segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No Chile, Escola Espiral valoriza contato com a natureza

Nascida do desejo de se ter um local de aprendizagem mais interessante, significativo e até divertido para as crianças, a Escola A Espiral - localizada na cidade de La Serena, no Chile – foi idealizada por um casal de pais educadores. Diante de um contexto educacional em crise, a instituição chilena propõe a “construção de um novo paradigma educativo, onde se prime pelo respeito à individualidade e coletividade do ser humano”.
Afastada do centro de La Serena, a escola valoriza o contato com a natureza  e entende o indivíduo como parte de um contexto natural, que deve ser preservado. Compreendida como eixo central da formação dos seres humanos, a educação é vista como uma ferramenta para o desenvolvimento de relações sociais que se baseiam no respeito aos direitos humanos e para a construção de uma sociedade que ofereça mais possibilidades de desenvolvimento integral dos indivíduos.
Crianças em atividade.
Crianças em atividade.  Divulgação
Ciclos contínuos
Desde 2012, a iniciativa funciona como uma escola regular, com cerca de 30 crianças entre quatro e 14 anos de idade. Atualmente, a unidade atende a crianças e adolescentes que são divididos em quatro ciclos, de acordo com o grau de maturidade e autonomia.
Inspirada pelas ideias de Paulo Freire e pelas pedagogias Waldorf e Montessori, a Escola Espiral – como o nome sugere – se apoia na metodologia de aprendizagem em ciclos contínuos, indicando que o aprendizado ocorre progressivamente, e vai se aprofundando – rumo ao centro da espiral.
O método se vale de cinco habilidades: ver, imaginar, pensar, compreender e criar – que são a base do processo de aprendizagem e da construção de conhecimento. Paralelamente, o método busca estimular as dimensões artística, motriz, social, científica e filosófica.
Alunos brincam enquanto aprendem.
Alunos brincam enquanto aprendem.      Divulgação
Na prática pedagógica, o estudante é convidado a perceber seu entorno, começar a estabelecer conexões, elaborar pensamentos, compreendendo os fenômenos e criando novas ideias. Uma aula sobre fotossíntese, por exemplo, começaria no jardim, com as crianças observando as plantas e percebendo as diferenças entre elas. De volta à sala de aula, os alunos representariam aquilo que foi percebido por meio de diálogos, trabalhos escritos ou desenhos. A partir disto, se faria a conceituação da fotossíntese e a conclusão se daria com um trabalho criativo, com o estudante se apropriando do que foi aprendido e modificando o conteúdo original, como explica o Blog Memoriaccion.
Gestão
A organização escolar também se dá pela ideia da espiral, com a direção se situando no centro e envolvendo outros atores da comunidade e das famílias dos estudantes em uma perspectiva dialógica e de construção coletiva e democrática.
EscolaAEspiralAinda sem reconhecimento do Ministério da Educação chileno, as crianças que passam pela escola devem realizar exames para obter a certificação oficial. Os professores d’A Espiral apoiam os alunos nos trâmites burocráticos e na preparação para a prova.

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/10/17/no-chile-escola-espiral-valoriza-contato-com-a-natureza/

Pesquisa mostra como serão as escolas em 2030


Nas escolas do futuro, muitas coisas vão ser diferentes: a tecnologia vai estar mais presente, o ensino vai ser personalizado, abordagens híbridas de aprendizado vão ser mais exploradas, o foco vai sair do conteúdo curricular e as habilidades socioemocionais vão ocupar lugar fundamental na formação dos estudantes. É o que mostra a pesquisa lançada esta semana pelo Word Summit for Education (Wise), da Fundação Catar, chamada de School in 2030 (Escolas em 2030, em livre tradução).
No total, foram ouvidos para o levantamento 645 especialistas, de todo o mundo, e 75% deles afirmaram que o conhecimento acadêmico não vai mais ser o mais valorizado na formação dos estudantes, mas sim, as competências pessoais, como a habilidade de interagir com os outros, de se comunicar, de tomar decisões e de gerir o tempo de forma eficaz.
A preocupação em preparar os estudantes para a vida, e não apenas para responderem testes, é uma discussão que está ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Em março deste ano, o Instituto Ayrton Senna publicou uma pesquisa realizada com 25 mil alunos, que mostrou que ao desenvolver as competências socioemocionais, o desempenho dos estudantes melhora nos conteúdos cognitivos. Por exemplo, um jovem mais resiliente e persistente tende a ir melhor em exatas, por não desistir logo no primeiro erro e ter o ímpeto de continuar tentando até acertar.
Para atender a essa tendência, em julho, a Capes lançou o Programa de Apoio à Formação de Profissionais no Campo das Competências Socioemocionais, que fomentará a produção acadêmica sobre habilidades não cognitivas e a formação de professores nessa área.
A ênfase nessas habilidades também ressoa no expectativa dos especialistas em relação às reformulações dos modelos de ensino. 83% deles acreditam que o currículo, em 2030, vai ser personalizado, respeitando os interesses e atendendo às necessidades individuais de cada estudante, tornando o aprendizado um processo mais colaborativo.
Instituições de ensino de diversos países já estão adotando modelos de ensino personalizado. Um exemplo de rede de escolas que tem um modelo voltado às necessidades de cada aluno é a High Tech High, localizada na Califórnia, nos Estados Unidos. Como o Porvir mostrou no especial sobre personalização, as 11 escolas da rede possuem quatro pilares pedagógicos: personalização, conexão com o mundo real, interesse comum em aprender e professor como designer do aprendizado.
Assim, o professor passa a assumir um papel de mentor, ajudando os alunos a descobrirem seus interesses, talentos e assim buscar autonomamente um aprendizado adequado às suas necessidades. De acordo com a pesquisa do Wise, 73% dos entrevistados disseram acreditar que o professor terá como função orientar os alunos ao longo de suas trajetórias de aprendizagem autônoma.
Essa nova postura do docente também apareceu no relatório do NMC (New Media Consortium), de junho deste ano, que apontou as seis principais tendências para a educação básica. A justificativa é que com o crescente acesso à internet por parte dos alunos, o professor deixa de ser a primeira fonte de conhecimento e se torna ainda mais imprescindível no papel de orientação e mediação. O educador passa a ter que ensinar os estudantes a aprender ao longo da vida, a relacionar conteúdos pedagógicos com o mundo real e os instiga a aprofundar suas pesquisas para além da internet.
Os 645 especialistas ouvidos para a pesquisa School in 2030, responderam a um questionário on-line, durante o mês de junho. Deles, 38% são do da área de educação, 32% de organizações sem fins lucrativos, 17% do setor público e 13% do setor privado.

Fonte: Portal Porvir. Imagem: Fotolia.com/Porvir
Veja Mais: Educação do futuro será personalizada


http://www.profissaomestre.com.br/index.php/noticias-pr/1008-pesquisa-mostra-como-serao-as-escolas-em-2030

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Undime entrega carta aos candidatos à presidência

A Undime entregou aos candidatos à Presidência da República carta defendendo a educação como direito e como de relevante importância para o desenvolvimento do país. A carta foi elaborada na reunião do Conselho Nacional de Representantes da Undime, realizada de 8 a 10 de outubro, em Brasília (DF), e protocolada na última quinta-feira (16) nos comitês centrais de campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff e do candidato do PSDB, Aécio Neves.
No documento, a Undime manifesta aos candidatos à presidência algumas considerações sobre as políticas educacionais e, ao mesmo tempo, indica a expectativa para que estes temas sejam contemplados nos próximos quatro anos de governo. Entre as prioridades, estão: a necessidade de se instituir o Sistema Nacional de Educação; regulamentar o Regime de Colaboração; definir as responsabilidades entre os entes, conforme o pacto federativo; fortalecer a educação infantil como a primeira etapa da educação básica, ampliando o acesso para todas as faixas etárias compreendidas; valorizar os profissionais da educação com carreira e formação; e aumentar o montante de recursos financeiros destinados ao financiamento da educação pública, com a implementação do Custo-Aluno Qualidade Inicial (CAQi), a fim de se cumprir as metas e as estratégias estabelecidas no Plano Nacional de Educação.
O conteúdo da carta faz referência, também, às conquistas da educação pública na última década, entre elas, a Lei do Fundeb; a Emenda Constitucional 59/ 2009 – que ampliou a obrigatoriedade do ensino para a faixa dos 4 aos 17 anos de idade e pôs fim à Desvinculação das Receitas da União (DRU), devolvendo anualmente à educação pública brasileira aproximadamente R$ 9 bi; a aprovação da Lei 11.738/ 2008 que instituiu o Piso Salarial Nacional para o Magistério e deu outras providências para iniciar o processo de valorização do magistério; a Lei dos Royalties; a Lei 13.005/ 2014 que institui o Plano Nacional de Educação, entre tantas outras conquistas.
A pauta da educação é extensa, porém, alguns dos principais assuntos (como citado acima) foram levantados como prioritários pela diretoria executiva e pelo Conselho Nacional de Representantes da Undime. A ideia foi apresentar, por meio do texto entregue aos candidatos, as contribuições da Undime ao debate sobre a conjuntura educacional.
Leia na íntegra a carta entregue aos candidatos à presidência. Clique aqui.
Autor: Undime

http://undime.org.br/undime-entrega-carta-aos-candidatos-a-presidencia/

Diretor de escola poderá ter aposentadoria especial de professor

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7813/14, do deputado Onofre Santo Agostini (PSD-SC), que assegura aos especialistas em educação com atividade exclusiva na educação básica (da creche ao ensino médio), como diretor e orientador pedagógico, aposentadoria com 30 anos de contribuição para homens e 25 para mulheres. Para isso, esses profissionais precisarão ter formação em docência, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – 9.394/96).

Atualmente, a Constituição garante essa aposentadoria especial a professores. A Lei11.301/06 tentou ampliar o alcance do benefício a outros profissionais do magistério, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2009 fez prevalecer a regra apenas para docentes.

Arquivo/ Beto Oliveira
Onofre Santo Agostini
Para Onofre Santo Agostini, decisão do STF gera situações absurdas.
A interpretação atual, na opinião do parlamentar, gera situações absurdas. “Um professor em desvio de função, fazendo atividades de supervisor, pode aposentar-se com a regra especial, enquanto um servidor investido no cargo não”, diz.

De acordo com Santo Agostini, a diferenciação de tratamentos para funcionários que desenvolvem o mesmo trabalho fere o princípio constitucional da igualdade.
O deputado lembra que o próprio STF, ao decidir sobre o alcance da 11.301, ressaltou que a função de magistério não está restrita ao trabalho em sala de aula.
Tramitação
A proposta é uma das oito apensadas ao Projeto de Lei 1287/11, da deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), que estabelece diretrizes para a valorização dos profissionais da educação escolar básica pública.
Os textos serão analisados em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:




http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/476056-DIRETOR-DE-ESCOLA-PODERA-TER-APOSENTADORIA-ESPECIAL-DE-PROFESSOR.html

“Empolgação dos alunos autores me motivou a seguir”

No Diário de Inovações, professora que incentivou alunos a criarem jogos conta dilemas e satisfações de trabalhar de forma inovadora
Por Gislaine Munhoz
Enquanto aluna, tive muitas dificuldades com o modelo de ensino decorativo e tradicional e percebia que meu aprendizado era muito mais efetivo em momentos nos quais podia opinar, participar, ser protagonista juntamente com meus colegas. Sendo assim, ao me tornar professora, fui, paulatinamente, adotando uma postura mais aberta e na qual os alunos pudessem ser ativos no processo de aprendizagem. Quando assumi o laboratório de informática na escola em que trabalho, percebi ali um espaço privilegiado para dar voz a meus alunos e também aos meus colegas professores, procurando sempre me pautar por um trabalho colaborativo e coletivo com meus pares para sanar dificuldades e lacunas de aprendizagem dos alunos.
Ao utilizar jogos digitais e games, percebi que este recurso impactava na motivação e aprendizado de forma muito mais eficaz do que em outros contextos. Sendo assim, e levando em conta demandas e necessidades, decidi conversar com os alunos monitores do laboratório para que juntos pudéssemos criar jogos para as aulas de alfabetização, e a ideia foi muito bem aceita por eles.
Divulgação
Em princípio, foram criados jogos simples, muito semelhantes a atividades educativas. No entanto, logo percebi que eles poderiam avançar muito mais e apresentei duas ferramentas: o software de apresentação Power Point e a linguagem de programação Scratch. Me deparei neste momento com um outro universo, no qual fui convidada a emergir de maneira muito satisfatória e alegre. Para construir os jogos, os alunos começaram a me apresentar as séries e desenhos a que assistem, os games que gostam de jogar, me contando seus enredos e histórias. Percebi o quão rico era esse material que os alunos estavam apresentando e o potencial que existia nele, o que me fez pensar o quanto a escola ignora esse universo e quão rico seria se ele fosse inserido em nossas práticas.
Por me deparar com um contexto rico, porém novo, me vi muitas vezes insegura e perguntando “será que estou fazendo a coisa certa?”, “será este o caminho?”, “como meus colegas encarariam os alunos como autores de conteúdo?”. Eram questões que me instigavam, mas muitas vezes me afligiam. Mas enfim, a empolgação dos alunos autores de jogos, o impacto nos outros alunos que usavam os jogos e o retorno positivo de meus colegas me motivavam a seguir em frente, pesquisar e buscar soluções para dar cada vez mais suporte e aportes para os alunos envolvidos no projeto. Mais tarde, me dei conta de que trabalhar de forma inovadora traz em si essas angústias e dilemas.
DivulgaçãoDiário de inovações - Jogos do Riva

Quando descobrimos a linguagem de programação Scratch e percebemos as possibilidades de interação e colaboração que a plataforma nos proporciona, tivemos a oportunidade de repensar com os alunos novas formas de criar jogos, estruturas e propostas. A partir daquele momento, o projeto ganhou outra proporção. Foi uma grata surpresa quando uma de minhas alunas, a Karina, então com apenas 11 anos, juntamente com seu grupo, me perguntou por que não poderíamos disponibilizar o conteúdo que estávamos produzindo num site. Achei a ideia muito interessante, mas mais uma vez dúvidas e questionamentos sobre se o caminho estava certo me fizeram hesitar. No entanto, como as crianças e adolescentes são muito mais ousados, pragmáticos e destemidos que nós, logo todo o nosso conteúdo estava no ar. Assim, florescia uma semente plantada há algum tempo, o projeto Jogos do Riva: elaboração de jogos digitais por alunos de uma escola pública de São Paulo.
Em outubro de 2013, fui um dos quatro professores escolhidos no Prêmio Educadores da Microsoft para representar o Brasil em Barcelona, na Espanha, em 2014. O prêmio foi um divisor de águas na minha carreira e me fez repensar o quanto podemos ousar, quantas oportunidades podemos criar para nossos alunos e o quanto podemos e temos a fazer pela educação no país. Temos um potencial pessoal e também em nossas mãos no qual é preciso acreditar. Pois sim, pode parecer frase comum, mas fazemos a diferença, principalmente quando lecionar é uma satisfação. Este é meu caso!


* Diário de Inovações é uma seção com relatos de educadores que estão inovando dentro da sala de aula. Para compartilhar suas experiências com a gente, acesse aqui o formulário e conte sua história.

http://porvir.org/porpessoas/empolgacao-dos-alunos-autores-motivaram-seguir/20141014

10 passos para planejar a carreira de professor

Especialistas de recursos humanos apontam caminhos que podem fazer diferença na carreira do professor


Nesse dia do professor, é inevitável constatar que, diante do desprestígio social, a carreira do professor há tempos deixou de seduzir os jovens universitários. Sobram indicadores para apontar a queda livre. O que surpreende é o que está na contramão desse senso comum: a constatação de que existem professores bem-sucedidos, realizados profissionalmente e com salários bem acima da média do mercado. Afinal de contas, seria possível sonhar com o casamento entre realização profissional e prática do magistério?

Especialistas em recursos humanos apontam caminhos que, segundo eles, podem, sim, fazer a diferença na carreira. Um deles, segundo Marcelo Maghidman, da Tafkid Marketing Educacional e Cultural, é vincular precocemente teoria e prática. "Essa experiência é determinante na progressão da carreira", sinaliza. E lembra que o diploma inicial é condição necessária, mas está longe de dar respostas a todas as exigências da profissão. O que se espera – e que faz a diferença – é que o professor, como qualquer outro profissional de outros setores, invista em sua formação.

Gutemberg Leite, da Meta Consultoria em RH, alerta, no entanto, que é preciso ter cautela com o modismo da educação continuada. "Os variados cursos oferecidos nem sempre têm conexão com o aprimoramento do professor, levando-o à dispersão, pressionando-o a estudar temas que não irão contribuir como um fator positivo em sua prática em sala de aula", pontua.
Seja qual for a escolha, há demandas que, em tese, o professor precisa cumprir. Hoje, além da formação específica e pedagógica, qualquer professor deveria saber planejar e gerenciar sua carreira e seu tempo (no âmbito de suas práticas de classe e fora delas). E mais: saber falar inglês, conhecer as novas tecnologias, dominar o uso do computador, navegar e utilizar a internet e as redes sociais.

Veja abaixo 10 dicas de especialistas em recursos humanos para planejar a carreira.

1 - Identificar a vocação
A carreira bem planejada é aquela que está alinhada com o sonho pessoal e com aquilo que o profissional de ensino tem a oferecer.
2 - Fixar objetivos claros e metas de curto, médio e longo prazo
Para projetar o futuro, é sempre bom avaliar os passos já percorridos. Bons questionamentos sobre o que se quer valem mais do que respostas prontas. Qual a direção a seguir, qual a expectativa de desenvolvimento, o que é preciso fazer para alcançar os objetivos propostos? Um cronograma de ações ajuda a
dar concretude ao processo.
3 - Desenvolver a inteligência sociorrelacional
É a capacidade de estabelecer vínculos interpessoais e mantê-los positiva e progressivamente, em particular no ambiente educacional. Manter viva e bem cuidada sua rede de relacionamentos.
4 - Estar Atualizado
Isso vale para diversas frentes: conteúdos, métodos, linguagens, tendências setoriais. No caso da educação, significa também estar atualizado sobre o ambiente educacional, conhecer o que é valorizado e suas carências. Isso pode ajudar, por exemplo a escolher uma especialização em área onde haja mais oportunidades.
5 - Aprimorar competências e qualificações
Mais do que a maioria dos outros campos, o conhecimento renovado é um aspecto central para os educadores. E isso vale não só para aquilo que se adquire no âmbito formal.
6 - Ter sensibilidade, visão de conjunto e de contexto
Significa que além de tratar os fatores pessoais é preciso estar atento a questões externas capazes de interferir no desenvolvimento do seu projeto.
7 - Manter atitudes construtivas e positivas
Esse tipo de postura ajuda a lidar com as dificuldades de uma maneira lúcida e pragmática, fugindo do rame-rame de lamentação muito comum entre docentes.
8 - Qualidade de vida
Conferir como a atividade escolhida interfere em sua saúde e bem-estar.
9 - Planejamento financeiro
Fazer reserva financeira para empreender seu projeto
10 - Revisão anual de seu plano
Cotejar suas ambições com a realidade é essencial para fazer ajustes e aprimoramentos.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/0/10-passos-para-planejar-a-carreira-de-professor-327756-1.asp

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Os compromissos do educador

Leo Fraiman

Leo Fraiman






Renato Stockler/TBA/Folhapress
Os educadores da atualidade enfrentam diversos desafios em seu cotidiano, mas a missão é maior que todos eles. Para que ela seja alcançada com êxito, é necessário refletir sobre alguns compromissos.
Na semana passada, comecei a falar sobre os compromissos do educador e a importância da unidade na instituição escolar. O primeiro deles, como disse, é com o aluno. É fundamental comprometer-se a educá-lo genuinamente e acreditar, de fato, nessa missão. Para isso, precisamos compreender seu universo, sentir como ele, pensar como ele. Também é necessário respeitar seu ritmo, seus valores e suas crenças. Sem olhar e perceber quem é o aluno de hoje, quem é a família atual e quem somos nós, caímos no perigo do saudosismo, da melancolia ou da idealização. Nada disso nos ajuda a aperfeiçoar nossa prática docente, nem nos qualifica à excelência. A expressão "no meu tempo" não cabe ao educador da atualidade. Nosso tempo é o aqui, o agora.
O segundo compromisso é com a família, que forma uma unidade com o aluno. Atualmente, muitas famílias são menos numerosas, menos organizadas, menos hierarquizadas e mais dispersas, e a comunicação com elas é mais complexa e desafiadora. Por meio de uma boa aliança com as famílias, nosso trabalho se edifica, com mais qualidade, e se mantém no tempo.
Essa aliança se fortalece com uma orientação clara e objetiva, com a compreensão de suas dificuldades, de forma proativa e propositiva, e com o envolvimento contínuo dos pais ou responsáveis no processo educacional. O Convênio Andrés Bello, acordo internacional que reúne 12 países das Américas, realizou e divulgou o estudo A Eficácia Escolar Ibero-Americana em 2006 e nele foi estimado que o "efeito família" é responsável por 70% do sucesso escolar. Portanto, sem essa parceria ativa, o resultado de nossa ação docente sempre ficará aquém do necessário, como comprovam esse e outras centenas de estudos feitos no mundo todo.
O terceiro compromisso é com o resultado. Nosso trabalho tem metas e objetivos bem traçados. É essencial verificar constantemente nossas estratégias pedagógicas e educacionais para garantir que estamos na direção certa e se precisamos de novos recursos humanos, teóricos ou materiais para mantermos a excelência de nossos resultados, que devem ser objetivos, visíveis e mensurados. Devemos buscar incessantemente novas possibilidades, bem como praticar benchmark (pesquisa de melhores práticas em nova área de atuação) para nos inspirar. Isso quer dizer que o que importa não é "o meu jeito" que vale e sim o jeito que funciona, o que gera resultado mensurável.
De nada adianta encontrar mil desculpas como: "Os pais de hoje são distantes", "Os alunos não se motivam", "As crianças hoje em dia não respeitam mais ninguém". Todas estas falas, ainda que frequentemente encontradas, demonstram uma atitude derrotista, reativa, que não se sustenta de maneira científica. Vamos, então, nos apoderar de nossa missão como educadores e refletir: "estou trabalhando para honrar meus compromissos com meus alunos, suas famílias e com a instituição em que trabalho?".

LEO FRAIMAN

Leo Fraiman é psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, adotada atualmente por mais de 150 escolas em todo o Brasil, e também do livro "Como Ensinar Bem", pela Editora OPEE, além de outros títulos publicados nas áreas de Orientação Profissional, Familiar e de Educação. Site: leofraiman.com.br

http://educacao.uol.com.br/colunas/leo-fraiman/2014/10/16/os-compromissos-do-educador.htm

Professor ultrapassa a mãe como maior influenciador do hábito de ler do brasileiro


A terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil - considerada o maior e mais elaborado estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro - mostra uma mudança no papel de quem mais influencia no hábito de ler. Lançada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), e realizada pelo Ibope Inteligência, a pesquisa divulgada em 2013 revelou que, de acordo com os entrevistados, o professor superou a mãe como o principal responsável por influenciar a leitura nas crianças.
O papel do professor, que ascendeu ao topo da lista por sua grande importância na propagação do gosto pela leitura, merece destaque. O posto de maior influenciador da leitura era, em 2007 (ano da edição anterior da pesquisa), ocupado pela mãe. Já no último levantamento, 45% dos leitores apontaram o professor em primeiro lugar. Nessa disputa, a mãe ficou em segundo, com 43%, e o pai em terceiro, com 17%. "A pesquisa revelou de forma concreta a importância do professor na educação e na formação do comportamento leitor do brasileiro; hoje, mais do que nunca, é preciso que esse profissional seja valorizado como contribuinte para a disseminação da leitura no País", afirma Zoara Failla, coordenador da obra Retratos da Leitura no Brasil III.
A frequência com que os leitores e não-leitores - partindo do princípio de que leitor é aquele que leu um livro, inteiro ou em partes, nos últimos três meses -  viram os pais/responsáveis lendo também foi estudada. Entre os leitores, 22% alegaram que sempre viam a mãe lendo e 27% atestaram que viam de vez em quando; já entre os não-leitores, apenas 10% alegou que sempre via a responsável lendo.  Em relação aos pais, 13% dos leitores sempre os viram lendo, contra 7% dos não-leitores que alegaram o mesmo.
Ganhar livros também entra no circuito de influências: 88% dos leitores confirmam que terem sido presenteados com livros foi um grande estímulos para desenvolver o hábito de ler  e por prazer. A pesquisa mostra que 8% dos leitores sempre ganharam livros, 31% algumas vezes e 60% nunca ganharam. Entre os não leitores, 87% nunca ganharam um livro.
O estudo apontou ainda que, o índice de leitura ainda é baixo e há um árduo caminho para reverter esse quadro. O Pró-Livro tem como missão ajudar a transformar o Brasil em um país de leitores e, para isso, precisa mais do que nunca do apoio dos influenciadores apontados. Apesar do baixo índice, a pesquisa mostra o quanto o estímulo tem relevância na formação de novos leitores. "Além das políticas públicas, o exemplo deve começar de forma básica: em casa e na sala de aula", finaliza Zoara.
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/noticias-pr/994-professor-ultrapassa-a-mae-como-maior-influenciador-do-habito-de-ler-do-brasileiro

Alfabetização ativa


Escrito por Fábio Torres

“Aprender a ler e a escrever significa muito mais do que compreender o sistema de escrita alfabético. Significa produzir textos mesmo antes de saber escrever e, para isso, é preciso entender que a linguagem que se escreve se organiza a partir da intenção de comunicar algo a alguém”. A frase é de Elisangela Carolina Luciano, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Adirce Caveanha, em Mogi Guaçu (SP). Elisangela cita o verdadeiro significado da alfabetização como justificativa do projeto Alfabetização e Comunicação Visual, de sua autoria, que rendeu a ela o Prêmio Educadora do Ano de 2013, concedido pela Fundação Victor Civita.
Natural de Aguaí (SP), município de pouco mais de 32 mil habitantes, Elisangela trabalha com educação há 17 anos, dos quais foi professora de alfabetização durante 14 anos e coordenadora pedagógica nos outros três. Pelo fato de viver e trabalhar em cidades interioranas, Elisangela sempre se dedicou a trabalhar de forma sólida a alfabetização das crianças, o que a levou a criar o projeto Alfabetização e Comunicação Visual. “Um trabalho pautado por essa concepção só é possível se o processo de alfabetização acontecer em um contexto em que a leitura e a escrita tenham sentido e façam parte da vida do aluno”, ressalta. E acrescenta: “O projeto representa o esforço de desenvolver um trabalho em sala de aula que dialogasse com as práticas sociais reais, ao mesmo tempo em que assumisse a condição de comunidade de práticas produtoras de escritas que circulassem fora do universo escolar”, explica Elisangela.
Com uma turma de 23 alunos do 1º ano do ensino fundamental, na qual apenas três crianças eram alfabetizadas, a docente se dispôs a aliar as atividades em sala de aula com o cotidiano das crianças em Mogi Guaçu. “Busquei parcerias com os estabelecimentos comerciais instalados nas proximidades da escola e começamos a desenvolver em sala de aula atividades de leitura e escrita que pudessem ser inseridas em tais locais”, comenta. As atividades consistiram em resenhas de filmes infantis para a videolocadora, textos informativos para serem entregues aos clientes de uma barraquinha de cachorro-quente e placas do hortifrutigranjeiro, esclarece a professora, que enaltece o papel mais ativo das crianças no processo de alfabetização. “Ao unir o propósito didático com o social, foi possível desenvolver um trabalho em que os alunos foram protagonistas: visitaram o hortifrúti, anotaram os alimentos, pesquisaram sobre o valor nutricional, decidiram coletivamente o que seria escrito em cada placa, escreveram utilizando letras móveis, lápis, computador, revisaram as escritas de forma coletiva, digitaram as informações, revisaram novamente, levaram as placas para colocar nas barracas do hortifrúti”, relata.
Ao desenvolverem esse papel mais ativo na sociedade, as crianças melhoraram seu desempenho naturalmente e de maneira bastante rápida: em apenas seis meses (tempo de duração do projeto), elas estavam alfabetizadas. “Ao final do projeto, as crianças aprenderam a ler e a escrever alfabeticamente; a fazer uso do dicionário e da segmentação de palavras nas frases; a produzir textos orais com destino escrito, considerando as características do gênero (autorização); e a ter maior desenvoltura nas situações de leitura, buscando pistas no próprio texto, apoiando-se em seus conhecimentos sobre o conteúdo do texto e sobre o sistema de escrita”, conta a professora. “Além disso, as crianças se tornaram mais eficientes ao selecionarem informações relevantes de um texto lido”, completa.
Prêmio
Assim que o projeto ficou conhecido pelos outros professores da escola, Elisangela passou a receber sugestões para que se inscrevesse no Prêmio Educador Nota 10, promovido pela Fundação Victor Civita. O que a docente não imaginava é que seu projeto seria o grande vencedor da premiação, que reuniu cerca de três mil inscritos do País. “A premiação significou a oportunidade de ter a minha própria prática sendo submetida à análise de um grupo de especialistas da área e a confirmação de que o cuidado que eu sempre tive com o meu processo de formação tem me transformado em uma profissional atenta à sua realidade, dotada de uma dimensão reflexiva diante as questões educacionais e capaz de estar constantemente ressignificando a prática pedagógica”, diz a professora paulista, que promete continuar trabalhando para melhorar os índices de alfabetização na cidade. Ela ainda revela que irá mudar suas práticas para trazer novas metodologias de ensino para seus alunos. “Não é minha intenção manter o projeto da maneira como ele foi desenvolvido. Ele atendeu à necessidade de aprendizagem daquele grupo de alunos, pode ser aplicado com êxito em outras turmas, mas eu prefiro continuar buscando desenvolver novas práticas para que eu não me sinta um mero executor de estratégias educacionais moldadas e preestabelecidas”, afirma a professora. 
http://www.profissaomestre.com.br/index.php/reportagens/superprofessor/999-alfabetizacao-ativa

Saber que a educação gera inclusão social é a motivação, diz professora

Maria Botelho teve prêmios em todas as edições de olimpíada. 
Professora de matemática em Uberlândia, ela diz que fez a 'escolha certa'.


Fernanda ResendeG1 Triângulo Mineiro
Na primeira vez em que cogitou ser professora, Maria Botelho Alves Pena quase desistiu da ideia diante da perspectiva de baixos salários. Hoje, com 53 anos de idade e mais de 30 deles em sala de aula, e vários prêmios, ela está feliz por ter acreditado na vocação. "Fiz a escolha certa e vivenciei bons momentos na minha carreira."


Maria assumiu uma missão difícil: ensinar matemática, uma disciplina complexa e odiada por muitos estudantes. Em vez de se deixar abater pelas dificuldades, encontrou prazer no lado desafiador da profissão. Foi isso que a fez adiar por oito anos o afastamento preliminar, uma espécie de "pré-aposentadoria". "A minha motivação sempre foi o desafio de conseguir despertar ou acentuar o gosto dos alunos pela busca de conhecimento, acreditar que eu posso inspirá-los a ir além dos limites que eles mesmos se impunham", afirma.
Formada em matemática, com especialização e mestrado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (Impa), a professora começou a carreira em Iraí de Minas (MG), e há 20 anos leciona na Escola Estadual Messias Pedreiro, em Uberlândia. Ela foi premiada em todas as edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) até 2013 pelo desempenho de seus alunos na disputa. A seguir, conheça a história de Maria, uma das entrevistadas para o especial do G1 sobre o Dia dos Professores.
G1 – Por que você decidiu lecionar?
Maria Botelho Alves Pena – Eu sempre gostei de matemática, mas a princípio não tinha certeza se realmente queria ser professora, principalmente pela questão salarial. Hoje posso dizer que fiz a escolha certa e vivenciei bons momentos na minha carreira.
G1 – Você leciona há quanto tempo?
Maria Botelho – Eu comecei em fevereiro de 1981 e trabalhei como professora de matemática por mais de 30 anos. Há uma semana me afastei da sala de aula. Na verdade, eu poderia ter me afastado há mais de oito anos. De acordo com as leis de Minas Gerais, o professor pode se afastar e prestar outro tipo de serviço ao completar 25 anos de sala de aula, mesmo não tendo a idade mínima de 50 anos. No entanto, optei por continuar com as turmas porque sempre considerei que a sala de aula era um ambiente motivador, desafiador e prazeroso.
G1 – Você atuava na rede pública ou privada?
Maria Botelho – Eu já trabalhei na rede particular, mas desde 1990 atuo apenas na rede pública estadual.
G1 – Diante da sua experiência, qual é a diferença entre a rede pública e a privada?
Maria Botelho – Tanto a rede pública quanto a privada têm alunos interessados e alunos que não têm compromisso com o conhecimento e precisam ser despertados. Mas as condições da rede pública são piores. A carga horária, por exemplo, é menor do que a de uma escola particular.
G1 – Como você lida com o estereótipo da matéria que ministra, a matemática?
Maria Botelho – É uma questão cultural. Antigamente, o aluno já chegava com a ideia de que matemática é difícil, só para gênios. Hoje acredito que essa ligação está sendo quebrada, pois percebemos que a maioria dos nossos alunos tem optado por cursos na área de exatas, em diversas engenharias. Tudo depende da forma como você conduz a disciplina. Eu sempre disse que, se resolver um problema fosse fácil, alguém já teria descoberto vacinas para Aids e câncer. O problema da matemática é que é uma matéria cumulativa, e o aluno tem que conhecer determinados assuntos de séries anteriores. Nós vivemos em uma época em que muitos não trazem o conhecimento necessário, então devemos resgatá-lo e oferecer condições para que eles adquiram competências e habilidades essenciais para avançar. Às vezes, o crescimento é assustador depois que há esse comprometimento.
G1 – Você tem ou tinha que conciliar mais de um emprego?
Maria Botelho – Eu já tive dois cargos no Estado e ainda dava aula numa escola particular. Em 1990, optei por ficar com os dois cargos do Estado, dado o planejamento, a realização das atividades múltiplas para atender alunos em situações diferentes e aos projetos que fui desenvolvendo na escola. Com isso, acabei tendo jornada tripla, sacrificando finais de semana e o convívio com a família.
G1 – Isso não te causou nenhum estresse ou problema de saúde?
Maria Botelho – Acho que sou uma pessoa privilegiada, pois não tenho nenhuma licença de saúde, a não ser a de gestação.
G1 – Sabemos que os professores da rede pública têm salário baixo, infraestrutura deficitária etc. Mesmo assim, o que te motiva?
Maria Botelho – Realmente, o piso nacional para 40 horas é vergonhoso. Mesmo assim, criaram um subsídio e as vantagens adquiridas ao longo dos anos foram incorporadas [ao salário] para dizer que se pagava o piso. Se a gente for olhar pela questão salarial, é extremamente desmotivador. Eu acho que tem outras compensações. A minha motivação sempre foi o desafio de conseguir despertar ou acentuar o gosto dos alunos pela busca de conhecimento, a ousadia de acreditar que eu posso inspirá-los a ir além dos limites que eles mesmos se impunham e, principalmente, a certeza de que a educação promove a inclusão social e pode mudar o mundo. Acho que todas essas motivações minimizaram a minha indignação com o baixo salário e a falta de condições de trabalho.
G1 – Você acredita que a sociedade tem ciência da desvalorização do profissional da educação?
Maria Botelho –
 A própria sociedade desconhece a desvalorização do professor e a dificuldade que ele encontra. Por exemplo, eu tive um aluno de 3º ano do ensino médio que, em 2011, foi aprovado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em matemática e engenharia civil. Ele me falou que o sonho dele é trabalhar com o ensino fundamental, então ele desistiu da engenharia. Na época, os colegas de sala dele me pediram para não deixá-lo ser professor. Com isso, a gente nota que não há incentivo para uma graduação de licenciatura e que é mais fácil desistir ou abandonar a profissão.
G1 – Teve algo nesses mais de 30 anos de profissão que te desmotivou?
Maria Botelho – Sempre procurei olhar para o lado que me interessava e fazer que os alunos sentissem que valorizávamos aquele que queria aprender, e não o contrário. Com isso, houve a criação de uma cultura diferenciada, e o momento do 'não dá mais' não existiu.
G1 – Você já foi vítima de agressão, violência ou ofensas na sala de aula?
Maria Botelho – Felizmente, não. Já trabalhei em escolas em várias cidades e tenho o privilégio de falar que eu e meus alunos tivemos um convívio respeitoso.
G1 – Você acredita que mesmo afastada da sala de aula vai conseguir se desvincular da educação?
Maria Botelho – Mesmo estando afastada, eu assumi o compromisso com "meus alunos" da Escola Estadual Messias Pedreiro que vamos ter um dia de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, já estamos com um encontro marcado após o resultado da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) para uma confraternização. Eu estarei envolvida de alguma forma com o compromisso de melhorar a qualidade da educação básica. Para 2015, por exemplo, eu já aceitei o convite de ajudar na organização do 1º Simpósio da Região Sudeste de Formação do Professor de Matemática da Educação Básica, que será realizado em abril. E já há outras coisas que estou formatando e analisando. 
G1 – Fale um pouco do seu papel na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, na qual tem se destacado desde que ela teve início.
Maria Botelho – A olimpíada é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e tem como alguns dos seus objetivos descobrir talentos para a ciência e a tecnologia, melhorar a qualidade da educação básica e promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento. Desde a sua criação, em 2005, fui professora responsável na Escola Messias Pedreiro e, em função do desempenho dos meus alunos, fui premiada em todas as edições até 2013. O resultado deste ano sai apenas em dezembro. Pode ser que eu não seja premiada em 2014, mas já me sinto premiada, pois eu tinha 28 alunos classificados para a segunda fase. Eles se envolveram no processo. Eu acho que conseguimos tornar a olimpíada motivadora e não discriminatória. Fizemos ações em três pilares: mobilização, preparação e comemoração. Quando falo em comemoração não é comemorar o prêmio, e sim o crescimento. Os resultados positivos obtidos na Obmep me fazem defender uma olimpíada trabalhada em sala de aula, com todos os alunos. Trabalhar mais raciocínio do que conhecimento. A própria sociedade e as empresas estão valorizando a questão do raciocínio lógico desenvolvido, pois ele ajuda a produzir tecnologia para o país.
G1 – Teve algum momento nesses mais de 30 anos de carreira que te marcou de alguma forma?
Maria Botelho – 
Eu acho que é difícil de falar em um momento mais especial. São vários momentos marcantes, e cada um tem a sua beleza. Mas não vou conseguir esquecer o dia em que eu entrei e o dia em que saí da rede pública estadual. É uma coisa que vai ficar.
G1 – Qual mensagem você quer deixar neste Dia dos Professores?
Maria Botelho – Primeiro, quero parabenizar todos os profissionais da educação que têm a coragem de enfrentar a difícil missão que é educar, que driblam as adversidades e que fazem a diferença. A data deve ser um convite para que todos nós – professores, pais, alunos, sociedade e dirigentes – repensemos o nosso compromisso com a educação. Que a educação deixe de ser a estrela só em época de eleição. Eu gostaria de agradecer a todos que me deram a oportunidade de brindar a carreira marcada por momentos gratificantes, de um modo especial a meus eternos alunos. Também não poderia deixar de reconhecer o apoio incondicional da minha família, que foi muito importante para que eu tivesse a tranquilidade necessária para desempenhar o meu papel.
Veja outros relatos.





http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2014/10/saber-que-educacao-gera-inclusao-social-e-motivacao-diz-professora.html

Declaração para um novo ano

20 para 21  Certamente tivemos que fazer muitas mudanças naquilo que planejamos em 2019. Iniciamos 2020 e uma pandemia nos assolou, fazendo-...