma ou o critério para analisar quais os estados ou municípios que não têm essas condições”, explica Deschamps, destacando essa como uma das pautas em conjunto com o ministério.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/noticias-pr/1109-estados-mostram-dificuldades-para-cumprir-novo-piso-salarial-dos-professores

Todos têm algo a ensinar



São Paulo - Em meados dos anos 90, a educação nos Estados Unidos passou por uma fase difícil. Estudos mostravam que apenas 40% dos alunos formados no equivalente ao ensino médio apresentavam um nível de aprendizagem satisfatório. A maioria dos estudantes, portanto, não absorvia o conteúdo.
Foi quando um grupo de executivos e empresários liderado pelo então presidente da empresa de tecnologia IBM, Louis Gerstner Jr., uniu-se em torno de uma missão: pressionar os gestores públicos a aprimorar a qualidade das redes públicas de ensino e ajudar quem se dispusesse a encarar a empreitada.
Muitas dessas empresas passaram a condicionar a abertura de unidades num estado à adoção de padrões de ensino melhores na rede local. Deu resultado. De 1995 a 1999, a maioria dos estados americanos adotou currículos mais rigorosos e elevou o nível das avaliações dos estudantes.
A experiência americana mostrou que o setor privado e a sociedade podem exercer um papel ativo para melhorar a qualidade do ensino. A boa notícia: existem no Brasil empresas e entidades do terceiro setor empenhadas em ajudar os gestores públicos nessa tarefa. Essa foi a principal conclusão dos participantes do primeiro EXAME Fórum de Educação, que aconteceu no dia 9 de dezembro, em São Paulo.
Os resultados dessas iniciativas são animadores. Tome-se o caso de Pernambuco, onde 80% da rede estadual de en­sino médio aplica, ao menos em parte, um modelo criado pelo Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE), organização não governamental fundada pelo ex-presidente da multinacional holandesa Philips no Brasil Marcos Magalhães.
Nessas escolas, as aulas são em período integral e os estudantes podem cursar disciplinas optativas de acordo com o que pretendem fazer depois de completar o ensino médio. Os professores foram treinados para ajudá-los a discernir as possibilidades para o futuro — aulas extras preparatórias para o vestibular também se tornaram par­te do currículo.
Magalhães começou a criar esse modelo em 1999, quando ainda trabalhava na Philips. Ele se inspirou nas iniciativas que executivos como Gerstner, da IBM, estavam aplicando nos Estados Unidos para espalhar a educação em tempo integral por seu estado natal.
De 2007 a 2013, a evasão escolar entre os estudantes matriculados nas escolas públicas de ensino médio de Pernambuco caiu de 22% para menos de 5%. Há sete anos, a nota média dos estudantes pernambucanos era a 22a no ranking do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb) — em 2013, o estado havia pulado para o quinto lugar.

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“Os alunos deram um show na leitura”

Professora conta a experiência de produzir livro de poesias bilíngues com turmas do 8º ano em escola da rede municipal do Rio de Janeiro
diário de inovações   Por Daniele Costa
Em 2013, decidi fazer algo diferente na atividade de leitura do oitavo ano. Como sugestão da professora Ana Lucia Miranda, da sala de leitura, eu usei o livro “Sem Cabeça Nem Pé”, de Edward Lear, com poesias bilíngues. Depois de ler a obra e tirar as dúvidas, foi realizado um trabalho com as próprias poesias dos alunos. O propósito era fazer poesias bilíngues, seguindo o mesmo esquema do livro, ou seja, pequenas com rimas tanto em português quanto em inglês.
Ficou estabelecido com a turma que as poesias deveriam ter no mínimo seis linhas e no máximo dez. No entanto, alguns alunos se empolgaram ao escrever em português e fizeram com mais de dez linhas. Como ficaram muito boas, só mantive a regra do mínimo de linhas.
Diário de Inovações_PoesiaCrédito: okalinichenko/Fotolia.com

Em outras aulas, essa poesia foi eventualmente passada para o inglês, contando com a ajuda dos monitores, da professora, de dicionários online e sites específicos como o RhymeZone.com, do Google Tradutor. Ao traduzir, muitos tiveram dúvidas e não estavam conseguindo manter o mesmo sentido da sua poesia original. Então, estabelecemos que eles poderiam escolher um mesmo tema e seguir a rima enquanto estivessem vertendo as poesias para o inglês.
A ideia final foi de formar um livro de cada turma e dar a oportunidade para que os estudantes pudessem ler as suas próprias poesias no Chá Literário de 2013, evento escolar que envolve todos os alunos, professores e pais.
Usando netbooks em sala, os alunos digitaram suas poesias, em português e inglês, e eu salvei os arquivos em um pen drive para que pudesse organizá-los e formatá-los em um arquivo para a impressão. A ideia original era encadernar o livro, mas os alunos procuraram imagens para colorir no Google e eles mesmos deram o “toque final” no trabalho. Foi aí tive a ideia de usar pastas catálogos e fazer um livro com estilo de portfólio.
Após prontos, os livros foram deixados na biblioteca da escola para que todos pudessem ter acesso a eles. Ficaram lindos e os alunos deram um show na leitura de suas poesias. Foi um trabalho demorado, mas com frutos maravilhosos para mim e para eles.
Após o fechamento dos livros com todas as turmas de 8º ano, alguns alunos apresentaram suas poesias bilíngues no Chá Literário. Foi uma tarde maravilhosa, com alunos mostrando o que fizemos em sala e comemorando seus trabalhos por toda a escola.
Diário de InovaçõesCrédito: Arquivo Pessoal

Como em 2013 o livro de poesias bilíngues deu um ótimo resultado, em 2014 decidi usar o mesmo recurso com um tema diferenciado. Propus uma atividade interdisciplinar, feita nas aulas de português, inglês e espanhol. Na aula de português, foi introduzida a estrutura de poesias e os alunos assistiram ao filme Rio como inspiração para darem início ao trabalho. Nas aulas de inglês, eles tiveram contato com o livro Rio, na língua estrangeira, e desenvolveram atividades sobre a história e os personagens. Depois, aprenderam a criar as versões das poesias em língua inglesa. O mesmo foi feito nas aulas de espanhol.
O trabalho foi feito em conjunto com os professores Lívia Iglesias (Humanidades – turmas 1701 e 1702), Marcelo Santana (Humanidades – turmas 1703 e 1704), Tatiana Almeida (Inglês – turma 1701) e Tatiane Almeida (Espanhol – 7º ano).
Diário de Inovações

* Diário de Inovações é uma seção com relatos de educadores que estão inovando dentro da sala de aula. Para compartilhar suas experiências com a gente, acesse aqui o formulário e conte sua história.

http://porvir.org/diariodeinovacoes/os-alunos-deram-um-show-na-leitura/20150107

MT: Matrículas pela internet na rede pública estadual começam no dia 19/01


A solicitação de matrícula pela internet para as escolas da rede estadual de ensino estará disponível a partir do dia 19 de janeiro de 2015. As matrículas deverão ser solicitadas apenas pelos novos estudantes da rede de ensino, ou por aqueles que pretendem trocar de unidade escolar. Os alunos que permanecerem nas mesmas escolas já têm suas matrículas asseguradas para o ano letivo de 2015.

O sistema já está aberto para o cadastro de novos usuários, requisito para a efetivação da matrícula. O cadastro deve ser feito pelo estudante, desde que maior de 18 anos, ou pelo responsável e é preciso informar um e-mail válido. Clique aqui para ter acesso ao sistema.
As matrículas ficarão abertas até às 18h do dia 21 de janeiro. Após o período, os pais deverão voltar ao sistema para realizar a confirmação do pedido. O ano letivo terá início no dia 09 de fevereiro de 2015. Nem todas as escolas da rede estadual participam do processo. No site da Matrícula Web é possível consultar a lista de escolas participantes.

O sistema de matrícula via Web tem o objetivo de dinamizar o processo de inscrição e diminuir as filas nas portas das escolas. Também no site é possível tirar dúvidas sobre o processo e sobre a estrutura de ensino na rede estadual.


GUILHERME BLATT
Redação/Secom-MT

http://www.seduc.mt.gov.br/Paginas/Matr%C3%ADculas-na-internet-come%C3%A7am-no-dia-1901.aspx

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Piso salarial dos professores terá 13,01% de reajuste e passará a valer R$ 1.917,78

O piso salarial do magistério será reajustado em 13,01%, conforme determina o artigo 5º da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. O novo valor será de R$ 1.917,78 e passa a valer a partir deste mês. Nos últimos dias, o ministro da Educação, Cid Gomes, reuniu-se com representantes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O piso salarial do magistério foi criado em cumprimento ao que estabelece a Constituição Federal, no artigo 60, inciso III, alínea e, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:
“Art. 60. Até o 14º (décimo quarto) ano a partir da promulgação desta emenda constitucional, os estados, o Distrito Federal e os municípios destinarão parte dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação, respeitadas as seguintes disposições:
(...)
III — observadas as garantias estabelecidas nos incisos I, II, III e IV do caput do art. 208 da Constituição Federal e as metas de universalização da educação básica estabelecidas no Plano Nacional de Educação, a lei disporá sobre:
(...)
e) prazo para fixar, em lei específica, piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica; (...).”
Esse dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei nº 11.738/2008. Conforme a legislação vigente, acorreção do piso reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Assessoria de Comunicação Social

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Colombiano faz sucesso com videoaulas no YouTube


Canal do professor Julio Ríos, que ensina matemática, já teve 94 milhões de visualizações e chama a atenção do BID e de outros países
Julio Ríos é um fenômeno no YouTube. Mesmo sem fazer piada, dançar ou cantar, já alcançou a marca de 94 milhões de visualizações em seus vídeos. Também conhecido nas redes sociais pelo usuario julioprofe, este colombiano de Cali (cidade a 470km da capital Bogotá) usa videoaulas para ensinar matemática e física para quem ainda está no colégio ou acaba de chegar à universidade.
O canal no YouTube nasceu no começo de 2009, quando ele era professor particular de alunos de ensino fundamental e médio durante o dia e universitários à noite. “Percebia que alguns se distraíam durante as aulas e outros não conseguiam entender tudo na primeira explicação, por mais esforço que fizessem”, diz Julio. A inquietação o levou a ter contato com tutoriais disponíveis no YouTube e, para motivar seus alunos a chegarem às aulas já com perguntas, resolveu abrir o próprio espaço. Nascia ali o usuário julioprofe, uma identidade que também dá nome a um blog e a páginas no Facebook e no Twitter. O primeiro vídeo trazia ensinamentos de cálculo, disciplina que cobra dos estudantes base escolar para enfrentar conceitos de limites, derivadas e integrais. “Ele foi direcionado a adultos que tinham saído do colégio há três, cinco, dez anos e que haviam tido uma experiência traumática com a matemática”.
Julio Alberto GallegoCrédito: Divulgação/Samsung

As gravações eram feitas com uma câmera digital simples, de 4 megapixels, colocada sobre um tripé. Tudo acontecia às 10 horas da noite, para não atrapalhar o sono de sua mulher e da filha mais velha. Mas achar tempo para produzir os conteúdos do canal não era a única dificuldade. “Não conhecia nada sobre programas de edição, o que me fazia subir o vídeo no YouTube do jeito que ele era gravado”. A ajuda da tecnologia, no entanto, permitiu uma resposta em tempo real dos resultados de cada vídeo, com comentários e curtidas vindos de todos os cantos da Colômbia e de outros países. Alguns testemunhos deixados no site ainda hoje emocionam Julio, como este trazido pelo próprio professor em evento promovido pela Samsung no último mês de dezembro: “Profe, em cinco minutos consegui entender o que levava duas semanas para acompanhar com meu professor”.
Julio desenvolveu a habilidade de ensinar desde muito cedo, segundo ele, graças a professores muito exigentes que teve durante a educação básica. “Eles fizeram com que eu me apaixonasse pela matemática e pela física e começasse a ensinar aos meus próprios colegas de classe quando tinha 15 anos. Eu me reunia com eles para fazer as lições de álgebra e geometria e descobri a facilidade para transmitir conhecimentos”, diz.
Em 1996, formou-se em engenharia civil e logo começou a trabalhar na área, mas não abria mão das aulas particulares. “Havia uma crise no setor de construção na minha cidade, as oportunidades eram poucas e os salários, muito baixos. Por isso, continuei com as minhas aulas”. Se por um lado faltavam espaço, por outro havia um grande público, ávido por aprender e superar os inúmeros problemas do ensino colombiano, muitos deles semelhantes aos do Brasil. “Na educação primária, existem professores ensinando matemática sem ter licenciatura específica para a disciplina”. Tal como aqui, a violência no país vizinho é outro fator a ser levado em consideração. “Quando não são os estudantes, são os os professores abandonam um colégio. É muito triste, mas é o que acontece. Há ordens de criminosos para que as aulas não aconteçam”, diz.
Da aritmética e álgebra, passou a expandir os conteúdos para cálculo, trigonometria e física, temas muito pedidos pelos próprio público. Atualmente, o canal tem 447 videos, 465 mil assinantes e caminha para os 100 milhões de vídeos assistidos, números que superam verdadeiros gigantes do ensino como Harvard, MIT e Stanford. “Cada vez mais pessoas estão fazendo uso das novas tecnologias, em especial de algo que não é tão querido, como a matemática”, avalia. A maior parte dos visitantes vem da Colômbia e do México, mas brasileiros também se deparam com o canal de Julio quando fazem buscas no site. “Recebo comentários em português e alguns também usam um tradutor para escrever palavras em espanhol. Fico feliz, porque até mesmo pessoas que não falam espanhol se beneficiam desse trabalho e isso mostra como a matemática é uma linguagem universal”.
“Aos seis minutos de explicação, a pessoa vai embora, seja porque já entendeu ou porque não gostou do vídeo”
Tamanho sucesso acabou por chamar a atenção do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que discute com o professor colombiano como dar maior alcance ao trabalho e como entender melhor o perfil do público que busca seus vídeos. “Algumas conclusões já saíram, como a que mostra que, aos seis minutos de explicação, a pessoa vai embora, seja porque já entendeu ou porque não gostou do vídeo. No futuro, vou buscar fazer vídeos cada vez mais curtos”. Em outra conquista importante, ministérios da educação da Colômbia, do Chile e da República Dominicana manifestaram intenção de usar os vídeos em suas redes de ensino.
De sua parte, Julio também avança.  Em 2013, montou uma empresa chamada Academia Julioprofenet, onde oferece aulas presenciais e personalizadas de física e de matemática, além de cursos ao vivo. Adotando como lema “hacer el bien sin mirar a quien” (fazer o bem a quem quer que seja), Julio diz que seu maior objetivo é se colocar no lugar do estudante para que nada fique solto ou sem explicar. “Tudo tem que ter um porquê”, afirma. Para professores que queiram dar início a um canal próprio no YouTube, ele diz que o principal conselho é se aventurar. “Não sabia sobre vídeos. Aprendi. Não sabia como criar páginas de blog. Aprendi. Em algumas conferências, mostro como é o processo de gravação para que todos vejam que aqui não existe nada de outro mundo. Tudo é uma questão de se atrever a fazer e aproveitar os benefícios que a tecnologia traz”.

http://porvir.org/porpessoas/professor-colombiano-e-fenomeno-de-audiencia-youtube/20150105

Feriados e pontos facultativos em Cuiabá, 2015


Veja os Feriados e Pontos Facultativos decretados pelo Governo de MT

domingo, 4 de janeiro de 2015

Permínio quer rever ensino ciclado

Secretário de Educação de Pedro Taques admite a necessidade de se discutir um sistema que possa reter alunos que não conseguem aprender

Permínio Pinto Filho
ALLINE MARQUES
Da Reportagem

Responsável por uma das principais pastas da gestão de Pedro Taques (PDT), o secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto (PSDB), já anuncia algumas medidas na Pasta. Ele pretende rever parte dos programas a fim de evitar o número excessivo de contratos, já que professores são retirados da sala de aula para atuar nestes projetos, o que eleva custos.

Além disso, os contratos com empreiteiras serão revistos e o tucano já planeja retirar da Pasta a responsabilidade pela infraestrutura, reforma e construção das unidades escolares. O objetivo seria transferir para uma secretaria com habilidade técnica a função de construir as escolas, deixando sob sua responsabilidade apenas a tarefa de cuidar da qualidade da Educação no estado.

Permínio Pinto já avisa também que, apesar de algumas medidas serem tomadas de forma emergencial para melhorar a qualidade do ensino, os resultados devem ser vistos a médio e longo prazos. O modelo de escola ciclada deve ser revisto e há previsão de que sofra mudanças, mas o assunto deverá ser discutido ainda internamente. Antes da posse, que ocorreu nesta semana, Permínio falou com a reportagem do DIÁRIO para uma conversa sobre os rumos da Educação nos próximos quatro anos. Abaixo, os principais trechos.



DIÁRIO - Quais serão as primeiras medidas e como será tratada a questão do ensino ciclado, em que não existe reprovação?



PERMÍNIO PINTO - Nós ainda não temos como anunciar qualquer tipo de mudança radical, ainda mais uma mudança que mexe com a vida de milhares de pessoas. São 437 mil alunos na rede estadual de ensino. O que temos para dizer é que vamos promover uma mudança. Existem outros modelos de escolas cicladas que precisam ser considerados e discutidos e que precisamos discutir. Já ouvi centenas de depoimentos de mães que estão indignadas porque seus filhos estão regularmente matriculados no 4º ou 5º ano do Ensino Fundamental que ainda não conseguem ler e escrever. Então alguma providência precisa ser tomada, porque não é possível que permaneça do jeito que está. Que haverá mudanças, isso haverá. Que a cada três anos do Ensino Fundamental possa haver uma retenção, que se faça uma avaliação, alguma coisa precisa acontecer, o que não pode é ficar como está. Só para se ter uma ideia, menos de 40% dos nossos alunos no quinto ano do Ensino Fundamental têm proficiência na língua portuguesa ou matemática desejável. Esse número cai ainda mais quando a gente observa o resultado do Ideb, a Prova Brasil, no nono ano do Ensino Fundamental. É vergonhoso isso. No Ensino Médio nós somos o 25º [do ranking nacional], então precisamos reformatar tudo, porque do jeito que está não pode ficar.

DIÁRIO – O que mais pretende fazer para a Educação?

PERMÍNIO - Além de fazer a discussão da escola ciclada, além de promover as mudanças que sejam necessárias, precisamos trazer de volta a participação da comunidade nas unidades escolares. Disso nós não abrimos mão. Nós precisamos também transformar e trazer de volta a função primária dos cefapros, os centros de formação dos profissionais da educação, que hoje, assim como as assessorias pedagógicas nos municípios – na qual também serão rediscutidas as atribuições dos assessores -, estão preocupados com as atividades-meio, ao invés de ter como principal foco o aluno, o ensino. Não que a atividade-meio não seja importante. É importante, mas precisa reinverter esta lógica. Primeiro, a preocupação com sala de aula, com o conteúdo que está sendo passado para os alunos. Para isso também precisamos valorizar ainda mais nossos profissionais, com bons salários e salários pagos em dia. E também uma reforma no processo formativo desses profissionais.

Essas são algumas medidas mais urgentes, e uma força-tarefa, para que tenhamos condição de, no período de médio prazo de tempo, conseguir mudar a realidade que aí está. Na Educação, as respostas não são imediatas. Então não posso me atrever a dizer que em um ano os índices já estarão melhores. Até porque neste ano já teremos a Prova Brasil e terá uma nova avaliação. Mas pelo menos colocar a locomotiva de volta nos trilhos nós faremos. Acredito que em dois anos a realidade será outra.

DIÁRIO - Como será a relação do Ministério da Educação, comandado pelo PT, e a secretaria, comandada pelo PSDB? O senhor acredita que essa questão partidária possa interferir?

PERMÍNIO – Não prejudica em absolutamente nada. Até porque eu dialogo muito bem com todos os setores partidários ou não da política de Mato Grosso. Sempre fui assim, em toda minha carreira pública mantive esse diálogo permanente. Isto não é problema. Quando fui secretário de Educação em Cuiabá, nós avanços significativamente nesta relação. Para se ter uma ideia, as 23 unidades de Educação Infantil que estão sendo construídas em Cuiabá foram da gestão nossa na prefeitura. Há um compromisso do prefeito Mauro Mendes de construir 40 centros de Educação Infantil - 23 já estão em construção. Em relação ao trânsito em Brasília, não há nenhuma restrição, até porque lá no MEC já conhecemos os técnicos e eles trabalham sobre a ótica da técnica e não na ótica política.

DIÁRIO - E sobre o Sintep [sindicato dos professores], como será essa relação?

PERMÍNIO - Queremos estabelecer uma relação civilizada e de diálogo com o sindicato. Parte do problema já foi resolvida nesta discussão de longo prazo para dobrar a capacidade de compra do salário dos funcionários da Educação. Há então um calendário a ser cumprido até 2023, onde parte deste reajuste já está definido, um valor fixo, mais uma segunda parte que é com base no INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor]. Para este ano espera-se um reajuste de até 13,5% a 14% e isto ocorrerá até 2023. Então, parte do problema já está resolvido. Agora, é avançar nas outras demandas que o sindicato nos apresentar.

DIÁRIO – Os contratos da Seduc serão auditados?

PERMÍNIO – Como estamos nos avizinhando de um momento difícil na economia brasileira, que também deve ser difícil para economia de Mato Grosso, então precisamos auditar os contratos e qualificar os gastos. Um gestor que queira avançar em resultados, precisa se debruçar em algumas questões. Então precisamos saber os custos dos serviços que estão contratados. É nossa obrigação!

DIÁRIO – Um dos problemas da Pasta tem a ver com as reformas ou construções de escolas, que atrasam, nunca terminam ou o contrato não é cumprido. A Seduc tem convivido como essas situações quase que rotineiramente. Como será feita esta fiscalização?

PERMÍNIO – Esta é uma questão delicadíssima. A minha ideia, o meu propósito, é de profissionalizar e instrumentalizar, em tecnologia, o setor de infraestrutura da Secretaria de Educação. Nossa ideia primária, do governador Pedro Taques, e a minha, é de que não tenhamos essas atividades de infraestrutura, ou a responsabilidade de infraestrutura, de reforma e construção de escolas na Seduc. Criar no governo de Mato Grosso um mecanismo, a partir da Secretaria que tem essa habilidade, capacidade ou atribuição técnica, de fazê-la. Nossa ideia é criar instrumento para que isso aconteça. Nós precisamos cuidar da Educação e a atividade-meio não é de responsabilidade da Educação. Mas, até que isso aconteça, definitivamente, quero profissionalizar. Vou trazer alguém que entenda do assunto para que troque o modelo atual. Só para se ter uma ideia, durante a transição recebi informações de um ambiente em que tudo estava às mil maravilhas, e a gente sabe que não está. Eu recebi informação de que em Cuiabá há pelo menos quatro escolas que não têm condições de iniciar o ano letivo. Tive a informação de que em Várzea Grande o número de escolas sem condições de iniciar o ano letivo é ainda maior que em Cuiabá.

Só que na transição, recebi a informação de que haveria problema em uma única escola em Primavera do Leste, que está em fase de intervenção. E que lá haveria preocupação com a data de início do ano letivo, que está previsto para fevereiro. Então, os dados não são reais. Só mesmo com pelo menos 15 dias depois da posse para ter esse diagnóstico.

DIÁRIO – Há tempos a Seduc é considerada um feudo do PT. Como será agora com o PSDB? Como será feita a distribuição de cargos? O senhor foi uma das poucas indicações políticas do governo Taques. Então, vai se manter a ideia do perfil técnico nos demais cargos?

PERMÍNIO – Uma coisa eu posso garantir: não haverá a repetição dos erros cometidos até então. Nós não trabalhamos com essa possibilidade. A composição de cargos, os estratégicos - não tenha dúvida! – é por competência técnica. Estamos escolhendo profissionais efetivos da rede para ocupar cargos importantes dentro da organização da Secretaria. Se são sindicalizados ou não, é uma questão secundária, o que importa é a capacidade de cada um.

DIÁRIO – Então, qual será a principal diferença da antiga gestão para esta?

PERMÍNIO – A maior diferença é a eficiência, os resultados, a permanente avaliação que a gente faz. Eles deixaram isso tudo de lado, além da seriedade com que a gente trata a coisa pública.

DIÁRIO – Apesar de ter o maior orçamento, a Seduc tem também a maior folha de pagamento e uma capacidade de investimento reduzida. Como fazer para administrar ações futuras?

PERMÍNIO – A folha hoje representa um percentual alto. Para se ter uma ideia, o gasto com salários ocupou cerca de 90% de todo orçamento em 2014. Nós estaremos atentos a este crescimento. Há a necessidade de se fazer uma discussão com relação a mais de duas dezenas de projetos que são implementados nas escolas hoje. São cerca de 25 projetos de toda natureza. Precisamos enxergar, de fato, quais são os projetos mais importantes, que apresentem melhores resultados, e abrir mão de alguns. Porque para cada um desses projetos há penduricalhos: vários profissionais são retirados de sala de aula para comandá-los e isto gera contratos. Estes ajustes nós faremos. Vamos escolher os melhores e vamos montá-los. Vamos manter a folha, todos os avanços conquistados, porque profissional precisa ser bem remunerado para fazer um bom trabalho. Mas estamos atentos a este cabide.

DIÁRIO – Um dos problemas na escola é a violência. O senhor tem um projeto específico para reduzir os índices?

PERMÍNIO - Faremos este trabalho para que haja a participação de outras secretarias, mas primeiro queremos trazer a comunidade para dentro da unidade escolar. Eu sempre cito um exemplo. Aqui em Cuiabá, no Pedregal, há uma escola chamada Orlando Nigro, onde havia um índice de violência enorme. A escola era toda murada, ninguém enxergava o ambiente externo estando dentro da escola, e nem quem estava fora via o lado de dentro. Só que foi derrubado o muro, que ficou na altura de um metro, e a comunidade se integrou com a escola. A base é a participação da comunidade.

Existem alguns programas que levam essa discussão para dentro da escola, que visam prevenir e manter as crianças distantes das drogas. Tivemos uma reunião com o controlador-geral da União, Sérgio Akutagawa, que apresentou um programa que está implementado em 21 unidades de Cuiabá, que é dividido em três fases. A inicial traz alguns questionamentos sociais para crianças de determinada faixa etária e entende a parte deles na família. Depois, na segunda fase, leva a criança para o entendimento do município, Estado e Brasil. E no terceiro momento, a cidadania e outros valores. São mecanismos que teremos para envolver a comunidade e buscar meios para reduzir consumo de drogas na escola. E, em outro momento, se preocupar além das medidas preventivas, as corretivas, com ações conjuntas com outras secretarias.


http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=464065

sábado, 3 de janeiro de 2015

MEC: Cid anuncia quarta-feira piso do professor com reajuste de 12% a 14%


Responsável pela pasta eleita por Dilma Rousseff como vitrine de seu segundo mandato, o ministro Cid Gomes (Educação) anuncia na próxima quarta-feira (7) o novo valor do piso nacional dos professores do ensino básico. Nesta sexta-feira, Cid se reuniu com secretários do MEC e, na segunda e na terça, recebe representantes do conselho de secretários estaduais e municipais de educação, além de sindicalistas, antes de anunciar o novo valor. O reajuste deverá ficar entre 12% e 14%.

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2015/01/03/cid-anuncia-na-quarta-feira-piso-nacional-do-professor-com-reajuste-entre-12-e-14/

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

MEC define valor anual por aluno do FUNDEB 2015

Na operacionalização do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, serão observados, no exercício de 2015, os parâmetros anuais estabelecidos na forma dos seguintes anexos I, II e III.


http://www.fnde.gov.br/fnde/legislacao/portarias/item/6191-portaria-interministerial-n%C2%BA-17,-de-29-de-dezembro-de-2014

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...