terça-feira, 11 de novembro de 2014

Entrevista: João Batista Oliveira "A escola perdeu sua função social no Brasil", diz estudioso

Para especialista, missão primordial de transmitir conhecimento vem sendo esmagada pela ideologia que reduz a educação a ferramenta de dominação

Bianca Bibiano
oão Batista Oliveira: "a função histórica e antropológica da escola é transmitir conhecimento" (Pedro Franca/Agência Camara /VEJA)
Pouca gente discorda que é papel da escola transmitir os conhecimentos imprescindíveis ao desenvolvimento do indivíduo e, por tabela, do país. Para o estudioso João Batista Oliveira, contudo, a missão vem sendo esmagada no Brasil por políticas mais interessadas em propagandear números grandiosos e por ideologias cujo interesse passa longe da educação. O resultado é o fracasso do ensino no país. "Perdemos a noção da função social da escola. Ela deixou de ser cobrada pelo cumprimento de suas obrigações essenciais e passou a ser cobrada por milhares de coisas que ela não tem condição de fazer, como cuidar da educação sexual, educação para o trânsito, para o consumo etc.", diz Oliveira. A história de como se deu esse processo é dissecada no livro Repensando a Educação Brasileira, que chega às livrarias nesta semana, em que o pesquisador discute qual é, enfim, a função da escola e propõe medidas para recolocar nos trilhos professores e escolas. Oliveira atuou durante vinte anos como consultor do Banco Mundial e da Organização Internacional do Trabalho e ajudou a implantar projetos de educação em mais de sessenta países. No Brasil, foi secretário executivo do Ministério da Educação e, desde 2006, está à frente do Instituto Alfa e Beto, organização não governamental que promove a alfabetização em redes públicas de ensino. Em dezembro, a ONG vai realizar pela primeira vez o Prêmio Prefeito Nota 10, iniciativa que vai identificar e recompensar o município brasileiro que mantém a melhor rede de ensino do país. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.com.
Como o senhor vê o atual debate sobre educação no Brasil? Em nosso país, não há debate. A educação é tratada somente do ponto de vista de leis, regulamentos, aumento de vagas, interesses de professores e sindicatos. A política de educação sempre foi pautada pela ideia de crescimento. Ou seja, mesmo que país esteja vendo sua taxa de natalidade cair, ainda se vendem promessas de mais vagas, além de mais tempo na escola, mais disciplinas no currículo, mais regulamentação. É uma estratégia que interessa aos políticos, porque gera emprego para professores e mais construções para somar ao orçamento, que caem bem em período eleitoral. De certo modo, essa visão distorceu o debate, que virou um discurso de carências: falta isso, falta aquilo. As políticas governamentais induziram a essa situação e eliminaram os espaços para discutir outras questões, como a aprendizagem do aluno. No quadro atual, o estudante é mais um subproduto desse debate. Na outra ponta, existe a responsabilidade da academia, com professores e pesquisadores que rechaçam qualquer ideia contrária a suas ideologias. Eles fazem uma doutrinação ideológica e antiquada de que educação é um objetivo de dominação e de controle e que a pedagogia não interessa.

Biblioteca

Repensando a Educação Brasileira
Divulgação/VEJARepensando a Educação Brasileira
Repensando a Educação Brasileira
O livro, que chega às livrarias nesta semana, faz uma análise histórica dos fatores que moldaram o sistema educacional brasileiro desde a criação das primeiras escolas nacionais até as políticas públicas mais recentes. Na obra, o autor apresenta ainda propostas para corrigir rumos em áreas como formação de professores e financiamento público


Autor: João Batista Oliveira
Editora: Salta
De onde surgiu essa ideia? Nas décadas de 1970 e 1980, sob a influência dos movimentos populares que cresceram na França em 1968, houve uma inflexão no discurso pedagógico brasileiro. Até então, ele era razoavelmente formalista, sempre com uma parte legal muito forte, assim como a atuação marcante do Conselho Nacional de Educação. Do ponto de vista pedagógico, era razoável. Era normal falar em currículo, cobrar do professor conhecimento de sua disciplina, aprovar o aluno que sabe e reprovar o que não sabe, tudo dentro de uma concepção acrítica e ingênua. Isso era natural, como o é dizer que a mãe deve amar e amamentar seus filhos. Ideias apoiadas nas teorias de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, na França, e de Paulo Freire, no Brasil, que afirmavam que a escola reproduz desigualdades sociais porque ensina só aquilo que os burgueses querem. Com eles, ou não se ensina nada ou se ensina a fazer revolução. Enquanto os demais países passaram pela constestação e mudaram o discurso, no Brasil a ideia se tornou uma crítica hegemônica e permanente.
Como esse pensamento chegou à sala de aula? As faculdades que formam professores foram dominadas por essas pessoas. Eu tenho amigos que ainda atuam nas faculdades de educação e a vida deles é um inferno, porque não há espaço para diálogo. Tiraram dos currículos dos cursos de pedagogia métodos quantitativos e aulas de estatística, porque as pessoas que dominaram os cursos eram contra essas ideias. Enquanto isso, muitos países avançaram e passaram a medir o ensino e atacar as deficiências baseados em dados empíricos. Ao mesmo tempo, temos uma sociedade de baixa renda que não cobra melhorias, porque segue o discurso político de que mais é melhor. Segundo esse discurso, há mais escolas, uniforme, transporte, merenda, mais chances de ir à universidade: logo, não se poderia dizer que a educação está uma porcaria. Não há, contudo, contestação da qualidade. Já para as classes média e alta, é confortável essa situação, porque elas precisam fazer muito pouco para competir com a mediocridade. Não há, por exmeplo, disputa de vaga na USP com o mercado internacional. A elite deita em berço esplêndido e é acomodada.
Pensando do ponto de vista econômico, não seria mais interessante pleitear melhor educação e garantir desenvolvimento para o país? Com certeza. É tão necessário que eu não consigo entender por que os empresários são tão bonzinhos em relação à questão da educação brasileira. Todo mundo sabe que o maior recurso das economias modernas são as pessoas, ou seja, seu conhecimento e competências. Isso vale mais que soja, ouro, pré-sal. Os países com que competimos vão ganhar a competição na medida em que tiverem gente mais bem preparada. Gente capacitada é dinheiro, e os empresários sabem disso. Não dá para entender essa vocação suicida das elites empresariais. Só reclamar por mais cursos técnicos não adianta, porque não é só a mão de obra treinada que importa. Quanto mais gente bem formada tiver no país, independente do curso, melhor será para a economia. Talvez seja fruto do bom mocismo daqueles que esperam o apoio do BNDES sem criticar nada. O empresariado seria o principal ator para forçar uma mudança. Eles têm recursos, bons modelos de gestão, conseguem influenciar leis no Congresso, reduzir impostos. Enfim, têm uma força brutal que, se colocada para cobrar mudanças na educação, faria uma revolução.

O que é possível fazer para mudar esse quadro? Além de contar com a influência do empresariado, também é preciso rever a tônica do debate. Precisamos ir mais fundo, nos perguntar o que é a educação. Afinal, perdemos essa noção. A escola deixou de ser cobrada pelo cumprimento de suas obrigações essenciais e passou a ser cobrada por milhares de coisas que ela não tem condição de fazer, como cuidar da educação sexual, educação para o trânsito, para o consumo etc. A escola perdeu sua função social.
Qual é, afinal, essa função? A meu ver, a função histórica e antropológica é transmitir conhecimento. Conhecimento que é relevante para o desenvolvimento das pessoas, ou seja, aquele proveniente das disciplinas básicas: matemática, instrumentos da lógica, linguagem, ciências. Mas os professores são contra ensinar, são contra transmitir conhecimento, tudo naquela lógica da ideologia que já citei. Por isso, há movimentos tão fortes contra a implantação de um currículo nacional. Esses grupos são contra currículo não só por uma questão pedagógica: trata-se de um problema ideológico. Eles acham que a escola não pode definir o que deve ser ensinado. Mas, sem isso, o Brasil sai perdendo. Se não há um currículo, não dá para saber o que ensinar e como avaliar e formar o professor. Nós perdemos o fio da meada enquanto os outros países, que também passaram por mudanças, mantiveram o foco no que deve ser ensinado. O conceito do que é educação precisa ser recomposto, mas isso é difícil, porque os que manipulam a sociedade seguem apenas uma linha de pensamento hegemônico e não estão abertos a discussão.
Como o senhor avalia as mais recentes políticas que tratam do ensino, como o Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado pela presidente Dilma Rousseff em junho?Como não temos a cultura da educação, onde se cria a definição de escola, nós não temos também as instituições que compõem o sistema educacional. Nós não temos uma ideia clara do papel do professor, do gestor, do currículo. Nós temos, se muito, uma ideia de avaliação, como Enem e Prova Brasil, e uma ideia de financiamento, ou seja, quem paga a conta. No mais, nenhuma outra instituição. Na falta disso, a política educacional se baseia em planos como o PNE, sujeitos a descontinuidade e que fracassam em 70% dos casos, como já foi comprovado por outros estudiosos. É tudo feito no vácuo cultural, sem as instituições, que também são parte da cultura. A educação no Brasil é uma terra arrasada.
No livro, o senhor propõe mudanças na avaliação e financiamento do ensino. Como? A primeira delas é uma mudança na avaliação do ensino. A interpretação dos índices educacionais do país é feita como em uma tabela de campeonato, mirando em quem tem a melhor ou pior nota. E na educação não se pode fazer isso. Aquela escola que tem a melhor nota não é, necessariamente, a que tem o melhor ensino. Isso depende do aluno, da família, do DNA, não só da escola. É preciso descontar esses fatores para encontrar o efeito diferencial. Há inúmeros estudos nesse sentido, um deles do atual presidente do Inep (órgão do Ministério da Educação responsável pelas avaliações), Francisco Soares. Ele diz que a melhor escola é aquela que acrescenta mais conhecimento ao aluno, descontando todos os fatores que não são da escola. É importante ressaltar o efeito escola e não só dizer que uma ou outra é melhor. O segundo ponto é o financiamento. Dado que temos uma mudança na demografia e um índice de repetência muito alto, uma abordagem de choque seria fazer investimentos em educação proporcionais à sua população do Estado ou município, e não ao número de alunos, como é feito hoje. Isso daria mais flexibilidade para os entes da federação escolherem como querem dividir investimentos nos diferentes níveis do ensino. Um caminho é incentivar a política de municipalização do ensino, que entrou em debate, mas não foi levada adiante.
O senhor também trata da questão da formação do professor. O que fazer? Não podemos pensar o professor em partes, temos que olhar o todo. É preciso repensar os meios de contratação, a formação inicial, os planos de carreira, de estágio probatório e de avaliação. Tem que ser uma equação para atrair os melhores profissionais, oferecer bons curso, bons estágios, carreiras interessantes e, é claro, colher resultados na aprendizagem do aluno. Um plano que se concretiza a longo prazo. Enquanto isso, no curto prazo, é preciso pensar em políticas de transição. O Brasil insiste em pegar qualquer pessoa sem formação e acha que vai prepará-la para o magistério oferecendo-lhe um curso de 30 horas. Não vai. A transição tem que estar associada à mudança, pensando em mecanismos de contratação e demissão e, acima disso, pensando no que esses professores sem formação vão ensinar enquanto isso.
Como se define isso? Com sistema de ensino estruturado e consistente. Imagine que o professor da sala A ensina fração de um jeito e o da sala B, de outro. É um caos. Como isso é de fundo ideológico, baseado no discurso de que o professor tem que ter autonomia total para definir o que ensina, pior fica. Os professores não tem condição de exercer autonomia. Escola boa tem que ser autônoma e poder desenhar seu próprio currículo, mas tem que ter articulação para fazer isso. O que vemos são pessoas exigindo o controle de tudo. Sou a favor de o professor só ter autonomia quando tiver condições necessárias para exercê-la. Você só dá a chave de casa para a criança que tem juízo. Pensando do ponto de vista do aluno, como a categoria central do sistema educativo, o resto se perverte. Não faz sentido pensar no direito do professor, do interesse da categoria, se o aluno está diante de um professor que não foi bem formado. O que é melhor: dar autonomia ou orientar para que ele faça algo que ajude o aluno?
Recentemente, um grupo de professores no Quênia passou a utilizar roteiros de aula que devem ser seguidos à risca. Como parte da metodologia, o docente não pode ampliar a aula para além do roteiro. Um estudo mostrou avanços significativos no desempenho dos alunos. O senhor acha que, em casos extremos, essa seria uma alternativa? Claro, o ensino estruturado é isso. Há estudos que mostram que os países com pior desempenho educacional são os que mais demonstram melhorias quando adotam materiais estruturados para as aulas. Óbvio que são medidas curativas, mas é o tipo de estratégia adequada enquanto se conserta a base do sistema. Até lá, não se pode dar autonomia para quem não tem condições. Contudo, o que se nota pelas revoluções educacionais dos países que hoje estão no topo lista do Pisa (avaliação de educação mundial feita pela OCDE) é que eles seguem as mesmas práticas, que incluem currículo, mas vão além, envolvendo formação de professores, definição de estrutura escolar, organização do sistema de ensino, orientações para cursos superiores que formam docentes. No Brasil, cada um pensa de um jeito e não vejo caminhos para melhorias a partir da lógica atual.

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/a-escola-perdeu-sua-funcao-social-no-brasil-diz-estudioso

MIEIB debate ações para a Educação Infantil no país

Universalizar até 2016 a educação infantil pré–escola, para as crianças de quatro a cinco anos, e ampliar a oferta de educação infantil nas creches é um dos desafios do Plano Nacional de Educação (PNE). Para debater esse tema e encontrar os caminhos para chegar a essa meta, representantes da Educação Infantil de todo o país estão reunidos no XXX Encontro Nacional do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB). O encontro é anual e a edição 2014 acontece em Cuiabá, no Hotel Fazenda Mato Grosso, até esta quarta-feira  (05.11). Foram três dias de discussão e planejamento. 
O evento realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc/MT) reúne mais de 300 participantes. Entre as palestrantes a professora Carmen Maria Craidy, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  que abordou os direitos das crianças à educação infantil, tema chave do evento. Também participaram das discussões e representantes do Ministério da Educação (MEC). Durante o evento os participantes conheceram os trabalhos dos professores que desenvolvem materiais para aplicação na educação infantil.
De acordo com a representante do MEC,  Rita de Cássia Coelho, o encontro dos representantes dos Fóruns de Educação Infantil nos Estados, MIEIB é um movimento que traz mais visibilidade a educação infantil. Para ela, a força desse movimento social é um dos caminhos para o fortalecimento da educação na modalidade. Neste sentido, o entrosamento dos envolvidos é extremamente importante. Dentre estes envolvidos Rita cita as Secretaria de Estado de Educação. Para ela, mesmo que oferta da educação infantil não seja uma obrigação de Estado, são as Secretarias que trabalham o lado pedagógico. “São elas que estão envolvidas na formação dos professores, na supervisão pedagógica e também na regulamentação” avalia.
O Mieib nasceu dos inúmeros desafios enfrentados para institucionalização da educação infantil para as crianças de 0 a 6 anos. O movimento social trabalha vertentes como a necessidade de ampliação das redes, da melhoria da qualidade dos serviços, da efetiva integração aos sistemas de ensino, do direcionamento dos recursos financeiros, entre outros.

Acesse a programação aqui
ALINE MARQUESAssessoria/Seduc-MT
http://novosite.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14715&parent=20

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

4º Seminário do Pnaic começa nesta segunda (10)


Mais de 320 orientadores das redes estadual e municipal de ensino participam do 4º Seminário do Pacto Nacional da Idade Certa. O encontro realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) será de 10 a 13 de outubro, no Hotel Fazenda Mato Grosso. Nessa etapa os 28 formadores trabalham com os orientadores as temáticas dos cadernos 7 a Probabilidade nos primeiros anos escolares e 8 Saberes matemáticos e outros campos do saber do Pnaic (Geometria e Grandeza de medidas).

A coordenadora do Ensino Fundamental pela Seduc, Aparecida de Paula, reforça que o objetivo do Pnaic é garantir a alfabetização das crianças até os oito anos com sucesso. Para isso, os 323 orientadores serão os multiplicadores da formação para mais de 1.400 professores alfabetizadores, que consequentemente fazem o trabalho com os estudantes. “Esta formação representa o fortalecimento da base fundamental no processo de alfabetização das crianças”, diz.

Em Mato Grosso, o Pnaic foi implantado em fevereiro de 2013. No ano passado o Pacto trabalhou com a formação para a área de Linguagens. Neste ano, a Matemática é temática da capacitação. O programa que é uma articulação entre Estado e municípios tem quatro áreas de atuação: formação de professores, fornecimento de material didático, avaliação e gestão. A ideia é que o conjunto desta atuação fortaleça as metodologias de ensino e garanta a alfabetização na idade certa.

http://novosite.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14721&parent=20

A Educação de adultos em retrospectiva: 60 anos de CONFINTEA


Nas últimas seis décadas, a UNESCO promoveu seis Conferências Internacionais em Educação de Adultos, que se tornou conhecida mais recentemente como CONFINTEAs. As CONFINTEAs se estabeleceram como um dos fóruns mais influentes da arena internacional em educação de adultos. Ao longo de seus 60 anos, essas Conferências debateram e estabeleceram as diretrizes orientadoras para a política mundial em educação de adultos pelo período entre uma Conferência e a próxima – e, em certas situações indefinidas, que impediram o desaparecimento da educação de adultos da agenda política em diversos países. O livro é inspirado no desejo de registrar a história longa e profunda de um movimento mundial, que se expandiu por seis décadas. Os editores consultaram e utilizaram registros e documentos oficiais produzidos por e para as conferências, particularmente os relatórios finais, elaborados pela UNESCO. Esse processo de recuperação histórica se tornou igualmente importante como um meio de realização de uma leitura transversal do desenvolvimento do próprio conceito de educação de adultos, envolvendo os anos de pós-guerra, a descolonização, a Guerra Fria e o ataque das torres gêmeas de Nova York.

Organizadores: Ireland, Timothy Denis; Spezia, Carlos Humberto
Brasília: UNESCO, 2014. 284 p.
Download gratuito:

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/adult_education_in_retrospective_60_years_of_confintea_pdf_only/#.VGDUNjTF-9Y

Três inspirações brasileiras para base nacional comum

Estados e municípios se articulam para construir propostas curriculares e apontam caminhos para um documento nacional

Embora no Brasil ainda existam apenas diretrizes vagas a respeito do que deve ser ensinado pelos sistemas de ensino, escolas e professores, alguns estados e municípios saíram na frente e construíram propostas curriculares que podem sugerir pontos de partida para a elaboração de um documento nacional. O documento Lições aprendidas – produzido pelo movimento pela BNCE (Base Nacional Comum da Educação) com ensinamentos extraídos das evidências levantadas pelo grupo de pesquisadores – aponta três exemplos bastante singulares e inspiradores. São projetos realizados em Goiás, Santa Catarina e no município de Lagoa Santa (MG), que abarcam desde a participação da comunidade escolar no desenvolvimento dos currículos até as ferramentas para implementação nas escolas.
Em Goiás, até 2011, cada professor definia o que iria ensinar, normalmente seguindo a ordem do livro didático, o que impossibilitava ações reais de acompanhamento, orientação e produção de material de suporte ao professor. A partir daquele ano, foi realizado um processo coletivo de construção do currículo com os professores da rede estadual. Raph Gomes, superintendente de Inteligência Pedagógica e Formação da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, explica que, em 2011, a equipe interna de especialistas por área da secretaria elaborou uma proposta inicial de currículo bimestral que foi encaminhada às 40 subsecretarias regionais do estado.
Inspiração Curriculocrédito Mariusz Blach / Fotolia.com
“Cada regional realizou intervenções a partir de discussões organizadas dentro das escolas, nos retornou uma proposta de currículo diferente, baseada na que encaminhamos inicialmente, e utilizou durante o ano letivo de 2012 o currículo que propôs, modificando-o e discutindo-o com toda a rede. Ou seja, o currículo de cada regional foi utilizado em suas escolas”, afirma Raph em entrevista ao Porvir.
Nesse estágio, o estado reduziu de 1.095 para 40 currículos existentes, considerando-se que, anteriormente, cada unidade educacional seguia o seu próprio – o que gerava desconexões nas avaliações de rede e dificultava a mobilidade de alunos. A partir de então, com currículos que apresentavam mais similaridades do que pontos de divergência, foram criados grupos de Representantes por Componente Curricular (RCC), constituídos por professores, para facilitar o diálogo entre as regionais e consolidar uma proposta da rede.
“Essas discussões foram sempre mediadas pelos especialistas internos da Superintendência de Inteligência Pedagógica e Formação. Desse modo, enquanto o currículo da regional era colocado em prática na sala de aula, evidenciando pontos positivos e pontos de atenção, os RCC’s e especialistas da secretariam discutiam e empreendiam mudanças, criando um currículo único da rede que foi apresentado ao final de 2012”, diz o superintendente, referindo-se ao Currículo Referência da Rede.
Segundo Raph, o Currículo Referência corresponde ao currículo mínimo prescrito e é obrigatório, mas a proposta pedagógica de cada unidade educacional privilegia o que chama de currículo oculto e suas variáveis, como a cultura local e a ampliação dos espaços de discussão e formação continuada para os professores. A bimestralização dos conteúdos contribuiu, de acordo com feedback dado pelos professores à secretaria, para a elaboração de uma proposta político-pedagógica alinhada ao currículo referência da rede, para uma melhor adequação dos componentes de currículo à prática diária da sala de aula e mais facilidade no planejamento e execução dos planos de aula.
“Os resultados das interações eram sistematizados por consultores e disponibilizados ao público por meio da plataforma, que foi central para que o processo fosse muito colaborativo e participativo”
Em Santa Catarina, o destaque da atualização da proposta curricular da rede de ensino foi o processo público de consulta, que contou com mais de 8 mil colaborações por meio de uma plataforma digital (http://www.propostacurricular.sed.sc.gov.br/) e de encontros presenciais. Foram envolvidos professores de escolas municipais, estaduais e privadas e de universidades, além de representantes da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e do governo do estado.
De acordo com as informações do documento Lições aprendidas, cerca de 200 professores de Santa Catarina, de todas as redes, níveis de ensino e áreas de especialidade, foram selecionados por meio de edital para participar de forma permanente das discussões para a atualização do currículo da educação básica. “Os resultados dessas interações eram sistematizados por consultores e disponibilizados ao público em geral por meio da plataforma, que foi central para que o processo fosse muito colaborativo e participativo”, descreve o documento.
A plataforma passa atualmente por um processo de reformulação para possibilitar o cadastro de interessados em acessar os materiais desenvolvidos, especialmente as escolas que ainda precisam reorganizar o projeto político-pedagógico. Também serão disponibilizadas ferramentas de formação continuada.
Em Lagoa Santa, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a implementação de uma base curricular já surtiu resultados concretos: um salto nos resultados do ensino básico. O esforço é encabeçado pela educadora Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos principais nomes na área de alfabetização e letramento do país.
Convidada em 2007 pela então secretária municipal de educação para ajudar na solução dos problemas da alfabetização na rede, Magda propôs mudanças que começaram com a definição de uma base curricular. “O alicerce do projeto de alfabetização e letramento na rede municipal de Lagoa Santa foi a definição clara de metas a atingir em cada ano da escolarização, da educação infantil ao 5º ano. Essa base não foi imposta por uma instância externa à rede, e sim construída com a colaboração dos professores, por meio de discussões em um grupo central”, explica a educadora em entrevista ao Porvir.
Um Núcleo de Alfabetização e Letramento foi constituído por uma professora de cada escola, escolhida por suas colegas. Por meio dessas representantes, a base foi discutida nas escolas. “As metas foram definidas para todos os componentes do processo de alfabetização e letramento: consciência fonológica, conhecimento das letras, leitura e compreensão de textos, produção de textos, vocabulário”, afirma.
“A autonomia está no como ensinar. A base é constituída de metas a alcançar, mas o caminho para alcançá-las são os professores que definem”
Segundo Magda, em nenhum momento, no processo de construção da base curricular, os professores levantaram a hipótese de que sua autonomia no ensino seria diminuída. Pelo contrário, as metas foram, desde o início, consideradas como um enorme benefício para o trabalho dos docentes, que passaram a saber o que os alunos precisam aprender e, assim, a saber o que ensinar.
“A autonomia está no como ensinar. A base é constituída de metas a alcançar, mas o caminho para alcançá-las são os professores que definem. Naturalmente, para isso há um processo permanente de desenvolvimento profissional dos professores, com discussões constantes dos fundamentos cognitivos e linguísticos da aprendizagem da leitura e da escrita e das possibilidades de traduzir esses fundamentos em práticas pedagógicas”, garante a educadora.
Profissional respeitada pela comunidade educacional brasileira, Magda frisa que é fundamental a definição para o país de uma base comum, que propicie igualdade e qualidade de ensino e aprendizagem na educação básica em todo o país. “No Brasil, embora haja prazo determinado no Plano Nacional de Educação para que seja aprovada uma base nacional comum, apenas se começa a discutir esta questão. O próprio conceito de base comum ainda não está claro para todos, como também ainda se está procurando definir o desenho, a construção e a implementação dessa base.”
Para a educadora, parece ser mais viável ao Brasil uma estratégia de desenvolvimento e de implementação da base curricular nacional como a da Austrália. “Ou seja, uma construção por etapas, com consultas aos professores ao longo de todo o processo, e implementação também por etapas, com acompanhamento da propriedade e adequação da base”, finaliza.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Escola + família = aluno nota 10

Escrito por Fábio Torres

Segundo o filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), “a educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui”. Logo, há muito tempo já se entendia o papel importante que a família desempenha no desenvolvimento da criança. Os pais e familiares, bem como a escola, espaço em que as crianças passam os primeiros 15 ou 20 anos de sua vida, são figuras centrais no processo de crescimento do ser humano. Portanto, é preciso que tanto a família como a instituição escolar trabalhem com coerência e foco no desenvolvimento dos educandos.
Para Thelma Polon, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e professora colaboradora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a escola precisa ir além das tradicionais reuniões de pais e mestres. Ela credita que eventuais dúvidas sobre como deve ser o relacionamento entre as famílias e a escola podem ser solucionadas com base na legislação brasileira. A educadora palestrou sobre o tema no evento Conexão @ouropreto: III Feira Cultural do Livro de Ouro Preto, em novembro de 2013, e, na oportunidade, conversou com a revista Profissão Mestre. Na entrevista a seguir, Thelma fornece orientações sobre como gestores e professores podem conduzir e, principalmente, melhorar os canais de comunicação e relacionamento entre a instituição educacional, os pais, os familiares e os responsáveis pelos alunos.
Profissão Mestre: A responsabilidade pela educação da criança deve ser compartilhada entre família e escola?
Thelma Polon: Sem dúvida alguma. Eu não vejo de outra forma. O fenômeno da educação é bastante complexo. Nem uma instituição, nem outra isoladamente dão conta disso. O desafio é como você deve estabelecer essa parceria. O tema da minha palestra [no evento Conexão @ouropreto] fala de territórios da educação. Territórios, por definição, são espaços de poder, então a questão é como democratizar essa relação e, assim, conseguir uma ação mais efetiva dessas duas instituições em conjunto.
Profissão Mestre: Como deve acontecer essa aproximação entre família e escola?
Thelma: A rigor, eu diria que é cumprindo a lei. Desde os anos de 1990, as reformas educativas, em especial a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), já propunham um processo de redemocratização dessa relação e a instituição de conselhos de escola. Eu acho que [essa relação] tem muito a ver com a forma como o gestor educacional lida com isso, buscando a efetividade desse processo, fazendo com que esses conselhos funcionem de fato, que temas importantes sejam tratados e soluções sejam buscadas em conjunto, que não se crie preconceito de ambas as partes: da família em relação à escola, da escola em relação à família. Eu acho que é cumprir a lei com rigor, efetividade, seriedade e consciência de que isso é um direito dos alunos. Eles irão se beneficiar desse encontro.
Profissão Mestre: Quais são os resultados obtidos quando acontece essa aproximação entre familiares e escola?
Thelma: Em educação, há uma linha de pesquisa que se dedica a estudar as escolas eficazes, as escolas que dão certo, as escolas em que os alunos conseguem bons resultados e, mais do que isso, escolas muitas vezes de camadas populares, sem muitos recursos, em que os alunos tenham resultados que vão muito além das suas expectativas em relação à sua origem social. A gente não pode afirmar uma relação de causa e efeito: “porque a escola é assim, logo o resultado é assado”. Mas a gente pode constatar que, nessas escolas em que os resultados são melhores, essa aproximação com a família é mais bem-sucedida. É um dos aspectos. Claro que, pedagogicamente falando, há vários fatores que contribuem para essas escolas darem muito certo, mas, com certeza, a proximidade e a parceria efetiva com a família são algumas das características-chave presentes nessas escolas eficazes.
Profissão Mestre: Como deve ser feito o acompanhamento da criança pela família?
Thelma: Por meio do diálogo permanente com a escola. Percebeu algo diferente em casa? Busque a escola, busque ajuda. A escola percebeu algo na criança? Chame a família para dialogar e ver o que está acontecendo. O mais importante é que haja uma convergência de intenções e práticas em relação à educação das crianças. Se você tem uma cisão entre como a escola atua e o que a família acredita, essa incoerência não contribui para a formação. É matemático: mais 1 da escola com menos 1 da família, ou o contrário, vai anular, vai dar zero. Eu acho que tem que ser de meio em meio, sempre os dois juntos.
Profissão Mestre: Quais atividades servem para aproximar família e escola? Além da tradicional reunião de pais e mestres, o que essas duas instituições podem fazer?
Thelma: A gente tem percebido que algumas escolas conseguem envolver os pais desde o processo eleitoral [da escolha do diretor], pois muitas escolas elegem sua equipe de gestão. Além disso, os conselhos de pais, não só as reuniões de pais e mestres, têm um poder muito grande hoje em dia, pois eles podem decidir sobre os investimentos da escola. Há muito tempo já se tem políticas públicas que tentam descentralizar essa questão de investimento dos recursos. Então sugiro envolver a comunidade nessa discussão sobre o que é prioridade [na escola], como investir bem esse dinheiro que está chegando direto na escola, quais são as estratégias mais recorrentes – como a escola que se abre para a família, promove eventos, faz palestras, orienta os pais, busca alternativas para lidar com as dificuldades dos filhos. Até hoje, eu não vi uma escola que não tenha interesse em ajudar uma criança ou um adolescente que tivesse mais dificuldade a qual não tivesse conseguido maior adesão das famílias. Quando a escola mostra interesse efetivo, a família também responde, porque ela quer que seu filho seja bem-sucedido, não somente na escola, como também na vida.
Profissão Mestre: Como a escola deve agir em casos de omissão da família, ou seja, quando os familiares não ajudam ou não querem ajudar a criança?
Thelma: A lei também prevê isso [ações para essa situação]. No caso, por exemplo, de uma criança que comece a faltar muito à escola e a família também não responda aos apelos da escola, precisa haver uma comunicação ao Conselho Tutelar. Casos como esse são bem objetivos, mas a gente conhece experiências no Brasil inteiro em que os diretores, os gestores e sua equipe foram dando soluções. Há caso em que vão visitar pessoalmente essa família para entender as circunstâncias, porque não é uma coisa genérica de “a família não participa”. Em que circunstâncias a família não participa? Eu conheço casos de equipes de gestão que, quando se propuseram a ir até essas famílias e esses alunos, entenderam perfeitamente as razões para esse distanciamento. Pode ser um caso de doença, de desemprego ou alguma de todas essas mazelas sociais que cercam a realidade social dessas pessoas menos favorecidas. É preciso ampliar a sensibilidade, a compreensão, a disponibilidade, o que resolve, mas eu penso que em situações no limite é preciso acionar os órgãos públicos.
Profissão Mestre: Como incentivar a família a usar as tecnologias, de modo efetivo, na educação das crianças?
Thelma: É preciso ampliar o debate sobre as novas tecnologias, assim como sobre qualquer recurso. As famílias talvez precisem ter um pouco mais de orientação. Os alunos também precisam ter mais orientação para não permitirem que as crianças se coloquem em risco nas redes sociais, exponham-se excessivamente, anulem a sua vida por causa de um computador. Eu acho que todos os benefícios da tecnologia devem ser usados a favor do processo de formação dos alunos e de seus familiares, buscando ajudar a ampliar a compreensão dos riscos e dos limites disso.

Entrevista publicada na edição de novembro de 2014. Confira a entrevista na íntegra na versão impressa.

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/entrevistas/1031-escola-familia-aluno-nota-10

Alunos de escolas municipais tomam posse como deputados mirins


Secom Cuiabá


Foto: Jorge Pinho
Os quatro alunos de escolas municipais que foram selecionados para a 6ª Legislatura do Projeto Parlamento Mirim tomaram posse na noite de segunda-feira (03) em uma sessão especial realizada no Plenário Renê Barbour, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Os alunos Eduardo Gonçalves, 13 anos, Camila Horrana Gomes, 15 anos, Bruna Valéria, 12 anos, e Kaique Pereira, 12 anos, representam as escolas Dejani Ribeiro, Ranulpho Paes de Barros, José Luiz de Borges Garcia e Lenine de Campos, respectivamente. Eles compõem a 6ª Legislatura com outros 20 parlamentares mirins.
A aluna Camila Horrana foi eleita a presidente da Mesa Diretora. Ela concorreu ao pleito pela chapa 2, juntamente com mais dois colegas, que receberam 13 dos 24 votos. 
“Minha intenção é entrar para a vida política futuramente, quem sabe como uma deputada estadual. Conhecimento sobre o papel do poder legislativo eu já estou adquirindo”, disse a aluna, acrescentando que pretende fazer faculdade de Direito para conhecer melhor as leis que regem o país.
Assim como Camila, os demais alunos também acreditam que essa experiência vai ajudá-los no futuro. “Estamos adquirindo muito aprendizado com essa experiência, uma delas é que os deputados têm muitas responsabilidades e uma delas é trabalhar em prol da população”, disse Eduardo Gonçalves. 
“É uma oportunidade que tenho para ajudar a minha comunidade, principalmente os idosos”, explicou Kaique, cujo projeto apresentado é direcionado para a implantação de laboratório para manipulação de medicamentos de uso contínuo. 
Mesmo não pretendendo seguir carreira política, a aluna Bruna Valéria quer aproveitar esse momento para trabalhar em prol da sua comunidade. “Quero trazer a comunidade para dentro da escola, criando um espaço cultural para ser usado por ela, assim os alunos terão um local para ocupar o tempo ocioso”.   
Conforme destacou a secretária-adjunta de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, o projeto Parlamento Mirim auxilia na formação dos alunos, promovendo o exercício da cidadania e a construção do conhecimento acerca do processo eleitoral. “Ao conviverem com projetos como esse, os alunos têm a oportunidade de não só conhecerem o espaço onde atuam os deputados, mas, principalmente, o processo democrático no poder legislativo”, disse.
“Estamos preparando esses jovens para, quem sabe, algum dia serem um parlamentar. Para mim é uma honra ter aqui tantos jovens interessados e participando desse momento”, disse o deputado João Malheiros.

http://www.cuiaba.mt.gov.br/educacao/alunos-de-escolas-municipais-tomam-posse-como-deputados-mirins/9827

Aprovada proposta que reforça educação regular inclusiva

Elina Rodrigues Pozzebom
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou, nesta terça-feira (4), projeto que altera o conceito da educação especial no Brasil e reforça o papel da educação regular inclusiva, na forma do substitutivo apresentado pela Câmara dos Deputados (PLS 180/2004).
Pelo texto, o ensino especial passa a ser mais restrito, com funções de apoio complementar ou suplementar aos serviços comuns oferecidos preferencialmente na rede regular de ensino para atender pessoas com deficiência ou transtornos globais de desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação.
O texto define o conceito de educação especial, que passa a ser uma modalidade de ensino escolar que realiza “atendimento educacional especializado” para apoiar os serviços educacionais comuns. A ideia é promover a educação inclusiva, ou seja, a escola regular terá que se preparar para receber todo e qualquer tipo de aluno.
O substitutivo da Câmara retira três parágrafos do artigo 58 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que preveem: oferta eventual de serviços especializados nas escolas da rede regular; atendimento em classes, escolas ou serviços especiais, em situações específicas; e o dever do Estado de ofertar educação especial de zero a seis anos, durante a educação infantil.
O texto original, da ex-senadora Ideli Salvatti buscava somente assegurar ambiente escolar propício à inclusão educacional e social de estudantes com deficiência auditiva, obrigando as escolas a ofertar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em todas as etapas e modalidades da educação básica.
A partir das modificações aprovadas na Câmara e referendadas pela CE, o projeto agora obriga os sistemas de ensino a garantir, como parte do currículo de todas as etapas e modalidades da educação básica, não só o ensino de Libras, mas também de outros métodos de comunicação para estudantes com deficiência ou transtornos globais de desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação, como o sistema braile (para cegos) e o tadoma (para pessoas que são simultaneamente surdas e cegas).
Esses alunos também terão direito a adequação de currículos, métodos e recursos às suas necessidades; professores especializados; e educação especial para o trabalho.  Além disso, deverá ser respeitado o atendimento de necessidades educacionais específicas dos alunos nas diretrizes para cursos superiores em geral; inserção de eixos temáticos e conhecimentos favoráveis à educação inclusiva nos currículos dos cursos de formação de professores; e a oferta, pelo poder público, aos familiares e à comunidade da pessoa com deficiência auditiva de condições para o aprendizado de Libras.
O relator ad hoc na Comissão de Educação foi o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). A matéria segue agora para o Plenário e, caso seja aprovada, vai à sanção presidencial.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/11/04/aprovada-proposta-que-reforca-educacao-regular-inclusiva

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Estudante de Barra do Garças representará Mato Grosso em etapa nacional da OLP


Aulas diferenciadas e que conseguem prender a atenção dos alunos é um dos ingredientes que faz com que  a disciplina de Língua Portuguesa seja mais atrativa, segundo a estudante do 6º ano, Eduarda Oliveira Polo, 12 anos. Esse fato foi responsável por inspirar a aluna a se inscrever na Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP). Com o poema “Olhar de menina, clic”, Eduarda passa agora a representar o Estado na etapa nacional da OLP.
No poema, a moradora de Barra do Garças, retrata as belezas da cidade sobre seu olhar de menina. “O poema mostra a minha cidade de um modo diferente e estou muito orgulhosa de representar o Estado e falar um pouco sobre as nossas belezas” diz.
A aluna teve o trabalho submetido a duas análises. No mês de setembro pela Etapa Estadual do Programa ela e a professora foram medalha de bronze na categoria. Na Etapa Regional da OLP Eduarda e a professora foram medalha de prata. A Cerimônia de Premiação ocorreu no dia 30 de outubro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Agora a estudante aguarda pela etapa nacional que será em dezembro onde será conhecido no Brasil, os cincos alunos vencedores, categoria poema, na 4ª Edição do Programa Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.
Vale ressaltar que a professora que acompanhou o trabalho de Eduarda, Rose-Meire Dias Santos, foi vencedora na categoria Relato de Prática, umas das sete vencedoras na noite de Cerimônia de Premiação (30/10). A referida professora também concorrerá na Categoria "Memórias Literárias", etapa que iniciou no dia 03 de novembro.
A Olimpíada que está na 4ª edição tem caráter bienal. Trata-se de um concurso de produção de textos que premia as melhores produções de alunos de escolas públicas de todo o país.


Assessoria/Seduc-MT
http://novosite.seduc.mt.gov.br/conteudo.php?sid=20&cid=14714&parent=20

Britânica ganha o "Nobel" da educação por defender ensino para meninas

Marcelle Souza
Do UOL*, em Doha
Para Ann Cotton (foto), a educação é uma forma de tirar meninas do ciclo de pobreza Reprodução/Camfed
A educadora Ann Cotton recebeu na manhã desta terça-feira (4), em Doha (Qatar), o prêmio Wize Prize for Education 2014, conhecido como o "Nobel" da Educação, oferecido pela Fundação Qatar. Cotton fundou e preside há mais de 20 anos aCamfed Internactional (Campaing for Female Education), organização que atua na promoção da educação de meninas em países da África.
Durante a cerimônia, Cotton destacou a importância da educação como forma de tirar meninas do ciclo de pobreza. "Eu recebo este prêmio em nome das meninas atendidas pela Camfed, que está empenhada em apoiar, através da educação secundária, meninas que ainda não  sabem a transformação incrível que as espera", disse.
A educadora ainda lembrou da primeira viagem que fez ao Zimbábue em 1991, quando uma adolescente de 13 anos comparou o acesso à escola a um salto que a faria tocar o teto. "Apenas imagine essas meninas trabalhando em sistemas de edução e saúde, em jornalismo, política, direito, engenharia, ciência -- apenas imagine o poder que elas têm de transformar o mundo", afirmou.
A organização foi fundada em 1993 e atua hoje em 115 distritos rurais do Zimbábue, Malawi, Zâmbia, Gana e Tanzânia.
O prêmio foi entregue pela sheika Moza bint Nasser, presidente da Fundação Qatar, nesta terça. "Ela [Ann Cotton] é uma mulher que reconhece, assim como nós acreditamos, a educação como solução para todos os problemas".
O prêmio, concedido anualmente pela Fundação Qatar, corresponde a uma medalha e 500 mil dólares. Em 2013, Vicky Colbert foi a ganhadora do Wize Prize pela atuação no projeto Escuela Nueva, na Colômbia.
*A jornalista viajou a convite da Fundação Qatar, que organiza o prêmio Wize Prize for Education
http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/11/04/britanica-ganha-o-nobel-da-educacao-por-defender-ensino-para-meninas.htm

Três medidas para combater a evasão escolar

É possível que o problema das faltas dos alunos esteja associado à falta de professores ou à falta de cuidados na escola

João Batista Araujo e Oliveira
Sala de aula vazia em escola no interior do Acre
Sala de aula vazia em escola no interior do Acre (Odair Leal/Folhapress/Folhapress)

Ensino de qualidade

Este artigo faz parte de uma série publicada quinzenalmente em VEJA.com sobre os desafios do ensino fundamental no Brasil — e as estratégias para superá-los.
Os textos são de autoria do Instituto Alfa Beto, que promove oPrêmio Prefeito Nota 10, iniciativa que vai identificar e recompensar o município brasileiro que mantém a melhor rede de ensino. A premiação será realizada no segundo semestre.
Este é o segundo de uma série de dez artigos a respeito de medidas eficazes que o prefeito pode implementar a curto prazo, com poucos recursos, como estratégia para iniciar um processo de mudança. Nenhuma dessas medidas, isoladamente ou mesmo em conjunto, assegura a formação de uma rede de ensino de alta qualidade. Mas todas elas constituem ações relevantes em si mesmo e que, se bem implementadas, podem servir de campo de aprendizagem e de capital político para implementar reformas mais profundas.
Não faltam problemas para o prefeito resolver: construir e reformar escolas, cobrir furos no orçamento, encaminhar legislação para isso ou aquilo, acertar o reajuste salarial dos professores, comprar uniforme, organizar o transporte escolar etc. Poucos desses assuntos ajudam a melhorar a educação. Neste artigo, apresentamos uma sugestão de estratégia para o prefeito se aproximar dos verdadeiros problemas da educação e, a partir de um exemplo, começar um processo de mudança.
O procedimento geral a ser seguido é conhecido: diagnóstico, análise das causas, busca de soluções, estratégia de implementação, implementação, acompanhamento, controle e avaliação.
A escolha do problema deve ser cuidadosa e estratégica. Por exemplo, é possível que grande parte da ausência dos alunos esteja associada à ausência de professores ou à falta de cuidados na escola. É mais estratégico e menos conflitivo tratar do problema com foco no aluno do que com foco nos professores ou no diretor. No fim, vai sobrar para eles, mas de forma indireta. Dessa forma, a escolha estratégica do problema ajuda a viabilizar a solução reduzindo possíveis focos de resistência e conflito.
O critério para sucesso também deve ser fixo: o benefício do aluno. Esse deve sempre ser o alvo e deve ser quantificado e demonstrado.
Voltemos ao problema de ausência dos alunos. A análise dos dados mostra que isso é específico de um dia da semana – e o problema pode estar ligado a uma feira ou atividade produtiva local. Ou o problema é específico de uma estação do ano – em que há turismo ou chuvas. Ou o problema é maior num turno do que em outro. Ou numa escola mais do que em outra. Ou, ainda, com um professor, mais do que outro. Só um diagnóstico bem feito permite traçar estratégias de solução. Conversas sobre causas gerais normalmente levam à busca de bodes expiatórios, e não à identificação de causas e soluções.
Nesse caso específico, há três elementos sempre presentes:
1. A norma sobre ausência deve ser tolerância zero. Estudar é dever do aluno, portanto a frequência é obrigatória. Meta para frequência escolar é de 100%, igual à frequência dos pais e dos professores ao trabalho. Estudar é o trabalho da criança, a única forma de trabalho infantil permitida por lei. Mas é trabalho
2. As soluções quase sempre já foram encontradas por algum professor ou diretor. Por isso, os diretores e professores com menos alunos ausentes ou que combateram o problema devem ser consultados e ouvidos. Se não há solução conhecida na cidade, haverá na cidade vizinha
3. A solução só será duradoura se houver efetivo acompanhamento e cobrança de resultados. Uma reunião mensal para analisar e comparar os dados das escolas e trocar informações e experiências pode ser suficiente, desde que haja uma associação objetiva entre medidas tomadas e mudança na taxa de ausência. Há ideias maravilhosas que simplesmente não funcionam. Em alguns casos, incentivos e punições para alunos, pais e escolas podem ser adequados ou mesmo necessários
Num caso como este, e quando o setor da educação não conseguir vislumbrar o problema, sua gravidade ou soluções, o importante é que o setor de educação aprenda com o prefeito a seguir procedimentos de gestão eficiente, estabelecer metas viáveis e acionar meios para corrigir os rumos, até atingir as metas. Esta é uma experiência que falta à maioria das secretarias de educação. A exemplo do governo federal, metas são estabelecidas sem qualquer critério, não há instrumentos para acompanhar e, sobretudo, não há meios para promover os ajustes que levam aos resultados.
João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa Beto

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/tres-medidas-para-combater-a-evasao-escolar

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...